História da terra e do homem no Planalto Central: eco-história do Distrito Federal – do indígena ao colonizador

História da terra e do homem no Planalto Central: eco-história do Distrito Federal – do indígena ao colonizador

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Autor

Paulo Bertran

Título

História da terra e do homem no Planalto Central: eco-história do Distrito Federal – do indígena ao colonizador

Editora

Solo

Ano

1994

Assuntos

História, Eco-história, Distrito Federal

Síntese

A construção de Brasília no Planalto Central invisibilizou a história dos grupos pré-históricos, dos indígenas, dos quilombolas, dos bandeirantes paulistas, dosjesuitas, dos criadores de gado, dos goianos. Invisibilizou as Estradas Reais que atravessaram o Brasil Central no período colonial, inclusive as duas que cortavem o território do atual Distrito Federal. Uma delas seguia em direção a Salvador, cruzando Brazlândia, Sobradinho e Planaltina. A outra, rumo ao Rio deJaneiro, passava pela Ponte Alta, no Gama. Invisibilizou o Planalto aurífero e as minas de ouro encontradas nas cidaes de Goiás, Pirenópolis, Corumbá, Luziânia, Santo Antônio do Descoberto, Jaraguá, Cavalcante. Invisibilizou as antigas fazendas centenárias goianas, que tiveram suas terras desapropriadas para a construção da nova capital. Fazendas, aliás, dentro do Distrito Federal , que pertenciam a Luziânia, Planaltina e Formosa. Isso mesmo! Luziânia, Planaltina, Formosa, Brazlândia, Pirenópolis, Corumbá, Cristalina já existiam. Brasília chegou depois… Bem depois… Depois de algumas dessas cidades já comemoravam 200 anos de idade. O andarilho cerratense Paulo Bertran visibilizou tudo iusso ao escrever esta “História da Terra e do Homem no Planalto Central – A Eco-história do Distrito Federal, do indígena ao colonizador”.

Referência

BERTRAN, P. História da terra e do homem no Planalto Central: eco-história do Distrito Federal – do indígena ao colonizador. Brasília: Solo, 1994.

Meiaponte: história e meio ambiente em Goiás

Meiaponte: história e meio ambiente em Goiás

Autor

Kelerson Semerene Costa

Título

Meiaponte: história e meio ambiente em Goiás

Editora

Paralelo 15

Ano

2001

Assuntos

História, Meio Ambiente, Mineração

Síntese

‘Meiaponte – História e meio ambiente em Goiás’ é um livro que participa do recente contexto da história ambiental brasileira. O autor toma como objeto de estudos a cidade de Meiaponte (atual Pirenópolis), no final do século XIX. O ponto de partida é a poluição das águas do rio das Almas, provocada pela Companhia de Mineração Goyana e a reação enérgica da população local. Esse episódio conduz à exploração de um amplo conjunto de problemas, entre os quais o de saber que atitudes e relações mantinham os homens daquele tempo com o ambiente à sua volta – as ações violentas do ano de 1887 não podem ser consideradas precursoras diretas das sensibilidades ambientais deste nosso século XXI, ou como ‘o início de uma vocação ecologista do povo pirenopolino’, como observa o autor deste livro, porém constituem, sem dúvida, um caso bem documentado da maneira pela qual os homens daquele tempo e daquele lugar enfrentaram o gravíssimo problema da poluição das águas que garantiam sua sobrevivência e qualidade de vida. Ao investigar o conflito, o livro revela a trajetória, ao longo do século XIX, daquele que foi, ao lado da antiga Vila Boa (atual Cidade de Goiás), o principal núcleo urbano da província, ao buscar os nexos entre relações sociais, estruturas de poder, sensibilidades ambientais e uso e controle dos recursos naturais. Além disso, o livro apresenta um quadro bem delineado do processo de reordenamento das forças produtivas em Goiás após o declínio da sociedade mineradora, aborda o esquecido tema da mineração no século XIX e oferece relevantes contribuições para a história das técnicas e a história cultural. A pesquisa foi feita com base em inventários post mortem, documentos oficiais da Câmara Municipal, do governo provincial e de ministérios, jornais e estudos técnicos, e também recorreu à fotografia e à literatura de caráter regionalista.

