Guajajára

Guajajára

Em frente da casa do capitão Artur na aldeia Cana Brava (TI Cana Brava). Foto: Peter Schröder, 2000.

Origem do nome

Além de guajajara, este grupo tem uma outra autodenominação mais abrangente, Tenetehára, que inclui também os Tembé. guajajara significa “donos do cocar” e Tenetehára, “somos os seres humanos verdadeiros”. Às vezes, os guajajara traduzemTenetehára por “índio”, excluindo desta categoria os grupos Jê, como os Canela, que são chamados àwà (“selvagens, bravos”). Não se conhece com certeza a origem do nome guajajara, mas provavelmente foi dado aos Tenetehára pelos Tupinambá. Tanto entre os próprios índios quanto na literatura científica, atualmente a denominação guajajara é mais usada do que Tenetehára.

Localização do povo

Todas as Terras Indígenas habitadas pelos guajajara estão situadas no centro do Maranhão, nas regiões dos rios Pindaré, Grajaú, Mearim e Zutiua. São cobertas pelas florestas altas da Amazônia e por matas de cerradão, mais baixas, sendo estas matas de transição entre as florestas amazônicas e os cerrados. Os guajajara nunca habitaram os cerrados vizinhos, região dos povos jê. Sua região mais antiga, historicamente conhecida, foi o médio rio Pindaré.

Referência

Peter Schröder. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em: <https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Guajajara>. Acesso em: 26 de ago. de 2020.

 

RODRIGUES, Aryon Dall’Igna. Línguas indígenas brasileiras. Brasília, DF: Laboratório de Línguas Indígenas da UnB, 2013. 29p. Disponível em: <http://www.letras.ufmg.br/lali/PDF/L%C3%ADnguas_indigenas_brasiliras_RODRIGUES,Aryon_Dall%C2%B4Igna.pdf>. Acesso em: 26 de ago. de 2020.

Gavião Pukobié

Gavião Pukobié

Origem do nome

Os Pykopjê, quando devem fazer referência ao próprio grupo, utilizam o termo Pykopcatejê. Os demais povos Timbira os chamam também de Pykopjê. Os Kricati, seus vizinhos, referem-se a eles como Iromcatejê, que significa “os da mata”, indicando o meio ambiente dominado pelos Gaviões, termo pelo qual são conhecidos pela população regional e denominados pela Funai.

Localização do povo

Os Pykopjê habitam a parte sudoeste do Estado do Maranhão, na micro-região de Imperatriz, que abrange uma faixa do contato entre a floresta amazônica e as formações de cerrado. Estão localizados mais precisamente em uma pequena faixa de terra de com cerca de 41.644 hectares de extensão, no município de Amarante, a uma distância de apenas 10 km da sede do município. Essa área compreende a Terra Indígena Governador, que também conta com aldeias dos índios Guajajara.

Ao longo de 2003 e 2004, as lideranças das três aldeias Pykopjê estiveram em Brasília para reivindicar a revisão dos limites da TI. A Funai prometeu-lhes estabelecer um GT para os estudos preliminares visando a ampliação da área.

Referência

Maria Elisa Ladeira; Gilberto Azanha. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em: <https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Gavi%C3%A3o_Pykopj%C3%AA>. Acesso em: 26 de ago. de 2020.

 

RODRIGUES, Aryon Dall’Igna. Línguas indígenas brasileiras. Brasília, DF: Laboratório de Línguas Indígenas da UnB, 2013. 29p. Disponível em: <http://www.letras.ufmg.br/lali/PDF/L%C3%ADnguas_indigenas_brasiliras_RODRIGUES,Aryon_Dall%C2%B4Igna.pdf>. Acesso em: 26 de ago. de 2020.

Gavião Parkatêjê

Gavião Parkatêjê

Origem do nome

O nome “Gavião” foi atribuído a diferentes grupos Timbira por viajantes do século passado que desse modo destacavam seu caráter belicoso. Dentre os assim chamados, Curt Nimuendajú qualificou de “ocidentais”, “de oeste”, ou ainda “da mata”, aos que vivem na bacia do Tocantins, a fim de os distinguir assim dos Pukôbjê e Krinkatí, do alto Pindaré no Estado do Maranhão, também conhecidos por aquela designação.

Na primeira metade do século XX, os “Gaviões de oeste” se distribuiam em três unidades locais autodenominadas conforme a posição que ocupavam na bacia do rio Tocantins. Uma delas chamou-se Parkatêjê (onde par é pé, jusante; katê é dono; e jê é povo), “o povo de jusante”, enquanto outra, Kyikatêjê (onde kyi é cabeça), “o povo de montante”, porque, no começo do século XX, por motivo de guerra entre as duas, a primeira refugiou-se a montante do rio Tocantins, já no Estado do Maranhão; por essa razão os Kyikatêjê são também designados como “grupo do Maranhão” (não confundir com os Pukôbjê e Krinkatí). A terceira unidade, que ficou conhecida como “turma da Montanha” conforme sua autodenominação Akrãtikatêjê (onde akrãti é montanha), ocupava as cabeceiras do rio Capim.

Embora atualmente estejam todas reunidas, a distinção entre as três unidades permanece marcada. Há, contudo, uma autodenominação comum a todas, como indica a placa na entrada da aldeia nova, onde se lê “Comunidade Indígena Parkatêjê”, figura de fato criada pelos Gaviões, como expressão da autonomia por eles conquistada em 1976, para fazer face aos novos desdobramentos das relações interétnicas.

Localização do povo

Os Gaviões vivem na Terra Indígena Mãe Maria, localizada no município de Bom Jesus do Tocantins, no sudeste do Estado do Pará. Situada em terras firmes de mata tropical, apresenta como limites os igarapés Flecheiras e Jacundá, afluentes da margem direita do curso médio do Tocantins.

Referência

Iara Ferraz. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em: <https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Gavi%C3%A3o_Parkat%C3%AAj%C3%AA>. Acesso em: 26 de ago. de 2020.

 

RODRIGUES, Aryon Dall’Igna. Línguas indígenas brasileiras. Brasília, DF: Laboratório de Línguas Indígenas da UnB, 2013. 29p. Disponível em: <http://www.letras.ufmg.br/lali/PDF/L%C3%ADnguas_indigenas_brasiliras_RODRIGUES,Aryon_Dall%C2%B4Igna.pdf>. Acesso em: 26 de ago. de 2020.

Quina-do-campo

Strychnos pseudoquina

Nomes populares

Quina-do-campo, quina-do-cerrado, quina, quina-branca, quineira, quina-grossa, falsa-quina, quina-cruzeiro, quina-da-chapada, quina-de-periquito, quinade-mato-grosso

Partes utilizadas

Entrecasca, folhas, raiz

Descrição

É uma árvore com 4-9 m de altura com tronco grosso e cascudo. Suas flores são pequenas, perfumadas e de cor creme. O fruto da quina-do-campo é globoso, com até 4 cm de diâmetro e é alaranjado quando maduro (LORENZI E MATOS, 2008; KUHLMANN, 2018). Essa planta ocorre no Norte (Tocantins), no Nordeste (Bahia, Maranhão, Pernambuco), no Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso) e no Sudeste (Minas Gerais, São Paulo).

Uso medicinal

A quina-do-campo tem propriedades analgésicas, anestésicas, digestivas, tônicas, febrífugas, anti-inflamatórias, adstringentes e cicatrizantes. Ela é usada contra doenças hepáticas e moléstias do baço, fígado e estômago. Tradicionalmente, essa planta é usada pelo homem do campo para tratar a malária (AMERICANO, 2015; LORENZI E MATOS, 2008; KUHLMANN, 2018).

Formas de uso

Entrecasca, na forma de chá ou pó. Também se utiliza o chá das folhas e das raízes com atividade específica para o trato gastroentérico. Contudo, nessas partes a concentração do ativo é muito maior, havendo necessidade de cercar seu uso de precisão (AMERICANO, 2015).

Curiosidades

Essa espécie foi descrita na primeira edição da Farmacopeia Oficial Brasileira de 1929 (KUHLMANN, 2018).

Cuidados

Ao comer o fruto da quina-do-campo, deve-se evitar engolir as sementes porque elas são tóxicas (KUHLMANN, 2018).

Referências Referências

AMERICANO, Túlio. Fitoterapia Brasileira: uma abordagem energética. Brasília: Cidade Gráfica Editora, 2015. 420 p. 

 

GUIMARÃES, E.F.; MANOEL, E.A.; SIQUEIRA, C.E.; ZAPPI, D. 2015 Loganiaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB8680>. 

 

LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa, Sp: Instituto Plantarum, 2008. 

 

KUHLMANN, Marcelo. Frutos e sementes do Cerrado: espécies atrativas para a fauna. 1 ed. Brasília: Ipsis Gráfica e Editora, 2018. 2 v.

Pequi

Caryocar brasiliense

Nomes populares

Pequi, pequizeiro, piqui, piquiá

Partes utilizadas

Fruto, casca, entrecasca, folha, cera das folhas

Descrição

A árvore do pequi tem cerca de 6-10 m de altura com tronco grosso e tortuoso. As flores do pequi são vistosas e têm cor creme-amarelada. Seu fruto é globular com até 10 cm de diâmetro, verde e com odor característico quando maduro (LORENZI E MATOS, 2008; KUHLMANN, 2018). O pequi ocorre no Norte (Pará, Tocantins), no Nordeste (Bahia, Maranhão, Piauí), no Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), no Sudeste (Minas Gerais, São Paulo) e no Sul (Paraná)

Uso medicinal

O pequi tem propriedades anti-inflamatórias, cicatrizantes, antineoplásica, antioxidante, antitussígenas e fortificantes. Ele é usado para tratar afecções pulmonares, quadros de bronquite e asma, infecções por fungos, pequenos ferimentos, boa parte dos problemas de pele, rouquidão e dor de garganta. O fruto possui vitaminas A e B, potássio, caroteno, fibras essenciais, ácidos graxos monoinsaturados e açúcares de absorção lenta. O pequi também estimula o sistema imunológico, é protetor das mucosas como barreira contra infecções e protege o sistema de hipercolesterolemia e hiperglicemia. Além disso, ele é usado em compressas e massagens no caso de dores musculares e reumáticas e no caso de contusões (AMERICANO, 2015; KUHLMANN, 2018). 

Referências Bibliográaficas

AMERICANO, Túlio. Fitoterapia Brasileira: uma abordagem energética. Brasília: Cidade Gráfica Editora, 2015. 420 p.


KUHLMANN, Marcelo. Frutos e sementes do Cerrado: espécies atrativas para a fauna. 2 ed. Brasília: Ipsis Gráfica e Editora, 2018. 1 v.


MEDEIROS, H.; AMORIM, A.M.A. 2015 Caryocaraceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB6688>.

Mangabeira

Hancornia speciosa

Nomes populares

Mangabeira, mangaba

Partes utilizadas

A planta é utilizada integralmente, da raiz às folhas

Descrição

A mangabeira é uma árvore de 3-7 m de altura com flores brancas e perfumadas. Seu fruto tem até 5 cm de diâmetro e é amarelado quando maduro (KUHLMANN, 2018). Ela ocorre no Norte (Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Tocantins), no Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), no Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), no Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e no Sul (Paraná).

Uso medicinal

Essa planta é utilizada no tratamento de uma síndrome complexa: a síndrome metabólica. Essa síndrome altera a comunicação hormonal entre o fígado e o pâncreas e se desenvolve em três direções: doenças cardiovasculares, doença glicêmica e doença autoimune. A mangaba tem propriedades hiportensoras, hipocolesterolemiantes, tônicas geral e pulmonar, anticatarrais, hepatoprotetoras e cicatrizantes. Ela também é imunogênica e é usada para prevenir resfriados, infecções, febres e afecções de origem indeterminada. Seu fruto possui grande quantidade de vitamina C, todo o complexo B, niacina, cálcio, ferro e sais minerais em abundância (AMERICANO, 2015). Além disso, ela é empregada na medicina popular contra cólicas, diabetes e luxações (KUHLMANN, 2018).

Cuidados

O fruto verde possui altas concentrações de fenóis, o que o torna tóxico para a maioria das pessoas (AMERICANO, 2015).

Curiosidades

O fruto da mangaba é usado como base para vários doces, sucos, geleias e sorvetes e o látex da mangaba é usado para fazer borracha (AMERICANO, 2015; KUHLMANN, 2018).

Referências Bibliográficas

AMERICANO, Túlio. Fitoterapia Brasileira: uma abordagem energética. Brasília: Cidade Gráfica Editora, 2015. 420 p.


KOCH, I.; RAPINI, A.; SIMÕES, A.O.; KINOSHITA, L.S.; SPINA, A.P.; CASTELLO, A.C.D. 2015 Apocynaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB15558>.

 

KUHLMANN, Marcelo. Frutos e sementes do Cerrado: espécies atrativas para a fauna. 2 ed. Brasília: Ipsis Gráfica e Editora, 2018. 1 v.

Mama-cadela

Brosimum gaudichaudii

Nomes populares

Mama-cadela, bureré, chicletinho, inharé, inhoré, maminha-cadela, mama-de-cadela, mamica-de-porco, algodão-do-campo, espinho-de-vitém, maminhade-cachorra, mamica-de-cachorra, mururerana, apê-do-sertão, manacá-do-campo, amoreira-do-mato, conduru, conduro, conduri, algodãozinho

Partes utilizadas

Casca, entrecasca, folha, raiz

Descrição

A mama-cadela é uma árvore, arbusto ou arvoreta com tamanho variável dependendo da região de ocorrência (2-3 m no estado de São Paulo até 6-8 m no Goiás e Tocantins). Suas flores são simples e suas flores são pequenas e amareladas. Essa planta ocorre no Norte (Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins), no Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte), no Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), no Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e no Sul (Paraná).

Uso medicinal

A mama-cadela costuma ser usada como um tônico geral com tropismo para pele e para os pulmões. Ela é capaz de tratar uma classe de afecções da pele: as despigmentações cutâneas insidiosas, as psoríases e as dermatites atópicas. Essa planta é antitussígeno, anti-histamínico, antiespasmódico bronquilar e é dada também a crianças asmáticas. Além disso, ela tem atividade antifúngica, anti-inflamatória e vasodilatadora (AMERICANO, 2015). A mama-cadela também é um depurativo do sangue usado no tratamento de doenças reumáticas, intoxicações crônicas, dermatoses em geral, má circulação sanguínea. Ela ainda é empregada contra gripe, resfriado e bronquite (LORENZI E MATOS, 2008).

Formas de uso

Utiliza-se a planta integral na forma de chá, mas o uso mais comum é a tintura ou infusão da casca e da entrecasca, onde se encontra a maior concentração do bergapteno. Sua raiz raspada e posta em infusão fria doa o psoraleno, ativo que tem como alvo o plexo pulmonar e as mucosas de forma geral (AMERICANO, 2015).

Curiosidades

No passado, essa planta era muito utilizada nos leprosários e nos hospitais com alas específicas para doenças altamente contagiosas. Ali, contribuía com seu valor regenerativo cutâneo, repigmentador e tônico geral (AMERICANO, 2015).

Referências Bibliográficas

AMERICANO, Túlio. Fitoterapia Brasileira: uma abordagem energética. Brasília: Cidade Gráfica Editora, 2015. 420 p.

 

LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa, Sp: Instituto Plantarum, 2008.

 

KUHLMANN, Marcelo. Frutos e sementes do Cerrado: espécies atrativas para a fauna. 2 ed. Brasília: Ipsis Gráfica e Editora, 2018. 1 v.

 

ROMANIUC NETO, S.; CARAUTA, J.P.P.; VIANNA FILHO, M.D.M.; PEREIRA, R.A.S.; RIBEIRO, J.E.L. da S.; MACHADO, A.F.P.; SANTOS, A. dos; PELISSARI, G.; PEDERNEIRAS, L.C. 2015 Moraceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB19772>.

Lobeira

Solanum lycocarpum

Nomes populares

Lobeira, fruta-do-lobo, capoeira-branca, berinjela-do-mato, jurubebão, baba-de-boi, loba

Partes utilizadas

Folhas, flores, frutos

Descrição

A lobeira é um arbusto grande ou uma árvore pequena com cerca de 1-5 metros de altura com copa alta e aberta. Seu tronco e ramos são esbranquiçados e possuem espinhos. O fruto desta planta quando maduro é verde por fora e tem polpa amarelada por dentro (LORENZI E MATOS, 2008; KUHLMANN, 2018). Ela ocorre no Nordeste (Bahia), no Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), no Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e no Sul (Paraná).

Uso medicinal

A lobeira é usada como diurético, calmante, antiespasmódica, antiofídica e antiepilética. O chá de suas folhas é indicado contra afecções das vias urinárias, cólicas abdominais e renais, espasmos e epilepsia e o chá de suas flores é indicado contra hemorroidas. O fruto da lobeira assado e quente é colocado diretamente em órgãos atrofiados para sua reconstituição e o suco da fruta é aplicado sobre verrugas para removê-las (LORENZI E MATOS, 2008). Essa planta também é usada contra gripe e problemas no fígado (KUHLMANN, 2018). Além disso, a lobeira tem propriedades vermífugas, vomitivas, depurativas de sangue, tônicas para o fígado, secativas e cicatrizantes. Ela é anti-inflamatória para o trato respiratório e boa coadjuvante nas fórmulas antitussígenas e anticatarrais. Mas a sua indicação mais interessante é como resolutiva para o diabetes; o uso de seu polvilho contra diabetes é extensivo e comprovado pelo homem do campo (AMERICANO, 2015). 

Curiosidades

A lobeira chega a ser até 50% da dieta do lobo guará (Chrysocyon brachyurus) no cerrado e possui um poder vermífugo nesse animal. Acredita-se que o fruto da lobeira age contra o verme-gigante-dos-rins, que é muito frequente e pode ser fatal no lobo-guará  (LORENZI E MATOS, 2008; KUHLMANN, 2018).

Cuidados

Um estudo farmacológico em ratos com o extrato aquoso, preparado com o pó obtido de seus frutos sugere um efeito tóxico sobre o sistema reprodutivo masculino, contudo sem indicação aparente sobre a fertilidade (LORENZI E MATOS, 2008).

Referências Bibliográficas

AMERICANO, Túlio. Fitoterapia Brasileira: uma abordagem energética. Brasília: Cidade Gráfica Editora, 2015. 420 p. 

 

 

LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa, Sp: Instituto Plantarum, 2008.

 

 

KUHLMANN, Marcelo. Frutos e sementes do Cerrado: espécies atrativas para a fauna. 1 ed. Brasília: Ipsis Gráfica e Editora, 2018. 2 v.

 

STEHMANN, J.R.; MENTZ, L.A.; AGRA, M.F.; VIGNOLI-SILVA, M.; GIACOMIN, L.; ROFRIGUES, I.M.C. 2015 Solanaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB14805>.

Trilhas e Caminhos para a Sustentabilidade Ambiental nas Escolas do Distrito Federal

Trilhas e Caminhos para a Sustentabilidade Ambiental nas Escolas do Distrito Federal

Escolas Sustentáveis – Brasília: Adasa, 2018.

Elaborada com apoio de projeto da UNESCO, a publicação apresenta práticas ambientalmente responsáveis para as instituições e professores, além de métodos para a sua aplicação no ensino.

A proposta do material é estabelecer, a partir de um diagnóstico do desempenho do colégio, metas sobre redução de gastos com água e energia, entre outros temas. Esses objetivos deverão ser cumpridos com a participação da escola, do aluno e da comunidade local.

A publicação, em formato de manual, relaciona os caminhos de uma escola rumo à sustentabilidade com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS). O livro também defende que, para se construir colégios sustentáveis, é necessário educar com base nos quatro pilares da educação: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser, definidos por Jacques Delors no Relatório da Comissão Internacional sobre a Educação para o Século XXI da UNESCO.

Portanto, para alcançar instituições de ensino sustentáveis, é necessário formar cidadãos com habilidades para conhecer a si mesmo, ao próximo e ao planeta do qual faz parte, para interagir com diversidades e aprender com a experiência, atuando com afeto, respeito, empatia e cooperação.

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