Água e Cerrado

Água e Cerrado

Chegamos com mais uma edição do Canto da Coruja Comunidade!


Neste novo episódio, falamos sobre a enorme riqueza de recursos hídricos que permeia o Cerrado e sobre as principais ameaças a esses recursos.

Jamilton Santos de Magalhães, da comunidade de Buriti, em Correntina, na Bahia, nos conta sobre os impactos da devastação ambiental e do secamento das nascentes. Já Yuri Salmona, que é doutor em Ciências Florestais pela Universidade de Brasília (UnB) e autor de uma pesquisa sobre água no Cerrado, apoiada pelo ISPN, nos dá perspectivas sobre o futuro da vazão de água no bioma. Acesse o link abaixo e dá o play pra saber mais!


https://ispn.org.br/canto-da-coruja-comunidade

Povo Avá-Canoeiro perde 30% do território tradicional

Povo Avá-Canoeiro perde 30% do território tradicional

Avá-Canoeiro é povo do Cerrado que habita a Terra Indígena Taego Ãwa – ou, como também é chamado – Avá-canoeiro do Araguaia, localizada na região da Mata Azul, no município de Formoso do Araguaia que é um município da unidade federativa Tocantins. Seu território é composto 100% pelo bioma Cerrado.

Os Avá-Canoeiro foram surpreendidos mais uma vez. Em uma decisão judicial que parecia favorável, o juiz federal de Gurupi (TO) trouxe como veredito a diminuição da Terra Indígena Taego Ãwa em cerca de 30%, excluindo partes essenciais do território como o acesso ao rio Javaés e a maioria das áreas não inundáveis.

Em outras palavras, para os Avá-Canoeiro restou um território com uma grande área inundável, inviabilizando a agricultura e a criação de animais, e sem conexão com o principal rio utilizado para as atividades cotidianas e como via de transporte. Além disso, a TI Taego Ãwa também ficou sem acesso à principal estrada da região.

A vida do povo Avá-Canoeiro vem sendo marcada por violências genocidas por séculos, o que teve um ápice com o contato forçado com os não indígenas, seguido pelos anos da ditadura militar e o projeto de ocupação da Amazônia Legal, além da omissão do órgão indigenista durante décadas.

Comercialização de 10 toneladas de sementes nativas do Cerrado

Comercialização de 10 toneladas de sementes nativas do Cerrado

Restaurar o Cerrado é um grande desafio devido às peculiaridades do bioma, como a diversidade de vegetação mesclando florestas, campos e savanas. A técnica mais comum de restauração para florestas, o plantio de mudas, tem limitações para as savanas e campos. Nesse contexto, a técnica da semeadura direta permite plantar arbustos e gramíneas a um menor custo e com maior eficiência contribuindo para a restauração em larga escala, com sementes de base comunitária promovendo a inclusão social e contribuindo para a conservação da sociobiodiversidade.

 •   8500 kg de sementes coletadas
•   101 espécies de plantas nativas
•   77 Coletores de sementes nativas
•   R$ 600.651,62 repassados a Associação Cerrado de Pé
Com um resultado expressivo, em 2022, a Rede de Sementes do Cerrado (RSC) comercializou quase 10 toneladas de sementes nativas do Cerrado, parte delas foram utilizadas no projeto Águas Cerratenses: semear para brotar. Foram coletadas na região da Chapada dos Veadeiros 8.500 kg de sementes que vieram de diversas cidades como Cavalcante, na região da comunidade Kalunga do Vão do Moleque, Teresina de Goiás, Alto Paraíso e Colinas do Sul. A totalidade das vendas deve-se levar em conta o estoque das espécies coletadas nos anos anteriores. A comercialização destas sementes beneficia diretamente a renda das famílias dos coletores, 70% delas são coordenadas por mulheres. 
Com o Projeto Águas Cerratenses foram restaurados 155 hectares de área. Já no projeto Restauração Inclusiva em Escala no Cerrado os números totalizam 100 hectares sendo: 35 hectares na APA Cavernas do Peruaçu, em Januária (MG); 10 hectares em Alto Paraíso (GO), no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros; e Cinco hectares em Montezuma (MG), na Reserva do Desenvolvimento Sustentável Nascentes Geraizeiras.


