Transformações do sistema agrícola da Comunidade Quilombola Kalunga do Mimoso (Tocantins): a agricultura de corte e queima em questão

Transformações do sistema agrícola da Comunidade Quilombola Kalunga do Mimoso (Tocantins): a agricultura de corte e queima em questão

Autor(a):

Lourivaldo dos Santos Souza

Resumo:

Este trabalho apresenta uma reflexão sobre o sistema agrícola praticado na Comunidade Quilombola Kalunga do Mimoso, localizada no município de Arraias (Tocantins), e tem como objetivo descrever a diversidade e a transformação dos sistemas de cultivos de roça de toco praticados na referida comunidade, com um recorte na biodiversidade local e nas transformações da agricultura de corte e queima. Para tanto, a pesquisa de campo envolveu entrevistas, questionários semiestruturados, percurso comentado aos setores de produção agrícola: roças e quintais, com 12 produtore(a)s1 de cinco núcleos familiares. Identificamos uma alta agrobiodiversidade, com 101 espécies e variedades, incluindo 5 variedades de arroz, 6 de feijão, 4 de milho e outras que demonstraremos no decorrer deste trabalho. Esta diversidade garantiu o sustento alimentar de muitas famílias kalungas durante muitos anos, frente ao desafio das invasões das terras por fazendeiros ocorridas há mais de 90 anos. Hoje, diante ao avanço rápido das monoculturas de larga escala no Cerrado, a referida comunidade se destaca pela biodiversidade e pela produção de alimentos em uma lógica de subsistência, com venda dos excedentes (sobretudo farinha de mandioca). No entanto, nos últimos anos, num contexto de reconhecimento e reocupação do território Quilombola, combinado a diversificação das atividades das famílias Kalunga nas cidades e a mudança do regime de chuva, observamos a perda de biodiversidade vegetal e a adoção crescente de novas técnicas de cultivo, como a conversão das roças em pastagens, o uso do trator e agroquímicos, utilizados para aumentar a produtividade do trabalho agrícola. No intuito de contribuir para a gestão territorial Quilombola, realizamos levantamento da biodiversidade cultivada, sementes que foram perdidas, e caracterização dos sistemas agrícolas.

Referência:

SOUZA, Lourivaldo dos Santos. Transformações do sistema agrícola da Comunidade Quilombola Kalunga do Mimoso (Tocantins): a agricultura de corte e queima em questão. 2018. 90 f., il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

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A comunidade quilombola kalunga do Engenho II: cultura, produção de alimentos e ecologia de saberes

A comunidade quilombola kalunga do Engenho II: cultura, produção de alimentos e ecologia de saberes

Autor(a):

Daniella Buchmann Ungarelli

Resumo:

A presente pesquisa tem como tema central a relação com a terra e o cultivo de alimentos na cultura Kalunga, inspirada nas etnometodologias e na pesquisa-ação. Procedeu-se uma análise de conteúdo a partir do registro de narrativas por meio de entrevistas semi-estruturadas. As lentes teóricas adotadas são a ecologia de saberes de Boaventura de Souza Santos e o pensamento complexo de Edgar Morin. A importância de produzir o seu próprio alimento é revelada na pesquisa, assim como a importância da preservação da cultura Kalunga para manter o rico germoplasma dos alimentos cultivados há mais de dois séculos no quilombo, e também para manter o cerrado em pé com toda sua biodiversidade.

Referência:

UNGARELLI, Daniella Buchmann. A comunidade quilombola kalunga do Engenho II: cultura, produção de alimentos e ecologia de saberes. 2009. 92 f., il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável)-Universidade de Brasília, Brasília, 2009.

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Entre abelhas e gente: organização coletiva e economia solidária na conservação do cerrado em São João d’Aliança – GO

Entre abelhas e gente: organização coletiva e economia solidária na conservação do cerrado em São João d'Aliança - GO

Autor(a):

Ana Carolina Cançado Teixeira

Resumo:

A Educação para Gestão Ambiental pode contribuir para a organização coletiva com vistas à geração de renda e, sobretudo, à conservação do cerrado? O presente estudo buscou responder a essa questão, com a implementação de processo produtivo de mel com base na Economia Solidária, junto a um grupo formado em São João d`Aliança (Goiás). Esse grupo buscou na apicultura uma alternativa de renda e no mel, um alimento para subsistência de suas famílias. O ponto de partida foi a convicção de que a Economia Solidária pode ser um instrumento de organização coletiva, conservação da natureza e alternativa econômica. A Economia Solidária no contexto da educação ambiental visou contribuir para que os indivíduos se posicionassem criticamente diante da sua realidade, buscando, por meio do trabalho coletivo, alternativas econômicas que englobem aspectos sociais e ambientais sustentáveis. Como resultados obtidos, observou-se que, ao longo do trabalho, os temas relativos à importância da conservação do Cerrado foram amadurecidos e incorporados pelos participantes. Foi possível verificar que o grupo constituído por assentados, produtores rurais tradicionais e agricultores permaneceu unido durante todo o período da pesquisa. E que, a Economia Solidária com o uso de alguns princípios do microcrédito pode contribuir para a autogestão do grupo. A educação ambiental crítica e a Educação para Gestão Ambiental representam ferramentas importantes que contribuem para o fortalecimento da sua organização. Embora ainda caracterizado como um grupo em construção que precisa ser fortalecido foi percebido a busca de parcerias com a prefeitura e outras instituições. O referencial metodológico para a realização desta pesquisa é qualitativo e contempla os princípios da pesquisa- ação a partir da consolidação de um grupo pesquisadorcoletivo cujo objetivo foi a organização do processo de apicultura a partir da mobilização das pessoas, capacitação, planejamento em relação à compra dos equipamentos, materiais e manejo das caixas. Essa participação coletiva em todas as decisões do processo valorizou a fala e as ações dos sujeitos envolvidos como protagonistas de sua experiência. A cartilha “Grupo de Apicultura de São João d`Aliança – GO” construída coletivamente permitiu refletir sobre a importância de cada um dentro do grupo, ressaltando o respeito às individualidades e habilidades, apontando os direitos e deveres dos participantes e do grupo como um todo. Foi possível concluir que a Economia Solidária pode vir a ser um instrumento de organização coletiva, alternativa de renda e conservação do Cerrado. No entanto, observamos a necessidade de um fator externo como agente mobilizador e de necessidade de estudos específicos em relação à criação de abelhas exóticas na região. A construção coletiva da cartilha representou um material bastante eficiente para fortalecer a autonomia do grupo envolvido, podendo servir como exemplo para outros que se formarem.

Referência:

TEIXEIRA, Ana Carolina Cançado. Entre abelhas e gente: organização coletiva e economia solidária na conservação do cerrado em São João d’Aliança – GO. 2008. 147 f., il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável)-Universidade de Brasília, Brasília, 2008

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Manejo sustentável e potencial econômico da extração do buriti nos lençóis maranhenses

A fertilização da terra pela terra: uma alternativa para a sustentabilidade do pequeno produtor rural

Autor(a):

Suzi de Cordova Theodoro

Resumo:

O presente trabalho estabelece como ponto de partida a revisão da historia do setor agrícola no Brasil, buscando entender as causas que, ao longo de décadas, convergiram o país para uma situação de desajuste econômico, social, fundiário e ecológico, em seu meio rural. Na ultima metade deste século, com a introdução de tecnologias que revolucionaram as formas de se produzir alimentos, agravaram-se as relações do homem com a terra. Nesse aspecto, o trabalho procura mostrar que tais desajustes ocorrem de forma intensa na região do Cerrado Brasileiro. São discutidos os impactos, limites e perspectivas para o setor agrícola da região, consideradas as premissas associadas ao conceito do desenvolvimento sustentável. Em seguida, e apresentado um caso de construção de uma nova realidade no meio rural, envolvendo agricultores assentados pelo Programa de Reforma Agrária, sendo enfocados aspectos sociais, organizacionais, econômicos e ambientais daquela população. De posse de todas essas informações, e considerando a proposta de, ao longo de todo o trabalho, estabelecer-se uma abordagem multidisciplinar, e apresentada uma tecnologia baseada no uso de pó de rocha – Rochagem – que prevê, em sua essência, a busca do equilíbrio ambiental com a manutenção da produtividade, tendo como base uma nova forma de fertilização. Nesse sentido, a fertilização da terra pela própria terra abre a possibilidade de entendimento dos processos naturais que definem as especificidades do planeta. São apresentados os resultados dos experimentos de campo realizados em vários lotes do Assentamento Fruta D’Anta, em Minas Gerais, e em uma fazenda de produção orgânica, localizada no Distrito Federal. Tais experimentos confirmaram a viabilidade econômica, ecológica e produtiva da técnica de Rochagem, comprovadas por analise custo/beneficio. Por fim, são sugeridas algumas premissas para a construção de um novo modelo de desenvolvimento agrícola, baseado em tecnologias alternativas capazes de recriar oportunidades de inserção e manutenção de uma grande parcela da população que, hoje, encontra-se excluída dos processos produtivos e do direito a cidadania. Portanto, o eixo central desta tese situa-se na abordagem de temas tecnológicos – como o uso do método de Rochagem – e na analise e identificação de algumas características do espaço rural que permeiam a relação dos indivíduos com a terra, em face do atual momento de crise global provocada pela mudança de paradigmas.

Referência:

THEODORO, Suzi de Cordova Huff. A fertilização da terra pela terra: uma alternativa para a sustentabilidade do pequeno produtor rural. 2000. ix, 225 f., il. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2000.

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Soberania e segurança alimentar na perspectiva dos jovens Kalunga da comunidade Vão de Almas

Soberania e segurança alimentar na perspectiva dos jovens Kalunga da comunidade Vão de Almas

Autor(a):

Valdir Fernandes da Cunha

Resumo:

A presente pesquisa faz uma análise dos aspectos relacionados à Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional da comunidade Kalunga Vão de Almas, no nordeste goiano, a partir das perspectivas dos jovens, fortalecendo o diálogo produtivo entre gerações. A partir de entrevistas, rodas de conversa e práticas de plantios foram identificadas as principais mudanças nas práticas alimentares Kalunga, os fatores que as influenciam, assim como estratégias alternativas de manutenção da produção alimentar local, desenvolvendo um diálogo de saberes produtivos entre gerações, compreendendo o motivo da baixa participação dos jovens na produção alimentar. Fatores externos como programas de governo, pessoas assalariadas, distribuição de cestas básicas e as mudanças climáticas influenciam diretamente na Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional da Comunidade. Ressalta-se que mesmo assim nós quilombolas não deixamos de cultivar os nossos próprios alimentos agroecológicos para o abastecimento e consumo local em interação com o cerrado.

Referência:

CUNHA, Valdir Fernandes da. Soberania e segurança alimentar na perspectiva dos jovens Kalunga da comunidade Vão de Almas. 2018. 133 f., il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, 2018.

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Céu de Pipiripau: da tragédia dos comuns à sustentabilidade hídrica

Céu de Pipiripau: da tragédia dos comuns à sustentabilidade hídrica

Autor(a):

Osmar de Araújo Coelho Filho

Resumo:

O Distrito Federal, DF, onde está a capital do Brasil, Brasília, localiza-se no planalto central brasileiro, em uma área ecologicamente frágil, onde mais de 91 % das terras estão em áreas de proteção ambiental. Os rios da região, devido a retirada da vegetação de Cerrado, sofrem com a redução de suas vazões hídricas. A mudança climática em andamento trouxe a necessidade de um planejamento ambiental que promova a conservação ambiental, bem como a geração dos serviços ambientais essenciais, como água e alimentos. Esta pesquisa utilizou a análise da percepção ambiental aplicada aos agricultores e gestores, que vivem e trabalham em uma das três principais bacias que produzem água para Brasília: a bacia do Pipiripau. Os resultados da pesquisa apontaram os domínios da política ambiental, em que existem objetivos estratégicos em comum para os dois grupos: fortalecimento institucional e educação ambiental. Estes domínios podem determinar a definição normativa de ações voltadas à resolução da escassez hídrica.

Referência:

COELHO FILHO, Osmar de Araújo. Céu de Pipiripau: da tragédia dos comuns à sustentabilidade hídrica. 2014. 243 f., il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

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Desafios da participação social no contexto do desenvolvimento sustentável: as contribuições da educomunicação e da atuação em redes sociais

Desafios da participação social no contexto do desenvolvimento sustentável: as contribuições da educomunicação e da atuação em redes sociais

Autor(a):

Mariann Tóth

Resumo:

A participação social tem sido vista como condição essencial para a legitimação e a efetivação de ações propositivas relacionadas às problemáticas socioambientais. Diversas práticas de promoção da participação social têm sido implementadas no âmbito das ações de Desenvolvimento Sustentável. No entanto, os processos participativos têm apresentado limitações relacionadas às relações de poder desiguais entre os atores sociais; aos limites da expressão de suas demandas; à desmotivação para participação; e aos limites dos espaços tradicionais de participação. Esta dissertação apresenta as principais críticas feitas às práticas participativas realizadas no âmbito do Desenvolvimento Sustentável, e discute duas propostas emergentes que podem nortear a proposição de estratégias com vistas a promover a participação social: o campo da Educomunicação e a perspectiva de atuação em redes sociais. O trabalho faz uma análise comparativa de quatro projetos de Educomunicação realizados no Brasil para verificar em que medida os processos educomunicativos conseguem promover relações mais homogêneas de poder; aumentar o coeficiente de expressão dos participantes; motivar a população para participação; e formular novos espaços de participação. Conclui-se que a Educomunicação apresenta potencial significativo para a promoção de novos espaços de participação social e a ampliação do potencial de expressão de demandas sociais e ambientais, no entanto, suas ações apresentam limitações com relação à manutenção de relações de poder mais homogêneas e a motivação continuada da população. A dissertação também analisa a proposta da atuação em redes sociais como espaço alternativo de participação social. O trabalho analisa o caso de uma rede social virtual, a Rede Cerrado em Pauta, resultado da mobilização de atores sociais do Distrito Federal em torno de intervenções educomunicativas para responder problemáticas do Cerrado. O trabalho analisa as relações de horizontalidade entre os atores da Rede referentes à distribuição equitativa de sua participação, e a sustentabilidade da Rede referente à manutenção de sua função de rede, independente de flutuações internas e externas. A Rede é estudada por meio da Análise de Redes Sociais e por meio da análise quantitativa das mensagens enviadas, das discussões iniciadas e das respostas recebidas por 102 atores ao longo de um estudo longitudinal de 21 meses. Conclui-se que a atuação em rede social não garante necessariamente a promoção de relações de poder homogêneas, nem a interação continuada entre os atores. As discussões finais da dissertação contribuem para a reflexão sobre o papel das novas tecnologias para o desenho de espaços inovadores de participação social, para a ampliação das formas de expressão, e para a mobilização social para a participação social em questões socioambientais.

Referência:

TÓTH, Mariann. Desafios da participação social no contexto do desenvolvimento sustentável: as contribuições da educomunicação e da atuação em redes sociais. 2012. 102 f., il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2012.

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A confluência entre a ecologia do fogo e o conhecimento xavante sobre o manejo do fogo no Cerrado

A confluência entre a ecologia do fogo e o conhecimento xavante sobre o manejo do fogo no Cerrado

Autor(a):

Mônica Martins de Melo

Resumo:

Esta pesquisa teve como objetivo investigar as práticas de queimadas realizadas pelos Xavante, resgatar e sistematizar o conhecimento ecológico dessa etnia sobre o uso do fogo. Busca estabelecer um diálogo entre os fundamentos da ecologia do fogo e do saber tradicional sobre o uso do fogo, a fim de contribuir para construção de um conhecimento mais integrador sobre o manejo de fogo para o Cerrado. Foram realizados trabalhos de campo nas Terras Indígenas Areões (MT) e Pimentel Barbosa (MT). Em termos metodológicos, baseou-se nos princípios da etnoecologia, procurando compreender e estabelecer uma avaliação das atividades intelectuais e das práticas dos Xavante relativas ao uso do fogo, durante o procedimentos de utilização dos recursos naturais, tendo como foco as caçada com fogo. Na primeira fase de campo foram realizadas entrevistas estruturadas que se basearam essencialmente nas questões que têm sido discutidas pela ecologia do fogo. Na segunda etapa de campo, com a integração das concepções ambientais e culturais sob a perspectiva dos pesquisados, foram realizadas entrevistas parcialmente estruturadas. Focalizando quatro categorias (processo de decisão, manejo de fogo, fundamentos ecológicos e fundamentos culturais) que caracterizam o padrão da atividade de caça com uso do fogo. Foi constatado que os Xavante detêm um conhecimento que permite definir o período e a periodicidade de queima, para manejar o ambiente com o objetivo de aumentar a eficácia das caçadas com fogo, buscando garantir a sustentabilidade dos ecossistemas. Foi visto que eles desenvolveram uma concepção ambiental integradora, que tem como principais referências as estrelas, as condições do vento e as especificidades de cada fitofisionomia.

Referência:

MELO, Mônica Martins de. A confluência entre a ecologia do fogo e o conhecimento xavante sobre o manejo do fogo no Cerrado. 2007. 127 f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável)-Universidade de Brasília, Brasília, 2007.

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Tradição e sustentabilidade: um estudo dos saberes tradicionais do cerrado na Chapada dos Veadeiros, Vila São Jorge – GO

Tradição e sustentabilidade: um estudo dos saberes tradicionais do cerrado na Chapada dos Veadeiros, Vila São Jorge - GO

Autor(a):

Regina Coelly Fernandes Saraiva

Resumo:

Saberes tradicionais do cerrado são parte do legado cultural dos moradores da Vila São Jorge, Chapada dos Veadeiros – GO, herdados a partir da interação de homens e mulheres com uma inigualável biodiversidade natural. A criação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em 1961, somada ao processo modernizador voltado para aquela região, casou mudanças no modo de vida daquela comunidade tradicional, formada por garimpeiros, lavradores, sitiantes e fazendeiros que tiveram seus saberes silenciados, frente à chegada de novos valores. Com a intenção de desvelar esses silêncios, trago neste estudo vozes e experiências desses homens e mulheres, a partir de um enfoque teórico-metodológico que trabalha com memórias e narrativas. Busquei esse referencial porque acredito que o passado lembrado tem um caráter ilimitado, uma profusão de sentidos, que ao serem trazidos para o presente, tornam possível (re)escrever histórias e contemplar visões omitidas. Narrativas dos moradores da Vila São Jorge traduzem histórias, tensões, saberes, conflitos, sonhos, alegrias, desejos, que estão presentes ao longo desse estudo. Essas narrativas foram analisadas também de modo a identificar como, no contexto atual, aquela comunidade tradicional relaciona-se com o Parque Nacional e as mudanças introduzidas, revelando vontades de deixar marcas de seus saberes e desejos de intercambiar experiências. Projetos, estratégias e propostas desses grupos questionam as contradições que sustentam o modelo de gestão dos parques nacionais. Interpretações a partir do estudo desses saberes tradicionais, compartilhados pelos moradores da Vila São Jorge, revelam que a sustentabilidade não pode ser entendida como algo abstrato, deve ser pensada para homens, mulheres e natureza, valorizar memórias e considerar que as tradições se reinventam no desejo de legar a outras gerações saberes e experiências.

Referência:

SARAIVA, Regina. Coelly. Fernandes. Tradição e sustentabilidade: um estudo dos saberes tradicionais do cerrado na Chapada dos Veadeiros, Vila São Jorge – GO. 2006. 235 f., il. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável)-Universidade de Brasília, Brasília, 2006.

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O regime de chuvas na Amazônia Meridional e sua relação com o desmatamento

O regime de chuvas na Amazônia Meridional e sua relação com o desmatamento

Autor(a):

Nathan dos Santos Debortoli

Resumo:

As zonas de transições da Amazônia e do Cerrado são grandes produtoras nacionais de commodities e detentoras de vasta biodiversidade. Essas regiões são dependentes da água gerada por meio de diversos mecanismos físicos-climáticos presentes na biosfera. Apesar da importância da região para a agricultura, os ecossistemas e o clima regional do Brasil, poucos estudos têm explorado e analisado em profundidade a rede de estações pluviométricas da Amazônia Meridional. Com o intuito de suprir a lacuna, este estudo analisou 207 estações pluviométricas da Agência Nacional das Águas (ANA) no Sul da Amazônia e no Cerrado no período de 1970-2010, utiizando-se dos testes estatísticos não-paramétricos de Pettitt que identifica rupturas nas séries cronológicas pluviométricas, o teste de Mann-Kendall que detecta tendências anuais e sazonais dos índices pluviométricos, e uma análise de regressão linear que identifica tendências sutis de acréscimo ou decréscimo nas precipitações. O teste de Pettitt indicou um total de 16% de rupturas nas séries cronológicas de chuva enquanto que o teste sazonal/mensal de Mann-Kendall coloca em evidência que 41% das estações apresentam tendências negativas principalmente nas estações de transição (início e fim da estação chuvosa). Já a análise de regressão linear indicou que 63% dos dados apresentam tendências negativas nas precipitações. Como complemento também foram identificadas as datas do início e fim da estação chuvosa. Esta se deu por meio da adaptação de método estatístico atrelado às análise de tendências de Mann-Kendall e de regressão linear. Os resultados sugerem fortes contrastes entre o Sul Amazônico e o Cerrado. Esta análise cronológica do período chuvoso indicou o atraso significativo no início da estação chuvosa para 84% das estações, e um fim prematuro em 76%, além da redução do período em 88% dos casos. Por fim, foi desenvolvido, examinado e verificado a correlação de dados climáticos e cobertura do solo através da análise climática oriunda da regressão linear, e da classificação do uso da terra adquiridos do satélite LANDSAT 5 a partir de uma perspectiva temporal. A correlação dos dados delimitados por zonas tampão de 1-50km e divididos em 3 períodos cronológicos anteriores a 1997, entre 1997-2010 e o acumulado de 2010 contemplam o total de floresta. As análises indicam que os padrões de precipitação local não são correlacionados diretamente a cobertura florestal. No entanto, a metodologia de zonas tampão sugere que quanto maiores as áreas de floresta, maiores são as probabilidades destas influenciarem as precipitações, ao contrário de pequenos fragmentos florestais como indicado nos resultados das correlações até 50km. Apesar dos dados climáticos não mostrarem correlação significativa com os dados da cobertura florestal, as análises dos testes de Pettit, Mann-Kendall, regressão linear e de identificação do período chuvoso vão em direção de descobertas recentes com foco nos modelos de circulação em larga-escala, que incluem a cobertura florestal como variável. Esta disparidade nos resultados nos levam a duas hipóteses: uma de que a correlação dos dados pluviométricos não existe localmente, e outra, de que a ferramenta utilizada não consegue captar a correlação, fortalecendo as análises dos testes estatísticos climáticos, que indicam uma superposição e ou apontam para uma existência de correlação da pluviometria com a cobertura florestal, embora não a demonstre explicitamente.

Referência:

DEBORTOLI, Nathan dos Santos. O regime de chuvas na Amazônia Meridional e sua relação com o desmatamento. 2013. 217 f., il. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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