Efeito de diferentes usos do solo no cerrado sobre a composição da fauna edáfica

Efeito de diferentes usos do solo no cerrado sobre a composição da fauna edáfica

Autor(a):

Angela Pereira Bussinger

Resumo:

A fauna edáfica é diversa e dependente de uma combinação de fatores que podem ser modificados pelo uso do solo, como a viabilidade de teores de nutrientes e matéria orgânica, capacidade de retenção de água e microrganismos, além de apresentar padrões de dominância de grupos edáficos, também relacionados ao uso e apesar de sua importância nos ecossistemas, tais relações ainda são pouco conhecidas, especialmente para o Cerrado. Este estudo avaliou a influência de diferentes usos de solo sobre organismos da fauna edáfica (enquitreídeos e macrofauna) em área de Cerrado, considerando ainda os efeitos das propriedades físicas, químicas e microbiológicas do solo. O estudo foi conduzido na Embrapa Cerrados, Planaltina- DF, e os sistemas de uso do solo (SUS) incluem Integração Lavoura- Pecuária- Floresta (ILPF);; pastagem de Urochloa brizantha com três anos após lavoura (Past3);; Sistema silvipastoril com Leucaena leucocephala e Urochloa brizantha (Leu);; plantio clonal de Eucalyptus sp.(Euc);; pastagem de Urochloa brizantha com seis anos (Past6) e vegetação nativa de Cerradão (Cer). A amostragem da macrofauna foi realizada em um transecto de acordo com o método TSBF. A macrofauna foi identificada ao nível de famílias e os dados expressos em densidade. Os dados de densidade também foram expressos em percentual por camada para análise da distribuição vertical. Para minhocas e enquitreídeos, a identificação foi realizada até o nível de gênero. Os atributos físicos mensurados foram densidade do solo, volume total de poros, microporosidade, macroporosidade e condutividade hidráulica saturada. Os atributos químicos foram pH, matéria orgânica do solo, os teores de Al3+, Ca2+, Mg2+, P, K+, C, N e relação C:N. Os atributos microbiológicos mensurados foram a atividade enzimática da fosfatase ácida e as biomasas microbianas do C e do N. As médias dos atributos físicos, químicos e biológicos foram comparadas pelo teste de Tukey (p<0,01) e utilizados boxplots para analisar a normalidade da distribuição dos dados em cada SUS. Para avaliar as correlações entre os atributos do solo e a macrofauna foi realizada uma análise multivariada de componentes principais (PCA). Para minhocas e enquitreídeos foi realizada uma análise de Cluster e para avaliar a influência dos atributos do solo na densidade e riqueza desses organismos, foi aplicado o modelo de regressão múltipla de Poisson. Para macrofauna foram amostrados 84.896 indivíduos, distribuídos entre 14 ordens e 29 famílias e os grupos mais abundantes foram representados por Isoptera, Coleoptera, Oligochaeta e Formicidae. A área de Cerradão se diferenciou pela PCA dos demais tipos de uso do solo e apresentou uma maior diversidade de grupos associados a esse sistema. Para a distribuição vertical, a maior ocorrência da macrofauna foi observada na camada de 0- 10 cm de profundidade do solo na maioria das áreas avaliadas, com exceção de Euc e Leu, que apresentaram maiores densidades na camada de 10- 20 cm. Verificou- se que os atributos químicos e microbiológicos estão relacionados à abundância e à riqueza dos grupos da macrofauna, mas não foram observadas influências significativas para os atributos físicos. Os sistemas de uso do solo influenciaram a densidade e a composição da fauna edáfica, com uma tendência de simplificação desses organismos em áreas sob monocultivo, além de promover modificações na maioria dos atributos físicos, químicos e microbiológicos do solo. Para minhocas e enquitreídeos foi encontrado um total de 37.686 enquitreídeos e 5.280 minhocas. A análise de Cluster permitiu a separação dos sistemas de uso do solo, tanto para enquitreídeos como para minhocas, indicando que esses organismos respondem ao tipo de vegetação e manejo adotado em cada área. Houve dominância de gêneros com ocorrência de espécies nativas, cosmopolitas e peregrinas, especialmente nas áreas com pastagem, indicando que também são afetados pelo manejo do solo. A ocorrência de gêneros de enquitreídeos e gêneros e espécies de minhocas se mostrou dependente de uma combinação de fatores físicos, químicos e microbiológicos, em maior ou menor grau. Embora tais relações ainda não sejam claras para determinados gêneros e a baixa densidade de alguns indivíduos dificultem o estabelecimento das mesmas, estas podem ser utilizadas como classificadoras da qualidade ou degradação de um solo ou ecossistema, principalmente quando se observa a presença de grupos exóticos ou de ampla distribuição.

