Patrimônio Cultural Imaterial

Os bens culturais de natureza imaterial dizem respeito àquelas práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e nos lugares (como mercados, feiras e santuários que abrigam práticas culturais coletivas).  O património cultural imaterial representa não apenas as tradições herdadas do passado, mas também as práticas rurais e urbanas contemporâneas em que participam diversos grupos culturais.

 

Patrimônio Cultural Imaterial

 

Os bens culturais de natureza imaterial dizem respeito àquelas práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e nos lugares (como mercados, feiras e santuários que abrigam práticas culturais coletivas).  O património cultural imaterial representa não apenas as tradições herdadas do passado, mas também as práticas rurais e urbanas contemporâneas em que participam diversos grupos culturais.

Distrito Federal

Em sua trajetória, Brasília propiciou uma fusão de manifestações populares, aliando correntes migratórias de vários estados do País, que para cá afluíram desde o início da construção da cidade. Assim, expressões culturais oriundas de regiões diversas do Brasil têm representatividade no DF, seguindo tradições e/ou sofrendo reinterpretações e releituras, além daquelas que começam a se firmar como expressões próprias das muitas culturas locais.

 

Boi de Seu Teodoro

O Distrito Federal é considerado um verdadeiro caldeirão cultural, reconhecido pela diversidade trazida pelas tradições regionais dos povos que vieram na época da construção e inauguração. Ao longo dos 60 anos de vida da capital, várias histórias e costumes de outros estados se enraizaram, tornando-se característica marcante da cultura local. Um dos fenômenos radicados na cidade é “Boi de Seu Teodoro”, idealizado pelo maranhense Teodoro Freire.

Natural do município de São Vicente de Férrer, Teodoro se dizia um apaixonado pelo Bumba-Meu-Boi desde criança, quando aos oito anos teve seu primeiro contato com a manifestação folclórica nordestina. Conta-se que, ainda menino, Seu Teodoro pulava a janela de casa para assistir a apresentações de bois no Maranhão, apaixonando-se a ponto de sonhar com o próprio grupo. Este encanto pelo “Boi” cresceu junto com o menino e desembarcou com o jovem recém-chegado à Brasília recém-inaugurada, em 1962, quando começou a trabalhar como contínuo na Universidade de Brasília.

No ano seguinte à sua chegada ao DF, em 1963, Teodoro criou, em Sobradinho, a Fundação da Sociedade Brasiliense de Folclore, que mais tarde passou a se chamar “Centro de Tradições Populares”. O sonho do jovem apaixonado pelo folclore brasileiro começou a crescer em um local dedicado à difusão das danças e festas regionais, em especial o “Auto do Boi”, que se passa desde o desaparecimento até a morte e ressurreição do animal descrito no conto.

 

Há 57 anos contando e festejando a lenda do bicho ressuscitado, seu Teodoro construiu um legado artístico, tecendo uma fervorosa rede ancestral. Dançando em louvor, também por meio do Tambor de Crioula, o mestre contou a história do escravo Francisco, que matou o boi de estimação do seu senhor para suprir o desejo da esposa grávida de comer a língua do mamífero. Furioso com o desaparecimento do bicho, o senhor obriga Francisco a ressuscitar o boi. O milagre descrito no mito ocorreu com a ajuda de pajés e curandeiros, salvando o escravo e saudando a volta do animal à vida.

A lenda brasileira contada de modo alegre e irreverente por seu Teodoro ganhou o devido reconhecimento.

O boi cultuado no DF foi declarado Patrimônio Cultural de natureza imaterial, mediante registro no Livro de Celebrações do Distrito Federal em 2004. Posteriormente, em 2006, Teodoro Freire foi premiado com a Ordem do Mérito Cultural pelos festejos e a tradição do Bumba Meu Boi pelo governo federal. Falecido em janeiro de 2012, aos 91 anos, seu legado permanece vivo e latente no Bumba Meu Boi, organizado pelo filho caçula, Guarapiranga Freire.

 

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