Arqueologia no Planalto Central

Arqueologia é entendida como a ciência que estuda a cultura por meio dos seus vestígios materiais. Seu foco principal é o conhecimento da pré-história e dos povos da antiguidade. No Brasil, a arqueologia tem como principal enfoque o estudo dos testemunhos da cultura paleoameríndia, ou seja, dos povos pré-históricos aqui estabelecidos antes da chegada dos portugueses. Outros ramos da Arqueologia têm se desenvolvido e se destacado, como a Arqueologia Histórica (que estuda os vestígios da ocupação humana no Brasil desde o início da colonização pelos europeus) e a Arqueologia Subaquática (que tem como objeto de análise os naufrágios e vestígios humanos submersos).

O sítio arqueológico pode ser classificado como sambaqui (formações de pequena elevação formadas por restos de alimentos de origem animal, esqueletos humanos, artefatos de pedra, conchas e cerâmica, vestígios de fogueira e outras evidências primitivas), estearia (jazidas de qualquer natureza que representam testemunhos da cultura dos povos primitivos brasileiros), mound (monumentos em forma de colinas, que serviam de túmulos, templos e locais para moradia), e hipogeu (ambientes subterrâneos, às vezes com pequenas galerias, nas quais eram sepultados os mortos).

Em áreas urbanas, o sítio arqueológico histórico é um espaço geográfico delimitado pela presença de vestígios materiais oriundo do processo de ocupação do território pós-contato, tais como:

  • Estruturas, ruínas e edificações construídas com o objetivo de defesa ou ocupação (buracos, baterias militares, fortalezas e fortins);

  • vestígios das infraestruturas (vias, ruas, caminhos, calçadas, ruelas, praças, sistemas de esgotamento de águas e esgotos, galerias, poços, aquedutos, fundações remanescentes das mais diversas edificações, dentre outras que fizeram parte do processo de ocupação iniciados nos núcleos urbanos e em outros lugares);

  • lugares e locais onde possam ser identificadas remanescentes de batalhas históricas e quaisquer outras dimensões que envolvam combates; Antigos cemitérios, quintais, jardins, pátios e heras;

  • estruturas remanescentes de antigas fazendas, quilombos, senzalas e engenhos de cana e farinha;

  • estruturas remanescentes de processos industriais e manufatureiros; e

  • vestígios, estruturas e outros bens materiais que possam contribuir na compreensão da memória nacional pós-contato.

O patrimônio arqueológico integra o patrimônio cultural material e engloba todos os vestígios da existência humana e todos os lugares onde há indícios de atividades humanas, não importando quais sejam elas, estruturais e vestígios abandonados, de todo tipo, na superfície, no subsolo ou sob as águas, assim como o material a eles associados (Carta de Laussane). O Patrimônio Arqueológico possui uma base de dados finita e não comporta restauração, sua capacidade de suporte de alterações é muitíssima limitada.

Esse patrimônio caracteriza-se como o conjunto de locais onde habitaram as populações pré-históricas, e toda e qualquer evidência das atividades culturais desses grupos e inclusive seus restos biológicos. É formado não só por bens matérias (artefatos de pedra, osso, cerâmica, restos de habitação, vestígios de sepultamentos funerários), mas também e principalmente pelas informações deles dedutíveis a partir, por exemplo, da sua própria disposição locacional, das formas adotadas para ocupação do espaço e dos contextos ecológicos selecionados para tal. O Patrimônio Arqueológico (histórico) compreende os sítios arqueológicos históricos definidos durante o Congresso Internacional de Sítios Urbanos – 2002, realizado pelo Iphan, em Brasília.

Museu Arqueológico e Histórico do Planalto Central

O parque Três Meninas, localizado em Samambaia, região administrativa próxima a Brasília, passou a sediar o Museu Arqueológico e Histórico do Planalto Central no dia 09 de setembro de 2014. O lançamento fez parte de um conjunto de ações desenvolvidas pela Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN-DF), com o apoio do Instituto Brasília Ambiental (IBRAM), entidade responsável pelos parques do Distrito Federal. Destacam-se a exposição “O IPHAN e o Patrimônio Arqueológico do Planalto Central”, realizada pelo IPHAN-DF, com o apoio do Departamento de Articulação e Fomento (DAF) e colaboração do IPHAN-Goiás e a exposição “Patrimônio Arqueológico no Planalto Central: Eco-História do Cerrado” sob a curadoria da Dra Rosângela Corrêa da Faculdade de Educação da UnB com apoio do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA) – vinculado à Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPE) da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás).

Infelizmente o Museu teve suas portas fechadas no Parque Três Meninas, mas tornou-se itinerante dentro do Distrito Federal através de uma exposição que neste momento as pessoas poderão visitá-la on line:

Entre no Museu no link abaixo:

Museu Arqueológico e Histórico do Planalto Central

Curadoria: Dra Rosângela Azevedo Corrêa

                  Faculdade de Educação – Universidade de Brasília

A Constituição inclui como patrimônio cultural brasileiro as formas de expressão, os modos de criar, fazer e viver, as criações científicas, artísticas e tecnológicas, as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinado as às manifestações artístico-culturais e os (..) sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico, garantindo o pleno exercício dos direitos culturais e responsabilizando o Estado pelo apoio, proteção, valorização e difusão das manifestações culturais indígenas, afro-brasileiras e de outros grupos do processo civilizatório nacional.