Encontro do Redário


Em setembro, dois anos após contato apenas pela internet, aconteceu em Alto Paraíso de Goiás (GO) um encontro que reuniu 80 pessoas de 20 redes e grupos de sementes, atuando em 12 estados e cinco biomas do Brasil. O objetivo foi discutir sobre o Redário, uma iniciativa que visa ampliar a escala e a qualidade da restauração ecológica dos biomas por meio de relações comerciais baseadas no diálogo, respeito mútuo, equilíbrio de forças e apoio técnico.

 

 Entre 31 de outubro a 15 de novembro, uma equipe esteve em Eldorado (SP) separando as sementes para preparação das muvucas. A ação resultou em 16 toneladas de sementes de 170 espécies provenientes de diversos estados que foram destinados a 47 projetos de restauração por meio da Muvuca e da semeadura direta de aproximadamente 600 hectares. Destas, 1 tonelada é proveniente da Rede de Sementes do Cerrado.

 

Fonte: https://www.rsc.org.br/noticias/rsc-comercializou-quase-10-toneladas-de-sementes-nativas-em-2022

Alimentação escolar deverá priorizar frutos e produtos nativos do cerrado

Alimentação escolar deverá priorizar frutos e produtos nativos do cerrado

A merenda escolar na rede pública de ensino do Distrito Federal deverá priorizar frutos e produtos nativos do cerrado. É o que prevê a Lei nº 7.228/2023, de autoria do ex-deputado Leandro Grass, atual presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico nacional (Iphan), que foi sancionada pelo Governo do DF.

 

O texto altera a Lei n° 5.771/2016, que trata da utilização dos recursos públicos na alimentação escolar. O novo dispositivo estabelece prioridade na “aquisição de frutos e produtos nativos do cerrado, bem como de alimentos orgânicos, diretamente da agricultura familiar, do empreendedor familiar ou de suas organizações, dos assentamentos de reforma agrária, das comunidades tradicionais e dos produtores rurais de orgânicos”.

Durante a votação do projeto, o então deputado Leandro Grass argumentou “essa é uma forma não só de valorizar o bioma, mas também de fortalecer as políticas voltadas à segurança alimentar e nutricional”.

Entre os frutos nativos do cerrado que poderão ser incorporados à merenda, de acordo com a divulgação da Câmara Legislativa, estão baru, pequi, buriti, mangaba, cagaita e cajuzinho do cerrado.

*Com informações da CLDF                                                                                                                                                              

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2023/01/5068839-alimentacao-escolar-devera-priorizar-frutos-e-produtos-nativos-do-cerrado.html?fbclid=IwAR3zvNbmSkC1L0k-D8CbMTfzFk7S9aFd3FlBYUFlXA5MYg1TOODF7K12ztM 

Mutirão de Restauração no PNCV

Mutirão de Restauração no PNCV

No dia 22/01/2023 vamos continuar trabalhando em uma parte da nascente do Córrego dos Ingleses degradada por severos incêndios no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros-GO. O Córrego dos Ingleses é um dos afluentes do Rio Preto, que forma as cachoeiras visitadas no PNCV. A recorrência de incêndios nesta área causou a mortalidade de plantas e deixou a nascente vulnerável à ocupação por espécies invasoras. Vamos realizar plantio de sementes e mudas nativas e retirada de exóticas.

O evento é parte das ações de comemoração dos 62 anos do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

Horário: 08h às 17h

Local: Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – Córrego dos Ingleses

Recomendamos levar: capa de chuva, protetor solar, luvas de jardinagem, óculos de sol, água mineral e lanche.

Itens de uso obrigatório e que o voluntário deve levar:

Roupa de campo completa;

Calça;

Blusa de manga comprida;

Tênis ou bota (sapato fechado);

Chapéu ou boné;

Garrafinha com água.

Forneceremos:

Ferramentas de trabalho;

Natureza;

Alegria;

Oportunidade de contribuir com a conservação de uma nascente junto a uma galera motivada e mão na massa.

 

Solicitamos a todos que preencham o formulário para articularmos caronas: https://enketo.ona.io/x/hZxdK2Br

E se desejarem, entrem no grupo do whatsapp:

https://chat.whatsapp.com/J8In4Z0sS6f4b60jVaYo65

Comunicação – Voluntariado ACP

Salvem os lobos-guará!

Salvem os lobos-guará!

O lobo-guará, animal que é símbolo do Cerrado brasileiro, está ameaçado de extinção. A transformação de seus habitats, os atropelamentos, doenças de animais domésticos e a perseguição e caça pela intolerância humana, são ameaças importantes e os motivos de estarem desaparecendo. 
Diversos são os agentes causadores de doenças que os lobos têm tido contato. Atualmente a sarna sarcóptica representa uma grande ameaça para a espécie. Ela pode acometer desde os filhotes até os mais idosos. Em poucos meses ela debilita o animal infestado e ele acaba morrendo, reduzindo assim o número de animais na natureza e contribuindo para a extinção da espécie.

Em meio aos diferentes problemas que a espécie enfrenta é necessário agir rápido para conter essa doença, através de investigações de como os lobos estão contraindo a sarna e ações que reduzam os impactos negativos sobre a espécie. Investigar sua saúde e intervir quando é preciso é importante para que esse mal seja revertido e assim, conservar essa espécie tão importante para o Brasil.

 Temos conseguido atuar revertendo o problema em alguns animais somente. Precisamos saber como atuar de forma mais ampla e efetiva. Mas primeiro devemos entender como estão se contaminando e se é possível conter o avanço da doença. Isso só é possível com recursos financeiros que hoje não temos.
O tratamento dos lobos identificados com sarna, depende de capturar os animais e isso não é uma tarefa fácil. Expedições de captura tem alto custo e hoje contamos com doações esporádicas para as capturas que devem ser periódicas para um tratamento satisfatório.

Essa é a primeira vez que os lobos da região são monitorados de forma intensiva. Entender quais são os problemas que esses animais enfrentam, com a finalidade de criar estratégias para redução de impactos a espécie, é um ponto fundamental para a sua conservação.
O “Sou Amigo do Lobo” é um projeto do Instituto Pró-Carnívoros, uma associação civil de direito privado, não governamental e sem fins lucrativos. Fundada em 1996, está sediada em Atibaia – SP e desenvolve projetos em diversas regiões do país. Em 2005 foi reconhecida pelo Ministério da Justiça como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). O Pró-Carnívoros é reconhecido internacional e nacionalmente como um dos principais institutos de pesquisas com mamíferos carnívoros do país.

 

Apoiem o trabalho do Pró-Carnívoros: http://www.kickante.com.br/l/lobossemsarna 

Mostra “Viagem de 1952 – A Boiada de Guimarães Rosa” 

Mostra “Viagem de 1952 – A Boiada de Guimarães Rosa”

O Museu Casa Guimarães Rosa, localizado no município de Cordisburgo, 100% pelo bioma Cerrado, na região Central de Minas, exibe ao público a exposição temporária “Viagem de 1952 – A Boiada”. A exposição traz para o público fotografias da viagem realizada por Guimarães Rosa, em maio de 1952, ao Cerrado de Minas Gerais, para acompanhar a travessia de uma boiada da fazenda da Sirga (Andrequicé, distrito de Três Marias), de propriedade de seu primo Chico Moreira, até a fazenda São Francisco, em Araçaí. Nesse percurso de 240 quilômetros, o escritor registrou centenas de anotações em uma cadernetinha de bolso, que trazia pendurada ao pescoço.

O escritor anotou em detalhes observações, cenas e, inclusive, datas, horas e léguas percorridas. O conjunto dessas notas de viagem denominou de “Boiada”. Essa viagem pelo Cerrado mineiro ganhou, na época, as páginas da revista “O Cruzeiro”, com reportagem do jornalista Álvares da Silva e fotografias de Eugênio Silva. O jornalista e o fotógrafo cobriram os últimos dias da travessia da boiada e as imagens produzidas naquela ocasião estão reproduzidas na mostra exibida pelo Museu Casa Guimarães Rosa.

A comitiva que Guimarães Rosa acompanhou era formada por oito vaqueiros: Manoel Nardy, mais conhecido como Manuelzão, o capataz; João Henrique Ribeiro, o Zito, “guieiro”, poeta, laçador e cozinheiro; Raimundo Ferreira de Nascimento, o Bindóia, “campeiro”, cantador de versos, animador da boiada e mais cinco vaqueiros – Sebastião Leite de Morais: “Olhando boi a vida inteira”; Gregório Leite de Moraes: “silencioso”; Aquiles Luiz de Carvalho: “violeiro, dançador de lundu e cantador de desafio”; Raimundo Santana: “vaqueiro-mestre”; Sebastião Alves de Jesus: “aprendiz de vaqueiro”.

