Jacu de Barriga Castanha

Nome da espécie, autor e ano

Nome(s) popular(es)

Jacu de Barriga Castanha.

História Natural

Ave florestal rara e arredia, semi-endêmica (exclusiva) ao Cerrado, com algumas populações ocorrendo também no Pantanal. Pode ser encontrada em florestas alagadas, matas de galeria, matas secas e cerradões. Prefere matas densas, com muitas trepadeiras e copas fechadas. Ainda se sabe pouco sobre seu comportamento e ecologia. Costuma se manter nos estratos mais altos da mata, mas pode descer ao chão para buscar comida. Aparentemente herbívoro, se alimenta de frutos e flores, como as dos Ipês, da Tarumã e de cipós. Provavelmente se reproduz entre outubro e novembro.

Descrição

Mede entre 67 e 75 cm. Possui uma porção de pele nua flácida na garganta, de cor vermelho vivo, olho vermelho, sobrancelha clara, rosto cinza escuro. Pescoço e dorso marrom escuro com estrias brancas pelas bordas das penas. Peito, ventre e coxas acanelados, de um castanho mais avermelhado do que o do Jacupemba, e com estrias brancas mais destacadas que as deste.

Distribuição

Sua ocorrência é restrita ao Brasil central, sendo uma espécie endêmica (exclusiva) ao Brasil. Ocorre nos estados do MT, MS, GO, DF, MG e TO.

Conservação

Vulnerável: é considerado vulnerável (ICMBio e IUCN), com uma população máxima de 1700 indivíduos, que vem diminuindo. Suas principais ameaças e pressões são a caça, a destruição e degradação do Cerrado e a conversão de seu habitat. 

Referências

BirdLife International 2016. Penelope ochrogaster. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22678395A92772232. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22678395A92772232.en. Downloaded on 16 October 2019.

 

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Gavião Asa de Telha

Parabuteo unicinctus (Temminck, 1824)

Nome(s) popular(es)

Gavião Asa de Telha, Gavião de Asa Castanha.

História Natural

Gavião incomum típico de áreas abertas, habita campos, savanas, áreas de várzea e manguezais, além de pastagens, plantações e regiões áridas ou desérticas. Pode ser visto em matas próximas a campos. Também tem se tornado mais comum em áreas urbanas. É mais abundante na América do Norte. No Cerrado pode ser encontrado principalmente nos campos limpos, campos sujos, campos úmidos, cerrados ralos e cerrados típicos. Costuma planar alto, e se empoleira em árvores baixas. É uma ave bastante sociável, podendo ser visto planando, empoleirado ou caçando em pares ou grupos. Ao contrário da maioria dos outros gaviões (família Accipitridae), que possuem hábitos mais solitários, pode viver e até se reproduzir coletivamente, em grupos de até 7 indivíduos, porém esses hábitos variam de acordo com a região. Se alimenta principalmente de roedores, outros pequenos mamíferos, e aves, como o Quero Quero, a Maracanã Pequena, pombas (família Columbidae), codornas (família Tinamidae) e garças (família Ardeidae). Ocasionalmente também pode se alimentar de lagartos, grandes insetos e até morcegos. Caça dando rasantes rápidos pela vegetação rasteira para capturar suas presas, e pode planar alto sobre os campos para localizá-las. É um caçador astuto, e nas regiões onde vive de forma mais social pode usar diversas estratégias de caça em grupo, como ataques aéreos sucessivos, investidas simultâneas de várias direções ou até emboscadas, onde um indivíduo no solo espanta uma presa escondida enquanto o restante do grupo aguarda ao redor para atacar, dividindo a caça após capturá-la. Esse hábito de caçar em grupo o permite conseguir presas mais ágeis e difíceis, como lebres. Faz seus ninhos com gravetos no alto das árvores, pondo de 2 a 4 ovos.

Descrição

Mede entre 48 e 56 cm de comprimento. Sua coloração é castanho escuro, com uma larga mancha castanha avermelhada acima das asas, na região dos ombros, que se estende até a área interna delas. Suas coxas também são castanho avermelhado. Sua cauda é relativamente longa, com base e ponta brancas e uma larga faixa preta no meio. Seu olho é castanho, com a região entre ele e a base do bico amarelas, assim como as patas. A ponta de seu bico é cinza, com a extremidade negra.

Distribuição

Sua ocorrência é dispersa pelas Américas, com manchas distintas de distribuição. Ocorre no sudoeste dos Estados Unidos, México e norte da América Central. Na América do Sul está presente no extremo norte (Colômbia e Venezuela) e extremo oeste (Equador, Peru e Chile), assim como na porção central desta, abrangendo Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil. No Brasil está presente principalmente nas regiões Nordeste e Sudeste, também ocorrendo no Centro-Oeste e Sul.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), e parece estar se adaptando gradativamente à urbanização e ao desmatamento, graça a sua preferência por áreas mais abertas.

Referências

BirdLife International. 2016. Parabuteo unicinctus. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22695838A93529685. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22695838A93529685.en. Downloaded on 27 June 2020.

 

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Santander, F. J., Alvarado, S. A., Ramírez, P. A., & Figueroa, R. A. (2011). Prey of Harris’ Hawks (Parabuteo unicinctus) during autumn and winter in a coastal area of central Chile.. The Southwestern Naturalist, 40(2), 417-422.

 

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Wikiaves. (2020). Gavião-asa-de-telha. Recuperado em 27 de junho, 2020, de https://www.wikiaves.com.br/wiki/gaviao-asa-de-telha

Aracuã do Pantanal

Ortalis canicollis (Wagler, 1830)

Nome(s) popular(es)

Aracuã do Pantanal, Charata, Aranquã, Araquã.

História Natural

É uma ave florestal comum, típica do Pantanal e outros biomas alagados, como os chacos Bolivianos. No Cerrado, ocorre nas áreas de transição e próximas ao Pantanal, e está associado a matas ciliares, matas de galeria, matas secas, veredas e cerradões. Vocaliza bastante, fazendo duetos com seu canto alto e áspero. Pode ser visto em bandos de até 30 indivíduos. Se mantém na copa das árvores, podendo descer ocasionalmente ao chão para buscar alimento. Onívoro, se alimenta principalmente de frutos, como os do Jenipapo, além de flores (como as dos Ipês), folhas, sementes e insetos, notoriamente lagartas. É um importante dispersor de sementes. Pode ser predado pelo Gavião Relógio. Se reproduz na estação chuvosa, entre outubro e fevereiro, fazendo ninhos no alto de árvores entre folhagens densas, usando gravetos e cipós. Põe cerca de 4 ovos, de cor alaranjada ou creme escuro.

Descrição

Mede entre 50 e 56 cm. Possui a pele da garganta nua e vermelha vivo, e a pele ao redor do olho também nua e avermelhada. Sua coloração geral é de um pardo escuro, acinzentado ou oliváceo, mais escuro na cabeça, dorso e cauda. O peito e barriga são pardo cinzento claro, com a porção traseira inferior da barriga castanho avermelhado.

Distribuição

Sua ocorrência está localizada na porção central da América do Sul, indo do norte da Argentina à Bolívia, incluindo também o Paraguai. No Brasil, ocorre basicamente nos estados do MT e MS.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), porém suas populações vêm diminuindo (IUCN).

Referências

BirdLife International 2016. Ortalis canicollis. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22678328A92768145. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22678328A92768145.en. Downloaded on 16 October 2019.

 

Carrara, L. A., et al. Nidificação do gavião-relógio Micrastur semitorquatus (Aves: Falconidae) no Pantanal Mato-grossense: dados biométricos, dieta dos ninhegos e disputa com araras. Revista Brasileira de Ornitologia 15(1): 85-93, 2007.

 

Caziani, S. M. & Protomastro, J. J. Diet of the Chaco Chachalaca. The Wilson Bulletin 106(4): 640-648, 1994.

 

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Uru

Odontophorus capueira (Gmelin,1789)

Nome(s) popular(es)

Uru, Uru Capoeira, Capoeira, Uru do Nordeste, Piruinha, Perdiz Uru.

História Natural

Ave rasteira localmente comum em florestas subtropicais do leste do Brasil, típica da Mata Atlântica, habitando o solo de matas densas ou de crescimento secundário. No Cerrado, pode ocorrer em matas de galeria, matas ciliares e matas secas próximas da Mata Atlântica ou em áreas de transição entre os dois biomas. Se alimenta principalmente de sementes, coquinhos e frutos caídos no chão, como os do Açaí (Euterpe edulis), Caruru-de-Cacho (Phytolacca decandra) e os pinhões da Araucária (Araucaria angustifolia), mas provavelmente também pode ingerir insetos. Podem ser predados pelo Gavião Relógio e o Gavião de Penacho. São aves sociais e territoriais, que vivem em bandos familiares de até 15 indivíduos e que defendem territórios. Cantam principalmente em duetos pela manhã, e costumam dormir no mesmo poleiro. Fazem ninhos no solo ou em pequenas cavidades, forrados com folhas secas e gravetos, onde põem cerca de cinco ovos. Podem aproveitar buracos escavados por Tatus para fazer seu ninho.

Descrição

Mede entre 24 e 29 cm. Possui pele nua laranja vivo ao redor do olho, com sobrancelha laranja claro que se estende até a nuca e topete marrom, que pode estar abaixado. Garganta, pescoço, peito e barriga cinzas, com o dorso marrom marcado com estrias claras e manchas escuras. O bico é curto, robusto e escuro, e as patas são cinzentas.

Distribuição

É encontrado principalmente na porção leste do Brasil, ocorrendo do CE ao norte do RS, presente também em MG, no extremo sul do GO e leste e sul do MS, além do sudeste do Paraguai e extremo nordeste da Argentina.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), mas suas populações mostram sinais de declínio (IUCN). Apesar disso, uma subespécie exclusiva do Nordeste brasileiro, Odontophorus capueira plumbeicollis, está classificada como criticamente ameaçada (ICMBio), com sua população atual estimada em no máximo 250 indivíduos e estando presente apenas na PA e CE, sendo a caça e perda de habitat extensivas suas principais ameaças.

Referências

BirdLife International 2016. Odontophorus capueira. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22679635A92822247. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22679635A92822247.en. Downloaded on 09 November 2019.

 

Carroll, J.P. & Kirwan, G.M. (2019). Spot-winged Wood-quail (Odontophorus capueira). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. (retrieved from https://www.hbw.com/node/53351 on 9 November 2019).

 

Frisch, J. D. & Frisch, C. D. AVES BRASILEIRAS e as Plantas que as Atraem. 3ª Edição, 2005, 480 pg. Ilustrado e Colorido. Editora Dalgas Ecotec – Ecologia Técnica Ltda. São Paulo – SP, Brasil.

 

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Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2018. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília: ICMBio. 4162 p.

 

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Vallejos, M. A. V., et al. Nidificação de gavião-relógio Micrastur semitorquatus (Vieillot, 1817) em uma fruta no Sul do Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 16(3): 268-270, 2008.


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Marreca de Bico Roxo

Nomonyx dominicus (Linnaeus, 1766)

Nome(s) popular(es)

Marreca de Bico Roxo, Marreca Rã (RS), Marreca Tururu, Marrequinha.

História Natural

Ave aquática comum em brejos e lagoas cobertas com vegetação aquática abundante, no Cerrado pode ser encontrada em corpos d’água e campos alagados. É uma ave sociável, ocorrendo aos pares ou em grupos de até 20 indivíduos. Herbívoro, mergulha e nada para se alimentar de raízes e folhas de plantas aquáticas, além de sementes e gramíneas. Se reproduz em boa parte do ano, de outubro a agosto, fazendo ninhos na vegetação próxima ao corpo d’água, usando penas para forrá-lo. Os ovos são brancos. O macho auxilia pouco na incubação e cuidado dos filhotes.

Descrição

Pato pequeno que mede entre 30 e 36 cm. Machos e fêmeas são diferentes, mas ambos possuem caudas pretas, com penas pontudas e eretas. O macho possui bico azulado com ponta preta, face e testa pretas, nuca, pescoço e peito castanho avermelhado, com dorso e laterais castanhos com manchas pretas. A fêmea tem cor mais pálida, principalmente no rosto e garganta, com bico cinza escuro e duas faixas pretas bem distintas no rosto, uma abaixo e outra na altura do olho, além do topo da cabeça também escuro. O resto do corpo é marrom amarelado, com padrões barrados escuros, principalmente no dorso.

Distribuição

Sua distribuição é ampla nas Américas, ocorrendo desde o extremo sul dos Estados Unidos e as ilhas caribenhas até o nordeste da Argentina. No Brasil está presente em praticamente todos os estados, sendo menos abundante na região amazônica.

Conservação

Pouco preocupante: é considerado não ameaçado (ICMBio e IUCN), porém suas populações vêm diminuindo (IUCN).

Referências

BirdLife International 2016. Nomonyx dominicus. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22679789A92830407. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22679789A92830407.en. Downloaded on 16 October 2019.

 

Carboneras, C. & Kirwan, G.M. (2019). Masked Duck (Nomonyx dominicus). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. (retrieved from https://www.hbw.com/node/52933 on 16 October 2019).

 

Eitniear, J. C. (2014). Masked Duck (Nomonyx dominicus), version 1.0. In Neotropical Birds Online (T. S. Schulenberg, Editor). Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, NY, USA. https://doi.org/10.2173/nb.masduc.01

 

Eitniear, J. C. & Rylander, K. Mandibular structure in Ruddy and Masked Ducks: does morphology reflect ecology? The Texas Journal of Science, 60, 2008.

 

Gwynne, J. A., Ridgely, R. S., Argel, M., & Tudor, G. (2010). Guia Aves do Brasil: Pantanal e Cerrado. São Paulo: Horizonte.

 

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2018. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília: ICMBio. 4162 p.

 

Silva, J. M. C. da (1995). Birds of the cerrado region, South America. Steenstrupia, 21(1), 69-92.


Wikiaves. Marreca-de-bico-roxo. 2018. Disponível em: <https://www.wikiaves.com.br/wiki/marreca-de-bico-roxo> Acesso em: 16 out. 2019.

Pato Corredor

Neochen jubata (Spix, 1825)

Nome(s) popular(es)

Pato Corredor, Ganso do Orinoco.

História Natural

Típico de regiões tropicais alagadas, como os Llanos Venezuelanos, a Amazônia, e algumas fitofisionomias do Cerrado, frequenta e se reproduz preferencialmente em margens arenosas de praias de rios, próximas a matas ciliares. No Cerrado, ocorre em savanas ou campos alagados. É uma ave predominantemente rasteira, ficando mais tempo no solo do que outros patos (família Anatidae), voando e nadando comparativamente menos que eles, e se locomovendo com mais agilidade no chão. Se alimenta pastando, comendo principalmente gramíneas, brotos e outras partes tenras de vegetais, além de insetos, vermes e moluscos. Durante a reprodução os machos disputam bastante por territórios e fêmeas, e possuem um complexo ritual de corte para acasalar, onde o casal parece realizar diversas danças. Fazem ninhos em ocos de árvores ou no chão, próximo aos rios. A fêmea forra o ninho com suas penas e põe de 6 a 10 ovos.

Descrição

Mede entre 62 e 75 cm. O macho é maior que a fêmea. Possui a cabeça, pescoço e peito branco acinzentado, com barriga, dorso e laterais castanhos, asas e porção posterior, tanto do dorso quanto do ventre, escuras com reflexos azulados ou esverdeados, e patas laranjas. O pescoço e as patas são robustos.

Distribuição

Ocorrência ampla pela América do Sul, se estendendo da Venezuela, Colômbia, Guianas e Suriname, pelo leste do Equador e do Peru, através da Bolívia e do Brasil central até o extremo oeste do Paraguai e extremo norte da Argentina. No Brasil, ocorre principalmente na região amazônica, como em RR, AM e RO, além do TO, MT, GO, e algumas regiões do MT, MS e PR.

Conservação

Dados insuficientes: não se possuem dados suficientes para a avaliação de seu estado de conservação no Brasil (ICMBio), porém é considerado quase ameaçado globalmente (IUCN), pois suas populações vêm se reduzindo drasticamente, principalmente devido à caça e perda de habitat para a agricultura e a construção de barragens. Sabe-se, porém, que está severamente ameaçado em diversas áreas de sua distribuição original, como no estado de SP, onde é considerado possivelmente extinto. Poucas populações se mantêm saudáveis, notoriamente as dos Llanos Venezuelanos e Colômbia, as das savanas no norte da Bolívia e as da região do Rio Araguaia, no Brasil central.

Referências

BirdLife International 2016. Neochen jubata. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22679987A92837649. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22679987A92837649.en. Downloaded on 01 October 2019.

 

Carboneras, C., Kirwan, G.M. & Sharpe, C.J. (2019). Orinoco Goose (Neochen jubata). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. (retrieved from https://www.hbw.com/node/52833 on 1 October 2019).

 

Barrionuevo, C. et al. GANSO DE MONTE (Neochen jubata) EN CATAMARCA, ARGENTINA; – Centro Nacional de Anillado de Aves (CENAA), Facultad de Ciencias Naturales e Instituto Miguel Lillo, UNT, Miguel Lillo 205 (4000), Tucumán, Argentina. 2010.

 

Davenport, L., W. Endo, and K. Kriese (2013). Orinoco Goose (Oressochen jubatus), version 1.0. In Neotropical Birds Online (T. S. Schulenberg, Editor). Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, NY, USA. https://doi.org/10.2173/nb.origoo1.01

 

Develey, P. & de Lucca, A. Fauna Ameaçada de Extinção no Estado de São Paulo – VERTEBRADOS; Governo do Estado de São Paulo; Secretaria do Meio Ambiente; Fundação Parque Zoológico de São Paulo. 2009.

 

Gwynne, J. A., Ridgely, R. S., Argel, M., & Tudor, G. (2010). Guia Aves do Brasil: Pantanal e Cerrado. São Paulo: Horizonte.

 

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Silva, J. M. C. da (1995). Birds of the cerrado region, South America. Steenstrupia, 21(1), 69-92.


Wikiaves. Pato-corredor. 2018. Disponível em: <https://www.wikiaves.com.br/wiki/pato-corredor> Acesso em: 01 out. 2019.

Pato Mergulhão

Mergus octosetaceus Vieillot, 1817

Nome(s) popular(es)

Pato Mergulhão, Merganso do Sul, Mergulhador, Patão, Pato Mergulhador.

História Natural

Ave aquática extremamente rara e arredia, é praticamente endêmica (exclusiva) ao Cerrado. Está extremamente associado a rios límpidos, com água limpa e cristalina, especialmente rios corredios de regiões serranas e de planaltos, com fundo de areia ou rochoso, não muito profundos e rodeados por mata ciliar preservada. Sua dependência bastante específica por esses ambientes o torna uma ave altamente sensível a alterações e degradações ambientais, e essa dependência está associada a seus hábitos de vida e alimentação, pois caça peixes ativamente enquanto mergulha, o que exige a visibilidade impecável e a abundância de presas que só os rios intactos e cristalinos podem oferecer. Carnívoro, se alimenta basicamente de peixes, especialmente o Lambari, mas pode ingerir caramujos, larvas e insetos aquáticos. Entre seus possíveis predadores, podem ser citados o Puma, a Jaguatirica, o Gato Maracajá, o Jaguarundi, o Lobo Guará, o Cachorro do Mato, a Irara, a Lontra, a Águia Cinzenta, a Águia Serrana e o Gavião Pato. Apesar de se assemelhar no comportamento e aparência com os mergulhões, como o Biguá, é na verdade um parente próximo dos patos (família Anatidae). Se reproduz entre maio e setembro, fazendo ninhos dentro de cavidades em árvores, rochas ou solo, próximas ao curso d’água que habita. Cobre o ninho com plumas e os ovos possuem cor clara. É monogâmico, e durante a reprodução se torna bastante territorialista, utilizando e defendendo um trecho específico do rio.

Descrição

Mede entre 50 e 56 cm. Possui bico fino e comprido, penacho longo na nuca, pescoço e cabeça esguios. O bico é preto, e a cabeça e porção superior do pescoço são de um preto brilhoso com tons verdes, mais fortes no macho. O peito e a barriga são cinza claro, com o dorso sendo cinza mais escuro. Há uma grande mancha branca na asa, que pode estar escondida. As patas são vermelhas.

Distribuição

Sua ocorrência é extremamente restrita, atualmente estando presente apenas em algumas localidades isoladas, principalmente no GO, TO, MG, além um registro recente em SP. Talvez ainda exista na BA, PA, e no leste do Paraguai. É uma espécie parcialmente endêmica (exclusiva) ao Brasil.

Conservação

Perigo crítico: é considerado criticamente ameaçado (ICMBio e IUCN). Apesar de registros históricos mostrarem que essa espécie é naturalmente rara, atualmente se encontra com populações extremamente reduzidas e em declínio. Estima-se que restam apenas cerca de 250 indivíduos maduros, sendo uma das aves mais ameaçadas das Américas e dentre as aves aquáticas mais ameaçadas do mundo. Suas escassas populações se encontram isoladas em refúgios bem preservados de Cerrado, especificamente em três Unidades de Conservação: o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Parque Nacional da Serra da Canastra e o Parque Estadual do Jalapão. As principais pressões e ameaças para a espécie são a construção de hidroelétricas, a poluição e o assoreamento dos rios, a destruição e degradação do habitat, especialmente as matas ciliares, o turismo desordenado, o uso excessivo de agrotóxicos e a mineração.

Referências

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Gavião de Cabeça Cinza

Leptodon cayanensis (Latham, 1790)

Nome(s) popular(es)

Gavião de Cabeça Cinza, Gavião Gato.

História Natural

Ave nativa de regiões florestadas, sendo bastante típica da Amazônia. No Cerrado pode ser encontrado principalmente em matas de galeria, matas ciliares, matas secas e cerradões, porém pode ser visto em formações savânicas. Apesar de grande, voa com agilidade por entre a mata, e ao sobrevoar bate apenas as pontas das asas. É na maior parte um predador insetívoro, se alimentando principalmente de insetos, sejam larvas ou adultos, como cigarras, vespas, abelhas, cupins, besouros e gafanhotos, além de moluscos, ovos de outras aves, cobras, lagartos e até morcegos, geralmente caçando pela copa da mata. Pode se aproveitar da atividade de Saguis se alimentando, capturando no ar as cigarras que escaparam dos pequenos primatas. Constrói seus ninhos com ramos e gravetos entre os galhos de árvores, e ambos os pais ajudam a incubar e alimentar os filhotes. Põe cerca de 2 ovos, brancos e manchados de marrom. Quando juvenil, apresenta alguns tipos de coloração da plumagem diferentes da adulta, e que se assemelham muito a outras espécies de gaviões, o Gavião Pega Macaco, o Gavião Pato e o Gavião de Penacho, todos predadores poderosos e maiores, que caçam aves e mamíferos. Tal semelhança é conhecida como mimetismo, e ajuda a manter o Gavião de Cabeça Cinza juvenil seguro ao fazer com que seus predadores o confundam com outro predador poderoso, diminuindo sua chance de ser predado.

Descrição

Mede entre 46 e 54 cm de comprimento. Possui a cabeça cinza claro, com garganta mais clara, peito e barriga brancos, asas e dorso negros. A parte inferior da cauda possui três barras brancas largas, porém a primeira é menor e pode estar escondida sob as penas do ventre. As asas são barradas de cinza claro por baixo.

Distribuição

Ocorre desde o México até o nordeste da Argentina, incluindo todos os países da América do Sul com exceção do Chile e Uruguai. No Brasil pode ser encontrado em praticamente todo o território, com exceção do Nordeste, sendo mais comum na região amazônica.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), porém suas populações aparentam estar declinando (IUCN).

Referências

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Socoí Vermelho

Ixobrychus exilis (Gmelin, 1789)

Nome(s) popular(es)

Socoí Vermelho, Garça Vermelha, Socoí e Socó Mirim.

História Natural

Ave aquática típica de ambientes de água doce ou salobra, não é encontrada com facilidade devido a seu tamanho pequeno e baixa abundância, mas pode ser localmente abundante. Habita corpos d’água com densa vegetação aquática, tanto na superfície quanto nas margens, como lagos, brejos e pântanos. No Cerrado, pode ser visto em veredas e campos alagados. Se alimenta principalmente de pequenos peixes, além de insetos (gafanhotos e libélulas), moluscos, e eventualmente ovos ou filhotes de outras aves pequenas. Se locomove com agilidade em meio à vegetação aquática, utilizando seus longos dedos para se fixar nos juncos e capins enquanto aguarda uma presa passar dentro de seu alcance. Pode ser predado peço Cauré.O macho constrói o ninho com gravetos a certa altura entre a vegetação aquática, e tanto ele quanto a fêmea incubam os ovos e cuidam dos filhotes.

Descrição

Mede entre 28 e 35 cm de comprimento. É um dos menores membros da sua família (Ardeidae). De cor predominantemente castanho avermelhado, principalmente nas laterais do pescoço, possui garganta branca e região ventral do pescoço e peito rajada de branco e canela, com barriga branca. O topo da cabeça, das costas e das asas é escuro, principalmente nos machos. Possui pescoço comprido e delgado, com patas e bico amarelos.

Distribuição

Possui distribuição ampla porém dispersa pelas Américas. Ocorre durante a reprodução em boa parte do leste dos Estados Unidos. Está presente nas costas leste e oeste do México, ilhas caribenhas e América Central. Na América do Sul se distribui em regiões de todos os países, exceto o Chile e Uruguai, se estendendo das Guianas, Suriname e Venezuela até o nordeste da Argentina. No Brasil, pode ser visto na maioria dos estados, exceto AC e RO, porém suas principais áreas de ocorrência parecem ser na foz do rio Amazonas (do AP, PA e MA até AM), na região do rio Araguaia (GO, MT e TO) e na região costeira (PE até SC).

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), e suas populações parecem estar estáveis (IUCN).

Referências

BirdLife International 2016. Ixobrychus exilis. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22697314A93607413. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22697314A93607413.en. Downloaded on 18 November 2019.

 

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Gavião Ripina

Harpagus bidentatus (Latham, 1790)

Nome(s) popular(es)

Gavião Ripina, Milhafre Bidentado.

História Natural

 

Ave típica de florestas tropicais e subtropicais, principalmente matas fechadas em áreas de maior altitude. É habitante da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica, tendo sua distribuição no Brasil associada a esses dois biomas. No Cerrado, pode ser encontrado principalmente em regiões próximas desses biomas, como nos estados de MT, TO e MG, em áreas de transição e nas matas de galeria e matas ciliares. Se mantém na copa das árvores, onde caça suas presas. Se alimenta principalmente de insetos (cigarras, gafanhotos, besouros e lagartas) e pequenos lagartos, mas ocasionalmente também pode predar morcegos, aves, roedores e até cobras. Possui um comportamento peculiar de seguir grupos de primatas pela copa para se aproveitar das presas que se espantam com o movimento deles, assim como faz o Gavião de Cabeça Cinza, porém o Gavião Ripina parece usar essa técnica com mais frequência, ativamente seguindo os grupos de perto, entre 5 e 40 metros de distância, e às vezes até mesmo perturbando Saguis em descanso, pairando sobre eles e os tocando com as patas, presumidamente para fazê-los mover. Dessa forma, pode seguir grupos de Sagui, Macaco de Cheiro, Macaco Prego, e ocasionalmente Bugio e Macaco Aranha. Seus ninhos são rasos e feitos com gravetos na copa das árvores, onde põem até 2 ovos. A fêmea se encarrega da maior parte do trabalho de construção do ninho e o macho contribui trazendo presas para ela e os filhotes. 

Descrição

Mede entre 29 e 35 cm. Possui a cabeça cinzenta, com olho vermelho alaranjado. Sua garganta é branca com uma listra preta vertical ao meio. Seu peito é castanho ferrugem, e sua barriga é esbranquiçada com um padrão barrado da mesma cor do peito. Suas costas são cinzentas, sendo que no dorso das asas esse cinza é mais escuro. Por baixo a cauda é preta com três faixas brancas e pontas cinzentas. Suas patas são amarelas. Possui duas pequenas pontas sobressalentes na margem de cada lateral do bico.

Distribuição

Ocorre do sul do México ao Brasil e Bolívia. No Brasil está presente em duas regiões distintas: uma no Norte, incluindo todos seus estados mais o MT, TO e MA, e a outra na costa leste, indo de AL a ES.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), porém suas populações mostram sinais de declínio (IUCN), sendo que o desmatamento é uma de suas principais ameaças.

Referências

Bierregaard, R. O., J. S. Marks, and G. M. Kirwan (2020). Double-toothed Kite (Harpagus bidentatus), version 1.0. In Birds of the World (J. del Hoyo, A. Elliott, J. Sargatal, D. A. Christie, and E. de Juana, Editors). Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, NY, USA. https://doi.org/10.2173/bow.dotkit1.01

 

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