Busarellus nigricollis (Latham, 1790)

Vocalização

Nome(s) popular(es)

Gavião Belo, Gavião Velho, Gavião Padre, Gavião Panema, Gavião Lavadeira (MT), Gavião Balaio (AM).

História Natural

Gavião típico de áreas úmidas e alagadas, principalmente aquelas não muito fundas, sendo relativamente comum nos locais onde está presente. Frequenta as margens de lagoas, brejos, pântanos, manguezais, e até represas e barragens. É nativo da Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Cerrado, e diversos outros biomas tropicais e subtropicais das Américas, especialmente o Pantanal. No Cerrado pode ser visto em matas de galeria, matas ciliares, veredas e campos alagados. Costuma aproveitar correntes de ar quente para se sustentar no ar e planar alto, porém na maior parte do tempo fica empoleirado em um galho baixo, próximo da água, à espera de que uma presa apareça, pois se alimenta principalmente de peixes. Ao detectar um peixe próximo à superfície, ou entre a vegetação aquática, se lança do poleiro e o captura com os pés. Suas garras são finas e compridas, e a sola de seus dedos possuem pequenos espinhos, para auxiliar a agarrar suas presas escorregadias. Diferente da Águia Pescadora, que pode mergulhar e pegar peixes mais a fundo, o Gavião Velho os captura próximos da superfície da água em voos rasantes, molhando apenas as patas. Apesar da dieta especializada, também pode se alimentar de insetos aquáticos, anfíbios, filhotes de aves, crustáceos e caramujos, e eventualmente pequenos roedores, lagartos, cobras, e até filhotes de jacarés. Faz seu ninho com gravetos, construído por ambos os pais, no alto de árvores próximas da água, e põe de 1 a 2 ovos cinzentos. O casal pode reutilizar o mesmo ninho, o qual mantém reforçando, e realizam voos acrobáticos em conjunto durante a estação reprodutiva, subindo, descendo e circulando no ar.

Descrição

Mede entre 46 e 53 cm de comprimento. Possui a cabeça esbranquiçada, bem contrastante com o resto do corpo, de cor castanho avermelhado vivo. No seu pescoço há um colar negro que separa o branco da cabeça do castanho do peito, que é um pouco mais claro que no resto do corpo. As penas de voo da sua asa são negras, assim como as da cauda, que possuem finas faixas alaranjadas. Suas asas são largas e arredondadas, e sua cauda é relativamente curta.

Distribuição

Está presente na maior parte da América do Sul e Central. Sua distribuição se estende do México a até o Uruguai e nordeste da Argentina. No Brasil está presente em praticamente todo território.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), porém suas populações podem estar diminuindo (IUCN), sendo que a deterioração de áreas úmidas é sua principal ameaça.

Referências

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