A expressão Homo-cerratensis foi criada pelo pesquisador Paulo Bertran, para batizar simbolicamente a descoberta feita pelo professor e pesquisador Altair Sales Barbosa do esqueleto humano mais antigo das Américas. O esqueleto pertence a um indivíduo do sexo masculino e foi encontrado dentro do início das camadas Pleistocênicas, em escavação arqueológica realizada na região de Serranópolis-Goiás, com a idade de 13.000 anos antes do presente (A.P.), após recalibragem do Método Carbono 14. Embora o esqueleto seja de um Homo-sapiens-sapiens, um dos ancestrais dos indígenas no Brasil, isso não o configura como o vestígio mais antigo da ocupação humana americana. Há outros vestígios não esqueletais que acusam a presença dos seres humanos no Continente Americano em épocas mais antigas. Com o passar do tempo, a expressão Homo-cerratensis passou a designar também o habitante tradicional do Cerrado, fruto ou não de miscigenações e troca de conhecimentos entre populações indígenas, portuguesas e africanas.

Eco-história

A NOÇÃO DE ECO-HISTÓRIA

Deusdedith Junior (UniCeub)
Rosângela Corrêa (Faculdade de Educação-unB)

 

Quando traz no próprio título a intenção de abordar a história do Planalto Central em uma perspectiva particular, qual seja, a da eco-história, Paulo Bertran decide por um argumento novo que vem se acrescentar às perspectivas da história regional e da história do cotidiano. Aqui, região e cotidiano são elementos fundamentais para a percepção de um percurso histórico, mas que tal percurso se explica de modo mais abrangente quando considera a influência que o “cenário”, o meio onde se desenrola a história, produz sobre a própria história.
Não se trata, como já se pretendeu antes, de decidir entre a ação humana e a estrutura social, considerando que esta se sobrepõe àquela, ou ainda, de forma mais determinista, que o meio ambiente produz sobre os seres humanos influência tal que não poderiam agir de outro modo, condicionados que são dos fatores externos (sejam sociais ou naturais). Há uma interminável discussão sobre estas questões, pouco interessantes para a construção de modelos de interpretação histórica na atualidade, pois que repetem vícios antigos pouco producentes. Por outro lado, a relação entre os seres humanos e o meio ambiente é um fato que não pode ser descartado pelas ciências sociais, possuindo tantas facetas quantas são as questões que fundam sobre a vida humana.
A abordagem histórica que procura marcar os modos como a relação entre os seres humanos e o meio ambiente constrói saberes sobre o mundo, capaz de dar a uma determinada região um sentido particular e com esse sentido uma especificidade cultural (local ou regional) é o que Paulo Bertran trata por eco-história.
A perspectiva da eco-história deve considerar:
• Que a vida cotidiana se desenvolve a partir das relações entre os seres humanos e entre estes e a natureza.
• Que as relações entre os seres humanos e a natureza se organiza e se produz a partir de um saber que os seres humanos constroem sobre o meio em que vivem.
• Que esse saber sobre o meio em que vivem os seres humanos se constitui num modo de estar no mundo, fundando ao mesmo tempo uma cultura particular e um sentido de naturalidade à vida humana.
• Que a organização do mundo em que vive, por se produzir no âmbito da cultura, expressa-se antes como linguagem.
• Assim, a eco-história consiste no reconhecimento do modo como os seres humanos organizam as suas vidas a partir do modo como identificam o meio ambiente.

Definida a eco-história, podemos considerar que ela pode ser expressa a partir dos olhares produzidos sobre a vida cotidiana, podendo observar:
• Os hábitos alimentares.
• A produção econômica.
• A organização urbana e a relação campo/cidade.
• As tradições religiosas (naquilo que explica a realidade do mundo e as relações possíveis com ele).
• A organização do trabalho (nas suas relações com o meio ambiente).
• Os rituais e os mitos (como forma de interação e de reconhecimento da realidade do mundo)
Uma abordagem de eco-história privilegia o tempo da longa duração, na medida em que observa como se constitui e permanece um saber que organiza a vida cotidiana.
Pequenas distinções são necessárias que se faça entre o que Paulo Bertran propõe como eco-história e outros autores como Simon Schama (1996) e Victor Leonardi (1999) tratam por história ambiental, pois nessa privilegia-se a incorporação das variáveis ambientais na história social e nas relações de trabalho, enquanto que naquela o elemento cultural e os aspectos do cotidiano são os objetos privilegiados. Sutileza que não pode levar a um antagonismo entre as duas abordagens, pois que podem ser complementares nas análises que pretendem ser mais abrangentes.
A história ambiental e social considera que bacias hidrográficas e aspectos dos solos devem ser considerados para explicar os processos de ocupação e as formas de organização do trabalho. Segundo Leonardi, “o extrativismo, por suas próprias características, é atividade que não pode ser pensada como se os seres humanos pairassem acima da natureza e do meio ambiente” (1999:15).
Para Victor Leonardi, a principal característica da história ambiental é o novo olhar que lança sobre a história econômica, evitando os reducionismos que a envolveu, mas sem abandonar esse aspecto da realidade. A história ambiental, portanto, pretende ver as relações de trabalho e de produção não como determinadas pelas feições do meio ambiente (o que a conduziria a outros reducionismos), mas como uma sociedade que se define pela relação cultura-natureza, conceitos pares que se complementam ao invés de se opor.
Vamos nos deter, porém, no modo como Paulo Bertran caracteriza a categoria que lhe serve de base para pensar a história em sua obra “História da terra e do homem no Planalto Central – Eco-história do Distrito Federal: do indígena ao colonizador” (2000), um livro dedicado à reconstituição histórica de uma região que ao longo de cinco décadas privilegia uma história “sem passado”, fundada na modernidade constituída por uma cidade planejada e ancorada em uma ideia de futuro sem laços com o passado. Trata-se, portanto, de uma das primeiras – senão a primeira – investida na vinculação das marcas de identidade modernas com o passado colonial da região de Brasília, laços fundamentais para que faça sentido o futuro dessa região.
Na sua reconstituição histórica do Planalto Central Paulo Bertran destaca, o longo tempo da ocupação humana dos cerrados, marcado pela presença de grupos humanos nômades que há onze mil anos faziam uso dos recursos naturais providos de um profundo conhecimento sobre as possibilidades de utilidade e o tempo necessário de se retirar em busca de condições mais propícias:
“A história do Planalto Central é interminável: pelas dimensões geológicas remonta, no mínimo, a 1 bilhão de anos. Pela escala arqueológica, da povoação indígena, pode retroceder a 12 mil anos ou muito mais. E pela sua colonização gregária, por colonizadores de extração luso-brasileiro-africana, teria no mínimo dois séculos e meio, fazendo aqui proliferar a civilização, ecologicamente diferenciada, do Homo cerratensis. Mostramos, em diferentes momentos deste livro, que o Distrito Federal e o Planalto Central tiveram uma expressão histórica própria. O bioma cerrado é vasto, mas compõe-se de nichos ecológicos diferenciados – como o planalto de altitude – que conformam eco-histórias sutilmente diferenciadas”.
Em seguida, a região do Distrito Federal tornou-se, como se pode verificar nos vestígios deixados por grupos indígenas nas áreas de caça privilegiada pela intensa presença de uma grande fauna do cerrado, principalmente veados, tornando-se freqüentada regularmente, provavelmente fundando caminhos que foram esquecidos ou aproveitados no processo de ocupação lusa que nessa região iniciou-se nos primeiros anos do século XVIII. Segundo Bertran, “a hipótese por si só entalha novo paradigma para a abordagem eco-histórica, que é o da ação antrópica presente nas características do meio ambiente, desde o surgimento das primeiras sociedades (p.24).
Enquanto o final do século XVII foi marcado, apesar da pouca documentação, pela presença jesuíta que subia o rio Tocantins intentando a catequese do indígena, foi seguramente o bandeirante paulista, ora buscando alternativa à presença portuguesa nas Minas Gerais, ora buscando novos caminhos a partir de São Paulo, os que buscaram no território goiano novos veios auríferos, encontrando-os na região do rio vermelho em 1726.
Partindo de São Paulo, vagando pelo sul goiano, o bandeirante paulista trouxe os elementos formadores da cultura caipira, a mesma que haviam levado para a formação da região mineira das Minas Gerais. Mas vindo de Minas, paulistas e portugueses buscaram antes os contornos do rio São Francisco, tornando o território do Distrito Federal rota de trânsito para as minas goianas.
Desde os primeiros anos do período da mineração aurífera de Goiás a região do Distrito Federal, através dos seus caminhos, conduzia para Minas e para a Bahia a riqueza produzida pela mão escrava e dava entrada de produtos necessários à sobrevivência da sociedade mineradora, conduzidos por tropeiros, como José da Costa Diogo, que em 1734 atravessava a futura estrada real em busca da Varia Fortuna. Afinal, “sobreviver antigamente nos cerrados, as assim chamadas savanas do interior brasileiro, era um exercício da arte ecossistêmica” (p.33).
Continuou ocupado o território brasiliense e nos séculos XVIII e XIX tornou-se pasto das vastas fazendas dos municípios de Couros (Formosa) e Santa Luzia (Luziânia), entrecortado por caminhos que conduziam gados e produtos levados e trazidos de outras regiões, assim como novos elementos culturais, como, mais profundamente nesse período, cultura sertaneja de piauienses, baianos e outros nordestinos.
A ideia equivocada de que não existia gente quando Brasília foi construída é um grande equívoco pois Bertrán comenta: <> Ao pernoitar no dia 10 de outubro de 1778 na Contagem de São João das Três Barras, em pleno Distrito Federal, o Governador Luís da Cunha Menezes, a quem referimos em outra parte, depois de viajar todo o dia pelo Distrito Federal na trajetória de Formosa – Mestre d’Armas, escreve: …<> No dia seguinte, indo dormir nas proximidades de Brazlândia, comentava em seu diário: … <>
Infelizmente ainda paira no imaginário brasileiro que antes da construção da nova capital do Brasil existia um vazio demográfico e cultural nestas terras mas Bertran nos mostra que:
“De fato antes que se entranhasse a decadência da mineração e sobreviesse o império da subsistência, existiram grandes fazendas de engenho na região. O Centro Oeste experimentou, com a sua ocupação branca, a montagem de novos modelos de exploração dos recursos naturais para a sustentação da economia mineradora, cuja finalidade e efeitos financeiros e sociais, previam-se, desde o início, para fora da própria colônia – isso explica em parte o espírito de aventura e o desejo do retorno marcado pela despreocupação com a formação familiar. Mas tais modelos tiveram antes que ser adaptados aos ambientes dos cerrados e às formas de vida humana nele possíveis” (p.175).
Quando reacendeu, para as elites, o antigo interesse de interiorização da capital do Brasil, em fins do século XIX e ao longo da primeira metade do século XX, a definição do quadrilátero do Distrito Federal contou antes com o profundo conhecimento que os cerratenses que por aqui moravam possuíam e puderam oferecer às comissões delimitadoras do território da capital. É assim que Paulo Bertran organiza o processo de ocupação humana dos cerrados do Planalto Central, sempre relacionando os aspectos ambientais com os vários elementos culturais que se desenvolveram, se dissolveram e se reorganizaram, construindo modos de vida peculiares, capazes de configurarem marcas de identidade e cotidianidades distintas.
São, portanto, nos vários elementos que compõem a vida cotidiana, a organização do trabalho e os processos produtivos que se revelarão as estratégias formadoras de traços culturais que, por sua vez, indicam o estreito relacionamento entre o mundo da cultura e o meio em que ele se desenvolve, perfigurando o sentido de eco-história.
O cerratense que se forma no Planalto Central, ao modo de outros tipos culturais que preencheram o território brasileiro, viveram um misto de convivência com uma fauna e flora locais e outras conhecidas e domesticadas de outras porções americanas, bem como com uma fauna e flora européias e conhecidas dos europeus nos seus processos expansivos. Formou-se um saber sobre o meio ambiente generalizado e internacionalizado, mas sem perder os “sotaques” locais. A modernidade vem marcada por essa nova relação – ameaçadora, diga-se de passagem – com o meio ambiente.
A eco-história também se apresenta no discurso, como a sobrevivência de culturas do passado em toponímias e outras estruturas culturais-lingüísticas que permanecem, justificando os sentidos de pertencimento e territorialidade. Assim, Bertran nos comenta que:
“Urbano, em seu roteiro do Sudoeste Goiano, primava pela arte das denominações do que ia ser descoberto: ora uma Torre de Babel, extraída da literatura bíblica para referir-se a uma serra próxima ao rio dos Pilões (onde havia de fato pilões naturais cavados pelas águas), ora um Morro da Canastra, com o exato perfil de uma canastra, mala de couro ou madeira de tampa côncava, com que se cingiam as tropas de eqüinos, ou seja, transposto para a geomorfologia, um morro eriçado, com altas falésias despenhadas em cortes planos retilíneos. Há também um outro tipo de formação geológica muito erodida, um morro arredondado, em que o sertanejo vê semelhança com a carapaça de um tatu-canastra. E só nisso temos duas denominações idênticas para duas denotações ideográficas dissemelhantes no tempo e no espaço. A semiologia na natureza e a toponímia ainda têm muito a aprender em reciprocamente: nenhum nome é gratuito e todos os nomes pagam tributo às eco-histórias que os conformaram. Diziam Henrique Silva e Diogo de Vasconcelos, no começo do Século, que o nome do Rio São Bartolomeu emprestado ao principal ribeirão do Distrito Federal era uma homenagem a Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhangüera II, que ali estivera: e este é um exemplo da não-gratuidade dos nomes a que nos referíamos” (p.137).
Quantas vezes passamos pelos lugares e não temos a menor ideia das histórias vividas por tanta gente que ali viveu e que ainda vivem neste lugar. Bertrán nos chama atenção: “Está aí o Distrito Federal: todo ele palatável e útil, bem ao gosto indígena e sertanejo. Sua toponímia come-se, veste-se, emprega-se em ranchos e utilidades doméstica e, antes de mais nada, constrói um vasto discurso ecossistêmico nas raízes da história. Pura matéria de Eco-História (p.23).
Mas o Cerrado viu-se modificado até a sua quase destruição, em 2010, fora desmatado em 49%, o que é mais grave no caso do Estado de Goiás em que a situação é mais agravante pois estimativas revelam que cerca de 90% de todo bioma já se encontra alterado. Buriti, ingá, quaresmeira, cagaita, guariroba, pequi, mama-cadela, paineira, angico, jatobá, canela de ema, ipê. Estas são apenas algumas das mais conhecidas plantas nativas do Cerrado mas existem mais de 10 mil espécies vegetais identificadas pelos cientistas. Cerca de 4.400 dessas espécies são endêmicas, ou seja, só existem nesta região. Muitas delas servem como base para a alimentação humana, entre elas, o pequi, o baru, a cagaita, o jatobá e tantas outras, e medicamentos, como o velame, a lobeira, a calunga, o barbatimão e uma infinidade de plantas usadas ancestralmente pelas populações do Cerrado.
Com uma grande variação de ambientes, as espécies de animais e plantas apresentam uma grande associação com os ecossistemas locais, podendo ser encontrados vários exemplos de espécies muito ligadas aos ambientes naturais. Assim, aves como o soldadinho (Antilophia galeata) ou o pula-pula-de-sobrancelha (Basileuterus leucophrys) somente podem ser encontradas em matas de galeria (Machado 2000). Mamíferos como o ratinho Kunsia fronto só existem em formações de cerrado mais denso (Marinho-Filho et al. 2002). Lagartos como o Cnemidophorus ocellifer só ocorrem em cerrados de terrenos arenosos. Palmeiras como o buriti (Mauritia flexuosa) estão muito associadas com as formações de veredas e orquídeas como a Constancia cipoense só ocorre em campos rupestres.
A diversidade biológica, especificamente a flora do Cerrado, como a brasileira de modo geral, é praticamente ignorada nos livros didáticos, enquanto a flora domesticada é dominante. Nenhuma espécie vegetal brasileira, muito menos nativa dos Cerrados, é apresentada, considerando-se as possibilidades de seu uso econômico, por exemplo, aspectos bastante explorado nas pesquisas atuais sobre os Cerrados. Mas Bertran nos mostra que a prática da inclusão de frutas plantadas de procedências diversas no Cerrado vem desde o século XIX:
“E importou-se de tudo, do mundo inteiro. Em 1801, o governador João Manoel de Menezes lançou os fundamentos de um Horto Botânico, para onde trouxe, provenientes da Índia, mudas de canela e sementes de manga, acondicionadas em caixas com areia. Trouxe mais consigo de Lisboa, por determinação real, exemplares de um livro chamado O Fazendeiro do Brasil, para ser vendido em Goiás. Os vilaboenses devem ter ficado basbaques ao verem canoas com livros na importante frota que trouxe o governador – viagem custosa e perigosa – desde Belém do Pará, rio Araguaia acima. À boca pequena deviam chamá-lo “governador dos livros”, se bem interpretamos a malícia cabocla”.
É claro que não somos ingênuos de acreditar que o meio ambiente deva ser intocável pelos seres humanos, afinal, o “meio ambiente em movimento, antrópico e depois anantrópico, numa lição prática de ecohistória” faz parte da história da humanidade, daí a necessidade de compreendermos a situação atual da degradação ambiental a partir da complexidade sócio-cultural-ambiental brasileira que é definida não somente pelos momentos e as formas de ocupação, como também pelos elementos ambientais presentes nas regiões em que se desenvolveram:

“Não há um Brasil, não há dois Brasis, como gostariam de crer os dualistas. Há possivelmente, segundo nossa consciência, algo como umas duas ou três dúzias de Brasis, formando o movimento difuso de nacionalidade. Somos um povo complexo e diversificado, habitando nichos ecológicos diferenciados em que se processam etnografias plurais, com heterogêneas composições de tempo histórico e de sedimentos inter-raciais, sócio-econômicos, culturais… Esse bom calçamento, com robustas suspensões independentes, talvez explique o Brasil ser maior que o abismo, ao atravessar o caminho ruim dos anos de crise. Eis que, apesar dos aviões que levam e trazem; apesar dos anódinos ambientes climatizados e da televisão, que com compulsiva esquizofrenia traz-nos o horror e o excesso do mundo à mesa; apesar de tudo que nos empurra para a globalização do gênero humano, há um outro movimento que nos conduz ao inverso, que nos regionaliza, ambienta-nos, remete-nos cada vez mais ao nicho aprazível de nossa ecologia mínima” (Bertran, 2000:17).
O laço com o sentido de regionalidade que constitui um dos elementos da noção de pertencimento entre os seres humanos surge como ponto de partida para a concepção de eco-história. Confirma essa ideia a afirmação de que “quanto mais o homem escapa e sobrepõe-se à natureza de si próprio e do ecossistema em que vive, mais condenado fica a reencontrar-se – a si e ao seu ambiente” (Bertran, 2000:17).

Concluindo

Inegavelmente a proposta de Paulo Bertrán nos mostra que “temos muito a aprender sobre o metabolismo das idéias, das ilusões, da confusa natureza humana. Despoluír-se para enxergar o que existe. Despoluir-se para a experiência imediata. Para ver o neto ou o bisneto migrando para as estrelas. Ou para não ver bisneto nenhum. Antigamente chamava-se a isso heurística do discurso. Hoje é despoluição mesmo, se é que resolve”. Assim sendo, pensamos que devemos escrever livros didáticos que permitam aos estudantes ter um outro olhar sobre a nossa história, especialmente, a história do Distrito Federal, a partir de um campo novo, difuso e “estranho”: a Eco-História, ou História Ecológica. Como escreveu o nosso mestre Bertrán:

“Eco-história não é panacéia, mas forma de abordagem, forma de assalto que pressupõe a compreensão abrangente da Mãe-Terra e dos filhos homens, com seus resultados, alguns salutares, outros iníquos sociológica, econômica e ecologicamente. De tudo isto tiramos uma certeza. Não saber mais o que é Centro-Oeste ou Brasil, por exemplo. Mas saber o que é o cerrado e seus filhos, a eco-história humana das savanas brasileiras”.

Referências bibliográficas:
– Leonardi, Victor. Entre árvores e esquecimentos: história social nos sertões do Brasil, Brasília: EdU-nB/ Paralelo 15, 1996.
– Martins, Marcos Lobato. História e Meio Ambiente. São Paulo: Annablume; Faculdades Pedro Leopoldo. 2007.

                                           paulo bertranhistoria do homem

Paulo Bertran Wirth Chaubub nasceu em Anápolis, Estado de Goiás, no dia 21 de outubro de 1948; era filho de Tufi Cecílio Chaibub e Maria Helena Wirth Chaibub. Para continuar seus estudos, primeiro ele foi morar em Goiânia e depois foi para o Distrito Federal, onde se formou em Economia pela Universidade de Brasília, com pós-graduações em História e Planejamento pela Universidade de Strasbourg – França. Os amigos garantem que Paulo também era um ótimo pianista. Ele era fazendeiro (criava gado curraleiro na fazenda do Assombrado) e especialista em construção de casas de barro. Aguerrido defensor do Cerrado, ele forjou a termo Homo Cerratensis, designando as pessoas que vivem neste rico bioma e suas características únicas.

O historiador Paulo Bertran era casado com Maria das Graças Fleury Curado, com quem criou o Memorial das Idades do Brasil, em Brasília. Ela preside o Instituto Bertran Fleury, OSCIP criada em 2003, que mantém a página www.paulobertran.com.br. Paulo era pai de João Frederico, Maria Paula e André Gustavo Bertran.

O pesquisador foi diretor-geral do Instituto de Pesquisas e Estudos Geográficos do Brasil Central da Sociedade Goiana de Cultura e professor da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Universidade Católica de Goiás, atual Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Paulo Bertran também integrou a Academia Brasiliense de Letras, a Academia de Letras e Artes do Planalto e era sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e dos IHG’s do Distrito Federal e de São Paulo. Ele era membro da Academia Paulistana de História e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Arte e Cultura (Unesco) e do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Paulo Bertran introduziu o conceito de Eco-História, contribuindo ativamente com a historiografia brasileira.

Com o seu conhecimento e o incansável trabalho de campo, Paulo Bertran foi o responsável e se desincumbiu bem da histórica tarefa de justificar o dossiê, documento essencial para o título de Patrimônio Histórico e Cultual da Humanidade, que foi muito comemorado pelo povo da Cidade de Goiás e representou um novo estímulo ao turismo, levando milhares de pessoas a visitar o belo conjunto arquitetônico, herdado dos tempos coloniais. Ele também ajudou a colocar a candidatura de Goiânia como Patrimônio Nacional, devido à riqueza de suas construções em Art Déco. Além das nossas fronteiras, o goiano foi o responsável pelo tombamento da cidade de Cáceres, no Mato Grosso.

Em 2002, Paulo Bertran redescobriu (a descoberta foi em 1871), a maior cidade de pedra do Brasil, na Serra dos Pireneus, localizada no município de Pirenópolis. O Monumento natural, com cerca de 500 hectares, abriga formações rochosas imponentes. O jornal O Popular fez reportagens sobre o local, tornando-o conhecido em todo o país e no mundo.

Paulo Bertran é autor de vários livros enfocando aspectos históricos de Goiás e do Planalto Central, que foram frutos de pesquisa criteriosa e dedicada. Dentre seus livros, podemos destacar: Formação Econômica de Goiás – 1979; Memória de Niquelândia – 1985: Uma Introdução à História Econômica do Centro-Oeste do Brasil – 1988 (Prêmio Literário do Instituto Nacional do Livro – INL – 1989; História da Terra e do Homem no Planalto Central – 1994 (Prêmio Clio de História da Academia Paulistana de História – 1995); Notícia Geral da Capitania de Goiás – 1997; História de Niquelândia – 2ª edição revista e ampliada – 1998 e Cerratenses – poesia – 1998; Cidade de Goiás – maio 2002. Seu último trabalho de pesquisa, a história de Palmeiras de Goiás, era um presente para comemorar o centenário da cidade.

O historiador Paulo Bertran Wirth Chaibub morreu no dia 2 de outubro de 2005, em Goiânia, vítima de parada cardiorrespiratória, aos 56 anos de idade. Como era seu desejo manifesto, o corpo dele foi sepultado no Cemitério São Miguel, na cidade de Goiás, no jazigo da família Fleury.

Fonte: http://www.ccon.go.gov.br/homenageados_detalhes/Paulo+Bertran/7

História da Terra e do Homem no Planalto Central: Eco-história do Distrito Federal
1a edição: Brasília, Solo Editora, 1994
2a edição: Brasília, Editora Verano, 2000
3a edição: Brasília, Editora da UnB, 2011

Obra em dezoito capítulos, abrangendo o Planalto Central, desde a geo-história e a formação do Cerrado até a pré-história, os indígenas e, depois, o bandeirismo, os descobrimentos auríferos do século XVIII, arraiais, minas, sesmarias e estradas coloniais. Estuda a toponímia eco-histórica do Distrito Federal, a ruralização da sociedade e da economia, diversos relatos de viajantes do século XIX e as primeiras propostas de interiorização da capital do país até 1850.

A história da ocupação de Goiás pelos filhos da terra

Ocupação Humana

O UNIVERSO DO CERRADO

Altair Sales Barbosa

Quando Darwin apresentou, em 1859, sua obra “A Origem das Espécies”, convenceu muitos naturalistas de que os seres não tinham sido criados com formas físicas imutáveis, mas que tinham mudado graças a processos naturais, através de gerações, cobrindo longos períodos. Aqueles que mudaram para formas melhor adaptadas ao ambiente sobreviveram, os outros declinaram e extinguiram-se. A este processo Darwin denominou de seleção natural. Estes conceitos foram suficientes não só para revolucionarem a biologia, mas também todo o pensamento humano.

Os argumentos e fatos indicados por Charles Darwin não incluem os efeitos da inversão de polaridade do campo magnético terrestre, nem a deriva dos continentes, pois estes fenômenos eram desconhecidos ou mesmo inconcebíveis naquela época. Entretanto, os seus efeitos na evolução, diversidade e extinção das espécies constituem elementos importantes e só reforçam o mecanismo da seleção natural.

Esta introdução é oportuna para mostrar a dinâmica do cerrado, sob o olhar biológico e antropológico da seleção natural. Dentro dessa ótica podem-se perceber elementos que de outra maneira passam desapercebidos e a dinâmica da seleção natural tem a força de ressaltar a necessidade de iniciativas embasadas num seguro planejamento ambiental, que, por sua vez, esteja embasado num seguro conhecimento científico.

O primeiro ponto a ser levantado no sentido de se compreender esta dinâmica se refere à evolução dos continentes, procurando enfatizar o espaço que hoje corresponde aos chapadões centrais da América do Sul.

Durante o início do Paleozóico, há pelo menos 600 milhões de anos, uma grande massa continental formava a crosta terrestre. Este supercontinente denominava-se Pangea e ostentava paisagens muito diferentes dos “stoks” que se conhece atualmente. Somente a título de ilustração, no espaço que hoje corresponde ao território brasileiro formaram-se três grandes bacias de sedimentação, denominadas no Brasil de Bacia Amazônica, Bacia do Maranhão e Bacia do Paraná. Estas áreas, separadas por arcos geológicos, experimentaram durante milhões de anos, diferentes processos de sedimentação e ambientes, ora sendo marinho, ora terrestre e eram conectados com áreas similares no que hoje em dia corresponde à Antártida, África e Austrália, como atestam os processos sedimentares e a existência de fósseis semelhantes encontrados nestes locais.

No Permiano Superior, ou seja, no final do Paleozóico, esta grande massa continental inicia um processo de cisão, baseado no deslocamento das placas tectônicas e já no Triássico, ou seja no Mesozóico, já existem dois grandes blocos continentais, um ao norte denominado Laurásia e outro ao sul denominado Gondwana. Separando os dois supercontinentes se encontrava o mar Tethys, nome que significa mãe dos mares, segundo a mitologia grega.

A Laurásia estava constituída pelo que mais tarde seria a América do Norte, Groenlândia, e a parte da Europa e da Ásia que fica ao norte dos Alpes e Himalaia.

O continente de Gondwana, por sua vez, era constituído pelas terras que futuramente, constituiriam América do Sul, África, Índia, Austrália e Antártida.

Ainda no Triássico, ou seja, no inicio do Mesozóico, esses dois grandes blocos continentais começaram a se fragmentar em unidades menores, mas as fossas originadas entre estas unidades continentais não chegaram, no início, a constituir barreiras para o movimento dos animais terrestres. Entretanto, no período Cretáceo, Mesozóico Superior, os obstáculos já não permitiam esta comunicação. É importante salientar que esta época coincide com um período de extinção em larga escala dos grandes répteis.

Quando os mamíferos começam a diversificar no final do Mesozóico e Terciário Inferior a início do Cenozóico, a separação dos continentes parece ter chegado ao máximo. Isto aconteceu por volta de 65 milhões de anos. E a partir desta data não se formaram novas rotas de migração. As áreas terrestres foram por sua vez diminuídas. Houve elevação do nível do mar, as águas inundaram as margens dos continentes e formaram grandes mares interiores, alguns dos quais fracionaram completamente os continentes. Por exemplo, nesta época a América do Sul se constituía de duas zonas emersas separadas por água que ocupava a região que mais tarde formaria a Amazônia.

Se se comparam as fragmentações em blocos entre a Laurásia e Gondwana, constata-se que a fragmentação Gondwânica foi mais brusca e criou entre os blocos continentais fragmentados vários obstáculos para a migração faunística. Diferente do processo da Laurásia, por isso a fauna Norte-americana e da Europa permanece idêntica até o Eoceno Inferior.

Uma outra abordagem importante a ser colocada, no sentido de ressaltar o caráter peculiar do Sistema do Cerrado, se refere ao princípio da irradiação adaptativa.

Neste sentido, convém enfatizar a seguinte questão: num ambiente estável, as espécies animais e vegetais tornam-se especializadas, cada espécie ocupando seu lugar na cena ecológica e assim continua até que todos os nichos sejam efetivamente ocupados. A fauna ganha então um estado de equilíbrio em que o coeficiente de produção de novas espécies é igual ao da extinção de espécies existentes. As menores alterações nas condições do ambiente ou habitat produzem pequenas flutuações em torno da posição de equilíbrio.

Assim é que no princípio do Terciário a primitiva América do Sul esteve ligeiramente conectada com a América do Norte, mas em seguida esteve completamente isolada até o Pleistoceno Superior. A prova desta conexão está na presença de duas ordens de mamíferos fósseis que correspondem a mamíferos comuns às duas Américas: ordem Edentata e Notoungulata.

Este fator, associado a outros, foi fundamental no equilíbrio e delineamento da fauna atual da América do Sul e consequentemente da área que mais tarde corresponderá ao Sistema do Cerrado.

Outras quatro ordens de mamíferos são exclusivas da América do Sul: os Paucituberculata – que envolvem os marsupiais, os Pyrotheria, animais já extintos, semelhantes aos elefantes, os Litopterna, ungulados herbívoros, já extintos, parecidos com os camelos e cavalos atuais, e os Astropotheria, grandes ungulados herbívoros atualmente extintos.

A penetração de animais carniceiros da América do Norte para a América do Sul através do Istmo do Panamá, durante o Pleistoceno Superior, associada posteriormente à atividade de caça dos primitivos grupos indígenas e ainda as mudanças ambientais decorrentes do final da glaciação de Wisconsin, foram fatores decisivos na alteração do equilíbrio ambiental, o que levou à extinção em larga escala da megafauna sul-americana. A partir daí um novo padrão faunístico se configura até a fauna atual, de médio e pequeno porte.

No que se refere à flora, pode-se atribuir ligeiramente o mesmo princípio. Dessa forma, a flora brasileira e a africana compartilham muitos ancestrais comuns que, num processo de evolução paralela, associada a agentes climáticos e geológicos diferenciados, apresentam certas semelhanças, embora sejam distintas.

O cerrado, entendido aqui como sistema biogeográfico, tem sua história evolutiva ligada aos principais processos experimentados pelos vegetais, o que culminou com a formação da flora atual, mas está intimamente ligado também às mudanças ambientais, que aconteceram na área que hoje corresponde a grande parte do território brasileiro, principalmente a partir de 80 milhões de anos. Nesta época, num período denominado Cretáceo, da era Mesozóica, existiam grandes desertos nas áreas hoje correspondentes ao Brasil, sendo que o maior desses desertos recebia a denominação de Botucatu. Daí para frente, porém, houve uma sensível atenuação da aridez, posto que a maior parte do território tenha comportado climas quentes semi-áridos e subúmidos, segundo se deduz, os tipos de sedimentos e suas microestruturas. Nessa época, uma geografia de grandes lagos rasos, situados em depressões detríticas interiores, limitadas por terrenos semidesérticos, de extensão subcontinental, era a paisagem dominante. Isto ocorreu porque a maior parte dos rios formava drenagem endorreica, ou seja, nascia e desaguava no interior do continente. Nesse tempo, a vegetação era do tipo subdesértica e, provavelmente devido à tipologia geral dos solos teria sido uma flora diferente de todas aquelas conhecidas no país.

O soerguimento Pós-Cretáceo do Planalto Brasileiro, a par com os fenômenos de circundenudação que compartimentaram o grande bloco territorial que se iniciava no Rio Grande do Sul e ia terminar na margem sul da Bacia Amazônica, criou outras paisagens sob a vigência de climas bem mais úmidos do que os do Cretáceo, e a custa de drenagens que foram preferencialmente exorreicas, isto é, com franca saída para o mar. Este esquema novo de topografia mais compartimentado e de solos relacionados com climas mais úmidos, perdurou por longos períodos do Terciário. Acredita-se que do Médio Terciário para frente, os solos predominantes enquadravam-se nos domínios pedalfers. Esta foi, verdadeiramente, a grande mudança global de condições ocorrida na evolução dos planaltos e das paisagens interiores do Brasil, do Cretáceo Superior para o Terciário, criando, assim, condições favoráveis ao desenvolvimento de uma flora que evoluiu no sentido da configuração atual. Este fato se concretiza entre o Terciário Médio e o Quaternário, período em que foram elaborados todos os “stoks” da vegetação relacionados de forma mais aproximada com o quadro atual inter e subtropical brasileiro. Dessa forma, surgiram as matas, as caatingas, as pradarias e os nossos cerrados. A partir do Quaternário, principalmente na época do Pleistoceno Superior num tempo mais recente, o cerrado ainda buscava seus limites e flutuava no espaço, sob controle das sucessivas mudanças climáticas, forçadas pela instável paleoclimatologia dos tempos quaternários. E assim, somente no Holoceno é que os limites do cerrado ficam restritos à área que hoje corresponde aos Chapadões Centrais do Brasil.

Uma outra questão importante se refere à teoria do escleromorfismo oligotrófico, proposta por Arens para explicar a gênese do ambiente de cerrado strictu sensu. Este autor admite que o pronunciado xeromorfismo do cerrado seja uma conseqüência das condições oligotróficas do solo. Afirma que um dos fatores principais seja, provavelmente, a relativa escassez de nitrogênio assimilável que pode originar o escleromorfismo oligotrófico, fazendo com que a vegetação peculiar do cerrado seja selecionada pela deficiência de minerais, tendo-se adaptada à mesma. Estudos posteriores de Goodland, Kuhlmamm e Coutinho, dentre outros, comprovam esta afirmação. Arens também afirma que o fogo é um fator que acentua o oligotrofismo, influindo dessa maneira sobre a conservação e propagação do cerrado. Nessa perspectiva a ação do fogo deve ser levada cm consideração, quando se tratar de áreas de preservação, com vegetação de campo e cerrado strictu sensu.

Uma terceira abordagem importante se refere à questão do povoamento humano, as ações antrópicas decorrentes desse processo e suas relações com a seleção natural.

Com toda segurança pode-se afirmar hoje, que entre 18.000 e 16.000 anos atrás um contigente populacional cruzou o istmo do Panamá e veio de forma mais densa e efetiva povoar a América do Sul. Essas populações no início se acomodaram em nichos específicos do noroeste da América do Sul, onde puderam desenvolver uma cultura cuja economia se baseava na caça especializada de megafauna. Este sistema de vida perdurou de forma efetiva até por volta de 12.000 anos atrás quando a maior parte dessa fauna específica entra num processo de extinção. À medida que o processo de extinção se acentua as populações humanas aí situadas começam a buscar novas alternativas de sobrevivência o que pressupõe novas formas de organização do espaço e planejamento social. Nesta perspectiva buscaram-se novos ambientes e teve início um processo migratório em direção leste. Da cultura baseada na caça especializada resulta uma cultura baseada na caça generalizada de animais de médio e pequeno portes. A organização social representada por esses agrupamentos humanos eram bandos compostos de famílias aparentadas que migravam de um lugar para o outro, na medida em que os recursos alimentícios se esgotavam ou apareciam plantas comestíveis próprias de cada estação. Descendo os contrafortes da Cordilheira dos Andes, esses bandos vieram dar na Amazônia Brasileira, atraídos pela diversidade de flora e fauna que caracteriza uma grande mancha de cerrado que existia nos baixos chapadões e chapadões Centrais da América do Sul. Estes dados são hoje comprovados por estudos de Hoffer, Vanzolini, Ocsenius, Prance, Nobre, Brown Jr., Greemberg, Rodrigues, Ab’Saber, e vários estudos de Palinologia.

Quando a floresta amazônica começa a coalescer sobre as áreas de cerrado existentes nos baixos chapadões, força um processo de migração faunística que migra para a grande área existente no Centro da América do Sul, a migração faunística favorece no mesmo sentido uma migração humana.

A área core de cerrado dos chapadões centrais da América do Sul deve ser entendida como um Sistema Biogeográfico, composto por subsistemas interatuantes e interdependentes tanto no aspecto florístico como no aspecto da fauna. Há ambientes secos e úmidos durante todo o ano. A vegetação varia de um gradiente de campo limpo, até um gradiente de mata. Esta diversidade de ambiente empresta à biodiversidade do cerrado um caráter peculiar e seus aspectos evolutivos fizeram com que processos culturais diferenciados também ocorram de forma “sui generis”, transformando a região do cerrado numa espécie de fronteira cultural.

Na realidade alguns dos mais importantes processos culturais americanos nasceram no cerrado, como a formação do tronco lingüístico Macro-Jê, a domesticação e disseminação de certos tubérculos e outros vegetais e o desenvolvimento de tecnologia de caça, pesca e processamento de recursos vegetais nativos e cultígenos.

O estudo detalhado de diversas comunidades indígenas habitantes do cerrado, demonstra que essas populações aprenderam sabiamente a desenvolver mecanismos adaptativos e planejamento ambiental e social que fossem capaz de lhe permitir uma vida em abundância. Assim são os Kayapó, que habitam as áreas mais elevadas, os Karajá, específicos da calha do Araguaia, os Xavante etc.

Todos estes fatores reunidos fazem com que o cerrado seja um laboratório antropológico único, no qual se deve olhar e aprender para, com sabedoria, saber planejar o futuro.

A população indígena que povoou o cerrado não produziu qualquer modificação brusca no equilíbrio do ecossistema, porque inicialmente os homens eram poucos e o nicho adaptativo era amplo.

Até que a população humana crescesse a ponto do seu tamanho ser prejudicial, coube à seleção natural levar a termo uma adaptação primorosamente equilibrada aos recursos ambientais.

A chegada dos exploradores de origem européia, trouxe consequências bem diversas, por duas razões:

1a – A principal finalidade não era o povoamento e sim a exploração comercial.

2a – Mantiveram um contato íntimo, ou com a mãe pátria ou com um poder central deslocado, a quem competia ditar as mercadorias a serem fornecidas e o preço das mesmas.

Portanto pela primeira vez em sua longa história a região do Cerrado ficou sob a influência contínua de um agente que era alienígena ou exótico, às vezes, como no princípio até extracontinental e consequentemente imune às forças modeladoras da seleção natural local.

No início a devastação foi mínima, mas com o passar dos tempos os sinais destas já eram bastante visíveis. O aumento da imigração acelerou cada vez mais o processo de degradação. Surgiram epidemias novas, que contribuíram para dizimar populações indígenas, como a gripe, o sarampo, a varíola e tal qual como aconteceu em outras áreas do país, a entrada de escravos africanos introduziu a malária e a febre amarela.

O crescimento demográfico também é algo surpreendente, principalmente de 1950 para cá e, é bem provável que depois do ano 2000, a região do cerrado tenha uma população tão grande que escape às políticas de planejamento. Esta perspectiva é aterradora, tendo em vista a magnitude da degradação que já ocorreu com uma densidade demográfica bem menor.

A partir da década de 50, implanta-se no Brasil um modelo econômico chamado desenvolvimentalista, onde a meta é atingir o desenvolvimento a todo custo.

Essa política que, no início, é executada de forma até ingênua, com os governos militares de 1964 em diante adquire um caráter ideológico e a partir desse momento o hemisfério começa a presenciar uma grande revolução, não uma revolução do homem e para o homem, mas uma revolução de desrespeito à vida humana e à vida do ambiente.

Dentro dessa perspectiva o cerrado é recortado por inúmeras estradas, rios são represados, montanhas aplainadas, vegetação derrubada, animais são ameaçados de extinção, pequenas comunidades são desestruturadas num ritmo nunca visto na história da civilização.

Ambiciosos projetos de colonização, sem o mínimo de planejamento e conhecimento, com objetivos puramente políticos, são postos em execução.

Fatos recentes, ainda vivos na nossa memória, atestam a pujança que este modelo desenvolvimentista tem, como a ocupação dos chamados Chapadões por capital alienígena para projetos de reflorestamento com espécies estranhas ao meio ambiente do cerrado, para produção maciça e efêmera de grãos para exportação. A criação do Estado do Tocantins pode ser citado como outro exemplo, e as especulações para a implantação da Hidrovia do Araguaia e tantos outros exemplos que podem ser listados, demonstram a força dessa ideologia.

Assim é que ao se entrar no século XXI, encontra-se em suspenso o destino do cerrado.

Se as próximas décadas trarão sua ruína ou salvação, ainda não se pode dizer.

Embora sejam grandes as lacunas no nosso conhecimento, dispomos de informações suficientes para impedirmos uma degradação irreversível.

O que se pode afirmar é que enquanto o desejo de explorar o cerrado tiver raízes estrangeiras, a possibilidade de um programa racional de desenvolvimento será nula.

Esta perspectiva é ainda mais trágica porque só o Homo sapiens entre todos os seres vivos, que tem a capacidade de encarar o seu meio ambiente dentro de uma escala mais abrangente, não se limitando à duração de uma vida. Quando analisamos as atividades humanas dentro da perspectiva do tempo geológico, somos forçados a reconhecer que o que está acontecendo na biosfera, hoje em dia, nada tem de comum. De fato, desde que os organismos primordiais desenvolveram a capacidade de liberar oxigênio, há centenas de milhões de anos, nenhuma das espécies novas desenvolveu a habilidade de alterar as condições de adaptação da vida sobre a terra. Os continentes mudaram de forma, as geleiras avançaram e recuaram, os mares se ergueram, algumas montanhas submergiram e os pólos se deslocaram, mas os parâmetros físicos e químicos permaneceram essencialmente os mesmos.

Agora, de repente, novos compostos químicos em concentrações anormais, estão sendo lançados na água, no solo e no ar. Do mesmo modo que as populações indígenas do cerrado, foram quase que exterminadas pelas doenças do Velho Mundo, assim também as plantas e os animais que evoluíram durante centenas de milhões de anos são incapazes de enfrentar produtos químicos estranhos, introduzidos bruscamente no seu habitat.

Conhecendo de uma maneira geral como opera a seleção natural, podemos predizer com toda a segurança que das milhões de espécies que restaram, poucas serão pré-adaptadas às novas condições, mas nada garante que o Homo sapiens venha a figurar entre os sobreviventes.

Fonte: http://altairsalesbarbosa.blogspot.com.br/2017/01/o-universo-do-cerrado.html

Publicações:

– RIBEIRO, Ricardo Ferreira. Cerrado: o Bioma Central/O Sertão Perene in: RIBEIRO,Ricardo Ferreira. Florestas Anãs do Sertão: O Cerrado na História Ambiental de Minas Gerais. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.
 

– DELLA GIUSTINA, Carlos Christian. Degradação e conservação do cerrado : uma história ambiental do estado de Goiás. 2013. 210 f., il. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

A presente tese tem como objetivo compreender o processo histórico de degradação e de conservação da natureza empreendidas no bioma Cerrado, no estado de Goiás. Para tanto, foram estudados o ambiente natural e os modos de vida das diferentes sociedades que ocuparam este território, ao longo dos períodos pré-colonial, colonial, imperial e republicano. Em cada período da história foram avaliados os principais recursos naturais utilizados e os passivos ambientais decorrentes dos processos produtivos coevos. Por fim, foram estudadas as principais estratégias conservacionistas, que buscaram a proteção dos remanescentes de vegetação nativa no estado. A pesquisa envolveu a consulta da literatura especializada, documentos históricos, censos demográficos e agropecuários, a base cartográfica oficial e as observações de campo. Os resultados mostraram que os tipos de recursos naturais disponíveis foram fundamentais para a configuração do povoamento e dos processos produtivos no estado. No período pré-colonial, os primeiros recursos naturais a promoverem a imigração de seres humanos para o cerrado foram os frutos, os animais para, as matérias-primas minerais e o solo, utilizado para a agricultura. No período colonial, o ouro foi o principal atrativo. No período imperial com a decadência das minas auríferas, a pecuária passou a ser a principal atividade econômica. No período republicano, as atividades agropecuárias foram incrementadas pelo incentivo do Estado e pela melhoria da infraestrutura. Até a década de 1970, as atividades agropecuárias eram desenvolvidas principalmente em solos férteis. Nessas áreas ocorriam formações florestais denominadas de Mato Grosso de Goiás. Esse tipo de vegetação foi quase integralmente devastado. Após essa década, com a chamada “revolução verde”, solos menos férteis passaram a integrar as áreas agricultáveis. Com isto outros ecossistemas, como o Cerrado sentido restrito, passaram a ser ameaçados pela expansão das fronteiras agrícolas e pelo crescimento das cidades. Por outro lado, as políticas públicas de conservação do cerrado foram lentas e não foram suficientes para proteger a natureza no estado de Goiás. Estratégias como a gestão biorregional e a criação de unidades de conservação de proteção integral podem contribuir para a mudança na tendência de degradação do Cerrado. 

http://repositorio.unb.br/handle/10482/14387

– OCUPAÇÃO HUMANA E IMPACTOS AMBIENTAIS NO BIOMA CERRADO: DOS BANDEIRANTES À POLÍTICA DE BIOCOMBUSTÍVEIS. Roseli Senna Ganem, José Augusto Drummond, José Luiz de Andrade Franco. IV Encontro Nacional da Anppas 4, 5 e 6 de junho de 2008. Brasília – DF – Brasil

Resumo O objetivo do presente artigo é discutir os principais fatos que marcaram a história da ocupação humana do bioma Cerrado, do século XVI até o presente, e as conseqüências ambientais dessa ocupação. Os resultados obtidos indicaram as seguintes motivações e conseqüências relacionadas com a ocupação da região central do Brasil: a) ela foi atravessada por inúmeras bandeiras, entre os séculos XVI e XVIII, para apresamento de índios e busca de pedras e metais preciosos. A mineração durou cerca de 150 anos, entre os séculos XVIII e XIX, e contribuiu para o povoamento e a formação de inúmeros núcleos urbanos; b) a pecuária extensiva antecedeu a mineração e, quando esta entrou em decadência, tornou-se a atividade econômica principal da região. A maior parte da região viveu sob regime de isolamento econômico e social, entre o declínio da mineração e a década de 1950; c) a partir de então, ocorreu intenso fluxo migratório, promovido pela construção de Brasília, a abertura de estradas e a política agrícola. A modernização agrícola, promovida pela implantação de projetos oficiais a partir da década de 1970, trouxe consigo a expulsão de comunidades locais e o extenso desmatamento. A cultura da soja foi introduzida em Goiás na década de 1950, mas experimentou crescimento explosivo a partir da década de 1980. A soja tornou-se a base da alimentação dos países ricos, pela conversão de proteína vegetal em animal, e tornou-se o vetor de modernização agrícola no Cerrado, adaptando-se às grandes extensões agricultáveis da região. O modelo econômico implantado teve como uma de suas principais conseqüências a degradação ambiental.

Fonte: http://www.anppas.org.br/encontro4/cd/ARQUIVOS/GT5-484-211-20080518092403.pdf

– NA FRONTEIRA DO CERRADO: AS TRANSFORMAÇÕES AMBIENTAIS NO NORTE DE GOIÁS.  Samira Peruchi Moretto. Revista Expedições: Teoria da História & Historiografia V. 7, N.1, Janeiro-Julho de 2016.

Resumo: O povoamento do norte do Estado de Goiás foi intensificado devido a descoberta de ouro na região. Após longa fase populacional estacionária, a construção da rodovia BR – 153, em 1958, trouxe forte impacto para região norte do estado, como o aumento populacional e intensificação das atividades agropecuárias. O presente artigo faz parte do projeto de pesquisa A transformação da paisagem no norte de Goiás: desafios contemporâneos e pretende analisar o processo de transformação da paisagem do norte de Goiás, na segunda metade do século XX. A pesquisa se justifica pelo fato de que no norte de Goiás as fitofisionomias naturais foram e estão passíveis a modificações devido a presença de espécies exóticas, introduzidas como forrageiras para alimentação bovina e/ou como gêneros agricultáveis. Estas transformações ambientais acarretaram danos irreversíveis ao Bioma da região, o Cerrado, caracterizado pela constante ameaça à sua biodiversidade.

http://www.revista.ueg.br/index.php/revista_geth/article/view/4911

 

Paleoecologia

A história da vegetação do Cerrado, ou seja, como as paisagens e as fitofisionomias mudaram ao longo do tempo, é importante para a compreensão das características atuais do bioma e guarda uma estreita relação com as mudanças climáticas que caracterizaram os últimos milhares de anos. Estudos palinológicos, que lidam com sedimentos do Quaternário tardio, são, portanto, uma fonte única de conhecimento sobre essa vegetação, já que a palinologia constitui um dos únicos meios de acessar de forma direta a vegetação do passado (Webb, 1974). Registros sedimentares quaternários são abundantes no planalto central do Brasil: nas planícies e nas chapadas, é comum o desenvolvimento de veredas nas drenagens, e essas constituem um ambiente deposicional propício ao desenvolvimento de turfeiras e, portanto, à preservação dos grãos de pólen e esporos.

– Diversidade de grãos de pólen das principais fitofisionomias do cerrado e implicações paleoambientais. Raquel Franco Cassino, Caroline Thaís Martinho, Silane Caminha. Gaea – Journal of Geoscience, vol. 9, n. 1, jan/jun 2016, p. 4-29.

O Cerrado é um dos biomas com maior biodiversidade florística do Brasil e encerra uma grande diversidade de formações vegetais. A história do Cerrado e suas modificações ao longo dos últimos milênios, influenciadas, entre outros fatores, por mudanças climáticas, foram determinantes no estabelecimento das características atuais da paisagem nas regiões dominadas por essa vegetação. O conhecimento da flora polínica característica dos diferentes ambientes que fazem parte desse bioma tem importantes aplicações. Por exemplo, estudos palinológicos de sedimentos depositados no Quaternário tardio constituem uma importante fonte de dados sobre a história recente do Cerrado e sobre a paleoecologia do Brasil Central. O estudo desses registros deve se basear no conhecimento de conjuntos polínicos atuais e na relação observada entre esses conjuntos e a vegetação atual. Com essa finalidade, neste catálogo, são apresentados sessenta tipos polínicos identificados em amostras superficiais coletadas em três parques nacionais, áreas de preservação da vegetação do Cerrado. Estão assinaladas a ocorrência e a abundância de cada tipo polínico nos diversos ambientes amostrados e foram caracterizados os táxons polínicos que podem ser considerados indicadores 

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– ARQUEOLOGIA DO VALE DO RIO PERUAÇU E ADJACÊNCIAS – MINAS GERAIS

Com este volume XIX dos Arquivos do Museu de História Natural da UFMG reiniciamos uma publicação que tinha sido interrompida durante dez anos. No último número (XVII/XVIII) apresentávamos aos leitores a arqueologia da região de Montalvânia, configurando a primeira parte de uma obra visando a divulgar as pesquisas realizadas pela Universidade Federal de Minas Gerais no Alto Médio São Francisco durante mais de trinta anos. Dando continuidade a este projeto, o presente volume é o primeiro de uma série dedicada à arqueologia do vale do rio Peruaçu e de suas imediações, apresentando o quadro geográfico regional, assim como vários estudos sintéticos sobre temas como o meio ambiente, as populações pré-históricas, aspectos geográficos das suas ocupações e as grandes linhas das suas produções materiais.

Arq. Mus. Hist. Nat. Jard. Bot. – UFMG. Belo Horizonte. Volume XIX – 2009

https://www.ufmg.br/mhnjb/wp-content/themes/mhnjb/docs/revista-arquivos/vol19/Vol19.pdf

– Mudanças paleoambientais na região dos Cerrados do Planalto Central durante o Quaternário Tardio – o estudo da Lagoa Bonita Maira Barberi (2001)

file:///C:/Users/Professor(a).FE-373524/Downloads/Barberi__Doutorado.pdf

– BACHELET, Caroline. Pré-História no Cerrado: Análises antracologicas dos abrigos de Santa Elina e da Cidade de Pedra (Mato Grosso). FRONTEIRAS: Journal of Social, Technological and Environmental Science, Anápolis-Goiás, v.3, n.2, jul.-dez. 2014, p.96- 110.

Resumo

Estudo de macro-restos vegetais carbonizados descobertos em contexto arqueológico fornecem dados importantes sobre os comportamentos de subsistência e o ambiente onde as populações pré- históricas viviam. Este artigo apresenta os resultados das análises antracologicas de fogueiras, concentrações de carvões e tições, de cinco abrigos localizados no sul do Mato Grosso, datados do final do Pleistoceno até o Holoceno. A partir das identificações taxonômicas, os objetivos são de reconstruir os diversos aspectos da utilização dos recursos vegetais por caçadores-coletores (práticas de coleta, espécies coletadas, critérios de seleção, área de abastecimento, etc.) e a paleovegetação ao redor dos sítios. Os resultados indicam que os grupos praticavam uma coleta de lenha oportunista nas formações vegetais próximo dos abrigos, e principalmente focada sobre a madeira seca. A paisagem e o clima eram provavelmente parecidos do que caracteriza a região atualmente, o seja uma flora típica do bioma Cerrado e um clima tropical sazonal.

Palavras-Chave: Antracologia; Paleoetnobotânica; Pré-Historia; Brasil.

Morfologia de grãos de pólen e esporos de níveis holocênicos de uma vereda do Chapadão dos Gerais (Buritizeiro, Minas Gerais), Brasil

Raquel Cassino, Karin Elise Bohns Meyer

Resumo

Esporos de briófitas e pteridófitas e grãos de pólen de gimnospermas e angiospermas foram obtidos em quinze amostras de um testemunho de sedimentos holocênicos, de 150 cm de profundidade, coletado em uma vereda no Chapadão dos Gerais, em Buritizeiro (Minas Gerais, Brasil). As idades radiocarbônicas variaram entre 11.370+70 anos AP na base do testemunho e 1440+25 anos AP no nível do topo. Os 92 táxons identificados foram descritos em suas características morfológicas e abordados em seu habito e habitat, a partir das informações existentes para as plantas modernas relacionadas. As formas identificadas e ilustradas contribuem para o conhecimento da flora polínica do Cerrado e constituem material de referencia na identificação de palinomorfos em trabalhos de reconstituição do paleoambiente em áreas hoje cobertas ou relacionadas a este bioma.

http://revistas.unisinos.br/index.php/gaea/article/view/4523

Eco-história do DF

Para falar sobre a eco-história do DF, nossa referência é Paulo Bertran que procurou sustentar a ideia de que o Cerrado foi o locus de origem de uma sociedade ecologicamente diferenciada. É, enfim, a história da formação dessa peculiar sociedade que se desenvolveu nos cerrados do Planalto Central de altitude.

“Bertran está atento aos diversos aspectos da história do Planalto. Ele se ocupa da geografia histórica e da formação do território, do ordenamento espacial e da distribuição das sesmarias, das variações das atividades econômicas entre o auge e o declínio da mineração. E também confere grande importância a aspectos relacionados às expressões culturais e, por assim dizer, ao modo de ser da peculiar sociedade que se constituiu na região, especialmente durante o seu período de maior isolamento. Ele relata, por exemplo, a ocorrer no arraial de Santa Luzia, festas e celebrações religiosas e encenações de óperas italianas. Algumas dessas celebrações, compostas por expressões da cultura erudita, ocorriam por ocasião da chegada de autoridades como o governador da capitania, representante direto da coroa portuguesa, e revelam o alcance dos rituais próprios da corte europeia nos mais longínquos domínios lusos, onde a colonização se expandia pela violência. Era uma cultura de sertão, “que surgia no limiar da escrita, nasceu entre a fé e a blasfêmia, entre cartas régias e contrabandistas, entre oficiais de justiça e capangas””.

Fonte: Costa, Kelerson. Resenha. Sustentabilidade em Debate – Brasília, v. 3, n. 1, p. 165-174, jan/jun 2012.

“A região do Distrito Federal preenche alguns requisitos para ser considerada como área interessante sob o ponto de vista do povoamento pré-histórico.  O triplo divisor de bacias hidrográficas deveria ser, no passado remoto – bem como o seria no século XVIII -, um caminho inevitável para as migrações.

Igualmente, existem  dentro do Distrito Federal alguns pontos de contato entre ecossistemas diferenciados, zonas de transição de campo limpo para cerrado e para mata que, segundo os parâmetros levantados pela escola goiana de arqueologia, poderiam delimitar sítios pré-históricos interessantes.

Trina anos depois da fundação de Brasília, o arqueólogo Eurico Teófilo Miller, pôs lume às primeiras evidências de sítios pré-históricos no Distrito Federal, particularmente na região do Gama.

Em 1991, encontrou dois sítios com restos de cerâmica e artefatos de pedra, espalhados por uma área de 3.000 m2, nas cabeceiras do córrego Ipê, hoje Universidade Holística e Cidade da Paz, em antiga região de mata, derrubada em 1960.

O sítio apresenta a particularidade de, em sua parte central, apresentar indícios cerâmicos e pré-cerâmicos (líticos). Considera o Dr. Miller a hipótese de que o material  lítico seja mais antigo que o cerâmico, ao qual se misturou devido a perturbações que tenham levado ao afloramento do material mais antigo.

Pesquisou também o Dr. Miller e equipe as regiões vizinhas ao Catetinho e ao Recanto das Emas, nada encontrando, talvez por não disporem de ambiente natural favorável.

Muito melhor sucedidas foram as pesquisas foram as explorações no ribeirão Ponte Alta, a oeste do Gama. Em área de poucos quilômetros quadrados, encontraram-se vestígios de quatro sítios arqueológicos indígenas, dois deles também com características cerâmicas e pré-cerâmicas, um sobre o outros, cobrindo uma área superior a 5 hectares.

O sítio cerâmico configura uma aldeia indígena formato circular, que, na opinião do Dr. Miller, são características da tradição Jê. Ainda na área de Ponte Alta, foram localizados mais dois sítios exclusivamente cerâmicos, um deles grande e de formato circular.

Todos esses sítios do Gama apenas foram detectados, mas não escavados. Considerando-se, porém, ter aquela pequena porção do território – cujo ambiente natural nem tanto prima pela excelência do habitat – revelado nada menos do seis sítios pré-históricos, é lícito supor a existência de dezenas de outros em diferentes ambientes favoráveis do Distrito Federal.

Teve o Dr. Miller a gentileza de nos adiantar pessoalmente os resultados inéditos de suas últimas pesquisas.

Em princípios de 1993, vieram alume em Taguatinga, na área do Córrego Melchior, cinco sítios pré-cerâmicos, com características de acampamentos de caça, talvez reocupados de tanto em tanto por pequenos grupos.

Já a messe de 1994 foi abundante: nada menos do que 16 sítios arqueológicos na área do rio Descoberto. Desses, nove eram de grupos pré-cerâmicos, dois de cerâmicos e cinco eram “taperas” de fazendas coloniais. Há um detalhe curioso: uma das ruínas de fazendas assentava-se exatamente sobre um sítio arqueológico indígena pré-cerâmico.

Insistindo com o Dr. Miller, adiantou-nos – com muita precaução e em caráter de hipótese – que alguns desses sítios pré-cerâmicos poderiam datar de 7.000 a 7.500 anos de idade, desde a instauração do atual ótimo climático, chegando, porém, eis a surpresa até os tempos históricos da colonização.

Em outros termos: poderiam ter convivido no Distrito Federal duas culturas indígenas distintas. Aquela antiquíssima de caçadores pré-cerâmicos, e outra, novíssima, de apenas mil anos, de agricultores ceramistas, como adiante veremos, e ambas chegando até a invasão colonizadora…

Ora, Joseph de Mello Álvares escrevia, em fins do século XIX, que os remanescentes indígenas do Distrito Federal – então prudentemente escondidos nas brenhas do rio Maranhão – eram das nações Crixá, Xavante e Pedra Branca.

Os Crixá, hoje extintos, eram agricultores e ceramistas, como adiante veremos. Os Xavante são exímios caçadores, mas a moderna etnografia não os considera pré-cerâmicos. Resta o mistério dos índios Pedra Branca, que deviam ser muito arredios, pois a sua designação portuguesa denuncia poucos contatos com o colonizador. Seriam os tais caçadores pré-cerâmicos?

Mas como responder a essas questões, sem fazer as escavações necessárias, os exames precisos?  Estamos todos a dever ao Dr. Eurico Miller, pai da arqueologia do Distrito Federal, as condições mínimas para que passe ao estágio das escavações, restituindo-nos, quem sabe em um museu – esses fragmentos da história indígena regional” (Bertran 2000).

Foto: Bhaz

Publicações:

  • BERTRAN, Paulo. História da terra e do homem no Planalto Central: eco-história do Distrito Federal: do indígena ao colonizador. Brasília: Verano, 2000.

Paulo Bertran define seu livro como um estudo de “eco-história do Distrito Federal”. Os limites, porém, não se estabelecem de modo estrito: o Distrito Federal “e suas adjacências”, o quadrilátero demarcado pela Comissão Cruls, a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, da década de 1890, são apenas referências políticas e administrativas de uma área de estudo que se define
pela combinação de critérios históricos e ambientais.

Com a preocupação de promover a integração nacional e desenvolver o interior do país, preceito defendido pelos inconfidentes na década de 1780, nossa nação já definia o Planalto Central como o sítio mais indicado para localizar a capital brasileira.
A Constituição de 1891, primeira de nossa história republicana, em seu Artigo 3º estabeleceu “Fica pertencendo a União, no Planalto Central da República, uma zona de 14.400 quilômetros quadrados, que será oportunamente demarcada para nela
estabelecer-se a futura Capital Federal.”
Para consolidar essa determinação constitucional, em 1892 foi criada a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, coordenada pelo chefe do Observatório Nacional, Luís Cruls, cuja missão foi a de analisar o melhor sítio, no Planalto Central, para a localização da futura Capital.
Ao Relatório Cruls, consolidação dos trabalhos desenvolvidos, é reconhecida relevante importância histórica, sendo avaliado, por sua natureza ímpar e pioneira, como documento de planejamento governamental, cuja grande procura por estudantes e pesquisadores estimulou a CODEPLAN a promover esta reedição como contribuição ao processo de resgatar a imagem de Brasília como capital de todos e cidade do presente e do futuro, construída sobre as bases fortes do planejamento.

  • Para ler o Relatório Cruls, ele está disponível no seguinte link:

file:///C:/Users/Professor(a).FE-373524/Downloads/Miss%C3%A3o%20Cruls.pdf

  • Veredas de Brasília : as expedições geográficas em busca de um sonho / Nelson de Castro Senra (organizador) ; Nísia Trindade Lima … [et al.]. – Rio de Janeiro : IBGE, Centro de Documentação e Disseminação de Informações, 2010.                  O foco deste livro é outro, é de caráter histórico, e é anterior à inauguração. Antes mesmo da construção, quer-se tratar da questão da definição da localização, numa sucessão de comissões, com diversas expedições geográficas, bem assim, já ao tempo da construção, quer-se mostrar algumas atividades realizadas (censo, mapa, estudos). Eis, então, as duas partes deste livro: 1) O local da capital, com quatro textos, dos quais, o primeiro introduz a temática das três comissões que, pouco a pouco, definiram o melhor local da nova capital, e 2) O início da capital, com dois textos, relatando atividades ibgeanas ao tempo da construção. E mais quatro textos em anexo, dos quais, três são de autoria de Teixeira de Freitas (escritos ao calor da hora), e o último de autoria (recente) de Alain Ruellan (filho de Francis Ruellan), em que procura recuperar a importância das expedições geográficas de 1947, saídas do IBGE.
  • BARBO, Lenora de Castro. Preexistência de Brasília : reconstruir o território para construir a memória. 2010. 384 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo)-Universidade de Brasília, Brasília, 2010.                                               Resumo:  A pesquisa desenvolvida nesta dissertação teve como objetivo principal reconstruir o antigo território do Planalto Central e desdobrou-se nos seguintes objetivos específicos: descrever e investigar o território do atual Distrito Federal; resgatar e confrontar a cartografia histórica do Planalto Central; identificar e registrar os cronistas e viajantes que percorreram o Planalto Central, nos séculos XVIII e XIX; levantar e reconstituir o traçado das antigas vias de comunicação do Brasil colonial que cruzavam o Planalto Central, nos atuais limites do DF; e, por fim, inventariar e analisar moradas rurais que fizessem parte de antigas fazendas. Considerando que a historiografia do território do atual Distrito Federal ainda hoje tem muitas lacunas, e na ausência de outra documentação e estudos sobre o tema, a pesquisa foi realizada com base na cartografia histórica de Goiás – vinte e dois mapas elaborados entre 1750 e 1896 – e a partir do relato de dezesseis cronistas e viajantes, dos séculos XVIII e XIX, que exploraram a região e documentaram suas impressões por meio de diários, relatórios, literatura e iconografia. Com o intuito de ampliar as possibilidades metodológicas de investigação, utilizou-se o Sistema de Informações Geográficas – SIG como ferramenta para reconstituir do modo mais circunstanciado possível o traçado original das antigas estradas que cruzavam o Planalto Central, nos atuais limites do DF. Seus itinerários foram confrontados com as informações registradas em dois mapas produzidos em 1958 e 1960, ou seja, em época imediatamente anterior à inauguração de Brasília. Finalizamos com o inventário de dez moradas rurais, localizadas em diversas Regiões Administrativas do DF, construções que preservam a maioria de suas características arquitetônicas, apesar das alterações inevitáveis ao longo dos anos – exemplares centenários, remanescentes da cultura agrária anterior à construção de Brasília. 

Série de reportagens do DFTV sobre  ‘Missão Cruls’ chega às salas de aula

DFTV 16/06/2015

Cientistas desbravaram cerrado para demarcar terras, no fim do século 19.
Material reconstrói trajetória e revela importância dos ‘pioneiros da capital’.

Engenheiro e astrônomo belga Louis Ferdinand Cruls, líder da primeira expedição ao interior do país para demarcar a nova capital federal, no fim do século 19 (Foto: TV Globo/Reprodução)
Engenheiro e astrônomo belga Louis Ferdinand Cruls, líder da primeira expedição ao interior do país para demarcar a nova capital federal, no fim do século 19 (Foto: TV Globo/Reprodução)

Estudantes das 657 escolas públicas do Distrito Federal vão usar como material pedagógico a série de reportagens “Cruls – A missão que marcou a capital”, produzida pela Globo para homenagear os 55 anos da capital, em abril. Com seis capítulos, a produção resgata a expedição que desbravou cenários desconhecidos no interior do país, no fim do século 19.

 

MISSÃO CRULS
A missão que marcou a capital: clique nos tópicos abaixo para ver cada um dos programas

 

 

 

 

 

O material chega às escolas a partir desta sexta-feira (19), quando será doado a 80 alunos do Centro de Ensino Médio do Núcleo Bandeirante (veja ao lado todos os vídeos da série). Eles vão assistir à primeira das seis reportagens e, em seguida, poderão bater papo com a jornalista Rita Yoshimine, o repórter cinematográfico Marcos Silva e a editora de texto Carol Manhani.

Para reconstruir a história da Missão Cruls, a reportagem percorreu cenários de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. Também foi à Bélgica, onde nasceu o engenheiro e astrônomo Louis Ferdinand Cruls, líder dos 21 cientistas que integraram a expedição.

Expedição histórica
No final do século 19, o Brasil tinha pouco mais de 14,3 milhões de habitantes – 7 em cada 10 brasileiros moravam no litoral, e o índice de ocupação no Centro-Oeste era de 0,2 habitante por quilômetro quadrado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Belga naturalizado brasileiro, Cruls se tornou amigo do diplomata Joaquim Nabuco, deu aulas de astronomia ao imperador Dom Pedro II e dirigiu o Observatório Nacional do Rio de Janeiro. Neste período, viu a promulgação da Constituição de 1891, a primeira da República, que previa a transferência da capital federal do Rio de Janeiro para o interior do país.

Observatório original,construído em 1892 pela equipe da Missão Cruls, chefiada pelo astrônomo e engenheiro militar belga Louis Ferdinand Cruls,para determinar as coordenadas geográficas do Distrito Federal a partir das estrelas. (Foto: Káthia Mello/G1)Acima, réplica de observatório construído em 1892 pela equipe da Missão Cruls (abaixo), chefiada pelo belga Louis Ferdinand Cruls,para determinar as coordenadas geográficas do DF (Foto: Káthia Mello/G1)

“Fica pertencente à União, no planalto central da República, uma zona de 14.400 quilômetros quadrados, que será oportunamente demarcada para nela estabelecer-se a futura Capital Federal”, dizia a Carta Magna da época.

Premiado em todo o mundo, Cruls emprestou seu nome a um cometa e a crateras na Lua e em Marte, antes de ser escolhido para chefiar a Comissão Exploradora do Planalto Central. Para a missão, o cientista chamou colegas do observatório e ex-alunos da Escola Superior de Guerra e da Escola Militar da Praia Vermelha, na Urca (RJ).

No total, 21 cientistas partiram do Rio de Janeiro rumo ao planalto central em junho de 1892. Foram nove meses de viagem, 5.132 quilômetros percorridos e 9.640 toneladas de bagagem.

Fonte: http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2015/06/serie-de-reportagens-do-dftv-sobre-missao-cruls-chega-salas-de-aula.html

FOTOS DA MISSÃO CRULS


Comissão Exploradora do Planalto Central

 

 


Travessia sobre o rio Paranaíba

 

 


Cidade de Goiás

 

 


Cachoeira sobre o rio Caçu

 

 


Arraial de Meira Ponte

 

 


Ponte sobre o rio Areias

 

 

 


Ponte sobre o rio Descoberto

 

 


Acampamento nas cabeçeiras do Rio Pindaíba

 

 


Lagoa Feia – Formosa/GO

 

 


Acampamaento no Vértice SE, dentro do Quadrilátero

 

 

Entrada de Formosa

Fonte: http://cerratense.com.br/missaocrulsfotos.html

Museus no Cerrado

Memorial do Cerrado

Eleito em 2008 como o local mais bonito de Goiânia, O Memorial do Cerrado, complexo científico que funciona no Campus II da PUC Goiás, é um dos projetos do Instituto do Trópico Subúmido que representa as diversas formas de ocupação do bioma e os modelos de relacionamento com a natureza e a sociedade. É um museu que retrata desde a origem do planeta Terra à chegada dos portugueses ao Brasil.

O Memorial reúne espaços que representam as diversas formas de ocupação do Cerrado e os modelos de relacionamento com a natureza e a sociedade. São eles:

 
Museu de História Natural
 
Espaço de exposições em que painéis e cenários narram a história evolutiva da Terra e do ambiente do cerrado. O visitante pode ver fósseis com datação de até 600 milhões de anos.
Vila Cenográfica de Santa Luzia
Reconstrução em tamanho original dos primeiros povoados de origem colonial portuguesa na região central do Brasil. A vila conta com espaço urbano e rural, com réplicas de fazendas e oficinas rurais, responsáveis pela geração de riqueza daquele tempo. Andar pelo local é uma forma de se inserir na história, já que o visitante fica em contato direto com as antigas moendas, alambiques de barro, oficina de rapadura e açúcar, oficina do ferreiro, seleiro, funilaria do carapina, serraria, além da venda – ponto de comércio da época – a igreja, a prefeitura, a cadeia, o bordel, dentre outras atrações interessantes.
 
Aldeia indígena
 
Réplica em tamanho original de uma aldeia indígena modelo Timbira, que tem o formato circular, na qual cada casa tem um caminho de acesso ao pátio – centro de atividades da tribo.
 
Quilombo
 
Sítio geográfico e local de resistência ocupado e organizado por populações africanas ou afro-brasileiras que fugiam da escravidão. No Memorial do Cerrado há uma réplica fidedigna dos modelos de quilombos existentes no cerrado.
 
Espaço de Educação Ambiental Dalila Coelho Barbosa
 
Auditório ao ar livre, com 150 lugares, e local destinado a oficinas educativas, piqueniques e recreação.
 
Trilhas Ecológicas
 
Com 2 km de extensão, ela foi aberta no interior da reserva intacta de floresta tropical e de cerrado que existe na Estação Ciência São José. Trata-se de um local ideal para o contato com a natureza e o desenvolvimento do espírito esportivo e de aventura. Como espaço protegido, a “Trilha da Semente Peregrina” propicia ao visitante a oportunidade de realizar a interação de conhecimentos relativos ao meio ambiente, notadamente o conhecimento científico do mundo vegetal e animal.
 

Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA)

O Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA) – vinculado à Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPE) da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) – é representativo nos diferentes segmentos das instituições de ensino, de pesquisa e de cultura do país. Nele está agregada uma tradição construída ao longo de sua história, desde 1972, por ações marcantes na área de Arqueologia, Antropologia, Meio Ambiente e Documentação Audiovisual. Além disso, o IGPA coordena e desenvolve o curso de graduação em Arqueologia e cursos de educação continuada. Também atua na área da extensão, por intermédio do Centro Cultural Jesco Puttkamer.

Surgiu no início da década de 1970, como Gabinete de Arqueologia, cuja atuação se restringia às pesquisas arqueológicas no estado de Goiás. Ao ampliar sua proposta de atuação com pesquisas no campo da Antropologia, transformou-se, em 1972, no Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia. Desde a sua concepção e formação até sua atuação, o Instituto sempre esteve comprometido com o reconhecimento e a valorização do Patrimônio Histórico-Cultural, Arqueológico, Etnográfico e Ambiental, tendo como transversalidade a dimensão multicultural.

– Centro Cultural Jesco Puttkame

O Centro Cultural Jesco Puttkamer é a unidade de extensão universitária do IGPA. Constitui em espaço vocacionado para a preservação, conservação e divulgação do patrimônio cultural dos povos pré-coloniais e indígenas brasileiro. O público visitante é diversificado, incluindo pesquisadores, turistas, comunidade indígena e, particularmente, professores e alunos de Escolas do Ensino Fundamental, Médio e Superior, da rede pública e particular, professores, estudantes.
O CCJP tem um programa cultural vasto que contribui com o desenvolvimento cultural da região, assim como com a divulgação do patrimônio e das manifestações culturais, abrangendo: Exposições semipermanentes, temporárias e itinerantes; Mostras de vídeos; Palestras; Minicursos; Oficinas ludopedagógicas; e Eventos culturais.
Em sua programação destaca-se a Semana dos Povos Indígenas, Semana dos Museus, Primavera dos Museus e Semana de Ciência e Tecnologia, onde o público visitante participa de exposições, oficinas, palestra, mostra de vídeo e outras atividades culturais.
As vistas são livres ou podem ser orientadas por monitores treinados que facilitam a interação auxiliam nos questionamentos despertados ao longo do circuito.

 

OFICINAS PSICOPEDAGÓGICAS

No agendamento, é possível programar a realização de algumas oficinas:

  • Mãos à Obra – Simulação de Escavação Arqueológica
  • Pintura Rupestre
  • Pintura Corporal Indígena
  • Mala da Memória

 

COMO AGENDAR VISITAS

As visitas são realizadas de terça à sexta, em horário comercial, das 08h às 12h e
das 14h às 18h.

 

CONTATO

Centro Cultural Jesco Puttkamer

Fone: +55 62 3251-0721

E-mail: centrocultural@pucgoias.edu.br

http://sites.pucgoias.edu.br/pesquisa/igpa/jesco-puttkamer/