Agrobiodiversidade no Cerrado

O conceito de agrobiodiversidade reflete as dinâmicas e complexas relações entre as sociedades humanas, as plantas cultivadas e os ambientes em que convivem, repercutindo sobre as políticas de conservação dos ecossistemas cultivados, de promoção da segurança alimentar e nutricional das populações humanas, de inclusão social e de desenvolvimento local sustentável.

A biodiversidade ou diversidade biológica – a diversidade de formas de vida – encobre três níveis de variabilidade: a diversidade de espécies, a diversidade genética (a variabilidade dentro do conjunto de indivíduos da mesma espécie) e a diversidade ecológica, que se refere aos diferentes ecossistemas e paisagens. Isso ocorre também em relação à agrobiodiversidade, que inclui a diversidade de espécies (por exemplo, espécies diferentes de plantas cultivadas, como o milho, o arroz, a abóbora, o tomate etc.), a diversidade genética (por exemplo, variedades diferentes de milho, feijão etc.) e a diversidade de ecosssistemas agrícolas ou cultivados (por exemplo, os sistemas agrícolas tradicionais de queima e pousio, também chamados de coivara ou itinerantes, os sistemas agroflorestais, os cultivos em terraços e em terrenos inundados etc.). Os agroecossistemas são áreas de paisagem natural transformadas pelo homem com o fim de produzir alimento, fibras e outras matérias-primas. Uma das características dos agroecossistemas é a predominância de espécies de interesse humano e uma organização espacial que estrutura e facilita o trabalho de produção, segundo Kátia Marzall.

A agrobiodiversidade, ou diversidade agrícola, constitui uma parte importante da biodiversidade e engloba todos os elementos que interagem na produção agrícola: os espaços cultivados ou utilizados para criação de animais domésticos, as espécies direta ou indiretamente manejadas, como as cultivadas e seus parentes silvestres, as ervas daninhas, os parasitas, as pestes, os polinizadores, os predadores, os simbiontes3  (organismos que fazem parte de uma simbiose, ou seja, que vivem com outros) etc., e a diversidade genética a eles associada (também chamada de diversidade intraespecífica, ou seja, dentro de uma mesma espécie). A diversidade de espécies é chamada de diversidade interespecífica.

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Referência: 

SANTILLI, Juliana. A Lei de Sementes brasileira e os seus impactos sobre a agrobiodiversidade e os sistemas agrícolas locais e tradicionais. Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum., Belém , v. 7, n. 2, p. 457-475, Aug. 2012 .

Florestas de Comida no Cerrado

O projeto Florestas de Comida no Cerrado busca, por meio de um conjunto de atividades articuladas, reconhecer o protagonismo da mulher na dinâmica rural estimulando o seu reconhecimento como atores políticos na construção da concepção agroecológica e protetoras da biodiversidade, por meio da disseminação do sistema MAES. Assim, espera-se o envolvimento das famílias agricultoras, através da revalorização das atribuições produtivas e reprodutivas de homens e mulheres, promovendo o fortalecimento do capital social e ambiental local, desencadeando o desenvolvimento rural sustentável do Cerrado. Neste sentido, o projeto irá trabalhar a disseminação da metodologia MAES para incentivar a prática agroflorestal como modelo de produção; oferecer às famílias de agricultores e agricultoras de assentamentos/comunidades rurais condições para iniciar a produção de alimentos em sistemas agroecológicos e promover cursos e oficinas em Agroecologia (Sistemas Agroflorestais Sucessionais) e acesso ao mercado para as famílias rurais da região, priorizando a prática nos métodos e tecnologias sociais e a troca de experiências entre agricultores/as familiares.

Instituição: Cooperativa Agropecuária dos Produtores Familiares de Niquelândia –  Cooperagrofamiliar

Responsáveis: Cirino Vicente Ferreira e Luiz Cláudio Santos
E-mail: cooperagro@hotmail.com, agroflorestamaes@gmail.com
Telefone: +55 (62) 3354-4265

Corredor prioritário: Veadeiros – Pouso Alto – Kalungas