Buteo swainsoni Bonaparte, 1838

Nome(s) popular(es)

Gavião Papa Gafanhoto.

História Natural

O Gavião Papa Gafanhoto é uma ave migratória originária da América do Norte. Pode ser visto no Brasil de passagem, especialmente entre os meses de setembro e novembro, e março e abril, quando estão indo e voltando, respectivamente, se deslocando entre suas áreas de invernagem nos Pampas argentinos e suas áreas de reprodução, nas pradarias e planícies dos Estados Unidos e Canadá. É um gavião (família Accipitridae) típico de áreas abertas, podendo utilizar os cerrados típicos, cerrados ralos, campos sujos e campos limpos do Cerrado, e também se adapta bem a pastos e plantações. Durante a migração se reúne em grupos gigantescos, podendo ser visto voando em impressionantes grupos de dezenas ou até centenas de milhares. Sua migração é a segunda maior dentre os rapinantes, chegando a mais de 10.000 km em cada percurso, atrás apenas da migração das populações árticas do Falcão Peregrino. Quando não está voando, pode ser visto descansando no solo, e quando está migrando quase não se alimenta. Sua dieta é especializada em insetos, especialmente gafanhotos e grilos, mas também pode caçar roedores, répteis, outras aves e morcegos, principalmente durante a reprodução, quando tende a caçar mais vertebrados do que insetos para alimentar seus filhotes. Faz seus ninhos nas pradarias norte-americanas, com gravetos e galhos secos, sobre árvores ou em rochas no solo, pondo de 2 a 3 ovos.

Descrição

Mede entre 48 e 56 cm de comprimento. Sua coloração é altamente variável, mas no geral possui a cabeça e as costas marrom escuro, peito castanho contrastante com a garganta e barriga brancas. Sua cauda é cinzenta finamente barrada, com uma barra preta mais larga próxima da ponta. Suas asas por baixo possuem a área central clara e as penas de voo escuras, mais negras nas pontas, e são compridas e um tanto pontudas. Suas patas e a base de seu bico são amarelas.

Distribuição

Sua distribuição é ampla pelas Américas, e varia de acordo com a época do ano, pois é uma espécie migratória. Ocorre na porção ocidental da América do Norte, e na chegada do inverno no hemisfério norte migra pela América Central e do Sul até a Argentina. No Brasil, passa pelo oeste do país, e alguns indivíduos errantes, principalmente juvenis, podem ser vistos no Sul e Sudeste.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), porém estudos indicam que suas populações podem estar sendo afetadas pelo uso de pesticidas.

Referências

Bechard, M. (1981). DDT and hexachlorobenzene residues in southeastern Washington Swainson’s Hawks (Buteo swainsoni). Bulletin of environmental contamination and toxicology, 26(1), 248-253.

 

Bechard, M. J., C. S. Houston, J. H. Saransola, and A. S. England (2020). Swainson’s Hawk (Buteo swainsoni), version 1.0. In Birds of the World (A. F. Poole, Editor). Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, NY, USA. https://doi.org/10.2173/bow.swahaw.01

 

BirdLife International. 2016. Buteo swainsoni. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22695903A93533217. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22695903A93533217.en. Downloaded on 06 July 2020.

 

Gwynne, J. A., Ridgely, R. S., Argel, M., & Tudor, G. (2010). Guia Aves do Brasil: Pantanal e Cerrado. São Paulo: Horizonte.

 

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Silva, J. M. C. da (1995). Birds of the cerrado region, South America. Steenstrupia, 21(1), 69-92.

 

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