A líder quilombola Dona Dijê coordena grupo de quebradeiras de babaçu

 

Nós, Museu do Cerrado, sentimos a perda da Dona Dijé que foi um exemplo de garra, persistência e ternura. Que cada um de nós possamos continuar com o seu legado. 14/09/2018

Dia do Cerrado é celebrado com posse do Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais

O dia em que se comemora o Dia Nacional do Cerrado, 11 de setembro, foi marcado por uma importante conquista para aqueles e aquelas que lutam pela conservação da savana mais biodiversa do planeta: foi empossado, em Brasília, o Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais.

Instituído pelo Decreto nº 8.750, de 9 de maio de 2016, o Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), que até então não havia sido empossado oficialmente pelo Governo Federal, é fruto de forte mobilização dos povos e das comunidades tradicionais de todo o Brasil.

“A gente sonhou tanto tempo com este momento e hoje agradeço por estar acordada vivendo este grande dia”, afirma a quebradeira de coco dona Maria de Jesus Bringelo, conhecida como Dona Dijé, uma das principais líderes do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), que integra o Conselho.

Composto por 29 segmentos de povos e comunidades tradicionais e 15 representações no Governo Federal, o Conselho tem o propósito de promover o desenvolvimento sustentável dos povos e comunidades tradicionais para garantir direitos e políticas de natureza territorial, socioambiental, econômica e cultural.

De acordo com a Rede Cerrado, a posse representa uma grande conquista para todos os segmentos. Isso porque a atuação do Conselho é essencial para a implementação efetiva da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável de Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT), que é uma das ferramentas fundamentais de combate ao estado de violência e violação de direitos pelos quais muitos povos e comunidades tradicionais passam de norte a sul do país.

Escolhida para ser a presidenta do Conselho, Cláudia Regina Sala de Pinho, da Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneiras, fala sobre a importância desse acontecimento:

“É a esperança que temos de continuidade, de estarmos juntos discutindo políticas públicas e dando visibilidade e voz aos povos e comunidades tradicionais.”

Os PCTs somam aproximadamente cinco milhões de brasileiros, que ocupam um quarto do território nacional, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Eles são considerados os guardiões da biodiversidade brasileira, uma vez que seus modos de vida se dão em equilíbrio com a preservação dos recursos naturais.

De acordo com o Serviço Florestal Brasileiro, de 75% a 79% da área registrada por todas as comunidades do país está coberta de vegetação nativa, muito acima do requerido por lei. Além disso, os PCTs expressam a diversidade cultural e identitária que marcam a conformação da sociedade brasileira.

No início de julho de 2018, ActionAid e Articulação Rosalino Gomes participaram do “I Seminário Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais Protagonistas da sua História”, que foi sediado pelo MIQCB, em quilombo localizado na região central do Maranhão. Na ocasião, cerca de 200 pessoas se reuniram por três dias, exatamente para avaliar a política nacional e cobrar das autoridades a implementação de pontos nos quais ainda falta avançar.

* Com informações da Rede Cerrado

Erika Azevedo

E-mail: erika.azevedo@actionaid.org

PROGRAMAS DO GOVERNO GERAM EMPREGO E RENDA PARA AGRICULTURA FAMILIAR NA REGIÃO DO CERRADO

Segunda-feira, 03 de Setembro de 2018

PROGRAMAS DO GOVERNO GERAM EMPREGO E RENDA PARA AGRICULTURA FAMILIAR NA REGIÃO DO CERRADO

O Programa de Aquisição de Alimentos – PAA começou em 2003 e permitiu que o município comprasse produtos da Agricultura Familiar para serem distribuídos nas escolas municipais, mas só em 2011 que o município conseguiu participar. No ano de 2017 só foi possível utilizar apenas 30% da verba, porque houve problemas administrativos na Cooperativa que nos atende, mas graças a ação de um funcionário da Secretaria Municipal de Educação foi possível utilizar essa “sobra” do ano passado para ser utilizada agora em 2018, sendo possível já no primeiro semestre a compra de metade desses 30%, em torno de 17%. Como em 2017 iniciou um resgate dos frutos do cerrado, esse ano já foi adquirido produtos como: jatobá, barú, pequi, etc, foram feitos experimentos junto com alunos para resgatar a cultura e o uso dos produtos nativos, a turma do 5º ano do Colégio Municipal Zeca de Faria, acompanhados pela nutricionista Cláudia Lulkin os alunos escreveram um livro onde resgataram o conhecimento antigo e houve até a descoberta da extração da amêndoa do pequi, ensinada pela avó de um dos alunos.

