Regeneração e estabelecimento de Copaifera langsdorffii (Desf.) e Emmotum nitens (Benth.) Miers em condições naturais

Autor(a):

Isaac Nuno Carvalho de Azevedo 

Resumo:

Fatores como tipo de fitofisionomia, a remoção e predação de sementes por animais e a sazonalidade climática podem limitar o estabelecimento de diversas espécies arbóreas. Copaifera langsdorffii e Emmotum nitens são duas espécies típicas do Cerrado que são encontradas desde formações florestais como os cerradões até savânicas como campo sujo e cerrado sensu stricto no Centro-Oeste brasileiro. O presente trabalho teve como objetivo geral analisar a capacidade de regeneração, a remoção e predação das sementes de Copaifera langsdorffii e Emmotum nitens, no cerradão e no cerrado sensu stricto circundante na Estação Ecológica do Jardim Botânico de Brasília – EEJBB. Alem disso, determinar a influência do tipo de fitofisionomia no estabelecimento das duas espécies e se os efeitos da predação variam entre uma formação florestal em que as espécies já estão bem estabelecidas e, uma formação savânica adjacente, em que está ocorrendo (ou potencialmente possa ocorrer) o processo de colonização, após a dispersão das sementes. E também, determinar a capacidade de estabelecimento, os padrões fenológicos e de crescimento de C. langsdorffii nos primeiros 6 anos de vida, cujas sementes foram plantadas em um fragmento de cerradão e numa formação de campo sujo adjacente na Fazenda Água Limpa – FAL. Em um inventário do componente arbóreo do cerradão do EEJBB, E. nitens foi a espécie de maior densidade e de maior valor de importância (IVI), enquanto C. langsdorffii apresentou uma menor densidade de indivíduos e valores menores de IVI. No inventário, realizado no cerrado sensu stricto circundante ao fragmento de cerradão para a observação da existência de indivíduos adultos das duas espécies foram encontrados poucos indivíduos de E. nitens, a maioria localizados próximos ao cerradão. Não foi encontrado nenhum indivíduo de C. langsdorffii. Na análise da regeneração na área amostrada no cerradão do EEJBB foram encontrados 392 indivíduos de E. nitens o que representa uma densidade absoluta (DA) de 10.453 indivíduos por hectare, já para a C. langsdorffii foram encontrados apenas 46 indivíduos obtendo uma densidade absoluta de 1.253 indivíduos por hectare. A regeneração de E. nitens e C. langsdorffii no cerradão agrupada em classes de diâmetro apresentou uma distribuição em forma de J invertido, com a maioria dos indivíduos distribuídos nas primeiras classes, o que também pode ser observado para E. nitens no cerrado sensu stricto circundante. Essa distribuição não ficou tão evidente para C. langsdorffii nessa mesma fitofisionomia devido à pequena quantidade de indivíduos jovens encontrados. Em termos de remoção e predação, as sementes de C. langsdorffii apresentaram taxas maiores de remoção que as de E. nitens, nas duas fitofisionomias. Das 400 sementes de C. langsdorffii dispersas artificialmente em cada fitofisionomia houve remoção em torno de 78% nas duas fitofisionomias após 100 dias, alcançando remoção total das sementes que não germinaram aos 210 dias no cerradão e aos 330 dias no cerrado sensu stricto circundante. No cerradão 16,5% das sementes C. langsdorffii germinaram e houve mortalidade de 44%, sendo que 37 plantas permaneciam vivas 510 dias após o início do experimento. Para E. nitens não houve germinação em nenhuma das duas fitofisionomias e a remoção foi de 41,8% e 59% no cerradão e cerrado sensu stricto, respectivamente após os 510 dias. O experimento na FAL, as sementes de C. langsdorffii foram plantadas no cerradão e no campo sujo. A emergência foi baixa 21% no campo sujo e 28% no cerradão. Das plântulas que emergiram 59,3% e 27,8% respectivamente permaneciam vivas após 6 anos. A maior parte da mortalidade ocorreu logo após a emergência durante a época de chuva. As plantas apresentam no campo sujo um comprimento médio de 27,44 cm e no cerradão de 17,45 cm ao final de 75 meses, o número de folíolos/planta foi maior no campo sujo, onde apresentou um número médio, aos 75 meses, de 40 e no cerradão de 20 folíolos. Ao longo dos 75 meses, o número de folíolos/planta foi sempre crescente, apesar de uma diminuição sazonal no período de estiagem. A porcentagem de remoção do limbo das folhas presentes nas plantas teve nos primeiros meses seus índices mais altos, sempre caindo com o passar do tempo, atingindo 4,5 e 1%, respectivamente, aos 75 meses. Em termos de plantios de reflorestamento e de enriquecimento florestal a simples dispersão das sementes na superfície do solo não é a melhor maneira para se garantir a regeneração e estabelecimento das espécies estudadas, no entanto, o plantio em pequenas covas, aumenta consideravelmente o tempo médio para a germinação e a emergência das plântulas, sendo a fase mais limitante para o estabelecimento, os primeiros meses após a emergência. Superado esta fase inicial, estas terão grandes chances de se estabelecerem no local e colonizar a área.

Referência:

AZEVEDO, Isaac Nuno Carvalho de. Regeneração e estabelecimento de Copaifera langsdorffii (Desf.) e Emmotum nitens (Benth.) Miers em condições naturais. 2006. 83 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)-Universidade de Brasília, Brasília, 2006.

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