Diversidade beta na vegetação da bacia do Rio Paracatu – MG

Diversidade beta na vegetação da bacia do Rio Paracatu - MG

Autor(a):

Fernanda Gomes Ferreira

Resumo:

A grande importância ecológica do Cerrado o torna conhecido dentre os principais biomas em termos de riqueza e biodiversidade. Desta forma, para que a vegetação do Cerrado seja efetivamente protegida, são necessários estudos que reconheçam os arranjos nas comunidades e seu grau de heterogeneidade florística, que podem ser estudados por meio de parâmetros de diversidade em escalas regionais e locais. Conhecer as diversidades alfa e beta, bem como obter informações a respeito da estrutura de áreas no Cerrado, é de fundamental importância para delinear estratégias de recomposição de ambientes degradados, selecionar áreas para conservação com base em critérios ecológicos, descrever padrões fitogeográficos em escala regional, bem como os processos biológicos nesta vegetação. Este trabalho testa a hipótese de que na bacia do Rio Paracatu a sobreposição de espécies na flora é alta, por isso a diversidade beta naquela região é baixa. Para tanto, os principais objetivos deste trabalho foram: estudar a estrutura na comunidade do cerrado sentido restrito associado à Neossolo Flúvico localizado na bacia do Rio Paracatu (Capítulo: Diversidade e estrutura no cerrado sentido restrito em Neossolo Flúvico nas margens do rio Paracatu, Paracatu (MG)) e investigar a florística e a sobreposição de espécies na Bacia do Rio Paracatu (Capítulo: Diversidade alfa e beta entre quatro comunidades florestais na bacia do Rio Paracatu-MG, Brasil). Para atingir os objetivos propostos foram realizados levantamentos fitossociológicos em quatro fitofisionomias: cerrado sentido restrito, cerradão, mata seca decídua e mata ciliar, todos localizados na bacia do Rio Paracatu – MG. Cada fitofisionomia foi amostrada conforme metodologia descrita no Manual para o Monitoramento de Parcelas.
Permanentes nos Biomas Cerrado e Pantanal.

Referência:

FERREIRA, Fernanda Gomes. Diversidade beta na vegetação da bacia do Rio Paracatu – MG. 2010. 99 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)-Universidade de Brasília, Brasília, 2010.

Disponível em:

Caracterização de trocas de energia e evolução da camada limite atmosférica no cerrado

Caracterização de trocas de energia e evolução da camada limite atmosférica no cerrado.

Autor(a):

Luis Aramis dos Reis Pinheiro

Resumo:

O bioma Cerrado ocupa toda a região do Brasil Central e é o ecossistema do tipo savana mais rico do mundo em biodiversidade. Consiste de um mosaico de habitats variados, compreendendo campos abertos, florestas densas e florestas secas. Entretanto, o processo de ocupação humana também o transformou em um dos biomas mais ameaçados com crescentes taxas anuais de desmatamento da ordem de 0,7 % ao ano de 2002 a 2008. Dentre as perturbações ao cerrado destaca-se a cultura do Eucalyptus para fins energéticos e demais usos como aplicações na construção civil, que vem crescendo nos últimos anos, inclusive com incentivos governamentais. No entanto, esses usos causam impactos sobre os fluxos hídricos e de calor dos ambientes alterados. Este trabalho tem por objetivo a caracterização dos fluxos de energia e da evolução da Camada Limite Atmosférica (CLA) para capturar feedbacks entre solo-vegetação-atmosfera. A metodologia se baseou na implementação de estudos de laboratório e campo para estudar os efeitos da substituição da floresta de cerrado por Eucalyptus na dinâmica de trocas de energia entre biosfera e atmosfera a partir da medição de fluxos turbulentos de calor sensível e latente. Foram utilizados para estudos de correlações da resistência estomática, estimada pela equação combinada para cálculo de fluxo de calor latente, com o déficit de vapor de pressão (VPD). Modelos de camadas foram utilizados pra estudar o desencadeamento de chuvas convectivas com análise do cruzamento da altura da CLA (hBL) e do nível de condensação de vapor (hLCL), e da evolução da CLA sobre as florestas. No que concerne a regulação estomática da transpiração notou-se forte correlação entre resistência estomática e VPD nas estações seca e úmida estudadas, especialmente nesta última. Para estação seca, foram observados os maiores valores de resistência ao fluxo devido a estresse hídrico. Observou-se que a evolução e o cruzamentos de hBL e hLCL seguidas de precipitação, caracterizando precipitação do tipo convectiva (com maior influência das condições da superfície), ocorreram nos períodos de transição entre estações de maneira mais consistente que nas estações bem estabelecidas. Sendo assim, fases de transição são mais suscetíveis a serem afetadas a alterações do uso da terra de cerrado para Eucalyptus. Resultados preliminares do modelo indicam que a implantação de Eucalyptus tem efeito na redução da temperatura e altura da CLA e um aumento da razão de mistura de vapor de água na mesma. De modo geral, os modelos apresentaram-se promissores no estudo da evolução da CLA e nos fluxos de calor. Os resultados dos modelos sugerem que a mudança do uso da terra na região com a substituição de cerrado nativo por silviculturas, no caso por Eucalyptus, pode ter influência relevante no comportamento da Camada Limite Atmosférica e na micro-meteorologia local, alterações estas que devem ser consideradas na elaboração de políticas públicas a respeito do tema.