O foco desse programa é a geração do emprego e renda das famílias da agricultura familiar, a forma de contratação é através de Chamada Pública, que nos últimos anos teve a COOPER Frutos do Paraíso como ganhadora, que já passou por alguns problemas e teve que mudar sua estrutura, para poder atender as exigências do governo. Desde a saída da ex-presidente foi cortado o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA, no entanto o Estado de Goiás manteve uma pequena cota, e através dessa cota o município conseguiu ganhar R$ 100.000,00 (cem mil reais), onde ficou em primeiro lugar junto com outros seis municípios de um total de 52 inscritos, o projeto que pontuava o coletivo prestigia 14 mulheres do Assentamento Sílvio Rodrigues que recebem o valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais) para fornecerem alimentos in natura para as escolas municipais e conveniadas.

Além do PAA também tem o Programa Nacional de Alimentação nas Escolas – PNAE, um programa mais recente que o PAA e conta com uma participação maior da Secretaria Municipal de Educação, cabendo a ela fazer o controle do produto recebido e sua destinação.

Em 2010 a EMATER ofereceu um curso onde as cooperativas puderam entender mais o processo burocrático para participarem do PNAE e PAA. Com as informações a COOPER Frutos fez diversas mudanças, inclusive no seu estatuto para poder então se adequar. Em 2011 fizeram o primeiro projeto no valor de R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais) e conseguiram a participação de quatro municípios, mas cada vez mais outros municípios demonstravam interesse em participar e com a junção de mais municípios escreveram outro projeto mas agora no valor de R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinquenta mil reais), e esse projeto foram necessário aproximadamente quatro anos para conseguirem finalizá-lo em 2014, essa demora toda deu-se pela falta de acessoa tecnologia que temos hoje. Logo a Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB, percebeu que existia uma mobilização séria e forte e liberou outro projeto, mas agora no valor de dois milhões de reais, para atender a demanda a COOPER Frutos “correu atrás” e conseguiu, dessa vez, a participação de 192 cooperados de quatro municípios, o projeto teve o valor final de um milhão cento e noventa e dois mil reais, aumentando o valor do repasse para cada agricultor para R$ 6.500,00, dois mil a mais do que no projeto anterior, esse projeto foi finalizado em maio de 2015, e foi um sucesso, toda a demanda foi atendida e foi entregue aproximadamente meia tonelada de alimentos. Vale relembrar que em alguns municípios, pela falta de estrutura e verba, os alimentos eram entregues nas escolas de carrinho de mão, já hoje eles tem dois carros para fazerem a entregue. Isso mostra como que esses projetos realmente beneficiam e melhoram a renda dessas famílias, Esse casal que entregava os produtos de carrinho de mão hoje tem carro e vendem jaca seca por toda a região.

Em 2011 começou o Programa de Alimentação nas Escolas – PNAE em Alto Paraíso, mas pela burocracia que exigia até um mandato jurídico, mais uma vez a cooperativa a correr contra o tempo para se regularizar e, dessa vez, pedir que o produtor também se regularizasse. Para participar do PNAE o agricultor precisa ter a Declaração de Aptidão do PRONAF – DAP, ou seja, o agricultor consegue ter empréstimos para melhorar sua condição de produção o DAP é a identidade do agricultor, dessa forma, a cooperativa, para escrever o projeto juntou os produtores informais e os formalizou para que pudessem entrar na cooperativa, foi necessário também fazer o certificado digital para emissão das notas fiscais. Infelizmente em 2015 o PAA foi cancelado e não havia dinheiro para ser repassado para a cooperativa e a mesma, que não tinha grande caixa acabou tendo problemas porque também não tinha como passar qualquer valor para as famílias, o PNAE continuou mas o cancelamento do PAA trouxe problemas administrativos e a cooperativa ficou quase que desativada.

Em 2018, em abril, Sinomar Machado de Carvalho assumiu a presidência da COOPER Frutos que estava sem diretoria, e logo que entrou já participou da chamada pública do PNAE que tem como uma das exigências um profissional nutricionista cadastrado na Secretaria Municipal de Educação, sem esse profissional o município não pode participar do PNAE. Em maio já iniciou a entrega, com alguma dificuldade pelo tempo em que ficaram parados, mas ainda sim foi possível entregar 50% do projeto em apenas dois meses, em maio e junho de 2018 foram entregues um total de R$ 17.000,00 (dezessete mil reais) em alimentos de um projeto no valor de R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil).

O PNAE, apesar de muito burocrático, passou por alguns ajustes que facilitaram a entregue dos alimentos, antigamente era necessário descrever qual produtor entregaria determinado produto e hoje apenas informa-se os produtores e os produtos que serão entregues, permitindo uma flexibilidade inclusive na substituição dos produtos, lógico que acompanhado pela nutricionista, mas que permitam que sempre sejam entregues produtos para as escolas, não deixando acontecer um desfalque.

Vale lembrar a importância do município ter o Serviço de Inspeção Municipal, lei que já existe no município desde 2014, mas agora em 2018 viu-se a necessidade de regularizar e colocar em prática o SIM Artesanal, que visa regularizar o pequeno produtor e ampliar ainda mais a quantidade de agricultores que poderão participar da cooperativa.

A importância do trabalho humano feito na cooperativa e os demais funcionários e servidores da Secretaria Municipal de Educação é o que fez a diferença e conseguiu com isso colocar Alto Paraíso em 1º lugar para receber o repasse para o Programa de Aquisição de Alimentos, sem o trabalho humano que faz o profissional ir muito além do que foi contratado é o que fez e faz a diferença.

Encerramos então parabenizando todos os envolvidos por fazerem além visando um crescimento para o município que escolheram viver e garantindo geração de emprego e renda para as famílias de assentamentos e com muito carinho levando alimentos de qualidade para todas as crianças e jovens das escolas municipais.

https://www.altoparaiso.go.gov.br/Noticia_Media.php?ID=1084

Estratégias Políticas para o Cerrado

Ato será realizado na próxima terça-feira, dia 4 de setembro, no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), a partir das 13h.

No mês em que se celebra o Dia Nacional do Cerrado, organizações da sociedade civil lançarão o documento “Estratégias Políticas para o Cerrado”, com 27 recomendações em defesa do Bioma, seus povos e comunidades tradicionais, que serão entregues aos candidatos à Presidência da República e parlamentares. O ato, organizado em parceria com a Frente Parlamentar Ambientalista, será realizado na próxima terça-feira, dia 4 de setembro, às 13h, no Salão Verde da Câmara dos Deputados em Brasília.

A agenda propositiva para o Cerrado está organizada em três eixos estratégicos, com políticas e ações para conservação e uso sustentável da biodiversidade, redução do desmatamento e promoção do agroextrativismo.

Dentre as recomendações do documento estão:

– aprovar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que coloca o Cerrado e a Caatinga como patrimônios nacionais e alcançar a meta de proteger pelo menos 17% do bioma, compromisso assumido na Conferência da Biodiversidade de Aichii;

– zerar o desmatamento, seja ilegal ou ilegal, até 2020, revisando a meta de redução dada pela Política Nacional de Mudanças climáticas;

– garantir a presença e modos de vida dos povos indígenas e de povos e comunidades tradicionais no Cerrado que são fundamentais para a conservação e a manutenção dos serviços ecossistêmicos;

– superar entraves regulatórios que a produção e a comercialização de produtos da sociobiodiversidade enfrentam nos campos sanitário, fiscal e ambiental.

As 27 recomendações foram organizadas pelas seguintes organizações da sociedade civil: Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Instituto Socioambiental (ISA), Rede Cerrado e WWF-Brasil.

As propostas são resultados de consultas interinstitucionais, incluindo a realização de um Seminário no âmbito da Câmara dos Deputados e uma oficina de trabalho. Nessa oportunidade, além das organizações realizadoras, outras 13 organizações da sociedade civil e da academia colaboraram com o processo, tendo participado da oficina de trabalho, sendo elas: ActionAid, Associação dos Advogados dos Trabalhadores Rurais (AATR), Associação do Desenvolvimento Solidário e Sustentável (Ades) – 10envolvimento, Associação WytyCatë dos Povos Timbira do Maranhão e Tocantins, Associação Terra Indígena do Xingu (Atix), Centro de Inteligência Territorial/UFMG, Comissão Pastoral da Terra (CPT-Mato Grosso), Conservação Internacional (CI), Federação dos Povos Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT), Greenpeace, Iniciativa Verde, Observatório do Código Florestal (OCF) e Pesquisa e Conservação do Cerrado (Pequi).

O Cerrado brasileiro

Conhecido como o “berço das águas” ou a “caixa d’água do Brasil”, o Cerrado abriga oito das doze regiões hidrográficas brasileiras e abastece seis das oito grandes bacias hidrográficas do país (Amazônica, Araguaia/Tocantins, Atlântico Norte/Nordeste, São Francisco, Atlântico Leste e Paraná/Paraguai). Ele ocupa 24% do território nacional e concentra 5% de toda a biodiversidade do mundo. Presente nos estados de Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, São Paulo, Paraná, Rondônia, além do Distrito Federal, abriga mais de 1.300 municípios onde vivem cerca de 25 milhões de pessoas.

Mesmo com essa relevância para a manutenção dos ecossistemas, o Cerrado está sendo rapidamente substituído por extensas áreas de monoculturas e pecuária. A devastação da cobertura vegetal do Bioma, fundamental para garantir os fluxos hídricos entre as diversas regiões do Brasil, chegou a 50%, segundo os dados mais recentes do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Ou seja, metade do Cerrado já não existe mais e isso compromete nascentes, rios, riachos e seus povos. Crises hídricas, como as que vêm afetando várias regiões do país, estão relacionadas com essa devastação, uma vez que o Cerrado é o responsável por transportar a umidade e o vapor d’água da bacia amazônica para as regiões Sul e Sudeste do Brasil, permitindo a regularidade do regime de chuvas.

Ainda de acordo com dados do MMA, mais de 14 mil quilômetros quadrados do Bioma foram desmatados entre 2016 e 2017, o equivalente a 1,4 milhão de campos de futebol. Políticas de proteção ambiental focadas somente em alguns biomas, como a Amazônia, o Pantanal e a Mata Atlântica, e brechas na legislação, principalmente no Código Florestal, contribuíram, por exemplo, para que o desmatamento do Cerrado superasse, em proporção, o amazônico. Segundo dados do MapBiomas, o Cerrado é o segundo bioma que mais perdeu vegetação nativa de 1985 a 2017, e a maior expansão agropecuária nesses anos se deu na Amazônia (35.9 Mha), seguido pelo Cerrado (21 Mha).

Povos e comunidades tradicionais

Não é só o meio ambiente que vem sofrendo com esta realidade. Povos e comunidades tradicionais, além de agricultores familiares, também são alvos de grandes pressões e têm, constantemente, seus modos de vida ameaçados.

São mais de 80 etnias indígenas que vivem no Cerrado, além de quilombolas, extrativistas, geraizeiros, vazanteiros, quebradeiras de coco, pescadores artesanais, fundo e fecho de pasto, veredeiros, caatingueiros e apanhadores de flores sempre-vivas. Esses povos de cultura ancestral têm em seus modos de vida importantes aliados na conservação dos ecossistemas, pois formam paisagens produtivas que proporcionam a continuidade dos serviços ambientais prestados pelo Cerrado, como a manutenção da biodiversidade e dos ciclos hidrológicos.


Saiba mais em: http://redecerrado.org.br/propostas-para-a-conservacao-do-cerrado-e-seus-povos-serao-entregues-a-presidenciaveis/

Dia Nacional do Cerrado

Evento em comemoração ao Dia Nacional do Cerrado, a savana brasileira com maior biodiversidade no mundo, que exerce a função de berço das águas, nascentes do Brasil.

O Dia Nacional do Cerrado, 11 de setembro, ocorrerá no auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados – Anexo II, com a intenção de demonstrar a importância do Cerrado para o Brasil e para o mundo, destacando os temas: recursos hídricos, biodiversidade, importância do bioma nas mudanças climáticas e produção consciente, outro ponto abordado é a grande riqueza natural e cultural, além das ameaças e desafios do bioma brasileiro.
O evento contará com apresentações culturais, palestras, debates, exposições, degustações de alimentos do Cerrado, entre outros.

O evento é gratuito e aberto ao público.

Instituto começa projeto para atualizar mapa dos biomas brasileiros

 

Última Atualização: 03/07/2018 17:10:27

Instituto começa projeto para atualizar mapa dos biomas brasileiros

Editoria: Geociências | Subeditoria: IBGE em campo

A partir desta semana, o IBGE está em campo para atualizar o mapeamento dos biomas brasileiros, com atenção especial às áreas em que eles se encontram. O projeto visa à criação de um mapa dos biomas na escala cartográfica de 1:250.000 (1cm = 2,5 km). O mapa atual, publicado em 2004, tem escala de 1:5.000.000 (1 cm = 50 km). O Brasil tem seis biomas: a Amazônia, o Cerrado, a Mata Atlântica, a Caatinga, o Pampa e o Pantanal.

Mapa dos biomas. As áreas marcadas serão visitadas no trabalho de campo

Serão cinco meses de viagens a diferentes regiões do país, percorrendo distâncias que variam de 2.000 km na Mata Atlântica (área de contato do Cerrado com a Floresta), em Goiás, até 5.000 km na Mata Seca (encontro do Cerrado com a Caatinga), na Bahia. O projeto apresenta alguns desafios, como o tricontato, região de Minas Gerais próxima da fronteira com a Bahia, onde se encontram os limites entre Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. 

Detalhe do mapa dos biomas mostrando o limite do tricontato

Este mês, a equipe está no Pantanal. “Apesar de ter vegetação típica de Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, o Bioma Pantanal tem limites mais precisos, definidos pelas áreas sujeitas a inundações”, explicou o gerente do Mapeamento de Recursos Naturais do IBGE, Therence de Sarti, acrescentando: “os limites entre os outros biomas apresentam áreas de transição cuja vegetação tem características comuns a ambos”.

O projeto está previsto para terminar em agosto. Durante esse período, a equipe compartilhará fotos e vídeos pelo perfil do IBGE no Facebook, no Instagram e no Twitter.

Repórter: Eduardo Peret
Imagem: Rosângela Botelho
Arte: Helena Pontes

Fonte: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/20784-instituto-comeca-projeto-para-atualizar-mapa-dos-biomas-brasileiros.html

Mosaico Sertão Veredas Peruaçu é ampliado e passa a ser um dos maiores do Cerrado

 

Mosaico Sertão Veredas Peruaçu é ampliado e passa a ser um dos maiores do Cerrado

10 Julho 2018   

Por Letícia Campos

O Mosaico Sertão Veredas Peruaçu, localizado no norte de Minas Gerais e sudoeste da Bahia, foi ampliado de 1.8 milhão de hectares para mais de 3 milhões de hectares. A inclusão de dez unidades de conservação no Mosaico, que agora passam a integrar às 15 UCs já existentes, somando um total de 25 áreas protegidas, ocorreu na última quinta-feira (05), três meses após a proposta ser apresentada para a Câmara Técnica de Gestão Integrada das unidades do MSVP, em que o WWF-Brasil faz parte da coordenação.

O conselho consultivo do MSVP aprovou, por unanimidade, o pedido de ampliação do mosaico. Esse é um grande passo para o planejamento e execução de ações conjuntas na prevenção ao desmatamento e maior desempenho das ações de conservação de um dos maiores remanescentes de Cerrado.

De acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), os mosaicos de áreas protegidas são instrumentos de gestão e ordenamento territorial que têm por finalidade a conservação da biodiversidade por meio da integração entre as unidades de conservação e demais áreas protegidas de um determinado território.

Roberto Marcine, gestor da Reserva Biológica do Jaíba, acredita que a entrada das seis unidades do Sistema de Áreas Protegidas do Jaíba no Mosaico “possibilitará um trabalho conjunto dos gestores, sociedade civil e órgãos públicos do território para alcançar uma maior efetividade na gestão dessas UCs e promoção da sustentabilidade numa região com grande importância biológica e sociocultural”.

O território faz parte da região dos Gerais, imortalizada por Guimarães Rosa, em que a diversidade ambiental, que abriga espécies endêmicas da fauna e flora do Cerrado, convive com a riqueza cultural dos povos tradicionais, mas tem sido alvo de desmatamento, queimadas e devastação.

Um forte alerta foi dado em 2017 pelo mapeamento do uso do solo, que apontou que a região do Mosaico está ocupada com 37% de atividade agropecuária, o que retoma o debate sobre a importância da abordagem regional na gestão de unidades de conservação. 

Kolbe Soares, analista de conservação do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil, conta que o Mosaico Sertão Veredas Peruaçu foi um dos primeiros a ser criado no bioma Cerrado e que inclui praticamente todas as modalidades de unidades de conservação previstas no SNUC, além de Terras Indígenas e quilombolas.

“É uma realidade complexa.  E as estratégias de gestão considerando mosaicos de áreas protegidas se mostram atuais e efetivas para uma ação integrada para a proteção de áreas naturais. Estou otimista por ver as instâncias ligadas à governança e gestão dessas unidades de conservação – no caso o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Estadual de Florestas (IEF), Prefeituras Municipais de Uruana de Minas e de Mambaí, em Goiás, – atuando junto ao Mosaico, pois poderá refletir em um ganho ainda maior na troca de experiências e gestão integrada e participativa”, declarou.

Relevância Ecológica e Social

Nesse cenário, palco do Grande Sertão: Veredas, a marcante paisagem de buritizais e águas são habitat para grandes mamíferos, répteis, anfíbios, variadas espécies de avifauna e mais de 150 tipos diferentes de árvores típicas dos três importantes biomas presentes na área do Mosaico – o Cerrado, a Caatinga e a floresta estacional ou Mata Seca –, muitas delas ameaçadas de extinção. Nessa região também estão localizadas as cavernas do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu e sob a qual encontra-se o aquífero Urucuia, um dos maiores reservatórios de água subterrânea do país. A região abriga vária nascentes e recebe as águas do Rio Peruaçu e do Rio Carinhanha, que contribui com 20% da vazão do Rio São Francisco.

Esse mosaico de ecossistemas representa uma área chave para conservação não somente dos recursos naturais, mas da integridade de uma cultura tradicional, em que comunidades tracionais e indígenas dedicam sua vida para o extrativismo sustentável das árvores frutíferas. Todos trabalhando de forma organizada em três cooperativas, com o apoio do WWF-Brasil e parceiros, com um único objetivo comum: manter as matas e rios, fartos e produtivos, para que possam continuar a viver ali, na mesma terra e da mesma forma que aprenderam com os seus antepassados.

Veja a lista das UCs que entraram no Mosaico:
 

Unidade de ConservaçãoÁrea em hectaresEstados
 
Refúgio Federal de Vida Silvestre do Oeste Baiano128.048,99BA
APA Federal das Nascentes do Rio Vermelho173.324,33GO
Parque Natural Municipal do Pequi2.200,00GO
APA Municipal de Uruana de Minas30.158,00MG
Reserva Biológica Estadual Serra Azul7.285,00MG
Reserva Biológica Estadual do Jaíba6.358,00MG
APA Estadual Lajedão12.000,00MG
APA Estadual Serra do Sabonetal82.500,00MG
Parque Estadual Verde Grande25.570,00MG
Parque Estadual Lagoa do Cajueiro20.500,00MG

WWF-Brasil no Mosaico
 

O WWF-Brasil atua na região do Mosaico Sertão Veredas Peruaçu por meio do Projeto Sertões, desde 2010, e mais recentemente, com apoio do Fundo CEPF (Critical Ecosystem Partnership Fund) nas ações focadas no incentivo à implementação e gestão integrada das unidades de conservação; fortalecimento da cadeia produtiva dos frutos do Cerrado; à comunicação, visando a valorização e o resgate do Cerrado e o planejamento territorial, que visa o planejamento sistemático da conservação no bioma Cerrado.

https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/areas_prioritarias/cerrado/noticias/?66542/Mosaico-Serto-Veredas-Peruau–ampliado-e-passa-a-ser-um-dos-maiores-do-Cerrado

Edital de Seleção Pública nº 2018/010 – Recupera Cerrado

A Fundação Banco do Brasil lançou edital para apoiar projetos de recomposição da vegetação nativa em áreas degradadas no Distrito Federal. Os projetos devem ter como objetivo beneficiar proprietários de imóveis rurais, preferencialmente agricultores familiares, assentados da reforma agrária, povos e comunidades tradicionais e indígenas; e suas organizações.

Entidades sem fins lucrativos, legalmente constituídas a pelo menos 2 (dois) anos são elegíveis para submeter propostas na chamada e candidatar-se ao apoio de até R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Os projetos deverão ser executados nas bacias do rio São Bartolomeu e/ou do rio Descoberto.

Para se inscrever é preciso apresentar o projeto conforme modelo de proposta anexado no edital e enviar toda a documentação para o endereço da Comissão de Seleção em Brasília.

Site: https://fbb.org.br/pt-br/recuperacerrado

Edital de Seleção Pública nº 2018/010 – Recupera Cerrado

Anexo I Apresentação da Documentação

Anexo II Modelo de Proposta e Apêndices

Anexo III Critérios de Seleção

Anexo IV Minuta Padrão COM Adiantamento

Anexo IV Minuta Padrão SEM Adiantamento

Anexo V Modelo de Relatório Parcial de Execução

Petição pede transformação do Cerrado e da Caatinga em Patrimônio Nacional

No Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, organizada por mais de 50 instituições de todo o Brasil, lança o abaixo-assinado pela aprovação da PEC 504/2010. Atualmente, segundo a Constituição, são patrimônios nacionais a Amazônia, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal e a Zona Costeira.

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                                                                                                                  Foto: Eaneas Silva / Coletivo de Comunicadores do Cerrado

O Cerrado ocupa um quarto do território nacional e está localizado no coração do Brasil, abrangendo 13 estados. Apesar de sua importância para o equilíbrio ambiental, o Cerrado tem sido destruído nas últimas décadas para a expansão do agronegócio e grandes empreendimentos e mais de 50% da sua vegetação já foi desmatada. A Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, abriga uma diversidade de espécies ainda pouco conhecida por grande parte da população. Atualmente 46% de vegetação nativa da Caatinga foi devastada.

A legislação brasileira não garante plena proteção ao Cerrado, que possui a menor porcentagem de áreas sobre proteção integral (3%). Já a Caatinga possui somente 7% de seu território em áreas de proteção integral. Para fins de comparação, a Amazônia tem 50% do seu território protegido. Na semana passada aconteceu uma audiência pública sobre o tema na Câmara dos Deputados para discutir o impacto dessa realidade nas áreas urbanas.

A destruição desses biomas, em especial do Cerrado, impacta diretamente na questão hídrica. Diferentes estudos da Universidade de Goiás, da Universidade de Brasília, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e da Brown University (publicada na revista científica Global Change Biology, em 2016) apontam que o desmatamento no Cerrado é uma das causas para a crise de abastecimento de água potável que assolou diferentes estados do país. Isso porque o bioma é considerado o berço das águas: é no Cerrado onde estão localizados os três grandes aquíferos que abastecem boa parte do país: Guarani, Urucuia e Bambuí. A água que vai para a torneira dos brasileiros tem grande chance de ser do Cerrado.

Para a matéria completa, clique aqui.

Junte-se aos povos do Cerrado e da Caatinga na defesa da água e da vida! Assine a petição pública que exige que o Cerrado e a Caatinga sejam Patrimônio Nacional!

https://www.change.org/p/junte-se-a-mim-na-defesa-do-cerrado-e-da-caatinga