Marreca Caneleira

Dendrocygna bicolor (Vieillot, 1816)

Nome(s) popular(es)

Marreca Caneleira, Marreca Peba, Tapuia, Xenxém.

História Natural

É uma ave aquática comum, típica de habitats abertos, como banhados e brejos, não adentrando muito em áreas florestadas. Pode ocorrer em grandes bandos, inclusive junto com outras marrecas, como a Marreca Cabocla. Se alimenta principalmente de plantas, especialmente gramíneas e grãos, que podem estar submersas ou não, além de sementes, frutas, insetos, pequenos peixes, girinos e crustáceos. Pode ser ouvida vocalizando, principalmente à noite, com seus piados rápidos e agudos. Fazem ninhos preferencialmente no chão, sobre a vegetação aquática, mas podem usar ocos de árvores. A fêmea põe de 8 a 14 ovos brancos, e tanto os ovos quanto os filhotes são cuidados pelo casal em conjunto.

Descrição

Mede entre 45 e 53 cm. Sua cabeça, base do pescoço, peito e barriga são marrom acanelado. A parte superior do pescoço é esbranquiçada com pequenas manchas pretas. O dorso é escuro barrado de marrom, as patas e o bico são negros.

Distribuição

Sua distribuição é dispersa, ocorrendo no sul dos Estados Unidos, no México, no Caribe, Venezuela, Colômbia, Equador, Guianas e Suriname, algumas regiões do Peru, na Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina. No Brasil é especialmente abundante no Sul, mas está presente também em todos os estados do Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, sendo menos abundante na região amazônica. Também ocorre na Índia e na África subsaariana, incluindo Madagascar.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), porém suas populações mostram sinais de declínio (IUCN).

Referências

BirdLife International 2016. Dendrocygna bicolor. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22679746A92827620. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22679746A92827620.en. Downloaded on 01 October 2019.

 

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Wikiaves. Marreca-caneleira 2019. Disponível em: <https://www.wikiaves.com.br/wiki/marreca-caneleira> Acesso em: 01 out. 2019.

Gavião do Banhado

Circus buffoni (Gmelin, 1788)

Nome(s) popular(es)

Gavião do Banhado, Gavião do Alagado, Gavião do Mangue, Tartaranhão do Brejo.

História Natural

Ave rapinante incomum, típica de áreas abertas de baixa altitude, especialmente em locais úmidos, como banhados, pântanos e brejos, incluindo pastos e campos cultivados, como arrozais. Pode ser visto no Cerrado, nos Pampas, na região costeira, nos Chacos Bolivianos e nos Llanos Venezuelanos. No Cerrado pode ser encontrado principalmente nos campos úmidos, campos sujos, campos limpos e veredas, além de formações savânicas mais abertas, como o cerrado ralo. Sua silhueta em voo é bem típica, com cauda e asas bem compridas. Costuma voar baixo pelo campo, geralmente a menos de 5 metros de altura, em busca de suas presas. Ao avistar uma, mergulha rapidamente e a captura com as patas. Se alimenta de aves, tanto aquáticas quanto terrestres, podendo atacar ninhos com ovos ou filhotes, além de predar aves adultas, lagartos, anfíbios e pequenos mamíferos. Faz seus ninhos no chão com capim, entre a vegetação do campo alagado, e põe entre 3 e 5 ovos.

Descrição

Mede entre 46 e 60 cm. Possui cauda e asas bem compridas. Sua coloração é variável, mas no geral apresenta um padrão barrado bem marcado na cauda e nas asas. Possui a face branca, as costas negras, e um colar ao redor do pescoço também negro. Enquanto alguns indivíduos podem apresentar a cabeça, o peito e a barriga pretos, outros possuem o peito e barriga brancos, com a testa branca e uma grande mancha facial atrás do olho escura. Nas fêmeas o preto possui um tom castanho. Suas patas são amarelas.

Distribuição

Sua ocorrência se estende pela América do Sul, incluindo Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia, as Guianas, Suriname, Venezuela e Colômbia. No Brasil ocorre principalmente nas regiões Sul, Centro-Oeste, Sudeste.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), porém suas populações mostram sinais de declínio (IUCN), sendo que sua especialização em áreas alagadas o põe sujeito à degradação que muitas dessas áreas vêm sofrendo.

Referências

Bierregaard, R.O., Jr & Kirwan, G.M. (2020). Long-winged Harrier (Circus buffoni). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. (retrieved from https://www.hbw.com/node/53026 on 3 May 2020). 

