Congresso Nacional: direitos e mineração em terras indígenas

Congresso Nacional: direitos e mineração em terras indígenas

Autor(a):

Solange Ferreira Alves

Resumo:

O objetivo principal deste trabalho é chamar a atenção dos povos indígenas, suas organizações e demais interessados na temática indígena para a necessidade de acompanhamento e participação nas atividades do Congresso Nacional. Considerando que este espaço, criado para ser democrático, propõe e decide sobre projetos de lei relacionados aos interesses dos povos indígenas, é de suma relevância que os principais interessados se façam presentes e cobrem o respeito aos seus direitos constitucionalmente garantidos. O trabalho apresentará um panorama geral do Congresso Nacional e um enfoque mais específico na Câmara dos Deputados, trazendo, a título de informação, uma relação dos projetos de lei em tramitação relacionados aos povos indígena. Ainda ressaltando a importância da sociedade civil ocupar este espaço e demonstrando os interesses em jogo no Congresso, será feita uma análise da tramitação do PL 1610/96, que trata da exploração de recursos minerais em terras indígenas. A metodologia adotada foi a pesquisa teórica, com busca em bibliografias específicas e sites especializados, e a pesquisa empírica, por meio da observação direta e do acompanhamento das atividades da Câmara dos Deputados. 

Referência:

ALVES, Solange Ferreira. Congresso Nacional: direitos e mineração em terras indígenas. 2012. ix, 125 f., il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2012.

Disponível em:

Yakuigady: cultura e sustentabilidade nas máscaras rituais do povo Kurâ-Bakairi

Yakuigady: cultura e sustentabilidade nas máscaras rituais do povo Kurâ-Bakairi

Autor(a):

Vitor Aurape Peruare

Resumo:

Este trabalho analisa a importância do Yakuigady para o povo Kurâ-Bakairi. Depois de trezentos anos de contato com os não-indígenas, a marca da dominação colonial ainda se faz presente nas mudanças culturais porque passam os Kurâ-Bakairi. Atualmente, esse povo busca reapropriar-se dos conhecimentos tradicionais sobre os espíritos aquáticos representados pelas máscaras Yakuigady. Esses espíritos são responsáveis pela sustentabilidade ambiental, alimentar e organizacional do povo Kurâ-Bakairi. Os Yakuigady trazem paz e alegria para o povo Kurâ-Bakairi, prestando- lhes serviços espirituais para enfrentar uma grande conjunto de situações. Por isso, é vista como uma manifestação cultural importante e preferencial para o fortalecimento da identidade Kurâ-Bakairi. Este trabalho oferece uma descrição dos Yakuigady e reflete sobre os desafios para sua continuidade e fortalecimento.

Referência:

PERUARE, Vitor Aurape. Yakuigady: cultura e sustentabilidade nas máscaras rituais do povo Kurâ-Bakairi. 2012. 57 f., il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2012.

Disponível em:

Do Araguaia ao Planalto: uma auto-análise da gestão de políticas públicas em educação escolar indígena

Do Araguaia ao Planalto: uma auto-análise da gestão de políticas públicas em educação escolar indígena

Autor(a):

Maria Helena Souza da Silva Fialho

Resumo:

Este trabalho apresenta um relato autoetnográfico sobre a minha experiência na gestão de políticas públicas, no contexto da educação escolar indígena. Relato o processo da minha formação e inserção no indigenismo, tendo como foco a reflexão sobre a minha prática profissional na educação escolar indígena, ao longo de uma década. Busco compreender como se estabeleceu a política nacional de educação escolar indígena, analisando criticamente as conquistas, tensões e retrocessos que marcaram a história recente dessa política pública. Realizo esse exercício sob o ponto de vista de quem participou ativamente desse processo (ou seja como insider), exigindo uma atenção permanente e um esforço de crítica e autocrítica.

Referência:

FIALHO, Maria Helena Sousa da Silva. Do Araguaia ao Planalto: uma auto-análise da gestão de políticas públicas em educação escolar indígena. 2012. 131 f., il. Dissertação (Mestrado Profissional em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2012.

Disponível em:

VAMOS BRINCAR DE DOBRADURA COM OS ANIMAIS DO CERRADO?

VAMOS BRINCAR DE DOBRADURA COM OS ANIMAIS DO CERRADO?

Nesta quarentena será divertido brincar de dobradura, e ao mesmo tempo, vamos ensinar educação ambiental inspirado em dobraduras de animais ameaçados de extinção, em especial os que habitam o Bioma Cerrado. São 11 animais ameaçados de extinção, como a borboleta-ribeirinha, bugio, cachorro-vinagre, lobo-guará, morceguinho-do-cerrado, onça-pintada, pato-mergulhão, pirá-brasília, perereca-de-folhagem-com-perna-reticulada, tamanduá-bandeira e galito.

 

Dobradura é a tradução da palavra japonesa origami, que significa, literalmente, “dobrar papel”. Quando o papel foi inventado na China, no início do século II, as dobraduras começaram a existir e sempre tendo como inspiração a natureza, em especial a fauna.

 

Os usos dos origamis são diversos e estão relacionados a cerimônias religiosas, meditações, superstições, uso terapêutico, lazer e educação. No aspecto cognitivo, destacam-se o desenvolvimento da coordenação motora fina, a criação de sequências lógicas, os conhecimentos geométricos e ambiental, além do ganho lúdico.

 

Nos países orientais, cada origami tem uma simbologia, por exemplo: as dobraduras de aves são feitas quando desejamos conseguir algo. Na Copa do Mundo de Futebol de 2002, realizada na Coreia do Sul e no Japão, o capitão da seleção brasileira, Cafu, recebeu a taça do Tetracampeonato sob uma chuva de papel, onde estavam cerca de três milhões de tsurus (dobraduras de garças) feitos por estudantes japoneses. Outro exemplo seria a figura do sapo, que está relacionada ao retorno de coisas boas, pois a palavra sapo em japonês tem o mesmo som da palavra retorno: kaeru.

 

Nesse livro a inspiração das dobraduras foram os animais ameaçados de extinção, em especial os que habitam o Bioma Cerrado, objetivando o ganho de conhecimento ambiental. É preciso conhecer para preservar, sabendo que: cuida quem ama e ama quem conhece! Então, agora você está diante de um grande desafio! Ajudar a preservar a natureza por meio das dobraduras e suas simbologias. Vamos nessa!

 

Marcus Paredes
Educador Ambiental

Baixe o livro aqui:

http://www.ibram.df.gov.br/wp-content/uploads/2019/12/cerrado-dobrado05dez2019-_web.pdf

Terra Prometida

Terra Prometida

        Ao longe ouvia-se um estrondoso som. Um avião a jato cruzava o céu. Ali naquela terra um sonho estava sendo concretizado. Foram anos de muitos planos e poucas economias, mas em fim o dia chegara. Um trabalho de 10 anos estava sendo posto à prova naquele dia. Seu Joaquim e dona Amélia estavam muito excitados por aqueles acontecimentos históricos.

        Será que haviam descoberto vida em outros Planetas?

        Não, claro que não, haviam decididos se mudarem com sua família para a vizinha Torixoréu – MT.  Era o dia de partirem, era o ano de nosso senhor Jesus Cristo 1946.  Seu Joaquim chamara dona Amélia para participar-lhe a boa nova:

        – Mulher venha cá. A nossa charrete está pronta, vamos viajar para nossa próxima morada. Hoje recebi a comunicação do compadre Zé Domingos sobre o tal pedaço de terra que está reservado para nós é só chegar, fincar barraca e tomar posse. Pegue a gurizada e vamos zarpar hoje mesmo.

        Dona Amélia não se fez de rogada, já não aguentava mais aquela vidinha sem graça de Guiratinga. Uma pasmaceira só!

        – Sabe crianças diz que Guiratinga significa garça branca, mas aqui de branca não tem nada.

        Aqui nessa terra é só poeira vermelha que se vê o tempo todo. E ela Pensava: É só a garça que é mesmo branca, arvura santa!

        Ainda devaneando ordenou aos filhos:

        – Aline tragam seu irmão vamos cuidar de nossa mudança para esta tal e afamada cidade brilhante, vamos em busca da nossa terra prometida.

       Tudo pronto, partiram para encontrar um lugar para chamar de seu conforme lhes garantira o compadre. Seguiram no novo modelo de transporte da época – a famosa charrete puxada por animais. O modelo “xt 3” custou cerca de cinco mil cruzeiros. Afinal eles tinham destino certo no espaço, haviam encontrado vida além de Guiratinga. Seu Joaquim estava animadíssimo, passaria a fazer parte dos pequenos e novos agricultores brasileiros do século 20. Viviam a República Nova, Marechal Eurico Gaspar Dutra era o novo Presidente.

        Caminhariam muitas léguas. Na tal cidade brilhante surgiam a todo momento novos núcleos familiares graças aos programas de incentivo lançados pelo Governo Federal bem como por conta de outros negócios como a extração de diamantes no vale do rio Araguaia.

        Assim no ano de 1946 chegam a Pouso Alto um distrito de Torixoréu – MT. Ali a família Sousa integrada por seu Joaquim, dona Amélia e seus dois filhos: Valdemar o mais velho e Aline a caçula. A família recém-chegada se instala na localidade denominada: Serrinha. Além da bagagem trouxeram o necessário para garantir o alimento das crianças até que conseguissem se instalar e arrumar algum meio de ganhar dinheiro.

        Seu Joaquim era conhecido por ser bom lavrador e dona Amélia se destacava por suas prendas domésticas e era também excelente costureira. Era ela a responsável pela educação dos filhos e disso não se descuidava. Na Fazenda Serrinha nasceram outros três últimos filhos: Francisco, Helena e Mariano acho que é nessa ordem. 

        Mulher legal – Dona Amélia. Ela não era de escutar e seu Joaquim falava demais. Escuta isso princesa, escuta aquilo princesa e buzinava o tempo todo no seu ouvido quando estava dentro de casa. Ela sempre lhe respondia sem às vezes ouvir direito o que ele estava falando.

        -O! Bota bobagem aí benhê!

        – É complicado prevermos o futuro de uma sociedade como a nossa. Temos o egoísmo como um dos pratos principais das famílias a cada dia. É difícil saber qual o futuro quando vemos a riqueza em detrimento de valores importantes como a união familiar e a cooperação mútua entre todos. Nessa sociedade do eu, não há espaço para o nós, mas importante missão para o todo, são essenciais para a construção de um mundo melhor e mais justo.

        – Ah! Deixa disso amor! Ser rico é bom e nós seremos ricos.

        -É sim princesa. Agora pelo amor de Deus, escuta aí!

        – Ah, benhê!

        – Olha, é necessário saber que não há nenhuma fórmula mágica teoria é teoria e pratica é pratica. Devemos tomar medidas imediatas. Temos já que passar por um conversor de medida única e acabarmos de uma vez por todas com essa história de ricos e pobres. Transformemo-nos em pessoas com dignidade, com acesso à educação de qualidade, saneamento básico, informação, tecnologia, bem-estar… Sejamos iguais. E é importante frisarmos: Não há fórmula mágica e essa tal tecnologia de conversão para medida única não estará disponível em um dia ou dois: para torná-la possível será preciso que tanto ricos quanto pobres trabalhem juntos para que em um futuro não muito distante tenhamos a civilização ideal: tal qual a que foi descrita há muito pelo mito do esquecido e atualmente impossível socialismo.

         – Gostou benzinho?!

        – Hein?! Nunca vi porcaria maior…

        -Diz ai se ouviu querida?!

        -Você e essa sua mania de falar demais. Vambora durmir homi, que tá ficando é tarde e ocê não para com essa barulheira…

        E a história continuou, seu Joaquim falou e falou e dona Amélia ouviu e ouviu e nesse disse não disse criou os filhos, chegaram os netos e assim vão indo… como se vê até hoje: 2019…

        E não vai parar de crescer pois a semente lançada em terra fértil só evolui.

Um Sonho de Cajuquim

Um Sonho de Cajuquim

        É a sua vigésima primeira viagem pela galáxia, Cajuquim está muito emocionado e eufórico, mas procura nem pensar no que pode encontrar, apenas navega. É assim toda vez que viaja pelo espaço. Sempre parece a primeira vez.

        Cajuquim sonha que é um viajante das estrelas que segue seu curso em sua bicicleta voadora. Para viajar Cajuquim conecta seu corpo à sua bicicleta que não é nada comum.

        Antes, porém, com sua amiga inseparável a Viola de Cocho, Cajuquim busca um lugar ideal para executar lindas melodias que ele produz. Cajuquim é um excelente violeiro pantaneiro. Nesta cantoria Cajuquim fica até que adormece e viaja.

        Nesse momento ele se conecta à sua bicicleta. Primeiro saem duas rodas de seu rosto e outras duas de seu corpo, uma de cada lado. Além dessas quatro rodas, podem ser vistas mais 2 rodas que pendem das correntes conectadas em sua careta. Tal que esse é um veículo singular que é todo conectado ao corpo do pequeno Cajuquim.

       Há mais duas rodas sobressalentes ligadas a parte da frente, onde tem uma roda bem grande que guia as demais. Essa roda grande contém uma outra roda bem pequena que sobressai sobre a careta de Cajuquim. Pendurado a seu corpo vai a companheira inseparável a sua linda Viola.

        Com todos os seus acessórios devidamente conectados Cajuquim começa sua viagem pelo espaço sideral contemplando as estrelas brilhantes e a grande lua cheia que ilumina o céu cuiabano.