A Boiada representa um inventário informal da fauna e da flora, uma cartografia do Cerrado mineiro na década de 1950 e uma descrição que enaltece a vida sociocultural sertaneja. As anotações na cadernetinha de Guimarães Rosa transportam o leitor para o sertão de Minas, por meio de descrições minuciosas e poéticas.

Guimarães Rosa foi buscar exatamente a natureza menos manipulada, menos transformada pelo modelo capitalista. Viajou para o Cerrado de Minas, para a região de sua terra natal, Cordisburgo, a cidade do coração, outrora Vista Alegre. Ao invés do carro, uma mula; ao invés do urbano, o rural; em vez de diplomatas, vaqueiros e bois; ao invés de documentos oficiais, anotações.

Ao retornar ao Rio de Janeiro, onde residia, o escritor datilografou e organizou todas as anotações de “Boiada”. Ao longo do tempo ia aproveitando as notas de viagem produzidas durante o manejo da boiada na criação de seus livros, anotava e cobria o texto com hachuras, tornando os datiloscritos coloridos e graciosos.

As novelas Campo Geral, Uma Estória de Amor, O Recado do Morro, A Estória de Lélio e Lina, Cara de Bronze, Dão-Lalão e Buriti, que compõem Corpo de Baile e o livro Grande Sertão: Veredas, ambos publicados em 1956, reproduzem e recriam várias anotações da Boiada. A leitura dessas obras traduz com sabedoria, sensibilidade e sentimento a genialidade de Guimarães Rosa, a cultura popular e a exuberância do Cerrado brasileiro.

 

Data: 7/2022 a 1/2023

Local: Sala de Exposições Temporárias do Museu Casa Guimarães Rosa – Rua Padre João, 744 – Cordisburgo (MG)                                     

 

Fonte da notícia: https://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticia/cordisburgo-tem-exposicao-sobre-viagem-de-guimaraes-rosa-pelo-sertao-mineiro?fbclid=IwAR3TO2Qn_FhZPrnPR9H0Va5MNM1DxThTXX3Kzs_CvLm38DcT7IvUca-LP8o

APOIO ao Monumento Natural da Pedra Fundamental em Planaltina-DF

APOIO ao Monumento Natural da Pedra Fundamental em Planaltina-DF

A equipe técnica do IBRAM está finalizando a proposta de criação do Monumento Natural da Pedra Fundamental em Planaltina-DF que será uma unidade de conservação do grupo “proteção integral” de acordo com o Sistema Distrital de Unidades de Conservação. O Monumento Natural tem como objetivo preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica. Pedimos seu apoio pela criação dessa Unidade de Conservação, enviando mensagem para: dipuc@ibram.df.gov.br

A Pedra Fundamental foi inaugurada em 7 de setembro de 1922, como parte das comemorações do Centenário da Independência do Brasil. O local escolhido ocupa uma área de 39.4 hectares numa colina no Vale do rio São Bartolomeu, a 1.033m de altitude, o Morro do Centenário, a 7 km de Planaltina, sendo o primeiro monumento erguido para a criação do novo Distrito Federal, conforme estabelecia a primeira Constituição Republicana, promulgada em 1891. Em 1982, o obelisco, de propriedade da União, foi tombado como Patrimônio Histórico do Distrito Federal.

A área possui remanescentes das fitofisionomias do Cerrado sentido restrito ralo e campo sujo, fitofisionomias fundamentais para a conservação de espécies representantes da flora do DF. Desempenha importante papel para a conectividade de UCs, garantindo o fluxo gênico das espécies e representando importante refúgio para a fauna silvestre. A área é fundamental para a conservação dos serviços ecossistêmicos relacionados à provisão de água; aos serviços de suporte, como polinização, dispersão de sementes, manutenção da biodiversidade e patrimônio genético; aos serviços de regulação, como sequestro de carbono, manutenção do ciclo hidrológico, regulação de clima, controle de erosão e deslizamentos de encostas; e aos serviços culturais por meio da recreação, turismo, identidade cultural, entre outros. 

TV Cultura estreia minissérie sobre o Cerrado, berço das águas do Brasil

TV Cultura estreia minissérie sobre o Cerrado, berço das águas do Brasil

A TV Cultura estreia nesta quinta-feira (12/1/2023), a minissérie Caixa D’Água do Brasil em cinco episódios semanais, uma coprodução entre a emissora e a CenaUm. A atração mostra que o Cerrado é o berço das águas do Brasil e onde brotam as primeiras águas que se reúnem e formam grandes rios, abastecendo milhões de pessoas e assegurando a vida em grande parte do continente. Vai ao ar às 20h.

