98ª Feira do Troca

98ª Feira do Troca

Criada em 1974 como parte de um projeto de arte e educação pela professora da Universidade de Brasília (UnB), Laís Aderne, a Feira do Troca no vilarejo Olhos D’Água, distrito de Alexânia (GO), a 90 quilômetros de Brasília, teve seu início marcado por um importante traço cultural da região: a “gambira” ou a “catiragem” (escambo), ou seja, trocas de artefatos entre artesãos locais e visitantes. Desde então, se tornou um evento tradicional e emblemático, movimentando a região.

Estão abertas as inscrições para apresentação cultural da 98ª Feira do Troca até o dia 25 de maio.

Leia com atenção o formulário e aguarde confirmação pela equipe organizadora.

 

https://forms.gle/d31EZ24hfzDV35B18

Gergelim Kalunga

Paçoca de Gergelim

 

O gergelim (Sesamum indicum) é uma planta originária do Oriente e nona oleaginosa mais cultivada no mundo (95% da produção mundial se dá na África e Ásia), é um produto cultivado há mais de três séculos por comunidades quilombolas do nordeste goiano, na Chapada dos Veadeiros, estando presente nas roças Kalungas desde que os primeiros representantes chegaram à região. A produção brasileira corresponde a apenas a 0,5% da área cultivada e da produção em nível mundial, sendo o estado de Goiás o principal produtor brasileiro da planta. Apresenta-se como uma das cinco principais culturas agrícolas Kalungas (após a mandioca, o milho, o feijão e o arroz). Esse produto é cultivado geralmente associado com o arroz em todas as comunidades do território e o volume de produção pode variar de uma safra a outra. É plantado de preferência no mês de dezembro, podendo haver variações da época em função da frequência das chuvas. Se desenvolve melhor em baixas altitudes (Ariel, Beltrão e Firmino, 2009), como as da região da Chapada dos Veadeiros.

 

A colheita é realizada a partir de junho, depois do arroz (Fernandes, 2014). Não é necessário uma grande quantidade de chuvas para garantir o desenvolvimento dos grãos. A chamada “torta”, resíduo da prensagem das sementes, contém aproximadamente 40% de proteínas e 13% de resíduo mineral.

 

A semente do gergelim é muito rica em gordura, com média de rendimento de 50% do seu peso em óleo, o que o faz ser considerado um produto de bom rendimento.

 

O gergelim Kalunga é ligado às comunidades tradicionais que compõem todo o território Kalunga, nos municípios de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre, sendo que a comunidade do Vão do Moleque é a que tem conseguido comercializar mais o excedente da produção de gergelim. No Vão do Moleque, segundo dados do IBGE, viviam em 2013, 390 famílias, cerca de 1950 pessoas. Se destacam também as comunidades do Vão de Almas e Riachão.

 

Os Kalungas cultivam dois tipos de gergelim: um mais claro, chamado pelos locais de “gergelim branco”, e outro mais escuro, o “gergelim preto”. O gergelim branco é o mais cultivado, pois é utilizado com maior frequência na gastronomia. O ingrediente é procurado com mais frequência pelo consumidor em comparação ao outro tipo de gergelim.

 

O de cor preta é produzido em menor quantidade.  Apresenta uma camada mais grossa que costuma amargar quando torrada, a exemplo do preparo da tradicional paçoca Kalunga, característica que limita o consumo. Atualmente o gergelim Kalunga representa uma potência comercial para as comunidades do território. O gergelim in natura é muito procurado pelos comerciantes da região e por isso é bastante vendido nas cidades de Alto Paraíso e Cavalcante. A produção da planta tem aumentado no território nos últimos anos. O crescimento da demanda também contribui para o aumento do valor de mercado. Mesmo com seu ótimo valor comercial, as famílias produtoras costumam armazenar cerca de 8 a 10 litros de gergelim in natura para autoconsumo e para que sirva de semente para a safra seguinte (Fernandes, 2014).

 

O gergelim na gastronomia Kalunga é consumido principalmente torrado e na forma de paçoca, preparo que faz parte do receituário tradicional Kalunga, bastante apreciada pelas comunidades e com aroma marcante, onde o ingrediente é macerado em pilão de madeira. O gergelim Kalunga também já é bastante utilizado em diversos produtos derivados e pratos de restaurantes da região, como em saladas e pratos salgados, além de  ser usado em óleos, biscoitos, pães e bolos.

 

O óleo de gergelim, assim como o de coco (indaiá) e a banha eram as principais gorduras utilizadas no preparo de alimentos (Ungarelli, 2009), porém já vêm sendo substituídos por óleos industrializados (soja principalmente) em algumas comunidades.

Apesar de ainda muito apreciado na culinária local, a produção de óleo de gergelim pelas famílias Kalunga é pequena, não ultrapassando mais de 4 litros por ano por família.

 

Indicação por Valdir Fernandes da Cunha e Sara Campos
Pesquisa e revisão por Sara Campos e Ligia Meneguello

 

Referência:

Cultura do gergelim (sesamum indicum L.) no nordeste do Brasil. NAPOLEAO ESBERARD DE MACEDO BELTRAO, CNPA; ELEUSIO CURVELO FREIRE, CNPA. Campina Grande, 1986.

Disponível em:

https://slowfoodbrasil.org.br/arca_do_gosto/gergelim-kalunga/

Este produto foi indicado no âmbito do projeto

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Nas roças das famílias Kalunga o gergelim é utilizado para cercar o milho crioulo e é base da alimentação local.

Receita de Paçoca de gergelim:

– 1 xícara gergelim branco

– 2/3 xícara rapadura

– 1 xícara água

– pitada de canela e cravo

Toste o gergelim em uma panela em fogo baixo e depois triture até formar uma farinha. Derreta a rapadura com a água e quando formar o caldo, adicione a farinha de gergelim com as especiarias. Mexa até pegar o ponto de doce, e tá pronto.

Exposição  “Ancestralidade Viva – Povos originários em equilíbrio com a natureza”

Exposição "Ancestralidade Viva - Povos originários em equilíbrio com a natureza"

 

Na 22a Semana Nacional de Museus, o Museu do Cerrado em parceria com o Memorial do Cerrado da PUC-Goiás lança a exposição virtual “Ancestralidade Viva – Povos originários em equilíbrio com a natureza” numa live que será amanhã (16/5) às 16:00 no nosso canal de Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=MnI5LTPAeA8                                                                                                                                    

A população indígena é de 1.693.535 pessoas, o que representava 0,83% da população total do país (IBGE 2022). Eles estão nas cidades e no campo, sendo que 44,48% está concentrada na região Norte. Os diferentes povos indígenas no Brasil, elaboram vários objetos que são utilizados nos afazeres cotidianos, com materiais a partir da natureza, em equilíbrio e sinergia direta, um exemplo vivo.                                   

Esta exposição é uma homenagem aos 305 povos indígenas que vivem em todos os biomas brasileiros, seus guardiões e guardiãs, profundamente conectados com a natureza, que resistem nas suas culturas diversas e lutam por terra, água, respeito e liberdade.    

                                                                                #povos indígenas #ancestralidade #natureza

1º Encontro de Arte, Educação e Natureza na Primeira Infância

1º Encontro de Arte, Educação e Natureza na Primeira Infância

Salve, pessoal do Cerrado! Sou eu, o Tucano, trazendo uma novidade quente direto da nossa amada terra! 🌞🌵 Vocês já ouviram falar do incrível “1º Encontro Cunhatã Cerratense Arte, Educação e Natureza na Primeira Infância”?

 

📚 É um projeto mágico que vai conectar arte, educação e nossa natureza exuberante, tudo na companhia do grupo Camerata Caipira! 🎶🍃

 

🌳 O Cerrado já está agitado com essa notícia maravilhosa, e eu, como um verdadeiro representante da fauna local, não poderia deixar de convidar todos vocês para participarem desse encontro imperdível! 🌈

 

💫 Então, não percam tempo! Sigam o @cameratacaipira para ficarem por dentro de toda a programação e se preparem para uma semana cheia de aprendizado, música e diversão!

 

🌟 #CunhatãCerratense #ArteEducaçãoNatureza #VemComOTucano

 

Este projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, através da Secretaria de Cultura e Economia Criativa. 🌟

Ofício das Parteiras Tradicionais como Patrimônio Cultural Nacional

Ofício das Parteiras Tradicionais como Patrimônio Cultural Nacional

 

No dia 09 de maio de 2024, durante a sua 104a Reunião, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reconheceu o Ofício, os Saberes e as Práticas das Parteiras Tradicionais do Brasil como Patrimônio Cultural nacional, com sua inscrição no Livro dos Saberes. O Registro, instrumento de reconhecimento de bens de natureza imaterial, visa o reconhecimento, a promoção, a valorização e a salvaguarda de bens intangíveis que compõem a pluralidade da constituição da sociedade brasileira.

O que é Paleontologia?

O que é Paleontologia?

Os museus de história natural são instituições que podem auxiliar no entendimento da ciência como parte da cultura das sociedades através de suas coleções, exposições e a difusão dos resultados de pesquisas recentes. Os museus guardam um patrimônio inestimável do país e sua manutenção é responsabilidade do Estado e dos cidadãos, especialmente como educadores. 

 

A definição atual dos museus admite que, além de suas funções de preservar, conservar, pesquisar, comunicar e expor, são instituições a serviço da sociedade, voltadas para o estudo, o deleite e a educação (ICOM, 2001).                                              

 

Conheça a Paleontologia no Cerrado: 

 

https://museucerrado.com.br/paleontologia/

Aumento de temperatura compromete fotossíntese de plantas do Cerrado

Aumento de temperatura compromete fotossíntese de plantas do Cerrado

Cerrado, um dos biomas mais importantes do Brasil, pode enfrentar mudanças na composição da sua flora pelo aquecimento global. É o que revelam pesquisadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, que identificaram como o calor afeta a performance da fotossíntese das plantas da região.

 

Orientador do estudo, o professor Tomas Domingues é responsável pelo Laboratório de Ecologia de Comunidades e Funcionamento de Ecossistemas (Ecoferp) da FFCLRP e adianta que os resultados acendem alertas sobre o Cerrado, que tem enfrentado aumento de temperaturas mais intenso em comparação com outros biomas brasileiros. A tendência, avalia o professor, é que “a situação deva se agravar ainda mais nos próximos 50 anos”, tornando a fotossíntese nos períodos mais quentes do dia “menos eficiente.”

No rastro do fogo: agronegócio e a destruição do Cerrado

No rastro do fogo: agronegócio e a destruição do Cerrado

Ao longo de quatro episódios analisaremos as diferentes dimensões da devastação ambiental e dos conflitos por terra que se dão no rastro do uso do fogo pelo agronegócio, de forma ilegal.

Nesta estreia, a pauta é apresentar a relação entre o fogo e o agronegócio, e as consequências do uso criminoso do fogo contra povos e comunidades tradicionais. Para isso, entrevistamos Valéria Santos, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da articulação Agro é Fogo; Socorro Alves, da comunidade quilombola de Cocalinho (MA), e Rosineide Xerente, da Terra Indígena Xerente (TO).

O próximo episódio vai ao ar em 22 de maio de 2024.

FICHA TÉCNICA

Produção, apresentação e roteiro: Luís Brasilino e Bianca Pyl

Edição e desenho de som: Beatriz Pasqualino (Rádio Tertúlia)

Apoio de produção: Ludmila Pereira e Tarcilo Santana

Sonorização: André Paroche (Rádio Tertúlia)

Apoio técnico: Rádio Tertúlia

 

 

Merenda escolar de Caseara terá inclusão de frutos do cerrado

Merenda escolar de Caseara terá inclusão de frutos do cerrado

A Câmara Municipal de Caseara do Tocantins aprovou, no dia 26 de abril, o projeto de Lei nº 001, de 25 de março de 2024, que estabelece a inclusão dos frutos do Cerrado na merenda escolar das escolas da rede de ensino público municipal. O projeto foi proposto pela vereadora Maria Ângela Gomes de Oliveira Silva, componente da Associação de Mulheres Agroextrativistas da APA Cantão (AMA Cantão), integrante do projeto Coalizão Vozes do Tocantins.

 

A iniciativa visa valorizar o potencial econômico dos frutos do Cerrado da região, evidenciando a diversidade e a importância dos recursos naturais do Tocantins. Além disso, busca incentivar hábitos alimentares saudáveis, uma vez que os frutos do Cerrado são ricos em nutrientes, vitaminas, minerais e antioxidantes, conferindo inúmeros benefícios para a saúde. A medida também valoriza as tradições alimentares locais, proporcionando uma fonte adicional de renda para agricultores familiares e extrativistas. Ademais, fomenta práticas de gestão ambiental e promove um modelo de produção e consumo de alimentos com bases sustentáveis.