Docência, escola do campo e formação: qual o lugar do trabalho coletivo?

Docência, escola do campo e formação: qual o lugar do trabalho coletivo?

Autor(a):

Maria Jucilene Lima Ferreira

Resumo:

Nesta pesquisa, busca-se investigar as relações existentes entre o trabalho docente na Escola de Campo e os pressupostos teórico metodológicos da formação no curso de Licenciatura em Educação do Campo (LEdoC), da UnB. Partimos das seguintes indagações: (i) como o trabalho docente, na escola, articula o conhecimento com a realidade social dos sujeitos do campo? (ii) em que medida o trabalho docente e conhecimento dialogam no processo de formação e profissionalidade do Educador do Campo? Nesse sentido, pretende-se caracterizar aspectos da realidade social e do trabalho docente, focalizando as dimensões coletivas desse trabalho na relação díade entre a gestão da escola e a comunidade, com base nos pressupostos teórico-metodológicos dos processos formativos da Licenciatura em Educação do Campo. Nosso objeto de pesquisa compreende o trabalho docente de Educadores do Campo que cursaram e que cursam a LEdoC (turmas II, III e V) e atuam na Comunidade Engenho II, Município de Cavalcante-GO. O referencial teórico de maior relevância para a pesquisa é composto por: Antunes (2009), Mészáros (2005), Marx & Engels (2009), Vázquez (2011), Luiz Freitas (2008, 2010, 2011), Helena Freitas (2002, 2003), Silva (2008, 2011), Pistrak (2000, 2009), Molina (2010, 2011, 2012), Molina & Sá (2012), Caldart (2010, 2012) e Frigotto (2009). A pesquisa se apoia no Materialismo Histórico Dialético para uma interpretação crítica acerca das relações sociais que se estabelecem entre trabalho docente, escola e processos formativos na LEdoC. A metodologia do trabalho de campo se desenvolveu a partir da observação direta das atividades escolares e da vida camponesa na Comunidade Engenho II, durante o período de agosto a outubro de 2013 e em setembro de 2014, por meio de entrevistas semiestruturadas e do preenchimento de uma ficha para obter informações como identificação pessoal, formação e aspectos da profissão docente. Também foram analisados 11 artigos científicos que tratam dos procedimentos formativos na LEdoC. Os resultados apontam aspectos de aproximação e distanciamento do trabalho pedagógico, do trabalho docente e dos processos formativos na construção da Escola do Campo, protagonizada pelos trabalhadores camponeses organizados. A conclusão do estudo defende o trabalho coletivo como força motriz para a qualificação das relações estabelecidas entre a docência, Escola do Campo e formação de educadores em favor da construção da Escola do Campo, a partir de duas teses, a saber: (I) os pressupostos teórico-metodológicos na formação de Educadores do Campo serão apreendidos, mais efetivamente, se desenvolvidos a partir de um trabalho coletivo, de perspectiva interdisciplinar, durante todo o curso de Licenciatura, tanto no Tempo Escola como no Tempo Comunidade, entre educadores em formação e professores-formadores; e (II) o trabalho coletivo entre escola (gestão), docentes, discentes e universidade (professores formadores), ancorado ao movimento da práxis criadora, favorece a qualidade dos processos formativos da escola e da universidade, bem como a formação emancipatória dos sujeitos.

Referência:

FERREIRA, Maria Jucilene Lima. Docência, escola do campo e formação: qual o lugar do trabalho coletivo?. 2015. 235 f., il. Tese (Doutorado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

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Programa mais educação nas escolas do campo: oportunidade de aprofundamento dos princípios da educação do campo? o caso do Colégio Estadual Vale da Esperança, Formosa/GO

Programa mais educação nas escolas do campo: oportunidade de aprofundamento dos princípios da educação do campo? o caso do Colégio Estadual Vale da Esperança, Formosa/GO

Autor(a):

Samira Bandeira de Miranda Lima

Resumo:

