Agroextrativismo

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O Agroextrativismo é um importante instrumento utilizado no manejo sustentável e produtivo dos ecossistemas. O Agroextrativismo é também parte da proposta agroecológica de produção e de vida e, ao mesmo tempo, deve ser pensado conceitualmente a partir da perspectiva dos Sistemas Agroflorestais Agroecológicos, relacionando-o aos conhecimentos tradicionais populares e os resultados de estudos científicos.
A agroecologia pode ser entendida como o manejo ecológico dos recursos naturais, através de formas de ação social coletiva, com propostas de desenvolvimento participativo, desde as formas de produção até a circulação alternativa de seus produtos. Deve ser compreendida em uma dimensão integral onde as variáveis sociais ocupam um papel muito relevante.

As relações estabelecidas entre os seres humanos e as instituições que as regulam constituem na peça chave dos sistemas agrários, que dependem do homem para sua manutenção, respeitando os sistemas de conhecimento local e tradicional, que garante a dinamização da biodiversidade ecológica e
sociocultural (EMBRAPA, 2015, não paginado).
Os Sistemas Agroflorestais (SAF’s) são sistemas de produção agrícola que consorciam espécies florestais (frutíferas e/ou madeireiras) com cultivos agrícolas e em alguns casos também animais, na mesma área e em uma sequência temporal. O Centro Mundial Agroflorestal define SAF como a integração de árvores em paisagens rurais produtivas. (PALUDO; COSTABEBER, 2012, p. 67).

 

Fonte:
EMPRABA. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Disponível em: <http://www.embrapa.br/ > Acesso em 28 de novembro de 2020.
Dutra, R. M. S., & Souza, M. M. O. de. (2018). Agroextrativismo e geopolítica da natureza: alternativa para o Cerrado na perspectiva analítica da cienciometria. Ateliê Geográfico, 11(3), 110-133.
PALUDO, R.; COSTABEBER, J. A. Sistemas Agroflorestais como estratégia de desenvolvimento rural em diferentes biomas brasileiros. Revista Brasileira de Agroecologia. v. 7, n. 2, p. 63-76, 2012.

– permite a produção de bens para autoconsumo e para a comercialização de excedentes.
– comercialização no âmbito da agricultura familiar camponesa
– apoio à permanência da população no campo,
– geração e distribuição de renda através da produção agropecuária sustentável aliada à utilização consciente da biodiversidade
– permite a conservação dos ecossistemas
– melhoria de qualidade de vida para as comunidades envolvidas e para a população como um todo
– contribui com a construção de um projeto socialmente justo para o campo
– reduz o êxodo para as grandes cidades já inchadas e carentes de infraestrutura, construindo um novo paradigma de desenvolvimento socioeconômico.

a) A ausência de mecanismos de valoração da ampla gama de custos à saúde pública, ao meio ambiente e ao consumo energético associados à agricultura;
b) A crescente concentração dos mercados em várias atividades agrícolas, juntamente com a falta de regulamentação do setor, gerou níveis sem precedentes de controle corporativo do sistema agroalimentar, adversos para a agricultura familiar de todo o mundo;
c) Os bilhões de dólares gastos pelo agronegócio fazendo lobby junto a órgãos públicos e oficiais, tanto em nível nacional quanto internacional, e tem, em muitos casos, obtido decisões políticas em seu benefício;
d) A falta de leis nacionais para assegurar à agricultura familiar a posse e o acesso aos recursos produtivos (sementes, germoplasma, terra, água, etc.) prejudica os esforços para promover uma transição para práticas sustentáveis;
e) A presença de preconceitos com relação a práticas tradicionais e/ou alternativas em várias instituições;
f) A liberalização comercial que abriu rápida e extensivamente os mercados dos países em desenvolvimento à concorrência internacional tem prejudicado o mundo rural e degradado o meio ambiente.

 

Fonte: ISHII-EITEMAN, M. Democratização da agricultura: rumo a sistemas agroalimentares sustentáveis e equitativos. Agriculturas: Experiências em Agroecologia. Rio de Janeiro, v. 10, n. 12, p. 29-35, 2013.

O extrativismo tem grande relevância para as comunidades locais do norte de Minas Gerais, região que concentra grande diversidade de frutos como o pequi, coquinho azedo, cagaita, mangaba. A geração de renda pelo extrativismo também é um instrumento para se trabalhar os recursos naturais de forma sustentável.