Referência:

BUSSINGER, Angela Pereira. Efeito de diferentes usos do solo no cerrado sobre a composição da fauna edáfica. 2018. xii, 107 f., il. Tese (Doutorado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

Disponível em:

Caracterização socioeconômica e ambiental de produtos florestais não madeireiros de famílias agroextrativistas, em quatro municípios de Goiás

Caracterização socioeconômica e ambiental de produtos florestais não madeireiros de famílias agroextrativistas, em quatro municípios de Goiás

Autor(a):

Fábio Mesquita Souza

Resumo:

A vegetação do Cerrado é formada por um mosaico de formações florestais savânicas e campestres, com predominância de espécies arbóreas e a presença de estratos arbustivo-herbáceos. O Cerrado possui cerca de 11.600 espécies, entre plantas herbáceas, arbóreas, arbustivas e cipós, se destacando entre as espécies, diferentes tipologias de uso, como alimentício, medicinal, madeireiro e artesanal. Pesquisas voltadas para as populações agroextrativistas presentes no Cerrado revelam aspectos socioeconômicos e ambientais, que as tornam uma excelente fonte de informações para pertinentes planos de manejo de produtos florestais não madeireiros. O objetivo deste trabalho foi identificar os produtos florestais não madeireiros, quanto à diversidade e formas de utilização por famílias agroextrativistas em quatro municípios do Estado de Goiás: Abadiânia, Corumbá de Goiás, Pirenópolis e Terezópolis de Goiás. A amostra foi definida aleatoriamente, utilizando a técnica snowball sampling, onde o método de coleta se baseou em entrevistas semi estruturadas e correspondentes observações. As espécies foram agrupadas em categorias de uso, e foram calculados os índices de diversidade de Shannon-Wiener, de similaridade de Jaccard e de Sorensen. Foram amostradas 80 unidades familiares de agroextrativistas, com 66,25% de informantes do sexo feminino e 33,75% do sexo masculino. A idade dos informantes variou de 20 a 79 anos. 72,5% se declararam depender economicamente da extração e 27,5% do artesanato de produtos extraídos. 75% das famílias possuem entre 1 a 15 anos de trabalho na produção florestal não madeireira na região. 69% disseram que não encontraram outra fonte de renda e 31% disseram que sim, sendo que destes, 80% afirmaram receber recursos do programa de transferência de renda Bolsa Família e os 20% confirmaram ter recursos de correspondente aposentadoria. A menor média de renda obtida com a comercialização de PFNMs ficou no município de Abadiânia, que correspondeu em R$ 337,50 e em Pirenópolis a maior de R$ 1.122,00. Foi registrada a presença de 18 espécies de plantas úteis, distribuídas em 10 famílias botânicas. Fabaceae foi à família com maior representação, com 8 espécies citadas (44,44%). As categorias de uso foram 3: alimentação, medicinal e artesanato. O índice de diversidade de Shannon-Wiener (H‟) encontrado para os quatros municípios foi de 2,30. A cidade de Abadiânia apresentou o menor índice, sendo H‟= 1,08. A similaridade de Jaccard (J) e a similaridade de Sorensen (S) entre Pirenópolis e Abadiânia foram de 0,17 e 0,30, os menores, respectivamente.

Referência:

SOUZA, Fábio Mesquita. Caracterização socioeconômica e ambiental de produtos florestais não madeireiros de famílias agroextrativistas, em quatro municípios de Goiás. xi, 60 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)-Universidade de Brsília, Brasília, 2012.

Disponível em:

Densidade básica e potencial energético de espécies lenhosas do Cerrado do estado de Tocantins

Densidade básica e potencial energético de espécies lenhosas do Cerrado do estado de Tocantins

Autor(a):

Carlos José da Silva

Resumo:

A proposta deste trabalho foi estimar a densidade básica média de um povoamento florestal a partir de uma amostragem dos galhos, visando manter a integridade do tronco e permitindo estimativa da biomassa seca. O estudo também determinou o potencial energético das espécies arbóreas da fitofisionomia Cerradão no domínio de Cerrado no Estado de Tocantins, em uma área de 10,15 hectares. Foram abatidos 80 indivíduos pertencentes a 34 espécies arbóreas, e de cada indivíduo abatido foram coletados amostras na forma de discos com 5 cm de espessura, em três posições do tronco (base, meio e topo) e em três espessuras dos galhos (galho grosso: diâmetro maior que 10 cm; galho médio: de 3 a 10 cm; e galho fino: menor que 3 cm). A massa seca e a massa saturada das amostras foram obtidas para a determinação da densidade básica. O material foi moído, classificado abaixo de 60 mesh, secado e pesado antes de serem realizadas a análise imediata e poder calorífico. Determinou-se também a densidade energética. Entre as espécies arbóreas analisadas, 41% apresentaram média densidade da madeira. As espécies que apresentaram alta e baixa densidade no tronco tiveram o mesmo comportamento em seus galhos. O modelo para estimar a densidade do tronco utilizando a densidade do galho, foi o modelo com dados de galhos médios. A espécie que apresentou o maior potencial energético foi a Emmotum nitens e a que apresentou menor potencial foi a espécie Vochysia gardiner, dados da análise imediata e poder calorífico superior mostraram-se próximos aos da literatura para espécies exóticas e para espécies do cerrado brasileiro, com o modelo ajustado pode-se calcular a densidade energética das espécies em função da densidade básica das mesmas. O conhecimento do potencial energético das espécies nativas analisadas permite avançar nas pesquisas para eventuais melhorias na qualidade da madeira de espécies voltadas para a produção energética florestal sustentável.

Referência:

SILVA, Carlos José da. Densidade básica e potencial energético de espécies lenhosas do Cerrado do estado de Tocantins. 2014. xiv, 66 f., il. Tese (Doutorado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

Disponível em:

Ìndice de qualidade do solo para a avaliação do impacto de diferentes usos e manejos e sua aplicação em uma área rural de Planaltina (DF)

Ìndice de qualidade do solo para a avaliação do impacto de diferentes usos e manejos e sua aplicação em uma área rural de Planaltina (DF)

Autor(a):

Clara Milena Concha Lozada

Resumo:

Com o objetivo de desenvolver e aplicar um índice de qualidade do solo para a avaliação do impacto de diferentes usos e manejos em áreas de Cerrado, foram analisadas propriedades físicas (textura, taxa de infiltração de água no solo – TI e resistência mecânica do solo à penetração-RP), químicas (matéria orgânica do solo-MOS, saturação por bases-V, fosforo-P, acidez-pH, capacidade de troca de cátions-CTC) e biológicas (cobertura do solo e besouros coprófagos-C+R) de seis áreas experimentais, situadas sobre um Latossolo Vermelho franco-argilo-arenoso, na zona rural de Planaltina (DF). As seis áreas experimentais foram: Cerrado (stricto sensu)-CSS, Cerradão-CE, Reflorestamento de 10 anos (Enterolobium gummiferum)-R10, Reflorestamento de 1 ano (Handroanthus impetiginosus, Piptadenia gonoacantha, Triplaris gardneriana, Myracrodruon urundeuva, Sterculia striata)-R1, Lavoura de milho (Zea mays)-LM e uma Pastagem degradada (Brachiaria decumbens)-PD. Depois de obtidas as médias dos parâmetros F/Q/B em cada uma das áreas experimentais, foram atribuídos os escores 1, 2 e 3, para o terceiro, segundo e primeiro lugar do ranking das seis áreas, respectivamente, sendo a qualidade do solo estimada pela soma ponderada dos escores entre o número de variáveis de propriedade. O índice de qualidade do solo, calculado para as áreas experimentais acima, variou de 5,0 para o Cerradão até 2,2 para o Reflorestamento de 1 ano, sendo o primeiro classificado como Alto, e os outros cinco como médios.

Referência:

CONCHA LOZADA, Clara Milena. Ìndice de qualidade do solo para a avaliação do impacto de diferentes usos e manejos e sua aplicação em uma área rural de Planaltina (DF). 2015. xi, 80 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

Disponível em:

Rebrota de indivíduos lenhosos em área de cerrado sentido restrito como resposta ao fogo

Rebrota de indivíduos lenhosos em área de cerrado sentido restrito como resposta ao fogo

Autor(a):

Fabiane Furlaneto Souchie

Resumo:

O tipo de resposta à passagem do fogo indica a severidade dos danos sofridos, e a dinâmica temporal destas respostas sugere a capacidade de recuperação das espécies às queimadas. Neste estudo, que está dividido em dois capítulos, nós avaliamos para o conjunto de indivíduos lenhosos de espécies nativas do Cerrado: 1) o tipo de rebrota como resposta a um incêndio não prescrito; 2) a importância do diâmetro da base, da altura total e da espessura de casca para o tipo resposta apresentado; e 3) a dinâmica dos indivíduos com rebrotas basais durante o período de 64 meses. O estudo foi desenvolvido no Parque Municipal do Bacaba em Nova Xavantina, Mato Grosso, onde estudamos 485 indivíduos de 26 espécies em área de Cerrado sentido restrito Queimado (CQ); e em área adjacente de Cerrado sentido restrito protegido de fogo por mais de cinco anos (CC), sendo 139 indivíduos de 12 espécies em comum ao CQ. No Primeiro capítulo, após dois anos da ocorrência do fogo, avaliamos o tipo de rebrota como resposta ao fogo (rebrota epígea, hipógea, epígea+hipógea ou mortalidade) e a probabilidade de apresentar essas respostas em função: a) da altura total; b) do diâmetro da base, medido a 30 cm de altura do solo e, c) da espessura de casca. Registramos que 57% dos indivíduos tiveram resposta epígea, 15% resposta epígea+hipógea, 24% morte do tronco principal, mas emitiram brotos hipógeos e apenas em 4% dos indivíduos observamos morte do tronco principal. A espessura de casca, seguida do diâmetro da base foram os melhores preditores do tipo de resposta ao fogo. No segundo capítulo avaliamos e comparamos a dinâmica dos brotos basais (número, mortalidade, altura total e diâmetro da base) dos indivíduos com rebrota basal (hipógeos e epígeos+hipógeos) no CQ durante o período de 64 meses. A mortalidade média dos brotos basais acumulada para indivíduos com rebrota hipógea (64%) foi semelhante ao apresentada por indivíduos com rebrota epígea+hipógea (69%). Entretanto, o número médio de brotos basais emitidos, o incremento em diâmetro e em altura total foram significativamente maiores para os brotos hipógeos em relação aos epígeo+hipógeo e sugere balanço na alocação de recursos, pois não havendo morte do tronco principal, o investimento em rebrotas basais é reduzido. Por meio de regressão linear estimamos que os brotos hipógeos recuperarão a biomassa do tronco principal depois de transcorrido 16 anos da ocorrência de fogo, desde que não haja nova perturbação. Nossos resultados indicaram baixa mortalidade e alta capacidade de rebrota para o conjunto espécies lenhosas nativas avaliadas. Esse comportamento evidencia a elevada capacidade de resiliência da vegetação lenhosa do Cerrado sentido restrito e de persistência das espécies arbustivo arbóreas frete aos distúrbios provocados pelo fogo, o que garante a perpetuação e manutenção da biodiversidade do bioma Cerrado.

Referência:

SOUCHIE, Fabiane Furlaneto. Rebrota de indivíduos lenhosos em área de cerrado sentido restrito como resposta ao fogo. 2015. xi, 46 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

Disponível em:

Zona ripária de Cerrado: processos hidrossedimentológicos

Zona ripária de Cerrado: processos hidrossedimentológicos

Autor(a):

Bruno Esteves Távora

Resumo:

As formações florestais justafluviais são reconhecidamente capazes de promover atenuação no aporte de massa e energia nos corpos hídricos. Essa fitofisionomia, que preenche a zona ripária, tem importante papel no controle de poluição, com consequente manutenção da qualidade das águas. Esse fenômeno de atenuação encontra-se intimamente relacionado aos processos de escoamento que sofrem redução de velocidade ou passam a ocorrer de forma subsuperficial quando o escoamento adentra as áreas florestadas. Na presente tese foi empregada uma análise de cenários progressivos de proteção justafluvial em uma bacia experimental representativa do Cerrado brasileiro confrontando-os com a ausência dessa proteção impositiva. Experimentos de campo conduzidos no presente trabalho indicam, ainda, um papel relevante na interceptação da chuva por essa fitofisionomia florestal. As observações sugerem que 75,3% da precipitação atingem o solo na forma de precipitação interna livre, enquanto 24,7% são interceptados pelo dossel das árvores. Acerca do comportamento hidrossedimentológico da bacia estudada, os resultados indicam as estradas não pavimentadas como principal fonte de sedimentos em áreas preservadas. Isso porque ocorre uma descontinuidade da cobertura vegetal quando essas estradas intersecionam os cursos d’água. Em um cenário de uso rural, faixas de proteção de apenas 5 metros já trouxeram bons resultados em termos de atenuação de aporte de sedimentos para eventos de menor monta. Para eventos de máximas, todavia, a atenuação do aporte de sedimentos só se faz perceptível com faixas de proteção justafluvial bem mais elevadas. Embora em menor frequência, são esses eventos mais extremos responsáveis pela maior porção do sedimento transportado na bacia. Nesse sentido, as simulações de cenários de proteção da floresta ripária sugerem que para uma atenuação da descarga sólida da ordem de 90%, seriam necessários 23m de proteção lateral. Tendo em vista que o modelo de atenuação utilizado não foi especialmente desenvolvido para as condições do Cerrado brasileiro faz-se necessário o levantamento de funções mais regionais de atenuação para incorporação ao modelo hidrossedimentológico.

Referência:

TÁVORA, Bruno Esteves. Zona ripária de Cerrado: processos hidrossedimentológicos. 2017. xv, 130 f., il. Tese (Doutorado em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.

Disponível em:

Eficiência do uso de nutrientes ao longo de uma transição de mata de galeria e cerrado no Distrito Federal

Eficiência do uso de nutrientes ao longo de uma transição de mata de galeria e cerrado no Distrito Federal

Autor(a):

Artur Orelli Paiva

Resumo:

Na configuração da paisagem que forma o bioma Cerrado, as matas de galeria acompanham os cursos de água e quando fazem limites com o cerrado, diferenciam-se pela posição mais superficial do lençol freático e pelas mudanças significativas quanto às propriedades edáficas. Transições entre formações florestais e formações abertas de cerrado, além de apresentarem mudanças marcantes de ordem estrutural, dinâmica, florística e de distribuição de espécies, são situações naturais que também abrangem variações do ponto de vista nutricional e de produtividade em cada um desses ecossistemas. Diante disso, o presente trabalho teve como objetivo avaliar as diferenças na produção mensal de serapilheira, na concentração de nutrientes na serapilheira e na eficiência do uso de nutrientes (EUN) ao longo de uma transição entre a mata de galeria do córrego Roncador e o cerrado adjacente, localizada na Reserva Ecológica do IBGE, Distrito Federal. As hipóteses testadas foram que ocorre redução na disponibilidade de nutrientes no solo ao longo do gradiente de mata de galeria em direção ao cerrado; a concentração de nutrientes na serapilheira diminui da mata de galeria em direção ao cerrado; a eficiência do uso de nutrientes tende a aumentar da mata de galeria em direção ao cerrado. Foram estabelecidos quatro transectos paralelos e distantes 40 m entre si, estendendo-se 30 m dentro de cada fitofisionomia, no sentido perpendicular à fronteira mata de galeria e cerrado. A análise do índice de área foliar (IAF) das espécies arbóreas evidenciou mudanças bruscas no gradiente vegetacional, definindo bem a interrupção do dossel florestal. Espécies arbóreas típicas de mata de galeria foram encontradas no cerrado e, raramente, foi observada a presença de espécies de cerrado estabelecidas na mata de galeria. Amostras de solo até 30 cm de profundidade foram coletadas ao longo de cada transecto para determinar a disponibilidade de nutrientes. Coletores de 0,25 m² foram utilizados para a captura de serapilheira quinzenalmente, durante o período de um ano, iniciando-se em outubro de 2007. Os galhos maiores que 1 cm de diâmetro foram descartados e amostras compostas (para cada mês ou trimestre) de cada fração (folhas e miscelânea) foram analisadas separadamente quanto à concentração de nutrientes. A produção anual da serapilheira foi maior durante o período seco e maior na floresta (6,3 t ha-1) do que no cerrado (3,5 t ha-1). Foi observada redução significativa da disponibilidade de N, Ca e Mg e dos teores de carbono orgânico ao longo do gradiente de mata de galeria e cerrado. A concentração de K, Ca e Mg na serapilheira foliar e de N, Ca e Mg na fração miscelânea, diminuiu do ambiente florestal em direção à formação aberta de cerrado. A EUN para estes nutrientes e P (folhas) aumentou da mata de galeria em direção ao cerrado.

Referência:

PAIVA, Artur Orelli. Eficiência do uso de nutrientes ao longo de uma transição de mata de galeria e cerrado no Distrito Federal. 2008. 87 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)-Universidade de Brasília, Brasília, 2008.

Disponível em:

Comparação do banco de sementes do solo de três fitofisionomias do bioma cerrado em áreas perturbadas

Comparação do banco de sementes do solo de três fitofisionomias do bioma cerrado em áreas perturbadas

Autor(a):

Soraia Fonseca Oliveira

Resumo:

Este trabalho visou avaliar germinação e viabilidade das sementes que compõem o banco de sementes do solo de áreas degradadas de Cerrado, Cerradão e Mata de Galeria na Fazenda Água Limpa, em Vargem Bonita, DF, no final da estação chuvosa (maio de 2006). Uma faixa de amostragem de 4000 m² foi instalada em cada área de estudo, as quais haviam sido queimadas no ano de 2005. No interior da faixa de amostragem foram delimitadas aleatóriamente 30 parcelas de 2 x 2 m. Foram coletadas 30 amostras de solo (0,15 x 0,12 x 0,10 m) no interior de cada parcela. Ao longo de 71 dias foram realizadas as avaliações por meio da contagem das plântulas que emergiram do solo coletado e após este período procedeu-se com a secagem, peneiração e a separação direta das sementes que restaram no solo coletado e que não haviam germinado. Foram contabilizados 209 indivíduos nas amostras de solo de cerrado, 626 nas amostras de solo de cerradão e 338 nas de mata de galeria, totalizando 1173 sementes germinadas na avaliação do solo coletado ao final da estação chuvosa. A característica emergência de plântulas foi submetida ao teste de normalidade de Lilliefors, pelo qual verificou-se que a mesma não segue uma distribuição normal, e ao teste de Cochran e Bartlet, pelo qual observou-se a ausência de homocedasticidade. Os diásporos encontrados nas amostras do banco de sementes do solo das três áreas estudadas puderam ser identificados apenas como diásporos de espécies gramíneas ou herbáceas.

Referência:

OLIVEIRA, Soraia Fonseca. Comparação do banco de sementes do solo de três fitofisionomias do bioma cerrado em áreas perturbadas. 2007. 53 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)-Universidade de Brasília, Brasília, 2007.

Disponível em:

O Cerrado rupestre no estado de Goiás com base em imagens landsat etm+

O Cerrado rupestre no estado de Goiás com base em imagens landsat etm+

Autor(a):

Camila Aparecida Lima

Resumo:

O Cerrado Rupestre ocorre em paisagens de relevo acidentado, com declividade moderada à acentuada e sob afloramentos rochosos. Além de apresentar destacada riqueza florística, essa fitofisionomia funciona ainda como barreira para o avanço da agropecuária no Cerrado. Apesar do seu importante papel na conservação da biodiversidade, não existe ainda um mapeamento preciso de ocorrências dessa fitofisionomia no referido bioma. O objetivo deste estudo foi mapear áreas de ocorrência de Cerrado Rupestre no Estado de Goiás, incluindo o Distrito Federal, por meio de análise de 24 imagens do satélite LANDSAT ETM+. A estratégia metodológica envolveu segmentação de imagens, classificação automática pelos métodos de Battacharya e ISOSEG, análise visual e refinamento por meio de cruzamento com dados de declividade, geomorfologia e geologia. O uso do classificador ISOSEG permitiu a identificação de 2.262.000 hectares de Cerrado Rupestre, sem validação de campo. Para tanto, foi selecionada uma área-teste contínua menor (aproximadamente 908.000 hectares), também com destacada riqueza biológica: a Área de Proteção Ambiental – APA Pouso Alto e o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – PNCV, localizadas no Nordeste de Goiás. O mapeamento final para essa área de estudo, baseado na verificação em campo, resultou em um índice de exatidão global de 76%. O uso de imagens monotemporais do LANDSAT permitiu a identificação de áreas de ocorrência de Cerrado Rupestre, porém, a sua delimitação foi dificultada devido à confusão espectral com as fitofisionomias Cerrado sentido restrito, Mata Seca Decídua e Semidecídua. O uso do classificador Battacharya apresentou limitações computacionais para ambas as áreas. Como continuação desta linha de pesquisa, recomenda-se a validação do mapeamento para o Estado de Goiás, a análise de imagens multitemporais do LANDSAT e a análise sinergística entre LANDSAT e dados de radar.

Referência:

LIMA, Camila Aparecida. O Cerrado rupestre no estado de Goiás com base em imagens landsat etm+. 2008. 117f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)-Universidade de Brasília, Brasília, 2008.

Disponível em:

Vegetação arbustivo-arbórea em áreas de cerrado rupestre na Cadeia do Espinhaço

Vegetação arbustivo-arbórea em áreas de cerrado rupestre na Cadeia do Espinhaço

Autor(a):

Sílvia da Luz Lima Mota

Resumo:

O objetivo deste trabalho foi estudar a composição, diversidade e distribuição da vegetação arbustivo-arbórea do Cerrado Rupestre na Cadeia do Espinhaço. O primeiro capítulo é descritivo e nele apresentamos as características do ambiente e a composição florística, no segundo avaliamos a riqueza e diversidade florística e no terceiro investigamos a relação da flora arbustivo-arbórea com os preditores espaço e ambiente. Mostramos que os solos têm pequenas quantidades de nutrientes, são arenosos, ácidos e com elevados teores de alumínio. As quatro áreas ao longo da Cadeia têm relevo irregular, grande porcentagem de rochas expostas, temperaturas baixas no inverno e amenas nas demais estações, precipitação elevada e concentrada no verão. A vegetação arbustivo-arbórea do Cerrado Rupestre na Cadeia do Espinhaço apresenta composição florística típica do bioma Cerrado, com destaque para as espécies das famílias Velloziaceae, Asteraceae, Fabaceae, Vochysiaceae e Melastomataceae. A maior parte das espécies são zoocóricas e a minoria autocóricas; no entanto, considerando o número de indivíduos, as autocóricas apresentam as maiores populações e zoocóricas as menores. Já as espécies anemocóricas têm número intermediário tanto de indivíduos como de espécies. A diversidade e a composição de espécies variam ao longo da Cadeia do Espinhaço, confirmando a grande diversidade beta atribuída à esta região. A heterogeneidade ambiental e a proximidade com o centro do bioma Cerrado favorecem a manutenção de elevada riqueza, ao passo que o isolamento geográfico promove diferenciação na composição florística ao longo da Cadeia. Os preditores espaço e ambiente são significativos na distribuição das espécies, mas o espaço é mais importante, entretanto, é a interação entre eles que parece determinar a composição florístico-estrutural da vegetação. Estes preditores não atuam da mesma forma sobre todas as espécies, portanto, analisamos a comunidade por guildas de dispersão, para que o entendimento da atuação do espaço e do ambiente sobre a vegetação arbustivo-arbórea na Cadeia do Espinhaço seja mais consistente e esclarecedor.

Referência:

MOTA, Sílvia da Luz Lima. Vegetação arbustivo-arbórea em áreas de cerrado rupestre na Cadeia do Espinhaço. 2016. xiv, 74 f., il. Tese (Doutorado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016.

Disponível em: