Jatobá

Nome científico: Hymenaea stigonocarpa

 

Nome popular: Jatobá-do-cerrado

 

Família: Fabaceae – Caes

 

Forma de vida: Árvore

 

Frutificação: estação seca

 

Dispersão: mamíferos (mastocoria)

 

Habitat e distribuição: Formações abertas do Cerrado e Campo-Cerrado

 

Características da espécie: Árvore de porte médio, 6 a 9 metros ou maior, casca espessa, parda avermelhada. Caracteriza-se por ser uma árvore bem menor que os outros jatobás, retorcida pela influência do fogo no cerrado (Heringer & Ferreira, 1975) e por apresentar folíolos pilosos, cerne mais escuro e frutos um pouco maiores do que das outras espécies do gênero (Rizzini & Mors, 1976). O período de floração é de outubro a abril.

 

Características dos frutos: Os frutos do jatobá são legumes indeiscentes secos, apresentando epicarpo coriáceo, tendo o mesocarpo e o endocarpo transformados em polpa farinácea, amarelada, levemente adocicada, de sabor e cheiro característicos (Ferreira, 1975). O período de frutificação é entre abril e junho e a maturação dos frutos estende-se de agosto a setembro (De-Carvalho et al, 2005).

Aproveitamento

.Os frutos do jatobá contêm uma polpa farinácea de alto valor proteico, utilizada na culinária regional na forma de bolos, biscoitos, pães e mingaus ou “in natura”. A polpa é utilizada ainda na medicina popular como laxante. O jatobá é rico em provitamina A, potássio, magnésio, cálcio e fósforo. Possui 75% de ácidos graxos insaturados com ácido linoleico dominante. A árvore apresenta uma madeira densa, muita apreciada em construções e carpintaria no geral (Botelho, 1993). Além de fornecer madeira de boa qualidade, as espécies do gênero Hymenaea exsudam uma resina denominada jutaicica, usada como adstringente, cicatrizante e na fabricação de xaropes para bronquite e inflamações, além da produção de vernizes (Botelho, 1993).

 

Extração e Comercialização: A extração do jatobá é ocorre de maneira muito semelhante à de outros frutos consistindo em arrancar o fruto da árvore ou esperar o momento em que eles caem maduros ao chão para fazer essa coleta.

Após a coleta, os frutos podem passam por uma triagem para separar aqueles que não estão aptos ao consumo, a partir daí o fruto pode seguir para o processamento afim de preparar os produtos que são derivados do jatobá, ou podem seguir natural para a comercialização.

A comercialização do jatobá é feita pelos próprios agroextrativistas em feiras e festas locais, ou usa alguma cooperativa para intermediar esse contato até o consumidor final.

 

Aplicações: Do jatobá consegue-se aproveitar tudo para diferentes finalidades.

As partes do fruto (semente, polpa e casca) são integralmente aproveitadas. Das sementes do jatobá pode-se fazer artesanatos, como biojóias. As sementes ainda têm sido utilizadas com propósitos fitoterápicos e cosméticos. A casca do fruto também possibilita o artesanato, é muito comum a fabricação de bonecos típicos das regiões.

Da polpa saem receitas como sorvetes e licores, além do mais é comum a produção de farinha com o processamento da polpa, que serve de base para o preparo de bolos e pães com alto valor proteico.

A árvore também tem suas propriedades, a casca é muito procurada por conta de suas atividades medicinais, principalmente no tratamento de problemas respiratórios, comprando diretamente com os próprios extrativistas, o consumidor evita todo o trabalho de ter que tirar a casca da árvore e de tratá-la, além do fortalecer a economia. A resina extraída da árvore ou do fruto ajudam com dores de estômago e azia.

 

Importância Social e econômica: O jatobá é um fruto antigo, uma espécie resistente que consegue sobreviver melhor a condições mais adversas. Do jatobá tudo se aproveita, e isso gera movimentações na economia, conferindo renda as famílias de agricultores locais, onde cada um da família pode assumir uma parte do preparo dos produtos finais, sejam eles alimentícios, medicinais ou artesanais.

 

Ameaças: A produção do jatobá e de seus derivados produtos é complicada, muitas vezes por falta de uma estrutura básica para melhor atender aqueles trabalhadores.

Incluir o jatobá na Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM — Bio) ajudaria muito as pessoas que dependem dele, pois estariam assegurados a cobrar um valor mais alto (e justo) por todo o trabalho que tem em relação a esse fruto. Sem uma remuneração justa, as condições de trabalho também ficam cada vez mais precárias, ferramentas que não são seguras, longas horas de trabalho para produzir mais, para conseguir o sustento dos indivíduos que estão envolvidos.

 

Referências

BOTELHO, Soraya Alvarenga. Características de frutos, sementes e mudas de Jatobá do cerrado (Hymenaea stigonocarpa) de diferentes procedências. 93 f. Tese (Doutorado) – Curso de Engenharia Florestal, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 1993.

 

BOTELHO, S.A.; FERREIRA, R.A.; MALAVASI, M.M.; DAVIDE, A.C. Aspectos morfológicos de frutos, sementes, plântulas e mudas de jatobá-do-Cerrado (Hymenaea stigonocarpa Mart. ex Hayne) – Fabaceae. Revista Brasileira de Sementes, v. 22, n. 1, p. 144-152, 30 jun. 2000. http://dx.doi.org/10.17801/0101-3122/rbs.v22n1p144-152.

 

DE-CARVALHO, Plauto Simão; MIRANDA, Sabrina do Couto de; SANTOS, Mirley Luciene dos. Germinação e dados biométricos de Hymenaea stigonocarpa – Jatobá-do-cerrado. Revista Anhanguera, Gjhf, v. 6, n. 1, p. 101-116, 2005.

 

FERREIRA, M.B. Frutos comestíveis nativos do Distrito Federal – IV. Cerrado, Brasilia, 7(30):15-21, 1975.

 

HERINGER & FERREIRA, M.B. Árvores úteis da região geoeconômica do Distrito Federal. Dendrologia. Cerrado, Brasília, 7(27):27-32, 1975.

 

RIZZINI & MORS.W.B. Botânica econômica brasileira. São Paulo, EDUSP, 1976. 207p.

 

LULKIN, Claudia Isabel. Do cerrado para a mesa: articulando agricultura familiar com alimentação escolar pelas frutas nativas. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Sociobiodiversidade e Sustentabilidade no Cerrado) —Universidade de Brasília, Alto Paraíso de Goiás – GO, 2018. Disponível em: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/22281/1/2018_ClaudiaIsabelLulkin_tcc.pdf

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