Recuperação de áreas degradadas no ribeirão do Gama e o envolvimento da comunidade do Núcleo Hortícola de Vargem Bonita, DF

Autor(a):

Ana Claudia Cavalcanti de Moura

Resumo:

O crescente desmatamento na região de domínio do Cerrado motivado pelos avanços das fronteiras agrícolas e expansão urbana vem exercendo grande pressão sobre a vegetação nativa do bioma Cerrado e degradando áreas de grande importância ecológica como as matas de galeria. Considerando que as condições originais foram modificadas na área de estudo, buscou-se avaliar o desenvolvimento inicial de espécies nativas do bioma, de origem pioneira e não pioneira de mata de galeria, assim como espécies de cerrado sentido restrito em plantios de recuperação. Buscou-se também sensibilizar e valorizar os moradores envolvidos no processo e com isso motivar aos demais a se engajarem no processo de recuperação das áreas degradadas em suas propriedades. Foram avaliados o desenvolvimento inicial de nove espécies nativas do bioma, sendo três de cerrado sentido restrito, três de mata de galeria pioneiras e não pioneiras, em um plantio de recuperação no Park Way, DF. Foram realizadas atividades de educação ambiental com a comunidade local. O monitoramento do plantio ocorreu entre os meses de dezembro de 2005 a maio de 2007. Ao longo de 16 meses, foram realizadas 4 avaliações, sendo a primeira 15 dias após o plantio e as demais aos 5, 10 e 16 meses. As atividades de educação ambiental foram realizadas sistematicamente 1 vez por semana, de fevereiro de 2006 a abril de 2007. Para a avaliação do desenvolvimento inicial das espécies, os parâmetros observados foram a sobrevivência, a altura, diâmetro do caule a altura do solo e a área da copa, por fitofisionomia de origem e grupo sucessional. Para avaliação das atividades de educação ambiental foram realizadas entrevistas semi estruturadas com auxílio de questionário. Após 16 meses de plantio a sobrevivência total das mudas foi de 72,7%. A maior taxa de sobrevivência final foi do grupo das espécies de mata de galeria não pioneiras (T3) com 78,3%, e a menor taxa foi do grupo de cerrado sentido restrito (T1) com 65,8%. Os maiores incrementos medianos totais em altura (71,5 (máx= 345) cm), e diâmetro (15,9 (máx= 90) mm) foram atribuídos às espécies de mata de galeria pioneiras (T2) e não pioneiras (T3), respectivamente. Os menores incrementos medianos totais em altura (10,25 (máx.= 147,5) cm) e diâmetro (6,9 (máx= 46,2)) mm foram registrados para às espécies de cerrado sentido restrito (T1). As espécies dos diferentes grupos sucessionais e fisionômicos apresentaram melhores desempenhos em áreas com solos férteis, e piores nas áreas compactadas de baixa fertilidade. As espécies de cerrado apresentaram maior sobrevivência nas áreas compactadas de baixa fertilidade em comparação as espécies de mata de galeria pioneiras e não pioneiras. As atividades de educação ambiental desenvolvidas ajudaram a sensibilizar e informar melhor o público trabalhado para a necessidade de conservar e recuperar as matas de galeria na Vargem Bonita.

Referência:

MOURA, Ana Claudia Cavalcanti de. Recuperação de áreas degradadas no ribeirão do Gama e o envolvimento da comunidade do Núcleo Hortícola de Vargem Bonita, DF. 2008. 125 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Florestal)—Universidade de Brasília, Brasília, 2008.

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