Referência

Semerene Costa, Kelerson. Meiaponte: história e meio ambiente em Goiás. Brasília: Editora Paralelo 15, 2013.

Cerrado em Cores e Tramas na obra de Mário Salluz e Juão de Fibra

Cerrado em Cores e Tramas na obra de Mário Salluz e Juão de Fibra

Autor

Êrika Fernandes Cruvinel 

Título

Cerrado em Cores e Tramas na obra de Mário Salluz e Juão de Fibra

Editora

Viva

Ano

2018

Assuntos

Cerrado, Artes

Síntese

O livro apresenta o Cerrado através das obras de dois artistas que migraram ainda criança, na década de 70, do nordeste para a região do Gama-DF, onde suas trajetórias de vida e artísticas foram construídas, tendo como referência a natureza em uma relação de integração profunda em que o homem, o artista, a obra e o Cerrado se confundem.

Referência

Fernandes Cruvinel, Êrika. Cerrado em Cores e Tramas na obra de Mário Salluz e Juão de Fibra. Brasília: Viva Editora, 2018.

Alternativas para o bioma Cerrado: agroextrativismo e uso sustentável da sociobiodiversidade

Alternativas para o bioma Cerrado: agroextrativismo e uso sustentável da sociobiodiversidade

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Autores

Stéphane Guéneau, Janaína Deane de Abreu Sá Diniz e Carlos José Sousa Passos

Título

Alternativas para o bioma Cerrado: agroextrativismo e uso sustentável da sociobiodiversidade

Editora

 Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB)

Ano

2020

Assuntos

Agroextrativismo, Cerrado e Sociobiodiversidades

Síntese

Este livro tem como objetivo proporcionar um panorama de diversas pesquisas que se interessa ao desenvolvimento sustentável do bioma Cerrado. Os 12 capítulos abordam as práticas agroextrativistas baseadas no uso sustentável da biodiversidade, como alternativas possíveis ao modelo agroexportador dominante que gera danos sociais e ambientais significativos. No entanto, procuramos oferecer uma obra que trata várias dimensões do desafio da elaboração e da implementação de uma alternativa viável no Cerrado: organização territorial, sistemas de produção, valorização dos saberes tradicionais, comercialização e organização das cadeias produtivas, políticas públicas, e tecnologias alternativas e adaptadas. As pesquisas apresentadas neste livro mostram que, embora frequentemente apresentados como “arcaicos”, os sistemas agroextrativistas são, pelo contrário, extremamente complexos e inovadores. As técnicas de conservação da agrobiodiversidade, os sistemas agroflorestais ou a capacidade de resiliência e adaptação ao avanço do agronegócio são evidências que mostram que tais sistemas deveriam ser integrados nos cenários de desenvolvimento sustentável do Cerrado.

Referência

Diniz, Janaína Deane de Abreu Sá; Passos, Carlos José Sousa. (Org.). Alternativas para o bioma Cerrado: agroextrativismo e uso sustentável da sociobiodiversidade. Stéphane Guéneau. Brasília, DF. Editora IEB Mil Folhas, 2020.

Dos Cerrados e de suas Riquezas: de saberes vernaculares e de conhecimento científico

Dos Cerrados e de suas riquezas: de saberes vernaculares e de conhecimento científico

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Autor

Carlos Walter Porto-Gonçalves 

Título

Dos Cerrados e de suas riquezas: de saberes vernaculares e de conhecimento científico

Editora

FASE e CPT

Ano

2019

Assuntos

Cerrado, Povos do Cerrado, Desenvolvimento

Síntese

A publicação organizada por Diana Aguiar, da FASE, e Valéria Pereira Santos, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), traz as análises acumuladas pelo professor Carlos Walter Porto-Gonçalves, da Universidade Federal Fluminense (UFF), em cerca de vinte anos de andanças pelos territórios dos Cerrados e diálogo com seus povos. O próprio Cerrado é, em si mesmo, uma ode ao diálogo na diversidade. Bioma dominante no Brasil Central, o Cerrado faz contato com quase todos os outros biomas brasileiros e, nessas variadas tensões ecológicas, multiplica suas riquezas em interação com as riquezas da Amazônia, da Caatinga e da Mata Atlântica. 