 

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Maguari

Ciconia maguari (Gmelin, 1789)

Nome(s) popular(es)

Maguari, Cauanã, Cauauá, Cauauã (PR), Cegonha, Jaburu Moleque, João Grande, Maguarim, Mauari, Tabujajá, Tapucaiá, Baguari e Tabuiaiá (MT e MS).

História Natural

Ave grande associada a ambientes aquáticos, habita brejos, pântanos e lagoas rasas, principalmente em áreas abertas, evitando regiões muito florestadas, sendo típica do Cerrado, Pantanal, Pampas, Chacos Bolivianos e Llanos Venezuelanos, podendo ocorrer também em ambientes costeiros no Sudeste brasileiro. No Cerrado, pode ser encontrado em veredas e campos alagados e úmidos. Também pode ser visto sobrevoando alto. Carnívoro, se alimenta na água rasa, capturando sapos e girinos, peixes (especialmente enguias), crustáceos, insetos, pequenos roedores, cobras aquáticas e outros répteis (anfisbenas). Se reproduz entre agosto e outubro, em grupos coloniais de 5 a 20 ninhos próximos uns dos outros, grandes e feitos com juncos e gravetos sobre a vegetação flutuante, onde põe 4 ovos. Seus filhotes possivelmente podem servir de presa a cobras e gaviões, como o Carcará, Gavião do Banhado e o Gavião Velho.

Descrição

Mede entre 97 e 110 cm de comprimento, com até 1,4 m de altura. Possui pescoço, pernas e bico compridos. Coloração branca, com penas das asas, cauda e região traseira das costas pretas. Possui as pernas, a região ao redor do olho e próxima à base do bico vermelhas, e a ponta do bico pode ser escura ou avermelhada. Em voo pode lembrar o Cabeça Seca, porém suas pernas são vermelhas e mais compridas, com o preto da cauda mais escondido pelo branco da barriga e corpo levemente maior.

Distribuição

Sua distribuição é ampla e dispersa pela América do Sul, com duas grandes áreas de ocorrência: uma ao norte da região amazônica, se estendendo da Guiana Francesa à Colômbia, incluindo os estados de RR, AP, norte do PA e extremo norte do MA; a outra se estendendo da Argentina central ao extremo sudeste do Peru, incluindo Uruguai, Paraguai, Bolívia, e todos os estados brasileiros do Sul, Centro-Oeste e Sudeste, sendo escasso no Norte e Nordeste.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), e suas populações se mostram estáveis (IUCN).

Referências

BirdLife International 2016. Ciconia maguari. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22697688A93630558. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22697688A93630558.en. Downloaded on 13 November 2019.

 

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Gavião Caracoleiro

Chondrohierax uncinatus (Temminck, 1822)

Nome(s) popular(es)

Gavião Caracoleiro, Gavião Bico de Gancho.

História Natural

Ave incomum típica de formações florestais mais densas e úmidas, pode ser encontrado com mais frequência na Amazônia e Mata Atlântica. No Cerrado ocorre nas matas de galeria, matas ciliares, brejos, e possivelmente veredas. Tende a ficar empoleirado por longos períodos sem se locomover muito, a média altura na copa da mata, e não costuma planar muito alto. Está associado à presença de água pois sua principal presa são caracóis e caramujos, tanto os arborícolas quanto os terrestres e aquáticos, mas também pode predar insetos, aranhas, lagartos e anfíbios. Seu bico curvo e pontudo é adaptado para perfurar as conchas dos caramujos e alcançar o molusco dentro das espirais internas, porém ao contrário do Gavião Caramujeiro, também especializado neste tipo de presa, costuma quebrar e abrir a concha, ou até mesmo engoli-la inteira. Existe uma notável variação no tamanho de seu bico entre diferentes populações, provavelmente associada aos diferentes tamanhos de caracóis mais comuns em cada região. Pode caçar Caramujos Africanos, considerados uma praga em muitos lugares do Brasil, contribuindo para o controle populacional dessa espécie invasora. Faz um ninho fino com gravetos, em meio à copa das árvores, pondo entre 1 e 2 ovos.

Descrição

Mede entre 39 e 51 cm de comprimento. Possui um bico terminado em gancho bem característico, com a ponta mais proeminente do que na maioria dos gaviões (família Accipitridae), com a parte superior cinza escuro e a inferior amarelada e mais clara. Entre o olho, de íris clara, e o bico, há uma mancha de pele nua amarela ou laranja, quase como uma sobrancelha, e as patas são amarelas também. Macho e fêmea possuem diferentes plumagens, mas no geral a cabeça, as asas e o dorso são cinzas. O peito e o ventre são brancos com um padrão barrado. No macho o barrado também é cinza, enquanto na fêmea é castanho avermelhado, apresentando um colar que dá a volta pela nuca também castanho.

