Avaliação da recuperação da cascalheira do Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubitschek: aspectos edáficos, florísticos e ecológicos

Avaliação da recuperação da cascalheira do Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubitschek: aspectos edáficos, florísticos e ecológicos

Autor(a):

Cristiane de Queiroz Pinheiro

Resumo:

O bioma Cerrado vem sendo reduzido por consequência de atividades antrópicas, restando atualmente cerca de 20% da sua extensão original nativa. No Distrito Federal, a mineração foi responsável pela degradação de 0,6% da extensão do território. O desmatamento e a remoção da camada superficial do solo são necessariamente anteriores a atividade de mineração, procedimentos que causam profundos impactos no meio ambiente. Setenta e dois hectares de cascalho foram explotados da cascalheira próxima ao Aeroporto Internacional de BrasÌlia – Juscelino Kubitschek em 1960, sendo revegetada em 2005. Durante a fase de recuperação foram aplicados fertilizantes químicos e matéria orgânica no substrato exposto, e introduzidas cerca de sessenta espécies arbóreas nativas na área. Este estudo teve como objetivo avaliar os aspectos edáficos, florísticos e ecológicos da cascalheira após as obras de recuperação. Sendo assim, foram coletadas amostras de solo para realização de análises químicas e físicas do substrato, e um levantamento florístico das espécies arbóreas introduzidas no local. Os resultados indicam que a condição do substrato È adequada para o crescimento de espécies arbóreas nativas. A maioria das espécies introduzidas no local são pioneiras, possuem dispersão anemocórica e ampla ocorrência no bioma Cerrado. A estrutura da comunidade em termos de frequência, dominância, riqueza florística, diversidade e equabilidade apresentam valores semelhantes aos medidos em áreas naturais de Cerrado. Espécies invasoras foram constatadas no local, tais como Brachyaria spp. e Melinis spp., que podem comprometer a sucessão das espécies. Entretanto, o tratamento do substrato e as espécies introduzidas na área foram considerados adequados.

Referência:

PINHEIRO, Cristiane de Queiroz. Avaliação da recuperação da cascalheira do Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubitschek: aspectos edáficos, florísticos e ecológicos. 2008. 95 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)-Universidade de Brasília, Brasília.

Disponível em:

Análise de atributos da vegetação e do solo em cerrado sensu stricto, 20 anos após distúrbios antrópicos

Análise de atributos da vegetação e do solo em cerrado sensu stricto, 20 anos após distúrbios antrópicos

Autor(a):

Fernanda Monteiro de Morais

Resumo:

Avaliaram-se as respostas do solo e da vegetação lenhosa arbórea-arbustiva em cerrado sensu stricto na Fazenda Água Limpa-UnB, quanto à estrutura da vegetação, produção volumétrica e atributos físicos do solo, cerca de 20 anos após ter sido submetida a corte raso e enriquecimento. Em 1988, dezoito parcelas de 20 x 50 m foram submetidas a seis tratamentos: desmatamento com lâmina e retirada da lenha; desmatamento com lâmina, retirada da lenha e duas gradagens; desmatamento com lâmina, retirada da lenha e fogo; corte com motosserra e retirada da lenha; corte com motosserra, retirada da lenha e fogo; e corte com motosserra, retirada da lenha, fogo, destoca com lâmina e duas gradagens. Em 1990 as parcelas foram submetidas a novos tratamentos com plantios de enriquecimento, envolvendo as espécies: Aspidosperma olivaceum M. Arg., Calophyllum brasiliense Camb., Copaifera langsdorffii Desf., Cordia sp. L., Cryptocarya aschersoniana Mez e Dalbergia nigra Fr. Allem. As parcelas foram avaliadas quanto à florística, à estrutura, à produção volumétrica para fins energéticos e aos atributos físicos do solo. Os tratamentos foram similares entre si e apresentaram alta diversidade florística. As espécies introduzidas com o plantio de enriquecimento não apresentaram bom desenvolvimento, não se destacando na estrutura da vegetação. Entretanto, os tratamentos submetidos ao plantio de enriquecimento apresentaram alta produção volumétrica. Não foram observadas diferenças significativas quanto aos parâmetros físicos do solo entre as profundidades de 0-20 cm e de 20-40 cm e entre os seis tratamentos avaliados. O solo na área foi classificado como muito argiloso e argiloso laterítico, pelos métodos do triângulo textural e MCT (Miniatura Compactada Tropical), respectivamente. A resistência à penetração do solo variou de forma irregular ao longo do perfil, não sendo possível associar este parâmetro com a produção em volume. As propriedades físicas do solo não foram responsáveis pelas diferenças encontradas no volume e nos parâmetros florísticos e fitossociológicos.

Referência:

MORAIS, Fernanda Monteiro de. Análise de atributos da vegetação e do solo em cerrado sensu stricto, 20 anos após distúrbios antrópicos. 2009. 99 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)-Universidade de Brasília, Brasília, 2009.

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O custo social da depredação do cerrado brasileiro: o caso do pequi (Caryocar brasiliense Camb.)

O custo social da depredação do cerrado brasileiro: o caso do pequi (Caryocar brasiliense Camb.)

Autor(a):

Maria Cristina Magalhães Viana

Resumo:

Neste trabalho analisou-se a depredação do Bioma Cerrado, enfocando os custos sociais impostos pela redução e perda dos recursos naturais, em especial o pequi (Caryocar brasiliense Camb.), no período de 1990 a 2008. O custo social da depredação dos recursos naturais pode ser
representado pelo custo de oportunidade desses recursos para a sociedade, caso esses recursos não tivessem sido degradados. Foi considerado aqui o custo social da depredação do pequi para a sociedade – esta representada pelos consumidores e produtores do pequi. Os custos foram quantificados com base no conceito de excedente econômico de Marshall. Utilizou-se o modelo teórico desenvolvido por Lindner e Rose (1978), e aperfeiçoado por Rose (1980) e Norton e Davis (1981). Foram necessários três parâmetros para quantificar estes custos: elasticidade preço da demanda, elasticidade-preço da oferta e fator de deslocamento da curva de oferta (K). O custo social médio foi estimado em R$ 922 mil reais de 2008, no período de 1990 a 2008. Os produtores regionais arcaram com 54% do custo social total e os consumidores com os 46% restantes. O custo social total representou uma média de 48% do valor comercializado da produção do pequi durante o período estudado.

Referência:

VIANA, Maria Cristina Magalhães. O custo social da depredação do cerrado brasileiro: o caso do pequi (Caryocar brasiliense Camb.). 2010. 65 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)-Universidade de Brasília, Brasília, 2010.

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Desenvolvimento inicial de espécies lenhosas, nativas e de uso múltiplo na recuperação de áreas degradadas de cerrado sentido restrito no Distrito Federal

Desenvolvimento inicial de espécies lenhosas, nativas e de uso múltiplo na recuperação de áreas degradadas de cerrado sentido restrito no Distrito Federal

Autor(a):

Júlio César Sampaio Silva

Resumo:

Um dos maiores desafios enfrentados na atualidade refere-se a utilização racional dos recursos naturais. A degradação ambiental, motivada, principalmente, pelos avanços das fronteiras comerciais dificulta ainda mais a racionalização e sustentabilidade desses recursos. A recuperação
de áreas degradadas é portanto, fundamental para a diminuição dos impactos nocivos causados pelo homem aos ecossistemas naturais. Com o objetivo de contribuir para o conhecimento relacionado ao desenvolvimento de espécies nativas em plantios de recuperação de áreas degradadas no Cerrado neste trabalho foram analisados o estabelecimento e desenvolvimento inicial de 19 espécies nativas do bioma, sendo 6 de cerrado sentido restrito, 6 de mata de galeria e 7 de mata estacional, em um plantio de recuperação em área degradada de cerrado sentido restrito localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) Gama e Cabeça de Veado, no Distrito Federal. O monitoramento do plantio ocorreu entre os meses de dezembro de 2004 a outubro de 2005. Ao longo desse tempo (22 meses), em intervalos periódicos e acompanhando o regime das chuvas foram realizadas 5 avaliações, sendo a primeira 30 dias após o plantio e as demais a cada 6 meses. Os parâmetros avaliados foram a sobrevivência, a altura e o diâmetro do ramo a altura do solo. Para a análise dos dados foram utilizadas as taxas de sobrevivência e os valores medianos de incremento em altura e diâmetro para as espécies agrupadas por fitofisionomia de origem. Vinte e dois meses após o plantio a sobrevivência total das mudas foi de 60%. Para o grupo das espécies de cerrado sentido restrito a sobrevivência ao final dos 22 meses foi igual  a 58%, onde as espécies de mata de galeria e mata estacional alcançaram respectivamente 55 e 67%. O incremento mediano total em altura ao final do monitoramento foi igual a 9,00 cm onde o valor máximo registrado foi igual a 190,52 cm. Para o diâmetro mediano, o incremento foi igual a 4,49 mm com máximo igual a 38,62 mm. Entre as espécies de cerrado sentido restrito o maior incremento mediano em altura foi Plathymenia reticulata com 21,00 (máx.= 117,50) cm, com relação ao diâmetro, Tabebuia caraiba apresentou o melhor resultado com mediana igual a 10,71 (máx.= 33,54) mm. Para os grupos mata de galeria e mata estacional as espécies Anadenanthera macrocarpa e Inga cylindrica apresentaram os maiores valores de mediana para o incremento em altura, com valores máximos iguais a 126,90 e 140,00 cm, respectivamente. O maior valor mediano de diâmetro para o grupo de mata de galeria foi alcançado por Tibouchina stenocarpa com 10,23 (máx.= 21,89) mm. (máx.= 21,89) mm.

Referência:

SILVA, Júlio César Sampaio. Desenvolvimento inicial de espécies lenhosas, nativas e de uso múltiplo na recuperação de áreas degradadas de cerrado sentido restrito no Distrito Federal. 2007. 120 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)-Universidade de Brasília, Brasília, 2007.

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Recuperação de uma área degradada do cerrado através de modelos de nucleação, galharias e transposição de banco de sementes

OLIVEIRA, Anderson José Ferreira de. Recuperação de uma área degradada do cerrado através de modelos de nucleação, galharias e transposição de banco de sementes. 2013. xi, 116 f., il. Tese (Doutorado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013

Autor(a):

Anderson José Ferreira de Oliveira

Resumo:

Nas últimas décadas, a degradação ambiental no Brasil vem se intensificando em virtude da maior demanda social, acompanhando o processo de ocupação no território nacional. A idealização e construção da capital federal no centro do país demandou grande consumo de material de construção, intensificando elevado desmatamento, deixando muitas áreas degradadas com solos expostos e compactados, e sem vegetação, até os dias atuais. As técnicas de nucleação vêm se tornando uma realidade cada vez mais promissora dentro das novas propostas para a recuperação de áreas degradadas, por apresentar uma visão mais holística, visando o manejo da recuperação da integridade ecológica dos ecossistemas. O objetivo deste trabalho foi avaliar o grau de eficácia do plantio de mudas e cada uma das técnicas alternativas de restauração, que se fundamentam em processos sucessionais naturais, tendo como base o princípio da nucleação em cerrado sensu stricto, uma área degradada por extração de solo. Em uma área de 3,3 hectares foram implementados junto ao plantio de mudas em linhas de 3 m x 3 m, o plantio de 150 grupos espaçados de Anderson (1953) com distribuição fatorial de 3 x 5. Para a determinação das propriedades químicas e densidade do solo, foram criadas, três parcelas de 100 m x 100 m na área degradada e em uma no cerrado sensu stricto adjacente à área. Para a análise química foram coletadas 20 amostras em cada uma das parcelas, as quais foram homogeneizadas, formando uma amostra composta. Para a densidade do solo, foram coletadas oito amostras em cada parcela, com repetições nas profundidades de 0 a 10 cm e de 10 a 20 cm e, posteriormente, secas em estufa a 105°C, para pesagem do material seco. A transposição das galharias e banco de sementes foram instalados aleatoriamente em 25 parcelas. Todos os tratamentos foram instalados com Delineamento em Inteiramente Casualizados (DIC). A densidade dos indivíduos de todos os tratamentos e a riqueza das galharias e banco de sementes de formas de vida foram avaliados por 12 meses. A densidade do solo obtida para o cerrado adjacente foi de 1,58 g/dm3. Para a área degradada do Parque Ecológico do Córrego da Onça, a densidade do solo obtida foi de 2,26 g/dm3. O valor médio de pH da área foi de 5,3. A concentração média de Ca2+ foi aproximadamente 1,5 mmol/dm3, do K+ igual a 10 mg/dm3 e do P igual a 0,4 mg/dm3. Para H+Al, 17,5 mmol/dm3 (Capítulo 1). A mortalidade total dos indivíduos plantados foi de 6,86%. Através dos grupamentos espaçados de Anderson, ocorreu um incremento em altura da espécie central Erythrina speciosa na presença de Tapirira guianensis (Tukey = 58,711) e da espécie Mabea fistulifera em relação a Cedrela fissilis (Tukey = 52,16). Para incremento em diâmetro das espécies centrais, ocorreu incremento entre os blocos das espécies Mabea fistulifera e Cedrela fissilis (Tukey = 0.02366) e para o tratamento composto pela Hymenaea coubaril e Tapirira guianensis (Tukey = 0.01550) (Capítulo 2). Foram amostradas 44 espécies nas galharias, para uma diversidade de H’ = 2, 246, Ds = 0,7921 e J = 0,6008. No banco de sementes, foram 30 espécies, H’ = 2,43, Ds = 0,8552 e J = 0,7293, considerando todas as formas de vida. Em ambos os tratamentos, as herbáceas foram dominantes com mais de 50% dos indivíduos amostrados. No banco de sementes as outras formas de vida foram equivalentes, o que não ocorreu nas galharias (Capítulo 3). Nos grupos espaçados, parece ocorrer a facilitação entre alguns dos pares de espécies, mas não se pode descartar ainda a questão individual e/ou da espécie em relação a processo de tolerância as condições ambientais. As técnicas de transposição do banco de sementes e das galharias, comprovaram ser eficientes técnicas para o estabelecimento plântulas, na recuperação de áreas degradadas por mineração.

Referência:

OLIVEIRA, Anderson José Ferreira de. Recuperação de uma área degradada do cerrado através de modelos de nucleação, galharias e transposição de banco de sementes. 2013. xi, 116 f., il. Tese (Doutorado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013

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Ciclagem biogeoquímica e modelagem de biomassa e nutrientes em povoamento de eucalipto em solo do Cerrado

Ciclagem biogeoquímica e modelagem de biomassa e nutrientes em povoamento de eucalipto em solo do Cerrado

Autor(a):

Marco Bruno Xavier Valadão

Resumo:

