Desapocadas: concepções de beleza e conhecimentos tradicionais de mulheres quilombolas do Puris- MG

Desapocadas: concepções de beleza e conhecimentos tradicionais de mulheres quilombolas do Puris- MG

Autor(a):

Sirlene Barbosa Corrêa Passold

Resumo:

A dissertação busca compreender como as mulheres quilombolas do Puris constroem representações acerca da beleza, relacionando essas concepções com os conhecimentos tradicionais relativos ao embelezamento e cuidados com o corpo feminino nesta comunidade. O ponto de partida para a análise é a categoria “desapocada”, formulada pelas mulheres do Puris como designação da característica fundamental para a beleza feminina. Inicialmente, apresenta uma historicização dos processos de territorialidade e identidade do Quilombo Puris, pensando esses processos desde o tempo dos antigos até os dias de hoje. Em seguida, a partir da análise de relatos orais, diversos elementos são problematizados: as interseccionalidades que constituem a identidade dessas mulheres; as interlocuções possíveis com as representações ocidentais sobre a beleza negra; algumas histórias de vida e as concepções de beleza formuladas por essas mulheres; os conhecimentos tradicionais relativos à estética negra; as ressignificações em torno do lenço e turbante, bem como, das vestimentas, desde o algodão produzido até o uso da chita. Por fim, como sinalização de um exercício epistemológico, a autora constrói uma narrativa em que reflete sobre a sua história de vida ao relacionar os conhecimentos aprendidos tradicionalmente e aqueles que exercitou na universidade, durante a experiência do mestrado. 

Referência:

PASSOLD, Sirlene Barbosa Corrêa. Desapocadas: concepções de beleza e conhecimentos tradicionais de mulheres quilombolas do Puris- MG. 2017. 147 f., il. Dissertação (Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.

Disponível em:

Sustentabilidade e processos de reconstrução identitária entre o povo indígena Kinikinau (Koinukunôen) em Mato Grosso do Sul

Sustentabilidade e processos de reconstrução identitária entre o povo indígena Kinikinau (Koinukunôen) em Mato Grosso do Sul

Autor(a):

Rosaldo de Albuquerque Souza

Resumo:

O povo indígena Kinikinau, do tronco linguístico Aruak, tem os primeiros registros históricos de sua existência no Chaco paraguaio. Por causa de perseguições por parte daqueles que os consideravam “selvagens”, migraram para o atual território brasileiro ainda na segunda metade do século XVII. O primeiro local a se instalarem foi nas proximidades do município sul mato-grossense de Miranda e, em seguida, se deslocaram até chegarem à reserva Indígena Kadiwéu, onde vivem atualmente. O grupo chegou a ser considerado “extinto” por alguns pesquisadores e tal ideia foi aceita, inclusive, pela FUNAI. Apesar de viverem por longos anos de forma oculta, sem declarar ao público sua identidade étnica, preservaram grande parte de raízes identitárias, como a arte, as manifestações culturais e a alimentação tradicional. Um sinal diacrítico muito importante, mas que, infelizmente, ficou nos rastros do tempo, foi a língua Kinikinau. No início do século XXI, a escola inseriu, no seu currículo, aulas de Língua Indígena, mas sabe-se que é muito difícil sensibilizar as crianças a aprenderem o idioma original. Um produto muito apreciado e produzido pelos Kinikinau (autodenominados Koinukunôen) é o mel. Os apicultores indígenas são excelentes conhecedores dos efeitos medicinais desse alimento e também conhecem, praticamente, todas as espécies de abelhas melíferas existentes na região em que vivem, a aldeia São João, localizada no município de Porto Murtinho. O principal objetivo deste trabalho é divulgar a existência do povo indígena Kinikinau, indicando meios de sustentabilidade, seja pela comercialização do mel extraído pelos homens, ou pelo comércio da cerâmica produzida pelas mulheres. 

