Licenciatura em Educação do Campo: ressignificando a relação entre a pós-graduação e a graduação na práxis da docência

Licenciatura em Educação do Campo: ressignificando a relação entre a pós-graduação e a graduação na práxis da docência

Autor(a):

Sérgio Luiz Texeira

Resumo:

O presente trabalho tem como objetivo compreender e analisar as estratégias desenvolvidas pela Licenciatura em Educação do Campo (LEdoC) da Universidade de Brasília no processo formativo de educadores, em colaboração com os pósgraduandos do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), Linha de Pesquisa Educação Ambiental e Educação do Campo. A metodologia da pesquisa, de abordagem quali-quantitativa, foi baseada no Materialismo Histórico Dialético, tendo como alicerces as categorias “totalidade”, “contradição” e “mediação”. Para a geração dos dados, o pesquisador utilizou a pesquisa participante, empregando os seguintes instrumentos: observação participante, diário de bordo, rodas de conversa, checagem da lista de matrículas do curso, análise do Projeto Político Pedagógico (PPP) da LEdoC e dos planos de ensino dos componentes curriculares. Foram utilizadas as seguintes técnicas de geração de dados: a) checagem da quantidade de educandos nas turmas vigentes do curso; c) acompanhamento e registro das reuniões de planejamento e as atividades executadas pelos pós-graduandos no decorrer da inserção docente na LEdoC; d) realização de entrevistas com os graduandos e mestrandos que participaram dos momentos formativos; e) realização de rodas de conversas com os doutorandos que participaram da inserção. Ocorreram seis encontros formativos (quatro inserções estágio docência, um seminário Tempo Comunidade e um seminário sobre os 10 anos da LEdoC), que aconteceram no biênio 2016-2017. A conclusão da pesquisa evidencia que o curso da LEdoC conta com a presença significativa de dois tipos de educandos, os Kalungas e as mulheres. Dos princípios constitutivos do Projeto Político Pedagógico do curso, a Pedagogia da Alternância, a organicidade, o trabalho coletivo e a interdisciplinaridade são mais presentes. O tempo curto da inserção para o aprofundamento teórico-prático dos conceitos curriculares propostos e a dificuldade de os educandos produzirem textos acadêmicos como instrumentos de avaliação do processo de ensino-aprendizagem são os principais limites da experiência formativa. As estratégias formativas das inserções dos pós-graduandos nas turmas da LEdoC, com ênfase no trabalho coletivo, contribuíram com o processo formativo dos educadores. Os graduandos demonstraram que apreenderam os conceitos teóricos e que os estão incorporando em sua prática docente na escola do campo. Os pós-graduandos compreenderam a importância dos princípios formativos da LEdoC para o processo formativo de educadores e expressaram a intenção de continuar na atividade docente.

Referência:

TEIXEIRA, Sérgio Luiz. Licenciatura em Educação do Campo: ressignificando a relação entre a pós-graduação e a graduação na práxis da docência. 2018. 188 f., il. Dissertação (Mestrado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

 

Disponível em:

Mulheres camponesas: processos educativos em meio ao trabalho

Mulheres camponesas: processos educativos em meio ao trabalho

Autor(a):

Ana Paula de Medeiros 

Resumo:

Esta pesquisa buscou compreender como ocorrem os processos educativos relativos às práticas de trabalho de mulheres camponesas que vivem no assentamento Boa Esperança no município de Colinas do Sul (GO). Por meio de suas práticas laborais, essas mulheres vêm resistindo às dificuldades presentes no meio rural no Brasil. Tendo como base teórica a perspectiva histórico-cultural de Vigotski, entendemos a educação como um processo além das instituições escolarizadas. A educação é entendida como uma atividade que permeia todo o desenvolvimento humano, sendo o meio social o principal fator educativo. Por meio da etnografia, durantes dois anos, pudemos conviver com cinco mulheres, suas famílias e suas comunidades, acompanhando os processos educativos engendrados no compartilhamento de conhecimentos. O trabalho está dividido em cinco capítulos, nos quais apresentamos a trajetória de luta das mulheres frente a uma sociedade patriarcal e o processo histórico de organização das camponesas do Brasil na luta por direitos e por igualdade. Os processos educativos presentes no assentamento estudado contribuem para a sobrevivência da comunidade, pois se apoiam em valores como solidariedade e coletividade para a superação das dificuldades. Por meio do compartilhamento de práticas de trabalho, as mulheres e suas comunidades garantem sua sobrevivência e melhoram seus rendimentos. Educação e vida caminham juntas.

Referência:

FERREIRA, Ana Paula de Medeiros. Mulheres camponesas: processos educativos em meio ao trabalho. 2018. 224 f., il. Tese (Doutorado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

Disponível em:

Educação de jovens e adultos e extensão universitária: a Licenciatura em Educação do Campo da UnB e a experiência com a Educação Popular

Educação de jovens e adultos e extensão universitária: a Licenciatura em Educação do Campo da UnB e a experiência com a Educação Popular

Autor(a):

Tállyta Abrantes Nascimento

Resumo:

O presente trabalho tem o propósito de analisar a relação dialética entre ações educativas da Licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília e o Projeto de Extensão realizada na cidade, que acolhe a classe trabalhadora como sujeitos de direito à educação. Com o intuito de fazer uma reflexão sobre a experiência com o Projeto de Extensão “Educação de Jovens e Adultos – EJA na UnB-FUP”, que surgiu a partir do protagonismo de egressas da Licenciatura em Educação do Campo, da Faculdade UnB Planaltina, e atender aos funcionários/as terceirizados/as da Universidade de Brasília, no Campus Planaltina, essa pesquisa busca compreender a complexidade que envolve tanto a formação de educadores/as de Jovens e Adultos quanto os educandos/as que participam desta dinâmica formativa, em um curso equivalente ao nível fundamental e médio, enfrentando, porém, diversos dilemas e contradições para nele conseguirem se manter. O Projeto EJA na UnB-FUP tem o objetivo de ressignificar o trabalho para as/os estudantes que dele participam, partindo do pressuposto da formação omnilateral e continuada, uma formação política intrínseca à sua formação humana. Espera-se que com este trabalho possamos compreender a extensão como atividade viva dentro da universidade, com projetos que dialoguem com a realidade acadêmica e a comunidade planaltinense na qual está inserida e também avançar na relação de parcerias entre a Licenciatura em Educação do Campo e a Comunidade Planaltinense, e refletir sobre as práticas pedagógicas para o público da Educação de Jovens e Adultos e também sobre o papel social que a Universidade tem. O Projeto EJA na UnB-FUP questiona e apresenta alternativa de educação para trabalhadores/as da Universidade de Brasília, com um longo processo de reflexão sobre o projeto hegemônico de educação vigente em nossa sociedade. E apresenta reflexões sobre as relações de trabalho que estes/as trabalhadores/as enfrentam cotidianamente em suas vivências dentro do espaço da universidade, na sequência expomos também, as ações e articulações para a consolidação do projeto de extensão. Utilizamos da metodologia com base nos princípios formadores do materialismo histórico dialético e técnicas da pesquisa-ação e pesquisa participativa para coleta de dados e análises e reflexões de falas, depoimentos, rodas de conversas e textos dos/as trabalhadores estudantes do projeto. Concluímos o trabalho com algumas reflexões acerca de desafios e contradições encontradas no projeto e apresentamos análises do discurso dos/as trabalhadores a fim de encontrarmos soluções em longo prazo para potencializar ações no projeto de Extensão EJA na UnB-FUP. Para isto, o trabalho traz o arcabouço teórico: Molina (2015), Arroyo (2017), Rêses (2017), Freitas (2012), Freire (1987), Caldart (2012), Reis (2000), entre outros.

Referência:

NASCIMENTO, Tállyta Abrantes do. Educação de jovens e adultos e extensão universitária: a Licenciatura em Educação do Campo da UnB e a experiência com a Educação Popular. 2019. 149 f., il. Dissertação (Mestrado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2019.

Disponível em:

https://repositorio.unb.br/handle/10482/36751

Tensões e contradições do processo de construção das diretrizes para a politica pública de educação infantil do campo

Tensões e contradições do processo de construção das diretrizes para a politica pública de educação infantil do campo

Autor(a):

Ana Corina Machado Spada

Resumo:

