Biomassa, estoque de carbono e nutrientes no Cerrado

Biomassa, estoque de carbono e nutrientes no Cerrado

Autor(a):

Danielle Aparecida Alves Teodoro

Resumo:

O componente subterrâneo desempenha papel importante no funcionamento de ecossistemas, mas tem recebido menor atenção que a parte aérea em vários ecossistemas, em especial no Cerrado, onde têm ocorrido acelerada modificação no uso da terra e grande perda de habitats naturais. Este estudo teve como objetivo comparar a biomassa aérea (vegetação arbórea e arbustiva) e subterrânea, os estoques de carbono e de nutrientes em diferentes áreas de Cerrado. Foram comparadas três áreas do Jardim Botânico de Brasília: cerradão e cerrado sentido restrito (protegido e não protegido do fogo). Além disso, foram comparadas áreas de cerrado sentido restrito (subtipo cerrado típico) sobre distintas classes de solo, (Latossolo Vermelho Escuro do Jardim Botânico de Brasília e Neossolo Quartzarênico nos municípios de Correntina e São Desidério, Bahia). A vegetação lenhosa de cada uma das áreas foi amostrada em 50 parcelas de 20 x 50 m, onde todos os indivíduos lenhosos com diâmetro basal ≥ 5 cm foram mensurados a 30 cm de altura. A biomassa radicular foi amostrada em monólitos de solo com dimensões de 50 x 50 x 30 cm de profundidade em cada parcela onde a vegetação lenhosa foi amostrada. Depois de coletadas, as raízes foram processadas (lavadas e secas a 60°C por 72 h), e então separadas de acordo com classes de diâmetro em finas (Ø < 5 mm), intermediárias (Ø 5-10 mm), grossas (Ø > 10 mm) e miscelânea (partes como xilopódios, bulbos, rizomas, tubérculos). As raízes foram analisadas para determinar as concentrações de N, P, K, Ca, Mg e S. Adicionalmente, fragmentos de carvão que estavam misturados nas amostras radiculares foram separados para quantificar a massa. Amostras de solo foram coletadas em cada uma das parcelas estudas. Cerrado sentido restrito e cerradão não apresentaram diferenças na biomassa total, carbono e nutrientes nos sistemas radiculares até 30 cm de profundidade. Formações vegetais menos densas apresentam maior razão entre componente subterrâneo e aéreo. Em relação às classes radiculares, foi observado a grande importância de raízes finas no cerradão, em contrapartida, raízes grossas foram mais relevante em áreas de cerrado sentido restrito. Classes de solo, não influenciaram de forma significativa os estoques de biomassa aérea e subterrânea em cerrado típico, mas a classe miscelânea (em sua maioria órgãos de reserva) foi mais importante no Neossolo Quartzarênico, possivelmente por apresentar maior incidência de fogo nas áreas amostradas.

Referência:

TEODORO, Danielle Aparecida Alves. Biomassa, estoque de carbono e nutrientes no Cerrado. 2014. xii, 59 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

Disponível em:

Formicídeos como bioindicadores de conservação e degradação ambiental no bioma cerrado

Formicídeos como bioindicadores de conservação e degradação ambiental no bioma cerrado

Autor(a):

Máira Beatriz Teixeira da Costa

Resumo:

