Mulheres e agroflorestas no Cerrado

Mulheres e agroflorestas no Cerrado

Autor(a):

Luiz Cláudio Moura Santos

Resumo:

O modelo de desenvolvimento rural adotado no Brasil nos anos de 1960 e 1970 baseou-se nos princípios da modernização conservadora que consistiu na transferência de tecnologia de ponta para o campo e no fomento aos monocultivos de larga escala, os quais são dirigidos ao mercado externo. O enfoque totalmente produtivo dessa abordagem, impactou negativamente na preservação e conservação da sociobiodiversidade do Bioma Cerrado. A Agricultura Familiar, que é responsável pela produção de grande parte dos alimentos consumidos pelo brasileiro, foi encurralada pelo avanço da fronteira agrícola ameaçando a segurança e a soberania alimentar da população, principalmente da parcela mais vulnerável. As mulheres rurais ocupam um papel fundamental na produção de alimentos na Agricultura Familiar e, normalmente, utilizam práticas agroecológicas nesse processo. No entanto, o processo de desenvolvimento modernizador no campo contribuiu para agravar às desigualdades de gênero por não reconhecer e valorizar o papel da mulher na dinâmica rural. Isso tem se tornado um entrave à representação das mulheres como precursoras e disseminadoras de ações de base agroecológica, principalmente em assentamentos de reforma agrária. A Agrofloresta é uma prática agroecológica que busca conciliar conservação e produtividade no estabelecimento de cultivos que estejam em consonância com os agroecossistemas locais. Dessa forma, este trabalho de pesquisa, realizado em dois assentamento de reforma agrária no entorno do Distrito Federal, busca identificar quais fatores podem influenciar nas práticas agroflorestais de assentadas. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com três mulheres representativas em cada território no que se refere à pratica agroecológica bem como conversas informais com representantes locais e observações da dinâmica comunitária com o objetivo de buscar o entendimento de como a Agrofloresta pode contribuir no surgimento de estratégias de protagonismo e visibilidade dessas mulheres. O estudo mostrou que fatores relacionados a organização comunitária e aparatos institucionais quando bem estruturados são elementos fundamentais para a promoção do protagonismo e visibilidade das mulheres e a Agrofloresta, por representar um conjunto de saberes e práticas já naturalmente apropriadas por elas, pode colaborar para a criação de um ambiente propício à ações voltadas ao desenvolvimento rural sustentável por meio do protagonismo das mulheres e da Agroecologia.

Referência:

SANTOS, Luiz Cláudio Moura. Mulheres e agroflorestas no Cerrado. 2017. 87 f., il. Dissertação (Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.

Disponível em:

Fronteira agrícola e natureza: visões e conflitos no Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba

Fronteira agrícola e natureza: visões e conflitos no Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba

Autor(a):

Karla Rosane Aguiar Oliveira

Resumo:

A presente dissertação tem como objetivo compreender por que as visões sobre conservação da natureza e as estratégias para apropriação dos bens naturais, tanto para comunidades tradicionais como para agentes da fronteira agrícola (sojeiros), influenciam de forma desigual a tomada de decisão do Estado a respeito de desafetação de áreas protegidas e reconhecimento de territórios tradicionais. No bioma Cerrado, a expansão da fronteira agrícola é estimulada pelo Estado desde as décadas de 1960/1970. Alguns programas governamentais (como o Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para Desenvolvimento dos Cerrados – PRODECER) incentivaram a apropriação dos recursos naturais da região para a produção de commodities. O mais recente programa governamental, o Plano de Desenvolvimento Agrícola do Matopiba, do mesmo modo, busca impulsionar a economia do agronegócio e a expansão da fronteira agrícola em áreas de comunidades tradicionais. Por outro lado, as Unidades de Conservação vêm contribuindo para a conservação do Cerrado. Contudo, em alguns casos, a presença de populações tradicionais não é aceita, provocando conflitos socioambientais e invisibilizando seus territórios. O caso da desafetação de parte do Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba permitiu analisar a injustiça ambiental contra as comunidades quilombolas. Foram entrevistados diversos atores na região do Parque durante a pesquisa de campo. Esta indica que a visão das comunidades quilombolas sobre conservação da natureza está bastante próxima à ideia de conservação da legislação ambiental, se comparada com a visão dos sojeiros. Mas, as comunidades ainda vivem conflitos com o órgão gestor do Parque (ICMBio), que tem dificuldades de reconhecer os territórios quilombolas e seus modos de vida tradicionais. Por sua vez, sojeiros pressionaram pela desafetação de parte do Parque, expandindo suas áreas de agricultura por meio das agroestratégias. A pesquisa conclui que apesar do conflito envolvendo áreas protegidas e quilombolas, ambos enfrentam um desafio ainda maior em virtude da expansão das áreas de fronteira agrícola do Cerrado.