O presente projeto de pesquisa analisou a implementação e os desdobramentos da proposta de educação integral desenvolvida na Escola do Campo localizada no Assentamento Vale da Esperança, em Formosa/GO, durante os anos de 2012 a 2014, instituída pelo Programa Mais Educação (PME), tendo por base a tríade estruturante da Educação do Campo: educação, política pública e campo. Os objetivos específicos foram analisar as práticas pedagógicas das categorias de profissionais atuantes no Colégio Estadual Vale da Esperança no desenvolvimento do PME e sua vinculação com os princípios da Educação do Campo, como também analisar os problemas e contribuições do PME na qualidade da educação, na dinamização do cotidiano social e escolar dos estudantes da Escola do Campo, na percepção dos sujeitos envolvidos no processo. Para fundamentar as discussões teóricas sobre políticas e programas educacionais no contexto do Brasil contemporâneo, da Educação Integral e da Educação do Campo, foram utilizados os autores: Jaime Giolo, Gaudêncio Frigotto, Dermeval Saviani, Jaqueline Moll, Roseli Caldart, Mônica Molina e Luiz Carlos Freitas. O percurso metodológico utilizado foi a pesquisa qualitativa, caracterizada como estudo de caso. Como estratégias e instrumentos de coleta de dados, foram utilizados: a análise documental, observações e entrevistas semiestruturadas. A teoria do conhecimento que norteou a compreensão do processo estudado foi o materialismo histórico dialético. Para a análise dos dados, foi empregado o método de análise de conteúdo do material coletado. O resultado da pesquisa evidenciou a contribuição do PME na escola para a construção dos princípios da Educação do Campo a partir da implementação dos tempos educativos, do trabalho como princípio educativo e da auto organização dos estudantes. Conclui-se que o Programa Mais Educação nas Escolas do Campo é um programa de governo de extrema relevância para contribuir na construção da Escola do Campo em direção aos seus princípios, abrindo espaço concreto para materializar uma formação multidimensional e construir uma educação integral humanista, centrada na formação e desenvolvimento integral do sujeito, na intencionalidade da Educação Omnilateral. Não foram encontrados estudos sobre o desenvolvimento do PME nas Escolas do Campo. Sendo assim, esta pesquisa pretende contribuir para a reflexão e para a problematização das questões relacionadas ao desenvolvimento da educação integral nas Escolas do Campo a partir do Programa Mais Educação.

 

Referência:

LIMA, Samira Bandeira de Miranda. Programa mais educação nas escolas do campo: oportunidade de aprofundamento dos princípios da educação do campo? o caso do Colégio Estadual Vale da Esperança, Formosa/GO. 2015. 188 f., il. Dissertação (Mestrado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

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A transição agroecológica no assentamento colônia I em Padre Bernardo- GO: articulando as dimensões de um processo socioeducativo

A transição agroecológica no assentamento colônia I em Padre Bernardo- GO: articulando as dimensões de um processo socioeducativo

Autor(a):

Marcela Souto de Oliveira Cabral Tavares

Resumo:

Este trabalho trata de um Estudo de Caso sobre o processo de transição agroecológica realizado no assentamento Colônia I em Padre Bernardo – GO. Destaca-se no trabalho a análise da mudança do modelo produtivo convencional e a adoção de modelos de produção agroecológicos por meio da formação socioeducativa e da colaboração de parceiros institucionais aos assentados. Como hipótese considerou-se que a transição agroecológica foi um processo educativo de ruptura de antigos paradigmas que exigiram da comunidade a construção de novos saberes. A metodologia desenvolvida buscou conjugar aspectos da pesquisa quantitativa e qualitativa, combinando instrumentos de coleta de dados: observação participante, grupos focais, e entrevistas semi-estruturadas. Como resultado foi possível apontar: 1. empoderamento do grupo de mulheres Sabor do Cerrado; 2. o fortalecimento das aprendizagens grupais; 3.a gestão participativa do Grupo Vida e Preservação, 4. a construção, dentro da UnB de um espaço formativo e transformador de conhecimento; 5. um aumento considerável do valor médio da renda familiar em Hum mil duzentos e vinte sete reais e sessenta e sete centavos (R$ 1.227,67) por unidade de produção;6. a ampliação exponencial da disponibilidade de produtos para o consumo familiar e posteriormente para a comercialização 7. o acesso mais estável a água e a minimização das perdas dos fluxos mediante o manejo do microclima local; 8. no solo, a realização de mosaicos produtivos que tem gerado cada vez mais agroecossistemas estáveis ecologicamente e economicamente, reduzido a ação de pragas e enfermidades; 9. A compreensão da complementaridade entre as duas lógicas produtivas: a lógica coletivista e a lógica camponesa; 10. as significativas melhoras na capacidadede organização social e econômicas do grupo para o enfrentamento do mercado inclusive subvertendo sua ordem econômica em detrimento da garantia da ordem moral e simbólica camponesa. Finalmente, conclui-se pela necessidade de fortalecimento da agricultura agroecológica sustentável, onde o pequeno agricultor camponês, seja central e promotor no desenvolvimento de um novo projeto de campo com repercussões para toda a sociedade. Onde esse campo seja o lugar de vida e trabalho; campo como produtor de alimentos, numa visão estratégica de segurança e soberania alimentar; campo como gerador de trabalho e renda; campo como guardião da biodiversidade; campo como formador de cultura, campo como um modo de vida,- Campo como continuidade da narrativa histórica!

Referência:

TAVARES, Marcela Souto de Oliveira Cabral. A transição agroecológica no assentamento colônia I em Padre Bernardo- GO: articulando as dimensões de um processo socioeducativo. 2012. xviii, 247 f., il. Tese (Doutorado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2012.

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As contribuições da licenciatura em educação do campo na transformação das relações de gênero: um estudo de caso com as educandas do assentamento Virgilândia de Formosa/GO

As contribuições da licenciatura em educação do campo na transformação das relações de gênero: um estudo de caso com as educandas do assentamento Virgilândia de Formosa/GO

Autor(a):

Maria de Lourdes Soares Pereira

Resumo:

A Educação do Campo, como projeto alternativo de sociedade coadunado aos Movimentos Sociais, tem se empenhado na luta e na conquista de políticas públicas para o campo. Nesse sentido, a Licenciatura em Educação do Campo, com sua proposta diferenciada e específica, é parte dessas políticas públicas que visa em conjunto com os (as) camponeses (as) construir um modelo de educação contra hegemônico voltado para o respeito e as especificidades dos povos do campo. Assim este trabalho busca compreender as contribuições da Licenciatura em Educação do Campo nas rupturas das relações de gênero com as mulheres egressas e estagiárias de diversas turmas, oriundas do Assentamento Virgilândia, Formosa- Goiás. Pretendemos identificar os protagonismos vivenciados por elas com visibilidade às áreas política, social, econômica, bem como a convivência delas em família e na comunidade, rompendo uma estrutura histórica de dominação e exclusão que durante séculos a elas foi imposta de uma cultura patriarcal hegemônica. O referido trabalho situa-se no campo da pesquisa qualitativa em educação caracterizada pela história de vida, onde utilizamos um roteiro de entrevista semiestruturada gravada. Num primeiro momento, a trajetória de vida dessas mulheres revela um cotidiano de exclusão e subordinação pela sua condição de mulher camponesa alijada dos seus direitos também pela falta de acesso à educação. Num segundo momento, em decorrência do acesso à LEdoC, percebe-se sinais de ruptura e emancipação dando novos sentidos e significados à vida dessas mulheres e construindo estratégias de resistência frente às posturas de discriminação.

Referência:

PEREIRA, Maria de Lourdes Soares. As contribuições da licenciatura em educação do campo na transformação das relações de gênero: um estudo de caso com as educandas do assentamento Virgilândia de Formosa/GO. 2014. xii, 88 f., il. Dissertação (Mestrado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

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A prática educativa e as contribuições do processo formativo da organicidade da licenciatura em educação do campo da UnB

A prática educativa e as contribuições do processo formativo da organicidade da licenciatura em educação do campo da UnB

Autor(a):

Elisângela Nunes Pereira

Resumo:

Esta pesquisa objetivou identificar em que medida a vivência da organicidade pelos educandos/a Kalungas da LEdoC da UnB no Tempo Escola contribui para o desenvolvimento de ações destes sujeitos no Tempo Comunidade na perspectiva do fortalecimento da organização social desta coletividade na luta para resistir e permanecer no seu território. A abordagem qualitativa da pesquisa foi o suporte para a metodologia que se consistiu de um estudo de caso. Na Licenciatura em Educação do Campo da UnB a organicidade é vista como um tempo educativo essencial para a formação do educador do campo, ela é entendida como uma estrutura preparada para educar na convivência coletiva das turmas durante o processo pedagógico do Tempo Escola na universidade. Proporcionando aos estudantes a vivência da auto-organização, privilegiando a convivência coletiva e as relações humanas, na formação de valores humanistas destes educadores do campo. Analisando os dados podemos afirmar que a organicidade possibilita a formação de sujeitos autônomos. Na prática educativa dos estudantes Kalungas é possível constatar que eles assumiram a condução de um processo de mudança na qualidade da educação que está presente no seu território. A Associação EPOTECAMPO criada a partir da mobilização destes estudantes da LEdoC objetiva contribuir com a melhoria da educação nas escolas Kalungas. Vários estudantes do território Kalunga assumiram a liderança frente aos processos de organização e avanço da Educação do Campo e dos povos do campo. As práticas dos estudantes Kalungas no seu território fortalece sua organização social enquanto povo Kalunga. Esses estudantes estão engajados e conscientes de algumas das dificuldades que sua luta por educação de qualidade no território pode enfrentar ou já enfrenta.

Referência:

PEREIRA, Elisângela Nunes. A prática educativa e as contribuições do processo formativo da organicidade da licenciatura em educação do campo da UnB – um estudo de caso no território Kalunga/Goiás. 2013. 96 f., il. Dissertação (Mestrado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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Matrizes formativas e organização pedagógica: contradições na transição da escola rural para escola do campo

Matrizes formativas e organização pedagógica: contradições na transição da escola rural para escola do campo

Autor(a):

Pedro Henrique Gomes Xavier

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo compreender as matrizes formativas na construção da escola do campo, tais como, a auto organização, trabalho como princípio educativo, autogestão, trabalho coletivo, interdisciplinaridade, currículo ligado com a realidade e como se deu o processo da luta pela educação no Assentamento Vale da Esperança. Para fundamentação teórica sobre a Educação do Campo, recorremos a autores como Mônica Molina, Laís Mourão Sá, Luiz Carlos de Freitas, Pistrack e Roseli Caldart. A pesquisa teve como metodologia a pesquisa qualitativa e como instrumento de pesquisa foi utilizado entrevista semiestruturada e a roda de conversas. Na análise de conteúdo foi utilizada a abordagem da análise do discurso, contendo aspectos relevantes, da história e da memória. Essas matrizes estiveram presentes na pesquisa, relacionando a parte teórica com a prática no período entre 1996 a 2014 no Assentamento Vale da Esperança. Para entender a Educação do Campo é necessária a compreensão dos dois modelos de desenvolvimento agrário em disputa no campo brasileiro. Assim, podemos mostrar a Educação do Campo e seus espaços de lutas e conquistas. A escola é um dos importantes espaços de lutas e, por assim ser, é necessário que ela esteja sempre articulada com a vida do camponês. Para pensar em Educação do Campo é preciso, antes, lutar por políticas públicas adequadas e superar os velhos paradigmas. A Licenciatura em Educação do Campo é uma política pública construída e consolidada pelo movimento da Educação do Campo, que pensa na formação de educadores e educadoras sob a perspectiva emancipadora. No percurso da organização dos conteúdos coletados, podemos destacar as seguintes categorias: o trabalho como princípio educativo, auto-organização dos estudantes, trabalho coletivo, interdisciplinaridade e uma escola do campo ligada com a vida dos estudantes. Os resultados da pesquisa nos levaram a compreender que as matrizes formativas da Educação do Campo são extremamente necessárias na escola do campo. Uma escola que deve ser pensada pelos trabalhadores do campo para os trabalhadores do campo. Podemos destacar ainda que no período pesquisado, no período em que a comunidade estava, dealguma forma, inserida de alguma forma na escola, a proposta da Educação do Campo era cultivada, e o coletivo (comunidade e escola) trabalhava em prol da Educação voltada exclusivamente para o povo camponês.

Referência:

XAVIER, Pedro Henrique Gomes. Matrizes formativas e organização pedagógica: contradições na transição da escola rural para escola do campo. 2016. xv, 132 f., il. Dissertação (Mestrado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016.

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Por uma pedagogia com foco no sujeito: um estudo na licenciatura em Educação do Campo

Por uma pedagogia com foco no sujeito: um estudo na licenciatura em Educação do Campo

Autor(a):

Ana Maria Orofino Teles

Resumo:

Esta tese se inscreve em um modelo de ciência que não busca a comprovação e a padronização, pois o paradigma que a orienta é o da reflexão, da dialógica construtiva e da valorização da singularidade. Por esta via, busca ampliar o debate sobre a integralidade entre sujeito e objeto na educação. Para isto, pauta-se na teoria do conhecimento que considera em unidade o conhecimento e o conhecedor. Como forma de fundamentar este estudo, buscou apoio na teoria da subjetividade que, sob uma perspectiva cultural e histórica, define o sujeito como o momento singular da dinâmica multidimensional humana, momento este que se faz pela tensão constante com o subjetivo social marcado pela unidade simbólico-emocional. O campo de pesquisa, que possibilitou o aprofundamento deste estudo da integralidade entre o sujeito e objeto como unidade na educação, foi o curso de Licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília. Esse curso, dentro das muitas especificidades que possui, utiliza como estratégia de ação a pedagogia da alternância que, supostamente, busca integrar em unidade o licenciando (sujeito) e sua realidade de morador do campo (objeto) em ações de inserção na comunidade, proporcionando conjugar a teoria e a prática na práxis dialética. Foram participantes da pesquisa professores e estudantes, assim como os componentes curriculares que integravam as ações destes docentes e discentes no desafio da alternância. O objetivo geral de pesquisa foi elaborar em que sentido a pedagogia da alternância possibilita ou não consolidar a unidade entre o sujeito e seu objeto de conhecimento e, como um processo de investigação qualitativa, possibilitou gerar mais inteligibilidade sobre a pedagogia em si mesmo como um suporte reflexivo à compreensão da unidade sujeito objeto, conhecimento-conhecedor, aprendiz-aprendizagem e produtor-produto, uma vez que identificou que as vivências são o ponto forte do processo de construção do conhecimento e as singularidades são o que define as estratégias de produção e ação. Nesse sentido, defende-se que a educação, em seu sentido amplo e transformador, precisa pautar suas estratégias pedagógicas em ações criativas que conjuguem o sujeito que aprende ao conhecimento, de forma a romper com a alienação clássica entre o sujeito e seu objeto do conhecimento.

Referência:

TELES, Ana Maria Orofino. Por uma pedagogia com foco no sujeito: um estudo na licenciatura em Educação do Campo. 2015. xii, 195, n f., il. Tese (Doutorado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

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Formação de professores na perspectiva da epistemologia da práxis: análise da atuação dos egressos do curso de licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília

Formação de professores na perspectiva da epistemologia da práxis: análise da atuação dos egressos do curso de licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília

Autor(a):

Márcia Mariana Bittencourt

Resumo:

A tese intitulada “Formação de professores na perspectiva da Epistemologia da Práxis: análise da atuação dos egressos do curso de Licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília” é resultado do projeto de pesquisa desenvolvido no âmbito do programa de Pós-Graduação em Educação na mesma universidade. A pesquisa objetivou analisar a contribuição dos egressos para os princípios formativos desenvolvidos no curso de Licenciatura em Educação do Campo e a contribuição dos mesmos para a Política Pública de Formação de Educadores do Campo no Brasil, no sentido de compreender a formação na perspectiva da práxis criativo revolucionária. Para alcançarmos esse objetivo geral analisamos a Educação do Campo como novo paradigma no cenário educacional brasileiro, pautado pelo debate da questão agrária, em contraposição à Educação Rural e ao modelo da reprodução capitalista para o Brasil. Constatamos que o curso de Licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília, no contexto da regulamentação do Procampo como política de formação de professores, vem apresentando profundos elementos de transformar(ação) pedagógica que têm inovado na Organização e Método do Trabalho Pedagógico (OMTP) e na gestão da educação superior brasileira. Constatamos ainda que no que tange à produção de conhecimento gerada pelos egressos na formação continuada no âmbito da pós graduação (especialização e mestrado), os mesmos desenvolveram práticas pedagógicas no contexto da Epistemologia da Práxis. Utilizamos os referenciais epistemológicos do Materialismo Histórico Dialético para desenvolver a pesquisa, pautando-nos no desafio de ancorar os métodos de análise científica na realidade brasileira e na práxis. Concluímos que os egressos do Curso de Licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília incorporaram os princípios da proposição inicial realizada pelo Movimento da Educação do Campo no processo de institucionalização na Educação Superior Brasileira, tendo sua prática pautada pela perspectiva crítica emancipadora.

Referência:

BRITO, Márcia Mariana Bittencourt. Formação de professores na perspectiva da epistemologia da práxis: análise da atuação dos egressos do curso de licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília. 2017. 348 f., il. Tese (Doutorado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.

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Licenciatura em Educação do Campo no estado de Roraima: contribuições para a escola do campo

A Licenciatura em Educação do Campo no estado de Roraima: contribuições para a escola do campo

Autor(a):

Silvanete Pereira dos Santos

Resumo:

Esta pesquisa foi realizada na Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal de Roraima. O objetivo é analisar em que medida o processo formativo desenvolvido pela Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal de Roraima contribui para formação de professores capazes de desencadear processos formativos de transformação da escola atual, a partir da formação por área do conhecimento, da alternância, da gestão de processos educativos escolares e da gestão dos processos educativos comunitários. Tem como tese a defesa de que essa licenciatura, a partir da formação por área do conhecimento e da formação por alternância, tem a possibilidade de transformar a forma escolar atual, vinculando-se ao projeto histórico da classe trabalhadora camponesa, fortalecendo a escola do campo e suas comunidades, bem como promovendo a produção de conhecimento nesses territórios, com o protagonismo do campesinato. Para investigar o problema de pesquisa e postular a tese apresentada, utilizamos os seguintes autores como referencial teórico: Molina e Sá (2011) e Caldart (2009; 2011, 2012), que orientaram a reflexão acerca da Educação do Campo, das Licenciaturas em Educação do Campo e da formação por área de conhecimento; Marx e Engels (2009), com o materialismo histórico dialético; e Gramsci (1982; 2001) e Pistrak (2000), com a discussão da escola que se apresenta como espaço de formação dos intelectuais da classe trabalhadora. Para estudar o problema, utilizamos a abordagem qualitativa e, como método de produção e interpretação dos dados, foi utilizado o materialismo histórico dialético, a partir das categorias: totalidade, contradição, historicidade, emancipação e trabalho. Quanto aos instrumentos de pesquisa para produção dos dados, foi utilizada a entrevista individual. Como resultados, o contexto da pesquisa apontou a potencialidade da Licenciatura em Educação do Campo de contribuir para o fortalecimento das Escolas de Educação Básica do Campo, a partir da inserção dos estudantes, da alternância e dos seus diferentes tempos formativos, da formação por área do conhecimento, da vinculação com o campesinato e com o protagonismo dos sujeitos do campo. Para isso acontecer de forma pedagógica, a pesquisa apontou alguns elementos necessários em termos de ajustes no Projeto Pedagógico de Curso e na organização do trabalho pedagógico. Sobre o trabalho pedagógico, ficou evidente a necessidade de formação específica para o corpo docente da licenciatura para praticar a pedagogia da alternância, bem como para atuar como docentes na perspectiva da formação por área do conhecimento, ou seja, docência multidisciplinar. No que se refere à prática da alternância, identificamos a necessidade de melhor organização e planejamento das atividades do Tempo Comunidade, incluindo, nesse item, o estágio curricular. Sobre a vinculação com o projeto histórico da classe trabalhadora camponesa e o protagonismo dos sujeitos do campo, faz-se necessária uma maior aproximação da licenciatura com as grandes temáticas do campo, tais como: questão agrária, reforma agrária, agroecologia, políticas públicas, soberania alimentar, entre outras. Quanto ao papel político e pedagógico dos movimentos sociais e sindicais do campo para o fortalecimento das escolas nas comunidades rurais, na defesa do direito dos camponeses ao acesso à educação em todos os níveis, para o não fechamento das escolas do campo e na luta por políticas públicas para o desenvolvimento do meio rural, é necessária uma melhor compreensão dos sujeitos da licenciatura quanto ao papel pedagógico dos mesmos na construção da identidade de camponês para os sujeitos do campo. Sobre a transformação da forma escolar, no que se refere às escolas do campo, a partir da produção de um conhecimento que possa fortalecê-las, a pesquisa indicou caminhos e possibilidades para essa finalidade. Os dados evidenciaram que os sujeitos da escola do campo confiam no trabalho da licenciatura e esperam muito mais ações do que as que têm acontecido até então. Além disso, ficou evidente que a escola está aberta ao diálogo e ao estreitamento dos laços com a universidade para aprimorar a formação dos estudantes da licenciatura e da escola. A pesquisa assinalou a alternância como um dos elementos da licenciatura com maior potencial tanto para o fortalecimento dos vínculos entre a universidade no processo de formação de professores com a escola de educação básica do campo quanto para o acesso e a permanência dos camponeses no nível superior, bem como para o desenvolvimento de ações comunitárias nas bases.

