Variabilidade da precipitação no Cerrado e sua correlação com a mudança no uso da terra

Variabilidade da precipitação no Cerrado e sua correlação com a mudança no uso da terra

Autor(a):

Juliana de Oliveira Campos

Resumo:

Simulações com modelos climáticos indicam que a conversão do Cerrado natural em lavouras e pastagens tem o potencial de alterar a precipitação regional por meio de alterações nos processos biofísicos da vegetação, incluindo mudanças no albedo, rugosidade aerodinâmica e evapotranspiração. Entretanto, isso ainda não foi comprovado por dados observados. Uma vez que aquele bioma já perdeu metade da sua cobertura natural, faz-se necessário entender a relação vegetação – clima, e verificar se impactos da conversão do Cerrado na precipitação já são evidentes. Assim, o objetivo do presente estudo foi avaliar a variação da precipitação regional do Cerrado nas últimas décadas, e correlacioná-la com o desmatamento do bioma. Para tanto, foram realizadas diferentes análises de tendência de séries temporais de precipitação anual e mensal de 125 estações pluviométricas do Cerrado, no período entre 1977 e 2010, incluindo LOWESS (LW), Mann-Kendall (MK), Theil-Sen (TS), e Pettitt (PT). O estudo analisou o bioma Cerrado como um todo, bem como suas regiões Setentrional e Meridional separadamente, já que seus padrões de desmatamento são distintos. O teste de MK indicou que 71% dos postos analisados apresentaram tendência de queda em P anual, sendo que 14% apresentaram tendência significativa a 95% de probabilidade, predominantemente na região Meridional, com maior desmatamento. Apenas 28% dos postos apresentaram tendência de aumento, sendo que 1% desses foi significativo. Em média, a precipitação noCerrado diminuiu 8,4% (125mm) no período estudado, e 10,6% e 4,7% nas regiões Meridional e Setentrional, respectivamente. Apesar da correlação negativa (r = – 0,31) observada entre a precipitação média anual no bioma e o desmatamento não ter sido significativa (p =0,07) no período, outras evidências indicam uma relação já existente entre aquelas variáveis. Dentre elas estão a maior redução da precipitação nas áreas desmatadas em oposição às áreas com vegetação e a similaridade com os resultados esperados pelos modelos climáticos, como o prolongamento da estação seca.

Referência:

CAMPOS, Juliana de Oliveira. Variabilidade da precipitação no Cerrado e sua correlação com a mudança no uso da terra. 2018. xvi, 132 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

Disponível em:

Custeio Baseado em Atividades (ABC) aplicado ao processo de produção de sementes do cerrado nos domínios do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

Custeio Baseado em Atividades (ABC) aplicado ao processo de produção de sementes do cerrado nos domínios do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Autor(a):

Lucas Francisco de Dominicis

Resumo:

As sementes nativas representam a base do setor de restauração florestal e o mercado tem mostrado uma demanda crescente em virtude das novas técnicas de restauração ecológica utilizadas em projetos ambientais, que por sua vez atendem a exigências legais e políticas públicas ambientais. Em vias de um mercado que tende a crescer e consequentemente necessite da estruturação no que diz respeito a comercialização das sementes, o conhecimento dos custos envolvidos no processo de produção se torna uma tarefa necessária. Atualmente os preços das sementes são atribuídos de maneira arbitrária, levando-se em conta, na maioria das vezes, aspectos empíricos. Assim, esta pesquisa objetivou o estudo de custos envolvidos no processo de produção de sementes nativas do Cerrado. Para isso, inicialmente, foi realizado um diagnóstico da produção das sementes do Cerrado destinadas à restauração ecológica de áreas no interior Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros visando contextualizar a atividade na região com uso de dados primários. Para o estudo dos custos, recorreu-se à Contabilidade de Custos, utilizando-se a metodologia do Custeio Baseado em Atividades. Foram selecionadas 11 espécies, entre herbáceas e arbustivas mais utilizados nos plantios por semeadura direta em campos e savanas. O estudo foi conduzido em uma empresa de consultoria ambiental responsável pela coleta de sementes e o plantio das áreas. Os dados foram coletados entre os meses de março e junho de 2016. As atividades que representaram o consumo dos recursos foram: coleta, beneficiamento e armazenamento. Os valores obtidos demostraram que a maior parcela de recursos consumidos é atribuída à atividade de coleta, representando 70% do total do consumo dos recursos. Os recursos que mais foram consumidos foram mão de obra, seguido pelo consumo de combustível. Os valores obtidos para o custeio das espécies variaram entre R$ 3,81 para o kg do Andropogon nativo (Andropogon fastigiatus) e R$ 45,09 para o kg do Anduzinho (Crotalaria sp.). Dessas espécies, seis foram as que representaram lucros para o coletor na análise de rentabilidade no cenário esperado. Os resultados mostram que a aplicação do ABC foi capaz de monitorar com maior precisão o consumo de recursos gastos na produção de sementes nativas do Cerrado, gerando informações fidedignas que possam contribuir no custeio e precificação das sementes nativas do Cerrado.

Referência:

DOMINICIS, Lucas Francisco de. Custeio Baseado em Atividades (ABC) aplicado ao processo de produção de sementes do cerrado nos domínios do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. 2017. xv, 85 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) Universidade de Brasília, Brasília, 2017.

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Fitogeografia da vegetação arbustivo-arbórea em áreas de cerrado rupestre no Estado de Goiás

Fitogeografia da vegetação arbustivo-arbórea em áreas de cerrado rupestre no Estado de Goiás

Autor(a):

Tassiana Reis Rodrigues dos Santos 

Resumo:

O cerrado rupestre é um subtipo do cerrado sentido restrito que geralmente ocorre em ambientes com afloramentos rochosos e predominantemente em Neossolos Litólicos. O presente estudo é o primeiro de caráter fitogeográfico para o cerrado rupestre no Estado de Goiás e tem como objetivo avaliar a composição florística da vegetação arbustivo-arbórea e analisar a distribuição espacial das espécies em dez áreas. A amostragem foi padronizada para todas as áreas, onde foram estabelecidas dez parcelas de 20 × 50 m, totalizando 1 ha para cada área. Todos os indivíduos com diâmetro a 30 cm do solo – DAS ≥ 5 cm foram incluídos na amostragem. Os dados ambientais coletados foram: temperatura máxima, declividade, altitude, pH e textura do solo (areia, silte e argila). A análise da vegetação foi realizada por meio da similaridade florística calculada pelo índice de Sørensen (qualitativo) e Czekanowski (quantitativo), como também pelas análises multivariadas de classificação (TWINSPAN) e ordenação (CCA). Nas dez áreas inventariadas foram amostrados 13.041 indivíduos arbustivo-arbóreos, pertencentes a 219 espécies, distribuídas em 129 gêneros e 54 famílias botânicas. Fabaceae foi a família mais representativa, seguida por Myrtaceae, Melastomataceae, Vochysiaceae, Malphigiaceae e Rubiaceae. Dentre as espécies amostradas, vinte e seis (11,87% do total) foram consideradas raras e apenas nove (4,10%) apresentaram distribuição restrita a ambientes rupestres. Os valores de similaridade florística pelo índice de Sørensen > 0,50 entre as dez áreas representaram um valor médio de 42,3%. Para o índice de Czekanowski, todos os valores foram < 0,50, com exceção de um. A classificação pela técnica de TWINSPAN gerou quatro divisões. De modo geral, a baixa densidade das espécies indicadoras em quase todas as divisões foi responsável pela formação dos grupos. A ordenação pela técnica de CCA resultou em padrão de distribuição agrupada das áreas de cerrado rupestre analisadas, sendo o primeiro eixo influenciado pelo gradiente edáfico, com base na textura e no pH do solo e o segundo eixo com pouca expressividade na separação das áreas. Neste sentido, floristicamente, parece que as áreas de cerrado rupestre no Estado de Goiás são relativamente homogêneas e aparentemente o que as distinguem é o tamanho das populações das espécies arbustivo-arbóreas.