O estudo ciclagem de nutrientes em povoamento de eucalipto em solo do Cerrado foi o tema principal do documento de tese de doutorado. O estudo foi conduzido na Fazenda Água Limpa – FAL, a qual pertence à Universidade de Brasília – UnB, situada no Distrito Federal. O povoamento selecionado apresentava área total de 3,29 ha e foi estabelecido em janeiro de 2010. O plantio do clone I224, híbrido de Eucalyptus urophylla S.T. Blake x Eucalyptus grandis Hill ex-Maiden foi realizado em espaçamento 3 x 2 m. O solo do plantio foi descrito como um Latossolo Vermelho de baixa fertilidade. Por meio da análise de parâmetros como a produção e acúmulo de serapilheira, decomposição foliar, química e física do solo e modelagem de nutrientes foi possível compreender a relevância da quantidade e qualidade dos resíduos orgânicos em povoamentos florestais. No primeiro capítulo foi possível constatar a alta produção e acúmulo de serapilheira em povoamento de eucalipto, porém com uma decomposição mais lenta. No segundo, verificou-se que a remoção da camada de serapilheira do solo acarretou em aumento no tempo estimado de decomposição foliar, alterou a concentração de potássio ao longo do perfil do solo. O terceiro e último capítulo atestou a viabilidade de se utilizar modelos consagrados no âmbito florestal, como o modelo de Schumacher-Hall na estimativa de nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio da biomassa aérea e raízes em plantio de eucalipto. Ao abordar aspectos da ciclagem biogeoquímica em povoamento florestal, este trabalho ressalta a importância do papel da eucaliptocultura na manutenção dos padrões de produção sustentável em um bioma tão devastado como o Cerrado.

Referência:

VALADÃO, Marco Bruno Xavier. Ciclagem biogeoquímica e modelagem de biomassa e nutrientes em povoamento de eucalipto em solo do Cerrado. 2019. xv, 78 f., il. Tese (Doutorado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2019.

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Investigação da pirólise de biomassas do cerrado para aplicação à sistemas de gaseificação estagiada

Investigação da pirólise de biomassas do cerrado para aplicação à sistemas de gaseificação estagiada

Autor(a):

Mara Rúbia da Silva Miranda

Resumo:

A recuperação de energia utilizando a biomassa proveniente de resíduos florestais e industriais tem sido amplamente pesquisada. Das tecnologias de conversão, a pirólise e a gaseificação constituem importantes processos termoquímicos na produção de carvão, bio-óleo e gases, que além de agregar valor ao subproduto, diversificam as aplicações energéticas. Apesar do estudo destas tecnologias de conversão não ser recente, ainda existem problemas encontrados nos diversos tipos de reatores existentes, como por exemplo, o alcatrão gerado que proporciona altos custos com a limpeza dos gases. Diante do contexto, o objetivo geral deste trabalho é estudar as biomassas do cerrado – casca da árvore de jatobá, casca do fruto do baru e caroço de pequi como potenciais no uso da tecnologia de pirólise com foco na gaseificação estagiada. Para isto, as biomassas de estudo foram previamente caracterizadas a fim de compreender e prever as características de influência nos produtos finais, além de entender os mecanismos de reação da pirólise através do cálculo da energia cinética. Os resultados da caracterização dos materiais, mostraram que o alto teor de lignina da casca da árvore de jatobá pode influenciar num maior rendimento de carvão quando comparado com as outras biomassas. A energia de ativação do caroço de pequi calculada pelos métodos de Osawa, K-A-S e Starink é menor (75,666 kJ/mol a 80,084 kJ/mol) indicando que a energia necessária deste combustível para iniciar uma reação é menor. Os experimentos de degradação térmica foram realizados num reator de pirólise lenta, com dois tamanhos de partícula (>40 mesh e 38,11%), enquanto a pirólise da casca do fruto do baru obteve rendimentos maiores de bio-óleo (>44,89%). Na caracterização dos carvões, observouse que altas temperaturas relativas de pirólise, reduzem o teor de voláteis e a densidade e elevam o PCS e o teor de cinzas do carvão. Na caracterização do bio-óleo, observou-se que o obtido pela casca do fruto do baru possui maiores valores de acidez (184,72 a 193,54 mgKOH/g) se comparado as outras duas biomassas (jatobá e pequi), tornando este bio-óleo mais corrosivo. O bio-óleo proveniente da pirólise do caroço de pequi obteve resultados maiores de viscosidade (24,33 a 14,52 mm2/s), já que a biomassa in natura é muito oleaginosa. Em relação ao enxofre, o bio-óleo do caroço de pequi obteve também resultados maiores variando de 682,9 a 953,7 ppm, podendo aumentar as emissões de poluentes. A densidade dos bio-óleos do baru e do jatobá tiveram resultados bem semelhantes (1,02 a 1,05 g/cm3) ao utilizar a temperatura mais baixa de 430°C e o bio-óleo do caroço de pequi apresentou resultados de densidades menores (0,86 a 0,95 g/cm3). Já na gaseificação estagiada, comparou-se o rendimento do bio-óleo da casca do fruto do baru na pirólise que foi de 44,89%, enquanto que no bio-óleo do carvão da casca do fruto do baru obtido na gaseificação foi de 6,52%, mostrando uma redução de 85,48% da quantidade de alcatrão. 

Referência:

MIRANDA, Mara Rúbia da Silva. Investigação da pirólise de biomassas do cerrado para aplicação à sistemas de gaseificação estagiada. 2017. ix, 170 f., il. Tese (Doutorado em Ciências
Mecânicas)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.

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Uso de biomantas na revegetação de um fragmento de Mata de Galeria no Jardim Botânico de Brasília, DF : sobrevivência e desenvolvimento de mudas

Uso de biomantas na revegetação de um fragmento de Mata de Galeria no Jardim Botânico de Brasília, DF : sobrevivência e desenvolvimento de mudas

Autor(a):

Camila Graziela Artioli

Resumo:

A intervenção antrópica buscando ampliar as fronteiras agrícolas, o avanço da pecuária e ainda a exploração mineral vem causando danos irreversíveis ao Cerrado, segundo maior bioma do Brasil. Entre as formações vegetais mais ameaçadas do bioma Cerrado destaca-se a Mata de Galeria. Programas de recuperação de áreas degradadas vêm sendo implementados para corrigir os danos causados, porém quando o estrato herbáceo que se estabelece em uma área degradada é composto por gramíneas exóticas, o plano de recuperação da área torna-se inexeqüível. Nesse cenário, cerca de 2 ha da Mata de Galeria do Córrego Gama-Cabeça de Veado, na área do Jardim Botânico de Brasília foi desmatada e encontra-se dominada por Melinis minutiflora Beauv. (capim gordura). Algumas tentativas de restauração desse local falharam devido a competição com essa gramínea. Dessa forma, este trabalho visa avaliar o efeito do uso de biomantas na sobrevivência e desenvolvimento de mudas de espécies arbóreas em área dominada por capim-gordura. Na área de estudo foram plantadas mudas arbóreas de 30 espécies diferentes. Parte das mudas plantadas recebeu a biomanta e a outra metade não recebeu o tratamento. Após o plantio, foram efetuados quatro levantamentos, onde cada muda identificada e tinha sua altura e diâmetro à altura solo medidos. No primeiro levantamento foram mensuradas 1.213 mudas, sendo 724 mudas com biomanta e 489 mudas sem biomanta. No segundo levantamento foram medidas 972 mudas, das quais 639 com biomanta e 333 sem biomanta. No último levantamento, em julho de 2011, foram medidas 700 mudas, sendo 475 com biomanta e 225 sem biomanta. Os dados do terceiro levantamento foram descartados, pois eram duvidosos. Para avaliar o desenvolvimento das mudas calculou-se o volume de cada muda, para se obterem valores alométricos. Esses valores preencheram modelos de regressões lineares, que expressam, por meio do coeficiente angular da reta, a taxa de crescimento das plantas. A análise dos coeficientes angulares das retas descritas pelo incremento das mudas (teste F) mostrou que entre as trinta espécies estudadas, nove apresentaram incremento diferenciado com o uso das biomantas. As demais vinte e uma espécies não apresentaram o incremento significativamente afetado pelo uso desse recurso.

Referência:

ARTIOLI, Camila Graziela. Uso de biomantas na revegetação de um fragmento de Mata de Galeria no Jardim Botânico de Brasília, DF : sobrevivência e desenvolvimento de mudas. 2011. x, 51 f., il. Dissertação(Mestrado em Ciências Florestais)-Universidade de Brasília, Brasília, 2011.

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Recuperação de áreas degradadas no ribeirão do Gama e o envolvimento da comunidade do Núcleo Hortícola de Vargem Bonita, DF

Recuperação de áreas degradadas no ribeirão do Gama e o envolvimento da comunidade do Núcleo Hortícola de Vargem Bonita, DF

Autor(a):

Ana Claudia Cavalcanti de Moura

Resumo:

O crescente desmatamento na região de domínio do Cerrado motivado pelos avanços das fronteiras agrícolas e expansão urbana vem exercendo grande pressão sobre a vegetação nativa do bioma Cerrado e degradando áreas de grande importância ecológica como as matas de galeria. Considerando que as condições originais foram modificadas na área de estudo, buscou-se avaliar o desenvolvimento inicial de espécies nativas do bioma, de origem pioneira e não pioneira de mata de galeria, assim como espécies de cerrado sentido restrito em plantios de recuperação. Buscou-se também sensibilizar e valorizar os moradores envolvidos no processo e com isso motivar aos demais a se engajarem no processo de recuperação das áreas degradadas em suas propriedades. Foram avaliados o desenvolvimento inicial de nove espécies nativas do bioma, sendo três de cerrado sentido restrito, três de mata de galeria pioneiras e não pioneiras, em um plantio de recuperação no Park Way, DF. Foram realizadas atividades de educação ambiental com a comunidade local. O monitoramento do plantio ocorreu entre os meses de dezembro de 2005 a maio de 2007. Ao longo de 16 meses, foram realizadas 4 avaliações, sendo a primeira 15 dias após o plantio e as demais aos 5, 10 e 16 meses. As atividades de educação ambiental foram realizadas sistematicamente 1 vez por semana, de fevereiro de 2006 a abril de 2007. Para a avaliação do desenvolvimento inicial das espécies, os parâmetros observados foram a sobrevivência, a altura, diâmetro do caule a altura do solo e a área da copa, por fitofisionomia de origem e grupo sucessional. Para avaliação das atividades de educação ambiental foram realizadas entrevistas semi estruturadas com auxílio de questionário. Após 16 meses de plantio a sobrevivência total das mudas foi de 72,7%. A maior taxa de sobrevivência final foi do grupo das espécies de mata de galeria não pioneiras (T3) com 78,3%, e a menor taxa foi do grupo de cerrado sentido restrito (T1) com 65,8%. Os maiores incrementos medianos totais em altura (71,5 (máx= 345) cm), e diâmetro (15,9 (máx= 90) mm) foram atribuídos às espécies de mata de galeria pioneiras (T2) e não pioneiras (T3), respectivamente. Os menores incrementos medianos totais em altura (10,25 (máx.= 147,5) cm) e diâmetro (6,9 (máx= 46,2)) mm foram registrados para às espécies de cerrado sentido restrito (T1). As espécies dos diferentes grupos sucessionais e fisionômicos apresentaram melhores desempenhos em áreas com solos férteis, e piores nas áreas compactadas de baixa fertilidade. As espécies de cerrado apresentaram maior sobrevivência nas áreas compactadas de baixa fertilidade em comparação as espécies de mata de galeria pioneiras e não pioneiras. As atividades de educação ambiental desenvolvidas ajudaram a sensibilizar e informar melhor o público trabalhado para a necessidade de conservar e recuperar as matas de galeria na Vargem Bonita.

Referência:

MOURA, Ana Claudia Cavalcanti de. Recuperação de áreas degradadas no ribeirão do Gama e o envolvimento da comunidade do Núcleo Hortícola de Vargem Bonita, DF. 2008. 125 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Florestal)—Universidade de Brasília, Brasília, 2008.

Disponível em:

Desenvolvimento inicial de 15 espécies florestais nativas, plantadas ao final do período chuvoso, em uma área degradada por extração e compactação de solo no Distrito Federal

Desenvolvimento inicial de 15 espécies florestais nativas, plantadas ao final do período chuvoso, em uma área degradada por extração e compactação de solo no Distrito Federal

Autor(a):

Mac Leonardo da Silva Souto

Resumo:

No Bioma Cerrado, onde a estacionalidade climática é um fator preponderante no estabelecimento e desenvolvimento de espécies, em que fitofisionomias florestais e savânicas se alternam em função de gradientes de umidade e fertilidade, estudos demonstram que uma combinação entre espécies de diferentes fitofisionomias deste bioma pode facilitar a recuperação de ambientes degradados do Bioma Cerrado e contribuir para a manutenção do mosaico vegetacional original. Este trabalho buscou dar base ao conhecimento sobre o desenvolvimento inicial de espécies nativas do Bioma Cerrado em áreas degradadas por mineração. Foram monitoradas 15 espécies lenhosas, com 15 repetições para cada espécie, de três fitofisionomias do Bioma Cerrado (Mata Seca (MS), Cerrado sentido restrito (CE) e Mata de Galeria (MG)) em um período de 72 meses (março de 2007 a fevereiro 2013), em um plantio de recuperação realizado em área de CE, degradada por extração e compactação de solo, na Fazenda Água Limpa – UnB, Distrito Federal. Para análise dos dados, foram mensuradas as variáveis (altura, diâmetro e número de indivíduos vivos) das espécies plantadas na área. Aos 72 meses a taxa de sobrevivência total para o plantio foi de 55%, sendo que o grupo MS (76%) foi, entre o três, o que apresentou maior taxa de sobrevivência, seguido por MG (71%) e CE (39%), este com menor taxa de sobrevivência. A ANOVA apresentou interações significativas entre fitofisionomias versus espécies para as variáveis altura e diâmetro. Nas análises realizadas com a mediana, o teste do Qui-quadrado não apresentou diferença significativa entre os grupos de espécies com origem nas fitofisionomias MS e MG, mas estes diferiram significativamente do grupo CE na comparação entre CE e MS e na comparação entre CE e MG. O incremento mediano em altura e diâmetro para o plantio foram respectivamente 55,00 cm (com altura máxima de 210 cm para a espécie Acacia polyphylla e mínimo de 12 cm para Eriotheca pubescens) e 11,7 mm (com máximo de 47 mm em diâmetro para a espécie Acacia polyphylla e mínimo de 7,47 mm para Copaifera langsdorffii). A diferença foi verificada pelo teste de mediana por duas amostras, sendo que para o incremento total em altura houve diferença significativa entre as fitofisionomias MS e CE e entre MG e CE. Entre as fitofisionomias MS e MG, a diferença não foi significativa. Por avaliação de desempenho das 15 espécies, 60% dessas estão distribuídas entre recomendável e muito recomendável em práticas de recuperação de áreas degradadas por mineração em área de CE. O lento crescimento das espécies de CE comparada às espécies de fitofisionomias florestais está relacionado ao investimento inicial em biomassa subterrânea por essas espécies, sugerindo o uso de uma composição de espécies de diferentes fitofisionomias para facilitar a recuperação de uma área degradada.

Referência:

SOUTO, Mac Leonardo da Silva. Desenvolvimento inicial de 15 espécies florestais nativas, plantadas ao final do período chuvoso, em uma área degradada por extração e compactação de solo no Distrito Federal. 2013. xiii, 102 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências
Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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