05/06- Dia Mundial do Meio Ambiente












As comunidades tradicionais do Cerrado se autodefinem tradicionalmente/historicamente a partir dos elementos do Cerrado com os quais têm mais convivência e intimidade – pescadores, ribeirinhos, quilombolas, quebradeiras de coco babaçu, fundo e fecho de pasto, retireiros do Araguaia, vazanteiros, geraizeiros, barranqueiros, vacarianos, apanhadoras de flores de sempre-viva, veredeiros.
Os povos indígenas que nele vivem há mais de 12 mil anos – muito antes dos europeus pisarem no Brasil, são mais de 80 etnias, dentre Xavantes, Krahô-Kanela, Tapuias, Guarani Kaiowá, Terena, Xacriabas, Apinajé, Xerente, Karajá, Avá Canoeiro, Javaé, Xambioá, entre outros.
Toda a diversidade cultural dos povos indígenas e das comunidades tradicionais é patrimônio imaterial do Cerrado. Viva o Cerrado vivo e em pé!




No Relatório Anual do Desmatamento (RAD) feito pelo MapBiomas referente ao ano de 2023, apontam que 61% da área desmatada em todo o país estava no Cerrado e 25% na Amazônia; sendo que mais da metade de toda a área desmatada no Brasil em 2023 está no Cerrado: 1.110.326 milhão de hectares foram devastados, um aumento de mais de 67% em relação ao ano anterior; onde foram suprimidos 3.042 hectares de vegetação nativa por dia. A Amazônia foi o segundo bioma mais destruído com 454.271 hectares. Esta foi a primeira vez, desde o início da série histórica do RAD, em 2019, que o Cerrado passou a Amazônia em devastação.
O maior alerta de desmatamento do Brasil aconteceu no Cerrado, com área de 6.691 hectares, no município do Alto Parnaíba (MA). A região do Matopiba, formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, está na frente da expansão da destruição do Cerrado, três em cada quatro hectares desmatados no Cerrado em 2023 (74%) foram no Matopiba, devido ao agronegócio, estimulado pelo mercado internacional. Em 2004, Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia respondiam juntos por 4,15% do valor exportado, enquanto que no ano passado, a fatia foi de 9,6%. Dois terços (33) dos 50 municípios que mais desmataram no Brasil ficam no Cerrado, sendo que os 10 municípios com maior área desmatada no Cerrado estão todos localizados no Matopiba. No ranking dos municípios que mais desmataram no país está São Desidério (BA), cujo principal bioma é o Cerrado, com 40.052 hectares suprimidos.
A fraca regulação ambiental no bioma Cerrado é um dos fatores que explica sua devastação, porque o Código Florestal obriga produtores rurais a preservar 80% da vegetação em suas propriedades na Amazônia, enquanto essa taxa é de 20% no Cerrado. A flexibilização de leis que favorecem a grilagem, a ausência de demarcação e titulação de terras indígenas e quilombolas e a violência contra povos e comunidades tradicionais movimentam uma máquina de saquear e escoar commodities – principalmente a soja – para a China, Europa e Estados Unidos.

Comunidades camponesas no #Maranhão, estão sendo atacadas por produtores de soja com veneno pulverizado com aviões e drones sobre seus corpos e plantios familiares. E tudo isso com a conivência dos governos do Maranhão e do Brasil, que não têm feito esforços significativos para fiscalizar e proibir esta prática.
Despejado por aviões e drones em janeiro, fevereiro e março, os agrotóxicos estão destruindo toda a produção de milho, macaxeira, feijão, legumes, hortaliças e frutas das comunidades, além dos peixes, que não sobrevivem à contaminação dos rios. Uma arma química usada para expulsar camponeses de seus territórios ancestrais, ocupados há mais de um século.
No Brasil, apenas o Ceará tem uma lei que proíbe a pulverização aérea. Na União Europeia, a prática está banida desde 2009 por conta dos graves e comprovados riscos à saúde humana e ao meio ambiente.
Vamos dizer ao governo do Maranhão e ao governo brasileiro que eles precisam banir a pulverização aérea de veneno urgentemente.