Distribuição

Ocorre do extremo sul dos Estados Unidos ao norte da Argentina, incluindo a América Central e boa parte da América do Sul, estando ausente na região andina, no Chile e no Uruguai. No Brasil pode ser encontrado em todos os estados, embora seja menos comum no Nordeste.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), porém suas populações aparentam estar diminuindo (IUCN).

Referências

Bierregaard, R.O., Jr, Kirwan, G.M. & Marks, J.S. (2020). Hook-billed Kite (Chondrohierax uncinatus). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. (retrieved from https://www.hbw.com/node/52955 on 22 April 2020). 

 

Bierregaard, R. O., J. del Hoyo, G. M. Kirwan, N. Collar, J. S. Marks, and C.J. Sharpe (2020). Hook-billed Kite (Chondrohierax uncinatus), version 1.0. In Birds of the World (S. M. Billerman, B. K. Keeney, P. G. Rodewald, and T. S. Schulenberg, Editors). Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, NY, USA. https://doi.org/10.2173/bow.hobkit.01

 

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Tachã

Chauna torquata (Oken, 1816)

Nome(s) popular(es)

Tachã, Inhuma Poca, Chajá, Anhuma do Pantanal, Tarrã (RS), Tachã do Sul.

História Natural

São aves típicas de ecossistemas alagados, como brejos e lagos, sendo nativa do Pantanal, dos Pampas e dos Chacos Bolivianos. No Cerrado, pode ser vista em veredas, campos úmidos, e ocasionalmente matas de galeria próximos a esses biomas. É onívora, porém se alimenta principalmente de matéria vegetal, como sementes, folhas, raízes e brotos de plantas aquáticas, além de moluscos e insetos. Pode ser predada pela Sucuri. Sua vocalização é um chamado alto que pode ser ouvido à distância, usado para avisar sua presença ou a de intrusos. É monogâmica e territorialista durante a estação reprodutiva, fazendo grandes ninhos com folhas emaranhadas sobre a vegetação acima da água.

Descrição

Mede cerca de 85 cm. É uma ave corpulenta, com patas grandes e cabeça desproporcionalmente pequena, bico pequeno, de coloração cinza e região ao redor do olho nua (sem penas) e vermelha. Possui esporões nas asas.

Distribuição

Sua distribuição se estende do norte da Bolívia e extremo leste do Peru ao centro da Argentina, abrangendo o Paraguai, Uruguai, e os estados de RO, MT, MS, SP, e os estados do Sul do Brasil, principalmente o RS.

Conservação

Pouco preocupante: é considerada não ameaçada (ICMBio e IUCN), com populações estáveis.

Referências

BirdLife International 2016. Chauna torquata. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22679729A92826769. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22679729A92826769.en. Downloaded on 28 September 2019.

 

Brady, S. (2010). Southern Screamer (Chauna torquata), version 1.0. In Neotropical Birds Online (T. S. Schulenberg, Editor). Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, NY, USA. https://doi.org/10.2173/nb.souscr1.01

 

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Miranda, E.B.P., et al. Penny and penny laid up will be many: large Yellow anacondas do not disregard small prey. Journal of Zoology, 301(4): 301-309, 2016.

 

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Wikiaves. Tachã. 2018. Disponível em: <https://www.wikiaves.com.br/wiki/tacha> Acesso em: 28 set. 2019.

Marreca de Coleira

Callonetta leucophrys (Vieillot, 1816)

Nome(s) popular(es)

Marreca de Coleira.

História Natural

É uma ave aquática de populações um tanto escassas, típica de florestas e campos alagados, lagoas e brejos. Ocorrem geralmente aos pares ou em grupos pequenos de até 8 indivíduos, e pode se empoleirar em árvores para descansar. Se alimenta de matéria vegetal, como sementes, gramíneas, grãos, raízes e brotos de plantas aquáticas, assim como alguns crustáceos, insetos e vermes. Faz ninhos sobre a vegetação aquática.

Descrição

Mede entre 35 e 38 cm. O macho possui bico cinza azulado, patas vermelhas, face parda acinzentada com faixa escura indo do topo da cabeça até a nuca, pescoço e peito rosados com pontos pretos, barriga e laterais cinzas, dorso castanho avermelhado, rabo preto com mancha lateral branca. Fêmea de coloração parda acinzentada, com sobrancelha branca, topo da cabeça e dorso mais escuros, asa preta com mancha branca e patas rosa claro.

Distribuição

Sua ocorrência se estende do nordeste da Argentina à Bolívia, incluindo Paraguai e Uruguai. No Brasil, ocorre principalmente no Sul, mas pode encontrar-se também em SP, MS e no sul do MT e de MG.

Conservação

 Pouco preocupante: é considerado como não ameaçado (ICMBio e IUCN), e suas populações se mostram estáveis (IUCN).

Referências

BirdLife International 2018. Amazonetta brasiliensis. The IUCN Red List of Threatened Species 2018: e.T22680115A130025891. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2018-2.RLTS.T22680115A130025891.en. Downloaded on 01 October 2019.

 

Brazilian Teal (Amazonetta brasiliensis), In Neotropical Birds Online (T. S. Schulenberg, Editor). Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, NY, USA. retrieved from Neotropical Birds Online: https://neotropical.birds.cornell.edu/Species-Account/nb/species/bratea1

 

Carboneras, C. & Kirwan, G.M. (2019). Brazilian Teal (Amazonetta brasiliensis). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. (retrieved from https://www.hbw.com/node/52857 on 2 October 2019).

 

Clements, J. F. (2012). The Clements Checklist of Birds of the World. Cornell: Cornell University Press.

 

Gwynne, J. A., Ridgely, R. S., Argel, M., & Tudor, G. (2010). Guia Aves do Brasil: Pantanal e Cerrado. São Paulo: Horizonte.

 

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2018. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília: ICMBio. 4162 p.

 

Ramos, C. C. de O., Zawadzki, C. H., & Benedito, E. (2011). Dieta e conteúdo calórico de aves atropeladas na região central do estado do Paraná, Brasil. Biotemas, 24(4), 153-170.

 

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Wikiaves. (2018). Pé-vermelho. Recuperado em 2 de outubro, 2019, de https://www.wikiaves.com.br/wiki/pe-vermelho

Gavião Papa Gafanhoto

Buteo swainsoni Bonaparte, 1838

Nome(s) popular(es)

Gavião Papa Gafanhoto.

História Natural

O Gavião Papa Gafanhoto é uma ave migratória originária da América do Norte. Pode ser visto no Brasil de passagem, especialmente entre os meses de setembro e novembro, e março e abril, quando estão indo e voltando, respectivamente, se deslocando entre suas áreas de invernagem nos Pampas argentinos e suas áreas de reprodução, nas pradarias e planícies dos Estados Unidos e Canadá. É um gavião (família Accipitridae) típico de áreas abertas, podendo utilizar os cerrados típicos, cerrados ralos, campos sujos e campos limpos do Cerrado, e também se adapta bem a pastos e plantações. Durante a migração se reúne em grupos gigantescos, podendo ser visto voando em impressionantes grupos de dezenas ou até centenas de milhares. Sua migração é a segunda maior dentre os rapinantes, chegando a mais de 10.000 km em cada percurso, atrás apenas da migração das populações árticas do Falcão Peregrino. Quando não está voando, pode ser visto descansando no solo, e quando está migrando quase não se alimenta. Sua dieta é especializada em insetos, especialmente gafanhotos e grilos, mas também pode caçar roedores, répteis, outras aves e morcegos, principalmente durante a reprodução, quando tende a caçar mais vertebrados do que insetos para alimentar seus filhotes. Faz seus ninhos nas pradarias norte-americanas, com gravetos e galhos secos, sobre árvores ou em rochas no solo, pondo de 2 a 3 ovos.

Descrição

Mede entre 48 e 56 cm de comprimento. Sua coloração é altamente variável, mas no geral possui a cabeça e as costas marrom escuro, peito castanho contrastante com a garganta e barriga brancas. Sua cauda é cinzenta finamente barrada, com uma barra preta mais larga próxima da ponta. Suas asas por baixo possuem a área central clara e as penas de voo escuras, mais negras nas pontas, e são compridas e um tanto pontudas. Suas patas e a base de seu bico são amarelas.

Distribuição

Sua distribuição é ampla pelas Américas, e varia de acordo com a época do ano, pois é uma espécie migratória. Ocorre na porção ocidental da América do Norte, e na chegada do inverno no hemisfério norte migra pela América Central e do Sul até a Argentina. No Brasil, passa pelo oeste do país, e alguns indivíduos errantes, principalmente juvenis, podem ser vistos no Sul e Sudeste.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), porém estudos indicam que suas populações podem estar sendo afetadas pelo uso de pesticidas.

Referências

Bechard, M. (1981). DDT and hexachlorobenzene residues in southeastern Washington Swainson’s Hawks (Buteo swainsoni). Bulletin of environmental contamination and toxicology, 26(1), 248-253.

 

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Gavião de Rabo Curto

Buteo brachyurus (Vieillot, 1816)

Nome(s) popular(es)

Gavião de Cauda Curta, Gavião de Rabo Curto.

História Natural

O Gavião de Cauda Curta é um gavião relativamente comum, típico de matas, mas que pode ser visto em savanas, manguezais, áreas abertas permeadas por árvores, ou até regiões urbanas arborizadas, sendo um tanto adaptável às alterações humanas. No Cerrado, habita matas de galeria, matas secas e cerradões. Costuma planar alto e por bastante tempo, aproveitando as correntes térmicas das horas mais quentes das manhãs, muitas vezes junto a urubus (família Cathartidae), e tende a se empoleirar oculto entre a folhagem da copa das árvores. Caçador habilidoso, se alimenta principalmente de aves, porém também pode caçar roedores, lagartos, anfíbios e insetos. É um dos gaviões mais ágeis de seu gênero, com um comportamento de caça especializado para capturar aves. Plana alto ou passa voando próximo da mata em busca de presas, mergulhando rapidamente em sua direção ao localizá-la, com as asas fechadas como costumam fazer os falcões (família Falconidae). Assim, costuma capturar aves empoleiradas nas árvores e arbustos, mas também pode fazer perseguições aéreas ou pegar suas presas no chão. Pode, inclusive, caçar outros rapinantes e presas relativamente grandes, como o Gavião Miúdo, o Quiriquiri e o Inhambu Chororó. Faz seu ninho no alto das árvores, com gravetos e galhos secos, onde põe cerca de 2 ovos. O macho fica responsável por trazer comida ao ninho durante a maior parte da reprodução, e o filhote mais velho pode eliminar o mais novo, para diminuir a competição por comida. Durante a época do acasalamento o macho faz exibições em voos circulares seguidos de mergulhos, acompanhados de vocalizações, um assobio fino e longo.

Descrição

Mede de 35 a 45 cm de comprimento. Sua coloração é bem uniforme, branca nas partes ventrais, da garganta à barriga e interior das asas, e preta nas partes dorsais, da cabeça e laterais da face às costas e parte superior das asas, com uma pequena mancha branca acima do bico. Suas asas por baixo possuem as bordas pretas, e sua cauda é bastante barrada, com 3 a 4 faixas pretas e brancas alternadas. Suas patas e a base de seu bico são amarelas. Possui, porém, dois tipos de coloração, com indivíduos de plumagem padrão (preta por cima e branca por baixo) e alguns mais escassos de padrão escuro, totalmente negros no ventre. Em voo pode se assemelhar ao Gavião de Rabo Branco, este porém é maior, com apenas uma barra preta na cauda e de garganta escura. Ao contrário do que seu nome sugere, sua cauda não é curta comparada à de outros gaviões (família Accipitridae).

Distribuição

Possui uma ampla distribuição pelas Américas, ocorrendo desde o extremo sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina, incluindo a América Central e todos os países da América do Sul, com exceção do Chile e do Uruguai. No Brasil está presente em todo o território.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), e suas populações parecem estar aumentando (IUCN), possivelmente por sua facilidade em se adaptar a regiões urbanas.

Referências

Bierregaard, R.O., Jr & Kirwan, G.M. (2013). Short-tailed Hawk (Buteo brachyurus). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.) (2013). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona.

 

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Socó Boi Baio

Botaurus pinnatus (Wagler, 1829

Nome(s) popular(es)

Socó Boi Baio, Socó Grande.

História Natural

Ave associada a ambientes aquáticos, ocorre em pântanos, brejos e banhados de água doce. No Cerrado pode ser visto em veredas e campos úmidos. É uma espécie rara ou incomum, com uma coloração que a ajuda a se camuflar no capinzal e comportamento arredio e cauteloso. Ao ser aproximado, tende a se agachar e manter o pescoço esticado com o bico voltado para cima, ficando apenas com a cabeça visível, de forma a parecer com um graveto ou se misturar entre os juncos enquanto ainda pode observar o invasor, e pode até mesmo balançar de leve a cabeça para simular o movimento do vento sobre o capim. Caça aguardando a presa se denunciar pacientemente, ficando parado por longos períodos de tempo, e se alimenta de peixes, insetos, vermes, crustáceos, sapos, cobras e até mesmo pequenos jacarés. Se reproduz na estação das chuvas, fazendo um ninho com capim e junco sobre a vegetação rasteira próxima ou sobre a água, pondo dois ou três ovos claros, chocados apenas pela fêmea. Ambos os pais alimentam os filhotes.

