Cyphocharax notatus (Steindachner, 1908).(branquinha)

Cyphocharax notatus (Steindachner, 1908).

CP 7,1 cm

Nome(s) popular(es):

Branquinha.

Tamanho

Até 12,3 cm de comprimento padrão.

Alimentação

Iliófaga, i.e., semelhante aos demais curimatídeos. Trata-se de peixes que se  alimentam de partículas dispersas no substrato, que podem ser de decomposição variada, desde micro-organismos até matéria orgânica em decomposição. Possuem um aparelho digestivo adaptado para selecionar o que interessa ou não à sua alimentação.

Nome Xavante:

Pe’adzarébétómrã.

Dimorfismo sexual secundário

Sem traços óbvios. Os machos emitem um certo tipo de ronco na época em que se encontram prontos para a eliminação dos gametas.

Uso e importância da espécie

Também representa um importante elo nas cadeias alimentares, uma vez que constitui uma parcela considerável dos peixes forrageiros nos ambientes onde se encontra.

Descrição da espécie

Corpo alongado, fusiforme, recoberto por escamas ciclóides; boca desprovida de dentes; linha lateral completa, 30-35 escamas; nadadeira caudal nua, bifurcada, pontuda. Coloração prateada uniforme. É a única espécie do gênero com pigmentação na porção distal dos raios da nadadeira dorsal, além das máculas na porção distal dos lóbulos da nadadeira caudal, o que facilita seu reconhecimento. Pouco frequente nos cursos superior e médio dos riachos e córregos do PESA, mas abundante nas lagos marginais ao longo do curso médio dos córregos que fluem em direção ao rio das Mortes.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p. 41.

Cyphocharax gouldingi Vari, 1992.(branquinha)

Cyphocharax gouldingi Vari, 1992

CP 6,7 cm

Nome(s) popular(es):

Branquinha.

Tamanho

Até 8,7 cm de comprimento padrão.

Alimentação

Iliófaga, i.e.,  alimenta-se de partículas dispersas no substrato, principalmente micro-organismos de origem animal ou vegetal e matéria orgânica em decomposição; por isso muitos autores preferem classificá-la como detritívora. Esses peixes possuem um aparelho digestivo adaptado para selecionar o que interessa ou não à sua alimentação.

Nome Xavante:

Penhãnãre. 

Dimorfismo sexual secundário

Sem traços óbvios.

Usos e importância da espécie

Pode ser esporadicamente consumida como alimento; elo importante na cadeia alimentar dos ambientes onde vive. 

Descrição da espécie

Corpo alongado, relativamente alto, fusiforme, recoberto por escamas ciclóides, relativamente grandes; boca terminal desprovida de dentes; linha lateral completa, 30-33 escamas; nadadeira caudal nua. Coloração prateada uniforme, com mácula negra na base da nadadeira caudal ( o que facilita o reconhecimento da espécie). Espécie pouco frequente nos cursos superior e médio dos riachos e córregos do PESA, mas abundante no inferior, principalmente em períodos de águas altas; comum nas lagoas marginais.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.40.

Curimatella immaculata (Fernández-Yépez, 1948).(branquinha)

Curimatella immaculata (Fernández-Yépez, 1948).

CP 7,2 cm

Nome(s) popular(es):

Branquinha.

Tamanho

Até 9,3 cm de comprimento padrão.

Alimentação

Iliófaga, i.e.,  alimenta-se de partículas dispersas no substrato, principalmente micro-organismos de origem animal ou vegetal e matéria orgânica em decomposição; por isso muitos autores preferem classificá-la como detritívora. Esses peixes possuem um aparelho digestivo adaptado para selecionar o que interessa ou não à sua alimentação.

Nome Xavante:

Pe’awaipó.

Dimorfismo sexual secundário

Sem traços óbvios.

Usos e importância da espécie

Consumida como alimento; elo importante na cadeia alimentar dos ambientes onde vive.

Descrição da espécie

Corpo relativamente alongado, fusiforme, recoberto por escamas ciclóides; boca terminal, desprovida de dentes; linha lateral completa, com menos de 50 escamas; nadadeira caudal bifurcada, com lobos inteiramente recobertos por escamas pequenas. Coloração prateada uniforme, sem máculas. Espécie rara nos cursos superior e médio dos riachos e córregos do PESA, mas freqüente no inferior, principalmente em períodos de águas altas.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.39.

Curimata inornata Vari, 1989.(branquinha)

Curimata inornata Vari, 1989.

CP 13,0 cm

Nome(s) popular(es):

Branquinha

Tamanho

Até 13,6 cm de comprimento padrão.

Alimentação

Iliófaga, i.e., alimenta-se de partículas dispersar no substrato, principalmente micro-organismos de origem animal ou vegetal e matéria orgânica em decomposição; por isso muitos autores preferem classificá-la como detritívora. Esses peixes possuem um aparelho digestivo adaptado para selecionar o que interessa ou não à sua alimentação.

Nome Xavante:

Da’watsa.

Dimorfismo sexual secundário

Sem traços óbvios.

Usos e importância da espécie

Os curimatídios, de maneira geral, formam grandes cardumes que migram rio acima, principalmente na época de reprodução. Nessa oportunidade podem ser capturadas em grande quantidade, representando boa parcela na pesca de subsistência. Constituem elo importante nas cadeias alimentares, uma vez que formam parte avultada dos peixes forrageiros. Por esse comportamento podem ser consideradas “espécie-chave” na ciclagem de nutrientes nos ambientes onde são encontrados.

Descrição da espécie

Corpo relativamente alto, fusiforme, recoberto por escamas ciclóides; escamas menores acima da linha lateral e maiores abaixo desta; boca inferior, desprovida de dentes; linha lateral completa, com cerca de 65 escamas; nadadeira caudal nua, bifurcada. Coloração prateada uniforme, sem máculas. Espécie rara nos cursos superior e médio dos riachos e córregos do PESA, mas freqüente no inferior, principalmente em períodos de águas altas.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.38

Parodon pongoensis (Allen, 1942).(canivete)

Parodon pongoensis sp.

CP 7,8 cm

Nome(s) popular(es):

Canivete

Tamanho

Até 10,7 cm de comprimento padrão.

Alimentação

Raspadores de algas e organismos que se desenvolvem sobre elas, junto ao substrato (epifiton).

Nome Xavante:

Pedzatóre.

Dimorfismo sexual secundário

Sem traços óbvios.

Usos e importância da espécie

Consumida como alimento; potencial para aquariofilia; elo importante na cadeia alimentar dos ambientes onde vive.

Descrição da espécie

Corpo fusiforme; boca subinferior e fenda bucal (vista ventralmente) reta; mandíbula na forma de pá e desprovida de dentes anteriormente, mas com dois ou três dentes de cada lado; dentes com muitas cúspides arredondadas; nadadeiras peitorais e pélvicas largas, permitindo boa aderência ao substrato; linha lateral completa. Duas listras longitudinais no flanco do corpo, entremeadas por faixa clara: uma delas no dorso do corpo, outra na região mediana do corpo, estendida desde os olhos até a extremidade dos raios caudais medianos; flanco inferior esbranquiçado. Preferem águas correntes, rápidas, com cerca de 0,20 a 0,50 m de profundidade, e bem iluminadas; permanecem sobre o substrato, raspando e ingerindo o epiliton (organismos que se desenvolvem sobre as rochas, especialmente algas). Espécie freqüente nos riachos e córregos do PESA; abundante nas áreas abertas, de águas rápidas e substrato rochoso.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.37

Apareiodon argenteus Pavanelli & Britski, 2003.(canivete)

Apareiodon argenteus Pavanelli & Britski, 2003.

CP 3,7 cm

Nome(s) popular(es):

Canivete.

Nome Xavante

Pedzatórewawi.

Alimentação

Raspadores de algas e organismos que se desenvolvem sobre elas (epifiton), junto ao substrato.

Tamanho

Até 7,6 mm de comprimento padrão.

Usos e importância da espécie

Consumida como alimento; potencial para aquariofilia; elo importante na cadeia alimentar dos ambientes onde vive.

Dimorfismo sexual secundário

Sem traços óbvios.

Descrição da espécie

Corpo fusiforme; boca subinferior e fenda bucal (vista ventralmente) reta; mandíbula na forma de pá e desprovida de dentes; nadadeiras peitorais e pélvicas largas, permitindo boa aderência ao substrato; linha lateral completa, 40-42 escamas. Listra longitudinal negra estreita correndo sobre a linha lateral e quatro a cinco barras transversais negras no dorso; área prateada abaixo da faixa negra. Preferem águas correntes, rápidas, com cerca de 0,20 a um m de profundidade, e bem iluminadas. Permanecem sobre o substrato, raspando e ingerindo o epiliton (organismos que se desenvolvem sobre as rochas, especialmente algas). Espécie pouco freqüente nos riachos e córregos do PESA.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.36

Pristigaster cayana Cuvier, 1829.(papuda )

Pristigaster cayana Cuvier, 1829.

CP 11,6 cm

Nome(s) popular(es):

Papuda.

Nome Xavante:

Pedzarébétó’mrã.

Tamanho

Até 14,5 cm de comprimento padrão.

Alimentação

Insetívora, alimentando-se principalmente de insetos terrestres.

Dimorfismo sexual secundário

Sem traços óbvios.

Usos e importância da espécie

Esta espécie não é muito apreciada como alimento; elo importante na cadeia alimentar dos ambientes onde vive.

Descrição da espécie

Corpo relativamente alto, comprimido lateralmente e recoberto por escamas ciclóides; peito desenvolvido, com quilha pré-ventral; espinho pré-dorsal (firmemente inserido na musculatura) presente; nadadeiras pélvicas e adiposa ausentes; linha lateral ausente; boca ligeiramente voltada para cima, com dentes bem desenvolvidos em ambas as maxilas e dentes diminutos sobre a língua; caudal bifurcada, com lobos longos. Corpo prateado homogênio em sua maior parte. Espécie freqüente nos cursos inferiores dos riachos e córregos do PESA, principalmente em épocas de águas altas.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.35

Anchoviella cf. carrikeri Fowler, 1940.Anchoviella cf. carrikeri Fowler, 1940.(manjuba)

Anchoviella cf. carrikeri Fowler, 1940.

CP 6,8 cm

Nome(s) popular(es):

Manjuba, sardinha do gato.

Nome Xavante:

Pe’awaipópare.

Alimentação

Carnívora, com preferência por pequenos peixes e crustáceos.

Tamanho

Até 6,8 cm de comprimento padrão.

Dimorfismo sexual secundário

Sem traços óbvios.

Usos e importância da espécie

Consumida como alimento; elo importante na cadeia alimentar dos ambientes onde vive.

Descrição da espécie

Corpo alongado e comprimido lateralmente; recoberto por escamas ciclóides, grandes; focinho cônico e prolongado num pequeno rostro acima da boca, a qual é estreita e largamente fendida para trás; dentes em série única no dentário e no pré-maxilar; faixa lateral prateada conspícua no flanco. Espécie freqüente nos cursos inferiores dos riachos e córregos do PESA, onde adentra principalmente em período de águas altas.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.34.

Potamotrygon motoro (Müller & Henle, 1841).(arraia-de-fogo)

Potamotrygon motoro (Müller & Henle, 1841).

Nome(s) popular(es):

Arraia, arraia-de-fogo, raia.

Tamanho

Mais de 70 ,0 cm de diâmetro do disco.

Alimentação

Peixes e crustáceos.

Usos e importância da espécie

Consumida como alimento; aquariofilia.

Nome Xavante:

Têpêbö.

Dimorfismo sexual

  Os machos apresentam clásper ou pterigopódio, i.e., uma modificação das nadadeiras pélvicas e que serve como órgão copulador. É uma estrutura dotada de sulco, por onde fluem os espermatozóides durante a cópula. É caráter permanente (vide fotos comparativas de macho e fêmea).

Vista ventral: macho (detalhe do clásper) e fêmea.

Descrição da espécie

     Esqueleto cartilaginoso; corpo e cabeça achatados, em forma de disco, revestidos por diminutas escamas placóides (daí a sensação de lixa ao tocá-la); nadadeiras peitorais profundamente modificadas, formando uma orla em volta do disco, unidas na parte anterior do focinho; cauda estreita, distintamente separada do disco, e de tamanho aproximadamente igual ao diâmetro do disco; espinhos médio-dorsais relativamente grandes na cauda, geralmente dispostos em série longitudinal; fenda bucal situada ventralmente; cinco pares de aberturas branquiais situadas na região ventral; um par de olhos situados dorsalmente; uma abertura de cada lado do olho, o espiráculo. Superfície dorsal do disco variando de marrom-oliváceo a cinza-escuro, com manchas ocelares amarelas ou alaranjadas circundadas de  negro, maiores que o olho na região central do disco, diminuindo de tamanho em direção às margens. As raias são ovovíparas, i.e., a fecundação e o desenvolvimento são internos, mas sem a formação de uma placenta, de maneira que a fêmea libera filhotes; cerca de três meses de gestação. Na cópula, o macho introduz apenas um clásper. Preferem águas paradas, relativamente rasas e de substrato arenoso ou argiloso, no qual permanecem apoiadas ou semi-enterradas. Espécie pouco freqüente ou rara nos cursos superior e médio dos riachos e córregos do PESA, ocorrendo mais nos cursos inferiores, principalmente na época das águas altas.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener. Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011. p. 32-33

Museu do Cerrado assinou Manifesto em Defesa da Convenção da Diversidade Biológica

Museu do Cerrado assinou Manifesto em Defesa da Convenção da Diversidade Biológica

Considerando que a Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) representa um acordo global visando à concretização do desenvolvimento sustentável;

 

Considerando que a CDB apresenta como objetivos a conservação da diversidade biológica, a utilização sustentável de seus componentes e a repartição justa e equitativa dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos;

 

Considerando que a CDB, assinada em 1992, foi aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 2, de 3 de fevereiro de 1994, e promulgada pelo Decreto Federal nº 2519, de 16 de março de 1998;

 

Considerando que a CDB ressalta o valor da diversidade biológica e de seus componentes em sua amplitude ecológica, genética, social, econômica, científica, educacional, cultural, recreativa e estética;

 

Considerando que a CDB reconhece a importância da diversidade biológica para a evolução e para a manutenção dos sistemas necessários à vida da biosfera, que é uma preocupação comum à humanidade, sendo os Estados responsáveis pela conservação de sua diversidade biológica e pela utilização sustentável de seus recursos biológicos;

 

Considerando que a CDB demonstra preocupação com a sensível redução da diversidade biológica causada por determinadas atividades humanas; que é vital prever, prevenir e combater na origem as causas da sensível redução ou perda da diversidade biológica; que diante de ameaças de redução ou perda da diversidade biológica a falta de plena certeza científica não deve ser usada como razão para postergar medidas para evitar ou minimizar essa ameaça; que a exigência fundamental para a conservação da diversidade biológica é a conservação in situ dos ecossistemas e dos habitats naturais e a manutenção e recuperação de populações viáveis de espécies no seu meio natural;

 

Considerando que a CDB reconhece que investimentos substanciais são necessários para conservar a diversidade biológica e que há expectativa de um amplo escopo de benefícios ambientais, econômicos e sociais resultantes desses investimentos, que a conservação e a utilização sustentável da diversidade biológica é de importância absoluta para atender as necessidades de alimentação, de saúde e de outra natureza da crescente população mundial, para o que são essenciais o acesso e a repartição de recursos genéticos e tecnologia;

 

Considerando que a conservação e a utilização sustentável da diversidade biológica fortalecerão as relações de amizade entre os Estados e contribuirão para a paz da humanidade, sendo necessário fortalecer e complementar instrumentos internacionais existentes para a conservação da diversidade biológica e a utilização sustentável de componentes, com a finalidade de conservar e utilizar de forma sustentável a diversidade biológica para benefício das gerações presentes e futuras;

 

Considerando que ao estabelecer o efetivo compromisso com um conjunto de premissas, como aquelas evidenciadas acima, dentre as quais destaca explicitamente ser vital prever, prevenir e combater na origem as causas da sensível redução ou perda da diversidade biológica, o Brasil se comprometeu internacionalmente com a conservação da diversidade biológica, bem como com a utilização sustentável de seus componentes;

 

Considerando que a CDB, como convenção internacional, encontra referendo no Sistema Jurídico Brasileiro; que o Direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado consiste em direito humano fundamental, a ser protegido e defendido não só para as presentes, como também para as futuras gerações;

 

Considerando que a CDB traça princípios e regras a serem observados e imediatamente aplicados como forma de implementar o direito humano fundamental estabelecido na Constituição Federal de 1988, sendo, portanto, regras protetivas do direito humano fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, portanto a CDB tem status de norma constitucional, já que:
A Constituição Federal referenda a preservação da diversidade biológica como dever do poder público:
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público:
I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas;
II – preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;
III – definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;
VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.
§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.

 

Considerando que, mesmo diante de todas as obrigações reconhecidas e assumidas pelo Brasil no âmbito da CDB, acrescidas das obrigações constitucionais, no momento o Brasil é o único país, dentre 196 países que fazem parte da Convenção, que se opõe a aprovação de um documento que autoriza o orçamento de 2021 para o secretariado da Convenção de Diversidade Biológica da ONU, implicando em paralização dos seus trabalhos, incluindo o preparo da conferência sobre o tema prevista para acontecer no final de 2021;

 

Considerando ainda que a diplomacia brasileira não demonstra respeitar seu próprio compromisso como signatário da Convenção, assim como não demonstra respeitar os deveres, princípios e objetivos estabelecidos em sua própria Constituição Federal;

 

Considerando que as posturas adotadas pela diplomacia brasileira neste contexto despontam com uma quebra de contrato, que além de ensejar possíveis responsabilizações, entre suas consequências específicas, configuram prejuízo à continuidade e progresso nas discussões e acordos no âmbito da própria Convenção, e desta forma, aos seus propósitos, tais como a expectativa de aprovar como meta global a conservação de 30% do planeta, através da criação e manutenção de áreas protegidas;

 

Considerando que as posturas adotadas geram uma péssima imagem do país, afetando negativamente suas relações comerciais, a exemplo das comodities agrícolas (agronegócio);

 

Diante desses fatos, vimos solicitar ao Governo da República Federativa do Brasil que reveja imediatamente sua postura nas negociações diplomáticas, em conformidade com suas obrigações como país membro e signatário, no sentido de prover apoio integral aos trabalhos desenvolvidos no âmbito da Comissão da Diversidade Biológica da ONU.

 

A representação diplomática do Brasil recuou na obstrução dos trabalhos preparatórios para a Convenção da Diversidade Biológica em 2021, diante de intensas manifestações no Brasil e no Canadá. Veja o relato da reunião da ONU na aba DOCUMENTOS com o título INFORME MONTREAL CDB.

 

Segundo o relatório da reunião das partes, que se encerrou no dia 27 de novembro de 2020, o Brasil anuiu ao texto ao respeitar o silêncio de 48 horas. Sem obstrução, o cronograma e o orçamento foram aprovados permitindo o prosseguimento dos trabalhos em 2021.