Alouatta guariba (Bugio-ruivo)

Alouatta guariba, (Humboldt, 1812)

Nome(s) popular(es):

Bugio-ruivo; bugio-marrom.

Características físicas:

Os bugios-ruivos apresentam uma coloração castanho escuro, com a região lombar variando de uma tonalidade ruiva a alaranjada. Apresentam dimorfismo sexual, sendo os machos maiores que as fêmeas em geral. Para a subespécie A. guariba clamitans, os machos apresentam um peso médio de 6,7 kg, e comprimento médio de 53,7 cm da cabeça à extremidade do corpo e de 61,3 cm de cauda. Para as fêmeas, esses valores são de 4,3 kg, 49,4 cm e 45,9 cm, respectivamente. Essa subespécie também apresenta um dimorfismo sexual referente à diferença da coloração dos pelos de machos e fêmeas, sendo chamado de dicromatismo sexual. Sabe-se que os machos apresentam uma coloração ruivo avermelhada e as fêmeas são de coloração mais escura. Já para a subespécie A. guariba guariba, faltam dados mais específicos, mas estipula-se que os machos e as fêmeas possuem um peso que varia entre 4,1 e 7,1 kg, comprimento de 45,0 a 58,5 cm da cabeça à extremidade do corpo, e comprimento da cauda entre 48,5 e 67,0 cm. Ainda, para essa subespécie não há um dicromatismo sexual evidente, sendo machos e fêmeas da mesma cor.

Ecologia:

Os bugios-ruivos são herbívoros, diurnos, vivem em grupos sociais e apresentam vocalizações características por conta do osso hióide. Eles passam mais da metade de seu tempo livre em repouso, sendo essa uma estratégia para a conservação de energia. Assim, passam a maior parte do tempo no dossel superior das árvores, e, quando necessário, costumam andar para encontrar alimentos disponíveis sazonalmente. De modo geral, esses indivíduos são, preferencialmente, folívoros, mas também podem se alimentar de flores. Ainda, alguns estudos apontam uma preferência ao consumo de frutos durante os períodos nos quais estão disponíveis. Vivem em grupos, sendo mais comum encontrar grupos com cerca de 10 indivíduos, formados por um único macho, e várias fêmeas. Contudo, a composição desses grupos pode variar, e já foram registrados grupos com mais de um macho; e grupos de machos solteiros e fêmeas solteiras.

Esses animais apresentam uma grande área de ocorrência e isso possibilita a ocupação de diversos habitats, como terras baixas, e regiões montanhosas. Um dado interessante é que eles têm uma certa tolerância à modificações nos ambientes em que vivem. Assim, muitos indivíduos sobrevivem em espaços florestais remanescentes.

Distribuição geográfica:

Os bugios dessa espécie, de modo geral, se distribuem principalmente ao longo do bioma Mata Atlântica e suas áreas de transição com o Cerrado. Para o A. guariba clamitans, é notável sua ocorrência não somente em territórios brasileiros, mas também argentinos. Ocorre na porção leste da Mata Atlântica, abrangendo os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Sua distribuição é limitada por algumas regiões, como a província de Misiones no oeste, e, no norte, acredita-se que seu limite seja a porção norte do médio rio Jequitinhonha. Estima-se que a extensão de sua ocorrência seja maior que 20000 km², e acredita-se que sua área de ocupação seja maior que 2000 km².

Já os A. guariba guariba apresentam uma distribuição mais restrita ao sul da Bahia, nordeste de Minas Gerais e norte do Espírito Santo, sendo seu limite de distribuição ao sul a porção sul do baixo Jequitinhonha. Estima-se que a extensão de ocorrência desse táxon seja de 134541 km², e acredita-se que sua área de ocupação seja menor que 2000 km².

Status de conservação e Ameaças:

Vulnerável (VU): para a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), os dados da espécie A. guariba e da subespécie A. guariba clamitans indicam que elas podem correr algum risco de extinção. Isso ocorre, principalmente, por conta da destruição de habitats por ações antrópicas, como expansão da fronteira agrícola, e desmatamento.

 

Criticamente em perigo (CR): ao analisar somente a subespécie A. guariba guariba, nota-se que a situação piora. A expansão da urbanização e o elevado índice de desmatamento nas áreas que costumavam ser habitats dessa subespécie levaram suas populações a diminuir drasticamente.

Nota taxonômica:

Para essa espécie a classificação taxonômica tem sido muito discutida ao longo dos anos. Há uma proposta de divisão da espécie Alouatta guariba em duas subespécies Alouatta guariba guariba (Humboldt, 1812), popularmente conhecida como bugio marrom, e Alouatta guariba clamitans (Cabrera, 1940), também chamada de bugio ruivo. Tal conformação é observada nas classificações adotadas por Rylands (2000) e Groves (2005). No entanto, Gregorin (2006) pontua que A. guariba clamitans, seja na verdade uma espécie propriamente dita, a A. clamitans. Nesse sentido, para ele, A. guariba guariba também seria uma espécie, chamando-se A. guariba. Algumas características morfológicas, como a estruturação do crânio e do osso hióide levaram Gregorin a argumentar que as duas subespécies deveriam ser elevadas ao nível de espécie. No entanto, essa nomenclatura ainda não está muito difundida. Desta forma, seguimos a taxonomia adotada por Rylands (2000) e Groves (2005).

Referências:

Bicca-Marques, J. C.; Alves, S. L.; Ingberman, B.; Buss, G.; Fries, B. G.; Alonso, A.; Cunha, R. G. T.; Miranda, J. M. D. (2015). Avaliação do Risco de Extinção de Alouatta guariba clamitans Cabrera, 1940 no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/lista-de-especies/7179-mamiferos-alouatta-guariba-clamitans-guariba-ruivo.html. Acesso em 28 de janeiro de 2021.

 

Gregorin, R. (2006). Taxonomia e variação geográfica das espécies do gênero Alouatta Lacépède (Primates, Atelidae) no Brasil. Revista Brasileira de Zoologia, 23(1), 64-144. https://doi.org/10.1590/S0101-81752006000100005.

 

Groves, C. P. (2005). Order Primates. In D. E. Wilson & D. M. Reeder (Eds.), Mammal species of the world (3 ed., Vol. 1, pp. 110-184). Baltimore: Johns Hopkins University Press.

 

Mendes, S. L., Rylands. A. B., Kierulff, M. C. M., de Oliveira, M. M., Buss, G., Bicca-Marques, J. C., Alves, S. L., Ingberman, B., Fries, B. G., Alonso, A., da Cunha, R. G. T., Miranda, J. M. D., Melo, F. R., Jerusalinsky, L., Mittermeier, R. A. & Cortés-Ortiz L. & Talebi, M. (2020). Alouatta guariba ssp. clamitans. The IUCN Red List of Threatened Species 2020: e.T39918A17979180. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2020-3.RLTS.T39918A17979180.en. Acesso em 28 de janeiro de 2021.

 

Mendes, S. L., Rylands, A.B., Kierulff, M. C. M. & de Oliveira, M. M. (2020). Alouatta guariba ssp. guariba. The IUCN Red List of Threatened Species 2020: e.T39917A17979272. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2020-3.RLTS.T39917A17979272.en. Acesso em 28 de janeiro de 2021.

 

Neves, L. G.; Jerusalinsky, L.; Melo, F. R.(2015). Avaliação do Risco de Extinção de Alouatta guariba guariba (Humboldt, 1812) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/lista-de-especies/7182-mamiferos-alouatta-guariba-guariba-bugio-marrom.html. Acesso em 28 de fevereiro de 2021.

 

Rylands, A. B. (2000). An assessment of the diversity of New World primates. Neotropical primates, 8, 61-93.