Descrição

Mede entre 63,5 e 76 cm de comprimento. Coloração de padrão barrado, com estrias castanho escuro sobre um amarelo palha. Possui o dorso também estriado, porém mais escuro. Garganta e barriga brancas, com pescoço e peito brancos com estrias castanhas. Patas, íris e bico amarelos, com este último escuro por cima.

Distribuição

Ocorrência dispersa pelas Américas Central e do Sul, presente no sul do México, Colômbia, Venezuela, Guianas, Suriname, Equador, Argentina, Paraguai e Uruguai. No Brasil ocorre de forma local em praticamente todos os estados.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN).

Referências

Andrade, E. B., et al. Predation on Leptodactylus macrosternum (Anura: Leptodactylidae) by Botaurus pinnatus (Pelecaniformes: Ardeidae) in Northeastern Brazil. Herpetology Notes 6: 201-202, 2013.


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Franz, I., et al. Predação da cobra d’água Helicops infrataeniatus (Serpentes, Colubridae) pela maria-faceira Syrigma sibilatrix (Aves, Ardeidae) no sul do Brasil. Biotemas 20(2): 13-137, 2007.


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Gavião Miúdo

Accipiter striatus Vieillot, 1808

Nome(s) popular(es)

Gavião Miúdo, Tauató Miúdo, Gaviãozinho.

História Natural

Rapinante típico de formações florestais, no Brasil é encontrado principalmente na Mata Atlântica. Apesar de não ser muito raro, seu comportamento discreto o torna difícil de avistar. Fica à vontade em regiões montanhosas e florestas de pinheiros, inclusive não nativos, e pode ser visto sobrevoando campos e áreas abertas, além de centros urbanos, ou até mesmo frequentando áreas arborizadas em cidades. No Cerrado pode ser visto nas matas de galeria e matas ciliares. Ave astuta e habilidosa, é um predador voraz de aves, possuindo dedos longos propícios para capturar suas presas ágeis. Costuma ficar empoleirado, oculto na copa das árvores, até observar uma presa, partindo então para uma rápida investida. Pode caçar pombas (família Columbidae), andorinhas (família Hirundinidae), tiranídeos (família Tyrannidae) e muitas outras aves menores. Indivíduos jovens já foram vistos brincando de perseguição entre si, e com outras aves como alvo, comportamento que ajuda a praticar a técnica de caça. Faz seu ninho com gravetos na copa das árvores, pondo entre 3 e 5 ovos. A fêmea fica responsável pela incubação enquanto o macho traz alimento para ela e os filhotes.

Descrição

Mede entre 25 e 30 cm de comprimento, sendo que as fêmeas são bem maiores. Possui o topo da cabeça, nuca e laterais do pescoço cinza escuros, assim como as costas e dorso das asas. O peito e a barriga são brancos com um fino padrão barrado ruivo, e as penas da coxa, laterais da cabeça e do corpo possuem essa mesma cor ferrugínea, bem característico da espécie. A cauda é negra com três barras esbranquiçadas por baixo. Seu olho, base do bico e patas são amarelos.

Distribuição

Possui ampla distribuição pelas Américas, ocorrendo na maior parte da América do Norte e Central. Na América do Sul está presente principalmente no Brasil, Paraguai, sul da Bolívia, Uruguai e norte da Argentina, além de se encontrar também próximo aos Andes, da Venezuela à Bolívia. No Brasil é encontrado em todas as regiões, exceto no Norte.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), e suas populações podem estar aumentando (IUCN). Por se sentir à vontade em áreas de reflorestamento por pinheiros não nativos, é menos vulnerável à perda de habitat natural que outros gaviões da América do Sul.

Referências

Bildstein, K. L., K. D. Meyer, C. M. White, J. S. Marks, and G. M. Kirwan (2020). Sharp-shinned Hawk (Accipiter striatus), version 1.0. In Birds of the World (S. M. Billerman, B. K. Keeney, P. G. Rodewald, and T. S. Schulenberg, Editors). Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, NY, USA. https://doi.org/10.2173/bow.shshaw.01

 

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