Referência:

OLIVEIRA, Karla Rosane Aguiar. Fronteira agrícola e natureza: visões e conflitos no Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba. 2018. xv, 141 f., il. Dissertação (Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural)—Universidade de Brasília, Brasília, 2019.

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Importância de filtros ecológicos no recrutamento de plantas em jazidas tratadas com lodo de esgoto

Importância de filtros ecológicos no recrutamento de plantas em jazidas tratadas com lodo de esgoto

Autor(a):

Alexander Paulo do Carmo Balduíno

Resumo:

A destruição de ecossistemas pelo homem tem colocado diversas espécies sob o risco de extinção. Planos conservacionistas recomendam a restauração de comunidades vegetais como forma de aumentar a capacidade de suporte do ambiente e de recuperar parte da biodiversidade perdida. O processo de restauração de savanas, a exemplo do Cerrado, é complexo e moldado por filtros ecológicos que direcionam o processo sucessional. O Cerrado brasileiro é o segundo maior bioma do Brasil em extensão e o Distrito Federal (DF) localiza-se na parte central desse bioma. Uma das maiores fontes de degradação no DF é a mineração de bens da construção civil, que expõe à superfície material inapropriado ao processo de recolonização vegetal e sucessão ecológica. A aplicação de elevadas doses de matéria orgânica a substratos minerados tem sido o meio de se conseguir estabelecer comunidades vegetais nesses ambientes degradados. Nesse sentido, o lodo de esgoto produzido em estações de tratamento de esgotos domésticos é uma das fontes mais disponíveis de matéria orgânica no DF. Aproximadamente 460 ha de áreas mineradas no DF já foram revegetadas mediante a incorporação de elevadas doses (> 100t ha-1 base seca) de lodo de esgoto. Esse modelo busca unir dois problemas (resíduo e mineração) em uma única solução e é eficiente para estabelecer a cobertura vegetal sobre os substratos minerados. Nesse sentido, a identificação dos filtros ecológicos que direcionam a colonização de jazidas tratadas com lodo de esgoto é fundamental para que os ecossistemas nativos removidos pela atividade de mineração sejam efetivamente restaurados. Em face do exposto, esta pesquisa objetivou caracterizar a flora recrutada em jazidas tratadas com lodo de esgoto e identificar os fatores que estão determinando e influenciando este recrutamento. Para tanto, a pesquisa foi dividida em cinco etapas, sendo que, na primeira etapa, foram feitos o mapeamento e a estimativa de áreas degradadas pela mineração no Distrito Federal que ainda permanecem sem revegetação. Na segunda etapa, foi realizada a avaliação florística das comunidades de plantas recrutadas em jazidas tratadas com lodo de esgoto no Distrito Federal, além da investigação das relações da fertilidade química com a invasão de plantas nas comunidades regeneradas. Nas fases seguintes da pesquisa, a pesquisa concentrou-se numa das jazidas avaliadas na fase anterior (jazida J294), onde avaliou-se a composição da chuva de diásporos, as relações de filtros edáficos e colonização vegetal e os efeitos do controle químico de Urochloa brizantha (Braquiarão), da escarificação do substrato tratado com lodo de esgoto e da semeadura direta no recrutamento de plantas nessa jazida. Os principais resultados encontrados mostraram que o uso do lodo de esgoto no tratamento das jazidas mineradas resultou na colonização espontânea de diversas espécies de plantas com traços funcionais que variaram em relação ao hábito de crescimento, forma de vida de Raunkier, síndromes de polinização e de dispersão e grupo ecológico. Doses mais elevadas de lodo de esgoto (> 100 t ha-1 base seca) aumentaram o percentual de espécies invasoras ao Cerrado nas comunidades regeneradas nas jazidas estudadas. Filtros ecológicos (chuva de sementes inapropriada, fertilidade química e parâmetros físicos dos substratos tratados com lodo de esgoto e competição com espécies exóticas invasoras) direcionaram a colonização vegetal nas jazidas tratadas com lodo de esgoto para a montagem de comunidades distintas daquelas existentes nos fragmentos de Cerrado sentido restrito usados como ecossistemas de referência. Finalmente, o manejo dos filtros dispersão de diásporos, competição com gramíneas invasoras e compactação do substrato mediante implantação da semeadura direta com espécies nativas, o controle químico de Urochloa brizantha (Braquiarão) e o gradeamento da camada superficial (0 – 15cm) do substrato tratado com lodo de esgoto promoveu ganhos gerais de riqueza e de diversidade nas comunidades vegetais que recolonizaram a jazida J294.

Referência:

BALDUÍNO, Alexander Paulo do Carmo. Importância de filtros ecológicos no recrutamento de plantas em jazidas tratadas com lodo de esgoto. 2019. vii, 226 f., il. Tese (Doutorado em Ciências Ambientais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2019.

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Diversidade funcional e riqueza de espécies lenhosas de Cerrado utilizadas na restauração ecológica no Distrito Federal

Diversidade funcional e riqueza de espécies lenhosas de Cerrado utilizadas na restauração ecológica no Distrito Federal.

Autor(a):

Willian Barros Gomes

Resumo:

A restauração ecológica é a atividade que promove a restituição da estrutura e funcionamento em ambientes degradados, com baixa capacidade de resiliência. Na maioria das vezes a restauração ecológica utiliza poucas espécies, o que resulta em baixa diversidade e insucesso. Nesse contexto o objetivo deste trabalho foi avaliar a diversidade funcional e a riqueza de espécies lenhosas nativas do Cerrado utilizadas na restauração ecológica no Distrito Federal. Foram levantadas espécies lenhosas comercializadas nos viveiros locais, indicadas nos Planos de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD’s) aprovados pelo órgão ambiental, espécies efetivamente presentes nos projetos de restauração ecológica executados e as espécies presente em fragmentos de Cerrado preservado no Distrito Federal (referência). A suficiência amostral das fontes de dados (viveiros, PRAD’s, projetos e referência) foi testada por meio de curvas de rarefação. Foram selecionados sete traços funcionais para avaliar as espécies encontradas: grupo ecológico (Mata ripária), síndromes de dispersão e polinização, deciduidade, exigência nutricional, associação com micorrízas e assimilação de nitrogênio. A diversidade funcional foi calculada através do índice Functional diversity (FD) e riqueza funcional (FRic). Foram listadas 604 espécies pertencentes à 82 famílias botânicas. Nos viveiros visitados foram encontradas 184 espécies, nos PRAD’s analisados foram recomendadas 285 espécies, nos 21 projetos de restauração avaliados encontraram-se 206 espécies e na referência foram observadas 442 espécies. Em média nos viveiros são encontradas 26 espécies, os PRAD’s recomendam 20 e os projetos utilizam 24 espécies. Os resultados indicaram que a riqueza funcional presente nos projetos executados é superior a encontrada nos viveiros e PRAD’s. Foram encontrados 10 grupos funcionais nas áreas de referência e 2 grupos funcionais nos viveiros, PRAD’s e projetos de restauração executados. A partir dos resultados encontrados foram propostas listas de espécies lenhosas nativas de Cerrado indicadas para restauração ecológica no DF. Com 34 espécies é possível ter a diversidade funcional presente em formação florestal. Com 14 espécies na formação savânica.

Referência:

GOMES, Willian Barros. Diversidade funcional e riqueza de espécies lenhosas de Cerrado utilizadas na restauração ecológica no Distrito Federal. 2018. vi, 108 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Ambientais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

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Rede de Sementes do Cerrado

Rede de Sementes do Cerrado

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Referências

Rede de Sementes do Cerrado. Rede de Sementes do Cerrado, 2020. Disponível em:  http://www.rsc.org.br/. Acesso em: 02 de maio de 2020.

Modernização conservadora no Cerrado Gerais da Chapada Gaúcha – MG: um estudo de caso em Buraquinhos

Modernização conservadora no Cerrado Gerais da Chapada Gaúcha – MG: um estudo de caso em Buraquinhos

Autor(a):

Thaís Hall Oliveira

Resumo:

Esta dissertação tem como objetivo identificar e compreender as mudanças no modo de vida tradicional da comunidade Buraquinhos (Chapada Gaúcha – MG) a partir do processo de modernização conservadora na região, especialmente no que se refere às formas de produzir e às práticas extrativistas. O atual quadro de devastação instalado no Cerrado está, em larga medida, relacionado à ocupação do seu espaço geográfico e à consolidação do modelo agropecuário produtivista que se tornou hegemônico a partir do processo conhecido como modernização da agricultura, elemento central da modernização conservadora no bioma. Neste território cerratense ameaçado, vive a comunidade de Buraquinhos constituída por 25 famílias recentemente certificadas pela Fundação Cultural Palmares (FCP) como quilombolas. Com as mudanças introduzidas com a modernização conservadora, moradores de Buraquinhos revelam, em suas narrativas, dicotomias criadas pelo modelo de ocupação territorial e modernização da agricultura; especialmente em sua postura de concentração de poderes e terras, desapropriação do território e impactos socioculturais e ambientais. Para tanto, a pesquisa trata se de um estudo de caso, de abordagem qualitativa. Os instrumentos previstos e utilizados na pesquisa foram a pesquisa documental, a pesquisa bibliográfica e a entrevista semiestruturada. As atividades de campo foram realizadas nos períodos de novembro de 2014, junho, agosto, setembro e novembro de 2015. A pesquisa demonstrou que a modernização conservadora no Cerrado Gerais da Chapada Gaúcha, precisamente em Buraquinhos, ocasionou diversas mudanças: nas práticas tradicionais/econômicas de se produzir e se alimentar; no meio ambiente, devido à contaminação do rio Pardo de uso da comunidade Buraquinhos, à degradação hídrica e à diminuição da sua disponibilidade; na paisagem e nas suas formas de uso, ao longo dos caminhos percorridos historicamente por essa população; no estabelecimento de estratégias, como resistência ao avanço da modernização sobre o território tradicional, através da autoidentificação como quilombola.

Referência:

OLIVEIRA, Thaís Hall. Modernização conservadora no Cerrado Gerais da Chapada Gaúcha – MG: um estudo de caso em Buraquinhos. 2016. 142 f., il. Dissertação (Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016.

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Avaliação ecotoxicológica das cinzas de queimadas do Cerrado em ambientes aquáticos.

Avaliação ecotoxicológica das cinzas de queimadas do Cerrado em ambientes aquáticos.

Autor(a):

Darlan Quinta de Brito

Resumo:

No cenário mundial das mudanças climáticas, vários estudos preveem o aumento das queimadas em diferentes partes do mundo. Grandes extensões de áreas nativas e de pasto são queimadas no Bioma Cerrado anualmente, e o mau uso da prática de queimadas durante os períodos de estiagem tem acarretado sérios danos à biodiversidade dos ecossistemas e à saúde da população. Com o advento das chuvas após o período de seca no bioma Cerrado, grande quantidade de cinzas da biomassa são lixiviadas e entram nos sistemas aquáticos, podendo ocasionar efeitos adversos. Diante disso, o presente trabalho propôs-se a avaliar os atributos químicos das cinzas e do solo de três áreas distintas queimadas em setembro de 2010. Avaliou-se, também, o potencial de toxicidade das cinzas provenientes de áreas do bioma Cerrado e de uma área de pasto por meio de testes ecotoxicológicos com Ceriodaphnia dubia, o peixe Danio rerio e o molusco Biomphalaria glabrata. Um vasto grupo de metais (Al, B, Ca, Cd, Cr, Cu, Fe, K, Mg, Mn, Mo, Ni, P, Pb, S, Si, Sr, V, Ti e Zn) foram determinados e quantificados no solo, nas cinzas e na solubilização das cinzas. A comparação química das três áreas apresentou pouca diferença qualitativa, sendo que a quantidade dos elementos químicos foi o aspecto de maior relevância. A composição química das cinzas apresentou valores superiores à composição química do solo, no entanto apenas uma pequena parcela dos compostos são solubilizados. Apesar disso, a presença das cinzas na água elevou os sólidos solúveis totais (STD) e a condutividade elétrica (CE), devido à presença dos sais dissolvidos. Os íons aumentaram o pH e diminuíram o OD na água, alterando, portanto, a qualidade da água. Os testes conduzidos no laboratório indicaram que ambientes lênticos podem ser mais sensíveis aos efeitos das cinzas das queimadas em comparação aos ambientes lóticos. Com relação aos efeitos ecotoxicológicos, constataram-se diferenças de toxicidade das cinzas para os organismos estudados. Todas as cinzas apresentaram um índice elevado de toxicidade no ensaio de C. dubia (CL50-48hs: 6.33% (4.83-8.28) cinza de Pasto). Com relação aos ensaios com o D. rerio e com B. glabrata, não foi constatada toxicidade para as cinzas de Pasto e Torre. As cinzas da Lagoa Bonita (área de transição cerrado sentido restrito para vereda) apresentaram toxicidade para D. rerio (CL50-24hs: 31.50%; CL50-48hs: 25.0 %) e B. glabrata (CL50-24hs: 50.0 % (37.7- 66.4); CL50-48hs: 35.4 %). Estes resultados demonstram que as queimadas influenciam a toxicidade às águas superficiais, tornando este ambiente tóxico para a sobrevida de comunidades aquáticas
zooplanctônicas, independentemente da fitofisionomia e da paisagem, e enfatizam portanto a necessidade de estudos mais aprofundados para melhor compreender-se a complexidade dos efeitos ecológicos do fogo em comunidades aquáticas.

Referência:

BRITO, Darlan Quinta de. Avaliação ecotoxicológica das cinzas de queimadas do Cerrado em ambientes aquáticos. 2014. 120 f., il. Dissertação (Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural)—Universidade de Brasília, 2014.

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Proposição de um Índice de Qualidade de Água para Irrigação(IQAI) com base no monitoramento e caracterização de águas superficiais em ambientes rurais do Cerrado

Proposição de um Índice de Qualidade de Água para Irrigação(IQAI) com base no monitoramento e caracterização de águas superficiais em ambientes rurais do Cerrado

Autor(a):

Daphne Heloisa de Freitas Muniz

Resumo:

A qualidade da água para a agricultura irrigada vem se tornado uma questão importante nos últimos anos, devido ao aumento da demanda de água pelo setor. Programas de monitoramento de qualidade geram uma enorme quantidade de dados que necessitam ser sintetizados. O objetivo do presente trabalho foi propor um Índice de Qualidade de Água para Irrigação (IQAI) com base na avaliação de parâmetros indicadores de qualidade da água de três corpos hídricos de ambientes rurais do Cerrado. Para isso, foram selecionadas três áreas de coleta inseridas em zonas rurais do Distrito Federal, Brasil (Córrego Capão Comprido, Rio Jardim e Córrego Sarandi). As coletas de amostra de água ocorreram entre maio de 2012 e abril de 2013. Para cada amostra coletada foram feitas determinações dos parâmetros temperatura, oxigênio dissolvido, pH, condutividade elétrica, total de sólidos dissolvidos, turbidez, dureza total; dos íons cloreto, fluoreto, nitrato, nitrito, fosfato, sulfato, sódio, potássio, amônio, cálcio e magnésio; fósforo total, razão de adsorção de sódio, coliformes totais e coliformes termotolerantes. A partir dos dados obtidos na Análise de Variância e na Análise das Componentes Principais (PCA), foi evidenciado que parâmetros importantes, indicativos de poluição rural, como amônio, fosfato, sulfato e fósforo total obtiveram valores abaixo do limite de detecção para todo período analisado nos três corpos hídricos. Os demais parâmetros não apresentaram grande variação de suas concentrações entre períodos hidrológicos (seca e chuva) nos três corpos hídricos. Entre os pontos amostrais houve diferença significativa na qualidade da água. A técnica estatística multivariada, por meio da aplicação da PCA, mostrou que é possível reduzir o número de parâmetros de 16 para 7, considerados principais. A partir dos dados de monitoramento e da análise estatística dos três corpos hídricos foi possível selecionar parâmetros para compor um IQA para fins de irrigação que refletisse as características da água do Cerrado.

Referência:

MUNIZ, Daphne Heloisa de Freitas. Proposição de um Índice de Qualidade de Água para Irrigação(IQAI) com base no monitoramento e caracterização de águas superficiais em ambientes rurais do Cerrado. 2014. xx, 67 f., il. Dissertação (Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural)—Universidade de Brasília, 2014.

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Integridade ecológica em córregos de floresta de galeria do bioma Cerrado.

Integridade ecológica em córregos de floresta de galeria do bioma Cerrado

Autor(a):

Tiago Borges Kisaka

Resumo:

A vegetação ripária predominante em regiões de cabeceira denominada como Florestas de Galeria são formações que propiciam a ocorrência de galerias propriamente ditas sob o corpo hídrico devido à largura reduzida do mesmo. Apesar do papel desempenhado na manutenção da qualidade da água e para o fluxo gênico, há uma contínua ameaça aos ambientes de Floresta de Galeria, tornando-se cada vez mais urgente a implementação de medidas mitigadoras que objetivem preservar sua diversidade, auxiliando na conservação e recuperação desses ambientes. Entender o funcionamento e a estrutura desses ecossistemas de maneira integrada é essencial para o desenvolvimento de estratégias voltadas à manutenção da integridade ecológica dos mesmos. Considerando-se a importância da abordagem ecossistêmica sob o ponto de vista da integridade ecológica e com base nos conceitos de “fatores de estado” e “controles interativos”, o presente estudo teve como objetivo avaliar a integridade ecológica de córregos com Florestas de Galeria sob diferentes usos da terra na região de Cerrado do Brasil Central. Desse modo, foram selecionadas três áreas similares quanto aos fatores de estado, sendo uma localizada em ambiente preservado e considerado o ambiente de referência (córrego Cabeça-de-Veado) e duas submetidas à influência antrópica (córregos Jardim e Capão Comprido), todas localizadas no Distrito Federal, Brasil. As coletas foram realizadas no período de estiagem, em maio de 2014, para restringir a variabilidade que a condicionante precipitação pode acarretar no aumento da velocidade de fluxo da água nos córregos. Após a elaboração dos mapas de uso e cobertura do solo por meio da classificação supervisionada de imagens de satélite, as áreas em estudo foram diferenciadas quanto aos tipos de usos e cobertura do solo, sendo o córrego Jardim classificado como “impactado”, o córrego Capão Comprido como “alterado” e o córrego Cabeça-de Veado como “preservado”. A integridade ecológica no córrego Cabeça-de-Veado foi observada em função das maiores granulometrias do sedimento, da maior concentração de matéria orgânica no sedimento e no seston, além da maior diversidade de invertebrados bentônicos, em comparação com as sub-bacias sob influência antrópica. No que diz respeito aos invertebrados bentônicos, a baixa diversidade de espécies, especialmente do grupo funcional de predadores, nos córregos Jardim e Capão Comprido pode ser explicada pela diminuição da heterogeneidade de habitats nestes corpos hídricos. Além disso, os padrões de ocorrência de indivíduos das famílias Hydropsychidae e Dryoptidae nos ambientes sob influência antrópica ressaltaram alterações na integridade ecológica dos mesmos. As condições prístinas do Córrego Cabeça-de-Veado conferiram ao ambiente aquático menores valores de clorofila-a no seston e no perifiton, além do acúmulo de matéria orgânica de origem alóctone no sedimento e no seston. Infere-se, deste modo, que o ambiente preservado apresentou metabolismo conforme modelos descritos para córregos sombreados, com processo ecossistêmico de respiração predominando ao de produção primária, destoando daqueles sob influência do fator antrópico. Deste modo, os ambientes sob influência da agricultura familiar e convencional apresentaram-se menos íntegros em comparação ao ambiente preservado, levando em consideração os atributos de regime de fluxo e qualidade da água, fonte de energia e estrutura de habitats, essenciais para análise da integridade ecológica.

Referência:

KISAKA, Tiago Borges. Integridade ecológica em córregos de floresta de galeria do bioma Cerrado. 2015. vii, 85 f., il. Dissertação (Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

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Populações tradicionais e conflitos socioambientais no cerrado: o caso do complexo de unidades de conservação de Terra Ronca-GO

Populações tradicionais e conflitos socioambientais no cerrado: o caso do complexo de unidades de conservação de Terra Ronca-GO

Autor(a):

Hiran de Gusmão Trindade

Resumo:

O Cerrado é um dos cinco biomas brasileiros, formado por ecossistemas de savanas, matas, campos e matas de galeria que ocorrem na região central do Brasil, ocupando aproximadamente 21% do território do país. Considerado a savana mais rica do mundo, o Cerrado é um dos hotspots mundiais. É também espaço de vida e de trabalho para inúmeras comunidades indígenas, remanescentes de quilombo e diversas outras populações tradicionais que historicamente ocupam as paisagens desse bioma, tendo a ele se adaptado ecologicamente. Os sistemas produtivos dessas populações tradicionais se caracterizam, em geral, pela combinação entre atividades agrícolas, a criação de animais (especialmente gado) e o extrativismo de espécies nativas – atividades que juntas integram o que é chamado agroextrativismo. Para essas populações, é vital a conservação tanto dos recursos naturais, como também de seus territórios sociais, necessários à sua reprodução física, social e cultural. No Brasil, uma das estratégias para garantir a conservação da sociobiodiversidade e a reapropriação de áreas historicamente ocupadas, sob a perspectiva de seu uso comum e sustentável, tem sido a criação de Unidades de Conservação (UCs). Entretanto, tal estratégia nem sempre é eficaz. O presente trabalho aborda a criação de duas Unidades de Conservação contíguas, uma de proteção integral e outra de uso sustentável, na região de Terra Ronca, um dos últimos remanescentes de Cerrado no estado de Goíás. Não obstante a importância ambiental da região, a criação dessas duas UCs confinou a população local entre elas, deflagrando o conflito socioambiental que é focalizado neste estudo. Os dados foram levantados por meio de pesquisa qualitativa descritiva, em chave antropológica, através de observação direta e de entrevistas semiestruturadas. Os resultados sugerem que a criação dessas UCs gerou impacto direto sobre os sistemas produtivos dos habitantes locais e apontam para lições sobre o ordenamento territorial para fins de conservação e suas interfaces com o agroextrativismo, no contexto específico do Cerrado.

Referência:

TRINDADE, Hiran de Gusmão. Populações tradicionais e conflitos socioambientais no cerrado: o caso do complexo de unidades de conservação de Terra Ronca-GO. 2016. 138 f., il. Dissertação (Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016.

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