Referência:

SANTOS, Tassiana Reis Rodrigues dos. Fitogeografia da vegetação arbustivo-arbórea em áreas de cerrado rupestre no Estado de Goiás. 2011. 99 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)-Universidade de Brasília, Brasília, 2011.

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O cerrado sentido restrito sobre dois substratos no Brasil Central: padrões da flora lenhosa e correlações com variáveis geoedafoclimáticas

O cerrado sentido restrito sobre dois substratos no Brasil Central: padrões da flora lenhosa e correlações com variáveis geoedafoclimáticas

Autor(a):

Henrique Augusto Mews

Resumo:

No Brasil Central, área core do Cerrado, formações savânicas que ocorrem em relevo plano e solos profundos (Cerrado Típico – CT) têm sido largamente convertidas em ecossistemas agropastoris. Por outro lado, formações savânicas em relevo íngreme e solos rasos e com afloramentos de rocha (Cerrado Rupestre – CR) têm sido apontadas como futuros refúgios de biodiversidade na região. Neste estudo, comparamos as composições florística (presença/ausência) e florístico-estrutural (ocorrência e abundância) e a diversidade alfa de espécies lenhosas entre CT e CR (10 amostras de 1 ha em cada) e apontamos as implicações dos nossos achados para a conservação desses ambientes. Adicionalmente, investigamos a relação da variação na composição florístico-estrutural com variáveis geoedafoclimáticas para desvendar as causas desta dissimilaridade. Encontramos que sítios adjacentes de CT e CR diferem em relação à composição florístico-estrutural, mas não em ocorrência e diversidade alfa de espécies. Nossos resultados mostraram também que a dissimilaridade florístico-estrutural está correlacionada com as variáveis geoedafoclimáticas e corresponde, principalmente, às variações nos solos (principalmente disponibilidade de nutrientes) e na topografia (relevo e altitude). Estes resultados têm implicações cruciais à conservação, pois tornam claro que CT e CR são complementares, mas não equivalentes em termos da representatividade da vegetação savânica no Brasil Central. Sugerimos que isso seja considerado em iniciativas de conservação e na criação ou ampliação de Unidades de Conservação. Nossos achados também revelaram que o componente edáfico pode, por si só, explicar a maior parte da variação florístico-estrutural entre ambientes savânicos do Cerrado cujos substratos sejam distintos.

Referência:

MEWS, Henrique Augusto. O cerrado sentido restrito sobre dois substratos no Brasil Central: padrões da flora lenhosa e correlações com variáveis geoedafoclimáticas. 2014. Xi, 78 f. Tese (Doutorado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

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Dinâmica e modelagem do estoque de carbono no fuste da vegetação arbustivo/arbórea de duas fitofisionomias do bioma Cerrado em Mato Grosso – Brasil

Dinâmica e modelagem do estoque de carbono no fuste da vegetação arbustivo/arbórea de duas fitofisionomias do bioma Cerrado em Mato Grosso - Brasil

Autor(a):

Flávia Richelli Pirani

Resumo:

O ciclo global do carbono é diretamente influenciado pelos ecossistemas tropicais, pois as florestas e savanas tropicais são expressivas fontes de sequestro e armazenamento de carbono. No entanto, esses ambientes podem emitir grandes quantidades de CO2 para atmosfera através do uso indevido da terra. O Cerrado, segundo maior bioma brasileiro, considerado savana tropical, tem sido degradado, podendo assim causar grandes emissões de gases do efeito estufa. Nesta pesquisa, estudamos a dinâmica e modelagem do estoque de carbono no fuste da vegetação arbustivo/arbórea do Cerrado Típico e Floresta Estacional Semidecidual (formações do bioma Cerrado), com o objetivo de quantificar o estoque de carbono no fuste da vegetação, avaliar sua variação ao longo do tempo, e verificar a influência do fogo sobre os estoques. O estudo foi conduzido no Parque Estadual da Serra Azul, Barra do Garças – MT. Foram utilizadas parcelas permanentes implantadas nas duas fitofisionomias de estudo desde 2006 e que ocasionalmente foram impactadas por queimadas. Os estoques de carbono por indivíduo de todas as espécies arbóreas dentro das parcelas foram mensurados em cada ano de monitoramento. Modelos alométricos e de prognose (projetados em 60 meses) foram ajustados ao banco de dados com o intuito de encontrar a melhor equação para a estimativa dos estoques. Além disso, o índice de valor de importância ampliado (IVIA) considerando a variável carbono para cada espécie foi calculado. Os resultados mostraram que os estoques de carbono após ocorrência de fogo diminuíram e que quando o fogo teve intervalos curtos o estoque de carbono não se recuperou. Encontramos que, em nove anos de monitoramento, o incremento de carbono foi negativo para as duas vegetações. A respeito da projeção em 60 meses, considerando que a vegetação foi acometida por competição e fogo, a estimativa apresentou redução do estoque de carbono no Cerrado Típico e crescimento na Floresta Estacional. Ainda, podese inferir que houve mudanças no ranking de importância das espécies quando o potencial de estocagem de carbono por espécies foi avaliado. Concluiu-se que o regime de queimadas pode estar influenciando os estoques de carbono na vegetação de Cerrado Típico e Floresta Estacional e que as vegetações estudadas investem tanto em densidade quanto em dominância para a manutenção dos estoques de carbono.

Referência:

PIRANI, Flávia Richelli. Dinâmica e modelagem do estoque de carbono no fuste da vegetação arbustivo/arbórea de duas fitofisionomias do bioma Cerrado em Mato Grosso – Brasil. 2016. xiv, 89 f., il. Tese (Doutorado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016.

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Estimativa de biomassa e combustível em diferentes fitofisionomias do Cerrado

Estimativa de biomassa e combustível em diferentes fitofisionomias do Cerrado

Autor(a):

Larissa Moreira Alves Granado

Resumo:

Apesar de toda importância ecológica do Cerrado, o bioma tem sido degradado devido ao desmatamento e as atividades antrópicas que têm alterado significativamente o regime do fogo, sejam elas por meio de prática direta de uso do solo ou indireta a partir de mudanças climáticas. Por contas dessas transformações, o Cerrado é um dos biomas vegetais mais ameaçados da América do Sul e necessita de melhorias na criação de políticas de manejo e conservação. O conhecimento das formações vegetais, juntamente com a quantificação de biomassa e carga de combustível, pode auxiliar no controle e na preservação, pois proporciona insumo para o manejo de áreas no Cerrado. Assim, o objetivo deste trabalho foi estimar a biomassa área da vegetação e a biomassa de combustível, utilizando dados derivados de sensoriamento remoto em diferentes fitofisionomias do Cerrado, a fim de gerar uma equação que capte a variação dessas variáveis dentro das fisionomias do Cerrado. Para isso, foi gerado uma regressão entre a biomassa e os índices de vegetação, em que a biomassa foi estimada a partir de equações alométricas e os índices de vegetação foram estimados a partir dos satélites RapidEye e Landsat 5 TM. A precisão das equações foi avaliada pela correlação entre os valores estimados e os observados (R²), pelo erro-padrão da média (E) e pela distribuição dos gráficos de resíduos. Após essa análise, foi realizada uma nova regressão correlacionando a biomassa com o combustível. A partir das equações geradas, foi possível obter o mapa de cobertura da biomassa aérea e do combustível. Os resultados mostraram que as equações de regressão para a quantificação da biomassa aérea e do combustível apresentaram significativos valores estatísticos. O índice de vegetação melhorado (EVI), com R²= 0,77 e E =51,1%, foi o melhor índice para estimativa de biomassa a partir do satélite Landsat 5 TM e o índice de diferença normalizada red-edge (NDRE), com R² = 0,87 e E= 30,39%, foi o melhor índice para estimativa de biomassa a partir de imagens do RapidEye. Baseado nos valores de biomassa foi gerado uma equação para estimativa da variação de combustível dentro das fitofisionomias. A equação apresentou R² = 0,78 e erro padrão de 18%, portanto os índices de vegetação foram eficazes na estimativa de biomassa e combustível para diferentes fitofisionomias do Cerrado. Com esses dados, foram gerados mapas de distribuição de biomassa aérea e combustível. Tais informações são fundamentais para definição de política de manejo, controle e prevenção de incêndios e até mesmo na mitigação da emissão de gases do efeito estufa.