Este estudo vincula-se à linha de pesquisa Educação Ambiental e Educação do Campo. O tema discutido insere-se na área de estudos da Educação do Campo, tendo como objeto a formulação de diretrizes para uma política de Educação Infantil do Campo, coordenada pela Secretaria de Educação Básica (SEB) em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI), do Ministério da Educação. A infância do campo sofreu historicamente um processo de silenciamento e invisibilização, principalmente no que se refere à oferta de atendimento educacional, uma vez que a Educação Infantil materializou-se como um fenômeno essencialmente urbano. A despeito do reconhecimento legal da Educação Infantil como primeira etapa da Educação Básica, pela Constituição Federal de 1988 e Lei N. 9394/96, a estruturação de creches e pré-escolas não se efetivou nos territórios rurais, fator que reitera a dívida histórica da sociedade para com os povos do campo. Diante do exposto, formulei os seguintes questionamentos: qual o elemento norteador das políticas e ações estatais direcionadas aos camponeses? Que elementos embasam as discussões oficiais em torno da expansão da política de Educação Infantil para as populações do campo? A estruturação de uma proposta de atendimento educacional para crianças do campo sob a regência do Estado representaria de fato uma conquista dos movimentos sociais e dos atores envolvidos nesse processo? As reflexões e leituras possibilitaram a formulação da tese: com a mudança das configurações econômicas e sociais a criança passa a contribuir com o sistema capitalista realizando o trabalho escolar e, enquanto o modo de produção estava centralizado na área urbana, com sua produção fundada na indústria, as crianças do campo permaneceram alijadas do processo educativo. A partir do momento em que o capitalismo assume bases neoliberais e globalizantes, imprimindo ao campo o modelo do agronegócio, as crianças camponesas passam a entrar na lógica produtiva do capital, na condição de mão de obra a ser preparada. A pesquisa tem como objetivo geral compreender os elementos que permeiam a expansão da política de Educação Infantil para as populações do campo, buscando identificar a perspectiva assumida pelo Estado ao voltar-se para o atendimento educacional de crianças camponesas no território em que vivem, dada a atual conjuntura econômica e social, de intenso avanço do modo de produção capitalista sobre o campo, por meio da consolidação do agronegócio. O levantamento bibliográfico sinalizou que o modo pelo qual o Brasil se insere no mercado globalizado, caracterizado pela dependência econômica, materializa-se em uma reforma de estado e um reordenamento da educação em novas bases. Atendendo às orientações de organismos internacionais e em virtude da ação do capital privado sobre a educação, a escola da classe trabalhadora torna-se um espaço para a gestão da pobreza e de formação da mão de obra para suprir as demandas de mercado. O discurso da universalização da Educação Básica confere novas dimensões à Educação Infantil, que passa a ser percebida como espaço de promoção do desenvolvimento infantil e de promoção da adaptação do estudante ao Ensino Fundamental. A construção das diretrizes para a política de Educação Infantil do Campo alinha-se a esses princípios, afastando-se dos princípios estruturantes do Movimento da Educação do Campo, que vão além da equidade do atendimento educacional, englobando questões de ordem política, problematizando a estrutura social, a exploração do trabalho humano e a propriedade privada.

 

Referência:

SPADA, Ana Corina Machado. Tensões e contradições do processo de construção das diretrizes para a politica pública de educação infantil do campo. 2016. 321 f., il. Tese (Doutorado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016.

Disponível em:

Práticas de letramentos: cartilhas das minibibliotecas na formação de educadores kalungas, na licenciatura em educação do campo, da Universidade de Brasília

Práticas de letramentos: cartilhas das minibibliotecas na formação de educadores kalungas, na licenciatura em educação do campo, da Universidade de Brasília.

Autor(a):

Juliana Andréa Oliveira Batista

Resumo:

Esse estudo apresenta o uso das Cartilhas de Boas Práticas de Manejo para o Extrativismo Sustentável de: Buriti, Mangaba, Umbu, Pequi e Coquinho Azedo, das Minibibliotecas da Embrapa, na formação em letramentos múltiplos de educandos da Turma V, da Licenciatura em Educação do Campo (LEdoC), do Campus da Faculdade de Planaltina (FUP), da Universidade de Brasília – UnB, especialmente, os educandos com origem em comunidades Kalungas do nordeste goiano. A formação em letramentos múltiplos representa uma importante estratégia na formação integral, contribuindo com a autonomia e autoria desses educandos, na perspectiva de formar intelectuais orgânicos conforme preconizado por Gramsci. As Minibibliotecas se constituem em uma iniciativa da Embrapa Informação Tecnológica que pretende contribuir com as dinâmicas de escolarização e incentivo à leitura no meio rural, por meio do uso de mídia impressa (livros e cartilhas) e mídia eletrônica (cds e dvds). A intencionalidade de acrescentar as dinâmicas de uso dessas Cartilhas das Minibibliotecas nas estratégias de formação em letramentos múltiplos da LEdoC, aponta a perspectiva de analisar criticamente esses conteúdos, no contexto da Educação do Campo e das comunidades Kalungas e de contribuir com os letramentos múltiplos desses educandos, especialmente na produção e sistematização crítica de conhecimentos. A base teórica que fundamenta a experiência está ancorada nos conceitos de autoria e autonomia de Gramsci (2009); na constituição de um sujeito questionador de FREIRE (1996); letramentos múltiplos de ROJO (2009). Esta é uma pesquisa qualitativa sob a perspectiva da Etnografia Colaborativa, que permitiu realizar uma análise mais integrada, considerando a diversidade e complexidade social existente no ambiente pedagógico da LEdoC e nas comunidades Kalungas de origem dos educandos. As análises evidenciam a vinculação forte desses educandos com a identidade Kalunga; a perspectiva positiva do uso das Cartilhas nas atividades de produção textual (resenhas e narrativas) e, especialmente, o papel preponderante da Licenciatura em Educação do Campo na formação integral desses educandos.

Referência:

BATISTA, Juliana Andréa Oliveira. Práticas de letramentos: cartilhas das minibibliotecas na formação de educadores kalungas, na licenciatura em educação do campo, da Universidade de Brasília. 2014. 121 f., il. Dissertação (Mestrado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

Disponível em:

A relação entre trabalho e educação no MST: a experiência educativa do assentamento Eldorado dos Carajás Unaí/MG

A relação entre trabalho e educação no MST: a experiência educativa do assentamento Eldorado dos Carajás Unaí/MG

Autor(a):

Tiago Roberto Tenroller Manggini

Resumo:

Este estudo teve como propósito investigar a relação entre trabalho e a educação no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra tendo como universo da pesquisa o Assentamento Eldorado dos Carajás em Unaí/MG. A partir de uma visão ampla de educação enquanto processo de formação humana observamos em que medida a luta pela terra e a organização coletiva do assentamento contribui para a construção de outras formas de sociabilidade que apontem para a superação do capitalismo mesmo que dentro de suas margens. A teoria do conhecimento que delineou o trabalho foi o materialismo histórico dialético através de algumas de suas principais categorias de análise apontadas por Cheptulin (1982). A pesquisa se deu por meio de observação, questionários, entrevistas, análise documental. Os resultados nos ajudaram a evidenciar contradições que atravessam o processo em questão, da mesma forma que proporcionaram a constatação das possibilidades de superação da lógica capitalista de alienação do trabalho.

 

Referência:

MANGGINI, Tiago Roberto Tenroller. A relação entre trabalho e educação no MST: a experiência educativa do assentamento Eldorado dos Carajás Unaí/MG. 2012. 177 f., il. Dissertação (Mestrado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2012.

Disponível em:

Pelo direito de estudar: A 1ª turma de direito do PRONERA (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária)

Pelo direito de estudar: A 1ª turma de direito do PRONERA (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária)

Autor(a):

Raquel Buitrón Vuelta

Resumo:

Esta pesquisa teve como objeto a Turma Evandro Lins e Silva, a primeira Turma de Direito do PRONERA (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária). Procuramos investigar/averiguar sua contribuição para a ampliação do acesso à Justiça e ao Direito em defesa da Agricultura Familiar, Camponesa e de Comunidades Tradicionais. O curso ocorreu entre Agosto de 2007 a Agosto de 2012, com a participação inicial de 60 camponeses oriundos de todo o Brasil. Foi uma parceria entre a Universidade Federal de Goiás (UFG), os movimentos sociais e sindicais rurais e o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Para tanto, apresentamos o movimento pela Educação do Campo, a Questão Agrária no Brasil, o Ensino Superior e o Ensino Jurídico, bem como as políticas públicas voltadas para a questão agrária. Analisamos o surgimento do curso e sua estruturação, e as práticas jurídicas dos estudantes do curso durante sua permanência nas comunidades rurais, através de entrevistas e pesquisa de campo durante a estadia dos estudantes na Universidade, além da utilização do referencial bibliográfico sobre o tema. Consideramos que o curso demonstrou a importância dos movimentos sociais como sujeitos coletivos de direitos, que lutaram para formar camponeses advogados, para responder às demandas e necessidades das comunidades rurais.

 

Referência:

VUELTA, Raquel Buitrón. Pelo direito de estudar: A 1ª turma de direito do PRONERA (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária). 2013. 159 f., il. Dissertação (Mestrado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

Disponível em:

A formação política do educador do campo: estudo do curso de licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília

A formação política do educador do campo: estudo do curso de licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília

Autor(a):

Julio Cezar Pereira da Silva

Resumo:

O objetivo deste estudo é pesquisar as contribuições da prática pedagógica da Licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília na formação política do educador do campo. A análise parte de duas categorias básicas: formação política como despolitização e formação política como politização. A primeira foi decomposta nas seguintes dimensões: valores transmitidos pela escola formal – individualismo, competitividade, relação hierárquica; democracia representativa – apatia política, controle ideológico, exclusão social, dominação; ensino superior e formação alienada do trabalhador – fragmentação do conhecimento, visão técnica do conhecimento, pragmatismo, submissão e exclusão; escola capitalista – neutralidade científica, formação técnica, alienada, desconectada da realidade de vida dos estudantes, conteúdos hierárquicos e controle. A segunda categoria foi desmembrada nas dimensões: Educação do Campo como prática social em processo – luta social, formação para além da sala de aula, perspectiva da transformação social; valores – solidariedade, cooperação, visão política do conhecimento; democracia participativa – emancipação social, soberania popular, construção coletiva do projeto social; pedagogia socialista – conteúdos não hierárquicos, ligação com a realidade de vida dos estudantes, relação não hierárquica entre docentes e educandos; formação do intelectual orgânico – formação para a organização social, formação para a capacidade de direção, capacidade de discussão dos problemas no coletivo, práxis teórica e visão de classe. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, utilizando entrevistas, grupos focais e análise do Projeto Político-Pedagógico do curso. A análise foi feita com base na técnica de análise de conteúdo. Foi evidenciada a existência de práticas inovadoras e politizadas na forma da organização pedagógica e do ensinar, mas também foram encontradas práticas despolitizadas, que podem ser caracterizadas como reacionárias em relação à proposta do curso. No entanto, estas práticas pedagógicas despolitizadas não afetaram negativamente o processo de formação política dos estudantes no curso, embora indiquem contradições intrínsecas à experiência docente na universidade.

 

Referência:

SILVA, Julio Cezar Pereira da. A formação política do educador do campo: estudo do curso de licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília. 2013. 86 f., il. Dissertação (Mestrado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

Disponível em:

https://repositorio.unb.br/handle/10482/13694

Formação de educadores e a construção da escola do campo : um estudo sobre a prática educativa no Colégio Estadual Vale da Esperança – Formosa/GO

Formação de educadores e a construção da escola do campo : um estudo sobre a prática educativa no Colégio Estadual Vale da Esperança - Formosa/GO

Autor(a):

Catarina dos Santos Machado

Resumo:

Este trabalho teve como objetivo geral analisar a prática educativa de um grupo de professores do Colégio Estadual Vale da Esperança, município de Formosa Goiás, sendo três deles formados/em formação pelo Curso de Licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília, e três formados em outros cursos de Educação do Campo. Para fundamentar de forma teórica as discussões sobre a Educação do Campo, recorremos principalmente aos seguintes autores: Paulo Freire, Luiz Carlos Freitas, Pistrak, Roseli Caldart, Mônica Molina, e Anna Izabel Barbosa. A pesquisa foi desenvolvida no âmbito qualitativo, tendo como instrumentos de coleta de dados as técnicas de análise documental, observação participante e entrevista. Para a organização dos instrumentos de pesquisa foram utilizados os aspectos centrais da organização do trabalho na escola capitalista, que segundo Luiz Carlos Freitas devem ser criticados e superados para instaurar uma escola dos trabalhadores: a ausência do trabalho como princípio educativo; a fragmentação do conhecimento e a gestão escolar autoritária. Estes três aspectos centrais foram traduzidos na forma de três grandes eixos que devem estar presentes na prática pedagógica e nos processos de construção da escola do campo: presença do trabalho como princípio educativo, formação por área de conhecimento e gestão escolar democrática. Durante o processo de organização dos dados coletados, foram obtidas as seguintes categorias de interpretação: trabalho com princípio educativo, princípio da organicidade e auto organização, trabalho pedagógico e formas de avaliação, interdisciplinaridade, gestão escolar e visão sobre a escola do campo. Os resultados da pesquisa levam-nos a inferir que as formas de organização pedagógica desses professores, sua dinâmica e seus projetos educativos na escola do campo começam de forma incipiente a desenvolver técnicas voltadas para as práticas da Educação do Campo, mas ainda necessitam de um avanço mais direcionado aos sujeitos do campo. O estudo aponta ainda a necessidade de ampliar as oportunidades de formação para que esses sujeitos desenvolvam práticas educativas voltadas para a melhoria da vida no campo e que a sua formação na Licenciatura em Educação do Campo venha a contribuir de forma mais específica e mais voltada para a realidade das escolas onde esses educadores atuam.

