Pequi

Pequi

Nome científico: Caryocar brasiliense

 

Nome popular: Pequi

 

Família: Caryocaraceae

 

Forma de vida: Árvore

 

Frutificação: estação chuvosa.

 

Dispersão: mamíferos (mastocoria), morcegos (quiropterocoria) e aves (ornitocoria).

 

Habitat e distribuição: Savânico e florestal, em Cerrado Típico e Cerradão. Domínios: Cerrado, Caatinga, Amazônia, Mata Atlântica e Pantanal.

 

Características da espécie: Árvore de 4 a 10 metros de altura, com tronco tortuoso de casca áspera e rugosa. No período de setembro a dezembro, surgem flores grandes amarelas. A sua reprodução se inicia a partir dos 8 anos de idade (Leite et al. 2006). A floração se inicia no período de julho a setembro, ocorrendo depois da queda das folhas velhas e produção de novos brotos (Leite et al. 2006). A frutificação é iniciada entre os meses de setembro e outubro, sendo que a maturação ocorre, em média, de três a quatro meses depois da abertura floral (Leite et al. 2006).

 

Características dos frutos: Os frutos do pequizeiro são do tipo drupa, globosos, verdes e carnosos. Cada semente é envolvida por um endocarpo lenhoso com espinhos e pelo mesocarpo interno, que é uma polpa amarela de odor forte. A maturação ocorre na estação chuvosa, de outubro a fevereiro (Kuhlmann, 2018).

Aproveitamento: Importante complemento nutricional rico em minerais e vitaminas, especialmente as vitaminas A, C e B2 (Araújo, 1995) e rico em carotenoides, o pequi é muito apreciado nas regiões onde ocorre, sendo muito usado na culinária regional em pratos como arroz, frango e feijão cozidos com pequi. O fruto possui fósforo, potássio e magnésio. A polpa contém ca. De 40 a 44% de óleo que pode ser usado na culinária de forma similar ao azeite de dendê. (Lorenzi; Kinupp, 2019) O licor de pequi tem fama nacional e já é exportado para outros países; e há, também, uma boa variedade de receitas de doces aromatizados com seu sabor. O óleo é usado para fabricação de sabão, temperos e é rico em antioxidantes, além de apresentar potencial de uso para a produção de combustíveis e lubrificantes (Oliveira et al., 2008). A castanha do pequi também é comestível crua ou torrada. As folhas são usadas na medicina popular para bronquite e outros (Kuhlmann, 2018). Além disso, a castanha possui zinco e iodo, cálcio, ferro e manganês. O óleo da castanha predominantes é o palmítico, já no da polpa, o ácido oleico (ômega 9).

 

Extração e comercialização: O pequi pode ser coletado diretamente do pequizeiro, entretanto, uma prática comum entre os extrativistas que fazem a coleta do fruto é recolher somente os frutos que já caíram no chão, isso porque recolher o fruto diretamente da árvore interrompe o ciclo de maturação do pequi, esse ciclo só se completa depois de dois dias que o fruto caiu.

Depois da coleta, o pequi segue para seus múltiplos destinos, podendo ser vendido o próprio fruto fresco ou em conserva (neste caso, o pequi em conserva aumenta a venda para grandes cidades pois o fruto consegue ficar bom para consumo por mais tempo), e pode ainda ser processado para a extração de óleo. Essa extração do óleo feita por agroextrativistas de modo artesanal é chamada “extração aquosa”. Primeiro retira-se a casca do pequi e o coloca em água a 80°C, após um tempo, o óleo vai para a superfície podendo ser recolhido.

 

Aplicações: O caroço inteiro é muito utilizado na indústria alimentícia, servido cozido para amolecer a polpa, pode acompanhar o arroz com frango, mas também pode ser usado para receitar doces como geleias e sorvetes. 

A polpa e a amêndoa também são muito utilizadas para extração de óleo pois são ricas em vitamina A, C e carotenoides. O óleo atua como produto farmacológico natural que age na proteção cardiovascular, na prevenção de doenças degenerativas, e fortalece o sistema imunológico. Comunidades tradicionais ainda alegam que o pequi tem forte poder terapêutico.

Recentemente o pequi tem sido alvo de estudos para que seja utilizado por indústrias de cosméticos, pois a adição do óleo de pequi em xampus e condicionadores oferece nutrição capilar profunda.

Até a casca do pequi pode ser aproveitada para realizar tingimento artesanal de tecidos, dando como resultado uma cor castanho-escuro.

 

Importância social e econômica: O pequi é um dos frutos do cerrado mais vendido pelos agroextrativistas. Por isso representa uma parte importante da renda dessas famílias, estima-se que 5,5% da renda anual de uma família extrativista corresponde a comercialização do pequi. O manejo desse fruto acarreta em empregos para toda a família, uma vez que todo o serviço é dividido entre os familiares, (colheita, tratamento do fruto, comercialização). Na época da colheita, o pequi movimenta toda a economia local da região onde é coletado, podendo ser vendido em feiras gastronômicas de comidas típicas, na beira da estrada e entre os extrativistas há troca de alimentos que cada um produz. Isso é sociobiodiversidade.

