Myracrodruon urundeuva

Nomes populares

Aroeirinha-do-campo, arendiúva, arindéuva, aroreira, aroeira-daserra, aroeira-verdadeira, aroeira-do-campo, aroeira-do-sertão, aroeira-preta, aroeira-docerrado, caracuramira, urindeúva, urundeúva, almecega, pandeiro

Partes utilizadas

Folhas, a casca e a raiz

Descrição

Árvore de 5-24 m de altura com tronco que pode atingir 1 m de diâmetro. A
aroeirinha-do-campo tem uma copa ampla e flores pequenas (LOERENZI E MATOS, 2008). Ela ocorre no Norte (Acre, Rondônia, Tocantins), no Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), no Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), no Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e no Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina).

Uso medicinal

A aroeirinha-do-campo é útil em casos de atonia muscular progressiva e indicada como neurogênica, como anti-inflamatória de uso interno, para inflamações articulares crônicas e agudas, como resolutiva de abscessos e tumores, como cicatrizante de feridas difíceis, como antidiarreica e como hemostática (AMERICANO, 2015). Sua resina, que se solidifica em contato com o ar e apresenta um aspecto amarelo-claro para âmbar, pode ser usada para vários tipos de afecções pulmonares, para aumentar a imunidade do trato respiratório, para melhorar a síntese dos metabólitos sanguíneos e como tônico geral (AMERICANO, 2015). Esse largo espectro de utilizações se justifica pela complexidade do princípio ativo, que contém mais de 70 substâncias bioativas. Entre elas, destacam-se os anéis mono e sesquiterpenos, que melhoram o metabolismo celular; o tanino, que é um produto adstringente e regulador da dinâmica sanguínea; e alguns alcaloides e flavonoides, antioxidantes e fomentadores das sínteses hormonais, por regularem o uso do colesterol sistêmico. Há também o limoleno, um constituinte fundamental do óleo essencial que pode ser extraído da resina e que funciona como fomentador da imunidade e tônico das funções renais e pulmonares; e ainda muitas outras substâncias que melhoram o metabolismo de forma geral (AMERICANO, 2015). O uso oral é recomendado como anti-inflamatório, cicratizante, indicado no tratamento de ferimentos infeccionados ou não, na pele, nas gastrites, úlcera gástrica, cervicite, vaginites e hemorroidas (LOERENZI E MATOS, 2008).

Formas de uso

Para o tratamento dessas manifestações, o cozimento feito com 100g da entrecasca seca quebrada em pequenos pedaços, deve ser extraído duas vezes cada vez, com meio litro de água, de modo a perfazer, no final um litro. Essa preparação pode ser bebida ou aplicada localmente. Nas gastrites e úlcera gástrica, toma-se duas colheres de sopa 1 a 3 vezes ao dia; nos casos de cervicite e cervicogaginite aplica-se diariamente compressa intravaginal antes de deitar para dormir colocando-se um absorvente interno (tipo “O.B.”) e, em seguida cinco a dez ml do cozimento com o auxílio de uma seringa. Nas inflamações das gengivas e da garganta faz-se gargarejo ou bochechos com o cozimento diluído com 1 a 2 partes de água duas ou mais vezes ao dia; para hemorroidas, o uso é local nas forma de compressas, lavagens ou de micro-clister de retenção, feito ao deitar depois de defecar e higienizar o local (LOERENZI E MATOS, 2008).

Cuidados

A aroeirinha é uma espécie dessa família de uso medicinal preferencial porque apresenta menor concentração de antraquinonas amargas e urticantes, que são potencialmente alergênicas, inclusive ao contato. Daí o conhecimento comum a todos que vivem no campo de que não se deve estacionar sob a copa dessas árvores, sob pena de sair dali gravemente atacado de coceiras, vertigem e mal-estar gástrico (AMERICANO, 2015).

Referências Bibliográficas

AMERICANO, Túlio. Fitoterapia Brasileira: uma abordagem energética. Brasília: Cidade Gráfica Editora, 2015. 420 p.


LOEUILLE, B. 2015 Lychnophora in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB25233>.

 

LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa, Sp: Instituto Plantarum, 2008.

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