Sapajus nigritus (Macaco-prego-preto)

Sapajus nigritus, (Goldfuss, 1809)

Nome(s) popular(es):

Macaco-prego-preto, mico-preto.

Características físicas:

Os Sapajus nigritus possuem o corpo marrom ou cinza muito escuro, sem faixa dorsal evidente. Os membros desses animais são mais escuros que o corpo e as parte ventrais tendem a ser mais avermelhadas. O rosto contrasta com o resto do corpo, pois apresenta as áreas superciliares e as bochechas esbranquiçadas. Quando adultos, esses animais possuem tufos proeminentes que podem ser erguidos ou direcionados para os lados ou para frente. Os machos da espécie são maiores que as fêmeas e medem entre 40 e 56 cm de comprimento, enquanto as fêmeas chegam aos 48 cm. O peso dos macacos-prego-preto varia entre 2,3 a 4,0 kg.

Ecologia:

Os macacos-prego-preto vivem em grupos sociais compostos por 11 a 23 indivíduos, onde a quantidade de fêmeas no grupo é maior do que a de machos. Os machos geralmente se dispersam do grupo natal e as fêmeas são filopátricas. Assim como as demais espécies do gênero, os S. nigritus são flexíveis e adaptáveis a diferentes ambientes e por isso, são amplamente distribuídos. Ocorrem em um grande número de habitats florestais, desde florestas de galeria a áreas de florestas secundárias, sendo tolerantes às alterações ambientais. Apresentam uma dieta composta por uma grande variedade de plantas, frutos, sementes, artrópodes, sapos, ovos e até mesmo pequenos mamíferos. Além disso, esses animais apresentam capacidade manipulativa que lhes permitem utilizar ferramentas para ter acesso a alimentos de difícil acesso como castanhas e larvas.

Distribuição geográfica:

A espécie é endêmica do Brasil, estando presente nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, onde é residente e nativo. Também se encontra nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A espécie é encontrada em região de transição de Cerrado-Mata Atlântica na região da Serra do Espinhaço em Minas Gerais.

Status de conservação e Ameaças:

Quase ameaçada (NT): essa classificação indica que a espécie provavelmente será inserida em alguma categoria de ameaça de extinção da lista vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) em um futuro próximo. As populações encontram-se em redução populacional próxima aos 30% considerando três gerações, as principais ameaças a espécie se referem à perda e fragmentação de habitat devido à expansão urbana e aumento das matrizes rodoviária e energética, atividades agropecuárias, além dos casos de hibridização, predação por espécie exótica, caça e apanha.

Referências:

Fragaszy, D.M.; VisalberghiI, E. & Fededigan, L. (2004). The Complete Capuchin: The Biology of the Genus Cebus. Cambridge University Press. 356p.

 

Martins, J.N., dos Santos, M., Lynch Alfaro, J., Martins, W.P., Ludwig, G., Melo, F., Miranda, J., Alonso, A.C. & Rímoli, J. (2019). Sapajus nigritus. The IUCN Red List of Threatened Species. Acesso em 28 de janeiro de 2021. Disponível em http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2019-3.RLTS.T136717A70614508.en

 

Martins W. P., Miranda,, J. M. D., Alfaro, J. W. L., Alonso, A. C., Ludwig, G., & Martins, J. N. (2015). Avaliação do Risco de Extinção de Sapajus nigritus nigritus (Goldfuss, 1809) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio.  Acesso em 28 de janeiro de 2021. Disponível em http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7277-mamiferos-sapajus-nigritus-nigritus-macaco-prego.html

Sapajus xanthosternos (Macaco-prego-do-peito-amarelo)

Sapajus xanthosternos, (Wied-Neuwied, 1826)

Nome(s) popular(es):

Macaco-prego-do-peito-amarelo.

Características físicas:

O tamanho total da cabeça e do corpo equivale a 46,5 cm em ambos os sexos, assim como o tamanho da cauda com 87 cm. Já o peso pode variar entre 1,37 a 3,4 Kg nas fêmeas e 1,3 a 4,8 Kg nos machos. Destacam-se pela coloração da região ventral e do peito que geralmente é avermelhada e amarela, porém, diferencia-se de outras espécies do gênero Sapajus por não possuírem tufos aparentes.

Ecologia:

Os Sapajus xanthosternos (macaco-prego-do-peito-amarelo), é uma espécie endêmica ao Brasil que ocorre em Minas Gerais, Bahia e Sergipe. Os grupos dessa espécie podem ser de 9 a 27 indivíduos, apresentando um sistema de acasalamento poligâmico. A dieta desses animais é bastante generalista, sua alimentação é classificada como onívora, dessa forma, devido seu aparelho digestivo, os Sapajus são adaptados a ingerirem diversos alimentos. Portanto, sua dieta é composta por frutas, folhas, sementes, raízes, grãos, ovos de pássaros, insetos e pequenos roedores.

Distribuição geográfica:

É endêmico ao Brasil, ou seja, restrito a essa região geográfica, sendo encontrado na Bahia, Minas Gerais e Sergipe. Ocorrendo em florestas ombrófila densa, submontanha, mangue, florestas semidecídua em áreas de cerrado e caatinga arbórea e arbustiva.

Status de conservação e Ameaças:

Criticamente em Perigo (EN): essa classificação é devido ao exagerado declínio populacional. As ameaças para essa espécie continuam constantes, sendo causadas principalmente pelo Homem, sendo as seguintes: perda, fragmentação, desconexão de habitat, assentamentos rurais, agricultura, pecuária, incêndios e caça (ICMBio).

Referências:

Canale, G. R.; Alonso, A. C.; Martins, W. P. 2015. Avaliação do Risco de Extinção de Sapajus xanthosternos (Wied-Neuwied 1826) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio.

Sapajus libidinosus (Macaco-prego-amarelo)

Sapajus libidinosus, (Spix, 1823)

Nome(s) popular(es):

Macaco-prego-amarelo; macaco-prego.

Características físicas:

Os tufos ou topete, típicos do gênero, estão localizados na região superior da cabeça e têm coloração negra. O pescoço é envolto de pelos vermelho-alaranjados e possui uma faixa pré-auricular marrom-escuro que separa a parte que cobre a cabeça. Dependendo da região, a coloração do corpo pode variar, mas em geral, é amarelada e os membros possuem coloração escura, tendendo ao preto. A lateral das coxas e a região inferior das costas é marrom-acinzentado. O pincel caudal é negro.

 

A média do peso corporal é de 2,9 kg, sendo que o macho adulto pode chegar a 3,5 kg. O comprimento corporal é de 41,5 cm e o caudal, 43,5 cm.

Ecologia:

O Sapajus libidinosus vive em grupos de aproximadamente dez indivíduos, mas já foram registrados grupos de até 50. Apesar de serem animais arborícolas, frequentemente são vistos andando no solo das florestas. Típico do gênero, o uso de ferramentas é bastante comum e faz desses primatas peculiares, uma vez que essa estratégia é rara entre os primatas Neotropicais. O uso dessas ferramentas proporciona uma variedade de alimentos diferentes que outros primatas não têm acesso, como frutos envoltos por um exocarpo duro (e.g.: coco) e crustáceos. 

 

Sua alimentação é bastante diversa, variando de flores, folhas, sementes, brotos, frutos, ovos de pássaros, insetos até pequenos vertebrados como roedores e calangos.

 

O período de gestação das fêmeas é de aproximadamente 170 dias e nasce somente um filhote por vez. O intervalo médio entre as gestações é de 22 meses e, geralmente, o filhote nasce em épocas de maior abundância de recursos alimentares.

Distribuição geográfica:

Endêmico ao Brasil, o Sapajus libidinosus (macaco-prego-amarelo) habita os estados do Ceará, Bahia, Alagoas, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Tocantins, Paraíba, Pernambuco, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e o Distrito Federal. A extensão da área de ocorrência da espécie é estimada em 20.000 km² e seu home range ultrapassa os 2.000 km². Ocupam ambientes com vegetações típicas de Cerrado e Caatinga, de florestas ripárias a formações arbóreas e arbustivas. Também podem ser encontrados em manguezais e não são restritos às florestas primárias.

Status de conservação e Ameaças:

“Pouco preocupante” (LC): de acordo com a IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza). Assim como a maioria dos primatas, o táxon em questão sofre com as ameaças das queimadas, agricultura, expansão urbana, pecuária, desmatamento, fragmentação de habitat, caça, epidemias, entre outros. Segundo o IBGE (2012), cerca de 50% das áreas dos biomas Caatinga e Cerrado foram desmatadas, locais onde esta espécie ocupa. Outra ameaça preocupante é o tráfico ilegal desta espécie, visto que o número de espécimes que chegam ao CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres) é bastante elevado.

Referências:

Dos Reis, N. R., Peracchi, A. L., Batista, C. B., & Rosa, G. L. M. (Eds.). (2015). Primatas do Brasil: Guia de campo. TB, Technical Books Editora.

 

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2012. Indicadores de desenvolvimento sustentáveis. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Diretoria de Geociências, Rio de Janeiro. 350p.

 

IUCN/SSC Neotropical Primates Species Assessment Workshop (Red List). (2007). Oficina realizada em novembro de 2007 em Orlando, Florida, Estados Unidos.

 

Fleagle, J. G. (1988). Primate, Adaptation and Evolution. Academic Press. 500p.

 

Fragaszy, D.M.; Visalberghi, E. & Fedigan, L. (2004). The Complete Capuchin: The Biology of the Genus Cebus. Cambridge University Press. 356p.

 

Levacov, D.; Jerusalinsky, L. & Fialho, M.S. (2011). Levantamento dos primatas recebidos em Centros de Triagem e sua relação com o tráfico de animais silvestres no Brasil. A Primatologia no Brasil, 11: 281-305.

 

Machado, R.B.; Ramos Neto, M.B.; Pereira, P.G.P.; Caldas, E.F.; Gonçalves, D.A.; Santos, N.S.; Tabor, K. & Steininger, M. 2002. Estimativas de perda da área do Cerrado brasileiro. Relatório técnico não publicado. Conservação Internacional, Brasília, DF. 23p.

 

Mannu, M. & Ottoni, E.B. (2009). The enhanced tool kit of two groups of wild bearded capuchin monkeys in the Caatinga: tool making, associative use, and secondary tools. American Journal of Primatolology, 71: 242-251.

Sapajus cay (Macaco-prego-de-Azara)

Sapajus cay, (Illiger, 1815)

Nome(s) popular(es):

Macaco-prego-de-Azara; macaco-prego.

Características físicas:

Possui dois, muitas vezes discretos, tufos de pelos (topetes) na parte superior da cabeça com variação de coloração entre o marrom-claro e escuro. Região dorsal, pescoço e primeiro terço das costas mais escuro que o restante do corpo. Os olhos, nariz e boca são cingidos de pelos brancos, enquanto a região da face estendida das orelhas até o queixo possui uma linha lateral escura. A parte superior dos braços, coxas e lombo são marrom-acinzentados e a região-ventral é amarelo-alaranjada. Para contrastar, as mãos, pés e antebraços são negros. Por fim, os tufos de pelos na região terminal da cauda (pincel caudal) são de coloração marrom-escuro.

 

Os machos são somente 7% mais pesados que as fêmeas, nas quais pesam, em média, 2,9 kg. Possuem aproximadamente 39,5 cm de comprimento corporal e 42,5 cm de comprimento caudal.

Ecologia:

Organizam-se em grupos com menos de 30 indivíduos e, praticamente, não possuem dimorfismo sexual. Têm uma gestação de aproximadamente 170 dias com nascimento de um único filhote. Sapajus cay é reconhecido pela sua plasticidade comportamental, capaz de sobreviver em áreas modificadas pelo ser humano. Possuem uma alimentação oportunista e grandes habilidades manipulativas como o uso de proto-instrumentos e ferramentas. Sua dieta consiste em frutos, insetos, brotos, néctar, flores, pequenos vertebrados e até pequenos roedores.

Distribuição geográfica:

O Sapajus cay (macaco-prego-de-Azara) é uma espécie de macaco-prego que ocorre desde o sul do Mato Grosso do Sul até o sudeste de Goiás. Também podem ser encontrados fora do Brasil (Argentina, Bolívia e Paraguai), ou seja, não são endêmicos do Brasil. São encontrados em florestas semidecíduas, úmidas, no Pantanal e no Cerrado. Estima-se que a área de ocorrência da espécie seja de 123.615,35 km² e sua área de ocupação (home range) ultrapasse os 2.000 km².

Status de conservação e Ameaças:

“Pouco preocupante” (LC): de acordo com a IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza). Porém, o avanço da agricultura, pecuária, expansão urbana, desmatamento, redução de habitat, poluição, caça, incêndios, entre outros, têm contribuído para a redução da população total da espécie.

Referências:

Cazzadore, K.C. (2007). Estudo do Comportamento Alimentar e de Forrageio de um Grupo de Macacos-Prego (Cebus apella) no Parque Estadual Matas do Segredo, Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Dissertação (Mestrado em Psicologia). Universidade Católica Dom Bosco.

 

Coimbra-Filho, A.F. (1986). O macaco-prego-de-peito-amarelo, Cebus apella xanthosternos (Wied, 1820). Informativo FBCN, 10 (4): 3.

 

Dos Reis, N. R., Peracchi, A. L., Batista, C. B., & Rosa, G. L. M. (Eds.). (2015). Primatas do Brasil: Guia de campo. TB, Technical Books Editora.

 

Ferrari, S. F. & Lopes, M. A. (1995). A rejeição de frutos de macacos-pregos (Cebus apella) durante a predação de semente de Cariniana isto f (Lecythidaceae): Comportamento de Forragemento Subótimo ou apenas “Esbanjador”. P. 59. In: VII Congresso Brasileiro de Primatologia, Natal, Rio Grande do Norte. Resumo C23.

 

Fleagle, J. G. (1988). Primate, Adaptation and Evolution. Academic Press. 500p.

Fragaszy, D.M.; VisalberghiI, E. & Fededigan, L. (2004). The Complete Capuchin: The Biology of the Genus Cebus. Cambridge University Press. 356p.

 

IUCN/SSC Neotropical Primates Species Assessment Workshop (Red List). (2007). Oficina realizada em novembro de 2007 em Orlando, Florida, Estados Unidos.

 

Wallace, R.B. (2008). Cebus cay. In: IUCN Red isto f Threatened Species, Version 2011.2. Disponível em www.iucnredlist.org. Acessada em 20/12/2020.

Callithrix geoffroyi (Sagui-da-cara-branca)

Callithrix geoffroyi, (Humboldt, 1812)

Nome(s) popular(es):

Sagui-da-cara-branca.

Características físicas:

O Callithrix geoffroyi é caracterizado pelos volumosos e longos tufos auriculares pretos, a face clara e a cabeça inteiramente branca. A pelagem é inteiramente negra na região anterior do manto e apresenta faixas medianas alaranjadas na região posterior. É uma das maiores espécies do grupo dos Callithrix, na relação peso corporal médio e tamanho, podendo atingir mais de 20 cm de altura e o peso varia entre 300 a 450 gramas.

Ecologia:

Assim como os demais saguis, o Callithrix geoffroyi parece ser flexível e tolerante a vários tipos de ambientes. Habitam pequenas florestas e matas de galeria da Mata Atlântica e formações vegetais na Caatinga e Cerrado. São insetívoros, frugívoros e exsudívoros, podendo consumir pequenos vertebrados de forma oportunista.

 

Os saguis são uma espécie arborícola, diurna e estão mais ativos nas primeiras horas do dia. Vivem em pequenos grupos de 2 a 13 indivíduos. Apresentam um grande repertório de vocalizações para se comunicarem e a catação é uma das principais atividades sociais desses animais, que auxilia na retirada de parasitas do pelo e atua na criação e manutenção de laços afetivos.

Distribuição geográfica:

O Callithrix geoffroyi é endêmico da Mata Atlântica, mas há registros de ocorrências no Cerrado em áreas não habitadas por C. penicillata ou em transição de vegetação de Cerrado-Mata Atlântica ou Cerrado-Caatinga. Esses animais estão presentes nos estados da Bahia, Espírito Santo, Nordeste de Minas Gerais como residente e nativo e em Santa Catarina onde foi introduzido.

Status de conservação e Ameaças:

Menos preocupante (LC): a espécie não se encontra inserida em nenhuma categoria de ameaça de extinção de acordo com a lista vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza). As ameaças identificadas para a espécie se referem à redução e fragmentação do seu habitat natural devido aos assentamentos rurais, atividades de agropecuária e silvicultura. Embora esses fatores tenham influência no declínio populacional, não comprometem a população como um todo.

Referências:

Rylands, A.B. & Mendes, S.L. (2018). Callithrix geoffroyi. The IUCN Red List of Threatened Species. Acesso em 27 de janeiro de 2021. Disponível em https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2018-2.RLTS.T3572A17936610.en

 

Hannibal, W., Renon, P., Figueiredo, V. V., Oliveira, R. F., Moreno, A. E. & Martinez, R. A. (2019). Trends and biases in scientific literature about marmosets, genus Callithrix (Primates, Callithichidae: biodiversity and conservation perspectives. Neotropical Biology and Conservation, 14(4), 529 – 538. https://doi.org/10.3897/neotropical.14.e49077

 

Malukiewicz, J., Boere, V., Oliveira, M. A. B., D’Arc, M., Ferreira, J. V. A., French, J., Houman, G., Souza, C. A. I., Jerusalinsky, L., Melo, F. R., Valença-Montenegro, M. M., Moreira, S. B., Silva, I. O., Pacheco, F. S., Rogers, J., Pissinatti, A., del Rosario, R., Ross, C., R. Ruiz-Miranda, C. R., … Tardif, S. (2020). An Introduction to the Callithrix Genus and Overview of Recent Advances in Marmoset Research. Preprints. https://doi.org/10.20944/preprints202011.0256.v1

 

Pereira, D. G. (2015). Avaliação do Risco de Extinção de Callithrix geoffroyi (É. Geoffroy in Humboldt, 1812) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. Acesso em 27 de janeiro de 2021. Disponível em  http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7203-mamiferos-callithrix-geoffroyi-sagui-da-cara-branca

 

Silva, F. F. R., Malukiewicz, J., Silva, L. C., Carvalho, R. S., Ruiz-Miranda, C. R., Coelho, F. A. S., Figueira, M. P., Boere, V. & Silva, I. O. (2018). A survey of wild and introduced marmosets (Callithrix: Callitrichidae) in the southern and eastern portions of the state of Minas Gerais, Brazil. Primate Conservation, 32, 1 – 18.

Callithrix jacchus (Sagui-de-tufos-brancos)

Callithrix jacchus, (Linnaeus, 1758)

Nome(s) popular(es):

Sagui-de-tufos-brancos, sagui-do-nordeste, mico-estrela, sagui.

Características físicas:

O sagui-de-tufos-brancos é uma das menores espécies do gênero Callithrix, juntamente com o C. penicillata. Esses animais apresentam aproximadamente 20 cm de altura e o peso varia entre 200 a 350 gramas. São caracterizados pelos tufos auriculares brancos, mancha branca na testa e a cabeça de coloração negra ou castanho-escuro. A pelagem tem coloração geral acinzentada e cauda com faixas transversais pretas e cinzas.

 

Os saguis-de-tufos-brancos apresentam uma dieta composta preferencialmente de exsudato de plantas, o que confere a esses animais adaptações morfológicas para a gomivoria/exsudivoria. Entre elas, apresentam um padrão de dentição e musculatura da mastigação que permite a extração de goma das árvores, além de alterações no sistema digestivo para otimizar a digestão deste tipo de alimento.

Ecologia:

O Callithrix jacchus é originalmente endêmico da Caatinga e assim como o C. penicillata é uma espécie comum e de ampla distribuição geográfica. Ambas as espécies são encontradas nos biomas de Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. O sucesso ecológico do C. jacchus nesses ambientes ocorre primeiramente em razão de uma dieta bastante diversificada, sendo esses saguis os mais exsudívoros do grupo. Possuem adaptações morfológicas para extrair diretamente o exsudato das plantas, o que lhes permite habitar distintos ambientes que apresentam variedade sazonal na disponibilidade dos recursos alimentares. Além disso, apresentam habilidades cognitivas complexas para navegar por esses ambientes e um sistema de reprodução cooperativo com produção de duas ninhadas por ano.

Distribuição geográfica:

O C. jacchus ocorre no nordeste do Brasil e apresenta ampla distribuição, onde estima-se que a extensão de ocorrência da espécie seja maior que 20.000 km² e sua área de ocupação seja maior que 2.000 km². Está presente nos estados de Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte como residente e nativo; nos estados da Bahia, Maranhão, Sergipe e, possivelmente, no nordeste do Tocantins, como residente, mas com origem incerta. 

Status de conservação e Ameaças:

Menos preocupante (LC): a espécie não se encontra inserida em nenhuma categoria de ameaça de extinção de acordo com a lista vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza). Os Callithrix jacchus, no entanto, apresentam suas populações em declínio devido à perda e fragmentação do seu habitat natural em consequência do desmatamento, atividades agropecuárias e expansão das cidades, além da vulnerabilidade a epidemias e do tráfico para uso como animais de estimação.

Referências:

Bezerra, B., Bicca-Marques, J., Miranda, J., Mittermeier, R.A., Oliveira, L., Pereira, D., Ruiz-Miranda, C., Valença Montenegro, M., da Cruz, M. & do Valle, R.R. (2018). Callithrix jacchus. The IUCN Red List of Threatened Species Acessado em 27 de janeiro de 2021. Disponível em https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2018-2.RLTS.T41518A17936001.en

 

Hannibal, W., Renon, P., Figueiredo, V. V., Oliveira, R. F., Moreno, A. E. & Martinez, R. A. (2019). Trends and biases in scientific literature about marmosets, genus Callithrix (Primates, Callithichidae: biodiversity and conservation perspectives. Neotropical Biology and Conservation, 14(4), 529 – 538. https://doi.org/10.3897/neotropical.14.e49077

 

Malukiewicz, J., Boere, V., Oliveira, M. A. B., D’Arc, M., Ferreira, J. V. A., French, J., Houman, G., Souza, C. A. I., Jerusalinsky, L., Melo, F. R., Valença-Montenegro, M. M., Moreira, S. B., Silva, I. O., Pacheco, F. S., Rogers, J., Pissinatti, A., del Rosario, R., Ross, C., R. Ruiz-Miranda, C. R., … Tardif, S. (2020). An Introduction to the Callithrix Genus and Overview of Recent Advances in Marmoset Research. Preprints. https://doi.org/10.20944/preprints202011.0256.v1

 

Valença-Montenegro, M.M., Oliveira, L.C., Pereira,D.G., Oliveira,M.A.B., & Valle, R.R. (2012). Avaliação do Risco de Extinção de Callithrix jacchus (LINNAEUS, 1758) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. Acesso em 27 de janeiro de 2021. Disponível em http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7204-mamiferos-callithrix-jacchus-sagui-de-tufo-branco.html

Callithrix penicillata (Sagui-de-tufos-pretos)

Callithrix penicillata, (É. Geoffroy, 1812)

Nome(s) popular(es):

Sagui-de-tufos-pretos, mico-estrela, sagui.

Características físicas:

Os saguis-de-tufos-pretos são macacos pequenos que apresentam aproximadamente 20 cm de altura e peso que varia entre 200 a 350 gramas. São caracterizados pelos tufos auriculares longos e pretos, mancha branca na testa e cabeça de coloração negra ou castanho-escuro. A pelagem tem coloração geral acinzentada e cauda com faixas transversais pretas e cinzas.

 

Dada a proximidade evolutiva entre as espécies de C. jacchus e C. penicillata, os saguis-de-tufos-pretos apresentam adaptações morfológicas semelhantes para a gomivoria, entre elas um padrão de dentição que facilitam a extração do exsudato das plantas.

Ecologia:

O Callithrix penicillata é nativo do Cerrado e apresenta adaptações que os permitem colonizar ambientes com vegetações mais abertas e sazonais. A colonização desses ambientes influencia na dieta generalista desses animais, que consiste de frutas, insetos, néctar, folhas, exsudato de plantas e até mesmo pequenos vertebrados.

 

Os saguis-de-tufos-pretos vivem em grupos de 2 a 13 indivíduos. Esses grupos geralmente são compostos por uma fêmea dominante que realiza a escolha do macho para o acasalamento. Os nascimentos ocorrem duas vezes ao ano e coincidem com o período chuvoso, sendo que geralmente nascem dois filhotes a cada gestação e o macho é o principal responsável pelo cuidado parental.

 

Um importante comportamento da espécie é a marcação de cheiro, que auxilia na defesa do território e atua na estabilidade das relações entre os membros do grupo. As variações no padrão comportamental da espécie dependem de fatores ambientais, como distribuição, sazonalidade e disponibilidade de recursos alimentares.

Distribuição geográfica:

O C. penicillata é uma espécie comum do Cerrado e de ampla distribuição, estando presente nos estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Minas Gerais, Piauí, São Paulo e no Distrito Federal, como residente e nativo. As populações de saguis-de-tufos-pretos expandiram significativamente suas áreas de distribuição para além das regiões de ocorrência natural, devido à tolerância aos ambientes degradados e as áreas urbanas. Além disso, o tráfico ilegal desses animais entre o nordeste e sudeste do Brasil levou à presença da espécie nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina e Rio Grande do Sul como residente e introduzido.

Status de conservação e Ameaças:

Menos preocupante (LC): a espécie não se encontra inserida em nenhuma categoria de ameaça de extinção de acordo com a lista vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza). As principais ameaças se referem a incêndios, atividades agropecuárias, hibridização, apanha, entre outros.

Referências:

Bicca-Marques, J., Jerusalinsky, L., Mittermeier, R.A., Pereira, D., Ruiz-Miranda, C., Rímoli, J., Valença Montenegro, M. & do Valle, R.R. (2018). Callithrix penicillata. The IUCN Red List of Threatened Species. Acesso em 27 de janeiro de 2021. Disponível em https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2018-2.RLTS.T41519A17935797.en

 

Hannibal, W., Renon, P., Figueiredo, V. V., Oliveira, R. F., Moreno, A. E. & Martinez, R. A. (2019). Trends and biases in scientific literature about marmosets, genus Callithrix (Primates, Callithichidae: biodiversity and conservation perspectives. Neotropical Biology and Conservation, 14(4), 529 – 538. https://doi.org/10.3897/neotropical.14.e49077

 

Malukiewicz, J., Boere, V., Oliveira, M. A. B., D’Arc, M., Ferreira, J. V. A., French, J., Houman, G., Souza, C. A. I., Jerusalinsky, L., Melo, F. R., Valença-Montenegro, M. M., Moreira, S. B., Silva, I. O., Pacheco, F. S., Rogers, J., Pissinatti, A., del Rosario, R., Ross, C., R. Ruiz-Miranda, C. R., … Tardif, S. (2020). An Introduction to the Callithrix Genus and Overview of Recent Advances in Marmoset Research. Preprints. https://doi.org/10.20944/preprints202011.0256.v1

 

Rímoli, J., Pereira, D. G., & Valle, R. R. (2015). Avaliação do Risco de Extinção de Callithrix penicillata (É. Geoffroy, 1812) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. Acesso em 27 de janeiro de 2021. Disponível em http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7207-mamiferos-callithrix-penicillata-sagui-de-tufos-pretos.html

 

Silva, F. F. R., Malukiewicz, J., Silva, L. C., Carvalho, R. S., Ruiz-Miranda, C. R., Coelho, F. A. S., Figueira, M. P., Boere, V. & Silva, I. O. (2018). A survey of wild and introduced marmosets (Callithrix: Callitrichidae) in the southern and eastern portions of the state of Minas Gerais, Brazil. Primate Conservation, 32, 1 – 18.

 

Vilela, S. L. & Faria, D. S. de (2004) Seasonality of the activity pattern of Callithrix penicillata (Primates, Callitrichidae) in the Cerrado (scrub Savanna vegetation). Braz. J. Biol., 64(2), 363-370.

Solar dos Sertões – Museu Vivo dos Povos Tradicionais do Norte de Minas

Solar dos Sertões - Museu Vivo dos Povos Tradicionais do Norte de Minas

 

ATENÇÃO: VAMOS AJUDAR A CRIAR UM MUSEU DOS POVOS TRADICIONAIS DE MINAS GERAIS?
O Solar dos Sertões: Museu Vivo dos Povos Tradicionais de Minas Gerais nasce do desejo de reconhecer e preservar o legado cultural de sete povos mineiros: geraizeiros, vazanteiros, veredeiros, caatingueiros, quilombolas, indígenas e apanhadores de flores sempre-vivas. Acreditamos que o gesto de olhar para as histórias dessas mulheres e homens é restituir a memória da resistência percorrida por essas comunidades em prol da proteção do cerrado e outros biomas que compõem Minas Gerais.
A campanha de financiamento coletivo para a construção do “Solar do Sertão: Museu Vivo dos Povos Tradicionais de Minas Gerais” é uma ação contemplada pelo edital Matchfunding BNDES + Patrimônio Cultural 2020 na plataforma Benfeitoria.
Para doar, acesse o link: https://benfeitoria.com/museudospovosdemg

 

 

Para financiar a primeira etapa do projeto, precisamos do seu apoio para arrecadar a meta mínima R$ 60.000,00. A cada R$ 1,00 arrecadado o BNDES triplica a colaboração. Se não conseguirmos atingir a meta, o valor arrecadado é devolvido aos doadores. Por isso, a sua contribuição é muito importante para nos ajudar a alcançar os R$ 180.000,00, é o valor mínimo para executar o projeto. Dentro de um valor estimado entre R$ 20,00 e R$ 5.000,00, você pode colaborar conosco e receber como brinde uma lembrança dos povos tradicionais, de acordo com cada doação. Cada lembrança é também uma expressão dos saberes desses povos, carrega junto uma história de alguém ou de uma comunidade.

 

As Apanhadoras de Flores Sempre Vivas habitam a Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, na região de Diamantina. Geralmente as famílias vivem em comunidades rurais nas terras baixas, onde praticam agricultura tradicional. Já os campos de coleta estão nas terras altas, conhecidas como terras de uso comum das famílias. São, portanto, terras ancestrais dessas famílias, que usam e conservam a biodiversidade, as águas e os solos por meio de práticas tradicionais. Maria de Fátima Alves, apanhadora de flores de Buenópolis (MG), vê nesse ofício uma riqueza capaz de garantir o sustento da família, “Ser apanhadora de flor é garantir
um ar puro para respirar, é ser guardião da biodiversidade”, ela afirma. A importância desse legado foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) com o selo de Sistema de Patrimônio Agrícola de Importância Global (GIAHS), dedicado a promover o reconhecimento de comunidades tradicionais que mantém
sua diversidade socioambiental, mesmo diante de cenários de conflitos.

 

 

Nas margens do Velho Chico, Cicero Ferreira de Lima, 64 anos, aprendeu desde a infância a manejar a terra em seu devido tempo com o furão, uma ferramenta pontiaguda feita de lasca de aroeira. Como vazanteiro , ele se guia pelo tempo das secas e das águas para cultivar frutos e legumes nos lameiros, áreas de vazantes dos rios, seja nas margens ou nas ilhas, com grande potencial produtivo para quem tem o conhecimento de como manejar. A tradição vazanteira que Cícero aprendeu com seu pai, além de promover a segurança alimentar, possibilita a vitalidade dos rios e suas margens.

 

 

Essa sabedoria que vê no meio ambiente uma forma de coexistência está presente nas regiões dos planaltos e serras do Espinhaço norte mineiro, no cotidiano do povo geraizeiro, representado em diversas obras literárias do escritor Guimarães Rosa. “O território geraizeiro é um lugar onde nós podemos colher todos os nossos frutos do cerrado: o pequi, o fruto de
leite, a mangaba, o rufão”, afirma a geraizeira Marlene Ribeiro. Ali, de acordo com ela, durante muito tempo não havia cercas, o gado era solto no pasto de uso comum. Embora essa não seja mais a realidade das comunidades diante de diversos impactos socioambientais, os geraizeiros seguem afirmando sua identidade reconhecendo as potências do seu modo de viver.

 

 

O povo quilombola mantém com o seu território uma relação ancestral de resistência que ecoa através dos rituais que ali ocorrem com cantos, batuques e também através da agricultura tradicional habilmente adaptada às condições de seus territórios com o uso das sementes crioulas. A quilombola Faustina Soares, 57 anos, liderança da Fazenda Picada, localizada no Quilombo do Gurutuba, aprendeu desde criança a dança dos batuques nas Folias de Santos Reis. Essa tradição foi repassada pela quilombola a suas filhas, pois ela acredita que esse gesto de alegria mobilizado em todo o território encontra na dança um caminho que une a comunidade e reafirma a importância da cultura negra.

 

 

Em diferentes localidades do estado mineiro, 14 nações indígenas vivem através de uma cultura tradicional que coexiste com a natureza, neste projeto participam os Tuxás e os Xakriabás. Domingas Xacriabá, 27 anos, relembra a importância do ritual do toré na Aldeia Caatinguinha, localizada no território Xacriabá em São João das Missões, no norte de Minas.
“De seis em seis meses, para participar da festa fazemos a saia da seda do buriti com as pessoas mais velha e a juventude”, afirma Domingas. Ela pontua a importância do ritual como uma forma de unir as mulheres da comunidade e de tornar viva a tradição indígena de geração a geração.

 

 

“Quando você está chegando perto da vereda aí você enxerga de longe os buritis, naquele lugar o mais importante é que existe água e que ali vivem comunidades, os veredeiros.” Essa fala do veredeiro Santino Lopes, da comunidade Água Doce, retoma um princípio que guia a
comunidade: preservar as veredas para que delas possa se ter uma forma de existência para a comunidade que ali vive. Através da biodiversidade desse território, esse povo ao longo de gerações mantém uma cultura tradicional que bebe de referência afro indígenas e nos revela
características singulares que abarca os saberes em torno das veredas e do cerrado, do extrativismo dos frutos e plantas medicinais, da agricultura tradicional, de folias e dança. Entre elas, a dança de São Gonçalo é um saber praticado apenas em comunidades de veredeiros. São doze passos que precisam ser dominados com maestria para realizar o gesto da dança.

 

 

“Em um período de poucas chuvas, as pessoas aqui tinham a batata do umbuzeiro para fazer farinhas”, relembra seu Geraldo, que vê nesse exemplo a realidade de como a caatinga oferece inúmeras possibilidades de usufruir da sua riqueza agroecológica. Desde os sete anos o caatingueiro Geraldo Gomes, 57 anos, aprendeu com o avô a importância de cultivar sementes crioulas. Essa tradição lhe possibilitou construir maior autonomia alimentar e a entender como esse bioma dispõe de um patrimônio da biodiversidade. Hoje, no banco de sementes comunitário, ele abriga um dos maiores acervos de sementes crioulas da região que
contribuem diretamente para que famílias catingueiras possam ter uma alimentação rica e adaptadas para as variações climáticas durante o ano. Para se ter uma ideia do potencial, o seu banco abriga só de feijão mais de 70 variedades.

Histórias dessa natureza são um legado geracional para a humanidade. Para salvaguardar e revelar essas histórias para outras pessoas, acreditamos na importância da construção de um museu dedicado a mostrar a pluralidade que envolve os modos de vida dos povos
tradicionais. Além dessa missão que norteia o Solar dos Sertões, nos dedicamos a construí-lo em formato físico e através de uma plataforma virtual a partir de conteúdos criados e curados pelos povos, com o objetivo de tornar os saberes tradicionais acessíveis ao público.

 

Com o objetivo de partilhar um olhar sobre

Callicebus personatus (Guigó-mascarado)

Callicebus personatus, (É. Geoffroy & Humboldt, 1812)

Nome(s) popular(es):

Guigó-mascarado; guigó; sauá; zogue-zogue.

Características físicas:

Pesam em média 1,3 kg, sendo que a fêmea é aproximadamente 50 g mais leve que o macho. O tamanho corporal do macho é cerca de 38,5 cm e o caudal de 51 cm. Já a fêmea tem 35,5 cm de corpo e 49 cm de cauda.

 

Testa, orelhas, garganta, coroa e face são totalmente negros e o restante do corpo e cauda uniformemente alaranjados ou castanho-amarelados. Mãos, pés e braços são enegrecidos.

Ecologia:

A espécie apresenta baixa tolerância a modificações e perturbações em seu ambiente. Sua dieta é predominantemente composta por frutos (55-81%), seguida por folhas (18-26%) e flores, brotos de bambu e pequenos artrópodes (1-22%).

 

Formam casais monogâmicos, isto é, permanecem com o mesmo parceiro ao longo de toda a vida. O macho provê do cuidado parental, onde carrega o filhote até o desmame. A gestação dura um período de 167 dias, aproximadamente, e a fêmea dá à luz a somente um filhote a cada início de estação chuvosa. São escassas as pesquisas relacionadas a esta espécie e mais trabalhos devem ser realizados para melhor elucidação de dados ecológicos e comportamentais.

Distribuição geográfica:

Endêmico ao Brasil, o Callicebus personatus ocorre no nordeste de Minas Gerais e centro e norte do Espírito Santo. Sua área de extensão é estimada em 93.453 km² e infere-se que sua área de ocupação seja superior a 2.000 km². No bioma Mata Atlântica, faz uso tanto de florestas primárias, quanto de florestas secundárias, em elevações próximas ao nível do mar e, também é visto em áreas de Cerrado. Seu home range (área de vida) é de aproximadamente 11 hectares e é visto frequentemente utilizando os dosséis das florestas.

Status de conservação e Ameaças:

“Vulnerável” (VU): segundo a IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza). Com distribuição relativamente limitada, o guigó-mascarado habita uma das regiões mais povoadas do país, dificultando sua preservação. A conversão de áreas florestadas em agricultura, pecuária, expansão urbana e rodovias, estão levando a um intenso desmatamento, gerando uma contínua perda e fragmentação de habitats para a espécie. Com isso, as populações de primatas estão reduzindo e se isolando cada vez mais.

Referências:

Byrne, H., Rylands, A. B., Carneiro, J. C., Alfaro, J. W. L., Bertuol, F., Da Silva, M. N. & Hrbek, T. 2016. Phylogenetic relationships of the New World titi monkeys (Callicebus): first appraisal of taxonomy based on molecular evidence. Frontiers in Zoology13(1), 10.

 

Chiarello, A.G. & de Melo, F.R. 2001. Primate population densities and sizes in Atlantic forest remnants of northern Espirito Santo, Brazil. International Journal of Primatology, 22: 379-396.

 

Kinzey, W.G. & Becker, M. 1983. Activity pattern of the masked titi monkey, Callicebus personatus. Primates, 24(3): 337-343.

 

Melo, F.R. & Rylands, A.B. 2008. Callicebus personatus (Geoffroy, 1812). p. 774-775. In: Machado, A.B.M.; Drummond, G.M. & Paglia, A.P. (Eds.). Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção – Vol. II. Ministério do Meio Ambiente e Fundação Biodiversitas. 907p.

 

Price, E.C. & Piedade, H.M. 2001. Diet of northern masked titi monkeys (Callicebus personatus). Folia Primatologica, 72: 335-338.

 

Price, E.C.; Piedade, H.M. & Wormell, D. 2002. Population densities of Primates in a Brazilian Atlantic Forest. Folia Primatologica, 73: 54-56.

 

Printes, R.C.; Jerusalinsky, L.; Sousa, M.C.; Rodrigues, L.R.R. & Hirsch, A. 2013. Zoogeography, genetic variation and conservation of the Callicebus personatus group. Pp. 43-50. In: Veiga, L.M.; Barnett, A.; Ferrari, S.F. & Norconk, M. (eds.). Evolutionary biology and conservation of titis, sakis, and uacaris. Cambridge University Press. 397p.

 

Veiga, L.M.; Kierulff, C.M.; Oliveira, M.M. & Mendes, S.L. 2008. Callicebus nigrifrons. In: IUCN Red List of Threatened Species, Version 2011.2. www.iucnredlist.org. (Acesso em 18/12/2020).

Callicebus nigrifons (Guigó-de-frente-negra)

Callicebus nigrifons, (Spix, 1823)

Nome(s) popular(es):

Guigó-de-frente-negra; guigó; sauá; zogue-zogue.

Características físicas:

A fêmea, em geral, é maior em tamanho em relação ao macho. O tamanho corporal da fêmea mede cerca de 35 cm de comprimento, e 49,5 cm de cauda, já o macho apresenta um comprimento corporal de 34,5 cm e caudal de 46,5 cm. Pesam, em média, 1,3 kg.

Possuem uma máscara negra que se destaca do restante do corpo. Testa, orelhas, queixo e face são de coloração negra. Peito, garganta e laterais do corpo são castanho-claros acinzentados, enquanto os pés e as mãos são negros. Sua cauda é de cor alaranjada ou castanho-alaranjada.

Ecologia:

O guigó-de-frente-negra é uma espécie arborícola, com preferência para as áreas de sub-bosque e possui hábitos diurnos. Uma das mais ativas espécies do grupo personatus, sua área de vida varia de 21 a 49 hectares. Quase a metade do tempo de atividade é gasto em forrageio e alimentação (47%), enquanto 21% do tempo é dedicado ao descanso. Sua dieta é composta por frutos na maior parte das vezes (46-64%), seguida de folhas (5-33%), flores (11-24%), invertebrados e vertebrados (3-10%).

 

O macho provê dos cuidados parentais do filhote até o desmame. Os Callicebus nigrifons são animais monogâmicos e vivem com o mesmo par a vida inteira. A gestação tem uma duração de cinco a seis meses e o filhote nasce entre os meses de outubro a janeiro.

Distribuição geográfica:

O guigó-de-frente-negra (Callicebus nigrifons) ocorre nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, o que significa que é endêmico ao Brasil. Dentre as espécies do grupo personatus, é o que possui maior distribuição geográfica. A sua área de ocorrência é de aproximadamente 442.679,4 km² e infere-se que sua área de ocupação seja maior que 2.000 km². A espécie habita florestas atlânticas primárias e secundárias a cerca de 1000 m de altitude, próximo ao nível do mar, além de áreas de Cerrado.

Status de conservação e Ameaças:

“Quase ameaçada” (NT): segundo a IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza). Apesar da ampla distribuição, esta espécie ocorre na região mais populosa do Brasil, o que resulta em uma grande ameaça devido a perda de habitat, desmatamentos e fragmentação, dificultando a conservação da espécie. Um declínio populacional da espécie vem ocorrendo resultante da monocultura de eucalipto, desmatamento, pecuária, agricultura, queimadas e incêndios florestais.

Referências:

Byrne, H., Rylands, A.B., Carneiro, J.C. et al. Phylogenetic relationships of the New World titi monkeys (Callicebus): first appraisal of taxonomy based on molecular evidence. Front Zool 13, 10 (2016). https://doi.org/10.1186/s12983-016-0142-4

 

Franco, E.S. 2006. Caracterização da dieta e competição alimentar de Callicebus nigrifrons Spix, 1823 (Primates: Pitheciidae). Monografia (Graduação em Ciências Biológicas). Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix – Minas Gerais.

 

IUCN/SSC Neotropical Primates Species Assessment Workshop (Red List). 2007. Oficina realizada em novembro de 2007 em Orlando, Florida, Estados Unidos.

 

Printes, R.C.; Jerusalinsky, L.; Sousa, M.C.; Rodrigues, L.R.R. & Hirsch, A. 2013. Zoogeography, genetic variation and conservation of the Callicebus personatus group. Pp. 43-50. In: Veiga, L.M.; Barnett, A.; Ferrari, S.F. & Norconk, M. (eds.). Evolutionary biology and conservation of titis, sakis, and uacaris. Cambridge University Press. 397p.

 

Rylands, A.B. 2012. Taxonomy of the Neotropical Primates – database. International Union for Conservation of Nature (IUCN), Species Survival Commission (SSC), Primate Specialist Group, IUCN, Gland.

 

Souza, S.B.; Martins, M.M. & Setz, E.Z.F. 1996. Activity pattern and feeding ecology of sympatric masked titi monkeys and buffy tufted-ear marmosets. Resumo 155. In: XVIth Congress of the International Primatological Society/ XIXth Conference of the American Society of Primatologists. Anais do… IPS e ASP, Estados Unidos.

 

Van Roosmalen, M.G.M.; Van Roosmalen, T. & Mittermeier, R.A. 2002. A taxonomic review of the titi monkeys, genus Callicebus Thomas, 1903, with the description of two new species, Callicebus bernhardi and Callicebus stephennashi, from Brazilian Amazonia. Neotropical Primates, 10(suppl.): 1-52.

 

Veiga, L.M.; Kierulff, C.M.; Oliveira, M.M. & Mendes, S.L. 2008. Callicebus nigrifrons. In: IUCN Red List of Threatened Species, Version 2011.2. www.iucnredlist.org. (Acesso em 18/12/2020).