 

Ameaças: A árvore do pequizeiro tem sido utilizada para a produção de carvão por ser considerada uma madeira de boa qualidade, devido ao fato de ser resistente à chuva e insetos. A madeira do pequizeiro também é bastante requisitada para produção de móveis rústicos, mas essa produção, na maioria das vezes, não vem de artesãos locais, e sim por indústrias que destroem uma das principais fontes de sustento das comunidades. Esse desmatamento acontece mesmo sendo proibido por lei (Portaria nº 54 de 03/03/87– IBDF Brasil, 1988) o corte, a comercialização e o estoque da madeira do pequizeiro, com pena prevista para até dois anos de prisão e multa.

Referências

ARAÚJO, F. D. de. 1995. A review of Caryocar brasiliense (Caryocaraceae) – an economically valuable species of the Central Brazilian Cerrados. Economic Botany 49(1):40-48.

 

AVIDOS, Maria Fernanda Diniz; FERREIRA, Lucas Tadeu. Frutos do Cerrado: preservação gera muitos frutos. Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento, 2000.

 

KUHLMANN, Marcelo. Frutos e sementes do Cerrado: espécies atrativas para a fauna. 2ª ed., Brasília, 2018.

 

LEITE, G. L. D., VELOSO, R. V. dos S., ZANUNCIO, J. C., FERNANDES, L. A. & ALMEIDA, C. I. M. 2006. Phenology of Caryocar brasiliense in the Brazilian cerrado region. Forest Ecology and Management 236:286-294.

 

OLIVEIRA, M.E.B; GUERRA, N.B.; BARROS, L.M; ALVES, R.E. Aspectos agronômicos e de qualidade do pequi. Fortaleza: Embrapa Agroindústria Tropical, 2008. 32p. (Documentos, n.113)

 

ZARDO, Rafael Nunes. Efeito do impacto da extração de frutos na demografia do pequi (Caryocar brasiliense) no Cerrado do Brasil central. 2008. 50 f. Dissertação (Mestrado) – Departamento de Ecologia, Universidade de Brasília, Brasília, 2008.

 

KINUPP, Valdely; LORENZI, Harri. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil, 2019. São Paulo.

 

LULKIN, Claudia Isabel. Do cerrado para a mesa: articulando agricultura familiar com alimentação escolar pelas frutas nativas. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Sociobiodiversidade e Sustentabilidade no Cerrado) —Universidade de Brasília, Alto Paraíso de Goiás – GO, 2018. Disponível em: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/22281/1/2018_ClaudiaIsabelLulkin_tcc.pdf

 

OLIVEIRA, Washington Luis de. Boas Práticas de Manejo para o Extrativismo Sustentável do Pequi. Brasília, 2010, p. 8-48. Disponível em: >https://ispn.org.br/site/wp-content/uploads/2018/10/BoasPraticasPequi.pdf< Acesso em: 7 out. 2020

 

MILITÃO, Carolina. Pesquisadores identificam benefícios do óleo de pequi para o corpo humano. Correio Braziliense, Brasília, 20 maio 2018. Disponível em <https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/revista/2018/05/20/interna_revista_correio,681686/pesquisadores-identificam-beneficios-do-oleo-de-pequi-para-o-corpo-hum.shtml> Acesso em: 7 out. 2020

Jatobá-do-cerrado

Jatobá

Nome científico: Hymenaea stigonocarpa

 

Nome popular: Jatobá-do-cerrado

 

Família: Fabaceae – Caes

 

Forma de vida: Árvore

 

Frutificação: estação seca

 

Dispersão: mamíferos (mastocoria)

 

Habitat e distribuição: Formações abertas do Cerrado e Campo-Cerrado

 

Características da espécie: Árvore de porte médio, 6 a 9 metros ou maior, casca espessa, parda avermelhada. Caracteriza-se por ser uma árvore bem menor que os outros jatobás, retorcida pela influência do fogo no cerrado (Heringer & Ferreira, 1975) e por apresentar folíolos pilosos, cerne mais escuro e frutos um pouco maiores do que das outras espécies do gênero (Rizzini & Mors, 1976). O período de floração é de outubro a abril.

 

Características dos frutos: Os frutos do jatobá são legumes indeiscentes secos, apresentando epicarpo coriáceo, tendo o mesocarpo e o endocarpo transformados em polpa farinácea, amarelada, levemente adocicada, de sabor e cheiro característicos (Ferreira, 1975). O período de frutificação é entre abril e junho e a maturação dos frutos estende-se de agosto a setembro (De-Carvalho et al, 2005).

Aproveitamento

.Os frutos do jatobá contêm uma polpa farinácea de alto valor proteico, utilizada na culinária regional na forma de bolos, biscoitos, pães e mingaus ou “in natura”. A polpa é utilizada ainda na medicina popular como laxante. O jatobá é rico em provitamina A, potássio, magnésio, cálcio e fósforo. Possui 75% de ácidos graxos insaturados com ácido linoleico dominante. A árvore apresenta uma madeira densa, muita apreciada em construções e carpintaria no geral (Botelho, 1993). Além de fornecer madeira de boa qualidade, as espécies do gênero Hymenaea exsudam uma resina denominada jutaicica, usada como adstringente, cicatrizante e na fabricação de xaropes para bronquite e inflamações, além da produção de vernizes (Botelho, 1993).

 

Extração e Comercialização: A extração do jatobá é ocorre de maneira muito semelhante à de outros frutos consistindo em arrancar o fruto da árvore ou esperar o momento em que eles caem maduros ao chão para fazer essa coleta.

Após a coleta, os frutos podem passam por uma triagem para separar aqueles que não estão aptos ao consumo, a partir daí o fruto pode seguir para o processamento afim de preparar os produtos que são derivados do jatobá, ou podem seguir natural para a comercialização.

A comercialização do jatobá é feita pelos próprios agroextrativistas em feiras e festas locais, ou usa alguma cooperativa para intermediar esse contato até o consumidor final.

 

Aplicações: Do jatobá consegue-se aproveitar tudo para diferentes finalidades.

As partes do fruto (semente, polpa e casca) são integralmente aproveitadas. Das sementes do jatobá pode-se fazer artesanatos, como biojóias. As sementes ainda têm sido utilizadas com propósitos fitoterápicos e cosméticos. A casca do fruto também possibilita o artesanato, é muito comum a fabricação de bonecos típicos das regiões.

Da polpa saem receitas como sorvetes e licores, além do mais é comum a produção de farinha com o processamento da polpa, que serve de base para o preparo de bolos e pães com alto valor proteico.

A árvore também tem suas propriedades, a casca é muito procurada por conta de suas atividades medicinais, principalmente no tratamento de problemas respiratórios, comprando diretamente com os próprios extrativistas, o consumidor evita todo o trabalho de ter que tirar a casca da árvore e de tratá-la, além do fortalecer a economia. A resina extraída da árvore ou do fruto ajudam com dores de estômago e azia.

 

Importância Social e econômica: O jatobá é um fruto antigo, uma espécie resistente que consegue sobreviver melhor a condições mais adversas. Do jatobá tudo se aproveita, e isso gera movimentações na economia, conferindo renda as famílias de agricultores locais, onde cada um da família pode assumir uma parte do preparo dos produtos finais, sejam eles alimentícios, medicinais ou artesanais.

 

Ameaças: A produção do jatobá e de seus derivados produtos é complicada, muitas vezes por falta de uma estrutura básica para melhor atender aqueles trabalhadores.

Incluir o jatobá na Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM — Bio) ajudaria muito as pessoas que dependem dele, pois estariam assegurados a cobrar um valor mais alto (e justo) por todo o trabalho que tem em relação a esse fruto. Sem uma remuneração justa, as condições de trabalho também ficam cada vez mais precárias, ferramentas que não são seguras, longas horas de trabalho para produzir mais, para conseguir o sustento dos indivíduos que estão envolvidos.

 

Referências

BOTELHO, Soraya Alvarenga. Características de frutos, sementes e mudas de Jatobá do cerrado (Hymenaea stigonocarpa) de diferentes procedências. 93 f. Tese (Doutorado) – Curso de Engenharia Florestal, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 1993.

 

BOTELHO, S.A.; FERREIRA, R.A.; MALAVASI, M.M.; DAVIDE, A.C. Aspectos morfológicos de frutos, sementes, plântulas e mudas de jatobá-do-Cerrado (Hymenaea stigonocarpa Mart. ex Hayne) – Fabaceae. Revista Brasileira de Sementes, v. 22, n. 1, p. 144-152, 30 jun. 2000. http://dx.doi.org/10.17801/0101-3122/rbs.v22n1p144-152.

 

DE-CARVALHO, Plauto Simão; MIRANDA, Sabrina do Couto de; SANTOS, Mirley Luciene dos. Germinação e dados biométricos de Hymenaea stigonocarpa – Jatobá-do-cerrado. Revista Anhanguera, Gjhf, v. 6, n. 1, p. 101-116, 2005.

 

FERREIRA, M.B. Frutos comestíveis nativos do Distrito Federal – IV. Cerrado, Brasilia, 7(30):15-21, 1975.

 

HERINGER & FERREIRA, M.B. Árvores úteis da região geoeconômica do Distrito Federal. Dendrologia. Cerrado, Brasília, 7(27):27-32, 1975.

 

RIZZINI & MORS.W.B. Botânica econômica brasileira. São Paulo, EDUSP, 1976. 207p.

 

LULKIN, Claudia Isabel. Do cerrado para a mesa: articulando agricultura familiar com alimentação escolar pelas frutas nativas. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Sociobiodiversidade e Sustentabilidade no Cerrado) —Universidade de Brasília, Alto Paraíso de Goiás – GO, 2018. Disponível em: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/22281/1/2018_ClaudiaIsabelLulkin_tcc.pdf

Rufão

Peritassa campestris

Nomes populares

Rufão, bacupari, laranjinha, siputá-do-campo, manguinha, tapicuru, bacupari-rasteiro, saputá-mirim, ovogouro

Partes utilizadas

Raiz, casca, semente

Descrição

Planta que cresce em moitas e tem aproximadamente 1,5 metros de altura. Seus talos são lisos e finos. As folhas do rufão são grossas, lisas e com coloração verde-escuro na face superior e verde-claro na inferior. As flores são bem pequenas e possuem uma cor branco-amarelada. O rufão ocorre no Norte (Tocantins), no Nordeste (Alagoas, Bahia, Maranhão), no Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), no Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e no Sul (Paraná).

Uso medicinal

A raiz do rufão, nas formas de chá e garrafada, é indicada para tratar anemia, fraqueza sexual, inflamações no estômago e intestino.


O óleo do rufão é usado em massagens locais para cólicas intestinais, dores nas
articulações, reumatismo e em partes do corpo que perderam o movimento em
decorrência de um derrame. Quando se usa o óleo, é preciso ter o cuidado de não tomar friagem e não mexer em água fria, pois ele é um óleo de natureza quente.


O uso interno do óleo do rufão, geralmente misturado a um chá ou café quente, é indicado como expectorante, para tratar tosse e gripe.


A pomada de rufão é usada como cicatrizante de ferimentos (FARMACOPEIA
POPULAR DO CERRADO, 2009).

Formas de uso

A raiz do rufão é usada como remédio caseiro nas formas de chá ou garrafada. Pode-se usar toda a raiz ou somente a sua casca, mas tanto a casca, quanto a raiz devem estar secas.


Quando se usar toda a raiz, ela deve ser ralada ou socada no pilão, após estar seca. Para se secar a raiz, ela primeiramente deve ser bem lavada, depois cortada em pedaços pequenos, que são levados para secar à sombra.


Quando se usar somente a casca da raiz, deve-se lavar a raiz e retirar a sua casca ainda fresca, quando ela ainda estiver mole e fácil de descolar da madeira. A casca também deve ser cortada em pedaços pequenos, e depois secada à sombra.


O pó da raiz é usado para preparar pomada.


A forma mais utilizada da planta é o óleo de suas sementes (FARMACOPEIA
POPULAR DO CERRADO, 2009). 

Contraindicações

O uso interno desta planta não é indicado para mulheres grávidas.


Os remédios caseiros preparados com álcool não devem ser ingeridos por crianças, hipertensos ou por pessoas que estejam utilizando medicamentos (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Cuidados

As quantidades do uso interno de remédios caseiros preparados com o rufão, nas formas de chá, garrafada ou óleo, devem ser pequenas.


Nas regiões pesquisadas de Minas Gerais, não há conhecimento de intoxicações
provenientes do uso do rufão (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Referências Bibliográficas

DIAS, J.E.; LAUREANO, L.C. (Coord.) Farmacopeia Popular do Cerrado. 1 ed. Goiás: Articulação Pacari, 2009.

 

LOMBARDI, J.A.; GROPPO, M.; BIRAL, L. 2015 Celastraceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB17787>.

Pé-de-perdiz

Croton antisyphiliticus

Nomes populares

Pé-de-perdiz, minuano, carijó, alcanforeira

Partes utilizadas

Folhas, raízes

Descrição

Pequeno arbusto com cerca de 30 a 40 centímetros de altura. Costuma ser encontradas em moitas, mas também pode ser encontrada sozinha. Suas folhas são compridas, como uma pena, e possuem coloração que varia entre o verde e o amarelo. As flores do pé-de-perdiz são pequenas, arredondadas e com coloração branco-amarelada. Ela ocorre no Norte (Acre, Amazonas, Pará, Tocantins), no Nordeste (Bahia, Maranhão, Paraíba, Piauí), no Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), no Sudeste (Minas Gerais, São Paulo) e no Sul (Paraná, Santa Catarina).

Uso medicinal

A pé-de-perdiz lisa e peluda têm o mesmo valor medicinal. Tradicionalmente, o uso da pé-de-perdiz lisa é mais indicado para a mulher e, o uso da peluda é mais indicado para o homem.


A raiz da pé-de-perdiz é indicada como anti-inflamatório, depurativo do sangue, para tratar infecções, reumatismo e doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis.


Para a mulher, a pé-de-perdiz é usada para tratar infecção do útero e ovário, estimular gravidez, regular menstruação e limpar o útero, após o parto. Para o homem, é usada para tratar inflamação da próstata (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Formas de uso

As partes usadas da pé-de-perdiz para a preparação de remédios caseiros são as folhas e as raízes frescas ou secas.


A raiz da pé-de-perdiz é preparada na forma de garrafada, com vinho branco ou cachaça e, geralmente é associada a outras plantas medicinais. A raiz pode ser usada em pedaços ou em pó.


A raiz é também usada para se preparar chá, que deve ser feito em forma de infusão, escaldando-se a raiz com água fervente.


O pó da pé-de-perdiz pode ser feito misturando folhas e raízes secas, mas normalmente a raiz é usada em maior quantidade. O pó pode ser usado em garrafadas ou para se fazer pomada e pílulas.


As folhas geralmente não são usadas em garrafadas, porque a folha contém mucilagem, e isso torna a garrafada ‘babenta’ (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Contraindicações

O uso desta planta não é indicado para mulheres grávidas e crianças.


