Garça Azul

Egretta caerulea (Linnaeus, 1758)

Nome(s) popular(es)

Garça Azul, Garça Morena (PA), Garça Cinzenta (PE).

História Natural

Ave associada a ambientes aquáticos, é encontrada em uma variedade de corpos d’água, como riachos, rios, lagos e brejos, porém é bastante típica de ambientes costeiros, sendo encontrada comumente em áreas de maré baixa e manguezais. No Cerrado pode ser encontrada em matas de galeria, matas ciliares e campos alagados. Se alimenta principalmente de crustáceos, peixes e insetos aquáticos (moscas, libélulas), além de eventualmente sapos e lagartos. Se reproduz principalmente em manguezais, em colônias com outras espécies de aves aquáticas, e os ninhos são feitos com gravetos em galhos acima da água, pondo de 2 a 5 ovos azulados. Seus filhotes podem ser predados pelo Socó Dorminhoco, e possivelmente por gaviões (família Acciptridae) e falcões (família Falconidae).

Descrição

Mede entre 51 e 66 cm de comprimento. Sua coloração é escura, com tons azulados. O peito, barriga, asas e dorso são cinza escuro azulado, e a cabeça e pescoço possuem tons violetas. Possui o bico com a base azul e ponta negra, com as pernas cinzentas. 

Distribuição

Possui ampla distribuição pelas Américas, apesar de dispersa. Está presente do Estados Unidos até o Uruguai, incluindo a América Central, Colômbia, Venezuela, Guianas, Suriname, Equador, Peru, Bolívia, Chile e Paraguai, ocorrendo a leste e oeste dos Andes. No Brasil está presente localmente em todos os estados, porém sua principal ocorrência é ao longo do litoral e nas regiões amazônica e pantaneira.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerada ameaçada (ICMBio e IUCN), apesar de suas populações mostrarem sinais de declínio (IUCN).

Referências

BirdLife International 2017. Egretta caerulea (amended version of 2016 assessment). The IUCN Red List of Threatened Species 2017: e.T22696944A118857172. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2017-3.RLTS.T22696944A118857172.en. Downloaded on 01 December 2019.


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Garça Branca Pequena

Egretta thula (Molina, 1782)

Nome(s) popular(es)

Garça Branca Pequena, Garcinha Branca, Garça Pequena, Garcinha.

História Natural

Ave associada a ambientes aquáticos de todos os tipos, é comum e bastante abundante, ocorrendo em rios, lagos, lagoas, brejos, mangues, estuários e no litoral. No Cerrado pode ser vista em campos alagados, veredas, matas de galeria e matas ciliares. Caça ativamente pelas margens ou na água rasa, capturando uma diversidade de animais, como peixes, moluscos, crustáceos, insetos, vermes, anfíbios e pequenos répteis. Vive em grupos e se reproduz em colônias, juntamente com outras aves aquáticas, fazendo seus ninhos com gravetos sobre árvores próximas à água. Põe de 3 a 7 ovos, de cor esverdeada ou azulada, e o casal os incuba e alimenta os filhotes juntos. Durante a época reprodutiva fazem demonstrações de acasalamento em que inflam os tufos de finas penas compridas na cabeça, peito e dorso.

Descrição

Mede entre 48 e 68 cm de comprimento. Sua coloração é toda branca. Possui o bico preto e a pele entre o bico e os olhos amarela. Suas pernas são pretas, com as patas amarelas. Pode ser confundida com a Garça Branca Grande, diferenciando-se dela pelo menor tamanho, bico preto e pata amarela, enquanto aquela possui o bico amarelo e a pata preta. Na época reprodutiva apresenta longas penas finas e brancas descendo pela nuca, peito e principalmente nas costas.

Distribuição

Possui uma ampla distribuição pelas Américas, ocorrendo desde os Estados Unidos ao sul da Argentina e do Chile, incluindo as ilhas caribenhas e a região a oeste dos Andes. No Brasil encontra-se em todos os estados.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerada ameaçada (ICMBio e IUCN), e suas populações parecem estar aumentando (IUCN).

Referências

BirdLife International 2016. Egretta thula. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22696974A93595536. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22696974A93595536.en. Downloaded on 10 December 2019.


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Garça Real

Pilherodius pileatus (Boddaert, 1783)

Nome(s) popular(es)

Garça Real, Garça Morena, Garcinha, Garça de Cabeça Preta.

História Natural

Ave típica de ambientes aquáticos, é encontrada em corpos d’água  rodeados por mata preservada, como rios, lagos, pequenas lagoas, pântanos e mangues, estando associada à água lamacenta. Apesar de possuir uma ampla distribuição, costuma ocorrer de forma escassa, não sendo muito comum de se encontrar. No Cerrado pode ser vista em veredas, matas de galeria e matas ciliares. Normalmente vive solitária, porém pode ser vista em grupos de dois ou três indivíduos. Se alimenta de pequenos animais pelos lamaçais, na água rasa ou nas margens dos rios e lagoas, caminhando lentamente ou se mantendo parada à espera das presas, que incluem peixes, anfíbios e insetos aquáticos. Faz seus ninhos com gravetos sobre as árvores, porém a baixa altura, e põe cerca de dois ovos.

Descrição

Mede entre 51 e 61 cm de comprimento. Possui o bico e pele da face azul vivo, bem característico, com a ponta da mandíbula rosada. Pequena mancha amarelada na testa, topete preto bem destacado no topo da cabeça, penas amareladas finas e compridas na nuca. Garganta, laterais da cabeça, nuca, pescoço, peito e barriga amarelo claro pálido, com a barriga mais clara. Seu dorso e asas são branco acinzentado. Suas patas são cinzentas.

Distribuição

Possui ampla distribuição pela América do Sul, ocorrendo do Panamá ao nordeste da Argentina, incluindo Colômbia, Venezuela, Guianas e Suriname, leste do Equador e do Peru, Brasil, Bolívia e Paraguai. No Brasil está presente em quase todos os estados, sendo menos abundante no Nordeste e no Sul, estando ausente em PE, RN, SE e RS.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerada ameaçada (ICMBio e IUCN).

Referências

BirdLife International 2016. Pilherodius pileatus. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22696987A93596994. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22696987A93596994.en. Downloaded on 09 December 2019.


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Maria Faceira

Syrigma sibilatrix (Temminck, 1824)

Nome(s) popular(es)

Maria Faceira.

História Natural

Ave comum a ambientes abertos, é uma das garças (família Ardeidae) menos associada a ambientes aquáticos. É típica do Cerrado, Pampas, Mata Atlântica e Chacos Bolivianos. Costuma ocorrer em áreas campestres, savânicas ou de vegetação florestal esparsa, e pode ser vista comumente em áreas recentemente queimadas ou abertas para plantio. Apesar de também poder percorrer áreas alagadas, nunca se aventura em águas mais fundas. No Cerrado ocorre em campos limpos, campos sujos, campos úmidos, savanas e cerradões. Possui um chamado característico, bem agudo e sibiloso. Se alimenta de uma variedade de animais, como insetos (besouros, libélulas, gafanhotos), aranhas, vermes, peixes, sapos, cobras, e outros pequenos répteis e roedores. Caça no chão, se mantendo imóvel por longos períodos ou caminhando lentamente. Pode ser predada por Jiboias e pelo Jacurutu. Costuma viver solitária ou em pares, em territórios estabelecidos, onde pernoitam e fazem seus ninhos sobre árvores, com gravetos, se reproduzindo entre setembro e janeiro. Tanto o macho quanto a fêmea incubam os ovos.

Descrição

Mede de 50 a 64 cm de comprimento. Possui o bico vermelho com a ponta negra, e pele azul entre o bico e o olho. As laterais de sua cabeça são castanho alaranjado, e o topo da cabeça cinza escuro com um crista de penas compridas na nuca que podem estar abaixadas sobre o pescoço. Sua garganta e barriga são de um amarelo claro pálido. O pescoço e o peito são de uma cor creme pálido cinzento, com tons esverdeados ou amarelados. Seu dorso e asas são cinza escuro, com uma área laranja nas laterais, sobre a asa, estriada de cinza.

Distribuição

Ocorre em duas regiões da América do Sul, uma mais ao norte, abrangendo a Colômbia e a Venezuela, outra mais no centro-oeste do continente, abrangendo Bolívia, Brasil, Paraguai, Uruguai e o nordeste da Argentina. No Brasil está presente principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, ocorrendo em todos os estados destas, além da BA e extremo sul do PI.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerada ameaçada (ICMBio e IUCN).

Referências

Aoki, C., & Landgref Filho, P. (2013). Predation on Leptodactylus chaquensis (Anura: Leptodactylidae) by the whistling heron Syrigma sibilatrix (Ciconiiformes: Ardeidae) in Central Brazil. Herpetology Notes, 6, 261-262.


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Garça Branca Grande

Ardea alba Linnaeus, 1758

Nome(s) popular(es)

Garça Branca Grande, Garça Branca.

História Natural

Ave associada a ambientes aquáticos de todos os tipos. É uma das garças (família Ardeidae) mais abundantes e amplamente distribuídas pelo mundo. Está presente nas margens de rios, lagos, brejos, pântanos, chacos e banhados, manguezais e estuários, e até em represas e lagos artificiais. Pode ser vista comumente em abientes urbanos, próxima a corpos d’água ou sobrevoando a cidade, se deslocando entre locais de alimentação e repouso. No Cerrado ocorre em veredas, campos alagados, matas de galeria e matas ciliares. Caça caminhando lentamente ou se mantendo imóvel nas margens dos corpos d’água, entre a vegetação aquática ou sobre a água rasa. Se alimenta de uma variedade de itens, como peixes, anfíbios, cobras e outros pequenos répteis (até tartarugas), insetos aquáticos e até pequenos roedores e filhotes de outras aves. Astuta, pode utilizar pedaços de pão como isca para atrair peixes. Entre seus potenciais predadores estão o Gavião Pato e a Garça Moura, que pode capturar seus filhotes. Faz seus grandes ninhos com gravetos, em colônias numerosas com outras aves aquáticas sobre árvores próximas à água. Já foi muito caçada no passado pelas penas longas e delicadas que descem de suas costas na época reprodutiva, pois eram apreciadas como adornos para chapéus e roupas na Europa, porém felizmente essa prática já não é comum e suas populações são bem numerosas atualmente.

Descrição

Mede entre 80 e 104 cm de comprimento. É a segunda maior garça (família Ardeidae) no Brasil. Sua coloração é totalmente branca. Possui pescoço e pernas longos e esguios. O bico e o olho são amarelos, e a pele entre ambos, apesar de amarela, pode ser esverdeada. Suas patas são negras. Na época reprodutiva apresenta longas penas finas e brancas no dorso.

Distribuição

Possui uma ampla distribuição pelas regiões tropicais e subtropicais do mundo todo, ocorrendo Nas Américas, Europa, África, Ásia e Oceania, incluindo Austrália e Nova Zelândia. Nas Américas, ocorre dos Estados Unidos ao sul da Argentina e Chile, incluindo as ilhas caribenhas. No Brasil está presente em todos os estados.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerada ameaçada (ICMBio e IUCN).

Referências

BirdLife International 2016. Ardea alba. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22697043A86468751. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22697043A86468751.en. Downloaded on 08 December 2019.


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Garça Moura

Ardea cocoi Linnaeus, 1766

Nome(s) popular(es)

Garça Moura, Maguari, Socó de Penacho, Baguari (Pantanal), Mauari (Amazônia), Garça Parda (RS), Socó Grande, Garça Morena, João Grande.

História Natural

Ave comum associada a todos os tipos de ambientes aquáticos, pode ser vista na beira de lagos, rios, riachos, brejos e pântanos, manguezais e estuários. No Cerrado pode ser vista em veredas, campos úmidos, em matas de galeria e matas ciliares. Para caçar se mantém imóvel ou caminhando lentamente pelas margens da água, entre a vegetação aquática, porém pode buscar alimento mais fundo do que outras garças e socós (família Ardeidae) devido a seu tamanho. Captura uma diversidade de animais, como peixes, sapos, pequenos répteis, crustáceos, moluscos, insetos aquáticos e até pequenos roedores e filhotes de outras aves. Possui uma vocalização rouca e profunda, e costuma se manter solitária, exceto na estação reprodutiva, quando faz ninhos em colônias junto com outras aves aquáticas sobre as árvores próximas à água. Faz seus ninhos com gravetos, põe de 3 a 4 ovos, e o casal cuida junto dos ovos e dos filhotes.

Descrição

Mede entre 95 e 127 cm de comprimento. É a maior garça (família Ardeidae) do Brasil. Possui o bico amarelado, com pele azulada na face, entre o bico e o olho. Penacho preto comprido junto com laterais pretas da cabeça, pescoço e peito brancos, com uma ou duas finas faixas pretas descendo da garganta ao peito, e um tufo branco de penas compridas na base do peito. Seu dorso e asas são cinza com tons azulados, e a barriga e laterais do corpo são pretas.

Distribuição

Possui ampla distribuição pela América do Sul, ocorrendo em todos seus países. Está presente do sul do Panamá ao centro sul do Chile e Argentina, incluindo Trinidade e Tobago e as Ilhas Malvinas. No Brasil ocorre em todos os estados.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerada ameaçada (ICMBio e IUCN), e suas populações parecem estar aumentando (IUCN).

Referências

BirdLife International 2016. Ardea cocoi. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22697001A93597705. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22697001A93597705.en. Downloaded on 08 December 2019.


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Garça Vaqueira

Bubulcus ibis (Linnaeus, 1758)

Nome(s) popular(es)

Garça Vaqueira, Garça Carrapateira, Garça Boiadeira, Garça Boieira, Cunacoi, Cupara.

História Natural

Uma das garças (família Ardeidae) mais abundantemente e amplamente distribuída do mundo, está associada a rebanhos de grandes pastadores, sendo tipicamente encontrada em pastos e plantações, além de ocasionalmente em margens de lagos e pântanos, estando menos associada com ambientes aquáticos do que a maioria das outras garças. É mais abundante no Pantanal, e no Cerrado pode ser encontrada em campos úmidos, porém é mais comum em áreas de uso agrícola, sendo uma das poucas espécies que se beneficia com a expansão da agropecuária. Se alimenta basicamente de insetos, como besouros, lagartas e borboletas, libélulas, moscas, cigarras e carrapatos, se aproveitando dos rebanhos bovinos que atraem muitos desses insetos ou os espantam da grama enquanto se locomovem. Também podem apanhar alguns sapos, lagartos, e até pequenos roedores ocasionalmente. É originária da África, chegando nas Américas recentemente, há cerca de 150 anos, onde se espalhou com sucesso devido à abundância de rebanhos de gado e falta de competição com outras aves insetívoras associadas a grandes pastadores. Apesar de não se alimentarem próximo à água, fazem seus ninhos em grandes colônias sobre árvores ou arbustos nas margens, ou próximos de lagos e rios. O macho recolhe material e a fêmea constrói o ninho, feito com gravetos, onde são postos de 4 a 5 ovos esverdeados, incubados por ambos os pais. Seus filhotes podem ser predados por gaviões (família Acciptridae) e falcões (família Falconidae).

Descrição

Mede entre 46 e 56 cm de comprimento. De cor branca, na época reprodutiva apresenta penas compridas na crista, peito e porção traseira do dorso, de coloração creme, laranja pálido, bico avermelhado e patas rosadas. Fora da estação reprodutiva permanece toda branca, se diferenciando da Garça Branca Pequena pelo bico amarelo e mais curto que o desta, que é preto.

Distribuição

Possui ampla distribuição pelo mundo todo, ocorrendo nas Américas (do Canadá ao extremo sul da Argentina), África, sul e sudeste Asiático e Oceania (incluindo Austrália e Nova Zelândia). No Brasil ocorre em todos os estados.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerada ameaçada (ICMBio e IUCN), e suas populações mostram sinais de aumento.

Referências

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Socozinho

Butorides striata (Linnaeus, 1758)

Nome(s) popular(es)

Socozinho, Socó Estudante, Socoí, Socó Mirim (PA), Socó Mijão, Socó Tripa.

História Natural

Espécie aquática abundante e comum, pode ser encontrado em praticamente qualquer corpo d’água, salobra ou doce, de preferência rodeado por vegetação densa, como manguezais, brejos, lagos e rios, inclusive em ambientes urbanos. No Cerrado pode ser visto principalmente em matas de galeria e matas ciliares, além de veredas e campos úmidos. Costuma percorrer as margens da água e se manter sobre a vegetação flutuante ou empoleirado logo acima dela, aguardando que suas presas apareçam. Se alimenta principalmente de peixes, além de insetos aquáticos, crustáceos, moluscos, anfíbios e répteis, sendo bem generalista e por vezes adotando algumas táticas de caça bastante engenhosas, como usar iscas para atrair peixes (geralmente pedaços de pão dados por visitantes em parques) ou se manter próximos a Lontras e Biguás a fim de capturar os peixes espantados por estes enquanto caçam. Vive solitário ao longo do ano, exceto quando está reproduzindo. Faz seu ninho com gravetos sobre árvores ou arbustos próximos à água, pondo de 3 a 4 ovos de cor clara azulada ou esverdeada.

Descrição

Mede de 35 a 45 cm de comprimento. Sua coloração é cinzenta, com tons azulados ou pardos. Possui o topo da cabeça e nuca enegrecidos, com penacho que costuma ficar abaixado mas que pode ser visto ocasionalmente eriçado. Partes laterais e superiores cinzentas, e asas com padrão escamado mais escuro. Garganta e barriga cinza esbranquiçado, com estrias ou faixas largas de cor castanho avermelhada descendo ao longo da garganta até a barriga. Sua íris é alaranjada, o bico escuro e as patas amareladas.

Distribuição

Possui uma ampla distribuição ao redor do mundo, ocorrendo nas regiões tropicais ao redor do mundo. incluindo as Américas, África, sul e sudeste da Ásia, Oceania e norte e leste da Austrália. Está presente em todos os estados brasileiros.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), porém suas populações podem estar diminuindo (IUCN).

Referências

BirdLife International 2016. Butorides striata. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22728182A94973442. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22728182A94973442.en. Downloaded on 25 November 2019.


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Socó Dorminhoco

Nycticorax nycticorax (Linnaeus, 1758)

Nome(s) popular(es)

Socó Dorminhoco, Savacu, Garça Cinzenta, Sabacu, Savacu de Coroa, Sabacu de Coroa (NA), Taquari ou Taquiri (PA), Taiaçu (AM), Dorminhoco (RS), Socó, Garça Dorminhoca, Guacuru, Guaicuru, Arapapá de Bico Comprido, Garça da Noite.

História Natural

Ave aquática comum, é um dos socós (família Ardeidae) mais amplamente distribuídos do mundo. Habita corpos d’água doce, salobra ou regiões litorâneas, especialmente aqueles rodeados por vegetação florestal, como manguezais e pântanos. No Cerrado pode ser encontrado em brejos, campos alagados, veredas, matas de galeria e matas ciliares. É tolerante a ambientes urbanos. Possui hábitos noturnos e crepusculares, descansando empoleirado em grandes árvores ao longo do dia e se tornando mais ativo no fim deste. Bastante oportunista, se alimenta de uma variedade de itens, como peixes, anfíbios, crustáceos, insetos, pequenos répteis e filhotes de outras aves, como os do Trinta Réis Boreal. Caça pela vegetação flutuante, nas margens de lagos ou na água rasa, e às vezes sobre águas profundas, esperando pacientemente que suas presas se mostrem ou tateando o fundo com os longos dedos a fim de espantá-las, e então as captura com um bote certeiro do longo pescoço arqueado. Pode usar iscas para atrair peixes, desde pedaços de pão em ambiente urbanos até libélulas em ambientes naturais. Seus ovos e filhotes podem ser predados por urubus (família Cathartidae). Faz ninhos com gravetos e juncos sobre as árvores próximas da água, em colônias com outras aves aquáticas. Se reproduz entre setembro e janeiro, e ambos os sexos do casal participam da construção do ninho, incubação dos ovos e cuidado com os filhotes. Põe até cinco ovos de cor branca azulada ou esverdeada.

Descrição

Mede entre 56 e 65 cm de comprimento. Possui a testa, face, garganta e laterais da cabeça brancas, peito e barriga acinzentados, asas e cauda cinza claro, com o dorso, nuca e topo da cabeça negros, com um tom azulado. Possui duas ou três penas brancas compridas e finas na nuca. Seus olhos são vermelhos, as patas amareladas e o bico escuro. O bico fino e pontudo ajuda a diferenciá-lo do Arapapá, com quem se assemelha um pouco.

Distribuição

Possui ampla distribuição pelo mundo, principalmente nas regiões tropicais e temperadas, ocorrendo nas Américas (do Canadá ao sul da Argentina), Europa, África, Ásia e partes da Oceania. No Brasil pode ser encontrado em todos os estados, mas é menos frequente na região Norte.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), porém algumas populações ao redor do mundo mostram sinais de declínio, chegando a ser considerado ameaçado especificamente em alguns países, sendo a contaminação por agrotóxicos e a perda de habitat suas principais ameaças.

Referências

BirdLife International 2016. Nycticorax nycticorax. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22697211A86447085. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22697211A86447085.en. Downloaded on 26 November 2019.


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Arapapá

Cochlearius cochlearius (Linnaeus, 1766)

Nome(s) popular(es)

Arapapá, Savacu, Colhereiro, Arataiá, Arataiçu, Socó de Bico Largo (PI), Tamatiá e Tamatião (PA).

História Natural

Ave associada a ambientes aquáticos, habita corpos de água doce e salobra rodeados por vegetação florestal, como manguezais, brejos e pântanos, rios e lagos. No Cerrado pode ser visto em matas de galeria e matas ciliares. Possui hábitos noturnos, repousando empoleirado ao longo do dia e se tornando ativo principalmente no fim do dia. Se alimenta na água rasa e lamacenta, caminhando e tateando o fundo com o bico ou esperando por suas presas, que incluem anfíbios, peixes, crustáceos (principalmente camarões), insetos e vermes, até pequenos mamíferos. Performa rituais de corte elaborados, onde entre erguer a crista e outros movimentos, macho e fêmea se tocam os bicos. Faz o ninho com gravetos em cima das árvores próximas à água, onde põe de 1 a 3 ovos branco azulados. Seus filhotes possivelmente podem ser predados por Jiboias. Possui um comportamento bastante defensivo com o ninho e filhotes, podendo se tornar agressivo quando outras aves ou mesmo humanos se aproximam, eriçando a crista, batendo o bico, vocalizando alto e abrindo as asas, chegando a investir contra o invasor caso este não recue, e os filhotes podem subir pela árvore quando incomodados, voltando ao ninho apenas quando seguro.

Descrição

Mede entre 45 e 53 cm de comprimento. Sua testa, lateral da cabeça, pescoço e peito são brancos, com um leve tom acastanhado no peito. Seu dorso e asas são cinza claro. A barriga é castanho pálido com as laterais cinza escuro. Possui o topo da cabeça negro azulado, com penas compridas que formam um longo penacho que pode estar abaixado sobre o pescoço ou eriçado numa exuberante crista em forma de coroa. Seus olhos são grandes e castanhos, suas patas são amarelo esverdeado. Possui um bico escuro que pode ter manchas amareladas, muito robusto e largo, com uma quilha em cima, bem característico, e que ajuda a diferenciá-lo do Socó Dorminhoco com o qual se assemelha um pouco.

Distribuição

Possui ampla distribuição pela América Central e do Sul, ocorrendo do México ao extremo nordeste da Argentina, incluindo Colômbia, Venezuela, Guianas, Suriname,o leste do Equador e do Peru, Bolívia e Paraguai. No Brasil está presente em praticamente todos os estados com exceção da região Sul, no qual praticamente só ocorre no PR, e sendo mais escasso no Nordeste.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerado ameaçado (ICMBio e IUCN), apesar de suas populações mostrarem sinais de declínio (IUCN).

Referências

Biderman, J. O., & Dickerman, R. W. (1978). Feeding behavior and food habits of the Boat-billed Heron (Cochlearius cochlearius). Biotropica 10(1), 33-37.


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