Referência:

PINHEIRO, Luis Aramis dos Reis. Caracterização de trocas de energia e evolução da camada limite atmosférica no cerrado. 2013. xvi, 85 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Mecânicas)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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Estratégias de revegetação de pastagem degradada em Patos de Minas – MG

Estratégias de revegetação de pastagem degradada em Patos de Minas – MG

Autor(a):

Vinícius de Morais Machado

Resumo:

Os estudos de recuperação de áreas degradadas evoluíram quanto às técnicas utilizadas ao longo dos anos e ainda há uma lacuna a ser preenchida por técnicas que visam o reestabelecimento das áreas degradadas do bioma Cerrado. Tais estudos ganharam notória importância visto que minimizam os impactos ambientais ao passo que readéquam áreas abandonadas ou com funções físicas, químicas, biológicas, e até mesmo econômicas, limitadas. O trabalho está estruturado em quatro capítulos que se diferenciam quanto as técnicas de recuperação utilizadas. Foi realizado uma investigação do banco de sementes do solo, que compreende as sementes em estado de dormência ou associadas à serapilheira, que em condições favoráveis, germinam e estabelece uma vegetação condizente com a composição potencial pós-degradação, chegando-se a conclusão de que o banco é caracterizado principalmente pela presença de espécies alóctones. Foi proposto o plantio de mudas em linhas utilizando diferentes condicionantes do solo para melhor desenvolvimento das mesmas, bem como, o plantio adensado em grupos de Anderson, na tentativa de promover o controle cultural das plantas infestantes no local de estudo. Nessas áreas em que se predominam as plantas infestantes o controle químico, por meio de herbicidas, principalmente à base de glyphosate torna-se mais eficiente e menos oneroso. Os herbicidas quando não aplicados com os equipamentos e recomendações adequadas podem gerar um efeito deriva resvalando nas mudas utilizadas no plantio de recuperação, causando danos às mesmas, logo, há a necessidade de encontrar espécies florestais que podem ser utilizadas na recuperação de áreas degradadas e que sejam menos sensíveis ao efeito da deriva do glyphosate, já que muitas áreas destinadas à recuperação são também limítrofes a campos agrícolas, de forma que torne possível facilitar o manejo das plantas infestantes promovendo o rápido desenvolvimento da espécie de interesse. Assim, o presente estudo tem por objetivo avaliar a composição e vigor do banco de sementes de solo, o desempenho das espécies sob diferentes condicionantes de solo, os grupos de Anderson e a sensibilidade de espécies nativas ao herbicida glyphosate no intuito de subsidiar programas de recuperação de áreas degradadas.