Os remédios caseiros preparados com álcool não devem ser ingeridos por hipertensos ou por pessoas que estejam utilizando medicamentos (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Cuidados

A pé-de-perdiz deve ser usada com cuidado, observando-se as doses recomendadas. Não se tem conhecimento sobre tratamento para intoxicações decorrentes de doses excessivas da planta (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009)

Referências:

DIAS, J.E.; LAUREANO, L.C. (Coord.) Farmacopeia Popular do Cerrado. 1 ed. Goiás: Articulação Pacari, 2009.


CORDEIRO, I.; SECCO, R.; CARNEIRO-TORRES, D.S.; LIMA, L.R. de; CARUZO, M.B.R.; BERRY, P.; RIINA, R.; SILVA, O.L.M.; SILVA, M.J.da; SODRÉ, R.C. 2015 Croton in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB17501>.

Pacari

Lafoensia pacari

Nomes populares

Pacari, dedaleira-amarela, candeia-de-caju, mangaba-brava, pacari-do-mato, pacari-do-sertão, pau-tinta, pau-de-nódia

Partes utilizadas

Entrecasca, casca, folhas

Descrição

Árvore com aproximadamente 4 metros de altura; ela cresce reta até
uns 2 metros e depois solta seus galhos. Seu tronco e galhos têm uma cor amarelo-avermelhada e possuem um aspecto arrepiado. As folhas do pacari são bem verdes e têm uma textura lisa. Suas flores nascem entre os meses de fevereiro e julho; elas têm um botão em forma de sino de cor verde-avermelhado e suas pétalas são brancas. O pacari ocorre no Norte (Tocantins), no Nordeste (Bahia, Maranhão), no Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), no Sudeste (Minas Gerais, São Paulo) e Sul (Paraná).

Uso medicinal

As folhas e a entrecasca da pacari são utilizadas como cicatrizante de feridas da pele e para o tratamento de gastrite ou úlcera no estômago.


Para o tratamento de gastrite ou úlcera, a pacari é usada na forma de chá, tintura ou garrafada. Já para o tratamento de feridas na pele, ela é usada na forma de banhos e pomada. O pó da entrecasca é usado em feridas de animais, como por exemplo, no cavalo, para tratar pisadura de montaria (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Formas de uso

As folhas e a entrecasca devem ser sempre usadas secas.


A quantidade de folhas ou entrecasca usadas para se fazer o remédio caseiro deve ser pequena, principalmente quando for para uso interno, pois a pacari é uma planta de natureza travosa, o que pode provocar intoxicação.


O chá é feito da entrecasca seca ou das folhas secas da pacari. O chá para banhar ferimentos deve ser mais concentrado que o chá para uso interno.


A garrafada é feita curtindo-se a entrecasca seca no vinho branco ou na cachaça e, a tintura, curtindo-se a entrecasca seca no álcool de cereais.


A pomada de pacari pode ser feita com as folhas secas ou com a entrecasca seca. O pó da pacari é feito com a sua entrecasca seca e deve ser bem fino (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Contraindicações

O uso interno desta planta não é indicado para mulheres grávidas e crianças. Os remédios caseiros preparados com álcool não devem ser ingeridos por hipertensos ou por pessoas que estejam utilizando medicamentos (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Cuidados

O remédio caseiro feito de pacari deve ser usado com cuidado e atenção, observando-se as doses recomendadas, que são bem pequenas. Não há conhecimento sobre tratamento para intoxicações decorrentes de doses excessivas da pacari. (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009)

Referências Bibliográficas

DIAS, J.E.; LAUREANO, L.C. (Coord.) Farmacopeia Popular do Cerrado. 1 ed. Goiás: Articulação Pacari, 2009.

 

CAVALCANTI, T.B. 2015 Lafoensia in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB8784>.

Buriti

Mauritia flexuosa

Nomes populares

Buriti, miritirana, buritirana, caraná-do-mato, caraná

Partes utilizadas

Sementes, raízes, goma do talo da palha, fruto, seiva

Descrição

É uma palmeira alta de cerca de 20 metros de altura. Suas palhas são verdes e suas floras dão em formas de cachos e são alaranjadas. O buriti ocorre no Norte (Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Tocantins), no Nordeste (Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí), no Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso) e no Sudeste (Minas Gerais, São Paulo).

Uso medicinal

O azeite de buriti é cicatrizante e anti-inflamatório. É usado para tratar ferimentos novos ou velhos, inclusive úlcera varicosa; para passar em hematomas provenientes de pancadas e em manchas roxas. O azeite pode ser também aplicado na boca para evitar sangramento de gengiva.


Nas queimaduras de pele, o azeite é usado para a cicatrização. Ele evita infecções e não deixa cicatrizes. O seu uso na pele é também indicado como protetor solar, hidratante e repelente de insetos.


O azeite de buriti é usado no couro cabeludo, para prevenir a queda de cabelos. É também usado em furúnculos, frieiras, coceiras e picada de insetos.


É usado para fazer massagem relaxante nas articulações.


Para curar problemas nos olhos, como irritação, visão turva, dor ou ferimento, é
indicado passar o azeite nas pálpebras, do lado de fora do olho ou tomar pequenas doses. Não é aconselhável pingar o azeite nos olhos, pois ele demora a ser absorvido e isso provoca ardência. Além disso, algumas pessoas podem ser alérgicas.


O azeite do buriti é usado para tratar picada de cobra. Os raizeiros afirmam que ‘quando uma pessoa é ofendida de cobra, dá o azeite para a pessoa tomar e depois o azeite sai no local da picada’.


O azeite também é ingerido em pequenas quantidades para tratar tosse, gripe e asma.


No uso veterinário, é usado para curar pelada de animal causada por pisadura de cela. A aplicação do azeite no local da pelada faz os pelos voltarem a nascer em pouco tempo. O azeite também é usado para desintoxicar animais de criação que tenham ingerido substâncias ou plantas tóxicas. 


As raízes do buritizeiro são usadas na forma de chá em infusão para tratar má circulação do sangue e doenças do coração.


A seiva ou vinho do buriti é usada como fortificante e também para diarreia, prisão de ventre e gases intestinais.


A baba retirada do talo verde da palha do buriti é usada para curar impingem e pano branco da pele. A baba deve ser aplicada com cuidado no local afetado, pois ela é irritante e pode causar ardência na pele.


O carvão feito da queima do caroço do buriti é usado para gastrite e para curar o mal-estar causado pela ingestão demasiada de bebidas alcoólicas (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Formas de uso

  • Azeite/óleo do buriti
  • Seiva -Baba do talo
  • Raízes: usadas na forma de chá de infusão
  • Carvão: feito da queima da semente do buriti

Contraindicações

O uso interno desta planta não é indicado para mulheres grávidas (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009). 

Cuidados

Não há relato que o azeite de buriti possa intoxicar, mas pode causar diarreia se ingerido em quantidade acima da recomendada (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Referências Bibliográficas

DIAS, J.E.; LAUREANO, L.C. (Coord.) Farmacopeia Popular do Cerrado. 1 ed. Goiás: Articulação Pacari, 2009.

 

LEITMAN, P.; SOARES, K.; HENDERSON, A.; NOBLICK, L.; MARTINS, R.C. 2015 Arecaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB15723>.

Ipê-roxo

Handroanthus impetiginosus

Nomes populares

Ipê-roxo, ipê

Parte utilizada

Entrecasca

Descrição

Árvore alta de aproximadamente 20 metros de altura. Suas folhas são formadas por um talo comprido com um conjunto de 5 folhinhas verde-escuras. As flores são roxas com uma mancha amarelada no interior e se dão em forma de cachos. O ipê-roxo ocorre no Norte (Acre, Pará, Rondônia, Tocantins), no Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), no Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso) e no Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo).

Uso medicinal

A garrafada, tintura ou chá da entrecasca seca do ipê-roxo são usadas para tratar inflamações, câncer de útero e próstata, infecção dos rins, problemas de pele, doenças do coração, derrame, pressão alta, prisão de ventre, inflamação do fígado e doenças sexualmente transmissíveis.

 

A pomada do ipê-roxo é usada como cicatrizante de ferimentos, para tratar coceiras e manchas da pele (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Formas de uso

A entrecasca do ipê-roxo, em qualquer forma de remédio caseiro, deve sempre ser usada seca e nunca fresca.

 

A entrecasca seca é preparada na forma de garrafada, com vinho branco ou cachaça, ou na forma de tinturas, com álcool de cereais.

 

O chá da planta é preparado colocando-se a entrecasca seca de molho na água fria.

 

A entrecasca seca também é utilizada para fazer pomadas (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Contraindicações

O uso desta planta não é indicado para crianças, mulheres grávidas ou para mulheres que estejam no período de menstruação.


Os remédios caseiros preparados com álcool não devem ser ingeridos por hipertensos ou por pessoas que estejam utilizando medicamentos (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Cuidados

Quando se faz o uso da garrafada ou do chá do ipê-roxo, recomenda-se fazer dieta alimentar, evitando comer alimentos gordurosos.

 

Não se tem conhecimento de intoxicação com o uso medicinal do ipê-roxo (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Referências Bibliográficas

DIAS, J.E.; LAUREANO, L.C. (Coord.) Farmacopeia Popular do Cerrado. 1 ed. Goiás: Articulação Pacari, 2009.

 

LOHMANN, L.G. 2015 Bignoniaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB114086>.

Batata-de-purga

Operculina macrocarpa

Nomes populares

Batata-de-purga, amaro-leite, jalapa

Partes utilizadas

Batata, sementes

Descrição

É uma trepadeira com raízes grandes que se torce sobre outras plantas para se alastrar. Suas folhas são verde-claro e possuem um formato peculiar de um coração pontudo. As flores da batata-de-purga se abrem como um sino e são amarelas. A planta ocorre no Norte (Amapá), no Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), no Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso) e no Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo).

Uso medicinal

As raspas secas da batata, em forma de garrafada ou em pó, são usadas como purgante, depurativo do sangue e para tratar má digestão. As raspas na forma de doces são usadas para tratar crianças com vermes.

 

A tapioca em forma de pó ou de pílula é usada como purgante, para depurar o sangue, combater verme, tratar anemia, gripe, inflamações, alergia, má digestão e impetigo, ferida que dá na pele das crianças. O mingau doce feito com tapioca é usado para tratar gripe, coceira no corpo e para combater o verme oxiúros. 

 

A mandipoeira e o chá das sementes são usados como purgante, para abrir o apetite, para tratar coceira, pereba no corpo, conjuntivite, dor na uretra e cólica menstrual. 

 

A pílula feita da resina da batata é usada como purgante e vermífugo. A resina misturada em doces ou no xarope é usada para tratar gripe e bronquite asmática (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Formas de uso

As raspas depois de secas podem ser usadas em garrafadas, para preparar doces medicinais, ou podem ser socadas no pilão até formar um triturado grosso ou pó. O pó das raspas pode ser usado misturado à comida, à água, ou em garrafadas. 

 

 

A resina é coletada ao se cortar a batata fresca, raspando o leite grosso e amarelado que mina de sua superfície. O leite seca e deixa a resina, que é mole, pegajosa e, fácil de ser enrolada em forma de pequenas pílulas, que devem ser colocadas para secar à sombra. A resina também pode ser misturada em doces medicinais e xaropes. 

 

As sementes da batata de purga também possuem resina, que podem ser socadas no pilão até formar uma massa. Essa massa pode ser enrolada em forma de pílula, ou ser usada no preparo de garrafada, ou ainda, ser usada na forma de chá em infusão quente. 

 

A tapioca é usada para fazer pílulas, para ser ingerida em forma de pó, ou na forma de mingau doce. 

 

A mandipoeira da tapioca pode ser tomada pura como remédio caseiro, ou ser usada para fazer garrafada, misturada com um pouco da massa que sobrou do coado da tapioca (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Contraindicações

O uso desta planta não é indicado para mulheres grávidas.

 

Os remédios caseiros preparados com álcool não devem ser ingeridos por hipertensos ou por pessoas que estejam utilizando medicamentos. Os remédios caseiros preparados com açúcar não devem ser ingeridos por diabéticos. 

 

A tradição recomenda que um remédio purgativo, como a batata de purga, deve ser acompanhado de dieta alimentar e repouso (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Cuidados

A batata de purga é um remédio muito forte, principalmente pelo seu poder purgativo e,  deve ser usado com cuidado e atenção, observando-se as doses recomendadas, que são bem pequenas. Doses para crianças são bem menores que para adultos.


Não se tem conhecimento sobre tratamento para intoxicações decorrentes de doses excessivas da batata de purga (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Referências Bibliográficas

DIAS, J.E.; LAUREANO, L.C. (Coord.) Farmacopeia Popular do Cerrado. 1 ed. Goiás: Articulação Pacari, 2009.

 

SIMÃO-BIANCHINI, R.; FERREIRA, P.P.A. 2015 Operculina in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB7108>.

 

Barbatimão

Stryphnodendron adstringens

Nomes populares

Barbatimão, babatimão, barba-de-timão, casca-da-virgindade, faveira, barbatimão-branco

Partes utilizadas

Raiz e entrecasca

Descrição

Essa árvore costuma ter entre 3 a 5 metros de altura. Por fora, seu tronco possui coloração marrom escuro e por dentro, marrom claro por dentro. Entre a casca e o cerne do barbatimão, existe a entre casca formada por uma parte vermelha e fibras claras. As espigas de suas flores se assemelham muito a lagartas de fogo. O barbatimão ocorre no Norte (Tocantins), no Nordeste (Bahia), no Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), no Sudeste (Minas Gerais, São Paulo) e no Sul (Paraná). 

Uso medicinal

O barbatimão é usado como cicatrizante de feridas da pele, para tratar gastrite, úlcera, infecção no útero, corrimento vaginal, coceira e sangramento proveniente de extração de dente.


O uso como cicatrizante de feridas da pele é feito em forma de banho local com o chá da planta ou em forma de pomada.


Tradicionalmente, utiliza-se o pó fino da entrecasca seca em feridas, mas é necessário ter muito cuidado com a limpeza do pó; por isso é mais recomendável usar o banho local ou a pomada.


O barbatimão não deve ser usado para tratar ferimentos profundos e recentes, pois o ferimento pode fechar antes do tempo e infeccionar.


O barbatimão também é muito usado como cicatrizante no tratamento de feridas em animais, principalmente para curar pisadura, que é o machucado provocado pelo arreio e cangalha no lombo do animal.


Para sangramento proveniente de extração de dente, usa-se fazer o bochecho com a água fria da entrecasca seca.


Para o tratamento de gastrite e úlcera, toma-se a água fria da entrecasca seca.


Para o tratamento de infecção no útero, usa-se o barbatimão em garrafadas, geralmente associado com outras plantas.


Para coceira e corrimento vaginal, recomenda-se fazer banho de assento, preparado com o chá da entrecasca seca (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009). 

Formas de uso

As folhas e a entrecasca devem ser sempre usadas secas.

 

A quantidade de folhas ou entrecasca usadas para se fazer o remédio caseiro deve ser pequena, principalmente quando for para uso interno, pois a pacari é uma planta de natureza travosa, o que pode provocar intoxicação.

 

O chá é feito da entrecasca seca ou das folhas secas da pacari. O chá para banhar ferimentos deve ser mais concentrado que o chá para uso interno. 

 

A garrafada é feita curtindo-se a entrecasca seca no vinho branco ou na cachaça e, a tintura, curtindo-se a entrecasca seca no álcool de cereais. 

 

A pomada de pacari pode ser feita com as folhas secas ou com a entrecasca seca. O pó da pacari é feito com a sua entrecasca seca e deve ser bem fino (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Contraindicações

O uso interno desta planta não é indicado para mulheres grávidas e crianças.

 

Os remédios caseiros preparados com álcool não devem ser ingeridos por hipertensos ou por pessoas que estejam utilizando medicamentos (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Cuidados

O barbatimão pode ser tóxico se for usado acima da quantidade recomendada. Ele é uma planta que tem a natureza travosa, que aperta e, por isso deve ser usado com muito cuidado.


Os sintomas da intoxicação pelo uso da entrecasca do barbatimão são vermelhidão da pele, febre e prisão de ventre. Para auxiliar a desintoxicação, recomenda-se banhar a pessoa intoxicada com água de argila. Outra indicação é a pessoa tomar carvão vegetal de batata doce (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Referências Bibliográficas

DIAS, J.E.; LAUREANO, L.C. (Coord.) Farmacopeia Popular do Cerrado. 1 ed. Goiás: Articulação Pacari, 2009.

 

SCALON, V.R. 2015 Stryphnodendron in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB19133>.

Algodãozinho

Cochlospermum regium

Nomes populares

Algodãozinho, algodãozinho-do-mato, algodão-do-campo, algodãozinho-do-campo, algodão-bravo

Partes utilizadas

Flores, folhas, frutos, batata

Descrição

Planta de talos compridos que variam de 1 a 3 metros de altura. Seu talo não é liso e possui cor marrom-avermelhado. As folhas do algodãozinho são verdes quando nascem e adquirem uma cor avermelhada, como ferrugem, a medida que amadurecem. As flores são muito pequenas de cor amarela com manchinhas vermelhas; elas têm 5 pétalas e do miolo delas nascem muitos fiozinhos amarelo-alaranjados. O algodãozinho ocorre no Norte (Amazonas, Pará, Rondônia, Tocantins), no Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), no Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), no Sudeste (Minas Gerais, São Paulo) e Sul (Paraná)

Uso medicinal

Os algodãozinhos branco e roxo possuem o mesmo uso medicinal. O pó ou polvilho feito com o algodãozinho roxo é mais forte e deve ser usado em doses menores que o branco.

 

A garrafada do algodãozinho é usada para tratar mioma no útero, coceiras, manchas na pele, ou como depurativo do sangue.

 

O polvilho é usado como anti-inflamatório, principalmente para tratar inflamações de útero e ovário, menstruação desregulada, doenças sexualmente transmissíveis, reumatismo, gastrite e úlcera.

 

O chá das folhas secas do algodãozinho é usado para tratar inchaço das pernas, através de banhos locais.

 

As flores são usadas para tratar dor de ouvido. Elas devem ser aquecidas em uma panela para que murchem e, em seguida, devem ser espremidas para que soltem uma aguinha, que é pingada em gotas no ouvido. Outra forma é fazer um emplasto das flores em um pano e colocar a trouxinha em cima da orelha.

 

O fruto é usado para tratar impigem. Ele deve ser cortado ao meio e esfregado no local da impigem. Outra forma é assar o fruto e aplicar a água que solta dele no local afetado (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009). 

Formas de uso

O uso medicinal do algodãozinho é feito com as suas folhas, flores, fruto e
principalmente com a sua batata.


Os pedaços secos da batata do algodãozinho são utilizados para preparar garrafadas, tinturas e para fazer o pó, utilizado em pílulas e garrafadas.


O polvilho do algodãozinho é colocado em garrafadas ou tomado puro com água. 


As folhas secas são usadas na forma de chá em infusão, para banhos locais. As flores são usadas para preparar sumo ou emplasto. O fruto é usado na forma de sumo (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Contraindicações

O uso desta planta não é indicado para mulheres grávidas e crianças.

 

Os remédios caseiros preparados com álcool não devem ser ingeridos por hipertensos ou por pessoas que estejam utilizando medicamentos (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009).

Cuidados

O algodãozinho deve ser usado com cuidado, observando-se as doses recomendadas, que são bem pequenas, principalmente em relação ao polvilho, que é mais forte. Não se tem conhecimento de tratamento para intoxicações decorrentes de doses excessivas da planta (FARMACOPEIA POPULAR DO CERRADO, 2009). 

Referências Bibliográficas

DIAS, J.E.; LAUREANO, L.C. (Coord.) Farmacopeia Popular do Cerrado. 1 ed. Goiás: Articulação Pacari, 2009.

 

LLERAS, E. 2015 Bixaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB27545>.