Referência:

SANTOS, Silvanete Pereira dos. A Licenciatura em Educação do Campo no estado de Roraima: contribuições para a escola do campo. 2018. 302 f., il. Tese (Doutorado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

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Investigando a concepção de formação política na luta por direitos da coletividade dos atingidos por barragens

Investigando a concepção de formação política na luta por direitos da coletividade dos atingidos por barragens

Autor(a):

Ana Rita de Lima Ferreira

Resumo:

A presente dissertação tem como objetivo identificar e caracterizar as intencionalidades do processo de formação de militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), tendo como objetivos específicos investigar a proposta político-pedagógica do curso de formação de militantes desenvolvido pelo MAB junto aos atingidos pela UHE de Santo Antônio, do Complexo Hidrelétrico do Madeira, no estado de Rondônia, no período de 2008 a 2010; e, identificar as possíveis contribuições que o curso de formação de militantes do MAB pode trazer para a construção do paradigma da Educação do Campo. Para essa pesquisa adotou-se a proposição teórica de abordagem qualitativa do tipo Estudo de Caso, enquanto metodologia que busca estudar um caso específico, bem delimitado e contextualizado com a preocupação de analisar o que o caso em estudo representa dentro do contexto no qual está inserido. O MAB surgiu no contexto da expansão do capital no campo, como resistência ao processo de construção de hidrelétricas implementado pelo setor elétrico brasileiro a partir da década de 1970. À medida que se deu a expansão do domínio do capital, o MAB foi redefinindo suas estratégias de ação e de formação de militantes, ampliando o conceito de atingido por barragem e aprofundando a articulação com outros movimentos sociais na perspectiva de somar forças visando à construção de um novo modelo energético e de uma sociedade pautada em princípios e valores socialistas. Ao situar o MAB e sua trajetória histórica e política no terreno dos conflitos e das contradições esse estudo buscou nos teóricos Antônio Gramsci e Istvan Mészáros referências para analisar a correlação entre o avanço do capital sobre os recursos energéticos e a formação política contra hegemônica do MAB. A concepção e a práxis da formação política do MAB também foi analisada tendo como referência os conceitos gramscianos de intelectual orgânico, sociedade civil, hegemonia e escola unitária, num diálogo com os princípios e as concepções da educação popular e da Educação do Campo a partir das referências de Paulo Freire e Roseli Caldart. As principais conclusões sobre as intencionalidades do processo de formação política de militantes do MAB podem ser expressas nosseguintes aspectos: • A concepção de formação política emerge no próprio processo de luta contra os impactos da expansão do capital no setor energético sobre as populações atingidas. • Formação enquanto um instrumento para que o povo se organize, se mobilize e seja capaz de contribuir na construção de uma outra ética visando a luta contra hegemônica para estabelecer um novo sistema de relações sociais. • A formação política com a finalidade de formar quadros visando à implementação da estratégia do Movimento com base no tripé: organização, formação e luta.

Referência:

FERREIRA, Ana Rita de Lima. Investigando a concepção de formação política na luta por direitos da coletividade dos atingidos por barragens. 2012. 197 f., il. Dissertação (Mestrado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2012.

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