Referência:

MACHADO, Vinícius de Morais. Estratégias de revegetação de pastagem degradada em Patos de Minas – MG. 2018. 88 f., il. Tese (Doutorado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

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Dinâmica de comunidades vegetais em Cerrado típico com histórico de fogo no Distrito Federal

Dinâmica de comunidades vegetais em Cerrado típico com histórico de fogo no Distrito Federal

Autor(a):

Mary Naves da Silva Rios

Resumo:

O monitoramento da vegetação arbóreo-arbustiva e herbácea foi realizado em duas áreas de Cerrado sentido restrito em Planaltina (DF), de 1988 a 1994 e em 2012. Na Área 1 foram aplicadas queimadas bienais, em agosto de 1988 a 1992; já a Área 2 foi protegida do fogo de 1988 a julho de 1994. Em agosto de 1994 um fogo acidental atingiu as duas áreas, havendo proteção contra o fogo de 1995 a 2012. No monitoramento da vegetação arbóreo-arbustiva foram demarcadas 20 parcelas de 10mx10m em cada área de 1,25ha; em 1988 eram 10 parcelas de 20mx10m. Foram medidos o diâmetro e a altura de todos os indivíduos arbóreo-arbustivos que atingiam um metro ou mais de altura. A dinâmica da comunidade arbóreo-arbustiva foi analisada de 1991 a 1994. A biomassa aérea da vegetação arbóreo-arbustiva foi estimada de 1990 a 1994 e em 2012. A formação de rebrotas foi avaliada para espécies arbóreo-arbustivas que rebrotaram da base do caule e de estruturas subterrâneas, nas duas áreas. A formação de grupos funcionais foi avaliada de acordo com atributos funcionais das espécies arbóreo-arbustivas em 1994 e em 2012. No monitoramento da vegetação do estrato herbáceo foi empregado o método de interceptação na linha, onde foram anotadas as espécies até a altura de um metro. Análises florísticas e fitossociológicas foram feitas para o período de 1988 a 2012. Os resultados do levantamento das espécies arbóreo-arbustivas no período de 1988 a 2012 evidenciaram mudanças relacionadas à composição florística e à estrutura da comunidade. A riqueza de espécies se manteve, mas houve diferenças na diversidade entre a Área 1 e a Área 2. As duas áreas apresentaram similaridade florística em 2012. As queimadas bienais reduziram a densidade e a área basal, porém, a proteção contra o fogo, por 18 anos, aumentou a densidade e a área basal, nas duas áreas. A distribuição dos indivíduos vivos em classes de altura e de diâmetro, nas duas áreas, foi similar em todo período do estudo, no entanto, o fogo afetou, principalmente, os indivíduos nas menores classes de altura e de diâmetro. Os resultados de dinâmica mostraram que a incidência de queimadas aumentou a mortalidade e reduziu o recrutamento de indivíduos, e a proteção contra o fogo proporcionou maiores taxas de recrutamento e menores de mortalidade. A Área 1 foi mais dinâmica que a Área 2, com menores valores de tempo de meia vida e de substituição. A incidência de queimadas bienais diminuiu a biomassa aérea estimada no período de 1990 a 1994; a proteção contra o fogo por 18 anos favoreceu o aumento da biomassa aérea nas duas áreas. A incidência de queimadas bienais favoreceu a reprodução assexuada, com rebrotas basais ou subterrâneas na Área 1. Houve diferenças nos grupos funcionais formados nas duas áreas. A maior frequência do fogo, na Área 1, em 1994, reuniu espécies funcionalmente semelhantes, com menor diversidade de atributos. Por outro lado, o tempo de exclusão do fogo favoreceu algumas espécies e a maior diversidade de atributos em 2012. Quanto ao estrato herbáceo os resultados mostraram que as queimadas bienais não modificaram a riqueza e a diversidade no período de 1988 a 1994, e em 2012. A menor diversidade foi observada em 1988 e a maior em 1994, nas duas áreas; em 2012 a diversidade foi menor do que em 1994.

Referência:

RIOS, Mary Naves da Silva. Dinâmica de comunidades vegetais em Cerrado típico com histórico de fogo no Distrito Federal. 2016. xiv, 160 f., il. Tese (Doutorado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016.

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Modelagem da propagação radiomóvel no ambiente Cerrado nas faixas denominadas VHF/UHF

Modelagem da propagação radiomóvel no ambiente Cerrado nas faixas denominadas VHF/UHF

Autor(a):

Giovanni César Ganime Alves

Resumo:

O cerrado é um bioma que demanda, no seu entorno urbanizado, a conjugação de atividades produtivas e práticas restritivas para conservação do núcleo das reservas de proteção ambiental. Se por um lado, as áreas suburbanas precisam cada vez mais de um avançado sistema de comunicações móveis, por outro lado, as unidades de conservação circunvizinhas destas áreas habitadas precisam dessas facilidades, porém com mínima equipagem invasiva em seus ricos ecossistemas. A modelagem da propagação do canal móvel com ênfase no cerrado será abordada neste estudo com o objetivo de viabilizar o projeto de sistemas de comunicações móveis que atendam a esses segmentos. A faixa do espectro eletromagnético denominada de VHF/UHF, atualmente licenciada para transmissão de televisão, é altamente propícia a este cenário em termos do alcance e da adaptabilidade. O estudo da propagação no canal móvel baseado em modelos matemáticos determinísticos, empíricos, semi-empíricos e estatísticos foi realizado nas frequências de 144 MHz e 435 MHz, com ênfase na caracterização dos fenômenos genericamente denominados de desvanecimentos. Os dados experimentais advindos das campanhas de medição realizadas na Fazenda Água Limpa (FAL), sítio de permanente preservação ambiental e de desenvolvimento de estudos técnico-científicos da Universidade de Brasília (UnB), permitiram traçar perfis úteis à operação de comunicações móveis de última geração, validando assim o enfoque teórico da pesquisa. A FAL é um ambiente caracterizado pela predominância da matriz arbórea do tipo cerrado. Os dados experimentais foram compilados para o processamento e o pós-processamento utilizando-se de algoritmos computacionais especialmente desenvolvidas para este trabalho no âmbito do Laboratório de Estruturas de Micro-Ondas e Ondas Milimétricas (LEMOM), do Departamento de Engenharia Elétrica (ENE), da Faculdade de Tecnologia (FT), Universidade de Brasília. Algumas das contribuições da pesquisa podem ser elencadas no seguinte: inédita modelagem analítica dos parâmetros de propagação do bioma cerrado contrastando os resultados das estações chuvosa e seca; adaptação de um transceptor comercial para funcionar como gerador estável de sinal ajustável; e procedimentos para realização de campanhas de medição em ambientes desprovidos de infraestrutura.

Referência:

ALVES, Giovanni César Ganime. Modelagem da propagação radiomóvel no ambiente Cerrado nas faixas denominadas VHF/UHF. 2015. xv, 118 f., il. Tese (Doutorado em Engenharia Elétrica)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

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Árvores nativas do Cerrado na pastagem: por quê? Como? Quais?

Árvores nativas do Cerrado na pastagem: por quê? Como? Quais?

Autor(a):

Elisa Pereira Bruziguessi

Resumo:

A pecuária é atividade de grande importância no mundo. Pastagens ocupam 70% das áreas agrícolas mundiais e são, ainda hoje, a principal causa do desmatamento nos países tropicais. O Brasil é o maior exportador de carne e o segundo maior produtor. O Cerrado possui a maior extensão de pastagens do país e contem aproximadamente metade do rebanho nacional. Diante da importância e dos impactos desta atividade é necessário implantar práticas pecuárias que comportem melhor utilização e gestão dos recursos naturais. Sistemas silvipastoris (SSP) representam uma dessas alternativas, eles podem aumentar a produtividade e bem-estar animal além de permitir a manutenção de serviços ambientais. A tese aborda SSPs com árvores nativas do cerrado lato senso, modalidade ainda pouco estudada. Por meio do estudo das diferentes configurações deste tipo de SSP e das espécies arbóreas que o compõe (ou podem compor), pretende-se contribuir com o desafio de conciliar produção pecuária com produtos florestais, manutenção dos serviços ambientais, conservação da biodiversidade e da cultura local. Pretendeu-se conhecer a estrutura e a riqueza das árvores e seus regenerantes nesta modalidade de SSP. Foi realizado levantamento das árvores em 1 ha de SSP em cada uma das 47 áreas estudadas e dos regenerantes em 800m2 em 16 áreas na zona central do bioma Cerrado. Realizou-se entrevistas com 51 pecuaristas para diagnosticar as motivações e os desafios na adoção desta modalidade de SSP e conhecer de que forma eles manejam seus sistemas e influenciam na dinâmica desta vegetação. Pode-se perceber uma diversidade de configurações dos SSP contendo poucas até muitas árvores nas pastagens (de 6 a 503 árvores /ha), podendo apresentar elevada riqueza (4 a 45 espécies/ha). Os pecuaristas que possuem alta renda e intensificação técnica, raramente possuem elevada densidade de árvores nas pastagens, mas ainda assim apresentam grande amplitude de densidade e riqueza de árvores em seus SSPs. Esta amplitude foi ainda maior entre os que possuem menor renda e intensificação técnica. Os entrevistados mostraram conhecer bem as espécies que compõe seu SSP, as selecionam baseado em um conjunto de utilidades que elas geram como madeira, frutas e benefícios ao capim e aos animais. As pastagens demostraram elevada capacidade de regeneração arbórea e uma distribuição dos diâmetros que parece garantir a perpetuação dos SSPs. Diante da elevada riqueza arbórea do bioma Cerrado torna-se necessário conhecer quais as espécies que apresentam maior potencial para comporem SSPs. Com este objetivo foi realizada a caracterização de 23 espécies nativas do cerrado lato senso, frequentes nos SSPs, com foco em atributos úteis, capazes de influenciar estes sistemas. Utilizou-se um conjunto de informações provenientes de levantamento em campo, entrevistas e revisão de literatura. Detalhou-se características da arquitetura da copa das árvores, seus potenciais de gerar produtos úteis e comerciáveis, a capacidade de fixar nitrogênio ao solo, de associar-se a micorrizas e de influenciar a cobertura decapim sob suas copas; além de fornecer forragem ou causar efeitos indesejáveis aos animais. Estas informações podem embasar e encorajar pecuaristas na escolha das árvores nativas para compor seus SSPs. Para os casos em que as pastagens perderam a capacidade de regenerar, os pecuaristas podem desejar plantar espécies nativas. Verificou-se a viabilidade da semeadura direta para esta finalidade com 10 espécies do cerrado sentido restrito, plantadas em uma pastagem em Planaltina-DF. Houve 12 repetições (linhas), em cada uma plantou-se 60 sementes de cada espécie. Das 7.200 sementes plantadas, 47,8% emergiram e 26,5% estavam vivas após 42 meses do plantio, o que representa 2,7 plantas por metro linear. Esta alta densidade permite a escolhas dos indivíduos mais vigorosos e bem posicionados de acordo com as preferencias dos pecuaristas. O crescimento das plantas até os 42 meses foi muito lento, atingindo média de 28 cm para Caryocar brasiliensis, espécie que apresentou crescimento mais rápido. Uma alternativa é o consórcio com culturas agrícolas para aproveitamento da área enquanto estas árvores crescem. Sistemas silvipastoris com árvores do cerrado merecem ser melhor estudados, estimulados e aperfeiçoados já que conciliam a produção e conservação.

Referência:

BRUZIGUESSI, Elisa Pereira. Árvores nativas do Cerrado na pastagem: por quê? Como? Quais? 2016. 163 f., il. Tese (Doutorado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016.

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Efeitos dos incêndios florestais na vegetação do Cerrado utilizando dados do sensor MODIS​

Efeitos dos incêndios florestais na vegetação do Cerrado utilizando dados do sensor MODIS

Autor(a):

Gustavo Chaves Machado

Resumo:

O Cerrado é o bioma brasileiro não-Amazônico que perdeu sua vegetação natural de forma mais acelerada nas últimas décadas, muito afetadas também pelos incêndios florestais. Os incêndios florestais são considerados um grande problema ambiental para a vegetação do Cerrado. Vários estudos indicam o aumento da frequência e abrangência de tais incêndios, o que os tornam ainda mais severos e danosos ao meio ambiente. Os dados de sensoriamento remoto podem contribuir com a detecção e a quantificação dos impactos do fogo na vegetação do Cerrado. O presente estudo utilizou o Índice de Vegetação Melhorado (EVI) derivado de dados temporais adquiridos pelo sensor Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS) para estudo dos efeitos dos incêndios florestais na vegetação do Bioma Cerrado, no período de fevereiro de 2001 a dezembro de 2013. . Esta pesquisa enfocou a análise dos efeitos dos incêndios florestais nos remanescentes de vegetação do bioma. Para a caracterização dos tipos de vegetação, foi utilizado o mapeamento da Cobertura Vegetal do Bioma Cerrado elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) em escala 1:250.000. Foi utilizado um total de 302 imagens EVI livres de nuvens, resolução espacial de 250 metros, adquiridas da Administração Nacional Aeronáutica e Espacial Norte-americana (NASA). Os resultados do presente estudo indicam que os dados EVI são sensíveis aos diferentes tipos de vegetação e que a disponibilidade de água exerce um controlo de primeira ordem sobre a sazonalidade da vegetação afeta pelos incêndios. Para a média de todo o bioma os valores de EVI 48 dias pós incêndios florestais apresentaram-se 8,4 % maiores que os valores na véspera dos incêndios, em algumas tipologias de vegetação como Savana Estépica Parque, os valores apresentam-se 34% superiores a véspera. Já em outras tipologias como Floresta Estacional Semidecidual de Terras Baixas os valores se apresentam 28% menores. Observando isoladamento o acúmulo anual de incêndios verificou-se que valores médios de EVI nas amostras oscilam positiva e negativamente em no máximo 2% independente da quantidade de anos acumulados. Da estação seca para a chuvosa foi observado um incremento de 33% nos valores de EVI, o efeito dos incêndios na estação seca resultou em uma variação negativa significante de 2% no EVI. Já para a estação chuvosa a variação entre amostras com e sem incêndios não é significativa e é menor que 1%. Em relação a recuperação do vigor da vegetação, na média geral para os eventos de incêndios ocorridos no início da estação seca, a recuperação aos valores iniciais de EVI é superior a 180 dias (6meses). No entanto para eventos ocorrido no fim da estação seca (setembro/outubro), foi observado que 16 dias após o vigor da vegetação já era 5% superior ao estado inicial, 48 dias depois já ultrapassava os 21 % dos valores de EVI na véspera de ocorrência dos incêndios.

Referência:

MACHADO, Gustavo Chaves. Efeitos dos incêndios florestais na vegetação do Cerrado utilizando dados do sensor MODIS. 2015. xii, 53 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

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Concentração e estoque de nutrientes em seis espécies nativas do cerrado utilizadas em plantio de recuperação de área degradada, Paracatu – MG.

Concentração e estoque de nutrientes em seis espécies nativas do cerrado utilizadas em plantio de recuperação de área degradada, Paracatu - MG

Autor(a):

Amanda Caldas Porto

Resumo:

A degradação de áreas naturais tem ameaçado a conservação da biodiversidade e a integridade dos ecossistemas naturais. Como forma de mitigar os impactos negativos da degradação ambiental as ações de recuperação têm se mostrado cada vez mais necessárias e urgentes. Entretanto, para avaliar se o objetivo da recuperação foi atingido é necessário adotar parâmetros, que reflitam a saúde do ecossistema objeto de restauração. Um desses parâmetros que podem se utilizados são os aspectos nutricionais da vegetação, uma vez que, estes atributos estão ligados diretamente com o metabolismo da planta. Neste contexto, este trabalho tem como objetivo avaliar o estado nutricional e quantificar o estoque de macronutrientes em seis espécies nativas do Cerrado utilizadas em plantios de recuperação, no município de Paracatu – MG. Para isso foi realizado plantio baseado no Modelo Nativas do Bioma, que preconiza o uso de espécies de usos múltiplos e nativas do Cerrado. O estudo foi conduzido em uma área de pastagem abandonada localizada no município de Paracatu – MG. Para a análise de macronutrientes foram analisadas amostras de seis espécies nativas, todas da família Fabaceae, sendo duas de Cerrado Sentido Restrito (Platypodium elegans Vogel e Plathymenia reticulata Benth), duas de Mata Seca (Acacia polyphylla D.C e Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan) e duas de Mata de Galeria (Inga laurina (SW.) Willd. e Hymenaea courbaril L.). Foram coletadas amostra da parte aérea e subterrânea de duas mudas de cada espécie na época do plantio em campo e cinco amostras de cada espécie em cada tratamento (plantio em covas e plantio em sulcos), onze meses após o plantio. O solo nas áreas de plantios (covas e sulcos) foi analisado, quanto suas propriedades físico-químicas. Os solos dos dois tratamentos não foram considerados estatisticamente diferentes (Teste F, α = 0,05). De modo geral, os grupos fisionômicos apresentaram concentrações dentro do observado para a vegetação nativa do Cerrado. O teor de Cálcio foi o único elemento significativamente diferente entre os grupos fisionômicos, tanto na fase de mudas quando aos onze meses, sendo as espécies de Mata Seca as que apresentaram maior concentração desse nutriente. Estas espécies também foram as que apresentaram as maiores concentrações de C, N, P e Ca, nos dois tratamentos. Em relação aos estoques de nutrientes as espécies de Mata Seca apresentaram os maiores estoques. Para todos os nutrientes os maiores estoques foram observados no tratamento de sulcos.

Referência:

PORTO, Amanda Caldas. Concentração e estoque de nutrientes em seis espécies nativas do cerrado utilizadas em plantio de recuperação de área degradada, Paracatu – MG. 2012. xv, 91 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2012.

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Efeitos da diversidade funcional na produção florestal: estudo de caso no Cerrado sentido restrito

Efeitos da diversidade funcional na produção florestal: estudo de caso no Cerrado sentido restrito

Autor(a):

Milton Serpa de Meira Junior

Resumo:

Este trabalho teve como objeto avaliar os efeitos da diversidade funcional sobre o estoque florestal em uma área no Cerrado sentido restrito. A diversidade funcional é o valor e a variação das espécies e de suas características que influenciam no funcionamento das comunidades vegetais. A teoria da diversidade funcional prevê que as maiores diferenças na utilização de recursos levam ao aumento da função do ecossistema. Com a crescente redução de habitats se faz necessário quantificar e prever os efeitos da perturbação nos padrões de biodiversidade para orientar os esforços de conservação e nos sistemas de manejo dos recursos ambientais. Para avaliar os efeitos na diversidade funcional foram mensurados oito atributos funcionais em área de Cerrado sentido restrito. A produtividade da assembleia foi avaliada através do estoque da assembleia lenhosa, o qual foi mesurado por meio do volume e biomassa utilizando as equações: V=1,09×10−4×Db2+4,51×10−4×Db2× Ht; B=−0,4913+0,0291×(Db2×Ht). Para cada uma das variáveis foram testados dez modelos matemáticos. Foram mensurados na área de estudo 1694 indivíduos distribuídos em 27 famílias e 56 espécies, sendo 111 indivíduos mortos. Para as duas variáveis estudadas, volume e biomassa, os melhores modelos foram exponenciais e logarítmicos. Nenhum modelo linear apresentou regressão ou parâmetros significativos. Os gráficos de resíduos para as variáveis mostraram que apesar de apresentar regressão e parâmetros significativos e os modelos apresentaram dependência espacial dos resíduos. Conclui-se que os modelos não são bons preditores para a quantificação do volume.

Referência:

MEIRA JUNIOR, Milton Serpa de. Efeitos da diversidade funcional na produção florestal: estudo de caso no Cerrado sentido restrito. 2015. viii, 44 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

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Biomassa, fluxos de carbono e energia em área de Cerrado sentido restrito e plantio de eucalipto no Distrito Federal

Biomassa, fluxos de carbono e energia em área de Cerrado sentido restrito e plantio de eucalipto no Distrito Federal

Autor(a):

Fabrícia Conceição Menez Mota

Resumo:

Essa pesquisa teve como objetivo caracterizar as diferenças no estoque de Carbono e na dinâmica de trocas de massa e de energia em dois ambientes: o natural, representado pelo Cerrado sentido restrito, e floresta plantada, representada por povoamento de Eucalipto híbrido clonal, Eucalyptus urophylla x grandis. Todo o experimento foi conduzido na Fazenda Água Limpa (FAL), Brasília – Distrito Federal, Brasil. Foi utilizado o seguinte estudo integrado: combinando dados mensurados em campo; medição de fluxos de massa e energia; fluxos turbulentos verticais mensurados pelo método de Covariância de Vórtices Turbulentos, “EddyCovariance”; e a modelagem baseada em processos, uma vez que o modelo utilizado (Biome-BGC) avalia a interação entre os componentes edáficos, fisiológicos e meteorológicos e suas repostas na troca líquida de Carbono (NEE) para o ecossistema simulado. Utilizou-se o modelo Biome-BGC para estimar a troca líquida de Carbono anual para o Cerrado e o Eucalipto. A variabilidade da troca líquida de Carbono não foi bem representada, especialmente para o Cerrado sentido restrito, o que pode estar relacionada às características intrínsecas e fenológicas desse ambiente, bem como às limitações e habilidades preditivas do modelo Biome-BGC para estimar a NEE em ecossistema que apresenta heterogeneidade espacial e elevada diversidade de espécies vegetais. A substituição do uso do solo de Cerrado para cultivos de Eucalipto, alterou o estoque de Carbono no solo e na biomassa. O valor do estoque de Carbono total para a área de Cerrado sentido restritofoi de 257,72 Mg ha-1 e para o povoamento de Eucalipto, 203,23 Mg ha-1. No entanto, o Eucalipto avaliado, na faixa de idade estudada, 36 meses, ainda não alcançou a produção máxima de biomassa, em decorrência desse fato, durante o intervalo de tempo monitorado nesse estudo, a área de Cerrado apresentou maior estoque de Carbono total. A troca líquida de Carbono e o fluxo de energia, calor latente (LE), calor sensível (H) e para o solo (G) de cada ecossistema, Cerrado sentido restrito e Eucalyptus urophylla x grandis, apresentaram dinâmica compatível com as suas sazonalidades e fenologias. Em relação ao particionamento da energia, a área de Eucalipto nos anos de 2014 e 2015, apresentou menores valores da razão de Bowen, quando comparados com os valores referentes ao ano de 2016, o que pode estar associado à maior taxa de crescimento na etapa inicial e os processos relacionados a evapotranspiração, perda de vapor d’água, e fotossíntese. Durante o período seco, as duas vegetações apresentaram os maiores valores da razão de Bowen, no entanto, nos primeiros anos, a maior partição de energia foi para o Cerrado. O somatório da NEE para a área de Cerrado sentido restrito, período de 2013 a 2015, foi de 1.535,0 gC m-2, enquanto que para o Eucalipto foi de 1.490,8 gC m-2. Até o presente momento, por meio dessa pesquisa, há indicação de que o aumento da temperatura e de CO2, tem aumentado a assimilação de Carbono no ecossistema para o Cerrado sentido restrito avaliado, fato evidenciado por meio da troca líquida de Carbono anual observada de 2013 a 2015, (439, 518 e 578 gC m-² ano-1), na taxa de recrutamento 3,43% e incremento de biomassa na vegetação arbustivo-arbórea de 1,37 MgC ha-1, referente ao intervalo de 15 meses, abrangendo o ano de 2015, o qual apresentou o maior percentual de incremento em temperatura nos últimos anos. Para compreender esse conjunto de processos, será necessário o monitoramento a longo prazo para a área de Cerrado sentido restrito, assim como, faz-se necessário o monitoramento do povoamento de Eucalipto a longo prazo para avaliar as consequências na dinâmica dos fluxos de massa e energia, como também a capacidade de estoque de Carbono no ecossistema em função da substituição do uso do solo.

Referência:

MOTA, Fabrícia Conceição Menez. Biomassa, fluxos de carbono e energia em área de Cerrado sentido restrito e plantio de eucalipto no Distrito Federal. 2017. xvi, 141 f., il. Tese (Doutorado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.

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