Jerusalinsky, L., Cortes-Ortíz, L., de Melo, F. R., Miranda, J., Alonso, A. C., Buss, G., Alves, S. L., Bicca-Marques, J., Neves, L., Ingberman, B., Fries, B., da Cunha, R., Mittermeier, R. A. & Talebi, M. (2020). Alouatta guariba. The IUCN Red List of Threatened Species 2020: e.T39916A17926390. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2020-2.RLTS.T39916A17926390.en. Acesso em 28 de janeiro de 2021.

Alouatta ululata (Bugio-de-mãos-ruivas-do-Maranhão)

Alouatta ululata, (Elliot, 1912)

Nome(s) popular(es):

Bugio-de-mãos-ruivas-do-Maranhão

Características físicas:

Os bugios-de-mãos-ruivas-do-maranhão apresentam um elevado dimorfismo sexual com dicromatismo, isto é, as fêmeas e os machos apresentam coloração distinta. Enquanto eles possuem pelagem negra brilhante com mãos, extremidade da cauda, flancos e pés ruivos, as fêmeas possuem uma coloração parda-amarelada e pelos acinzentados esparsos.

Ecologia:

O A. ululata é a espécie menos conhecida do gênero ao qual pertence. Isso significa que faltam dados concretos sobre a ecologia dessa espécie, e, assim, pouco se sabe sobre seu comportamento, número de populações e outros. No entanto, acredita-se que muitas dessas informações sejam semelhantes a outras espécies de Alouatta. Dessa forma, vivem em grupos, e são herbívoros folívoros-frugívoros, ou seja, se alimentam de folhas e frutos.

Distribuição geográfica:

É uma espécie endêmica do Brasil, ocorrendo, principalmente, nos estados do Maranhão, Piauí e Ceará. Assim, se faz presente no bioma Caatinga, Cerrado e áreas de mata de cocais e manguezais. Há poucos dados sobre sua área de ocupação histórica, sendo a extensão de ocorrência da espécie estimada em 135532 km² e sua área de ocupação desconhecida.

Status de conservação e Ameaças:

Em perigo (EN): segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), a espécie A. ululata está correndo risco de extinção. As populações dessa espécie estão em declínio devido à destruição de habitats, e as causas apontadas para tal realidade são: mineração, desmatamento, mudanças climáticas e caça. Outra dificuldade é o fato dessa ser a espécie do gênero menos conhecida, o que dificulta a implementação de planos para sua conservação.

Referências:

Cortes-Ortíz, L., Ferreira, J., Fialho, M., Jerusalinsky, L., Laroque, P. & Pinto, T. (2020). Alouatta ululata. The IUCN Red List of Threatened Species 2020: e.T918A17925649. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2020-2.RLTS.T918A17925649.en. Acesso em 28 de janeiro de 2021.

 

Ferreira, J. G.; Pinto, T.; Fialho, M. S.; Laroque, P. O.  (2015). Avaliação do Risco de Extinção de Alouatta ululata Elliot, 1912 no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7188-mamiferos-alouatta-ululata-guariba.html. Acesso em 28 de janeiro de 2021.

 

Freire Filho, R., & Palmeirim, P. (2019). Potential distribution of and priority conservations áreas for the Endangered Caatinga howler monkey Alouatta ululata in north-eastern Brazil. Oryx, 54(6), 1-9. DOI:10.1017/S0030605318001084.

 

Gregorin, R. (2006). Taxonomia e variação geográfica das espécies do gênero Alouatta Lacépède (Primates, Atelidae) no Brasil. Revista Brasileira de Zoologia, 23(1), 64-144. https://doi.org/10.1590/S0101-81752006000100005.

 

Groves, C. P. (2005). Order Primates. In D. E. Wilson & D. M. Reeder (Eds.), Mammal species of the world (3 ed., Vol. 1, pp. 110-184). Baltimore: Johns Hopkins University Press.

Alouatta belzebul (Bugiu-ruivo)

Alouatta belzebul, (Linnaeus, 1766)

Nome(s) popular(es):

Bugio-de-mãos-ruivas; guariba-de-mãos-ruivas; guariba-de-mãos-vermelhas.

Características físicas:

O padrão de coloração mais frequente em A. belzebul é uma pelagem toda negra com as regiões dos pés, mãos e terço apical da cauda de cor castanho-avermelhada ou ruiva. Contudo, já foram descritos indivíduos dessa espécie completamente negros ou ruivos. O dimorfismo sexual nesta espécie ocorre, pois o macho é maior que a fêmea. Em geral, apresentam um comprimento médio de 44,00 cm com 54,00 cm de cauda, e as fêmeas possuem 30,00 cm de comprimento da cabeça a porção final do corpo, e 45,00 cm de cauda. Ainda, o peso médio do macho é de 4,7 kg e o das fêmeas é, em média, 3,23 kg.

Ecologia:

São animais diurnos, herbívoros e vivem em árvores, ou seja, são arborícolas. Se alimentam preferencialmente de folhas, comendo folhas novas e, às vezes, cascas de árvores ou galhos lenhosos, mas raramente flores ou folhas maduras. Esse padrão de dieta pouco calórica, por conta da ingestão de folhas, explica o padrão de atividade do gênero dessa espécie, pois, em geral, eles passam mais da metade do tempo descansando ou dormindo. Durante estações mais chuvosas, já foi verificada uma maior ingestão de frutas por esses indivíduos. Outro dado interessante, é a prática de geofagia nessa espécie, ou seja, ingestão de solo. Isso geralmente ocorre quando os animais ingerem folhas maduras, mas não se sabe se eles conseguem absorver nutrientes do solo, ou se essa ingestão auxilia na digestão de folhas maduras durante as estações mais secas.

A respeito de sua vida social, essa espécie vive em grupos formados por até 20 indivíduos. A composição desses grupos varia mediante o total de indivíduos, mas, em geral, verifica-se que a presença de fêmeas é superior à de machos. São poligínicos, isto é, um macho pode copular com mais de uma fêmea. Sua gestação dura cerca de 187 dias, podendo ocorrer até duas gestações por ano. 

Distribuição geográfica:

É uma espécie endêmica do Brasil, comumente encontrada em duas populações distintas, sendo que uma se localiza na Floresta Amazônica e outra Mata Atlântica da região nordestina. Estima-se que sua distribuição limite ocorra até regiões de transição entre esses biomas com formações mais abertas, como Cerrado e Caatinga. A extensão de ocorrência da espécie é maior que 800.000 Km² para as populações da Amazônia e aproximadamente 16.600 Km² para aquelas da Mata Atlântica. Sobre sua área de ocupação, estima-se que a população amazônica possui mais de 2.000 km², e para a população de Mata Atlântica estima-se que esse valor seja menor que 160 km².

Status de conservação e Ameaças:

Vulnerável (VU): segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), a espécie está sob ameaças. Essa realidade ocorre, principalmente, em função da diminuição do habitat das populações. Por conta do desmatamento e do avanço dos espaços urbanos e agropecuários, os habitats desta espécie diminuíram muito nas últimas três décadas, sendo que as populações de A. belzebul localizadas mais ao nordeste do Brasil são as mais vulneráveis.

Referências:

De Souza, L. L., Ferrari, S. F., Da Costa, M. L., & Kern, D. C (2002). Geophagy as a correlate od folivory in red-handed howlermonkeys (Alouatta belzebul) from Eastern Brazilian Amazonia. Journal of Chemical Ecology, 28(8), 1613-1621. DOI: 10.1023/a:1019928529879.

 

Gregorin, R. (2006). Taxonomia e variação geográfica das espécies do gênero Alouatta Lacépède (Primates, Atelidae) no Brasil. Revista Brasileira de Zoologia, 23(1), 64-144. https://doi.org/10.1590/S0101-81752006000100005.

 

Groves, C. P. (2005). Order Primates. In D. E. Wilson & D. M. Reeder (Eds.), Mammal species of the world (3 ed., Vol. 1, pp. 110-184). Baltimore: Johns Hopkins University Press.

 

Valença-Montenegro, M. M., Fialho, M. S., Carvalho, A. S., Ravetta, A. L., Régis,T., Melo, F. R., Veiga, L. M. (2012). Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/lista-de-especies/7171-mamiferos-alouatta-belzebul-guariba-de-maos-ruivas.html, Acesso em 28 de janeiro de 2021.

 

Valença Montenegro, M., Carvalho, A., Cortes-Ortíz, L., Fialho, M., Jerusalinsky, L., Melo, F., Mittermeier, R. A., Ravetta, A., Régis, T., Talebi, M. & Veiga, L. M. (2019). Alouatta belzebul. The IUCN Red List of Threatened Species 2019: e.T39957A17925370. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2019-3.RLTS.T39957A17925370.en. Acesso em 28 de janeiro de 2021.

Alouatta caraya (Bugiu-preto)

Alouatta caraya , (Humboldt, 1812)

Nome(s) popular(es):

Bugio-preto, guariba, bugio-do-pantanal.

Características físicas:

Os bugios-preto apresentam dicromatismo sexual, ou seja, machos e fêmeas possuem pelos de cor distinta. O macho de bugio-preto apresenta uma coloração negra, e a fêmea possui uma coloração castanho-amarelada com uma faixa dorsal larga nas costas de cor castanho escuro. Todos os indivíduos, quando juvenis, possuem pelagem castanho-amarelado, e, durante seu desenvolvimento, apenas as fêmeas mantêm essa característica.


Em geral, essa espécie apresenta porte médio, sendo que o tamanho corporal do macho é cerca de 57,0 cm, e peso médio de 5 kg. Já as fêmeas possuem cerca de 50,5 cm e pesam em média 4,5 kg.

Ecologia:

O A. caraya possui hábito diurno, e é arborícola. Isso significa que passam sua vida em árvores, e, no caso deles, são capazes de ocupar quase todo estrato arbóreo, tendo uma preferência pela copa das árvores. Vivem em grupos familiares que possuem uma média de 8 indivíduos, mas já foram registrados grupos com mais de 18 componentes.


Os grupos têm uma proporção sexual aproximadamente igual, mas o número de fêmeas pode ser maior. Isso ocorre, pois alguns jovens machos podem deixar o seu grupo de origem com o amadurecimento sexual, visando integrar outros grupos. O sistema de acasalamento dessa espécie é poligínico, ou seja, um macho pode acasalar com mais de uma fêmea. O período de gestação dura cerca de 186 dias, e acontece, geralmente, uma gestação por ano. Ainda, fêmeas já foram observadas praticando cuidados aloparentais, isto é, cuidando de filhotes que não são seus. Observações de grupos já demonstraram que seus componentes gastam aproximadamente 61,6% do seu dia descansando, 17,6% andando, e 15,6% comendo, 4,9% interações sociais e 0,3% bebendo. Sua dieta é herbívora com preferência por folhas, e, portanto, é pouco calórica.

Distribuição geográfica:

O bugio-preto habita regiões savânicas e florestais, sendo típico dos biomas Cerrado e Pantanal. Dessa forma, apresenta uma ampla distribuição geográfica que abrange diversos estados brasileiros, indo do Tocantins ao Rio Grande do Sul. Também pode ser encontrado em outros países, como Argentina, Bolívia e Paraguai. A sua área de ocorrência é de aproximadamente de 3.460.631 km², e estima-se que sua área de ocupação seja bem maior que 2.000 km².

Status de conservação e Ameaças:

Quase ameaçada (NT): segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), a espécie A. caraya não se encontra inserida na categoria de “vulnerável”, mas está perto de se enquadrar. Apesar dos indivíduos apresentarem uma ampla distribuição, é notável a diminuição de populações dessas espécies em alguns estados brasileiros, como Rio Grande do Sul e São Paulo. Isso é motivado, principalmente, pela expansão da mancha urbana, e seu decorrente desmatamento.

Referências:

Bicca-Marques, J., Calegaro-Marquez, C. (1998). Behavioral Thermoregulation in a Sexually and Developmentally Dichromatic Neotropical Primate, The Black-and-Gold Howling Monkey (Alouatta caraya). American Journal of Physical Anthropology, 106(4), 533-546. DOI: 10.1002/(SICI)1096-8644(199808)106:4<533::AID-AJPA8>3.0.CO;2-J

 

Bicca-Marques, J. (1993). PADRÃO DAS ATIVIDADES DIÁRIAS DO BUGIO-PRETO Alouatta caraya (PRIMATES, CEBIDAE): UMA ANÁLISE TEMPORAL E BIOENERGÉTICA. In: A Primatologia no Brasil: volume 10. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Primatologia.

 

Bicca-Marques, J., Alves, S. L., Boubli, J., Cornejo, F. M., Cortes-Ortíz, L., Jerusalinsky, L., Ludwig, G., Martins, V., de Melo, F. R., Messias, M., Miranda, J., Rumiz, D. I., Rímoli, J., Talebi, M., Wallace, R., da Cunha, R. & do Valle, R. R. (2020). Alouatta caraya. The IUCN Red List of Threatened Species 2020: e.T41545A17924308. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2020-2.RLTS.T41545A17924308.en. Acesso em: 28 janeiro de 2021.

 

Gregorin, R. (2006). Taxonomia e variação geográfica das espécies do gênero Alouatta Lacépède (Primates, Atelidae) no Brasil. Revista Brasileira de Zoologia, 23(1), 64-144. https://doi.org/10.1590/S0101-81752006000100005.

 

Groves, C. P. (2005). Order Primates. In D. E. Wilson & D. M. Reeder (Eds.), Mammal species of the world (3 ed., Vol. 1, pp. 110-184). Baltimore: Johns Hopkins University Press.

 

Ludwig, G., Bicca-Marques, C., Rímole, J., Cunha, R. G. T., Alves, S. L., Martins, V., Valle, R. R., Miranda, J. M. D., Messias, M. R. (2015). Avaliação do Risco de Extinção de Alouatta caraya (Humboldt,1812) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7176-mamiferos-alouatta-caraya-bugio-preto.html. Acesso em 28 de janeiro de 2021.

Live de lançamento do filme “O tempo da flor”

Live de lançamento do filme “O tempo da flor”

Com o objetivo de partilhar um olhar sobre o modo de vida dos Apanhadores de Flores Sempre Vivas, nesta sexta-feira (19/02) as 18hs, será transmitida a live de lançamento do filme “O tempo da flor”, uma coprodução da Canoa Filmes (@filmesdacanoa), Banda Filmes (@bandafilmes), apanhadoras e apanhadores de flores sempre-viva e da Codecex (@codecex). O evento terá a participação de Jandira da Conceição dos Santos, apanhadora de flores do Quilombo de Mata dos Crioulos; Thiago Carvalho, diretor e produtor do filme; Maria de Fátima Alves, apanhadora de flores e coordenadora da Codecex; Samuel Leite Caetano, Caa NM.


Há gerações mulheres, homens e crianças se dedicam ao ofício de apanhar flores sempre-viva na região da Serra do Espinhaço, no Norte de Minas Gerais. No quilombo da Mata dos Crioulos, a família de Jandira vive os primeiros dias da estação de colheita das flores sempre-vivas. Ali, a relação com o tempo e a natureza que os cerca é cultivada pela espera e pelo respeito aos ciclos das flores que nascem nesse território.

A transmissão da live será realizada na página do Facebook do CAA NM, às 18h.

Não perca, participe! Colabore para a construção do Museu Vivo dos Povos Tradicionais de Minas Gerais! Acesse o link aqui ou na BIO 🙌 : https://benfeitoria.com/museudospovosdemg


A sua doação será multiplicada. Isso mesmo! É um matchfunding. A gente explica: para cada 1 real doado, o BNDES vai investir 2 reais, ou seja, vai triplicar a sua doação. Mas é tudo ou nada, se não atingirmos a meta o recurso será devolvido. Faça parte dessa história, colabore!
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Galeocharax gulo (Cope, 1870). ( Saicanga)

Galeocharax gulo (Cope, 1870).

CP 12,9 cm

Nome(s) popular(es):

Cacunda, saicanga.

Tamanho

Até 22,0 cm de comprimento padrão.

Alimentação

Principalmente insetos, adultos e larvas, camarões e peixes.

Nome Xavante:

Pe’wanhĩptihöirã..

Dimorfismo sexual secundário

Os machos sexualmente maduros apresentam ganchos nas nadadeiras anal e pélvicas, i.e., as nadadeiras tornam-se ásperas.  É caráter transitório.

Usos e importância da espécie

Consumida como alimento, elo importante na cadeia alimentar dos ambientes onde está presente.

Descrição da espécie

Perfil dorsal do corpo moderadamente elevado, sem gibosidade; comprimido; escamas pequenas, ctenóides; fenda bucal ampla, oblíqua; dentário com duas séries de dentes, a externa com quatro dentes grandes, anteriormente, e vários dentes pequenos, posteriormente, a série interna formada por 7 a 11 dentes pequenos; linha lateral completa, 80 a 89 escamas; mácula negra no pedúnculo caudal. Espécie pouco frequente nos riachos e córregos do PESA.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.73

Cynopotamus tocantinensis Menezes, 1987.( Cacunda)

Cynopotamus tocantinensis Menezes, 1987.

CP 11,3 cm

Nome(s) popular(es):

Cacunda, cigarra.

Tamanho

Até 21,0 cm de comprimento padrão.

Alimentação

Piscívora, principalmente pequenos peixes.

Nome Xavante:

Pe’wanhĩpti’a.

Dimorfismo sexual secundário

Os machos sexualmente maduros apresentam ganchos nas nadadeiras anal e pélvicas, provavelmente é um caráter transitório.

Usos e importância da espécie

Consumida como alimento, potencial para aquariofilia, elo importante na cadeia alimentar de peixes maiores.

Descrição da espécie

Perfil dorsal muito elevado atrás da cabeça, formando uma gibosidade bem característica; corpo revestido por escamas ctenóides, pequenas; boca terminal; dentário com duas séries de dentes, a externa formada por quatro dentes grandes, anteriormente, e vários dentes pequenos, posteriormente; a série interna com um a três dentes pequenos; anal longa, 40-45 raios. Corpo prateado, mancha umeral negra trapezoidal conspícua; faixa prateada ao longo do flanco. Espécie pouco freqüente nos riachos e córregos do PESA.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.72.

Charax leticiae Lucena, 1987.(Cacunda)

Charax leticiae Lucena, 1987.

CP 9,0 cm

Nome(s) popular(es):

Cacunda, saicanga, cigarra.

Tamanho

Até 10,0 cm de comprimento padrão.

Alimentação

Carnívoros, principalmente peixes, insetos e outros invertebrados.

Nome Xavante:

Pedzarébérã.

Dimorfismo sexual secundário

Os machos sexualmente maduros das espécies desse gênero e de gêneros relacionados geralmente apresentam ganchos nas nadadeiras anal e pélvicas, i.e., as nadadeiras tornam-se ásperas.  É caráter transitório.

Usos e importância da espécie

Pode ser consumida como alimento, elo importante na cadeia alimentar dos ambientes onde se encontra.

Descrição da espécie

Corpo com perfil dorsal moderadamente elevado, com gibosidade, comprimido; escamas pequenas, ciclóides; origem da anal à frente da origem da dorsal; boca terminal; fenda bucal oblíqua, grande, sem dentes no palato; uma única fileira de dentes na mandíbula e na maxila; a mandíbula possui quatro dentes caniniformes intercalados por vários dentes menores, na maxila isso se repete; entretanto, quando a boca se fecha, os dentes caninos da maxila se encaixam entre os caninos da mandíbula; maxilar com dentes cônicos pequenos em toda sua extensão, linha lateral completa, 50 a 60 escamas; anal longa, 49-57 raios. Corpo prateado; mácula negra na próximo da região umeral; mancha negra na base da caudal, não estendida até a extremidade dos raios caudais medianos. Espécie pouco frequente nos riachos e córregos do PESA, mas comuns nas lagoas marginais.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.71.

Acestrocephalus actus Menezes, 2006.(cigarra)

Acestrocephalus actus Menezes, 2006.

CP 8,7 cm

Nome(s) popular(es):

Cigarra, cachorrinha.

Tamanho

Até 10,2 cm de comprimento padrão.

Alimentação

Carnívora, principalmente peixes.

Nome Xavante:

(Pe’a)ai’útémãnhãrĩ’wa.

Dimorfismo sexual secundário

Os machos maduros apresentam ganchos nas nadadeiras anal.

Usos e importância da espécie

Consumida como alimento, elo importante na cadeia alimentar dos peixes maiores.

Descrição da espécie

Corpo com perfil dorsal moderadamente elevado, sem gibosidade, comprimido; escamas pequenas, ctenóides; boca terminal; fenda bucal oblíqua, grande; sem dentes no palato; duas fileiras de dentes na mandíbula; linha lateral completa, 70-77 escamas, anal 29-35 raios. Corpo algo prateado, mácula negra na origem da nadadeira dorsal; mácula losangular negra, grande, no pedúnculo caudal, não estendida até a extremidade dos raios caudais medianos, mácula negra no mento, faixa prateada ao longo do flanco. Espécie rara nos riachos e córregos do PESA drenados para o Araguaia, mas comuns em cabeceiras de alguns tributários da bacia do rio das Mortes.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.70.

Aphyocharax sp.1 (piaba)

Aphyocharax sp.1

CP 2,7 cm

Nome(s) popular(es):

Piaba, piabinha .

Tamanho

Até 3,0 cm de comprimento padrão.

Alimentação

Omnívoro, principalmente algas, crustáceos, larvas e insetos aquáticos e terrestres.

Nome Xavante:

Pe’adzarébéwaprú.

Dimorfismo sexual secundário

Os machos maduros apresentam ganchos nas nadadeiras anal, provavelmente um caráter transitório.

Usos e importância da espécie

Aquariofilia, elo importante na cadeia alimentar dos ambientes onde vive.

Descrição da espécie

Corpo estreito e comprimido lateralmente; boca terminal; dentes tricúspides, com a cúspide mediana maior, em série única na mandíbula e na maxila; nadadeira dorsal próxima da metade do corpo, origem da anal atrás da vertical da origem da dorsal, adiposa presente; caudal nua; linha lateral incompleta. Corpo prateado; caudal, anal e pélvicas vermelhas (o que a distingue facilmente de A. alburnus); sem mácula umeral (o que também a distingue prontamente de A. alburnus). Espécie rara nos riachos e córregos do PESA, mas comum nas lagoas marginais.

Referência:

Venere, Paulo Cesar; Garutti, Valdener.Peixes do Cerrado-Parque Estadual da Serra Azul-Rio Araguaia, MT. São Carlos: RiMa Editora, FAPEMAT, 2011.p.69.