 

Referência:

MACHADO, Catarina dos Santos. Formação de educadores e a construção da escola do campo : um estudo sobre a prática educativa no Colégio Estadual Vale da Esperança – Formosa/GO. 2014. xv, 126 f., il. Dissertação (Mestrado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

Disponível em:

Comunicação e tecnologias da informação na formação de educadores para ampliação das perspectivas críticas dos sujeitos na licenciatura em educação do campo da UnB

Comunicação e tecnologias da informação na formação de educadores para ampliação das perspectivas críticas dos sujeitos na licenciatura em educação do campo da UnB

Autor(a):

Márcio Ferreira

Resumo:

Esta pesquisa tem a intenção de contribuir para um projeto de educação, de campo e de nação a partir das necessidades e da ação popular. É um exercício de construção de novas proposições para lidar com o conceito de cultura agora como modo de vida, conjunto de ações e significados para os sujeitos e seus coletivos. Buscou olhar para a formação superior de educadores e gestores para a Escola do Campo por meio de estratégias que permitam a não ruptura dos vínculos orgânicos entre educação, política, economia e cultura. Resulta deste trabalho novos exercícios de contra-hegemonia críticos e reflexivos baseados na inserção de uma área de conhecimento denominada Comunicação e Tecnologias da Informação (CTI) na Licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília (LEdoC-UnB). Objetivou analisar se as relações pedagógicas vivenciadas na área de conhecimento Comunicação e Tecnologias da Informação (CTI) no contexto da LEdoC-UnB podem contribuir para instrumentalizar os educandos para ampliar sua compreensão crítica do mundo. Amparou suas discussões pelo entendimento de novas relações de determinação entre base e superestrutura (agora numa relação de reciprocidade de determinância) pautadas num conceito de cultura amplo visto como o modo de viver, agir, pensar e trouxe o conceito de tecnologia como instrumentos e estratégias com uma estreita relação de causalidade com a acumulação. É um feito acadêmico alicerçado no conceito de Educação do Campo como espaço do trabalho, da cultura, dos saberes, das lutas sociais dos camponeses, de uma concepção de campo e projeto de campo distinta da hegemônica e de uma Escola do Campo que seja construída a partir das necessidades dos sujeitos e de seus territórios. Vê na Pedagogia da Alternância as estratégias metodológicas mais adequadas a não separação entre os sujeitos em formação e sua realidade objetiva. A tese é pautada na formação geral de professores pensada a partir de perspectivas de um entendimento de homem como ser de relações, que deve deixar emergir os conflitos e buscar o diálogo como solução para as questões da vida em sociedade. Defende uma política de formação de educadores do campo feita a partir das necessidades reais e específicas do campo para uma Escola do Campo. Apresenta algumas correntes da formação de educadores com uso de computadores e Internet sem deixar de lado o fato de que há predominância de uma relação de causa e sentido entre estas teorias e o fortalecimento de ideologias capitalistas. Assumimos uma perspectiva materialista histórica e dialética como arcabouço epistemológico para a pesquisa buscando na dialética a compreensão de nosso objeto de estudo recortado num processo de pesquisa-ação que tem como fontes a descrição do processo de inserção de CTI na LEdoC-UnB, registros das Sínteses coletivas das atividades educativas de CTI, entrevista sobre acesso aos meios de comunicação pelos educandos. Os dados revelam um rico processo educativo muito mais amplo do que o imaginado nos primeiros passos da instituição de CTI na LEdoC-UnB evidenciando processos de análise critica surgidos por meio das provocações articuladas pelo conhecimento das potencialidades de computadores e Internet, pelo uso destes recursos, no permear essas relações por conceitos do Materialismo Histórico Dialético. Conclui-se que a instauração de CTI contribuiu significativamente para as aprendizagens sobre uso de computador e Internet como instrumental para resolver questões cotidianas e para avanços do entendimento crítico do mundo da cultura, da economia, da política, da cognição.

 

Referência:

FERREIRA, Márcio. Comunicação e tecnologias da informação na formação de educadores para ampliação das perspectivas críticas dos sujeitos na licenciatura em educação do campo da UnB. 2014. viii, 296 f. Tese (Doutorado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

Disponível em: