Avaliação da qualidade da água do lençol freático e sua correlação com o uso e ocupação da terra na Bacia do Alto Rio Jardim (DF)

Avaliação da qualidade da água do lençol freático e sua correlação com o uso e ocupação da terra na Bacia do Alto Rio Jardim (DF)

Autor(a):

Luane Souza de Araújo

Resumo:

O uso e ocupação da terra vêm sendo alterado com tempo e modificando os espaços naturais. A expansão agrícola é um dos agentes de tais mudanças. Diante disso, há necessidade de avaliar seus impactos, mais especificamente no que se refere aos recursos hídricos. Deste modo, o objetivo deste estudo foi avaliar os impactos exercidos pelo uso e ocupação da terra na qualidade da água do lençol freático em área agrícola, no Distrito Federal. O estudo foi realizado por meio da análise da qualidade da água de 38 poços piezométricos distribuídos pela área de estudo, a Bacia Experimental do Alto Rio Jardim (BEARJ). Foram coletadas amostras mensalmente durante o período de julho de 2014 até junho de 2015. As variáveis analisadas foram condutividade elétrica (CE), sólidos dissolvidos totais (SDT), pH, alcalinidade, bicarbonato, dureza total, fósforo solúvel (Ps); íons: cloreto (Cl¯), fluoreto (F-), nitrato (NO3-), sódio (Na+), potássio (K+), cálcio (Ca2+), magnésio (Mg2+) e sulfato (SO42-). Realizou se a delimitação das áreas de drenagem de cada poço utilizando a ferramenta TauDEM, assim como o mapeamento de uso e ocupação da terra da bacia hidrográfica. Os dados foram analisados por meio da estatística descritiva; da comparação dos valores medidos com os valores de referência da legislação CONAMA nº 396/2008 para Classe 1 e 2, além dos modelos de regressão quadrática múltipla, envolvendo 16 variáveis independes. Os resultados indicam que a qualidade da água do lençol freático, em geral, é adequada, considerando a CONAMA 396/2008. De forma geral, não foi possível identificar uma correlação evidente entre a qualidade da água do lençol freático e o uso e ocupação da terra na BEARJ. As análises de regressão múltipla indicam que o tipo de solo, a presença de agricultura e pastagem são as características que mais aparecem nas análises de influência sobre a qualidade da água nos poços, mas não representam necessariamente um problema.

Referência:

ARAÚJO, Luane Souza de. Avaliação da qualidade da água do lençol freático e sua correlação com o uso e ocupação da terra na Bacia do Alto Rio Jardim (DF). 2016. 83 f., il. Dissertação (Mestrado em Geografia)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016.

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Análise das mudanças espaciais e temporais nos padrões de paisagem na região do oeste da Bahia sobre a formação do grupo urucuia (1988-2011) e suas implicações para a conservação do Cerrado

Análise das mudanças espaciais e temporais nos padrões de paisagem na região do oeste da Bahia sobre a formação do grupo urucuia (1988-2011) e suas implicações para a conservação do Cerrado

Autor(a):

Sandro Nunes de Oliveira

Resumo:

O objetivo geral desta tese é quantificar os padrões de paisagem e suas respectivas mudanças espaço-temporais durante o período de 1988 a 2011, além de identificar as principais implicações destas mudanças na conservação do bioma Cerrado na fronteira agrícola do Oeste da Bahia. A área de estudo é restrita aos solos sobre o Grupo Urucuia (Cretáceo Superior), que é composta por arenitos continentais relacionados a ambiente desértico. Esta formação geológica gera áreas planas com predominância de Latossolos, caracterizado por textura média, excessivamente drenados e adequado para o desenvolvimento da agricultura intensiva e mecanizada. A tese foi organizada na forma de 5 (cinco) capítulos, sendo que os capítulos de desenvolvimento (capítulos 2, 3 e 4) foram redigidos na forma de artigos científicos. No Capítulo 1, apresentamos o problema de pesquisa, os objetivos gerais e específicos, e apresentamos o conceito de paisagem na perspectiva da Ecologia de Paisagem. No Capítulo 2 (artigo 1), sistematizamos e complementamos o banco de dados vetorial multitemporal do uso e cobertura da Terra pela interpretação visual de imagens TM/Landsat dos anos de 1988, 1992, 1996, 2000, 2004, 2008 e 2011; realizamos a detecção de mudança do uso e cobertura da Terra pelo método de pós-classificação; sistematizamos as principais políticas públicas que influenciaram na ocupação do Oeste da Bahia e sistematizamos os dados oficiais do IBGE sobre a produção agrícola da região. A interpretação visual das imagens TM/Landsat permitiu o mapeamento multitemporal de seis classes de uso e cobertura da Terra: agropecuária, áreas urbanas, corpos d’água, reflorestamento, vegetação alterada e vegetação natural. Durante o período, as principais alterações ocorreram nas classes de vegetação natural (decréscimo de 26,57%) e agropecuária (acréscimo de 27,13%). O avanço da agropecuária ocorreu principalmente em áreas de vegetação nativa. No Capítulo 3 (artigo 2), analisamos as mudanças na fragmentação da paisagem durante o período de 1988 a 2011 pela aplicação de dois procedimentos distintos: a) métricas tradicionais da paisagem; e b) Análise dos Padrões Espaciais Morfológicos (Morphological Spatial Pattern Analysis – MSPA). O cálculo dos atributos da MSPA considerou 10 larguras de borda, entre 30 e 300 metros. As métricas tradicionais da paisagem foram obtidas pelos programas Path Analyst e V-Late. A detecção de mudança nas classes da MSPA foram obtidas por meio de tabulação cruzada. Inicialmente, as áreas mais desmatadas e fragmentadas concentravam-se na parte oeste da area de estudo, e com tempo, avançaram gradualmente para a parte leste. A ánalise indicou aumento na fragmentação da paisagem. No Capítulo 4 (artigo 3), obtivemos a representatividade das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e das Unidades de Conservação (UCs) existentes na área de estudo; quantificamos a área de APP com uso ilegal da Terra a partir de mapeameto de detalhe obtido por interpretação visual de imagens PRISM/ALOS elaborado pelo Laboratório de Sistemas de Informações Espaciais da Universidade de Brasília em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura e o Ministério da Integração Nacional; realizamos a avaliação multitemporal do desmatamento (1988 a 2011) dentro das Unidades de Conservação existentes na área de estudo; e aplicamos a análise morfológica (Morphological Spatial Pattern Analysis) em quatro simulações de cenários para avaliar o potencial das APPs como corredores estruturais. Os cenários simulados tiveram um aumento gradual de área recuperada: (a) cenário real (remanescente de vegetação natural obtida pelas imagens PRISM/ALOS); (b) Cenário 1 (cenário real + APPs e UCs recuperadas); Cenário 2 (cenário 1 + solos hidromórficos); Cenário 3 (cenário 2 + Reserva Legal de 50 metros em volta dos solos hidrmórficos); e (d) Cenário 4 (Cenário 3 + Reserva Legal de 200 metros em volta dos solos hidrmórficos). As Áreas de Preservação Permanente representam 3.54% da área de estudo, sendo que 4.35% deste total possui algum tipo de uso ilegal da Terra em seu interior. No período estudado, houve aumento na quantidade e na área das Unidades de Conservação. Entretanto, a caracterização multitemporal demonstrou que há áreas desmatadas até mesmo em Parques Nacionais e Estações Ecológicas, onde o uso da Terra é extremamente restrito. A inserção de áreas recuperadas nos cenários simulados permitiu o aumento das áreas de paisagem com núcleo, entretanto, não resultou em um aumento contínuo das pontes (classe da MSPA que representa a conectividade estrutural entre os fragmentos). A inserção de áreas recuperadas nas simulações de cenários também reduziu a fragmentação da paisagem na área de estudo. A flexibilidade na demarcação das áreas de Reserva Legal pode ser uma alternativa para a conservação de áreas frágeis como os solos hidromórficos e as zonas úmidas ripárias, além de criar uma faixa de amortecimento entre as áreas de ocupação humana e as Unidades de Conservação. Por fim, no Capítulo 5, apresentamos as considerações e conclusões gerais sobre os resultados obtidos na tese.

Referência:

OLIVEIRA, Sandro Nunes de. Análise das mudanças espaciais e temporais nos padrões de paisagem na região do oeste da Bahia sobre a formação do grupo urucuia (1988-2011) e suas implicações para a conservação do Cerrado. 2015. xxii, 154 f., il. Tese (Doutorado em Geografia)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

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A inserção dos Cerrados Piauienses na dinâmica da agricultura moderna no Brasil Central: transformações na rede urbana do Sudoeste do Piauí

A inserção dos Cerrados Piauienses na dinâmica da agricultura moderna no Brasil Central: transformações na rede urbana do Sudoeste do Piauí

Autor(a):

Tiago Fernandes Rufo

Resumo:

O objetivo desta pesquisa é analisar as transformações e novas dinâmicas da rede urbana no Sudoeste Piauiense diante da inserção dos Cerrados piauienses como nova fronteira agrícola do país, mais especificamente das Microrregiões Alto Parnaíba Piauiense e Alto Médio Gurguéia, e do município de Corrente, pertencente à Microrregião Chapadas do Extremo Sul Piauiense. Este recorte corresponde à área de expansão da agricultura moderna nos Cerrados piauienses, onde estão localizados os municípios com a maior produção agrícola do Estado do Piauí; além disso, é palco de evidentes transformações urbanas, sobretudo nas chamadas cidades do agronegócio, a saber, Bom Jesus, Uruçuí, e também Corrente – importante centro urbano considerado, pelo IBGE (2008), um Centro de Zona A, polarizando inúmeras cidades no extremo sul e Sudoeste Piauiense. A modernização agrícola nos Cerrados piauienses é um claro exemplo das dinâmicas adotadas no chamado Brasil Central, extensa área onde se verifica a consolidação do agronegócio, que funciona como propulsor da economia brasileira. A expansão da fronteira agrícola, arquitetada e incentivada pelo Estado, possibilitou a ocupação de inúmeros recortes territoriais brasileiros, engendrando, assim, reconfigurações dos espaços urbanos e rurais. Como metodologia de pesquisa, partindo de Elias (2011, 2012), e visando respostas aos objetivos propostos e organização das informações, três eixos estruturantes foram definidos: a) Uso e ocupação do espaço agrário; b) Economia urbana e c) Infraestrutura e equipamentos urbanos. Tal definição contribui para a melhoria das análises das transformações urbanas e das novas dinâmicas da área de estudo, já que se verificou que a modernização agrícola nos Cerrados piauienses é responsável, cada vez mais, pela reconfiguração da rede de cidades inseridas nessa nova fronteira agrícola brasileira; as cidades do agronegócio, especialmente Bom Jesus e Uruçuí, gradativamente obtém centralidade no Sudoeste Piauiense. Em Bom Jesus, percebe-se clara influência da modernização agrícola, com grandes transformações na economia urbana e na centralização de equipamentos urbanos; o município passou, inclusive, a exercer o papel de cidade média/intermediária, ao se considerar o contexto da rede de cidades no qual está inserido. Neste aspecto, nota-se, entre as cidades de Bom Jesus e Corrente, o acirramento da disputa pelo status de centro urbano mais importante dessa região agrícola.

Referência:

RUFO, Tiago Fernandes. A inserção dos Cerrados Piauienses na dinâmica da agricultura moderna no Brasil Central: transformações na rede urbana do Sudoeste do Piauí. 2015. xvii, 270 f., il. Dissertação (Mestrado em Geografia)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

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Precipitações no cerrado: análise da variabilidade pluviométrica e influência do fenômeno El Niño oscilação sul

Precipitações no cerrado: análise da variabilidade pluviométrica e influência do fenômeno El Niño oscilação sul

Autor(a):

Cristiano Alves da Silva

Resumo:

O objetivo desta pesquisa consistiu em analisar a distribuição espaço-temporal da pluviosidade, nas escalas mensal e anual, na busca por evidências dos padrões deste elemento climático e a possível influência de eventos El Niño, de intensidade muito forte, sobre a precipitação na Ecorregião dos Cerrados, no período de 1980 a 2010, incluído o evento 2015-2016, considerado um dos mais intensos já registrados e que traz uma perspectiva útil para o estado de compreensão desses eventos. Apresenta, ainda, uma revisão dos eventos ENOS, de intensidade muito forte, e sua capacidade de influência na precipitação do Cerrado. Como consequência, exibe resultados significativos na identificação das principais áreas do bioma suscetíveis a anomalias de precipitação face ao fenômeno El Niño. Percebeu-se que a variabilidade da precipitação no Cerrado é significativamente complexa e comprovou-se, a partir das análises efetuadas que existem relações entre a ocorrência do fenômeno El Niño, de intensidade muito forte, com a precipitação no bioma. Determinou-se, por meio de técnicas estatísticas e de geoprocessamento, as áreas homogêneas de precipitação, a frequência e distribuição quantílica dos totais pluviométricos para o bioma, e como resultado foi definido e apresentado as áreas do Cerrado suscetíveis à influência do fenômeno El Niño. As precipitações, bem como suas anomalias (positivas e negativas), ocorridas ao longo da série histórica, foram observadas na análise dos registros de 1982-83, 1997-98 e 2015-16, e notou-se que as áreas mais ao sul do bioma tendem a anomalias positivas de precipitação, cujos percentuais variaram entre 10% e 25% acima da média habitual. Grande parte da região central do Cerrado, seguindo para oeste e parte do sudeste do bioma, não apresentaram anomalias significativas de precipitação, permanecendo com valores percentuais que não ultrapassaram 10%, positiva ou negativamente, durante todo o período que a área esteve sob influência do ENOS. Ao contrário, a área situada ao norte do bioma, apresentou valores de precipitação muito abaixo da média, sendo considerada uma região cuja estiagem esteve presente por ocasião da manifestação e atuação do El Niño naqueles anos.

Referência:

SILVA, Cristiano Alves da. Precipitações no cerrado: análise da variabilidade pluviométrica e influência do fenômeno El Niño oscilação sul. 2018. xiii, 172 f., il. Tese (Doutorado em Geografia)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

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Influências da pavimentação de rodovias em índices de atropelamento de fauna: o caso da rodovia GO-239 em Alto Paraíso de Goiás

Influências da pavimentação de rodovias em índices de atropelamento de fauna: o caso da rodovia GO-239 em Alto Paraíso de Goiás.

Autor(a):

Tatiana Rolim Soares Ribeiro 

Resumo:

Rodovias são empreendimentos lineares de grande importância econômica em nações emergentes. No Brasil, país mundialmente conhecido pela sua megadiversidade de espécies, é comum a expansão de autoestradas sem o devido planejamento. É importante, portanto, compreender quais os efeitos das mudanças no pavimento de estradas para fauna silvestre em áreas especialmente protegidas. O presente estudo analisou dados auferidos antes e após a pavimentação da rodovia GO-239 no trecho que liga a cidade de Alto Paraíso de Goiás ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Os resultados evidenciam um aumento nas frequências de atropelamentos quando comparados os dois períodos trabalhados (0,029 antes e 0,043 após a pavimentação). Ademais, apenas na porção dos dados que foi colhida após a conclusão das obras, foram identificadas aglomerações de atropelamentos nas proximidades da cidade. Os hotspots de atropelamentos de anfíbios e de todas as classes de vertebrados amostradas entre os anos de 2015 e 2016 foram positivamente relacionadas ao número de fragmentos urbanos (0,874 ± 0,35; 0,640 ± 0,93), relação não observada nas amostras obtidas antes das intervenções na via. Os dados levantados indicam que a fauna habitante das áreas próximas à autopista está suscetível aos impactos negativos da perda na conectividade de manchas de vegetação natural (efeito de barreira) e à redução na qualidade dos hábitats locais, possivelmente, devido ao aumento na velocidade empregada por condutores de veículos após o asfaltamento do trecho viário. As alterações observadas nas distribuições de incidentes foram mais relacionadas às possíveis mudanças no comportamento de motoristas do que à modificação da superfície rodoviária. Propõese, de pronto, a instalação de redutores de velocidade, físicos ou eletrônicos, nos pontos críticos identificados e a realização de estudos que busquem avaliar a composição e a ecologia da fauna afetada pelo empreendimento. Mais adiante, indica-se a implementação e um sistema de proteção à fauna.

Referência:

RIBEIRO, Tatiana Rolim Soares. Influências da pavimentação de rodovias em índices de atropelamento de fauna: o caso da rodovia GO-239 em Alto Paraíso de Goiás. 2016. iii, 116 f., il. Dissertação (Mestrado em Geografia)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.

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A influência dos sistemas climáticos sobre os incêndios florestais: estudo de caso: evento de incêndio ocorrido em setembro de 2005 no Jardim Botânico de Brasília

A influência dos sistemas climáticos sobre os incêndios florestais: estudo de caso: evento de incêndio ocorrido em setembro de 2005 no Jardim Botânico de Brasília

Autor(a):

Stevan de Camargo Corrêa

Resumo:

Em Setembro de 2005, houve no Jardim Botânico de Brasília um incêndio florestal que acometeu em torno de 80% da área de sua reserva ecológica, aproximadamente 3.150 ha. A influência do clima nesse tipo de evento é de senso comum, definindo as estações chuvosa e seca, na última residindo a maioria deles; entretanto são necessários estudos quanto a atuação dos sistemas climáticos para seu início e propagação, visando uma maior previsibilidade e controle principalmente em Unidades de Conservação. Para tanto foi estudado, por meio da técnica de análise rítmica, o evento ocorrido no Jardim Botânico de Brasília, com a finalidade de identificar as condições de tempo que o propiciaram. Foram utilizados dados meteorológicos da estação Brasília do INMET, cartas sinóticas do CINDACTA I, imagens do satélite GOES-12 e dados sobre o evento. Observou-se que a atuação dos sistemas meteorológicos influenciou de forma determinante no princípio, evolução e término do incêndio com ação da massa Tropical atlântica continentalizada (mTac) e da massa Polar Atlântica (mPa) além de sistemas frontais (ZCAS). Entretanto, não são apenas os fatores climáticos que atuam no inicio e propagação de um incêndio, eles são apenas uma das variáveis nessa complexa equação. Outros fatores como a qualidade e quantidade de material combustível e a topografia são importantíssimos e não podem ser desprezados quando se pretende calcular a probabilidade de um incêndio. Além disso, a forma atual, puramente quantitativa, de avaliar os dados meteorológicos não condiz com a realidade que se pretende alcançar, uma análise qualitativa dos dados com o auxílio de imagens de satélite e cartas sinóticas, pode, além de ser mais facilmente realizada, trazer resultados mais satisfatórios. É recomendável que maiores estudos sejam realizados nesse sentido, assim como sobre novas técnicas de prevenção, monitoramento e combate aos incêndios florestais, principalmente em Unidades de Conservação.

Referência:

 CORRÊA, Stevan de Camargo. A influência dos sistemas climáticos sobre os incêndios florestais: estudo de caso: evento de incêndio ocorrido em setembro de 2005 no Jardim Botânico de Brasília. 85 f. : il. Dissertação (Mestrado em Geografia)-Universidade de Brasília, Brasília, 2007.

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Avaliação do uso da abordagem orientada-objeto com imagens de alta resolução RapidEye na classificação das fitofisionomias do cerrado

Avaliação do uso da abordagem orientada-objeto com imagens de alta resolução RapidEye na classificação das fitofisionomias do cerrado

Autor(a):

Juan Carlos Orozco Filho

Resumo:

O bioma Cerrado ocupa uma extensa área do território brasileiro e a sua degradação vem sendo intensificada com a expansão das fronteiras agrícolas na região. O sensoriamento remoto tem servido como uma importante ferramenta para monitorar os danos ambientais e entender a complexidade desse bioma. O objetivo desse trabalho é estabelecer mapear as fitofisionomias do bioma Cerrado na Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, utilizando uma abordagem orientada-objeto em uma imagem de alta resolução espacial do sensor RapidEye. No processamento digital de imagens foi utilizado o programa Interimage, desenvolvido especificamente para a classificação orientada a objetos. A imagem foi segmentada pelo método multi-resolução (TAA Baatz Segmentator) e classificada por duas técnicas de árvore de decisão: algoritmo J48 e pela definição do usuário. As fitofisionomias selecionadas na classificação foram: Campo com Solo Exposto, Campo Limpo/Sujo, Cerrado Stricto Sensu (compreende Cerrado Ralo, Cerrado Típico e Cerrado Denso), Floresta (compreende Cerradão e Mata de Galeria/Ciliar), Campo Limpo Úmido/Veredas e Áreas Queimadas. A classificação usando algoritmo J48 teve uma acurácia total de 81% e índice Kappa de 0,704, enquanto a árvore de decisão definida manualmente de 86% e índice Kappa de 0,783. Desta forma, a utlização da abordagem orientada-objeto com a técnica de árvores de decisão apresenta uma ferramenta importante na diferenciação das fitofisionomias do Cerrado.

Referência:

OROZCO FILHO, Juan Carlos. Avaliação do uso da abordagem orientada-objeto com imagens de alta resolução RapidEye na classificação das fitofisionomias do cerrado. 2017. vii, 44 f., il. Dissertação (Mestrado em Geografia)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.

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Previsão de vulnerabilidade a incêndios florestais utilizando regressão logística e redes neurais artificiais: um estudo de caso no Distrito Federal brasileiro

Previsão de vulnerabilidade a incêndios florestais utilizando regressão logística e redes neurais artificiais: um estudo de caso no Distrito Federal brasileiro

Autor(a):

Pablo Pozzobon de Bem

Resumo:

 Incêndios florestais são um problema global e queimam milhões de hectares de vegetação nativa todos os anos. O Cerrado brasileiro é a savana neotropical mais rica em biodiversidade do mundo, e uma das regiões mais afetadas por incêndios, sendo considerado um ecossistema tolerante ao fogo. Apesar da adaptação do bioma ao fogo, a alta frequência de incêndios trazida pela ocupação humana tem danificado o ecossistema mais rápido do que ele é capaz de se recuperar. O combate a incêndios é custoso e, portanto, medidas de prevenção de incêndios são a melhor maneira de evitar seus danos em longo prazo. Prever a distribuição espacial da ocorrência de incêndios florestais é um passo importante para a realização do manejo do fogo. Para isto, podem ser utilizados modelos que relacionem a ocorrência do fogo às variáveis que o influenciam. Neste estudo, dois modelos distintos de previsão — Regressão Logística (RL) e uma Rede Neural Artificial (RNA) — foram aplicados à região do Distrito Federal brasileiro, que se encontra inserida dentro do bioma Cerrado. Produtos de área queimada baseados em imagens LANDSAT foram utilizados para gerar a variável dependente, e nove outras variáveis espacialmente explícitas e de origem antropogênica ou ambiental foram utilizadas como variáveis independentes. Os modelos foram otimizados em função da melhor medida de Area under Receiver Operating Characteristic (AUROC, ou simplesmente AUC) a partir da seleção de atributos, e posteriormente validados utilizando dados reais de áreas queimadas. Os modelos mostraram performances similares, mas o modelo utilizando a RNA demonstrou melhor AUC (0.7755), e melhor acurácia ao classificar áreas não queimadas (73.39%), porém pior acurácia média (66.55%) e ao classificar áreas queimadas, para as quais o modelo LR apresentou o melhor resultado (65.24%). Adicionalmente, foi comparada a importância de cada variável aos modelos, contribuindo para o conhecimento das causas principais de incêndios na região. As variáveis demonstraram importâncias similares em ambos os modelos utilizados, e as variáveis de maior importância foram a elevação do terreno e o tipo de uso do solo. Os resultados demonstraram bons desempenhos de todos os modelos testados, mas recomenda-se a execução de mais estudos similares mais detalhados em outras áreas de na savana Brasileira, dado que ainda são poucos os estudos deste tipo.

Referência:

BEM, Pablo Pozzobon de. Previsão de vulnerabilidade a incêndios florestais utilizando regressão logística e redes neurais artificiais: um estudo de caso no Distrito Federal brasileiro. 2017. viii, 28 f., il. Dissertação (Mestrado em Geografia)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.

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A rede de produção de Soja Certificada RTRS de Mato Grosso e Goiás

A rede de produção de Soja Certificada RTRS de Mato Grosso e Goiás

Autor(a):

Werlen Gonçalves Raasch

Resumo:

Esta pesquisa tem como objetivo central compreender as multidimensionalidades da certificação RTRS nos espaços produtivos dos Estados de Mato Grosso e Goiás no contexto de difusão do agronegócio globalizado. E foram definidos foram definidos três objetivos específicos: a) Verificar a difusão da soja e o processo de comoditização nas áreas de Cerrado; b) identificar o quantitativo de estabelecimentos rurais e a produção da soja certificada RTRS nos Estados de Mato Grosso e Goiás; c) analisar os interesses dos atores envolvidos no processo de certificação RTRS das redes de produção da soja de Mato Grosso e Goiás. Para desenvolvimento desta pesquisa, foi realizado pesquisa documental, trabalhos de campo e entrevistas. Em relação a produção de soja certificada RTRS no Brasil, no ano de 2018 foram 226 propriedades certificadas em 77 municípios com área de abrangência de 1.041.369,00 (ha) de área plantada e produção de 3.919.545,06 (T). O Mato Grosso possuí atualmente o maior número de estabelecimentos certificados com o padrão RTRS. No ano de 2018 foram 79 propriedades certificadas em 26 municípios, com área de abrangência de 504.733,09 (ha) de área plantada de soja certificada, correspondendo a 48,47% de área plantada em todo o Brasil. Neste ano a produção estadual foi de 1.796.836,24 (T), o que representou 45,84% da soja certificada RTRS. Em relação a soja certificada em Goiás, o Estado possuí o segundo maior quantitativo de fazendas certificadas no país. No ano de 2018 foram 58 fazendas certificadas, com área total de 101.615 ha e 75.755 ha de área plantada e produção para o ano foi de 284.430 toneladas. Nesse contexto, foi identificado que a RTRS é um Ator Líder de uma rede de produção global própria. A organização é provedora de um produto “gourmetizado”, na medida em que os produtores de soja utilizam do padrão RTRS de soja responsável para melhorar as formas de produção existentes. A RTRS é fruto da auto-organização da rede de produção da soja, sendo orquestrada por atores e partes interessadas em escalas espaciais diversas. As decisões dos atores globais que estão na mesa redonda são refletidas nos lugares, onde se dá a produção. A soja certificada está enraizada nos territórios produtivos de soja não certificada, que estão difundidas nas áreas do bioma Cerrado. A certificação altera as formas dos objetos artificiais e os sistemas de ações são alteradas, portanto, na perspectiva de espaço geográfico de Santos (2006), a certificação RTRS (re) configura o espaço agrário dos lugares certificados. E mais, o padrão RTRS através da certificação normatiza não apenas às práticas do ponto de vista social e os objetos artificias das fazendas, ele normatiza o uso e ocupação da terra, ao exigir desmatamento zero do produtor, critério que transcende a legislação nacional. Desse modo, o território é normatizado num movimento, sim, voluntário, mas há consigo arestas de decisões verticalizadas. As impressões deixadas pela certificação socioambiental, em especial o padrão RTRS de responsável, foi que esse é um instrumento educativo para os produtores que se certificam, promovendo uma nova governança nas formas de produção ao implicar em mudanças estruturais e boas práticas agrícolas nas fazendas certificadas. Concluímos que a certificação na sojicultura é um instrumento, a princípio, com limitação de expansão de demanda do mercado porque os atores e partes interessadas com interesses escusos conectados a margem de lucro e a espoliação corporativa o controlam, sendo estes elementos indissociáveis do sistema de produção hegemônico vigente.

Referência:

RAASCH, Werlen Gonçalves. A rede de produção de Soja Certificada RTRS de Mato Grosso e Goiás. 2020. 156 f., il. Dissertação (Mestrado em Geografia)—Universidade de Brasília, Brasília, 2020.

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Evento Elos do Cerrado

Evento Elos do Cerrado

O Evento Elos do Cerrado vai transformar o seu olhar sobre esse bioma!

Além de debates qualificados sobre o tema, estamos preparando uma
exposição virtual 3D que vai proporcionar uma experiência visual pelos encantos e desafios do Cerrado, e tudo de forma online.

 

As rodas de debates serão transmitidas ao vivo pelo Youtube do dia 1 ao dia 11 de setembro e a exposição virtual estará disponível a partir do dia 1 de setembro. Não esqueça de nos seguir no Youtube, pois todos os debates serão transmitidos por lá!

 

Abordaremos diferentes temas em 16 Rodas de Conversa online e a Exposição Virtual Elos do Cerrado! Para se informar e ter acesso a todo conteúdo do Elos do Cerrado, se inscreva no canal do youtube do Instituto Cerrados e no cadastro no nosso site (cerrados.org).

 

As Rodas de Conversa, serão compostas por especialistas e representantes sobre temas e irão acontecer de  01 e 11  de setembro de 2020, no canal do Instituto Cerrados no youtube. Confira a programação completa:

 

1/9

15h: Como lidamos com o fogo no Cerrado?

19h: Ocupação e desmatamento no Cerrado

 

2/9

15h: A Água, a Flora e o Cerrado

19h:O Feminino e a proteção  do Cerrado

 

3/9

15h: RPPN, um olhar de dentro do Cerrado

19h:Conservação em áreas privadas no Cerrado

 

4/9

15h:Agrotóxicos: Impactos e Alternativas para o Cerrado

19h:Comunidades que vivem do Cerrado de pé 

 

8/9

15h:Consumo, Commodities e o Cerrado

19h: Áreas degradadas no Cerrado: restauração, agrofloresta e tecnologia.

 

9/9

15h: Investindo em conservar Cerrado

19h: Desafios para a conservação da biodiversidade do Cerrado

 

10/9

15h:Cerrado, Mudanças Climáticas e o Acordo de Paris

19h:O papel da Legislação e dos Agentes Públicos na conservação do Cerrado

 

11/9

15h: Solidariedade em tempos de Covid-19 e o Cerrado que alimenta.

19h: Alternativas e soluções para o Cerrado

 

O Elos do Cerrado é uma iniciativa do Instituto Cerrados em parceria com a Embaixada da França no Brasil, @Critical Ecosystem Partnership Fund (CEPF), Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Nature and Culture International (NCI), Instituto Sociedade População e Natureza – ISPNWWF-Brasil, Greenpeace Brasil, IPAM AmazôniaConservation Strategy Fund (CSF), Rede Cerrado, @fuFundação MAIS Cerrado e @Aliança Francesa de Brasília.