Semeadura direta de árvores do Cerrado: testando técnicas agroecológicas para o aperfeiçoamento do método

Autor(a):

Raíssa Ribeiro Pereira Silva

Resumo:

A semeadura direta é sugerida como uma alternativa eficaz e barata para a restauração ecológica, mas para que ela seja amplamente utilizada para a restauração de ecossistemas tropicais é necessário (i) conhecer as espécies e as características funcionais adequadas à técnica e (ii) aprimorar técnicas que aumentem a germinação e a sobrevivência de plântulas. Esta dissertação avaliou emergência, estabelecimento e crescimento de espécies de árvores nativas do cerrado submetidas à semeadura direta. No primeiro capítulo foram testados os tratamentos de profundidade de plantio (superfície e enterrada) e utilização de “mulch” (sem cobertura, 5 cm e 10 cm de palhada), no estabelecimento de plântulas, nas variáveis microambientais e na emergência da gramínea invasora braquiária. No segundo capítulo foram testados tratamentos de plantas companheiras (sem plantas, plantas agrícolas e adubação verde) e de adubação (sem adubo, cama de frango e adubo químico). No primeiro capítulo semeamos 30 sementes × 6 tratamentos × 3 blocos = 540 sementes de cada espécie. No segundo, semeamos 30 sementes × 9 tratamentos × 4 blocos = 1.080 sementes de cada espécie. O enterramento das sementes prejudicou as espécies com sementes achatadas. A cobertura de palhada aumentou a umidade do solo e diminuiu a emergência de braquiária, promovendo de 28 a 62% mais assimilação fotossintética. O sombreamento excessivo (95%) com adubação verde diminuiu a sobrevivência e o crescimento de algumas espécies, o que não ocorreu com as companheiras agrícolas (60% de sombreamento). A adubação não favoreceu o crescimento das plântulas. O crescimento aéreo das plântulas foi baixo em todos os tratamentos. O consórcio com plantas agrícolas que sombreie 60% pode ser utilizado nas fases iniciais da restauração. A semeadura direta é uma técnica efetiva para diversos tipos de sementes de árvores de cerrado (Aspidosperma macrocarpon, Hymenaea stigonocarpa, Dipteryx alata, Enterolobium gummiferum, Eugenia dysenterica e Magonia pubescens, neste trabalho), desde que haja bom preparo do solo e controle de espécies invasoras.

Referência:

SILVA, Raíssa Ribeiro Pereira. Semeadura direta de árvores do Cerrado: testando técnicas agroecológicas para o aperfeiçoamento do método. 2015. x, 78 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

Disponível em:

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