Cerrado dos Povos: Histórias e Lutas pela Terra no Brasil

Cerrado dos Povos: Histórias e Lutas pela Terra no Brasil

A gente já sabe, mas não custa lembrar: não foram os portugueses que descobriram o Brasil.

Em 2020 os povos indígenas e as comunidades tradicionais do Cerrado enfrentaram muitos desafios. Agravados pela #pandemia, os conflitos agrários, os incêndios criminosos e o crescimento do desmatamento fizeram parte da vida das pessoas que vivem na região. Apesar do cenário de destruição, os povos cerradeiros resistem.

Para mostrar que as lutas de ontem desaguam nas resistências de hoje, te convidamos a conhecer as “Histórias e Lutas pela terra no Brasil” no primeiro episódio da série #CerradodosPovos.

 

Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=VqSzmASDvg4&feature=emb_logo

Serrasalmus spilopleura Kner, 1858. (Piranha)

Serrasalmus spilopleura Kner, 1858.

CP 8,8 cm

Nome(s) popular(es):

Piranha.

Tamanho

até 23,0 cm de comprimento padrão.

Alimentação

Principalmente peixes, insetos e invertebrados.

Nome Xavante:

Wa’watópré.

Dimorfismo sexual secundário

Sem traços óbvios.

Usos e importância da espécie

Consumida como alimento, aquariofilia, classicamente inferida como elo importante na cadeia alimentar dos jacarés.

Descrição da espécie

Corpo alto, fortemente comprimido lateralmente e recoberto por escamas ciclóides, pequenas; quilha serrilhada no peito formada por espinhos; perfil dorsal anterior reto sobre a cabeça; boca ligeiramente superior, com dentes tricúspides em série única no pré-maxilar e no dentário. Manchas negras difusas pelo corpo; nadadeira anal longa e adiposa de base curta; caudal com faixa escura submarginal, a ponta dos raios clara; anal com faixa escura submarginal menos conspícua. Espécie frequente e numerosa nas lagoas marginais dos riachos e córregos do PESA.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.67.

Myleus torquatus (Kner, 1858). (pacu-branco)

Myleus torquatus (Kner, 1858).

CP 13,6 cm

Nome(s) popular(es):

Pacu-branco.

Tamanho

Até 30,0 cm de comprimento padrão.

Alimentação

Preferencialmente frutos e sementes.

Nome Xavante:

Pedzapódó.

Dimorfismo sexual secundário

Sem traços óbvios.

Usos e importância da espécie

Consumida como alimento, potencial para a aquariofilia, elo importante na cadeia alimentar dos ambientes onde se encontra.

Descrição da espécie

Corpo bastante elevado, comprimido lateralmente e recoberto por escamas ciclóides, pequenas; boca terminal, com duas séries de dentes no pré-maxilar e no dentário: a série interna do dentário constituída por um único dente junto à sínfise; quilha pré-ventral, dotada de espinhos; espinho pré-dorsal presente; caudal emergida, base da nadadeira adiposa curta, menor que a distância que a separa da dorsal, nadadeira anal falcada. Coloração prateada uniforme; extremidades das nadadeiras anal e caudal negras; espécie frequente na parte baixa dos riachos e córregos do PESA, no período de águas altas.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.66.

Metynnis argenteus Ahl, 1923. (pacu)

Metynnis argenteus Ahl, 1923.

CP 6,2 cm

Nome(s) popular(es):

Pacu, pacu-marreca.

Tamanho

Até 14,0 cm de comprimento padrão.

Alimentação

Preferencialmente frugívora, i. e., comedora de  frutos. 

Nome Xavante:

Pedzapótó’a.

Dimorfismo sexual secundário

Sem traços óbvios. 

Usos e importância da espécie

Consumida como alimento, potencial para a aquariofilia, elo importante na cadeia alimentar dos ambientes onde vive.

Descrição da espécie

Corpo alto, comprimido lateralmente e recoberto por escamas pequenas, ciclóides;quilha pré-ventral dotada de espinhos, espinho pré-dorsal presente; base da nadadeira adiposa longa, mais ou menos igual à distância que a separa da dorsal; boca terminal, com duas séries de dentes no pré-maxilar e no dentário; a série interna do dentário constituída por um único dente junto à sínfise. Corpo prateado. Espécie abundante nas lagoas marginais dos riachos e córregos do PESA.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.65.

 

Iguanodectes spilurus (Günther, 1864). (piabinha)

Iguanodectes spilurus (Günther, 1864).

CP 6,2 cm

Nome(s) popular(es):

Pabinha.

Tamanho

Até 10,2 mm de comprimento padrão.

Alimentação

principalmente algas e insetos.

Nome Xavante:

Pe’awãpá.

Dimorfismo sexual secundário

Não foi possível a confirmação da existência de ganchos nas nadadeiras anal e pélvicas de machos maduros no material examinado.

Usos e importância da espécie

Elo importante na cadeia alimentar dos ambientes onde vive, além de representar uma espécie potencialmente interessante para a aquariofilia.

Descrição da espécie

Corpo alongado, comprido lateralmente, escamas pequenas; ciclóiodes; membranas branquiais unidas entre si, mas livre de istmo, boca terminal, série unica de dentes no dentário; p´re-maxilar com série única, porém com dentes descolados para fora junto à sínfise, linha lateral completa, 62-68 escamas, nadadeira adiposa presente, anal longa 35 a 37 raios ramificados. Corpo prateado, mácula negra nos raios medianos e nos lobo superior do caudal. Espécie pouco frequente nos riachos e córregos do PESA, mas comum nas lagoas marginais.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.63.

 

Thoracocharax cf. stellatus (Kner, 1858). (papudinha)

Thoracocharax cf. stellatus (Kner, 1858).

CP 6,2 cm

Nome(s) popular(es):

Papudinha.

Tamanho

até 6,7 cm de comprimento padrão.

Alimentação

Principalmente insetos terrestres.

Nome Xavante:

Pedzapótówatsédé.

Dimorfismo sexual secundário

Sem traços óbvios; as fêmeas atingem maior porte que os machos.

Usos e importância da espécie

Espécie bastante interessante para a aquariofilia; elo importante na cadeia alimentar dos ambientes onde vive.

Descrição da espécie

Corpo alto e excessivamente comprimido; peito muito desenvolvido, em virtude da expansão do osso coracóide; boca ligeiramente superior, com duas séries de dentes no pré-maxilar; nadadeira peitoral muito longa, atingindo a ponta dos primeiros raios da anal; nadadeiras ventrais (pélvicas) diminutas; nadadeira adiposa presente; linha lateral inclinada, voltando-se em direção à origem da anal. Corpo prateado. Espécie freqüente nos cursos inferiores dos riachos e córregos do PESA, em épocas de águas altas.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.62.

 

Hemiodus unimaculatus (Bloch, 1794).(voador)

Hemiodus unimaculatus (Bloch, 1794).

CP 14,2 cm

Nome(s) popular(es):

Voador, lapixó.

Tamanho

Até 21,5 cm de comprimento padrão.

Alimentação

Ingere organismos bentônicos.

Nome Xavante:

Pe’adzarébé’watsa.

Dimorfismo sexual secundário

Sem traços óbvios.

Usos e importância da espécie

Apreciada como alimento, elo importante na cadeia alimentar dos ambientes onde vive.

Descrição da espécie

Corpo alongado, fusiforme, recoberto por escamas ciclóides, pequenas nos flancos  superior e gandes no inferior (o que a diferencia facilmente de H. gracilis e H. microlepis) ; fenda bucal (vista ventralmente) arredondada; maxila superior não protráctil e com dentes multicúspides e de coroa larga: mandíbula desprovida de dentes; linha lateral completa, 71-77 (o que também a distingue de H. gracilis e H. microlepis); nadadeira caudal nua, bifurcada, pontuda. Corpo prateado; lobos da caudal com faixa escura, larga no inferior (o que a separa prontamente de H. microlepis); mácula meio- lateral (o que prontamente a diferencia de H. gracilis ). Espécie rara nos cursos superior e médio dos riachos e córregos do PESA, mas freqüente nos inferiores no período de águas altas.

 

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.61

 

Livro Saberes dos Povos do Cerrado e Biodiversidade

Livro Saberes dos Povos do Cerrado e Biodiversidade

A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado lança neste mês de dezembro o livro “Saberes dos Povos do Cerrado e Biodiversidade”, fruto de um amplo processo colaborativo. O livro é uma ode aos povos do Cerrado, verdadeiros guardiões e multiplicadores das riquezas dessa imensa região.


Os povos do Cerrado são diversos. São indígenas de tronco Macro-Jê (como os Xerente, Xakriabá, Apinajé e Xavante), mas também Tupi-Guarani (como os Guarani e Kaiowá) e Arawak (como os Terena). São comunidades quilombolas, como os Kalunga, os jalapoeiros e centenas de outras pelos sertões do Cerrado. São comunidades tradicionais, tão diversas como o próprio Cerrado e que têm suas vidas entrelaçadas nas árvores e plantas, bichos, chapadas, vales e águas da região, como as quebradeiras de coco-babaçu, raizeiras, geraizeiras, fecho de pasto, apanhadoras de flores sempre-vivas, benzedeiras, retireiras, pescadoras artesanais, vazanteiras e pantaneiras. São, ainda, as assentadas e assentados de reforma agrária e outras populações de base camponesa.

Os artigos que compõem este livro ecoam a memória ancestral de que as paisagens onde a biodiversidade do Cerrado vibra não são representações de uma natureza intocada, mas sim patrimônios históricos e socioculturais, fruto da convivência e cuidado dos povos com o Cerrado. Ao mesmo tempo, os relatos e análises mostram que esses saberes tradicionais vão se transformando, sendo desenvolvidos e continuamente testados, adaptados e reinventados por meio do manejo consciente das paisagens, ao longo de inúmeras gerações, e por isso mesmo são resilientes, diversos e apropriados a cada lugar. Essa conexão entre tradição e inovação — em meio a uma profunda crise ecológica mundial e mesmo após décadas de devastação do Cerrado pelo agronegócio monocultural — está entre os maiores legados dos povos do Cerrado, partilhando horizontes de vida, agora, e para o futuro.


Diana Aguiar é assessora política da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado e Pesquisadora de Pós-Doutorado no CPDA/UFRRJ. Helena Lopes é especialista em Agroecologia e Justiça Climática da ActionAid e Doutoranda em Ciências Sociais no CPDA/UFRRJ. Ambas coordenam esta publicação.

Para baixar o livro, clique abaixo:

Impactos dos agrotóxicos nos territórios e modos de vida dos povos do Cerrado

Impactos dos agrotóxicos nos territórios e modos de vida dos povos do Cerrado

Está disponível a segunda edição da “Revista Cerrados: Impactos dos agrotóxicos nos territórios e modos de vida dos povos do Cerrado”.

A publicação apresenta os diversos impactos na biodiversidade do #Cerrado e nos territórios onde vivem seus povos ocasionados pelo uso intenso de agrotóxicos pelo agronegócio nas lavouras de soja, milho, cana-de-açúcar, algodão entre outras monoculturas.

Ao mesmo tempo, a #RevistaCerrados também abre espaço para as boas novas a partir de saberes e práticas agroecológicas vindas de territórios dos povos e comunidades tradicionais.

A Revista é uma publicação organizada pela
Comissão Pastoral da Terra
, com apoio de
CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço e Misereor


O download pode ser feito gratuitamente > http://bit.ly/37hhNN4

A Importância do Cerrado como Patrimônio Nacional

Palestra "A importância do Cerrado como Patrimônio Nacional"

Ciclo de palestras virtuais

18/12/20 às 15:00 horas

A importância do Cerrado como Patrimônio Nacional

Prof Dra Rosângela Azevedo Corrêa

Faculdade de Educação – UnB

Em geral Brasília é vista apenas por sua arquitetura moderna, as pessoas não reconhecem que a cidade está dentro do Cerrado, berço das águas do Brasil, onde nascem rios que originam seis das principais regiões hidrográficas brasileiras: Parnaíba, Paraná, Paraguai, Tocantins-Araguaia, São Francisco e Amazônica e estão localizados três grandes aquíferos – Guarani, Bambuí e Urucuia –, que são responsáveis pela formação e alimentação desses rios. Toda essa importância hídrica é fundamental para o Brasil que ainda não reconheceu o Cerrado como Patrimônio Nacional desde a Constituição de 1988. Este reconhecimento é fundamental para a proteção dos recursos naturais como das comunidades tradicionais e povos indígenas que vem resistindo às ameaças que o bioma vem sofrendo. Olhar a paisagem do Cerrado é ver floresta, savana e os campos; sentir seus cheiros, sons, sabores, saberes, fazeres, crenças, tradições, hábitos, modos de vida, visões e valores. Cuidar do Cerrado é cuidar do Brasil.

Para acompanhar a palestra no Youtube, clique abaixo: