Análise das mudanças espaciais e temporais nos padrões de paisagem na região do oeste da Bahia sobre a formação do grupo urucuia (1988-2011) e suas implicações para a conservação do Cerrado

Autor(a):

Sandro Nunes de Oliveira

Resumo:

O objetivo geral desta tese é quantificar os padrões de paisagem e suas respectivas mudanças espaço-temporais durante o período de 1988 a 2011, além de identificar as principais implicações destas mudanças na conservação do bioma Cerrado na fronteira agrícola do Oeste da Bahia. A área de estudo é restrita aos solos sobre o Grupo Urucuia (Cretáceo Superior), que é composta por arenitos continentais relacionados a ambiente desértico. Esta formação geológica gera áreas planas com predominância de Latossolos, caracterizado por textura média, excessivamente drenados e adequado para o desenvolvimento da agricultura intensiva e mecanizada. A tese foi organizada na forma de 5 (cinco) capítulos, sendo que os capítulos de desenvolvimento (capítulos 2, 3 e 4) foram redigidos na forma de artigos científicos. No Capítulo 1, apresentamos o problema de pesquisa, os objetivos gerais e específicos, e apresentamos o conceito de paisagem na perspectiva da Ecologia de Paisagem. No Capítulo 2 (artigo 1), sistematizamos e complementamos o banco de dados vetorial multitemporal do uso e cobertura da Terra pela interpretação visual de imagens TM/Landsat dos anos de 1988, 1992, 1996, 2000, 2004, 2008 e 2011; realizamos a detecção de mudança do uso e cobertura da Terra pelo método de pós-classificação; sistematizamos as principais políticas públicas que influenciaram na ocupação do Oeste da Bahia e sistematizamos os dados oficiais do IBGE sobre a produção agrícola da região. A interpretação visual das imagens TM/Landsat permitiu o mapeamento multitemporal de seis classes de uso e cobertura da Terra: agropecuária, áreas urbanas, corpos d’água, reflorestamento, vegetação alterada e vegetação natural. Durante o período, as principais alterações ocorreram nas classes de vegetação natural (decréscimo de 26,57%) e agropecuária (acréscimo de 27,13%). O avanço da agropecuária ocorreu principalmente em áreas de vegetação nativa. No Capítulo 3 (artigo 2), analisamos as mudanças na fragmentação da paisagem durante o período de 1988 a 2011 pela aplicação de dois procedimentos distintos: a) métricas tradicionais da paisagem; e b) Análise dos Padrões Espaciais Morfológicos (Morphological Spatial Pattern Analysis – MSPA). O cálculo dos atributos da MSPA considerou 10 larguras de borda, entre 30 e 300 metros. As métricas tradicionais da paisagem foram obtidas pelos programas Path Analyst e V-Late. A detecção de mudança nas classes da MSPA foram obtidas por meio de tabulação cruzada. Inicialmente, as áreas mais desmatadas e fragmentadas concentravam-se na parte oeste da area de estudo, e com tempo, avançaram gradualmente para a parte leste. A ánalise indicou aumento na fragmentação da paisagem. No Capítulo 4 (artigo 3), obtivemos a representatividade das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e das Unidades de Conservação (UCs) existentes na área de estudo; quantificamos a área de APP com uso ilegal da Terra a partir de mapeameto de detalhe obtido por interpretação visual de imagens PRISM/ALOS elaborado pelo Laboratório de Sistemas de Informações Espaciais da Universidade de Brasília em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura e o Ministério da Integração Nacional; realizamos a avaliação multitemporal do desmatamento (1988 a 2011) dentro das Unidades de Conservação existentes na área de estudo; e aplicamos a análise morfológica (Morphological Spatial Pattern Analysis) em quatro simulações de cenários para avaliar o potencial das APPs como corredores estruturais. Os cenários simulados tiveram um aumento gradual de área recuperada: (a) cenário real (remanescente de vegetação natural obtida pelas imagens PRISM/ALOS); (b) Cenário 1 (cenário real + APPs e UCs recuperadas); Cenário 2 (cenário 1 + solos hidromórficos); Cenário 3 (cenário 2 + Reserva Legal de 50 metros em volta dos solos hidrmórficos); e (d) Cenário 4 (Cenário 3 + Reserva Legal de 200 metros em volta dos solos hidrmórficos). As Áreas de Preservação Permanente representam 3.54% da área de estudo, sendo que 4.35% deste total possui algum tipo de uso ilegal da Terra em seu interior. No período estudado, houve aumento na quantidade e na área das Unidades de Conservação. Entretanto, a caracterização multitemporal demonstrou que há áreas desmatadas até mesmo em Parques Nacionais e Estações Ecológicas, onde o uso da Terra é extremamente restrito. A inserção de áreas recuperadas nos cenários simulados permitiu o aumento das áreas de paisagem com núcleo, entretanto, não resultou em um aumento contínuo das pontes (classe da MSPA que representa a conectividade estrutural entre os fragmentos). A inserção de áreas recuperadas nas simulações de cenários também reduziu a fragmentação da paisagem na área de estudo. A flexibilidade na demarcação das áreas de Reserva Legal pode ser uma alternativa para a conservação de áreas frágeis como os solos hidromórficos e as zonas úmidas ripárias, além de criar uma faixa de amortecimento entre as áreas de ocupação humana e as Unidades de Conservação. Por fim, no Capítulo 5, apresentamos as considerações e conclusões gerais sobre os resultados obtidos na tese.

Referência:

OLIVEIRA, Sandro Nunes de. Análise das mudanças espaciais e temporais nos padrões de paisagem na região do oeste da Bahia sobre a formação do grupo urucuia (1988-2011) e suas implicações para a conservação do Cerrado. 2015. xxii, 154 f., il. Tese (Doutorado em Geografia)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

Disponível em:

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