Sustentando o cerrado na respiração do Maracá: conversas com os mestres Krahô

Sustentando o cerrado na respiração do Maracá: conversas com os mestres Krahô

Autor(a):

Veronica Aldè

Resumo:

A partir de conversas com os anciãos, professores e pesquisadores Krahô, foi desenvolvido um trabalho de mapeamento e tradução dos cânticos do Ritual do Milho (AmjekimPohy Jô Crow), um dos principais eventos do ciclo anual de plantios dessa etnia. O ritual, os cânticos, e a narrativa de ”Catxekwyj e a Árvore do Milho” nos revelaram as densas e sonoras relações existentes entre homens, ambientes e todas as formas de vida que povoam um dos mais antigos e complexos Sistemas Biogeográficos do planeta – o Cerrado. Os materiais resultantes dessa pesquisa (Dvd e Relatório de Pesquisa) – realizada na perspectiva da interculturalidade e da pesquisa participativa – nos deixam pistas importantes do potencial educativo contido nessas vozes e estéticas ainda tão pouco conhecidas. Refletindo sobre alguns temas específicos como sustentabilidade, alteridade e autoria indígena propomos um trançado pedagógico através da arte-educação, capaz de fazer germinar através do movimento criativo essas férteis sementes de cultura que muito contribuiriam na formação de novas gerações mais sensíveis e abertas aos diálogos interculturais e ás múltiplas “verdades” e conhecimentos que circulam continuamente na respiração pluriétnica nacional.

Referência:

ALDÈ, Veronica. Sustentando o cerrado na respiração do Maracá: conversas com os mestres Krahô. 2013. 73 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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Manejo de pastagem com o uso do fogo em unidade de conservação de uso sustentável no Cerrado: estudo comparativo entre a RDS Veredas do Acari (MG) e a APA Nascentes do Rio Vermelho (GO)

Manejo de pastagem com o uso do fogo em unidade de conservação de uso sustentável no Cerrado: estudo comparativo entre a RDS Veredas do Acari (MG) e a APA Nascentes do Rio Vermelho (GO)

Autor(a):

Roque João Tumolo Neto

Resumo:

Este estudo objetivou analisar os fundamentos lógicos da racionalidade tradicional do usuário do fogo no Cerrado como ferramenta acessória de manejo, particularmente de pastagens, em oposição à racionalidade institucional do órgão ambiental gestor federal e do estadual de Minas Gerais, responsáveis pela conservação e preservação de unidades de conservação, contrapondo cada uma dessas racionalidades aos conhecimentos científicos disponíveis sobre o funcionamento geral do bioma. Assim procedendo, intencionou-se averiguar a pertinência científica dessas duas posições divergentes a partir do estudo comparativo de duas unidades de conservação de uso sustentável. A problemática levantada por este trabalho assentou-se na interseção de três conceitos – tradicionalidade, institucionalidade e evidência científica -, analisando e avaliando similaridades e divergências nessas unidades de conservação, uma no nordeste do Estado de Goiás, outra no norte do Estado de Minas Gerais. A primeira é contida nas fronteiras da Área de Proteção Ambiental (APA) Nascentes do Rio Vermelho. A segunda é contida no interior e no entorno da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Veredas do Acari. Teoricamente, esse estudo se baseou no entendimento weberiano para o conceito de racionalidade e nos pressupostos da ecologia política para os conflitos socioambientais em torno do uso dos recursos naturais para fins produtivos e para a conservação. Metodologicamente apoiou-se em revisão bibliográfica e documental, questionários e entrevistas semi-estruturadas, além de dados extraídos de imagens de satélites. Os resultados indicam que o manejo de pastagens com o uso do fogo no Cerrado pode impactar o meio ambiente. No entanto, esta prática tradicional está sendo criminalizada aprioristicamente, sem confrontá la às considerações trazidas pelos dados e estudos científicos mais atuais que tratam da ecologia do fogo, de seus aspectos sócio-históricos e da possibilidade de integrá-la a outras tecnologias. Tal extemporaneidade poderá acarretar o aumento de custos desnecessários à pequena criação bovina, com impactos sócio-econômicos negativos no curto prazo.

Referência:

TUMOLO NETO, Roque João. Manejo de pastagem com o uso do fogo em unidade de conservação de uso sustentável no Cerrado: estudo comparativo entre a RDS Veredas do Acari (MG) e a APA Nascentes do Rio Vermelho (GO). 2014. 229 f., il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

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Avaliação da fragmentação da paisagem natural de Cerrado decorrente do espraiamento urbano de Brasília

Avaliação da fragmentação da paisagem natural de Cerrado decorrente do espraiamento urbano de Brasília

Autor(a):

Priscila Pimentel Jacob

Resumo:

Introdução – A criação de uma interface conceitual e metodológica entre análises de fragmentação da paisagem – Ecologia – e análises do espraiamento urbano (urban sprawl) – Urbanismo – proporciona uma nova forma de se compreender as implicações da urbanização para o meio ambiente natural. Brasília, cidade planejada e construída no Cerrado Brasileiro, é marcada pelo espraiamento urbano. Objetivo – Avaliar a relação entre a fragmentação da paisagem de vegetação nativa do Cerrado e o espraiamento urbano de Brasília. Métodos – Análise diacrônica (1953-2013) da evolução da paisagem do Distrito Federal com base em métricas de paisagem obtidas pelo Sistema de Informação Geográfica (SIG). Análise sincrônica (comparação entre São Paulo/SP, Rio de Janeiro/RJ, Belo Horizonte/BH, Recife/PE, Porto Alegre/RS, Salvador/BA, Brasília/DF, Fortaleza/CE e Curitiba/PR em 2010-2014) da densidade e da compacidade urbanas com o auxílio do Sistema de Informação Geográfica (SIG). Criação de um cenário hipotético de paisagem resultante do crescimento urbano tradicional para Brasília. Resultados – A análise diacrônica mostrou que, 1953, o DF tinha um único fragmento de paisagem nativa de Cerrado de 5.784,50 km² e comprimento total de borda de 447,21 km. A área urbanizada, em 1953, era composta por dois pequenos fragmentos urbanos (Planaltina e Brazlândia) totalizando 1,21 km². Com a construção de Brasília e a sua expansão espraiada, a paisagem natural de Cerrado foi suprimida e fragmentada. Em 2013, o DF tinha 547 fragmentos de paisagem nativa de Cerrado com tamanho médio de 4,32 km² cada, comprimento total de borda de 10.591,20 km e área total de 2.362,21 km². A área urbanizada, em 2013, era composta por 255 fragmentos totalizando 873,68km². A análise sincrônica (2010 2014) mostrou que Brasília destaca-se pela baixa densidade populacional urbana média e pelo deslocamento das áreas mais densas para fora do centro. O cenário hipotético de crescimento urbano tradicional para Brasília mostra uma redução de 227km² (33%) da área urbanizada (2010-2014). Conclusão – A análise conjugada de fragmentação da paisagem natural e espraiamento urbano revela que o adensamento e a compactação da cidade podem promover um uso mais racional do solo e, assim, podem contribuir para a preservação da paisagem natural.

Referência:

JACOB, Priscila Pimentel. Avaliação da fragmentação da paisagem natural de Cerrado decorrente do espraiamento urbano de Brasília. 2017. xii, 67 f., il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.

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Degradação e conservação do cerrado : uma história ambiental do estado de Goiás

Degradação e conservação do cerrado : uma história ambiental do estado de Goiás

Autor(a):

Carlos Christian Della Giustina

Resumo:

A presente tese tem como objetivo compreender o processo histórico de degradação e de conservação da natureza empreendidas no bioma Cerrado, no estado de Goiás. Para tanto, foram estudados o ambiente natural e os modos de vida das diferentes sociedades que ocuparam este território, ao longo dos períodos pré-colonial, colonial, imperial e republicano. Em cada período da história foram avaliados os principais recursos naturais utilizados e os passivos ambientais decorrentes dos processos produtivos coevos. Por fim, foram estudadas as principais estratégias conservacionistas, que buscaram a proteção dos remanescentes de vegetação nativa no estado. A pesquisa envolveu a consulta da literatura especializada, documentos históricos, censos demográficos e agropecuários, a base cartográfica oficial e as observações de campo. Os resultados mostraram que os tipos de recursos naturais disponíveis foram fundamentais para a configuração do povoamento e dos processos produtivos no estado. No período pré-colonial, os primeiros recursos naturais a promoverem a imigração de seres humanos para o cerrado foram os frutos, os animais para, as matérias primas minerais e o solo, utilizado para a agricultura. No período colonial, o ouro foi o principal atrativo. No período imperial com a decadência das minas auríferas, a pecuária passou a ser a principal atividade econômica. No período republicano, as atividades agropecuárias foram incrementadas pelo incentivo do Estado e pela melhoria da infraestrutura. Até a década de 1970, as atividades agropecuárias eram desenvolvidas principalmente em solos férteis. Nessas áreas ocorriam formações florestais denominadas de Mato Grosso de Goiás. Esse tipo de vegetação foi quase integralmente devastado. Após essa década, com a chamada “revolução verde”, solos menos férteis passaram a integrar as áreas agricultáveis. Com isto outros ecossistemas, como o Cerrado sentido restrito, passaram a ser ameaçados pela expansão das fronteiras agrícolas e pelo crescimento das cidades. Por outro lado, as políticas públicas de conservação do cerrado foram lentas e não foram suficientes para proteger a natureza no estado de Goiás. Estratégias como a gestão biorregional e a criação de unidades de conservação de proteção integral podem contribuir para a mudança na tendência de degradação do Cerrado.

Referência:

DELLA GIUSTINA, Carlos Christian. Degradação e conservação do cerrado : uma história ambiental do estado de Goiás. 2013. 210 f., il. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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Vestígios no Parque Nacional de Brasília e na Reserva Biológica da Contagem: do campo da invisibilidade aos lugares de memória

Vestígios no Parque Nacional de Brasília e na Reserva Biológica da Contagem: do campo da invisibilidade aos lugares de memória

Autor(a):

Nome dos autores em formato direto.

Resumo:

O Parque Nacional de Brasília, criado em 1961, e a Reserva Biológica da Contagem, criada em 2002, são Unidades de Conservação federais administradas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Os limites das Unidades foram demarcados num território historicamente contextualizado pela dinâmica do avanço dos séculos coloniais. As terras desapropriadas para a fundação das reservas ambientais compreendem um espaço moldado por relações sociais, materializado na localização e distribuição de elementos criados pelo homem numa relação direta com o ambiente natural. Durante pesquisa em campo realizada em 2009 e 2010, foram identificados vestígios da ocupação do Planalto Central, testemunhos do século XVIII ao XX. As diretrizes das Unidades de Conservação contemplam, segundo a legislação brasileira, a preservação do ecossistema Cerrado. Pelo texto da legislação, a preservação do patrimônio cultural nelas existente não está na competência das mesmas e, tampouco, consta dos bens culturais relacionados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O objetivo da pesquisa é dar visibilidade aos vestígios, inventariando-os por meio da narrativa histórica das sociedades que se relacionaram com os espaços hoje pertencentes ao Parque Nacional de Brasília e a Reserva Biológica da Contagem.

Referência:

VIEIRA JÚNIOR, Wilson Carlos Jardim. Vestígios no Parque Nacional de Brasília e na Reserva Biológica da Contagem: do campo da invisibilidade aos lugares de memória. 2010. 159 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo)-Universidade de Brasília, Brasília, 2010.

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Visões de um paisagismo ecológico na orla do Lago Paranoá

Visões de um paisagismo ecológico na orla do Lago Paranoá

Autor(a):

José Marcelo Martins Medeiros

Resumo:

Esta dissertação partiu da idéia de que os modelos paisagísticos atualmente adotados nas margens do Lago Paranoá não estão contribuindo adequadamente para a manutenção dos ecossistemas nativos. Neste contexto a restauração de corredores verdes, alocadas em posições estratégicas através da ligação de áreas de proteção ambiental, pode atuar como uma estratégia viável para a conservação da biodiversidade, pois diminui os efeitos negativos da fragmentação de habitats. Foi descrito como a ecologia, na qualidade de um novo paradigma, viria a influenciar a práticas projetuais, resultando em ações mais equilibradas com o meio ambiente. Também foram apresentados alguns projetos paisagísticos, no Brasil e no exterior, que incluíram a conservação ambiental como uma de suas principais preocupações. O comprometimento ambiental das margens dos corpos d’água, talvez seja o maior exemplo de como essa expansão urbana tem afetado e degradado os processos naturais no Distrito Federal. Neste sentido, o estudo da orla do Lago Paranoá, das estratégias para sua conservação e sua legislação pertinente, mostrou-se importante para a avaliação da exploração de seus recursos naturais. Foi realizada uma análise da ocupação da orla do lago ao longo de várias décadas e das propostas e das diretrizes do processo de implantação do Projeto Orla. A análise paisagística baseou-se em um estudo de caso específico, a orla do Lago Sul, delineada por uma metodologia inspirada em técnicas consagradas do paisagismo. Como conclusão, acredita-se que as atuais ocupações nas margens são prejudiciais a manutenção dos ecossistemas nativos, exigindo intensas modificações, que resultariam em amplos ganhos para a sociedade e para o meio ambiente. Foi verificada que é possível a implantação de um corredor verde na área de estudo, com a devida ligação de áreas remanescentes da vegetação nativa do cerrado e a utilização de um paisagismo mais preocupado com o meio ambiente.

Referência:

MEDEIROS, José Marcelo Martins. Visões de um paisagismo ecológico na orla do Lago Paranoá. 2008. 186 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo)-Universidade de Brasília, Brasília, 2008.

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A questão dos corredores ecológicos no Distrito Federal: uma avaliação das propostas existentes

A questão dos corredores ecológicos no Distrito Federal: uma avaliação das propostas existentes

Autor(a):

Liliana Pimentel

Resumo:

O objetivo deste trabalho é identificar os fluxos potenciais para o estabelecimento de corredores ecológicos no Distrito Federal, considerando a perspectiva do planejamento biorregional. Definimos o Bioma Cerrado como prioritário para o desenvolvimento desse estudo, não apenas pela sua posição estratégica, abrangência e caráter integrador, mas por funcionar como elemento de transição entre os demais biomas brasileiros e encontrar-se imensamente ameaçado a despeito da sua importância para o equilíbrio ecológico. Apresentamos uma breve discussão sobre a importância do Bioma Cerrado no contexto das políticas de preservação ambiental e conservação da natureza em desenvolvimento no país e a necessidade de se estabelecer programas adequados, que considerem a integração dos biomas brasileiros numa perspectiva regional. Partindo do pressuposto de que as ações em nível local devem adequar-se a uma política mais ampla de conservação dos ecossistemas naturais, dando-lhe o suporte necessário para que se torne factível, tomamos como exemplo a questão dos projetos de corredores ecológicos em execução no país e a sua inserção nas políticas de uso e ocupação do território. Após o levantamento das propostas existentes para o estabelecimento de corredores ecológicos no país e a compreensão conceitual do tema corredores ecológicos, identificamos a região do Distrito Federal como ponto chave para a conexão dessas propostas. Assim, selecionamos os estudos existentes sobre o tema num recorte espacial coincidente com os limites dessa unidade da federação. Uma avaliação crítica das propostas existentes, do ponto de vista da sua adequação espacial, realizada com base na sobreposição de informações geográficas, nos permitiu identificar suas fragilidades e potencialidades, resumidas num quadro síntese, e estabelecer uma nova visão sobre a implementação dos Corredores Ecológicos no Distrito Federal. Visão esta calcada nos fundamentos do planejamento biorregional e demonstrada no mapa que apresenta os fluxos prioritários para a conexão de fragmentos do Cerrado na área de estudo.

Referência:

PIMENTEL, Liliana. A questão dos corredores ecológicos no Distrito Federal: uma avaliação das propostas existentes. 2007. 168 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo)-Universidade de Brasília, Brasília, 2007.

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Simulação térmica de paredes verdes compostas de vegetação nativa do Cerrado

Simulação térmica de paredes verdes compostas de vegetação nativa do Cerrado

Autor(a):

Pedro Dias Boa Sorte

Resumo:

A parede verde é um dispositivo utilizado como estratégia bioclimática e que possui o potencial de integrar a arquitetura com o entorno natural. Este trabalho tem como objetivo realizar uma avaliação do desempenho térmico de paredes verdes compostas por diferentes espécies vegetais, de hábito trepador, nativas do bioma Cerrado. A escolha de espécies ocorreu de acordo com características fisiológicas e morfológicas, tais como tolerância ao sol pleno e apelo paisagístico. A avaliação foi realizada por meio de simulação computacional com o uso do software ENVI-met 3.1. Os dados necessários para o estudo foram coletados com o uso do IRGA LCI e do scanner de área foliar da CID e inseridos no banco de dados de vegetação do programa. Além dos dados de vegetação, utilizaram-se na simulação, dados climáticos de Brasília-DF, uma malha de 40 m x 40 m, com edificações de 3 m x 1 m x 3 m e vegetação aderida em cada fachada. Os resultados demonstram que a espécie Arrebidaea pulchra possibilitou paredes verdes com menores temperaturas de ar e maiores taxas de umidade relativa do ar na maioria das situações, em comparação com as espécies Banisteriopsis anisandra e Cissus erosa. As taxas de germinação e crescimento foram mais favoráveis para Cissus erosa.

Referência:

SORTE, Pedro Dias Boa. Simulação térmica de paredes verdes compostas de vegetação nativa do Cerrado. 2016. xviii, 125 f , il. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016.

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Narradores de Brasília: a cidade no discurso imagético de Ivaldo Cavalcante e Luis Humberto

Narradores de Brasília: a cidade no discurso imagético de Ivaldo Cavalcante e Luis Humberto

Autor(a):

Beatriz Bowles Vilela

Resumo:

Este trabalho analisa a narrativa fotográfica de Brasília a partir da obra dos fotógrafos Ivaldo Cavalcante Alves (1956-) e Luis Humberto Miranda Martins Pereira (1934-) – conhecido como Luis Humberto. Buscou-se destacar a maneira como ambos os fotógrafos narram a capital, levando-se em conta os referentes históricos e suas escolhas técnicas e estéticas. Valorizou-se a noção do fotógrafo como narrador para compreender como os autores se revelam nos próprios registros fotográficos. Foram analisadas 27 fotografias de Ivaldo Cavalcante que compõem a publicação Brasília: 25 anos de fotojornalismo (Brasília: Secretaria de Cultura do Distrito Federal – FAC, 2005) e o mesmo número de imagens de Luis Humberto, referentes ao ensaio O homem e o espaço, do livro Luis Humberto: do lado de fora da minha janela, do lado de dentro da minha porta (Fortaleza: Tempo d’ Imagem, 2010). As fotos analisadas têm como tema principal retratado o espaço urbano e o lugar do humano em Brasília, assuntos principais da reflexão proposta neste trabalho. A partir da análise das fotografias, pode-se dizer que cada imagem de O homem e o espaço afirma-se como contribuição à memória de Brasília. Lembranças de uma capital em construção, marcadas pelas imagens de canteiros de obras, da imensidão do cerrado e de operários trabalhando. Percebe-se também, sobretudo pelas imagens de Ivaldo Cavalcante, a capacidade da linguagem fotográfica em agenciar um discurso político que tanto elabora uma opinião pública sobre o que se registra como cria um imaginário social sobre seus objetos de registro. Conclui-se, então, que não são apenas dois pontos de vista sobre um lugar, mas consequência de interesses e expectativas distintas. Dos fragmentos imagéticos emerge uma cidade em permanente transformação, muito mais que permanência.

Referência:

VILELA, Beatriz Bowles. Narradores de Brasília: a cidade no discurso imagético de Ivaldo Cavalcante e Luis Humberto. 2014. 139 f., il. Dissertação (Mestrado em Comunicação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

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Compensação florestal no Distrito Federal: evolução do instrumento em busca de maior eficácia?

Compensação florestal no Distrito Federal: evolução do instrumento em busca de maior eficácia?

Autor(a):

Bruno Henrique Souza Corrêa

Resumo:

A supressão de vegetação nativa ou exótica ao bioma Cerrado no Distrito Federal, necessária à implementação de empreendimentos como projetos de loteamento, edificação de prédios públicos ou privados e outras estruturas, pode ser identificada como uma externalidade ambiental, vez que o agente privado promove degradação da qualidade ambiental, considerada bem de domínio público, e não compensa a sociedade que acaba arcando com todo o custo social, seja relacionado às perdas de bens ambientais e de serviços ecossistêmicos ou decorrentes da recuperação ou reposição da vegetação suprimida. Diversas são as formas como o poder púbico pode interferir nos processos em que essas externalidades ocorrem, as principais ferramentas de gestão adotadas são baseadas nos tradicionais mecanismos de comando e controle ou na alternativa, com foco na eficiência, dos instrumentos econômicos. O Distrito Federal optou por instituir o instrumento de Compensação Florestal para garantir a necessária reposição da vegetação suprimida. Trata-se do Decreto 14.783/1993 e atualizações promovidas em 2003 e 2016. O instrumento tem como como regra geral a imunidade ao corte, mas estabelece as regras para autorização e consequente compensação dos indivíduos excepcionalmente suprimidos. O estudo identificou que o instrumento está relacionado à abordagem de comando e controle, vez que estabeleceu uma regra e faz o uso de seu poder administrativo para garantir o cumprimento. Constatou-se, ainda, que o processo de formulação e revisão dessa política foi marcado por falhas técnicas de reconhecimento e desenho de medidas para saná-las, com consequências para o potencial de eficácia em atingir os objetivos de reparação dos danos. Quanto ao processo de formulação de políticas em si, adotado para a última versão do instrumento, observou maior aderência às etapas recomendadas na literatura, embora ainda não seja possível identificar se isso será traduzido em ganhos de eficácia para o instrumento.

Referência:

CORRÊA, Bruno Henrique Souza. Compensação florestal no Distrito Federal: evolução do instrumento em busca de maior eficácia? 2017. 102 f., il. Dissertação (Mestrado em Gestão Econômica do Meio Ambiente)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.

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