O que é afinal educação patrimonial?

Trata-se de um processo permanente e sistemático de trabalho educacional centrado no Patrimônio Cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo. A partir da experiência e do contato direto com as evidências e manifestações da cultura, em todos os seus múltiplos aspectos, sentidos e significados, o trabalho de Educação Patrimonial busca levar as crianças e adultos a um processo ativo de conhecimento, apropriação e valorização de sua herança cultural, capacitando-os para um melhor usufruto destes bens, e propiciando a geração e a produção de novos conhecimentos, num processo contínuo de criação cultural.

O conhecimento crítico e a apropriação consciente pelas comunidades do seu patrimônio são fatores indispensáveis no processo de preservação sustentável desses bens, assim como no fortalecimento dos sentimentos de identidade e cidadania.

A Educação Patrimonial é um instrumento de “alfabetização cultural” que possibilita ao indivíduo fazer a leitura do mundo que o rodeia, levando-o à compreensão do universo sócio-cultural e da trajetória histórico-temporal em que está inserido. Este processo leva ao reforço da auto-estima dos indivíduos e comunidades e à valorização da cultura brasileira, compreendida como múltipla e plural.

O diálogo permanente que está implícito neste processo educacional estimula e facilita a comunicação e a interação entre as comunidades e os agentes responsáveis pela preservação e estudo dos bens culturais, possibilitando a troca de conhecimentos e a formação de parcerias para a proteção e valorização desses bens.

A metodologia específica da Educação Patrimonial pode ser aplicada a qualquer evidência material ou manifestação da cultura, seja um objeto ou conjunto de bens, um monumento ou um sítio histórico ou arqueológico, uma paisagem natural, um parque ou uma área de proteção ambiental, um centro histórico urbano ou uma comunidade da área rural, uma manifestação popular de caráter folclórico ou ritual, um processo de produção industrial ou artesanal, tecnologias e saberes populares, e qualquer outra expressão resultante da relação entre indivíduos e seu meio ambiente.”

Fonte: Guia Básico de Educação Patrimonial/ Maria de Lourdes Parreiras Horta, Evelina Grumberg, Adriane Queiroz Monteiro – Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Museu Imperial, 1999.

As cavernas são precipuamente espaços geográficos inseridos no meio ambiente natural, que se destacam também por conterem atributos ecológicos e por serem portadores de valor de referência cultural para a sociedade brasileira.

Os sítios espeleológicos são um bom exemplo da interdisciplinariedade e da diversidade de valores e interesses presentes em um mesmo espaço geográfico. Desde 1961 as cavernas são espaços protegidos nos termos do art. 2, b, da Lei n.º 3.924/61, que enumera, como patrimônio arqueológico, as cavernas, lapas, grutas e abrigos sobre rocha onde são encontrados vestígios de natureza arqueológica. Esses espaços espeleológicos podem abrigar também bens paleontológicos (e nesse caso é aplicável também a norma que cuida dessa matéria).  Enfim, mesmo as cavernas de baixa e média relevância podem oferecer aos arqueólogos e paleontólogos elementos informativos de grande importância para a compreensão da trajetória dos seres vivos sobre a terra.

  • Parque Estadual Terra Ronca

    Formadas ao longo de milhões de anos, as grutas do Parque Estadual de Terra Ronca formam um dos maiores complexos espeleológicos do Brasil. Localizado entre os municípios de São Domingos e Guarani de Goiás, o parque fica na Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra Geral de Goiás, com extensão de aproximadamente 57 mil hectares.

    O Parque conta com mais de 200 cavernas catalogadas entre elas “11 são molhadas”, ou seja, passa um rio por dentro, segundo informações de um guia local. O Acesso às cavernas são variados onde encontramos desde locais de fácil acesso e travessia como outros de médio, difícil e muito difícil acesso.

  • Chapada dos Guimarães

    Na região da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso, segundo o espeleólogo (profissional que estuda as cavernas) José Guilherme Aires Lima, chefe do Centro Nacional de Estudos, Proteção e Manejo de Cavernas do Ibama/MT, a grande maioria dos sítios arqueológicos não se beneficiam do Parque Nacional porque estão fora de seu território. “Na época da demarcação, já havia conhecimento da existência dos sítios, mas eles foram excluídos”.

    O espeleólogo afirma que, apesar dos sítios serem de difícil acesso, a falta de fiscalização incentiva a visitação dos turistas. Um dos mais conhecidos é a Lapa do Frei Canuto, um sítio de cerimonial que foi depredado com pixações.

    Outro sítio que está fora do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães é a caverna Kamukuaká, às margens do rio Batuvi. Este é um sítio arqueológico vivo, que conta com os relatos dos descendentes indígenas para a interpretação dos materiais encontrados. Os índios Waurás estão confinados no Parque e, desde o ano passado, reivindicam o reconhecimento da área da caverna para o tombamento. Mas agora, segundo José Guilherme Lima, o sítio está sendo ameaçado pela autorização de cerca de 20 mil hectares de desmatamento para o plantio de algodão no entorno.

    Fonte: http://www.oei.es/divulgacioncientifica/reportajes_121.htm

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