Ademais, como berço das águas que é, o Cerrado presenteia não somente seus povos, como também os povos que vivem nesses outros biomas, com fundamentais rios e aquíferos, desde vários afluentes do Madeira ao Velho Chico, do rio Paraná ao Parnaíba, do Doce ao rio Paraguai.

Referência

Aguiar, Diana; Santos, Valéria Pereira (Org.). Dos Cerrados e de suas Riquezas: de saberes vernaculares e de conhecimento científico. Carlos Walter Porto-Gonçalves. Rio de Janeiro-Goiânia: FASE, CPT, 2019. 

Magnastigma julia

Magnastigma julia, Nicolay, 1977

Nome(s) popular(es):

Fadinha.

História natural:

Magnastigma julia se reproduz várias vezes por ano, com principal ocorrência entre os meses de abril e julho, durante a estação seca. Encontrada em cerrados arbustivos, fisionomias abertas, campestres, rente a declividades pedregosas e úmidas, acima de 900 m de altitude. Populações restritas e com poucos indivíduos, normalmente relacionada à presença de sua planta hospedeira, trepadeira parasita Cassytha filiformis (Lauraceae). As fêmeas colocam seus ovos nas manchas da trepadeira, mesmo local onde as lagartas são encontradas e os machos defendem territórios.

Descrição:

Magnastigma julia é uma borboleta muito pequena (asa anterior 9mm), marrom escura, com mancha androconial negra muito grande na margem costal da face dorsal e pequenos pontos vermelhos submarginais na face ventral da asa posterior; as franjas e caudas brancas. Representa a menor espécie e a menos colorida dentro do gênero; é quase invisível quando voa rapidamente entre hastes de plantas arbustivas ou gramíneas” (CASAGRANDE; MIELKE; BROWN, 1998, p. 257).

Distribuição:

Endêmica do Brasil, “é encontrada em Brasília (DF), no município de Alto Paraíso de Goiás, nas proximidades do PARNA da Chapada dos Veadeiros e em Pirenópolis e Cocalzinho de Goiás, próximo à Serra dos Pireneus (GO) e nos municípios de Barbacena e Santana do Riacho (MG)” (ICMBIO, 2018, p. 169; EMERY; BROWN JR; PINHEIRO, 2006; SILVA et al., 2016)

Conservação:

Espécie categorizada como Em Perigo (EN) e Ameaçada (IUCN e ICMBio).

É rara, existem poucos dados sobre a espécie e é conhecida no Cerrado porção central em poucos locais próximos entre si. A perda e fragmentação de habitat, consequência dos impactos causados pelas atividades agropecuárias no Cerrado geram severo isolamento das populações. As queimadas, ocupação urbana e uso de agrotóxicos também representam ameaças à espécie.

“É necessária a proteção das áreas em que a espécie ocorre” (ICMBIO, 2018, p. 169) e “localização de novas colônias, preservação de seus hábitats, estudos ecológicos e biológicos” (FREITAS; MARINI-FILHO, 2011, p. 46).

Referências

CASAGRANDE, Mirna M; MIELKE, Olaf H.H; BROWN JR, Keith S. Borboletas (Lepidoptera) ameaçadas de extinção em Minas Gerais, Brasil. Rev. Bras. Zool., Curitiba, v.15, n.1, p. 241-259, 1998. https://doi.org/10.1590/S0101-81751998000100021.

 

EMERY, Eduardo de Oliveira; BROWN JR, Keith S.; PINHEIRO, Carlos E. G.. As borboletas (Lepidoptera, Papilionoidea) do Distrito Federal, Brasil. Rev. Bras. entomol., São Paulo, v. 50, n. 1, p. 85-92, Mar. 2006. https://doi.org/10.1590/S0085-56262006000100013.

 

FREITAS, A. V. L.; MARINI-FILHO, O. J. Plano de Ação Nacional para Conservação dos Lepidópteros Ameaçados de Extinção. Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, ICMBio, 2011. 124 p. (Série Espécies Ameaçadas; 13).

 

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2018. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção: Volume VII – Invertebrados. In: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. (Org.). Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília: ICMBio. 727p.

 

SILVA, N. A. P.; KAMINSKI, L. A.; SOARES, G. R.; FREITAS, A. V. L.; MARINI FILHO, O.J.; Uma agulha no palheiro: o desafio de encontrar, revelar e conservar a pequena borboleta ameaçada Magnastigma julia (Lycaenidae), 03/2016, XXXI Congresso Brasileiro de Zoologia,Vol. 1, pp.1-3, Cuiabá, MT, Brasil, 2016.

Gavião Pedrês

Buteo nitidus (Latham, 1790)

Nome(s) popular(es)

Gavião Pedrês, Gavião Cinza, Gavião Pintado.

História Natural

O Gavião Pedrês é um gavião relativamente comum, encontrado em bordas de matas, savanas e áreas abertas com árvores. Não costuma ocupar o interior de florestas densas, e pode habitar matas alteradas ou fragmentadas, sendo relativamente adaptável. No Cerrado, pode ser visto em matas de galeria, matas secas, cerradões, cerrados típicos e campos sujos. Fica muito tempo empoleirado, atento ao solo para caso alguma presa apareça, e pode ser visto planando, se sustentando nas correntes térmicas das horas mais quentes das manhãs, embora não plane muito alto ou por muito tempo. Seus hábitos são semelhantes ao do Gavião Carijó, embora seja menos comum, mais ágil e poderoso que ele. Caça atacando diretamente de um poleiro, mas pode manobrar entre as árvores para perseguir suas presas, que incluem lagartos, como o Bico Doce, cobras, aves, como o Saí de Perna Amarela e alguns periquitos (família Psittacidae), roedores, e insetos grandes, como gafanhotos e besouros. Faz seu ninho com gravetos e galhos secos no alto das árvores, geralmente na borda da mata, onde põe de 2 a 3 ovos. O macho costuma trazer alimento para a fêmea e filhotes durante as primeiras semanas de vida destes, e após esse período a fêmea passa a colaborar mais nesta tarefa. Durante a reprodução se torna territorialista, podendo atacar outros rapinantes que se aproximem da área de seu ninho, como o Falcão Peregrino.

Descrição

Mede de 38 a 46 cm de comprimento. Sua coloração geral é cinza claro, com as costas levemente mais escuras, e um fino padrão barrado claro do peito pra baixo, inclusive nas costas. Sua cauda é preta com duas a três barras brancas, além de uma fina faixa clara na extremidade. Suas patas e a base de seu bico são amarelas, e seu olho é castanho escuro.

Distribuição

Ocorre do sul da Costa Rica até o Paraguai e o norte da Argentina, principalmente a leste dos Andes, com uma área de ocorrência no oeste do Equador. No Brasil está presente nas regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), porém suas populações podem estar declinando (IUCN).

Referências

Bierregaard, R. O., P. F. D. Boesman, and J. S. Marks (2020). Gray-lined Hawk (Buteo nitidus), version 1.0. In Birds of the World (J. del Hoyo, A. Elliott, J. Sargatal, D. A. Christie, and E. de Juana, Editors). Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, NY, USA. https://doi.org/10.2173/bow.gryhaw3.01

 

BirdLife International. 2016. Buteo nitidus. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22727766A94961368. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22727766A94961368.en. Downloaded on 05 July 2020.

 

Clements, J. F. (2012). The Clements Checklist of Birds of the World. Cornell: Cornell University Press.

 

Gwynne, J. A., Ridgely, R. S., Argel, M., & Tudor, G. (2010). Guia Aves do Brasil: Pantanal e Cerrado. São Paulo: Horizonte.

 

Haverschmidt, F. (1962). Notes on the Feeding Habits and Food of Some Hawks of Surinam. The Condor, 64(2), 154–158.

 

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2018. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília: ICMBio. 4162 p.

 

Menq, W. (2018). Gavião-pedrês (Buteo nitidus). Aves de Rapina Brasil. Recuperado em 5 de julho, 2020, de http://www.avesderapinabrasil.com/buteo_nitidus.htm

 

Sick, H. (1997). Ornitologıa brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

 

Silva, J. M. C. da (1995). Birds of the cerrado region, South America. Steenstrupia, 21(1), 69-92.

 

Vargas-Masís, R., & Ramírez, O. (2012). Defensa territorial de Buteo nitidus y Quiscalus mexicanus ante depredación de Falco peregrinus en el Valle Central de Costa Rica. Zeledonia, 16, 15-24.


Wikiaves. (2018). Gavião-pedrês. Recuperado em 5 de julho, 2020, de https://www.wikiaves.com.br/wiki/gaviao-pedres

Gavião de Rabo Branco

Geranoaetus albicaudatus (Vieillot, 1816)

Nome(s) popular(es)

Gavião de Rabo Branco, Curucuturi, Gavião Branco, Gavião de Cauda Branca, Gavião Fumaça.

História Natural

O Gavião de Rabo Branco é um gavião imponente e robusto. Relativamente comum, é típico de áreas mais abertas, habitando campos, savanas, regiões montanhosas e locais com árvores espaçadas, incluindo pastos, plantações e proximidades urbanas. No Cerrado, pode ser encontrado nos cerrados típicos, veredas, cerradões, campos sujos e campos limpos. Pode ser visto empoleirado em árvores baixas ou até postes na beira de estradas, mas costuma planar bastante nas correntes térmicas, em círculos e a grandes alturas, ou pode pairar a menor altura, usando as asas e caudas habilmente contra o vento para se manter parado no ar enquanto vasculha o solo. Esse comportamento, parecido com o “peneirar” do Gavião Peneira, mas que usa a força do vento a favor e com batidas de asas mínimas, é típico do Gavião de Rabo Branco. É um caçador astuto e oportunista, se alimentando de uma diversidade de pequenos animais, como cobras e lagartos, anfíbios, pequenos roedores e marsupiais, outras aves, como o Martim Pescador, insetos maiores, até morcegos. Caça de diferentes formas, podendo espreitar e investir a partir de um poleiro, procurar presas pelos campos enquanto plana alto, ou pairando contra o vento mais próximo do solo. Pode se aproximar de estradas em busca de animais atropelados, e de queimadas, em busca de animais espantados pelo fogo e pela fumaça, os capturando no chão ou em pleno ar. Faz seus volumosos ninhos com gravetos, sobre árvores isoladas e não muito altas, onde põe de 1 a 3 ovos, e pode reutilizá-los em diferentes ninhadas.

Descrição

Mede entre 51 e 61 cm de comprimento. Possui a cabeça, garganta, laterais do pescoço e do peito cinza escuro, assim como as costas e o dorso das asas. Seu ventre é branco, incluindo o peito. Possui uma larga mancha castanho avermelhado na região dos ombros. Por baixo, suas asas são brancas com bordas negras, e um fino padrão barrado que pode se estender até as laterais da barriga. Sua cauda é branca com uma faixa preta próxima da ponta. Alguns indivíduos, embora seja menos comum, possuem uma coloração totalmente negra no dorso e no ventre, preservando porém os padrões sob a cauda e a asa. Os padrões sob a cauda, além de seu tamanho geral, ajudam a diferenciá-lo de outros gaviões e águias (família Accipitridae) que se assemelham quando em voo, como o Gavião de Cauda Curta, menor e com mais faixas na cauda, e a Águia Chilena, maior e com a cauda toda cinza.

Distribuição

Ocorre largamente pelas Américas, estando presente em diversas regiões da América Central e do Norte, até o extremo sul dos Estados Unidos, e de forma ampla na América do Sul, incluindo Colômbia, Venezuela, Guianas e Suriname, Brasil, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina. No Brasil está presente em todo o território.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), e suas populações podem estar aumentando (IUCN). Sua preferência por áreas abertas e sua alimentação generalista contribuem para que se adapte bem à áreas agrícolas e urbanas.

Referências

BirdLife International. 2016. Geranoaetus albicaudatus. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22695906A93533542. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22695906A93533542.en. Downloaded on 28 June 2020.

 

Clements, J. F. (2012). The Clements Checklist of Birds of the World. Cornell: Cornell University Press.

 

Farquhar, C. C. (2020). White-tailed Hawk (Geranoaetus albicaudatus), version 1.0. In Birds of the World (A. F. Poole, Editor). Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, NY, USA. https://doi.org/10.2173/bow.whthaw.01

 

Granzinolli, M. A. M. (2003). Ecologia Alimentar do gavião-do-rabo-branco Buteo albicaudatus (Falconiformes: Accipitridae) no município de Juiz de Fora, sudeste do estado de Minas Gerais (Tese de mestrado, Universidade de São Paulo).

 

Granzinolli, M. A. M., & Motta-Junior, J. C. (2007). Feeding ecology of the White-tailed Hawk (Buteo albicaudatus) in south-eastern Brazil. Emu – Austral Ornithology, 107(3), 214–222.

 

Gwynne, J. A., Ridgely, R. S., Argel, M., & Tudor, G. (2010). Guia Aves do Brasil: Pantanal e Cerrado. São Paulo: Horizonte.

 

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2018. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília: ICMBio. 4162 p.

 

Menq, W. (2018). Gavião-de-rabo-branco (Geranoaetus albicaudatus). Aves de Rapina Brasil. Recuperado em 28 de junho, 2020, de  http://www.avesderapinabrasil.com/buteo_albicaudatus.htm

 

Sick, H. (1997). Ornitologıa brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

 

Silva, J. M. C. da (1995). Birds of the cerrado region, South America. Steenstrupia, 21(1), 69-92.

 

Tubelis, D. P. (2009). Veredas and their use by birds in the Cerrado, South America: a review. Biota Neotropica, 9(3), 363-374.

 

Wikiaves. (2018). Gavião-de-rabo-branco. Recuperado em 28 de junho, 2020, de https://www.wikiaves.com.br/wiki/gaviao-de-rabo-branco

Gavião Carijó

Rupornis magnirostris (Gmelin, 1788)

Nome(s) popular(es)

Gavião Carijó, Anajé, Gavião Indaié, Gavião Pinhel, Gavião Pega Pinto, Pega Pinto, Papa Pinto, Inajé, Gavião Pinhé, Indaié.

História Natural

Ave muito comum, é encontrado em uma grande diversidade de ambientes, sendo menos abundante no interior de áreas densamente florestadas. Normalmente é o gavião (família Accipitridae) mais comum pelo Brasil, principalmente em áreas urbanas. Habita bordas de matas, savanas, florestas menos densas, campos permeados por árvores e arvoredos urbanos. No Cerrado pode ser encontrado em matas de galeria, matas ciliares, matas secas, cerradões, cerrados típicos, veredas e campos sujos. Costuma planar em círculos, aproveitando as correntes térmicas para se sustentar no ar. Também fica muito tempo pousado em árvores, postes, cercas, e costuma ser visto nas margens de rodovias. Vive solitário ou mais frequentemente em pares, e costuma vocalizar bastante, com um chamado bem característico, agudo e anasalado, motivo de alguns de seus nomes populares. Seu chamado lembra o do Carrapateiro, porém o deste é mais estridente e arranhado. Usa o chamado constantemente para manter domínio sobre seu território, e costuma utilizar o mesmo poleiro repetidamente. É um caçador oportunista com uma dieta bem variada, o que contribui para sua abundância e facilidade de se adaptar a ambientes urbanos ou levemente alterados. Se alimenta de insetos (besouros, lagartas, gafanhotos, abelhas, formigas, cigarras, etc.), aranhas e escorpiões, lagartos, cobras, anfíbios, aves (tanto adultos quanto jovens e ovos em ninhos), e pequenos mamíferos, como roedores, marsupiais e morcegos. Costuma caçar a partir de um poleiro, se atirando sobre a presa quando a avista. Pode seguir grupos de formiga de correição para capturar os pequenos animais espantados por elas, e se aproximar de queimadas interessado nos animais mortos pelo fogo. Pode ser predado pela Jiboia. Faz seus ninhos com gravetos sobre árvores, entre 3 e 15 metros de altura, pondo de 1 a 2 ovos. A fêmea se responsabiliza pela incubação enquanto o macho traz alimento para ela, e enquanto não caça se mantém vigilante próximo ao ninho, vocalizando muito e podendo se tornar agressivo contra intrusos, atacando até mesmo humanos que se aproximem.

Descrição

Mede entre 33 e 41 cm de comprimento. Possui uma grande variedade de coloração, que no geral possuem tons cinzentos e pardos, com cabeça e dorso mais escuros se contrastando com peito e barriga barrados. A cor da cabeça, costas e partes superiores das asas varia entre um tom cinza pardo a um castanho escuro. O peito, barriga e coxas são esbranquiçados, com um barrado creme claro alaranjado. As penas das extremidades das asas são castanhas avermelhadas, podendo ser vistas quando em voo. Sua cauda é barrada, com três barras negras e três brancas, além das extremidades brancas. A base de seu bico e as patas são amarelas, com olho amarelo claro.

Distribuição

Possui uma ampla distribuição pelas Américas, ocorrendo do norte do México à Argentina central, incluindo todos os países sul americanos com exceção do Chile. No Brasil está presente em todo o território.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), e suas populações estão aumentando (IUCN). Graças a sua boa adaptação a ambientes modificados e preferência por áreas não densamente florestadas, pode acabar se beneficiando com um pouco de desflorestamento, sendo o gavião mais comum em áreas urbanas e alteradas.

Referências

Beltzer, A. H. (1990). Biología alimentaria del Gavilán Comun Buteo magnirostris saturatus (Aves: Accipitridae) en el valle aluvial del Rio Paraná medio, Argentina. Ornitología Neotropical, 1(1,2), 3-8.

 

Bierregaard, R. O., P. F. D. Boesman, and G. M. Kirwan (2020). Roadside Hawk (Rupornis magnirostris), version 1.0. In Birds of the World (J. del Hoyo, A. Elliott, J. Sargatal, D. A. Christie, and E. de Juana, Editors). Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, NY, USA. https://doi.org/10.2173/bow.roahaw.01

 

BirdLife International. 2016. Rupornis magnirostris. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22695880A93531219. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22695880A93531219.en. Downloaded on 24 May 2020.

 

Clements, J. F. (2012). The Clements Checklist of Birds of the World. Cornell: Cornell University Press.

 

Gwynne, J. A., Ridgely, R. S., Argel, M., & Tudor, G. (2010). Guia Aves do Brasil: Pantanal e Cerrado. São Paulo: Horizonte.

 

Haverschmidt, F. (1962). Notes on the feeding habits and food of some hawks in Surinam. Condor, 64(2), 154–158.

 

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2018. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília: ICMBio. 4162 p.

 

Menq, W. (2018). Gavião-carijó (Rupornis magnirostris). Aves de Rapina Brasil. Recuperado em 24 de maio, 2020, de   http://www.avesderapinabrasil.com/rupornis_magnirostris.htm

 

Panasci, T. (2012). Roadside Hawk. Pp. 152–163 in: Whitacre, D.F. (ed.) Neotropical Birds of Prey: Biology and Ecology of a Forest Raptor Community. Cornell University Press, Ithaca, New York.

 

Panasci T., Whitacre, D. (2000). Diet and Foraging Behavior of Nesting Road-side Hawks in Pete´n, Guatemala. Wilson Bulltin, 112(4), 555-558.

