Desenvolvimento inicial de 15 espécies florestais nativas, plantadas ao final do período chuvoso, em uma área degradada por extração e compactação de solo no Distrito Federal

Autor(a):

Mac Leonardo da Silva Souto

Resumo:

No Bioma Cerrado, onde a estacionalidade climática é um fator preponderante no estabelecimento e desenvolvimento de espécies, em que fitofisionomias florestais e savânicas se alternam em função de gradientes de umidade e fertilidade, estudos demonstram que uma combinação entre espécies de diferentes fitofisionomias deste bioma pode facilitar a recuperação de ambientes degradados do Bioma Cerrado e contribuir para a manutenção do mosaico vegetacional original. Este trabalho buscou dar base ao conhecimento sobre o desenvolvimento inicial de espécies nativas do Bioma Cerrado em áreas degradadas por mineração. Foram monitoradas 15 espécies lenhosas, com 15 repetições para cada espécie, de três fitofisionomias do Bioma Cerrado (Mata Seca (MS), Cerrado sentido restrito (CE) e Mata de Galeria (MG)) em um período de 72 meses (março de 2007 a fevereiro 2013), em um plantio de recuperação realizado em área de CE, degradada por extração e compactação de solo, na Fazenda Água Limpa – UnB, Distrito Federal. Para análise dos dados, foram mensuradas as variáveis (altura, diâmetro e número de indivíduos vivos) das espécies plantadas na área. Aos 72 meses a taxa de sobrevivência total para o plantio foi de 55%, sendo que o grupo MS (76%) foi, entre o três, o que apresentou maior taxa de sobrevivência, seguido por MG (71%) e CE (39%), este com menor taxa de sobrevivência. A ANOVA apresentou interações significativas entre fitofisionomias versus espécies para as variáveis altura e diâmetro. Nas análises realizadas com a mediana, o teste do Qui-quadrado não apresentou diferença significativa entre os grupos de espécies com origem nas fitofisionomias MS e MG, mas estes diferiram significativamente do grupo CE na comparação entre CE e MS e na comparação entre CE e MG. O incremento mediano em altura e diâmetro para o plantio foram respectivamente 55,00 cm (com altura máxima de 210 cm para a espécie Acacia polyphylla e mínimo de 12 cm para Eriotheca pubescens) e 11,7 mm (com máximo de 47 mm em diâmetro para a espécie Acacia polyphylla e mínimo de 7,47 mm para Copaifera langsdorffii). A diferença foi verificada pelo teste de mediana por duas amostras, sendo que para o incremento total em altura houve diferença significativa entre as fitofisionomias MS e CE e entre MG e CE. Entre as fitofisionomias MS e MG, a diferença não foi significativa. Por avaliação de desempenho das 15 espécies, 60% dessas estão distribuídas entre recomendável e muito recomendável em práticas de recuperação de áreas degradadas por mineração em área de CE. O lento crescimento das espécies de CE comparada às espécies de fitofisionomias florestais está relacionado ao investimento inicial em biomassa subterrânea por essas espécies, sugerindo o uso de uma composição de espécies de diferentes fitofisionomias para facilitar a recuperação de uma área degradada.

Referência:

SOUTO, Mac Leonardo da Silva. Desenvolvimento inicial de 15 espécies florestais nativas, plantadas ao final do período chuvoso, em uma área degradada por extração e compactação de solo no Distrito Federal. 2013. xiii, 102 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências
Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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