O bioma abriga quase 20 mil nascentes de importantes bacias hidrográficas do país, entre elas as bacias Platina, Amazônica e do São Francisco. Abastece os aquíferos Bambuí, Urucuia e parte do Guarani, alimenta o Pantanal e distribui generosamente recursos hídricos por todo o país.

Caixa D’Água do Brasil pretende alertar que a ocupação humana desordenada e a exploração econômica mal conduzida ameaçam essa mágica rede de águas.

Nos cinco episódios, a minissérie percorre as nascentes das regiões hidrográficas Tocantins-Araguaia, que reforça a Bacia Amazônia; do São Francisco, vital para o Nordeste brasileiro; e a do Paraná, que ousa descer até o rio da Prata, encontrando o Oceano Atlântico ao sul do continente. Das gotas iniciais até a foz de cada um destes extensos rios, o contraponto da amplitude que adquirem em seu longo e sinuoso percurso, alargando as margens para alegria dos ribeirinhos e das populações em geral.

A produção ressalta a importância dessas águas na geração de energia, pesca, turismo, irrigação e outras atividades econômicas, e as iniciativas que defendem riachos, córregos e o bioma. Proteger as nascentes e as áreas dos formadores dos grandes rios define o país que queremos deixar para as novas gerações. E só uma ação coletiva, de sociedade e governos, evitará o esgotamento da extraordinária caixa-d’água do Brasil. Água é fonte preciosa de vida, preservá-la é assegurar a existência humana na Terra.

Primeiro episódio — Nascentes da Caixa D´Água

A minissérie começa mostrando as primeiras gotas que brotam em vários cantos do Cerrado e depois, unidas, formam a caixa-d’água do Brasil. A edição visita nascentes dos rios Araguaia, Tocantins, São Francisco e Paraná, quatro dos maiores do país. Em meio às locações das nascentes, explica porque o Cerrado é a caixa d’água, o berço das águas, das grandes bacias e de três aquíferos. 


Link para o primeiro episódio da série: https://www.youtube.com/watch?v=HbSwt6xcZCw

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Babaçu Livre agora é Lei no Estado do Piauí

Babaçu Livre agora é Lei no Estado do Piauí

Quebradeiras de coco babaçu do estado do Piauí, comemoraram no dia 19/12/2022 uma conquista histórica: a aprovação da Lei Babaçu Livre, que reconhece como patrimônio cultural do Estado do Piauí, as atividades tradicionais de coleta e quebra de coco babaçu, bem como os produtos delas decorrentes e seu modo tradicional de produzir. A lei de nº 7.888, de 09 de dezembro de 2022, foi sancionada pela governadora do Estado do Piauí, Regina Sousa e divulgada no diário oficial na mesma data.

O anúncio foi feito pela superintende de Relações Sociais do Governo do Estado, Sônia Terra durante o IX Encontrinho das quebradeiras de coco babaçu, que aconteceu, nos dias 19 e 20 de dezembro, no Convento Irmãs São José, localizado na Vila Operária, em Teresina-PI.

A sanção da Lei do Babaçu Livre é uma conquista das quebradeiras de coco Babaçu em todo o território do estado do Piauí porque prevê a proibição da derrubada de palmeiras de babaçu, o livre acesso às comunidades agroextrativistas aos babaçuais, proibição do uso de agrotóxicos por pulverização, proibição de queimadas dos babaçuais e do corte do cacho do coco inteiro porque isso compromete a reprodução e a vida das palmeiras, além de comprometer as formas de utilização tradicional sustentável do coco babaçu, e outros benefícios para o meio ambiente e para as comunidades tradicionais.

A lei também prevê que o Estado do Piauí deve destinar terras públicas para titulação de territórios de quebradeiras, criação de assentamento, livre acesso de quebradeiras em qualquer imóvel com babaçuais, seja eles público ou privado.

A vice- coordenadora do MIQCB, Helena Gomes, disse que desde a criação do Movimento, há 30 anos, o principal objetivo era o livre acesso aos babaçuais. “Ao longo desses 30 anos nosso grito sempre foi babaçu livre, pois muitos proprietários de terra proíbem nossa entrada para coletar o coco que cai no chão e não são utilizados. Então, a sanção da Lei pela Governadora foi uma grandiosa conquista para as comunidades tradicionais que depende do coco babaçu para sobreviver”, enfatizou.

A coordenadora geral do Miqcb, Maria Alaídes explicou que após a sanção da Lei será criada a Comissão de Monitoramento da Lei do Babaçu Livre, composta majoritariamente pelas entidades representativas das quebradeiras de coco, demais povos tradicionais e de agricultores e agricultoras familiares. A Comissão irá cobrar dos órgãos, principalmente Secretarias de Meio Ambiente, Instituto de Terras, Secretaria de Cultura, relatórios, informações sobre quais medidas estão sendo tomadas de precaução a impactos negativos, crimes ambientais nesses territórios e quais medidas estão sendo tomadas para assegurar o livre acesso das quebradeiras de coco.

“Então é uma lei que tenta instituir medidas bem gerais de proteção à vida, seja das quebradeiras de coco, seja da natureza, dos babaçuais, mas que no fim das contas impacta toda a sociedade positivamente, porque ela consegue manter aquilo que é essencial: a vida humana em nosso planeta”, declarou.

“É importante lembrar que a Lei não vai promover a preservação só dos babaçuais no Piauí, ela vem assegurar a preservação dos biomas mais ameaçados, que é o do cerrado (responsável pela nossa soberania hídrica). Então, a Lei do Babaçu Livre, ao mesmo tempo que segura os modos de vida das quebradeiras e a preservação dos babaçuais, ela impacta positivamente todo um bioma, ecossistemas e todos os seus desdobramentos: ar saudável, preservação das fontes e nascentes de água, além da preservação de várias espécies animais e vegetais”, concluiu, Helena
o processo de criação da minuta de lei do Babaçu Livre, o Miqcb contou com o apoio e parceria da assessora jurídica do Movimento Renata Cordeiro, do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia/UFPIN, professora Carmém Lúcia e Élida de Brito assim como o Defensor Público do Estado do Piauí, Dr. Benoni Ferreira e do apoio financeiro do Instituto Clima e Sociedade – ICS.

A Regional do Miqcb do Piauí reuniu quebradeiras dos municípios de Esperantina, Morro do Chapéu, Luzilândia, Joca Marques, Madeiro, São João do Arraial, Campo Largo, Nossa Senhora dos Remédios, Barras, Matias Olímpio, União e Miguel Alves, Cabeceiras, Antônio de Almeida e Cristino Castro, para dialogar sobre as principais problemáticas que afetam os modos de vida das mulheres e, juntas, buscarem alternativas para que seus direitos sejam respeitados.

No último dia de evento o deputado estadual, Francisco Limma conversou com as mulheres como foi o processo de aprovação da Lei Babaçu Livre na Assembleia e aproveitou para se colocar a disposição do Movimento para ajudar e contribuir nas lutas das quebradeiras.

Participaram das atividades do Encontrinho as coordenadoras, Ednalva Ribeiro (Tocantins), Maria Raimunda (Baixada Maranhense), a equipe técnica da sede do Movimento, Flávia Azeredo, Sandra Regina, Hélia Costa e o assessor regional, Jucelino Castro.

O evento contou ainda com a presença do Defensor Público do Estado do Piauí, Dr. Benoni Ferreira, das professoras Carmem Lúcia e Élida de Brito, presidente da Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários, Edinalva Costa, diretor da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar- SAF, Durval Gomes, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Tiago Pires e Representantes do Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA.

Nos dois dias de evento foram discutidos temas como: racismo ambiental e justiça climática; mulheres e jovens protagonizando a luta por seus modos de vida nos territórios, estratégias de defesa dos territórios, produção agroecológica e acesso aos mercados privados e públicos, eleição da coordenação do Movimento para atuação nos próximos quatro anos e outros temas.

Foram eleitas para a coordenação do MIQCB da Regional Piauí para os próximos quatro anos as quebradeiras: Maria Lana e Maria de Jesus (Janete) e reeleitas as coordenadoras Klésia Lima e Marinalda Rodrigues, esta ultima será a coordenadora executiva.

ENCONTRINHO – Entre os dias 03 a 20 de dezembro, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) realizou o IX Encontrinho das quebradeiras de coco babaçu nas Regionais do Pará, Tocantins, Imperatriz-MA, Baixada Maranhense, Mearim/Cocais e a Regional Piauí.                                                                                

Fonte: https://www.miqcb.org/post/baba%C3%A7u-livre-agora-%C3%A9-lei-no-estado-do-piau%C3%AD