Referência:

GRANADO, Larissa Moreira Alves. Estimativa de biomassa e combustível em diferentes fitofisionomias do Cerrado. 2019. 71 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2019.

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Uma abordagem econômica ao marketing verde no Bioma Cerrado

Uma abordagem econômica ao marketing verde no Bioma Cerrado

Autor(a):

Keila Lima Sanches

Resumo:

O estudo foi realizado com o objetivo de analisar a percepção da população do Bioma Cerrado em relação às atividades econômicas florestais com apelo sustentável na região, observando-se aspectos socioeconômicos e, especialmente, o papel do Marketing Verde neste contexto, assim como a sua importância no resultado econômico de empreendimentos. Para isso, foram feitas entrevistas com uma amostra da população local, no intuito de captar a disposição a pagar (DAP) por bens e/ou serviços ecológicos da população, bem como definir os perfis socioeconômicos e também a distribuição espacial dessa demanda. Além disso, selecionou-se um empreendimento dentro do Bioma Cerrado para a aplicação de estratégias de Marketing Verde, no intuito de verificar o resultado financeiro frente a estas ações. A partir de análises estatísticas e econômicas, constatou-se a potencialidade da região do referido Bioma, para aplicação de estratégias de Marketing Verde. Observou-se que quase 90% da população nunca ouviram falar das atividades econômicas relacionadas a Mercado de Crédito de Carbono e Pagamento por Serviços Ambientais, destacando-se apenas o turismo ecológico como uma atividade relativamente conhecida. Observouse também que a classe de DAP=10% teve a maior preferência por parte da população estudada e o gênero feminino é o que se sente mais atraído por esses produtos. As rendas menores apresentaram grande número de indivíduos com DAP=10%, o qual foi predominante para toda a região do Bioma Cerrado. As regiões norte e nordeste apresentaram a menor quantidade de indivíduos com DAP>0, contrapondo-se às regiões sudeste e centro-oeste. Foi demonstrado que as variáveis escolaridade (E), influência do Marketing Verde (M), participação na geração de renda familiar (T) e histórico de utilização de PFNM (H), e as variáveis espaciais das Unidades federativas (MT, MG, MA, PI, BA e TO) contribuem para explicar a reação dos respondentes quanto à disposição a pagar (1) ou não (0) pelos bens ou serviços ecológicos. Com o estudo de caso, observou-se que a aplicação do Marketing Verde contribui para o aumento da lucratividade de empreendimentos. Com este estudo foram geradas importantes informações que podem ser utilizadas pelos gestores, públicos e privados, permitindo que direcionem seus planejamentos estratégicos. Neste sentido, ressaltou-se o papel do Estado como o principal agente norteador para a população, detendo de uma grande responsabilidade nos quesitos de orientação, incentivo e fiscalização do mercado verde. Além da necessidade de informações orientadoras a partir de um marketing verde aplicado, também se constatou a necessidade de melhoria nas condições financeiras de grande parte da população, para que estes se sintam dispostos a usufruir dos bens ou serviços ecológicos. Diante das informações geradas, espera-se que este estudo possa colaborar para a difusão do marketing verde como uma importante ferramenta para conservação do Bioma Cerrado.