 

Sick, H. (1997). Ornitologıa brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

 

Silva, J. M. C. da (1995). Birds of the cerrado region, South America. Steenstrupia, 21(1), 69-92.

 

Tubelis, D. P. (2009). Veredas and their use by birds in the Cerrado, South America: a review. Biota Neotropica, 9(3), 363-374.


Wikiaves. (2020). Gavião-carijó. Recuperado em 24 de maio, 2020, de https://www.wikiaves.com.br/wiki/gaviao-carijo

Águia Cinzenta

Urubitinga coronata (Vieillot, 1817)

Nome(s) popular(es)

Águia Cinzenta, Águia Coroada.

História Natural

Águia poderosa e muito rara, se encontra ameaçada de extinção e seus hábitos não são muito conhecidos. É uma das maiores águias (família Accipitridae) do Brasil, atrás apenas da Harpia, sendo a maior nos ambientes não florestais. Típica de áreas mais abertas, habita campos, savanas, e matas próximas de campos, estando bem associada a regiões montanhosas e de terreno acidentado. É nativa do Cerrado, Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica, Pampas e Chacos Bolivianos. Suas populações são muito escassas e fragmentadas. Necessita de áreas extensas de vegetação aberta ou semiaberta bem preservada para sobreviver, sendo uma espécie bem sensível a ambientes alterados e se afetando bastante pelo processo de conversão de paisagens naturais em larga escala, principalmente no avanço da agropecuária. É monogâmica e territorialista, vivendo solitária ou em pares. No Cerrado, pode ser encontrada em cerradões, cerrados típicos, cerrados rupestres, campos sujos, campos limpos e veredas. Costuma ficar pousada em locais expostos, como no alto de árvores e cupinzeiros, de onde pode ter uma boa vista dos arredores para encontrar suas presas. É um predador poderoso, se alimentando de mamíferos de porte médio, aves e répteis. Eventualmente também pode comer carniça, inclusive de animais atropelados e de criação pecuária, além de costumar caçar galinhas. Suas presas naturais incluem tatus, gambás e roedores, como o Tatu Galinha, o Saruê, a Jaritataca e o Tapiti, além de tartarugas, cobras e lagartos grandes, como Jararacas e o Teiú. Faz seu ninho com gravetos no alto de árvores, onde põe apenas 1 ovo. A reprodução se passa por volta de outubro, porém não ocorre todos os anos, pois o filhote fica sob o cuidado dos pais por mais de um ano, um período bem longo comparado com a maioria das aves.

Descrição

Mede de 75 a 85 cm de comprimento, sendo uma das maiores águias (família Accipitridae) do Brasil. Sua coloração é cinzenta, com o dorso mais escuro, podendo possuir tons castanhos. A base de seu bico e suas patas são amarelas, e as penas de sua nuca são mais compridas, formando uma crista, que pode estar levantada ou não. Sua cauda é relativamente curta, preta com uma barra branca e uma fina faixa mais clara na extremidade. Seu bico, patas e garras são bem fortes.

Distribuição

Sua distribuição é restrita ao centro da América do Sul, se estendendo do Brasil ao leste da Bolívia, Paraguai, e Argentina. No Brasil está presente nos estados do Centro-Oeste, Sul, Sudeste, Bahia, Maranhão, Piauí e Pará.

Conservação

Em perigo: é considerada ameaçada no Brasil e globalmente (ICMBio e IUCN), e suas populações estão em declínio (IUCN), sendo estimado que restem entre 250 e 1000 indivíduos maduros na natureza, dispersos em populações reduzidas e fragmentadas. Entre suas principais ameaças, destaca-se a perda de habitat pela conversão de áreas naturais, principalmente pela expansão da agropecuária, o que também acarreta na possibilidade de contaminação por defensivos agrícolas, além da caça, geralmente feita por fazendeiros devido ao hábito da Águia Cinzenta de atacar animais de criação. Atualmente, a região do Parque Estadual do Jalapão é considerada a Unidade de Conservação em melhores condições para ajudar na conservação da espécie.

Referências

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