O objetivo desse trabalho foi caracterizar dois fragmentos do Cerrado sentido restrito, um conservado e outro degradado, bem como avaliar o potencial dos formícideos como bioindicadores de conservação e degradação no bioma Cerrado. Para isso, realizou-se inventário florestal, utilizando amostragem aleatória com parcelas de 20 x 50 m. Em cada parcela foi alocada uma sub-parcela de 10 x 10 m para estimar a regeneração natural e cinco pontos de amostragens com armadilhas do tipo pitfall para coleta de formicídeos, e das variáveis ambientais (abertura de dossel, serapilheira, vegetação e características edáficas). Para avaliar a suficiência amostral utilizou-se regressão linear com resposta em platô, foi realizada análise de similaridade (ANOSIM) de espécies (formigas e plantas) entre os ambientes e ordenação pelo Escalonamento Multidimensional Não-Métrico (NMDS). A determinação das espécies bioindicadoras ocorreu pelo Valor Indicador Individual (IndVal) e a relação destas com as variáveis ambientais foi realizada pela Análise de Correspondência Canônica (CCA). A regressão em platô revelou que a intensidade amostral foi suficiente para amostrar as espécies de plantas e formicídeos. O Cerrado conservado foi caracterizado como estruturado e diverso em seus estratos, enquanto o Cerrado degradado demonstrou estrutura desequilibrada em estágio inicial de recuperação e baixa diversidade. Observou-se que a comunidade de formicídeos foi influenciada pelo estado do ambiente. As espécies Solenopsis geminata e Linepithema foram apontadas como bioindicadoras de Cerrado conservado e apresentaram relação com as variáveis matéria orgânica, serapilheira, argila, diversidade do estrato lenhoso e da regeneração. Ectatomma brunneum foi selecionada como bioindicadora do Cerrado degradado e apresentou relação com as variáveis areia, pH, abertura de dossel e CTC. O Cerrado conservado apresentou maior composição, riqueza de espécies de formigas e grupos funcionais que o degradado. Conclui-se que as espécies Solenopsis geminata e Linepithema sp 1. podem ser utilizadas como bioindicadoras de Cerrado conservado e Ectatomma brunneum como bioindicadora do Cerrado degradado, ambas possuem relação com variáveis ambientais que refletem o estado do ambiente, o que potencializa a utilização de formicídeos como ferramenta no monitoramento ambiental.

Referência:

COSTA, Máira Beatriz Teixeira da. Formicídeos como bioindicadores de conservação e degradação ambiental no bioma cerrado. 2019. 88 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2019.

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Estudo de fragmentos de cerrado strictu sensu em nove empreendimentos agropecuários do noroeste de Minas Gerais

Estudo de fragmentos de cerrado strictu sensu em nove empreendimentos agropecuários do noroeste de Minas Gerais

Autor(a):

Valéria Cristina Veiga Lisita

Resumo:

O presente trabalho avaliou a fragmentação de áreas de Cerrado strictu sensu (CSS) em nove empreendimentos rurais localizados na região Noroeste de Minas Gerais. Para tanto, procedeu-se uma análise de índices para caracterização dos fragmentos, que foram: área total da paisagem, número de manchas ou fragmentos, porcentagem de vegetação nativa na paisagem, tamanho médio de mancha, desvio padrão do tamanho de manchas, coeficiente de variação do tamanho de manchas, índices de circularidade e porcentagem de área nuclear na paisagem. Procedeu-se à análise fitossociológica dos fragmentos para se obter os índices de diversidade de Shanon Wierner (H’) e Simpson (S’), o Índice de Equabilidade de Pieolou (J), o Índice de Valor de Importância das Espécies (IVI), a metodologia de amostragem utilizada foi a do quadrante. Com exceção de uma comunidade, onde havia presença de gado no interior dos fragmentos, os índices de diversidade e equabilidade encontrados correspondem aos dados obtidos por outros autores em áreas de cerrado strictu sensu (H entre 3,052 e 3,777; J entre 0,823 e 0,928). Não foi encontrada relação entre os dados de fragmentação e os índices fitossociológicos, porém, os empreendimentos estudados encontravam-se em ampliação da suas atividades produtivas, o que poderá vir a alterar a composição dos fragmentos.

Referência:

LISITA, Valéria Cristina Veiga. Estudo de fragmentos de cerrado strictu sensu em nove empreendimentos agropecuários do noroeste de Minas Gerais. 2008. 81 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)-Universidade de Brasília, Brasília, 2008.

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Caracterização dos padrões temporais da cobertura da terra da bacia do Rio Araguaia

Caracterização dos padrões temporais da cobertura da terra da bacia do Rio Araguaia

Autor(a):

Pedro Ribeiro Martins

Resumo:

A bacia do Rio Araguaia está localizada no Brasil Central e apresenta uma ampla diversidade de paisagens naturais, além de comportar uma importante zona de transição entre os biomas Cerrado e Amazônia. Uma grande planície aluvial se estende por todo o médio Araguaia, onde se forma a maior ilha fluvial do mundo e um conjunto de áreas úmidas que são essenciais na regulação do balanço hídrico e climático, e para a biodiversidade local. No Brasil, essas áreas têm sido constantemente ameaçadas principalmente devido a expansão da fronteira agrícola e do desmatamento, associados a emissões significativas de dióxido de carbono para atmosfera. O monitoramento e a detecção de mudanças ambientais se tornam cada vez mais amplos, no entanto, pouco se sabe sobre a variabilidade espaço-temporal do ciclo do carbono nessas áreas. A produtividade primária da vegetação é um dos processos mais relevantes para avaliar o balanço global de carbono e mudanças climáticas em escala regional e global, podendo ser estimada através de dados de sensoriamento remoto. O objetivo deste estudo foi compreender o papel do relevo e da cobertura da terra sobre a sazonalidade anual da produtividade primária bruta na bacia do Araguaia. Os dados primários corresponderam aos dados topográficos, mapa de cobertura da terra e os dados de produtividade primária bruta (GPP) gerados a partir de uma série temporal de 15 anos do produto MOD17A2HV6 do sensor Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS). Observamos que as pastagens apresentam distribuição ampla e heterogênea em toda a bacia do rio Araguaia, enquanto as áreas agrícolas concentram-se principalmente em topografias relativamente antigas, altas e planas, que podem representar um fator negativo para a conservação da região. Formações campestres e savânicas apresentam menor contribuição para o montante de sequestro de carbono, porém boa parte dos estoques de carbono no bioma Cerrado não se encontra no compartimento aéreo da vegetação, o que poderá ser abordado em estudos futuros. As áreas florestais apresentaram as maiores médias anuais de GPP ao longo do período, provando ser uma componente chave para estimar o sequestro de carbono em escalas regionais e globais.

Referência:

MARTINS, Pedro Ribeiro. Caracterização dos padrões temporais da cobertura da terra da bacia do Rio Araguaia. 2018. 32 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Ambientais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

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Juventude rural e perspectivas de novas realidades por meio de ações presentes: experiência com jovens do assentamento Silvio Rodrigues

Juventude rural e perspectivas de novas realidades por meio de ações presentes: experiência com jovens do assentamento Silvio Rodrigues

Autor(a):

Sabine Ruth Popov Cardoso

Resumo:

Partindo da problemática da negação à juventude rural na escolha entre permanecer ou viver na cidade, com relação às suas perspectivas em educação, lazer, trabalho, cultura e identidade como elementos que compõem sua territorialidade, esta pesquisa tem como objetivo estudar as perspectivas de continuidade no campo da juventude rural do Assentamento Silvio Rodrigues, para a identificação de resistência e busca por autonomia, com caracterização de novas territorialidades. O recorte espacial escolhido foi o assentamento Silvio Rodrigues, localizado no município de Alto Paraíso de Goiás, noroeste de Goiás, na Chapada dos Veadeiros. Inicialmente, a escolha se deu como opção a partir da dificuldade em encontrar um contexto de juventude rural organizada no Distrito Federal. No entanto, com o cnhecimento sobre o grupo de jovens se reestruturando no assentamento Silvio Rodrigues e suas expectativas em ações e dinâmicas, foi aberta a possibilidade do estudo da juventude a partir da metodologia escolhida e ferramentas estabelecidas em concordância com o estudo a partir do bioma Cerrado, no estado de Goiás, território com histórico de ocupação a partir da Marcha para Oeste. Para que seja possível chegar a resultados que apontem para uma perspectiva de continuidade no campo da juventude rural, por escolha, o trabalho se orientou para uma perspectiva de autonomia e constituição de novas territorialidades. Como metodologia, inicialmente foi realizada busca de dados, como relatórios, projetos e estudos. A partir disso, o grupo focal mostrou-se como técnica e metodologia apropriada para o grupo de jovens analisado, que permitiu além de respostas, a reflexão sobre como a juventude rural pode se compreender como categoria que, é ao mesmo tempo homogênea, mas que apresenta grande diversidade como característica. A formação de grupos representativos da juventude rural é de extrema importância para sua afirmação como categoria social em busca de direitos e autonomia.

Referência:

CARDOSO, Sabine Ruth Popov. Juventude rural e perspectivas de novas realidades por meio de ações presentes: experiência com jovens do assentamento Silvio Rodrigues. 2015. 125 f., il. Dissertação (Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

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Fronteiras da trijunção: representações e memórias do sertão-gerais no Parque Nacional Grande Sertão Veredas

Fronteiras da trijunção: representações e memórias do sertão-gerais no Parque Nacional Grande Sertão Veredas

Autor(a):

Francisco da Paz Mendes de Souza

Resumo:

Essa pesquisa busca compreender Representações e Memórias do Sertão-Gerais, e a contribuição de ambas para a valorização de identidades, cultural e territorial, das Comunidades Tradicionais das Nascentes da Carinhanha no contexto das Múltiplas Fronteiras da Trijunção. Seu enfoque é sobre a Memória Coletiva do Geralista, categoria identitária nativa dos Núcleos Comunitários Veredeiros (NCV) do Parque Nacional Grande Sertão Veredas – PARNA-GSV, em sua Área de Ampliação criada em 2004, que denominamos PARNA GSV.2. A Região da Trijunção é um espaço de fronteiras (Agrícola, Ambiental e Cultural) não oficializado; se situa na intersecção dos estados da Bahia, Goiás e Minas Gerais. Ela sofreu transformações lentas desde o século XVIII. Os impactos mais significativos sobre a Cultura Tradicional de grupos como o Geralista ocorreram com a chegada da Modernização Conservadora do Bioma Cerrado dentro do contexto influenciado pelo início de Brasília (1960/1980). Tais impactos provocaram des/re/territorializações precárias culminando com a criação dessa unidade de conservação (PARNA-GSV.1), em 1989. A Trijunção é zona de transição Cerrado-Caatinga: fica a 350 Km de Brasília. História Oral e História Cultural foram utilizadas como procedimentos teórico-metodológicos complementares nas abordagens sobre dezoito narrativas resultantes de entrevistas semiestruturadas feitas com dois subgrupos de Interlocutores: doze moradores rurais e seis urbanos; a maioria reside na própria Trijunção e parte na RIDE-DF. Todos são parentes consanguíneos ou por afinidade das quatro famílias desbravadoras (Mendes, Brito/“Bito”, Barbosa e Rodrigues), corresponsáveis pela territorialização veredeira da área convertida em PARNA-GSV.2. Esses interlocutores foram selecionados a partir do grau de ligação interparental com descendentes da Família-Tronco do Fazendeiro-Patriarca Rafael Mendes de Queiróz e Dona Rita Rodrigues de Almeida, antigos donos da maior parte do PARNA-GSV.2 conforme documento de 1907, que atesta terem sido eles proprietários da Fazenda Rodeio-Canabrava. A pesquisa identificou quatro categorias de marcação identitária presentes na Memória Coletiva entre essas Comunidades Tradicionais: Carinhanha-Gerais, Goiás-Januária, Sujeito Geralista e Povo/Pessoal do Parque. Por meio das memórias e de suas representações, constatou-se que ainda há fortes vínculos socioculturais dessas comunidades com o Sertão-Gerais; que seus membros problematizam, conscientemente, os impactos decorrentes tanto da Modernização Conservadora quanto por causa do PARNA-GSV; e ainda há entre eles uma intensa resistência cultural associada à Mímesis, que é a força revigorante de sustentação que mantém viva sua identidade filiada à Matriz Identitária Geraizeira. A análise do conjunto dessas narrativas (Geolexicopédia) apontou, entre outras alternativas, a de se fazer, imediatamente, a reformulação crítica do Programa de Gestão Ambiental e com ele redigir um segundo plano de manejo que inclua a criação de Zonas Histórico-culturais nos lugares rememorados pelos Geralistas.

Referência:

SOUZA, Francisco da Paz Mendes de. Fronteiras da trijunção: representações e memórias do sertão-gerais no Parque Nacional Grande Sertão Veredas. 2018. 400 f., il. Dissertação (Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

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Parque Nacional das Sempre-Vivas (PNSV) no Alto Jequitinhonha: limites e potencialidades na implementação de políticas públicas de conservação da biodiversidade e de desenvolvimento rural.

Parque Nacional das Sempre-Vivas (PNSV) no Alto Jequitinhonha: limites e potencialidades na implementação de políticas públicas de conservação da biodiversidade e de desenvolvimento rural.

Autor(a):

Dayse de Souza Leite Leite

Resumo:

Esse trabalho analisa o processo de implementação de dois instrumentos de políticas públicas brasileiras: o Parque Nacional das Sempre-Vivas (PNSV) e o Território Rural/Território da Cidadania Alto Jequitinhonha. Ambos se localizam no estado de Minas Gerais e foram criados, respectivamente, nos anos de 2002 e de 2003. No que se refere ao recorte temporal, o foco da análise perpassa os anos que vão de 2000 a 2017, o que compreende a instituição do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) em 2000 e a sua regulamentação em 2002, a instituição da política de desenvolvimento territorial rural em 2003 e os processos de implementação dos dois instrumentos no território. Contudo, esse recorte não afastou a necessidade de se considerar na análise a trajetória histórica de longa duração que contribuiu para a implementação dessas políticas. Assim, interessa-nos discutir como se deram as apropriações e adaptações no processo de implementação do PNSV e do Território, considerando as especificidades históricas, socioculturais e econômicas existentes. Interessa-nos também compreender as interações existentes entre eles e como ocorrem, bem como os limites e potencialidades que elas oferecem para uma integração efetiva das políticas de conservação da biodiversidade e de desenvolvimento rural no território. Trata-se de um estudo com abordagem interdisciplinar, sendo que o quadro teórico-metodológico mobiliza conceitos provenientes dos campos da Análise de Políticas Públicas, especificamente a partir dos modelos top-down e bottom-up de análise da implementação, da conservação da biodiversidade amparada nas concepções da Biologia da Conservação e do socioambientalismo e do desenvolvimento rural de enfoque territorial. Analisou-se a trajetória de implementação dos instrumentos considerando o histórico de ocupação e uso dos territórios localizados no bioma Cerrado, particularmente o uso agroextrativista, a influência das normas e dos planos (fatores institucionais) e a interação entre a burocracia do nível de rua e os atores locais (fatores relacionais). Quanto aos procedimentos para coleta de dados, realizou-se a revisão de literatura relacionada aos territórios estudados, o levantamento e análise de documentos e a pesquisa de campo por meio da realização de entrevistas em profundidade, da observação sistemática de reuniões e da participação em visita técnica. A análise apontou para a existência de poucas interações entre as duas políticas, o que se deve ao processo de formulação de forma setorizada e aos referenciais e paradigmas distintos que conformam cada uma delas. Apesar da política de desenvolvimento territorial propor a integração com outras políticas, na prática isso não ocorreu, considerando como referência a política de conservação da biodiversidade que incide no território. Devido ao fato de o PNSV se enquadrar como Unidade de Conservação (UC) de Proteção Integral, tradicionalmente as possibilidades de interação com políticas de desenvolvimento rural ficaram limitadas. Por outro lado, isso tendeu a se alterar por meio das adaptações ocorridas no processo de implementação dessa UC, decorrentes mais da dinâmica do jogo dos atores locais do que das normas regulamentadoras. Esse jogo dos atores é permeado pelo conflito socioambiental, por divergências, por negociações, etc., sendo que as adaptações decorrentes dele, além de contribuírem para a efetividade da implementação, ao considerar aspectos concernentes ao desenvolvimento rural, podem influenciar processos de re (formulação) das políticas no “nível de cima”, contrapondo os pressupostos da abordagem sequencial ao sinalizar que a implementação pode alterar a formulação.

Referência:

LEITE, Dayse de Souza Leite. Parque Nacional das Sempre-Vivas (PNSV) no Alto Jequitinhonha: limites e potencialidades na implementação de políticas públicas de conservação da biodiversidade e de desenvolvimento rural. 2018. 289 f., il. Dissertação (Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

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Avaliação e reestruturação do programa reflorestar a partir da educação ambiental crítica

Avaliação e reestruturação do programa reflorestar a partir da educação ambiental crítica

Autor(a):

Juliana Lopes Rodrigues de Sousa Viana

Resumo:

Este estudo pretende contribuir para a promoção do desenvolvimento rural sustentável no DF, a partir da proposição do aperfeiçoamento do Programa Reflorestar, com ênfase no fortalecimento da sua dimensão educacional. A pesquisa analisa o contexto de criação do referido Programa, seus objetivos e resultados, e propõe a sua revisão a partir da perspectiva da educação ambiental crítica como uma política pública socioambiental para o Distrito Federal. Para a análise do Programa quanto aos aspectos de sua criação, implementação, resultados e institucionalização foi realizada ampla pesquisa documental nos arquivos da Secretaria de Agricultura e conferidos os resultados alcançados no período de 2008 a 2015. Por meio de entrevista realizada com a principal idealizadora do programa foi possível reviver o período de desafios que a equipe à época enfrentou para recriar o setor ambiental do órgão, após a extinção da Fundação Zoobotânica, no ano 2000. Por fim, em entrevistas realizadas com 28 produtores assistidos em Brazlândia, durante visitas às suas propriedades, foram registradas as percepções do produtor beneficiado, suas críticas e sugestões com vistas ao aperfeiçoamento do Programa. As principais mudanças sugeridas são: (1) desconcentrar os processos decisórios por meio da participação social na gestão ambiental pública para ampliar a conscientização e o empoderamento dos diversos atores sociais; e (2) a ampliação dos critérios de enquadramento e priorização com proposições de alteração de ordem político-institucional e técnico-operacionais. Por fim, a sistematização desta experiência é tanto uma estratégia de resgate da história, de socialização das informações e de subsídio para futuras avaliações e aperfeiçoamentos dos gestores, quanto um esforço para que a memória do que já foi realizado inspire outros colegas servidores a trabalhar na promoção do desenvolvimento rural sustentável.

Referência:

VIANA, Juliana Lopes Rodrigues de Sousa. Avaliação e reestruturação do programa reflorestar a partir da educação ambiental crítica. 2016. 133 f., il. Dissertação (Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016.

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A cobertura da terra dentro do contexto das unidades de relevo em três bacias da ecorregião do planalto central

A cobertura da terra dentro do contexto das unidades de relevo em três bacias da ecorregião do planalto central

Autor(a):

Ana Clara Alves de Melo

Resumo:

relevo plano e contínuo do Cerrado foi fundamental para políticas de ocupação que concorrem
com a vegetação natural, tornando necessário desenvolver abordagens que conciliam os interesses
humanos com os processos naturais. Assim, é necessário a caracterização do relevo e suas
influências na ocupação humana. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho foi avaliar as relações
entre o relevo e a ocupação humana. Foram comparados parâmetros geomorfométricos dos
relevos de três sub-bacias, pertencentes a uma região hidrográfica do Planalto Central
(Tocantins/Araguaia, São Francisco e Paraná), através de imagens digitais da Shuttle Radar
Topography Mission (SRTM). Para a delimitação das unidades de relevo, foi gerada a composição
colorida nos canais RGB (altitude, declividade e curvatura mínima) e realizou-se avaliações entre as
unidades de relevo equivalentes nas diferentes sub-bacias através do teste de Kruskal-Wallis. As
unidades de relevo foram utilizadas como limite natural para a descrição do uso e cobertura da terra
através da base digital do Projeto TerraClass Cerrado. Evidenciou-se que a altitude, declividade e
curvatura minima apresentaram diferenças significativas entre as bacias. Nos relevos planos, tais
como as Chapadas, Rampas de Colúvio e as Mesas predominaram a agricultura e pastagem. Nos
relevos dissecados, como as Frente de Recuo Erosivo, Colinas e Vales predominaram as
coberturas naturais e pastagens. Os estudos integrados são importantes para definir estratégias de
proteção e manutenção dos ecossistemas naturais e dos recursos hídricos. Esses resultados
evidenciam que a ocupação humana é organizada pelas formas do relevo.

Referência:

MELO, Ana Clara Alves de. A cobertura da terra dentro do contexto das unidades de relevo em três bacias da ecorregião do planalto central. 2018. 38 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Ambientais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

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Regime de umidade em um substrato revegetado com lodo de esgoto no Distrito Federal

Regime de umidade em um substrato revegetado com lodo de esgoto no Distrito Federal

Autor(a):

Thyego Pery Monteiro de Lima

Resumo:

O levantamento de áreas mineradas no Distrito Federal (DF) revelou a existência de 2.630 hectares explorados pela mineração e desprovidos de cobertura vegetal em 2015. A recuperação dessas áreas geralmente envolve a incorporação de uma fonte de matéria orgânica e nutrientes aos substratos minerados para reconstrução de um ambiente edáfico capaz de proporcionar o crescimento de plantas. No DF, o lodo de esgoto é utilizado nesse processo. Porém, as consequências dessa prática não estão totalmente compreendidas. Estudos constataram que substratos revegetados com lodo de esgoto no DF acumulam carbono orgânico ao longo do tempo, resultando em teores duas vezes mais altos em relação aos medidos em solos sob florestas na mesma região. Menos de 35% desse carbono orgânico nos substratos revegetados eram originários do lodo de esgoto inicialmente incorporado. A saturação por água por longos períodos é um dos fatores que pode explicar esse fenômeno. Nesse sentido, é necessário compreender o regime de umidade em substratos revegetados no Cerrado e, principalmente, entender se o comportamento da umidade favorece o acúmulo de carbono orgânico nesses materiais. Diante disso, o presente trabalho teve como objetivo verificar se o regime de umidade de um substrato de mineração revegetado com lodo de esgoto no Distrito Federal apresenta requisitos para proporcionar o acúmulo de carbono orgânico. Para isso, realizou-se a caracterização de um substrato minerado exposto, um substrato revegetado com lodo de esgoto e um solo sob Cerrado strictu sensu. Foram mensuradas as seguintes variáveis: densidade aparente, granulometria, condutividade hidráulica na saturação, teor de água à capacidade de campo e ponto de murcha permanente, porosidade total, microporosidade, macroporosidade e resistência mecânica à penetração. Posteriormente, determinou-se o teor de água desses materiais ao longo da estação chuvosa de 2017/2018 e a tensão com que a água estava retida. Foi constatado que o substrato subsuperficial, o substrato revegetado e o solo sob Cerrado apresentam comportamentos distintos quanto à umidade. Ficou evidenciado que o substrato subsuperficial, localizado abaixo do substrato revegetado está submetido a um regime prolongado de alta umidade e apresenta condições que favorecem o acúmulo de carbono.

Referência:

LIMA, Thyego Pery Monteiro de. Regime de umidade em um substrato revegetado com lodo de esgoto no Distrito Federal. 2019. 97 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Ambientais)—Universidade de Brasília, Planaltina, 2019.

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