Memorial dos Cerratenses

Por que 11 de setembro é o Dia Nacional do Cerrado? Que plantas deste bioma podem ser usadas na cura de doenças? Quem idealizou o conceito de Ecomuseu? Estas e outras questões serão facilmente respondidas pelo MEMORIAL DOS CERRATENSES, uma iniciativa que teve o objetivo de dar mais visibilidade e reconhecimento a dez personalidades que dedicaram suas vidas a enriquecer e preservar este que é o segundo maior bioma da América Latina e a maior biodiversidade de savana do mundo. Ideias, criações artísticas, pesquisas e iniciativas de pessoas como Ary Para Raios, Laís Aderne, Pajé Sapaim e Dona Lió.

No dia 5 de maio de 2018 foi inaugurado o MEMORIAL DOS CERRATENSES no Centro de Excelência do Cerrado no Jardim Botânico de Brasília com a instalação de um totem, com informações virtuais sobre estes notáveis habitantes do Cerrado.

O MEMORIAL DOS CERRATENSES nasceu com a proposta de reconhecer, compilar e divulgar o patrimônio histórico formado pelas memórias biográficas de pessoas que dedicaram suas vidas a valorizar o Cerrado. O MEMORIAL foi criado para funcionar em ambiente virtual instalado em formato de totem na Biblioteca Digital do Cerrado, localizada no Centro de Excelência do Cerrado, do Jardim Botânico de Brasília, com acesso gratuito ao público visitante. As informações estarão disponíveis também em um sítio virtual na internet.

A ideia principal da iniciativa é divulgar a história de personagens que foram de grande importância para as áreas da pesquisa e tecnologia, história, arte e cultura, movimentos sociais e povos tradicionais da região do Cerrado. Todos eles com uma grande paixão pelo Cerrado e cujo legado de valorização e proteção do bioma merece ser difundido e compartilhado.

O Centro de Excelência do Cerrado – Cerratenses, escolhido para abrigar o MEMORIAL DOS CERRATENSES, é uma Superintendência do Jardim Botânico de Brasília, criada para fortalecer a pesquisa e a disseminação de informações referentes à Cultura e ao Bioma Cerrado. Tem o objetivo de desempenhar múltiplos papéis, centrados principalmente na geração, consolidação e disseminação de conhecimento, desenvolvimento e difusão de tecnologias sociais, cultura, ensino-aprendizagem, gestão e uso sustentável de recursos naturais e apoio a políticas públicas de uso e conservação do Cerrado, seus povos e tradições.

O CERRADO

Bioma situado na região central do país, com mais de 2 milhões de km², ocupa cerca de 22% do território nacional. O cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo, abrigando, nos diversos ecossistemas, uma flora com aproximadamente 12.000 espécies de plantas nativas, das quais 4.400 são endêmicas, cerca de 200 espécies de mamíferos, 837 aves, 1.200 peixes, 180 répteis e 150 anfíbios. Esses dados denotam a importância do bioma, que atravessa 11 estados brasileiros e o Distrito Federal, além dos encraves no Amapá, Roraima e Amazonas, e onde estão as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul.

MEMÓRIA

A história do Distrito Federal ainda é pouco conhecida pela sua população. O MEMORIAL DOS CERRATENSES quer ser uma ferramenta para o processo de construção desse conhecimento. Apesar do imenso trabalho, desenvolvido ao longo de suas vidas, esses personagens ainda são desconhecidos pelos moradores do Distrito Federal. A intenção é ir, aos poucos, ampliando a lista de pessoas homenageadas e histórias registradas.

Neste primeiro momento, o MEMORIAL DOS CERRATENSES irá se dedicar a homenagear o ator, diretor, autor teatral Ary Para Raios; o escritor e crítico de arte Carmo Bernardes; a parteira Dona Lió, matriarca dos Kalungas; a arte-educadora Laís Aderne; o pajé Sapaim Kamaiurá; o guia da Missão Cruls Viriato de Castro; e os pesquisadores Jeanine Felfili, Linda Caldas, Paulo Bertran e Vanderley de Castro. A partir do dia 5 de maio, o conteúdo do totem também estará disponível para consultas em www.memorialdoscerratenses.org.

HOMENAGEADOS

ARY PARA-RAIOS
Ary José de Oliveira, imortalizado como Ary Para-Raios, nasceu no dia 11 de setembro de 1948, em Sertanópolis, interior paranaense. Chegou a Brasília em 1975 e decidiu fixar-se na cidade, fundando, em 1979, o grupo de teatro Esquadrão da Vida, com o qual apresentava espetáculos teatrais pelas ruas no Distrito Federal e em diversas cidades do Brasil – só com a peça Bicho homem e outros bichos, ficou por quase sete anos em turnê, apresentando-se em dezenas de cidades do Brasil para um público estimado em 200 mil pessoas. Movido pelo ideal de preservação do Cerrado, Ary Para-Raios e o Esquadrão da Vida participaram da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Rio 92, juntamente com outras entidades. Assinaram então um Tratado para a preservação do Cerrado. Também estiveram presentes nos primeiros momentos da criação do Fórum das ONGs ambientalistas e da Rede Cerrado.
Embora não tivesse uma filiação partidária, Ary era um militante das causas progressistas, algo sempre presente em seu discurso e na sua prática política cotidiana. Por diversas vezes, Ary e o Esquadrão da Vida se fizeram presentes em atividades promovidas por ONGs ambientalistas, pressionando as autoridades governamentais em defesa do Cerrado, ao Congresso, as CONAMA, ao IBAMA.
Ary faleceu aos 63 anos de idade, vítima de câncer. Para dar continuidade a sua obra, ficou o Esquadrão da Vida, agora sob a direção de Maíra, sua filha mais velha. Em reconhecimento à sua luta em defesa da causa ambiental, a data de seu nascimento, 11 de setembro, foi escolhida para ser comemorada como o Dia Nacional do Cerrado, instituído pelo decreto assinado em 20 de agosto de 2003.

CARMO BERNARDES
Carmo Bernardes foi um dos maiores regionalistas goianos e um dos nomes mais expressivos da literatura sobre o Cerrado. Contista, cronista, romancista, crítico de arte, fez seu nome no cenário das letras de Goiás. Carmo Bernardes nasceu em Patos de Minas, estado de Minas Gerais, em 1915, e faleceu em Goiânia, em 1996, aos 81 anos de idade. Residiu em Formosa, onde fez seus estudos. Membro da Academia Goiana de Letras, recebeu vários prêmios internacionais de Literatura, por obras como Reçaga, Rememórias I e II, Vida mundo, Jurubatuba, Idas e vindas, Ressurreição de um caçador de gatos, Santa Rita, Nunila, Quarto crescente, Memórias do vento, Jângala: Complexo Araguaia e Força da nova.
Publicou dezenas de livros e, durante anos, no programa Frutos da Terra, ensinou sobre o mato, o cerrado, o sertão, a culinária e o receituário sertanejo, ao lado de Bariani Ortêncio e Hamilton Carneiro. Ambientalista e defensor do Cerrado, sua obra está voltada para a evocação a terra, ao chão.
Carmo Bernardes foi um talento eclético na literatura, com romances, contos, crônicas, memórias, poesia, causos. Em todos os seus livros está o sertão, está Goiás, está o Cerrado e os homens inseridos nesse espaço, com suas vidas plasmadas na essência do chão.

DONA LIÓ
Leonilda Fernandes, conhecida como Dona Lió, nasceu no quilombo Vão das Almas, em território dos Kalunga, localizado na cidade de Cavalcante, Goiás. O Quilombo Kalunga é uma terra coletiva, na região da Chapada dos Veadeiros, abrangendo os municípios de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre. É o maior quilombo do Brasil, sendo constituído por 56 comunidades. Dona Lió foi a matriarca dos Kalungas, a “mãe do lugar”.
Apesar de não ter o conhecimento das letras, sabia como ninguém dar conselhos, contar histórias antigas, impor ditados populares, cantar versos das folias e reconhecer o uso medicinal de cada planta do quintal. A utilização sustentável dos produtos do Cerrado, embora ela não conhecesse esse conceito, bem como uma visão respeitosa da natureza, faziam parte da prática de Dona Lió, que transmitia esses conhecimentos às novas gerações.
O sonho da vida de Dona Lió sempre foi garantir a posse da terra para a sua comunidade, numa luta desigual contra os grandes latifundiários da região. Ela faleceu aos 73 anos de idade e como forma de preservar sua história, registrar e divulgar as memórias do povo Kalunga, foi criado o espaço cultural Memorial Casa de Lió, na casa em que ela viveu.

JEANINE FELFILI
Importante pesquisadora do bioma Cerrado, Jeanine Maria Felfili Fagg nasceu no dia 13 de agosto de 1957, em Cuiabá. Formada em Engenharia Florestal pela Universidade Federal do Mato Grosso, e com mestrado em manejo florestal pela Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, em 1983, foi contratada como professora pelo departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília (UnB), dando início a uma bem-sucedida e promissora carreira de professora e pesquisadora.
Na UnB, criou um programa de pesquisa integrada, com a participação do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e Jardim Botânico de Brasília, dando início ao projeto ‘Biogeografia do Bioma Cerrado’, que consistia na realização de um amplo inventário da flora do Cerrado, possibilitando a identificação de 12 mil espécies de plantas nativas. Também teve uma participação importante na implantação do curso de pós-graduação do departamento de Biologia, oferecendo novas disciplinas com ênfase na flora do Cerrado. A partir desse momento, a pesquisa sobre o bioma Cerrado foi aprofundada com o projeto PRONEX, visando entender esse ecossistema e como as espécies se adaptaram às condições ambientais do Planalto Central.
Jeanine também atuava em parceria com entidades não governamentais em defesa do Cerrado, fazia palestras e workshops, com o intuito de conscientizar a comunidade sobre a importância de preservação do Cerrado. Sua última grande obra foi a idealização do Centro de Referência em Conservação da Natureza e Recuperação de Áreas Degradadas da UnB (CRAD). Faleceu, aos 52 anos de idade, em 12 de julho de 2009, deixando mais de 105 artigos publicados em revistas científicas, 26 livros lançados, 71 capítulos de livros e ensinamentos repassados a colegas e alunos.

LAÍS ADERNE
Nascida em Diamantina, Minas Gerais, no ano de 1937, Laís Fontoura Aderne Faria Neves iniciou os estudos na Escola de Belas Artes em Belo Horizonte e os concluiu na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de Janeiro. Posteriormente, fez mestrado em Arte, Educação e Sociedade, na cidade de Birmingham, Inglaterra.
Árdua defensora da cultura e meio ambiente do Distrito Federal e da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE/DF), a arte-educadora Laís Aderne chegou a Brasília em 1967. Em 1974, após a conclusão do mestrado, criou a Feira do Troca, em Olhos D’Água, distrito de Alexânia, Goiás, visando valorizar a economia local e abrir novos canais para comercializar o artesanato da região.
Em 1989, Laís assumiu a Secretaria de Cultura do Distrito Federal e criou o FLAAC (Festival Latino-Americano de Arte e Cultura), projeto cultural que possibilitou o intercâmbio de artistas latino-americanos em diversos campos, música, literatura, artesanato, teatro, fotografia, cinema, dança e artes plásticas. Também atuou como autora e diretora de teatro, em peças como O homem que vendeu a alma ao diabo e ainda pediu o troco.
O desenvolvimento sustentável do bioma Cerrado, bem como a valorização da cultura local foram objetos de pesquisa de Laís, quando idealizou o projeto Ecomuseu do Cerrado, que devia ser calcado sobre o tripé homem, cultura e meio ambiente. Ao longo de sua trajetória, ela criou a Casa da Cultura da Améri¬ca Latina (CAL), foi vice-presidente do Instituto Huah e fez parte do Conselho da APA do Planalto Central, representando o Fórum das ONG Ambientalistas. Implantou o Ecomuseu da Amazônia entre 2002 e 2006 (PA), recebeu inúmeras homenagens e comendas concedidas por órgãos públicos e entidades renomadas de vários locais do país. Laís faleceu no dia 12 de maio de 2007, aos 69 anos de idade, deixando um legado significativo em várias áreas de conhecimento.

LINDA CALDAS
Nascida nos Estados Unidos em 10 de dezembro de 1945, Linda Styer Caldas graduou-se em Ciências Biológicas pela George Washington University (EUA, 1967) e concluiu mestrado, em 1969, e doutorado em Botânica pela Ohio State University, em 1971. Logo depois veio para o Brasil e começou a trabalhar na Universidade de Brasília, atuando nas áreas de extensão e pesquisa. No ano seguinte, em 1972, Linda fundou o Laboratório de Cultura de Tecidos Vegetais na UnB, tornando-se uma das pioneiras nesse tipo de pesquisa no Brasil. Desenvolveu estudos nas linhas de Ecofisiologia de Plantas Nativas do Cerrado e Cultura de Tecidos de Plantas.
Em 2001, Linda articulou um grupo de pessoas defensoras do bioma Cerrado para elaborar um projeto e concorrer a um Edital, cujo objeto era a criação de redes de sementes florestais no Brasil, contemplando todos os biomas. O resultado foi uma produção coletiva que envolvia também várias instituições do DF e Goiás, como EMBRAPA, Secretaria de Meio Ambiente de Goiás e Universidade de Brasília. Durante a execução do projeto, entre os anos de 2001 e 2003, foram desenvolvidas atividades pioneiras de pesquisas sobre o bioma Cerrado. Com o término do projeto, o grupo permaneceu unido e deu origem a Rede de Sementes do Cerrado.
Com uma visão avançada e uma preocupação com o meio ambiente e o futuro do Planeta, Linda já falava em coleta seletiva de lixo, lavava seu lixo, separava e procura o local correto para descartar. Linda Caldas faleceu aos 61 anos de idade, entretanto ela inspirou e influenciou muita gente ao longo de sua jornada.

PAULO BERTRAN
Paulo Bertran Wirth Chaibub, reconhecido pesquisador da história do Planalto Central e do bioma Cerrado, nasceu em Anápolis, estado de Goiás, no dia 21 de outubro de 1948. Autor de inúmeros livros e artigos publicados em jornais e revistas da Região Centro-Oeste, marcou-se como exímio pesquisador, consagrado nacional e internacionalmente.
Formado em Economia, com pós-graduação em História na cidade de Estrasburgo, na França, tornou-se um profundo conhecedor da história goiana e mato-grossense. Foi o responsável pela argumentação e pesquisa histórica que concedeu o título de Patrimônio Histórico da Humanidade à cidade de Goiás (2001), contribuiu para o tombamento do conjunto urbanístico e paisagístico da cidade de Cárceres/MT, como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, concedido pelo IPHAN (2010). Foi diretor-geral do Instituto de Pesquisas e Estudos Geográficos do Brasil Central – vinculado à Sociedade Goiana de Cultura –, integrou a Academia Brasiliense de Letras, a Academia de Letras e Artes do Planalto, a Academia Paulistana de História e o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do IPHAN. Era sócio dos Institutos Históricos e Geográficos de Goiás, do Distrito Federal e São Paulo, bem como membro da Organização das Nações Unidas para a Educação, Arte e Cultura (Unesco).
Lançou vários livros sempre com foco na região central do Brasil – Formação econômica de Goiás (1979), Memória de Niquelândia (1985), Uma introdução à história econômica do Centro-Oeste do Brasil (1988), História da terra e do homem no Planalto Central (1994), Notícia geral da Capitania de Goiás (1997), História de Niquelândia (1998), Cerratenses – poesia(1998), Cidade de Goiás – Patrimônio da Humanidade (2002), Palmeiras de Goiás (2003), Memorial das idades do Brasil (2003) em coautoria com Graça Fleury, O sertão do Campo Aberto – Poesias (2012). Recebeu incontáveis prêmios e homenagens. Em 2008, foi criado o Memorial Paulo Bertran, com sede própria na cidade de Goiás, que passou a abrigar o Instituto Bertran Fleury, fundado por ele e um grupo de amigos em Brasília, Distrito Federal. Em 2009 ganhou o título de “Brasileiro Imortal”, sendo reconhecido nacionalmente por sua trajetória de luta em defesa do bioma Cerrado. Paulo Bertran faleceu no dia 2 de outubro de 2005, aos 56 anos.

SAPAIM KAMAIURÁ
O Pajé Sapaim Kamaiurá tornou-se conhecido no Brasil e no mundo pela arte da pajelança com o objetivo de cura utilizando ervas nativas do Cerrado e da floresta amazônica. Era filho do cacique Kutamapy, uma importante liderança dos povos do Alto Xingu, que foi contemporâneo dos irmãos Villas-Bôas quando realizaram a expedição Roncador/Xingu, durante o governo de Getúlio Vargas, na década de 1940.
Nascido na aldeia Yawalapiti, localizada no Alto Xingu bem próximo à aldeia principal dos Kamaiurá, o indígena Sapaim começou a receber os espíritos, aos 20 anos de idade, e logo se tornou pajé. Juntamente com seu irmão Takumã, são considerados até hoje como “os grandes pajés do Xingu, os maiores que já existiram”, de acordo com Anuiá Kamaiurá. Ambos eram grandes músicos, tocavam flauta, uruá, mas o principal ofício deles era o de curar as pessoas utilizando ervas nativas.
A relação do povo xinguano com o Cerrado é feita de forma bastante respeitosa e sagrada, pois eles têm plena consciência da dependência que o seu povo tem da natureza. É de lá que eles retiram seus alimentos no dia a dia e também as ervas medicinais para a produção de remédios naturais. Conhecido nacionalmente pela arte da pajelança, o Pajé Sapaim foi indicado pelo cacique Raoni para curar o ambientalista Auguste Rusch, na década de 1980, envenenado por um sapo da espécie “dendrobata”. Esse fato ganhou amplo espaço na mídia nacional e internacional e o Pajé passou a ser procurado por grandes celebridades reconhecidas mundialmente, como Leonardo de Caprio, Xuxa, Gisele Bündchen etc. Em 23 de setembro de 2017, a Funai comunicou o falecimento do pajé Sapaim, aos 78 anos, por complicações de um câncer no pulmão e no fígado.

VANDERLEI DE CASTRO
Reconhecido como um dos principais defensores e pesquisadores do uso sustentável da biodiversidade do bioma Cerrado, Vanderlei de Castro nasceu no dia 2 de junho de 1955, no município de Doverlândia, Goiás, na região do Médio Araguaia. Filho de pequenos agricultores do interior goiano, era graduado em psicologia, com atuação na área socioambiental. Depois se mudou para Diorama, GO, onde desenvolveu o projeto da AGROTEC, que criou o primeiro laboratório de produção de fitoterápicos em escala comercial de Goiás, chegando a abastecer 80% dos postos de saúde de regiões próximas a Diorama.
No início dos anos 1980, Vanderlei já defendia a causa ambiental, trabalhando como jornalista correspondente internacional da Central Independent Television de Londres (Inglaterra). Sua estada na Amazônia durante uma década trouxe-lhe um grande aprendizado. Seu contato com os povos da floresta o credenciou a vislumbrar formas de uso sustentável da biodiversidade brasileira, bem como pensar novas estratégias de organização de comunidades tradicionais, articulando índios e não índios, as quais resultaram na Aliança dos Povos da Floresta. Ele o foi pioneiro na utilização do baru na culinária caseira, desenvolvendo formas de abrir a casca sem quebrar a castanha, como também fazer sua torrefação. Desenvolveu tecnologia para a desidratação solar de frutas e plantas medicinais. Montou uma unidade móvel para processar plantas medicinais em comunidades dispersas.
Vanderlei tornou-se mais conhecido por seu trabalho pioneiro com fitoterápicos, atendendo às normas vigentes para entregar produtos acabados para o Sistema Único de Saúde (SUS). Sempre buscou fechar o “circuito completo”, desde a plantação até a prateleira na farmácia ou posto de saúde. Também teve papel fundamental para a fundação da Rede Cerrado, em 1992, na qual ocupava uma cadeira no Conselho Deliberativo, e participou do projeto União das Nações Indígenas, que propiciava aos nativos o ingresso em vários cursos como alunos da PUC de Goiás. Faleceu no dia 27 de fevereiro de 2008, aos 52 anos de idade.

VIRIATO DE CASTRO
Viriato de Castro nasceu em Formosa, Goiás, e aos 14 anos de idade foi recrutado para ser guia dos membros da Expedição Exploradora do Planalto Central, que viria a ser conhecida como a Missão Cruls. Essa expedição adentrou o sertão goiano incumbida de realizar pesquisas na região, com o objetivo de escolher o local ideal para a construção da nova capital, conforme estabelecia a Constituição Republicana.
Sem estradas e tampouco automóveis no sertão goiano, Luís Cruls e sua equipe organizaram uma tropa e continuaram a viagem em direção ao centro divisor de bacias do Planalto Central. Mas era necessário contratar alguém que conhecesse profundamente todos os cantos do Cerrado, e pudesse guiá-los com segurança. O escolhido foi Viriato de Castro, na época com 14 anos de idade. Viriato guiou o grupo de que fez parte da segunda Missão Cruls, denominada de Comissão de Estudos da Nova Capital da União. Nessa segunda visita, o botânico destacou as condições favoráveis à criação do Lago Paranoá, onde – na sua opinião – teria havido um lago natural em priscas eras.
Os trabalhos realizados por Viriato de Castro como guia da Missão Cruls, bem como a sua trajetória hoje são reconhecidos e valorizados pelos moradores da região e parentes. Ele era um cerratense da terra, que conhecia o bioma Cerrado como ninguém. Trilhando as tortuosas picadas que transpunham vales e serras dos rincões do Planalto, guiou os membros da Comissão Exploradora às nascentes que emanam para as principais bacias do continente, fator determinante para a escolha do local que abrigou Brasília.

FICHA TÉCNICA
Realização – Secretaria de Cultura e Governo de Brasília
Incentivo – Fundo de Apoio à Cultura – FAC
Produção – Tantri Arte e Culturare Arte e Educaçäo
Produção Audiovisual – Atman Filmes
Apoio – Jardim Botânico de Brasília e Secretaria de Meio Ambiente
Idealização – Rafael Poubel
Coordenação Geral e Direção Audiovisual – Carina Bini
Coordenador de Pesquisa – Robson Eleutério
Coordenação de Comunicação – Sueli Navarro
Assessoria de Imprensa – Objeto Sim
Assessoria de Redes Sociais – Tantri Arte
Projeto Totem Interativo – W. A. Produções
Programador – Heygon de Andrade do Lago
Edição e Montagem – Marcelo dos Santos
Filmagens – Leidemar dos Santos
Designer Gráfico – Bruno Thales

SERVIÇO
Local: Centro de Excelência do Cerrado, Jardim Botânico de Brasília
End: Setor de Mansões Dom Bosco, Área Especial, Lago Sul (entrada pela subida da QI 23)

O Jardim Botânico de Brasília funciona de terça a domingo, das 9h às 17h e a taxa de visitação custa R$ 5,00 por pessoa. Crianças de até 12 anos incompletos, pessoas a partir dos 60 anos de idade e portadores de necessidades especiais não pagam ingresso.

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