        A certa altura dessa viagem resolve aportar em um Planeta. Logo percebe que é um planeta “solitário”. Resolve descer e vê que se pode andar e respirar tranquilamente naquele pequeno planeta. Em sua caminhada ele encontra uma pequenina Rosa, percebe também a existência de três vulcões extintos e um Baobá. Procurando fazer contato localiza um habitante nativo. Nos comandos de sua bike voadora identifica ser o Planeta B-612.

        Cajuquim fica muito feliz pois identificou que esse Planeta é o lar do Pequeno Príncipe, dito e feito, logo eles se encontram: Cajuquim e o Pequeno Príncipe o senhor do Planeta B-612. Eles se cumprimentam cortesmente.

        – Boa noite, meu Príncipe.

        – Boa noite, Sr. viajante.

        – Pois sim, sou Cajuquim Pantaneiro e estou de passagem por seu Planeta.

        – Oh! Que maravilha, seja bem-vindo Cajuquim. Fico muito feliz com sua visita.

        O Pequeno príncipe recebeu alegremente Cajuquim Pantaneiro. Ele ficou muito feliz por ter um visitante em seu Orbe. Para celebrar Cajuquim toca uma bela melodia em sua Viola e ambos cantam uma linda canção de amizade para alegar a bela e única Rosa favorita do anfitrião. Conversam por várias horas, mas era preciso voltar, seguir sua viagem, pois já se vão muito tempo e há muitos lugares a visitar.

        Despedem-se e lá se vai Cajuquim seguindo sua nova jornada intergaláctica.

        O Pequeno Príncipe que nunca recebia visita, finalmente se sentiu muito alegre e honrado por receber a visita de Cajuquim Pantaneiro.

        Já de volta ele navega pelas estrelas, ora para em um canto e canta uma canção, ora para outro e faz um novo amigo, supera obstáculos aqui, desvencilha dos perigos ali e vai navegando nesse imenso universo.

        Quando se apercebe é hora de despertar. Em um galho logo ali o amigo Galo começa sua cantoria anunciando o alvorecer.

        Já é dia e novas aventuras espera Cajuquim e seus amigos. Serão novas canções a entoar. Ah! esse moço é um excelente violeiro pantaneiro.

        Não demora muito e acessa o seu galho a amiga Pintada e em seu encalço o amigo Verde Xumbim chega prontos para passearem.

        Cajuquim cumprimenta seus amigos e ponteia sua viola. Segue nesse novo dia para mais tarde, logo que adormecer, sonhar mais um sonho encantado embalado pela brisa morna das “calientes” noites cuiabanas.

        Nesse vai e vem, lá se vão 300 anos nessa cuiabania. Esse Cajuquim Pantaneiro é Digoreste, então não é xô mano! Sim senhor.

Cajuquim Dorme

Cajuquim Dorme

        Feita as suas orações Cajuquim pode repousar tranquilo. Ali em seu galho fica protegido pela noite morna.  Em seu peito um coração tranquilo sobre o qual descansa sua linda Viola de Cocho.

        Toda as noites são assim. Efetua suas orações, mas antes de pegar no sono Cajuquim toca lindas melodias em sua Viola para relaxar e alegrar os seus amigos e os habitantes dos galhos e quintais vizinhos e é claro, principalmente sua doce Cajuína que mora no galho ao lado.

        Qualquer um com sensibilidade suficiente poderá ouvir as lindas melodias que encantam as suaves noites estreladas, iluminadas pelo luar nas mornas ou calientes noites cuiabanas.

        Em sua guampa Cajuquim, sob a luz do luar, sonha e produz muitas peripécias. Vive muitos devaneios, viaja por muitos lugares, navega pelos sete mares, vai até as estrelas, visita planetas, perpassa galáxias.

        Hoje, por exemplo, ele se tornou um astronauta que navega pelo universo e alcança as estrelas mais distantes da via láctea. Todavia ele dúvida de si mesmo, ele pensa:

        – Como será isso possível pra mim, sou tão pequeno, tão frágil como posso realizar tamanho feito?!

        E assim, pensando nisso, Cajuquim adormece e nem se dá conta de que ao adormecer embalado por um lindo sonho ele realiza o seu desejo. Ele sonha um sonho encantado em que está saracoteando pelas calientes noites cuiabanas. Termina um começa outro. Agora é um astronauta, um viajante intergaláctico.

        Pra essa viagem intergaláctica Cajuquim inventa uma nave espacial bem diferente. Essa nave o leva a conhecer várias nébulas e diversos sistemas solares diferentes do seu.

        É a bordo dessa invenção que Cajuquim visita diversos cometas. Pula de estrela em estrela e conhece os habitantes dos planetas Vermelho além de Marte e do planeta Lilás que fica ao norte do Vermelho, próximo a Saturno.

        Nessa aventura Cajuquim faz amizades com seres místicos e inimagináveis. Conversa com as mais variadas plantas do universo sideral e encontra muitos desafios, se safa de vários perigos. Encontra muitas alegrias e felicidade.

        Esse pequeno viajante em suas excursões surreal coleciona vários amigos. Mas nem só de flores são feitos os seus sonhos. Há também os inimigos perigosos e as armadilhas ameaçadoras.

        Claro não poderia ser diferente Cajuquim também enfrenta problemas e dificuldades. Ele também já conheceu os males e as intempéries. Os perigos naturais a que estão expostos os afoitos.

        Tudo certo, tudo pronto vamos conhecer a invenção de Cajuquim que permite que ele cruze oceanos e acesse os mais vastos cantos do universo.

        Sua invenção é uma engenhoca composta por diversas engrenagens, correntes e outras peças estranhas. Na verdade, pode se dizer que é uma espécie de bicicleta voadora. Com essa máquina Cajuquim pode viajar para qualquer dimensão. Acessar as mais distantes galáxias. Ir além do sistema solar.

        Em sua bicicleta voadora ir até a lua é um pulinho. Navegar por sete mares é uma voltinha. Lembrando que Cajuquim não desgruda de sua famosa amiga a Viola de Cocho, os dois vivem e viajam juntinhos na sua bicicleta voadora. Para eles não há obstáculos. Enfrentam qualquer perigo e vencem os medos.

        Para Cajuquim Pantaneiro estando com sua Viola de Cocho e com sua bike voadora o céu não é o limite…

 

Um Conto do Cerrado

Um Conto do Cerrado

        Sentados em banquinho em frente de sua casa, embaixo do grande pé de Jatobá, ao cair da noite, Doninha e seu marido ficam horas a contemplar o horizonte. Veem os aviões que cruzam o céu, as estrelas brilhantes no firmamento, contam constelações e observam as estrelas cadentes. Quando a noite se completa e o luar aparece iluminando tudo é uma beleza que lhes fazem sonhar!

        Um luar cor de prata que sai por detrás das arvores iluminando toda a terra e refletindo a beleza sinuosa da paisagem que forma figuras interessantes e as vezes até assustadoras.

        Além da represa os cães ladram contemplando o luar que surge por detrás de uma pequena elevação. Na certa pressentido a aproximação de algum animal noturno que pretende beber água ou talvez um simples gato de casa. Os gatos estão pra todo lado, são muitos por ali!

        É tarde, hora de dormir. Recolhem-se ao som do coaxar dos sapos que formam uma sinfonia atraindo a sua parceira ou afastando o seu rival.  Nesse concerto musical pegam no sono leve e suavemente.

        – Aqui há muitos sapos, sinto-me um pouco incomodada com eles!

        Pensa, Doninha, mas é vida que segue. Pela manhã, ela abre a janela e contempla a paisagem. Ela vê as árvores desfolhadas com seus galhos retorcidos. O capim seco e marrom de poeira, o horizonte queimado pela seca que começa no mês de agosto. Nesse lugar os meses de agosto, setembro e outubro são os mais causticantes. Tudo fica esturricado pelo sol ardente e pela falta de chuva, que só deve chegar ao final desse trimestre.

        É como é por essas bandas do Cerrado mato-grossense. O campo verde perde lugar para o marrom das folhas secas. Mas nem tudo é desolador. Há uma compensação, pois, é nesse período também que os Cega-machados ficam roxinhos em flor, as Cagaitas ficam branquinhas assim como as Sucupiras com suas variadas nuances: brancas, vermelhas e roxas pigmentam toda a flora. E, principalmente, o que dizer dos Ipês?! É nesse período que eles florescem e alegram com seus matizes todos os recantos: roxo, rosa, amarelo e por último o branco. É uma efusão de cores que abrandam qualquer secura.

        Já nos quintais quem dita o tom são os Cajueiros, as Laranjeiras e as Mangueiras entre outras frutas da época. É uma profusão de seca e de aromas de flor colorindo e perfumando todo o pomar.

        – É tudo muito lindo aqui pra se ver!

        Na Mata Verde a vegetação ainda está bem preservada. É fácil observar a vastidão de espécies que formam o cerrado mato-grossense. Por aqui ainda é possível encontrar cervos e outros pequenos animais que habitam esses campos. As araras azuis e vermelhas encantam com seu canto: corró, corró, corró … É uma grande algazarra nos pequizeiros e nas goiabeiras.

