Por que o Cerrado está sendo destruído?

Por que o Cerrado está sendo destruído?

#CerradoVivo Por que o Cerrado está sendo destruído? Importante fonte de água e palco de belezas naturais e culturas incomparáveis, o Cerrado é reconhecido como a savana mais rica em vida no planeta. No entanto, esse bioma já perdeu metade da vegetação original. Atualmente o Cerrado está sendo destruído para a produção de comida, mas utilizando a terra de maneira inteligente, podemos proteger o que resta da preciosa biodiversidade dessa região e continuar nos alimentando bem. 

O Cerrado depende de você – WWF-Brasil

O Cerrado depende de você - WWF-Brasil

Berço das águas do Brasil e de 5% de todas as espécies animais e vegetais do mundo, o Cerrado é uma maravilha brasileira em perigo. Decidido a tornar o Cerrado visível aos olhos do mundo, o WWF-Brasil apresenta este vídeo que, por meio de imagens deslumbrantes, mostra como o bioma pode e deve ser usado, mas é preciso fazer isso de maneira equilibrada e sustentável, valorizando a cultura local. 

Bioma cerrado é considerado o berço das águas do Brasil

Bioma cerrado é considerado o berço das águas do Brasil

CONEXÃO CIÊNCIA – 12.11.13: O programa desta semana debate a importância das águas do Cerrado. Apesar de ser considerado o berço das águas do Brasil, o uso irracional e inadequado é uma ameaça para toda a sociedade. Oito das 12 grandes regiões hidrográficas do país são beneficiados pela água do bioma Cerrado, entre elas: Bacia do São Francisco, Tocantins – Araguaia e Rio Paranaíba. Para falar sobre o assunto, o Conexão Ciência recebe Jorge Werneck, pesquisador da Embrapa.

Live #11 – Cerrado: O berço das águas e a contaminação por agrotóxicos

Live #11: Cerrado: O berço das águas e a contaminação por agrotóxicos

Prosseguindo nossa série sobre os biomas brasileiros, a live da Campanha Contra os Agrotóxicos desta semana terá como tema o Cerrado. Considerado berço das águas, o bioma foi alvo central do agronegócio nas últimas décadas, que devastou sua fauna e flora originais e atingiu diretamente os seus povos e comunidades tradicionais.

Para falar sobre este tema, convidamos Isolete Wichinieski, da Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra e da Campanha em Defesa do Cerrado, e Adriano Paulino da Silva, da Associação Quilombola kalunga e membro do projeto de georeferenciamento e gestão ambiental do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga. A mediação será de Murilo Souza. 

Save Cerrado | O que fazemos?

Save Cerrado | O que fazemos?

O cerrado é o maior bioma do brasil. É conhecido como o berço das águas. Em parte do volume de água que abastece os principais aquíferos nacionais, vem dele. Se o cerrado acabar nosso estilo de vida mudará drasticamente. O cerrado é um captador de águas. Ele absorve água das chuvas e distribui para três aquíferos subterrâneos e seis grandes bacias hidrográficas, entre elas a bacia do rio São Francisco. 


As águas do cerrado abastecem casas, empresas e é utilizada na produção de alimentos e na geração de energia. Para se ter uma ideia, nove em cada dez brasileiros só têm energia elétrica, graças às águas vindas desse bioma.


 Hoje o desmatamento do cerrado já supera o da amazônia. 137 espécies de animais e 132 tipos de plantas nativas desse bioma estão na lista de espécies ameaçadas de extinção. Mas não é só a fauna e a flora que estão ameaçadas. Já está na hora de nos unirmos para preservar aquilo que é nosso. Está na hora de cuidarmos do nosso cerrado.


  SaveCerrado é uma organização não governamental que atua exclusivamente na proteção e recuperação do cerrado através de projetos de preservação e educação ambiental. Em uma área privada e de extrema importância para a conservação da biodiversidade do bioma. 

Na área de proteção ambiental do rio pandeiros reconhecida por entidades internacionais como de extrema importância para a preservação das águas do cerrado. O cerrado precisa de você acesse o site https://www.savecerrado.org/ e saiba como contribuir com o projeto SaveCerrado

Mangaba

Mangaba

Nome científico: Hancornia speciosa

 

Nome popular: Mangaba

 

Família: Apocynaceae

 

Forma de vida: Árvore

 

Frutificação: estação chuvosa.

 

Dispersão: mamíferos (mastocoria)

 

Habitat e distribuição: Típico do Cerrado, Cerradão e áreas de Caatinga.

 

Características da espécie: A mangabeira apresenta porte médio, 4 a 6 metros de altura, copa irregular, tronco tortuoso, bastante ramificado e áspero, ramos lisos e avermelhados, folhas opostas e simples, inflorescências de 1 a 7 flores perfumadas e de coloração branca. Na região do Cerrado, a mangabeira floresce de julho a setembro (Gonçalves, 2013).

 

Características dos frutos: Os frutos são do tipo baga, carnosos, de tamanho, formato e cores variados, normalmente, elipsoidais ou arredondados. A cor da casca do fruto maduro é verde-amarelada ou verde-rosada e a polpa viscosa é amarela adocicada, rica em vitaminas, ferro e fósforo, cálcio e proteínas (Ganga et al., 2009). Suas sementes são achatadas e discóides, com coloração castanho-clara. A frutificação ocorre entre os meses de outubro e dezembro.

Aproveitamento: A polpa e a casca fina são consumidas in natura e o fruto pode ser utilizado no preparo de vinho e vinagre, sorvetes, compotas, doces secos e na fabricação de refrescos (Gonçalves, 2013). A mangaba possui vitamina A, B2, B1 e C, assim como ferro, fósforo e cálcio. Possui alto teor de ácido ascórbico (mais do que cítricos). O seu leite é usado também como medicamento contra a tuberculose e no tratamento de úlceras. Do tronco e das folhas retira-se látex, muito explorado durante a segunda Guerra Mundial como substituto da borracha (Ferreira; Marinho, 2007).

 

Extração e Comercialização: O estado de Sergipe é o estado brasileiro que mais planta mangaba no Brasil, seguido dos estados de Minas Gerais e Bahia. A extração da mangaba é feita por agroextrativistas das comunidades locais. Para a colheita da mangaba, existe uma preparação antes, que consiste na retirada dos galhos secos e das ervas-de-passarinho, porque isso melhora muito a visualização para alcançar o fruto. Por vezes também é feita uma limpeza em círculo ao redor da árvore, chamada de coroamento. 

 

A extração em si é feita de maneira bem tradicional, geralmente envolvendo pessoas da mesma família. Os frutos são retirados da árvore por pessoas mais jovens que jogam a mangaba para aqueles que estão embaixo, ou usando uma vara longa com um gancho na ponta para cortar os galhos.

Após a coleta, os frutos são colocados em sacos de linhagem para irem em direção ao armazenamento onde serão lavados e colocados para secar sem estarem amontoados. Depois disso, o fruto já está pronto para ser comercializado. 

A mangaba pode ser consumida natural, ou para o processamento da fruta que resulta em vários outros produtos.

 

Aplicações: A mangaba pode ser consumida natural, ou pode servir de base para várias receitas como geleias, sorvetes, bolos… por ser muito saborosa e rica em vitamina C, além de ser muito rica em ferros e proteínas. O fruto também tem propriedade laxante.

Outras partes da mangabeira podem ser utilizadas das mais diversas formas, principalmente como uma farmácia natural. A casca é usada contra doenças de pele. 

Das folhas, pode-se fazer chá para diminuir, por exemplo, cólicas menstruais e no tratamento de hipertensos. 

O leite contido na fruta é usado para o tratamento de úlceras. 

 

Importância Social e econômica: Segundo Isabela Lima, estima-se que a coleta da mangaba corresponde a 60% da renda familiar anual. Esse número abrange 2.500 famílias, cerca de 7.500 pessoas. 

A colheita da mangaba confere independência financeira a muitas mulheres, que se destacam nesse trabalho.  Quando casadas, as mulheres ficam responsáveis pela colheita enquanto o marido fica responsável por serviços que demandem mais tempo, como a pesca. 

 

Ameaças: Na comercialização da mangaba, ocorrem problemas no meio do processo, como o baixo preço do fruto. A fragilidade da mangaba é testada durante o transporte, pois para ser feita a comercialização é necessário que se leve o fruto para os grandes centros, as estradas com péssimas condições diminuem bastante a quantidade de frutos aptos para venda.

Como a maioria das árvores típicas do cerrado, o desmatamento tem atingido também a mangabeira. As plantações dessa árvore estão cada vez mais escassas, dificultando o acesso para colheita, além de que essas plantações estão dando lugar ao plantio de cana- de-açúcar.

Referências

AVIDOS, Maria Fernanda Diniz; FERREIRA, Lucas Tadeu. Frutos do Cerrado: preservação gera muitos frutos. Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento. 

 

FERREIRA, Edivaldo Galdino; MARINHO, Saulo José Onofre. Produção de frutos da Mangabeira para consumo in natura e industrialização. Tecnol. & Ciên. Agropec., João Pessoa, v. 1, n. 1, p. 9-14, set. 2007. 

 

Ganga, R.M.D.; Ferreira, G.A.; Chaves, L.J.; Naves, R.V. e Nascimento, J.L. (2010) – Caracterização de frutos e árvores de populações naturais de Hancornia speciosa Gomes do cerrado. Revista Brasileira de Fruticultura, 32, 1: 101-113.

 

GONÇALVES, Laissa Gabrielle Vieira et al. Biometria de frutos e sementes de mangaba (Hancornia speciosa Gomes) em vegetação natural na região leste de Mato Grosso, Brasil. Revista de Ciências Agrárias, Nova Xavantina, v. 36, n. 1, p. 31-40, 2013. 

 

LULKIN, Claudia Isabel. Do cerrado para a mesa: articulando agricultura familiar com alimentação escolar pelas frutas nativas. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Sociobiodiversidade e Sustentabilidade no Cerrado) —Universidade de Brasília, Alto Paraíso de Goiás – GO, 2018. Disponível em: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/22281/1/2018_ClaudiaIsabelLulkin_tcc.pdf

 

AUR, Deise. Mangaba: propriedades, benefícios e como consumir. Green Me. 7, mar 2018. Disponível em <https://www.greenmebrasil.com/usos-beneficios/6428-mangaba-propriedades-beneficios-como-consumir/#Beneficios_da_mangaba> Acesso em: 10 nov. 2020.

 

LIMA, Isabela. Boas Práticas de manejo para extrativismo de mangaba. Brasília, 2010. 68 p. Disponível em <https://ispn.org.br/site/wp-content/uploads/2018/10/BoasPraticasMangaba.pdf> Acesso em: 10 nov. 2020.

Buriti

Buriti

Nome científico: Mauritia flexuosa

 

Nome popular: Buriti

 

Família: Arecaceae (Palmae)

 

Forma de vida: Palmeira arbórea

 

Frutificação: ao longo do ano

 

Dispersão: mamíferos (mastocoria)

 

Habitat e distribuição: Savânico e florestal, em Mata de Galeria e Veredas, próximo a nascentes. 

 

Domínios: Cerrado, Amazônia e Caatinga.

 

Características da espécie: Palmeira de até 30 metros de altura, com estipe lisa. Quando adulta, possui 20 a 30 folhas palmadas, dispostas quase sempre em leque. Suas flores amarelo-alaranjadas são polinizadas pelo vento e apresentam-se em longas inflorescências ou cachos de até 3m de comprimento. Esta espécie destaca-se por ser uma ótima indicadora de água no solo, pois estão associadas com a existência de nascentes e poços de água.

 

Características dos frutos: Os frutos são ovoides, cobertos por escamas com coloração castanho-avermelhado, carnosos e com polpa marcadamente amarela e rica em cálcio. A maturação dos frutos tem pico entre julho e fevereiro.

Aproveitamente: O Buriti possui um grande potencial socioeconômico em decorrência de sua utilização comercial na produção de óleo, o qual contém quantidades expressivas de carotenoides (até o momento é fruta campeã mundial no teor de carotenoides) e vitamina E, apresentando atividade cicatrizante e antibacteriana. Os frutos, ricos em vitamina A e C, e possuindo ferro, cálcio e fibras podem ser consumidos ao natural ou em receitas, como doces, sucos ou outros produtos regionais. O fruto também possui ácidos graxos monoinsaturados, que auxiliam na absorção de vitamina A, e possui também alto teor de ácido oleico. Além disso, suas folhas e pecíolos são utilizados como matéria prima em construções e artesanatos.

 

Extração e Comercialização: Seguindo um padrão de outros frutos, o buriti também é colhido preferencialmente do chão depois de caírem naturalmente da árvore. Entretanto, os extrativistas que fazem a colheita também retiram cachos inteiros quando percebem que os frutos dali estão prestes a cair, a retirada desses cachos é por meio de escalada amarrando cordas nos pés quando este cacho está mais alto, e usa-se também varas de bambu para alcançar cachos mais baixos. 

 

Os catadores têm o cuidado de levar somente os frutos que eles conseguirão processar em um dia de trabalho, pois o fruto apodrece muito rápido depois de maduro, e o que não conseguirá ser processado deve ficar nos campos para que animais possam comer e fazer a dispersão, dando continuidade a espécie.

 

No processo para comercialização, a massa do buriti é conservada na geladeira para ser consumida in natura, ou poderá também ser desidratada para aumentar seu tempo de consumo em até um ano.

 

O óleo de buriti também é bastante vendido por estes produtores, algumas pequenas e grandes empresas compram esse óleo para cosméticos, e também para o uso como óleo essencial para aroma-terapia.

 

Aplicações: Tudo do buriti pode ser aproveitado, desde as folhas da árvore até a casca do fruto. 

 

É muito comum nas regiões centro-oeste encontrar artesanatos feitos com as folhas da árvore do buriti, uma vez trançadas, as folhas podem virar bolsas, cestos, vassouras, entre outros itens. A madeira do buriti só é usada por estes artesãos quando a árvore cai sozinha, a partir da queda então, os artesãos conseguem fazer bancos e mesas que são muito apreciados para a montagem de jardins ornamentais, que muitas vezes, também tem a própria árvore como ornamento, uma vez que ficam muito bonitas quando agrupadas.

 

O óleo de buriti também vem sendo explorado pela indústria de cosméticos, já que ele possui muitas vitaminas. Tem sido aplicado em loções pós sol pois ajuda a proteger a pele contra a descamação, aliviando a vermelhidão por conta de efeito que relaxa a área. No rosto, o óleo garante o brilho e maciez, podendo ser usado até para peles acneicas pois ajuda na cicatrização. Nos cabelos, ele garante hidratação profunda, podendo ser utilizado em xampus e condicionares.

 

Na gastronomia o buriti também é aproveitado para receitas, principalmente, doces, como bolos, sucos, mousse e geleias. 

 

Importância social e econômica: O buriti tem um impacto gigante no agroextrativismo, uma vez que pode ser usado de diversas maneiras. Por isso, o uso sustentável do buriti tem grande prestígio para as comunidades que dele dependem, desde os extrativistas que colhem o fruto, até artesãos que usam as folhas das árvores em seus trabalhos. O buriti ajuda a manter a qualidade da água nas veredas, o que beneficia toda a população próxima.

Estima-se que 2.000 kg de massa de buriti gere R$ 10.000 (dez mil) durante o período de uma safra (ISPN, 2011).

 

Ameaças: Não é novidade que o fogo vem destruindo o cerrado e suas plantações únicas, isso vem ocorrendo com uma frequência devastadora. Com o buriti também não é diferente, o fogo destrói as plantações, o que acarreta em toda uma cadeia de produtividade e sustentabilidade afetada. O desmatamento também vem sendo constante, devido a boa qualidade da madeira do buriti, as árvores têm sido cortadas para fabricação de móveis rústicos por grandes empresas que além de destruírem o cerrado, ainda tiram o sustento de famílias que dependem dessas árvores para sobreviver.

 

Referências

AVIDOS, Maria Fernanda Diniz; FERREIRA, Lucas Tadeu. Frutos do Cerrado: preservação gera muitos frutos. Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento. 

 

BATISTA, Jael Soares et al. Atividade antibacteriana e cicatrizante do óleo de buriti Mauritia flexuosa L. Ciência Rural, Santa Maria, v. 42, n. 1, p. 136-141, jan. 2012. 

 

KUHLMANN, Marcelo. Frutos e sementes do Cerrado: espécies atrativas para a fauna. 2ª ed., Brasília, 2018.

 

ROSSI, Ana Aparecida Bandini; GOMES, André Delgado; SILVEIRA, Greiciele Farias da; RAMALHO, Aline Bueno; BARBOSA, Rosieli.  Caracterização morfológica de frutos e sementes de Mauritia flexuosa (Arecaceae) com ocorrência natural na Amazônia Matogrossense. Enciclopédia Biosfera, Goiânia, v. 10, n. 18, p. 852-862, 01 jul. 2014. 

 

KINUPP, Valdely; LORENZI, Harri. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil, 2019. São Paulo.

 

LULKIN, Claudia Isabel. Do cerrado para a mesa: articulando agricultura familiar com alimentação escolar pelas frutas nativas. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Sociobiodiversidade e Sustentabilidade no Cerrado) —Universidade de Brasília, Alto Paraíso de Goiás – GO, 2018. Disponível em: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/22281/1/2018_ClaudiaIsabelLulkin_tcc.pdf

 

SAMPAIO, Maurício. Boas Práticas de Manejo e Extrativismo Sustentável do Buriti. Brasília. 2011. Disponível em <https://ispn.org.br/site/wp-content/uploads/2018/10/BoasPraticasBuriti.pdf> Acesso em: 20 out. 2020

 

ALMEIDA, Semiramis; SILVA, José. Piqui e Buriti – Importância alimentar para a população dos cerrados. EMBRAPA. Brasília, 1996. Disponível em <https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/548665/1/doc54.pdf> Acesso em: 21 out. 2020.