Organizações ambientais e de direitos humanos da Argentina, Bolívia, Brasil, Alemanha e Paraguai também apresentaram uma queixa contra a Bayer AG à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), buscando responsabilizar a empresa pelos graves impactos da agricultura industrial na América do Sul.
Acesse: salveafloresta.org/acoes/1284

Beneficiar sementes nativas é semear o futuro da biodiversidade e da sustentabilidade. Por isso, compartilhamos com vocês a nossa cartilha sobre “Beneficiamento de Sementes Nativas”. O material visa orientar coletores no manejo de sementes nativas do Cerrado.
Nossa cartilha aborda a importância da restauração ecológica, um manejo para reverter e revitalizar ecossistemas comprometidos, ressaltando que a recomposição da vegetação pode ser realizada por meio do plantio de sementes, através da Muvuca.
Junte-se a nós nessa missão de valorizar e preservar nossas espécies nativas.
Disponível no nosso site: rsc.org.br (em publicações), essa cartilha faz parte do projeto “Tecendo Redes e Espalhando Sementes”, executado pela RSC, financiada pelo Fundo de Promoção de Paisagens Produtivas Ecossociais (PPP-ECOS) gerido pelo Instituto População Sociedade Natureza (ISPN).


Autor(a):
Célia Maria Machado Ambrozio
Resumo:
Esta pesquisa concentrou-se na temática de conservação ambiental em conciliação com a valorização da diversidade cultural, tendo como estudo de caso o Caminho de Cora Coralina, em área da APA Serra dos Pireneus, nas cidades de Cocalzinho de Goiás, Corumbá de Goiás e Pirenópolis, no estado de Goiás. A pesquisa, de natureza quali-quantitativa, adotou, como metodologia instrumentos de registro da área de estudo, o levantamento dos aspectos sociohistóricos, culturais e ambientais, a pesquisa exploratória e a realização da trilha (caminhada) com captação de imagens, anotações e observações em campo, a realização de entrevistas com gravação de áudio, além do registro das técnicas adotadas na elaboração de mapas para análise das condições de formação de corredor ecológico no caminho. Os relatos das entrevistas foram interpretados visando atender ao objetivo da pesquisa de analisar as contribuições dos proprietários rurais do Caminho de Cora Coralina para a conservação ambiental do Cerrado, em especial para a formação de corredores, e os diálogos com elementos culturais presentes no caminho. A análise das estratégias e das articulações promovidas nas propriedades rurais para a conservação do Cerrado e a valorização cultural no Caminho consistiu na organização dos relatos e no reagrupamento dos elementos textuais de acordo com as características em comum, divididos em categorias: educação ambiental; reserva particular do patrimônio natural; corredores ecológicos e fortalecimento de unidades de conservação; agroecologia; preservação dos sítios históricos e naturais; saberes e fazeres tradicionais; e, por último, o fortalecimento das redes e a participação política no Caminho. Os resultados demonstram que a iniciativa de conectividade de paisagens no Caminho de Cora Coralina, interligando elementos naturais, históricos e culturais, por meio da união de esforços e de forma colaborativa, entre o estado e a sociedade civil, representa significativa estratégia de conservação do Cerrado, além de importante ferramenta na promoção da conscientização ambiental, criação de reservas naturais privadas, valorização histórica e cultural e sustentabilidade no meio rural. No entanto a pesquisa apontou a necessidade de melhoria contínua na governança do caminho, no sentido de promover maior integração, incentivo e apoio mútuo entre os atores envolvidos e ampliar programas voltados à sensibilização e incentivo para a conservação e da recuperação do bioma Cerrado e valorização de seu patrimônio natural, histórico e cultural.
Referência:
AMBROZIO, Celia Maria Machado. Conservação do cerrado entre cultura e história no Caminho de Cora Coralina – Goiás. 2022. 222 f., il. Dissertação (Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural) — Universidade de Brasília, Brasília, 2023.
Disponível:
½ kg de filé de tilápia, sem pele e sem espinho
2 colheres de sopa de azeite de licuri ou óleo de coco babaçu
½ colher de sopa (rasa) de sal de baunilha
Pimenta do reino moída na hora (opcional)
Modo de fazer: Tempere os filés com uma parte do azeite (ou óleo) e pimenta. Use o restante do azeite no aquecimento de uma frigideira antiaderente e, na sequência, grelhar os filés por um lado. Vire os filés para grelharem do outro lado, e só então polvilhe-os com o sal de baunilha. Sirva em seguida.
Autora: Cláudia Nasser
½ kg de sal grosso
1 fava (grande) de baunilha
Modo de fazer: processar a fava com metade do sal e depois de parcialmente triturada,
acrescente a outra metade do sal e processe até ficar homogêneo.
* Guarde em recipiente de vidro bem vedado, em local escuro.
Este sal pode ser usado em vários preparos como por exemplo:
. temperar carne de suíno
. temperar frutos do mar e crustáceos
. substituir a noz moscada em purês
. temperar saladas
. aquela “pitada de sal “ em preparos doces como no bolo, pudim, cuscuz, arroz doce, ambrosia, etc.
Autora: Cláudia Nasser
Autor:
Célia Maria Machado Ambrozio
Resumo:
Esta pesquisa concentrou-se na temática de conservação ambiental em conciliação com a valorização da diversidade cultural, tendo como estudo de caso o Caminho de Cora Coralina, em área da APA Serra dos Pireneus, nas cidades de Cocalzinho de Goiás, Corumbá de Goiás e Pirenópolis, no estado de Goiás. A pesquisa, de natureza quali-quantitativa, adotou, como metodologia instrumentos de registro da área de estudo, o levantamento dos aspectos sociohistóricos, culturais e ambientais, a pesquisa exploratória e a realização da trilha (caminhada) com captação de imagens, anotações e observações em campo, a realização de entrevistas com gravação de áudio, além do registro das técnicas adotadas na elaboração de mapas para análise das condições de formação de corredor ecológico no caminho. Os relatos das entrevistas foram interpretados visando atender ao objetivo da pesquisa de analisar as contribuições dos proprietários rurais do Caminho de Cora Coralina para a conservação ambiental do Cerrado, em especial para a formação de corredores, e os diálogos com elementos culturais presentes no caminho. A análise das estratégias e das articulações promovidas nas propriedades rurais para a conservação do Cerrado e a valorização cultural no Caminho consistiu na organização dos relatos e no reagrupamento dos elementos textuais de acordo com as características em comum, divididos em categorias: educação ambiental; reserva particular do patrimônio natural; corredores ecológicos e fortalecimento de unidades de conservação; agroecologia; preservação dos sítios históricos e naturais; saberes e fazeres tradicionais; e, por último, o fortalecimento das redes e a participação política no Caminho. Os resultados demonstram que a iniciativa de conectividade de paisagens no Caminho de Cora Coralina, interligando elementos naturais, históricos e culturais, por meio da união de esforços e de forma colaborativa, entre o estado e a sociedade civil, representa significativa estratégia de conservação do Cerrado, além de importante ferramenta na promoção da conscientização ambiental, criação de reservas naturais privadas, valorização histórica e cultural e sustentabilidade no meio rural. No entanto a pesquisa apontou a necessidade de melhoria contínua na governança do caminho, no sentido de promover maior integração, incentivo e apoio mútuo entre os atores envolvidos e ampliar programas voltados à sensibilização e incentivo para a conservação e da recuperação do bioma Cerrado e valorização de seu patrimônio natural, histórico e cultural.
Referência:
AMBROZIO, Celia Maria Machado. Conservação do cerrado entre cultura e história no Caminho de Cora Coralina – Goiás. 2022. 222 f., il. Dissertação (Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural) — Universidade de Brasília, Brasília, 2023.
Disponível:
O gergelim (Sesamum indicum) é uma planta originária do Oriente e nona oleaginosa mais cultivada no mundo (95% da produção mundial se dá na África e Ásia), é um produto cultivado há mais de três séculos por comunidades quilombolas do nordeste goiano, na Chapada dos Veadeiros, estando presente nas roças Kalungas desde que os primeiros representantes chegaram à região. A produção brasileira corresponde a apenas a 0,5% da área cultivada e da produção em nível mundial, sendo o estado de Goiás o principal produtor brasileiro da planta. Apresenta-se como uma das cinco principais culturas agrícolas Kalungas (após a mandioca, o milho, o feijão e o arroz). Esse produto é cultivado geralmente associado com o arroz em todas as comunidades do território e o volume de produção pode variar de uma safra a outra. É plantado de preferência no mês de dezembro, podendo haver variações da época em função da frequência das chuvas. Se desenvolve melhor em baixas altitudes (Ariel, Beltrão e Firmino, 2009), como as da região da Chapada dos Veadeiros.A colheita é realizada a partir de junho, depois do arroz (Fernandes, 2014). Não é necessário uma grande quantidade de chuvas para garantir o desenvolvimento dos grãos. A chamada “torta”, resíduo da prensagem das sementes, contém aproximadamente 40% de proteínas e 13% de resíduo mineral.
A semente do gergelim é muito rica em gordura, com média de rendimento de 50% do seu peso em óleo, o que o faz ser considerado um produto de bom rendimento.
O gergelim Kalunga é ligado às comunidades tradicionais que compõem todo o território Kalunga, nos municípios de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre, sendo que a comunidade do Vão do Moleque é a que tem conseguido comercializar mais o excedente da produção de gergelim. No Vão do Moleque, segundo dados do IBGE, viviam em 2013, 390 famílias, cerca de 1950 pessoas. Se destacam também as comunidades do Vão de Almas e Riachão.
Os Kalungas cultivam dois tipos de gergelim: um mais claro, chamado pelos locais de “gergelim branco”, e outro mais escuro, o “gergelim preto”. O gergelim branco é o mais cultivado, pois é utilizado com maior frequência na gastronomia. O ingrediente é procurado com mais frequência pelo consumidor em comparação ao outro tipo de gergelim.
O de cor preta é produzido em menor quantidade. Apresenta uma camada mais grossa que costuma amargar quando torrada, a exemplo do preparo da tradicional paçoca Kalunga, característica que limita o consumo. Atualmente o gergelim Kalunga representa uma potência comercial para as comunidades do território. O gergelim in natura é muito procurado pelos comerciantes da região e por isso é bastante vendido nas cidades de Alto Paraíso e Cavalcante. A produção da planta tem aumentado no território nos últimos anos. O crescimento da demanda também contribui para o aumento do valor de mercado. Mesmo com seu ótimo valor comercial, as famílias produtoras costumam armazenar cerca de 8 a 10 litros de gergelim in natura para autoconsumo e para que sirva de semente para a safra seguinte (Fernandes, 2014).
O gergelim na gastronomia Kalunga é consumido principalmente torrado e na forma de paçoca, preparo que faz parte do receituário tradicional Kalunga, bastante apreciada pelas comunidades e com aroma marcante, onde o ingrediente é macerado em pilão de madeira. O gergelim Kalunga também já é bastante utilizado em diversos produtos derivados e pratos de restaurantes da região, como em saladas e pratos salgados, além de ser usado em óleos, biscoitos, pães e bolos.
O óleo de gergelim, assim como o de coco (indaiá) e a banha eram as principais gorduras utilizadas no preparo de alimentos (Ungarelli, 2009), porém já vêm sendo substituídos por óleos industrializados (soja principalmente) em algumas comunidades.
Apesar de ainda muito apreciado na culinária local, a produção de óleo de gergelim pelas famílias Kalunga é pequena, não ultrapassando mais de 4 litros por ano por família.
Indicação por Valdir Fernandes da Cunha e Sara Campos
Pesquisa e revisão por Sara Campos e Ligia Meneguello
Referência: Cultura do gergelim (sesamum indicum L.) no nordeste do Brasil. NAPOLEAO ESBERARD DE MACEDO BELTRAO, CNPA; ELEUSIO CURVELO FREIRE, CNPA. Campina Grande, 1986.
Disponível em:
https://slowfoodbrasil.org.br/arca_do_gosto/gergelim-kalunga/
Este produto foi indicado no âmbito do projeto

Nas roças das famílias Kalunga o gergelim é utilizado para cercar o milho crioulo e é base da alimentação local.
Receita de Paçoca de gergelim:
– 1 xícara gergelim branco
– 2/3 xícara rapadura
– 1 xícara água
– pitada de canela e cravo
Toste o gergelim em uma panela em fogo baixo e depois triture até formar uma farinha. Derreta a rapadura com a água e quando formar o caldo, adicione a farinha de gergelim com as especiarias. Mexa até pegar o ponto de doce, e tá pronto.