Referência:

SANCHES, Keila Lima. Uma abordagem econômica ao marketing verde no Bioma Cerrado. 2014. xvii, 140 f., il. Tese (Doutorado em Engenharia Florestal)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

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Sucessão secundária em área de cerrado sensu stricto durante um período de 23 anos após intervenções silviculturais

Sucessão secundária em área de cerrado sensu stricto durante um período de 23 anos após intervenções silviculturais

Autor(a):

Lamartine Soares Cardoso de Oliveira

Resumo:

No Brasil, as áreas de Cerrado têm sido amplamente degradadas, sobretudo pela expansão das fronteiras agropecuárias, a intensificação da exploração mineral e o crescimento urbano, associados, principalmente, ao desmatamento. Neste estudo, investigaram-se a dinâmica e a recuperação da florística, da estrutura e da produção em volume e em estoque de carbono de uma comunidade lenhosa de cerrado sensu stricto localizado na Reserva Ecológica e Experimental da Universidade de Brasília – Fazenda Água Limpa (FAL), Distrito Federal, Brasil, no período de 1996 a 2011. Em 1988, foram selecionadas, aleatoriamente, três áreas (blocos) de 192 x 216 m, cobertas por cerrado sensu stricto. Em cada área foi realizada a supressão da vegetação por meio de seis tratamentos silviculturais: T1 – corte com motosserra e retirada da lenha; T2 – corte com motosserra, retirada da lenha e fogo; T3 – remoção com lâmina e retirada da lenha; T4 – remoção com lâmina, retirada da lenha e fogo; T5 – remoção com lâmina, retirada da lenha e duas gradagens e T6 – corte com motosserra, retirada da lenha, fogo, destoca e duas gradagens. Verificou-se, com base nos resultados obtidos ao longo de cada período de monitoramento, uma tendência sucessional clara, com o recrutamento de novas espécies e um aumento das características estruturais nas áreas submetidas aos diferentes tratamentos. Assim, cerca de 23 anos após os distúrbios, foram registradas 73 espécies lenhosas em toda área experimental e o grau de ocupação nas áreas cerrado sensu stricto submetidas aos tratamentos T1, T2, T3, T4, T5 e T6 foi, respectivamente, de 2.727; 2787; 2.900; 2.597; 2.457 e 2.960 indivíduos.ha-1 (densidade) e 12,29; 12,54;12,18; 12,79; 12,40 e 13,37 m².ha- ¹ (área basal). Em termos de mortalidade, recrutamento e crescimento das comunidades lenhosas, em volume e em estoque de carbono, não foi possível definir com clareza as diferenças entre os seis tratamentos analisados. No geral, verificou-se que a dinâmica da vegetação lenhosa de cerrado sensu stricto é mais notável entre os períodos de monitoramentos e que áreasforam capaze de resistir aos diferentes tratamentos silviculturais testados, retomando seu estabelecimento natural e recuperando características típicas dessa fitofisionomia.

Referência:

OLIVEIRA, Lamartine Soares Cardoso de. Sucessão secundária em área de cerrado sensu stricto durante um período de 23 anos após intervenções silviculturais. 2014. xvi, 114 f., il. Tese (Doutorado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

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Vegetação arbustivo-árborea em áreas de cerrado típico e cerrado rupestre no estado de Tocantins

Vegetação arbustivo-árborea em áreas de cerrado típico e cerrado rupestre no estado de Tocantins

Autor(a):

Helena Lara Lemos

Resumo:

A heterogeneidade da vegetação do Cerrado é apontada como resultado das mudanças ambientais e espaciais. Nesse sentido nosso objetivo foi descrever e comparar a composição florístico-estrutural, riqueza e diversidade da vegetação arbustivo-arbórea avaliando o efeito do espaço e do ambiente na similaridade de pares adjacentes de Cerrado Típico e Cerrado Rupestre no Estado de Tocantins. Para amostragem da vegetação alocamos dez parcelas de 20 x 50 m e inventariamos os indivíduos arbustivo-arbóreos vivos com diâmetro a 30 cm do solo ≥ 5 cm. As variáveis ambientais foram: altitude, rochosidade, precipitação média anual e propriedades edáficas (teores de areia, pH, soma de bases, capacidade de troca catiônica e matéria orgânica). Analisamos a vegetação através de curvas de rarefação, perfil de diversidade, parâmetros fitossociológicos, distribuição dos indivíduos em classes de diâmetro e altura, TWINSPAN, NMDS e sua relação com o ambiente pela CCA, incluindo filtros espaciais (MEMs) para controlar possível efeito da estrutura espacial dos dados. Realizamos a partição da variância para quantificar quanto o espaço e o ambiente explicam a variação vegetacional. Das 144 espécies inventariadas 19 foram comuns aos quatro sítios e 71 ocorreram em apenas um. Fabaceae foi a família mais representativa seguida por Vochysiaceae e Myrtaceae. Os sítios rupestres apresentaram menores densidades que os típicos, tendência não evidenciada para a área basal. Os quatro sítios tiveram forte separação devido às condições ambientais (altitude e rochosidade) e recursos ambientais (fertilidade do solo), de modo que, tanto áreas adjacentes de diferentes fitofisionomias e áreas de mesma fitofisionomia distantes entre si são menos similares que as áreas sob mesma condição ambiental. As condições e recursos ambientais aliados ao espaço, em escala local, exerceram forte influência sobre a vegetação e explicaram mais de 50% da variação da vegetação. Assim, a heterogeneidade da vegetação nos sítios de Cerrado Rupestre e Cerrado Típico no Estado do Tocantins parece estar relacionada com a heterogeneidade ambiental local, em ação conjunta com a espacial.

Referência:

LEMOS, Helena Lara. Vegetação arbustivo-árborea em áreas de cerrado típico e cerrado rupestre no estado de Tocantins. 2013. xiii, 82 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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Cerrado com C ou com S?: modelagem de cenários futuros para o bioma

Cerrado com C ou com S?: modelagem de cenários futuros para o bioma

Autor(a):

Yuri Botelho Salmona

Resumo:

O Cerrado vem sendo desmatado a taxas superiores às da Amazônia, já tendo perdido metade de sua área de vegetação nativa, principalmente para agropecuária. Tal situação levanta várias questões, entre elas: qual o futuro do Cerrado? Norteado por essa pergunta, o presente trabalho desenvolveu três cenários paras as próximas cinco décadas: um de Bussines as usual (BAU), um de Intensificação do Desmatamento (ID) e um de Implementação de Políticas Conservacionistas (IPC). Todos os cenários foram elaborados a partir do uso de rede neural de multicamadas subsidiada por cadeia de Markov e pós-validado. Os resultados mostraram paisagens distintas para o ano de 2060. Enquanto o cenário BAU manteve 22,4% da vegetação nativa espalhada em pequenos fragmentos, o cenário IPC reteve a mesma área do BAU, porém com grandes fragmentos agregados ou próximos. Já para o cenário ID, não haverá nenhum fragmento de Cerrado. Independente de qual cenário mais se aproximará da realidade futura, fica evidente a eminente necessidade de implementação de melhores políticas voltadas para a gestão e conservação do bioma, a fim de proporcionar paisagens com uso inteligentes, que mantenham fragmentos de vegetação nativa promotores de serviços ecossistêmicos essências à vida, de maneira compatibilizada com a produção de alimentos e demais atividades humanas.

Referência:

SALMONA, Yuri Botelho. Cerrado com C ou com S?: modelagem de cenários futuros para o bioma. 2013. 75 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciência Florestal)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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