        – Há quem diga que até já viu onça por aqui!

        Não duvido. Por outro lado, na região de Pouso Alto que fica perto daqui o cerrado já não é o mesmo. As lavouras de soja tomaram conta de quase tudo. Pouco há o que se ver por ali da antiga beleza desse Bioma. Hodiernamente o que se vê por lá são longas pastagens para os animais de criação ou a vastidão do Ouro Verde do cerrado (soja).

        Não se pode dizer disso que é o fim do verde, mas com toda certeza a descaracterização da vegetação natural. Não sei se fico triste ou se bato palmas para tudo isso. O que sei é que na minha infância, quando ali nasci era outra a vegetação, era cerrado, mas lá era sertão virgem.

        – Naquela época tudo que se ouvia da cidade era por meio do radinho de pilha!

       Agora não, agora a televisão chegou, o telefone também e a internet todos tem acesso. O que dizer então?!

        – Sim, Pouso Alto está conectado ao mundo. É a evolução, é a transformação que ocorre com tudo.

        – Como poderia ser diferente com o cerrado?!

        Sei que temos que aceitar a evolução tecnológica, mas então por que só me sinto feliz ao ver nossa terra prometida bem preservada em sua vegetação natural?! Porque me sinto feliz de ver o seu Zé com sua enxada nas costas vindo de sua rocinha de toco cultivada com adubo orgânico, tudo ecologicamente equilibrado, como nos velhos tempos?! Que me sinto muito feliz quando vejo um animal nativo podendo caminhar livre por essa terra. Quando posso colher a fava da sucupira embaixo do seu pé?! Colher o Piqui, a Curriola, a Croadinha ou Gabiroba tão difícil de encontrar atualmente. E essas são apenas algumas entre tantas frutas doces e maravilhosas que o cerrado produz.

       – Será que para alimentar muitos precisamos sacrificar tudo, acabar com toda essa pluralidade de sabores que o cerrado nos fornece?!

        Ficaremos com essas para pensarmos…

 

Araticum

Araticum

Nome científico: Annona crassiflora

 

Nome popular: Araticum

 

Família: Annonaceae

 

Forma de vida: Árvore

 

Frutificação no Cerrado: janeiro-abril

 

Dispersão: mamíferos

 

Polonização: besouros

 

Habitat e distribuição: Savânico e florestal, em Cerrado Típico e Cerradão. 

 

Domínios: Cerrado, Amazônia e Pantanal.

 

Características da espécie: Árvore de 4 a 8m de altura, com tronco geralmente tortuoso revestido por casca áspera e corticosa. Folhas simples, alternas e coriáceas.  A floração ocorre entre setembro e novembro, com pequenas variações, dependendo da região.

 

Características dos frutos: Seus frutos são do tipo baga, com grande número de sementes por fruto e casca grossa, verde-amarelado e com odor forte quando maduro. Globosos e irregulares, carnosos e com polpa suculenta. O crescimento dos frutos inicia em novembro e a maturação ocorre na estação chuvosa, de janeiro a abril.

Aproveitamento

Seus frutos com sabor marcante são muito apreciados pela sua polpa doce que pode ser consumida ao natural ou sob a forma de doces, geleias, sucos, licores, tortas, iogurtes, bombons, chutney ou sorvetes. Na medicina popular, a infusão das folhas e das sementes pulverizadas é usada no combate à diarreia (Almeida et al., 1998), além de terem propriedades inseticida. Possui betacarotenos, assim como vitamina C, B1, B2 e ferro e possui prevalência de ácidos graxos insaturados.

Referências

ALMEIDA, S. P. de; PROENÇA, C. E. B.; SANO, S. M.; RIBEIRO, J. F. Cerrado: espécies vegetais úteis. Planaltina: EMBRAPA-CPAC, 1998. 464 p.

 

KUHLMANN, Marcelo. Frutos e sementes do Cerrado: espécies atrativas para a fauna. 2ª ed., Brasília, 2018.

 

VIEIRA, Roberto Fontes et al. Frutas nativas da região Centro-Oeste. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, 2006. 320 p.

 

LULKIN, Claudia Isabel. Do cerrado para a mesa: articulando agricultura familiar com alimentação escolar pelas frutas nativas. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Sociobiodiversidade e Sustentabilidade no Cerrado) —Universidade de Brasília, Alto Paraíso de Goiás – GO, 2018. Disponível em: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/22281/1/2018_ClaudiaIsabelLulkin_tcc.pdf

Baru

Baru

Nome científico: Dipteryx alata

 

Nomes populares: Baru, coco-feijão, cumaru

 

Família: Fabaceae

 

Forma de vida: Árvore

 

Frutificação no Cerrado: setembro-novembro.

 

Dispersão: morcegos e outros mamíferos

 

Polinização: abelhas

 

Habitat e distribuição: Bioma Cerrado, nas formações florestais Cerradão e Mata, nas áreas de transição entre Cerrado e Mata Estacional ou Mata de Galeria e no Cerrado sentido restrito.

 

Características da espécie: Árvore com altura média de 15 m, com caule ereto, ramos e casca do tronco lisos. Floresce de outubro a janeiro.

 

Características dos frutos: O fruto é do tipo drupa, seco, ovoide, levemente achatado, de cor marrom, não apresentando mudança de cor quando maduro. Possui cerca de 3 a 6 cm de comprimento e de 1,5 a 4,5 cm de largura. O endocarpo é lenhoso, de cor mais escura que o mesocarpo fibroso. Apresenta uma única semente por fruto. O barueiro apresenta frutos maduros durante a estação seca no Cerrado, entre março e agosto, sendo uma espécie importante para alimentação de aves, quirópteros, primatas e roedores nessa época (Macedo et al., 2000).

 

Aproveitamento:  Tanto a polpa quanto a amêndoa de baru podem ser utilizadas na alimentação humana, sendo a polpa constituída principalmente de hidratos de carbono (63%), predominantemente por amido, fibras insolúveis e açúcares (Alves et al., 2010). A amêndoa apresenta elevados níveis de lipídicos (42%), proteínas (30%), cálcio, fósforo, manganês e potássio, além de ferro, zinco, selênio e consideráveis teores de hidratos de carbono e fibras (Sousa et al., 2011), devendo ser consumida torrada para reduzir os fatores antinutricionais. Da amêndoa pode-se extrair leite e óleo e ainda pode ser usada para fazer pé-de-moleque, paçoca, mistura de barras de cereais, bombons entre outros. A polpa (mesocarpo) pode ser consumida in natura. Tem sabor adocicado, quando utilizada para massa de bolo, torna-se escura, aparentando chocolate.

 

Extração e Comercialização: na época da seca, de julho a setembro, é que o baru é coletado, essa coleta abrange os frutos que já caíram ao chão pois estavam totalmente maduros, e sacudindo os galhos da árvore, assim os frutos que já estavam prestes a cair também se soltam. Segundo informações da Embrapa, cada árvore produz de 2 a 5 sacos de frutos (aproximadamente 45kg cada saco). Depois da coleta, o fruto é partido com um martelo próprio para isso, separando a amêndoa da polpa.

 

A comercialização do Baru pode ser feita individualmente por cada extrativista em feiras, ou beiras de estrada. Mas existem cooperativas que trabalham em conjunto com esses extrativistas, como a Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável com Base na Economia Solidaria (Copabase), que entre outras coisas também trabalham para criação de eventos que abrem espaço para a venda de produtos cerratenses, como é o caso do baru. Em 2019, Brasília recebeu a primeira oficina de comércio de castanha de Baru, no IX Encontro e Feira dos Povos do Cerrado.

 

Aplicações: o baru tem várias opções de uso, tanto a polpa quanto a amêndoa podem ser utilizados na alimentação como base para vários tipos de receitas. Já o óleo de baru tem grande poder farmacológico, diminuindo o colesterol, e inflamações no organismo por ser rico em ômega-3, ajuda na prevenção de anemia devido a quantidade de ferro presente. O óleo ainda tem grande poder na parte cosmética, uma vez que fortalece as unhas, estimula a renovação celular, o que auxilia na revitalização da pele, além de hidratá-la graças a presença de vitamina E. 

Artesanalmente, o óleo de baru é feito com as amêndoas torradas por uma hora e depois trituradas até se tornar uma massa esfarelada e depois passa por um processo de cozimento para dar a consistência do óleo. Quando a extração do óleo é feita a frio, ela gera farinha de baru, que é comestível e repleta de nutrientes.

 

Com o processamento total do baru gera-se vários produtos como, por exemplo, manteiga, castanha, óleo, e farinha de baru.

 

Importância social e econômica: o baru tem mantido no campo as famílias que precisam de sustento, esse fruto acarreta numa mudança econômica na vida de várias pessoas, promovendo geração de renda e a sensação de pertencimento à terra, sem essas famílias agroextrativistas, é bem provável que o baru já não existisse mais, a conservação da espécie é graças ao trabalho dessas pessoas que atuam diretamente no plantio e na colheita. O baru dá a esperança de que essas pessoas possam conseguir se manter na agricultura como único trabalho, sem precisar sair de suas comunidades em busca de outras formas para garantir sua vivência digna. O baruzeiro tem sua madeira muito resistente, sobrevive as secas e queimadas do cerrado, por isso se faz tão necessária a conservação dessa árvore que carrega consigo também a conservação do bioma.

 

Um projeto que vale a pena conhecer é o Centro de Produção, Pesquisa e Capacitação do Cerrado (Ceppec), esse projeto coordena uma rede com várias famílias, o Ceppec realiza com maestria o processo de extração e comercialização da castanha de baru.

 

Ameaças: apesar de hoje em dia a importância das árvores cerratenses terem ganhado maior atenção em relação ao seu valor para a manutenção do ecossistema, ainda acontecem várias queimadas que destroem o cerrado. O baruzeiro também sofre com as queimadas enquanto ainda estava se recuperando da extração drástica na década de 1980 onde a madeira era muito usada para produção de carvão. Essa extração de carvão diminuiu muito as árvores, e por consequência, diminuiu a coleta de frutos, o que implica na falta de geração de renda para os trabalhadores dependentes do extrativismo sustentável.

Referências

Alves, A.M.; Mendonça, A.L. de.; Caliari M. e Cardoso-Santiago, R.A (2010) – Avaliação química e física de componentes do baru (Dipteryx alata Vog.) para estudo da vida de prateleira. Pesquisa Agropecuária Tropical, vol. 40, n. 3, p. 266–273.

MACEDO, M.; FERREIRA, A. R.; SILVA, C. J. Estudos da dispersão de cinco espécies-chave em um capão do pantanal do Poconé, Mato Grosso. In: Simpósio sobre recursos naturais e socioeconômicos do Pantanal, 2000.

Sousa, A.G.O.; Fernandes, D.C.; Alves, A.M.; Freitas, J.B. e Naves, M.M.V. (2011) – Nutritional quality and protein value of exotic almonds and nut from the Brazilian Savanna compared to peanut. Food Research International, vol. 44, n. 7, p. 2319–2325.

VIEIRA, Roberto Fontes et al. Frutas nativas da região Centro-Oeste. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, 2006. 320 p.

ZUFFO, Alan M.; ANDRADE, Fabrício R.; ZUFFO JÚNIOR, Joacir M. Caracterização biométrica de frutos e sementes de baru (Dipteryx alata Vog.) na região leste de Mato Grosso, Brasil. Rev. de Ciências Agrárias, Lisboa, v. 37, n. 4, p. 463-471, dez. 2014.

 

KINUPP, Valdely; LORENZI, Harri. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil, 2019. São Paulo.

 

LULKIN, Claudia Isabel. Do cerrado para a mesa: articulando agricultura familiar com alimentação escolar pelas frutas nativas. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Sociobiodiversidade e Sustentabilidade no Cerrado) —Universidade de Brasília, Alto Paraíso de Goiás – GO, 2018. Disponível em: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/22281/1/2018_ClaudiaIsabelLulkin_tcc.pdf 

CARRAZZA, Luis. D’Ávila, João. Manual Tecnológico de Aproveitamento Integral do Fruto do Baru. Brasília, 2010. Disponível em <https://ispn.org.br/site/wp-content/uploads/2018/10/ManualTecnologicoBaru.pdf> Acesso em: 13 out. 2020

 

CAMPOS, Luana. Cadeia Produtiva do Baru – boa, limpa e justa. Ecoa. Campo Grande, 2 out. 2019. Disponível em <https://ecoa.org.br/cadeia-produtiva-do-baru/>. Acesso em: 14 out. 2020

 

Brasília recebe primeira oficina de comércio de castanha de baru. Metrópoles, Distrito Federal, 10 set. 2019. Disponível em <https://www.metropoles.com/distrito-federal/brasilia-recebe-primeira-oficina-de-comercio-de-castanha-de-baru> Acesso em 14 out. 2020

 

SANO, Sueli. RIBEIRO, José. BRITO, Márcia. Baru: biologia e uso. Embrapa, Planaltina, 2004. Disponível em <https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/566595/1/doc116.pdf> Acesso em: 17. Out. 2020

 

CAMPOS, Raissa. Arinos recebe a Fenabaru – 3° festa Nacional do Baru. Mais Buritis. Minas Gerais. 2 set. 2019. Disponível em: <https://maisburitis.com.br/2019/09/arinos-recebe-fenabaru-3a-festa-nacional-do-baru/> Acesso em: 24 nov. 2020