Referência:

SOUZA, Rosaldo de Albuquerque. Sustentabilidade e processos de reconstrução identitária entre o povo indígena Kinikinau (Koinukunôen) em Mato Grosso do Sul. 2012. 61 f., il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2012.

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O gê dos gerais: elementos de cartografia para a etno-história do planalto central: contribuição à antropogeografia do cerrado

O gê dos gerais: elementos de cartografia para a etno-história do planalto central: contribuição à antropogeografia do cerrado

Autor(a):

Rodrigo Martins dos Santos

Resumo:

Esta dissertação localiza diversos povos indígenas que habitavam o Planalto Central e, portanto, uma parte do Cerrado, antes das invasões Luso-Brasileiras. Será dado maior enfoque a uma porção desse espaço chamado regionalmente de Gerais. Tenho como base o mapa de Curt Nimuendaju que apresenta lacunas na localização de etnias em algumas áreas do centro do país. Pretendo esclarecer um problema que é a insuficiente disposição de informações cartográficas a respeito de quais eram e onde estavam os povos indígenas do Brasil Central, em especial num polígono que abrange o Noroeste e Triângulo Mineiro, todo o Estado de Goiás, extremo nordeste do Mato Grosso e sudoeste do Pará, grande parte do Tocantins, região sul do Maranhão e do Piauí, e oeste da Bahia. A hipótese central é de que há mais informações sobre etnias nessa região do que as apresentadas por Nimuendaju. Para tentar confirmá-la, utilizo diversos produtos cartográficos como o mapa de Čestmír Loukotka, e diversos mapas históricos disponíveis em arquivos públicos no Brasil e em Portugal. Também realizo um mapeamento inédito da localização de etnias constantes nos históricos municipais do banco de dados IBGE cidades. Dessa fonte compilo, ainda, as datas de colonização e fundação dos povoados e cidades, para ilustrar o avanço Luso-Brasileiro sobre o território indígena, bem como a implantação de aldeamentos pelo Estado e alguns quilombos pelos negros. A metodologia utilizada fundamenta-se na escola da antropogeografia de Ratzel, com apoio da etno-história e assessoria fundamental da cartografia. Após apresentar e localizar a área de estudo: os Gerais do Planalto Central e adjacências, teço uma breve descrição de seu meio físico, abordando os aspectos e origens do Cerrado, ambiente o qual conviveram e convivem os povos da região. Em seguida parto para aspectos etno-históricos, abordando desde a arqueologia à historiografia, no intuito inicial de ilustrar a chegada do ser humano à área e, em seguida, dos invasores Luso-Brasileiros. As análises finais são ricas em material cartográfico tanto históricos como produzidos para esta dissertação. Apresento dados que atestem quais eram os povos que habitavam esse espaço nos séculos XVII, XVIII e XIX, tendo em vista ser o momento de maior movimentação indígena provocada pela colonização na região. As conclusões são de que houve, pelo menos, 200 etnias no Planalto Central e adjacências, 88 além das 112 constantes no mapa de Nimuendaju. Com enfoque para os Gerais, onde aprofundo minhas análises, identifiquei 14 etnias a mais do que as 4 citadas por Nimuendaju, 18 ao total. Apresento algumas características etnográficas desses povos, agrupados por família lingüística, sobre suas origens e língua, com base em bibliografia, monografias, laudos, relatos de viajantes e história oral. Por fim, ilustro por meio de mapas a dinâmica da ocupação indígena, com migrações, diásporas e desaparecimentos de dezenas dessas etnias, tendo por base os fatores históricos e físicos já apresentados. A contribuição dessa pesquisa está no fortalecimento da territorialidade indígena na história do país, em especial do Brasil Central. Os resultados poderão ilustrar livros didáticos e conteúdos escolares de história e geografia, conforme estabelece a Lei 11.645/08. Também poderá colaborar em estudos sobre a etnicidade de populações rurais brasileiras. Nos Gerais há pelos menos duas comunidades indígenas emergentes, os Xakriabá e os Aricobé, é possível que hajam ainda outras comunidades remanescentes de uma das 18 etnias Geraizeiras, em especial os Akroá, Guegué e Cayapó. 

Referência:

SANTOS, Rodrigo Martins dos. O gê dos gerais: elementos de cartografia para a etno-história do planalto central: contribuição à antropogeografia do cerrado. 2013. 346, [27] f., il. Dissertação (Mestrado Profissional em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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Ti’a roptsimani’õ: os A’uwẽ Marãiwatsédé tecem saberes para a construção de uma proposta curricular intercultural

Ti’a roptsimani’õ: os A’uwẽ Marãiwatsédé tecem saberes para a construção de uma proposta curricular intercultural

Autor(a):

Luciana Akeme Sawasaki Manzano Deluci

Resumo:

O estudo apresenta os resultados de uma pesquisa que teve como objetivo principal elaborar uma proposta curricular, juntamente com a comunidade, para a Escola Estadual Indígena Marãiwatsédé, situada no Município de Bom Jesus do Araguaia/MT, que atenda às necessidades do povo A’uwẽ de Marãiwatsédé. Em meio ao processo, outros objetivos foram traçados: – compreender a função social da escola no contexto da aldeia Marãiwatsédé; – estabelecer um diálogo entre as Orientações Curriculares para Mato Grosso com a proposta curricular de Marãiwatsédé; – relacionar as fases da vida A’uwẽ com os ciclos de formação humana, propostos para as escolas estaduais de Mato Grosso e – iniciar a produção de material didático, como apoio pedagógico para os professores. A metodologia utilizada foi a qualitativa, que possibilitou o contato direto da pesquisadora com o campo de pesquisa e a utilização de vários procedimentos, entre eles: entrevistas, história oral, observação de campo, fotografia e análise de documentos. As entrevistas realizadas com anciãos, professores e pais permitiram compreender os anseios da comunidade, o que esperam da escola e da formação dos jovens. A história oral contribuiu para reunir narrativas que tratam da memória de Marãiwatsédé, das fases da vida do povo A’uwẽ Marãiwatsédé e do processo de reconquista do território ancestral. A análise de documentos, como a Constituição Federal de 1988, a LDB nº 9394/96, a Legislação Educacional para a educação escolar indígena, o Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas e as Orientações Curriculares para Mato Grosso – Ocs – foi fundamental para a compreensão das especificidades da educação escolar indígena e dos direitos dos povos indígenas no Brasil. A observação de campo auxiliou na compreensão da importância do ritual Wapté Nhõno, das atividades cotidianas da aldeia, da organização social e dos processos de educação tradicional do povo. Por último, as fotografias históricas e do cotidiano permitiram visualizar alguns acontecimentos que dificilmente seriam explicitados em palavras, ou observados, como: o movimento dos corpos, a fisionomia expressa nos rostos e olhares, entre outros. Os resultados da pesquisa indicam que o povo A’uwẽ possui uma forte relação com o território de Marãiwatsédé, tanto que não mede esforços pelo direito da posse plena de suas terras. Acredita que somente com a recuperação efetiva do território pode retomar a história, por meio das memórias transmitidas pelos anciãos às novas gerações, para que estabeleçam vínculos com o lugar e a memória dos antepassados. Além disso, o levantamento das necessidades e dos problemas da comunidade foi fundamental para a definição do fenômeno “terra” que desencadeou as discussões a respeito da organização dos conceitos/conteúdos escolares – complexo temático -, imprescindíveis à elaboração de um currículo que atenda às necessidades da comunidade de Marãiwatsédé. Dessa forma, pode-se dizer que, no atual contexto histórico, a elaboração de uma proposta curricular que faça sentido precisa contemplar, principalmente, temas relativos ao território, à memória e à cultura do povo de Marãiwatsédé. 

Referência:

DELUCI, Luciana Akeme Sawasaki Manzano. Ti’a roptsimani’õ: os A’uwẽ Marãiwatsédé tecem saberes para a construção de uma proposta curricular intercultural. 2013. 186 f., il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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Proposta de plano de curso para a formação técnica dos agentes indígenas de saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena Cuiabá

Proposta de plano de curso para a formação técnica dos agentes indígenas de saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena Cuiabá

Autor(a):

Maria das Graças Oliveira de Figueiredo

Resumo:

Este trabalho apresenta uma proposta de Plano de Curso para formação profissional de Técnico em Agente Comunitário Indígena de Saúde (TACIS) a ser inserida no Projeto Politico-Pedagógico da Escola de Saúde Pública de Mato Grosso. Objetiva traçar diretrizes para a implantação de curso Técni7co em Agente Comunitário Indígena de Saúde de modo a atender à demanda de profissionalização na área de saúde para a população indígena do Estado. Está estruturado conforme a legislação vigente da Educação Profissional Técnica de Nível Médio. A presente iniciativa visa à complementação da formação para nível técnico dos agentes indígenas de saúde no Estado de Mato Grosso, bem como a qualificação para os iniciantes no processo pedagógico. Para a escolarização em nível médio propõe-se articular os processos de Educação Profissional e Educação Básica, por meio de parceria com a Secretaria Estadual de Educação de Mato Grosso/Equipe de Educação Indígena. Este projeto piloto destina-se ao DSEI Cuiabá, podendo vir a ser estendido aos demais DSEIs do Estado. A elaboração dessa proposta pedagógica buscou subsídios nos documentos da ESPMT, no Referencial Curricular para Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde (TACS) proposto pelo Ministério da Saúde e Ministério da Educação (2004) e nos relatos da experiência de formação de Agente Comunitário Indígena de Saúde ora desenvolvida no Amazonas – Alto Rio Negro pautada nas características culturais dos povos indígenas. A matriz curricular contempla três Áreas de formação: Área I – Promoção da Saúde em Comunidades Indígenas; Área II – Atenção à Saúde na Comunidade Indígena; Área III – Processo de Trabalho em Saúde Indígena visando atender ao itinerário formativo do TACIS, bem como propiciar a elevação da escolaridade. A implantação do curso apresenta-se como um desafio político, cultural e pedagógico, na medida em que está pautada nos princípios de educação e atenção à saúde em uma perspectiva diferenciada.

Referência:

FIGUEIREDO, Proposta de plano de curso para a formação técnica dos agentes indígenas de saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena Cuiabá. 2013. xv, 82 f., il. (Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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“O meu rap está apenas começando”: juventude e sustentabilidade cultural na Reserva Indígena de Dourados-MS

“O meu rap está apenas começando”: juventude e sustentabilidade cultural na Reserva Indígena de Dourados-MS

Autor(a):

Kênide de Souza Morais

Resumo:

A pesquisa aqui apresentada foi realizada na Reserva Indígena de Dourados- RID. Buscamos apresentar a realidade vivenciada por jovens indígenas, tendo como produto central um vídeo de curta-metragem, que apresenta um pouco da história de vida dos quatro componentes do grupo Brô MC‟s. Inicio com um breve histórico sobre a distribuição geográfica da população guarani no território brasileiro. No segundo tópico trato com um olhar mais atento a realidade da RID, transitando sobre suas formas de organização social, conflitos interétnicos e a relação com a população regional. No terceiro tópico abordo a questão da juventude indígena, suas representações diante dos mais velhos, e os desdobramentos da busca de um lugar onde sejam aceitos, interna e externamente. O trabalho segue narrando as alternativas que esses jovens criam para se protegerem enquanto são estigmatizados e responsabilizados por muitas coisas ruins que venham a ocorrer nas aldeias. No quarto tópico me dedico às histórias de vida dos Brô MC‟s e suas composições musicais, compreendendo-as em meio a um cenário de uma leitura da realidade, desta vez cantada no estilo Rap, desafiando o modelo tradicional e inovando com canções bilíngues, cantadas em Guarani e Português. 

Referência:

MORAIS, Kênide de Souza. “O meu rap está apenas começando”: juventude e sustentabilidade cultural na Reserva Indígena de Dourados-MS. 2013. xiv, 57 f.; il. (Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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Sustentando o cerrado na respiração do Maracá: conversas com os mestres Krahô

Sustentando o cerrado na respiração do Maracá: conversas com os mestres Krahô

Autor(a):

Veronica Aldè

Resumo:

A partir de conversas com os anciãos, professores e pesquisadores Krahô, foi desenvolvido um trabalho de mapeamento e tradução dos cânticos do Ritual do Milho (AmjekimPohy Jô Crow), um dos principais eventos do ciclo anual de plantios dessa etnia. O ritual, os cânticos, e a narrativa de ”Catxekwyj e a Árvore do Milho” nos revelaram as densas e sonoras relações existentes entre homens, ambientes e todas as formas de vida que povoam um dos mais antigos e complexos Sistemas Biogeográficos do planeta – o Cerrado. Os materiais resultantes dessa pesquisa (Dvd e Relatório de Pesquisa) – realizada na perspectiva da interculturalidade e da pesquisa participativa – nos deixam pistas importantes do potencial educativo contido nessas vozes e estéticas ainda tão pouco conhecidas. Refletindo sobre alguns temas específicos como sustentabilidade, alteridade e autoria indígena propomos um trançado pedagógico através da arte-educação, capaz de fazer germinar através do movimento criativo essas férteis sementes de cultura que muito contribuiriam na formação de novas gerações mais sensíveis e abertas aos diálogos interculturais e ás múltiplas “verdades” e conhecimentos que circulam continuamente na respiração pluriétnica nacional.

Referência:

ALDÈ, Veronica. Sustentando o cerrado na respiração do Maracá: conversas com os mestres Krahô. 2013. 73 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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Na Trilha das pekobaym guerreiras kura-bakairi: de mulheres árvores ao associativismo do instituto yukamaniru

Na Trilha das pekobaym guerreiras kura-bakairi: de mulheres árvores ao associativismo do instituto yukamaniru

Autor(a):

Isabel Teresa Cristina Taukane

Resumo:

Esta pesquisa teve por objetivo analisar o associativismo protagonizado por um grupo de mulheres indígenas da etnia Bakairi no Instituto Yukamaniru. Os métodos e instrumentos utilizados para obtenção dos dados e análises foram a observação e registros das participações em reuniões e atividades desenvolvidas pelo Instituto, além das entrevistas formais e informais em momentos de compartilhamento de memórias das mulheres fundadoras, estudos de documentos, como estatutos e relatórios, e ainda a literatura de cunho acadêmico como artigos, dissertações e teses a respeito dos Bakairi e associativismo indígena no Brasil. Inicio com a descrição da etnia Bakairi e um pouco de sua história e suas organizações. Ao descrever e refletir acerca do Instituto Yukamaniru buscou-se tanto a origem das mulheres na cosmologia Bakairi, que se originaram de árvores, como também associar este grupo de mulheres fundadoras ao mito das Pekobaym, as mulheres guerreiras. Descrevo com destaque especial os projetos desenvolvidos por esta organização tais como o Kadakera, de revitalização do plantio do algodão nativo para a confecção das redes, e o Enren Enamado, um programa de reflorestamento dos buritizais na Terra Indígena Bakairi. Por meio desta experiência com o associativismo, percebeu-se, na descrição e análise desta organização protagonizada por um grupo de mulheres indígenas Bakairi no Instituto, um caminho para o fortalecimento dos saberes tradicionais e a capacidade criativa e guerreira na construção de caminhos para a sustentabilidade ambiental e cultural; fruto de um contínuo diálogo, muitas vezes conflituoso, em constante reelaboração, diante das relações com os colonizadores não índios e mesmo inter-aldeias. 

Referência:

TAUKANE, Isabel Teresa Cristina. Na Trilha das pekobaym guerreiras kura-bakairi: de mulheres árvores ao associativismo do instituto yukamaniru. 2013. 90 f., il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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Alimentos, restrições e reciprocidade no ritual Xavante do Wapté mnhõno (Terra indígena Marãiwatsédé, Mato Grosso

Alimentos, restrições e reciprocidade no ritual Xavante do Wapté mnhõno (Terra indígena Marãiwatsédé, Mato Grosso

Autor(a):

Sayonara Maria Oliveira da Silva

Resumo:

A presente pesquisa apresenta de forma breve um levantamento sobre o sistema alimentar do povo indígena Xavante da terra indígena Marãiwatsédé (Mato Grosso, Brasil) incluindo as formas de obtenção de alimentos na contemporaneidade. O estudo foi realizado durante o ritual do wapté mnhõno (iniciação de jovens) e está focado nos alimentos consumidos durante este período, destacando a dieta alimentar dos watewá (jovens batendo água) no Datsi´waté (rito de bater água) e as relações de troca-reciprocidade envolta dos alimentos a partir da observação da relação entre as mães dos watewá com o Dazaniwá (ancião responsável por cuidar dos jovens durante o Datsi´waté). O povo Xavante de Marãiwatsédé passa pelo processo de territorialização se adaptando a uma nova maneira de viver na terra indígena mais desmatada da Amazônia Legal. A pesquisa apresenta um panorama sobre o processo de desterritorialização vivenciado por esse grupo desde o contato oficial (1950), perpassando pela demarcação da terra (1993), até os dias atuais, utilizando para realização da pesquisa método etnográfico por meio de observação participante e direta, entrevistas informais/não estruturadas e semi-estruturadas, bem como dados bibliográficos. 

Referência:

SILVA, Sayonara Maria Oliveira da. Alimentos, restrições e reciprocidade no ritual Xavante do Wapté mnhõno (Terra indígena Marãiwatsédé, Mato Grosso. 2013. 189 f., il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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Território Umutina: vivências e sustentabilidade

Território Umutina: vivências e sustentabilidade

Autor(a):

Eliane Boroponepa Monzilar

Resumo:

Este trabalho refere-se ao Território Umutina, aos desafios da sustentabilidade e às vivências recentes de jovens do Ensino Médio da Aldeia Umutina em torno desses temas. O Território Umutina já está demarcado: o processo foi efetuado em 24 de abril de 1960 e registrado no Cartório do Município do Rosário D’Oeste-MT, com uma área de 28.120 hectares. A Terra Indígena Umutina é rica e importante, pois através dela é que o povo retira o sustento para a sua vivência e estabelece suas relações nas dimensões sociais e culturais – ou seja, a terra é essencial para manter viva a cultura do povo Umutina. As técnicas utilizadas para a realização deste trabalho foram: pesquisa bibliográfica, dados coletados através de entrevista com as lideranças e jovens da comunidade, oficinas, fotografia, e a participação dos jovens da escola Jula Paré. Esta pesquisa-ação contribui para que as gerações novas, a comunidade e a escola possam ter acesso aos conhecimentos tradicionais, aos saberes, valorizando o espaço territorial e a busca de alternativas dentro da comunidade; servirá de registro e documento para as futuras gerações. Obtiveram-se dados que visam fortalecer a cultura, e também servirá como material didático nas escolas indígenas, permitindo a socialização mais ampla ao público. Vai fortalecer e proteger o espaço territorial, cultivar e manter viva a cultura Umutina para que os jovens possam usufruir desse patrimônio. 

Referência:

MONZILAR, Eliane Boroponepa. Território Umutina: vivências e sustentabilidade. 2012. 83 f., il. Dissertação (Mestrado Profissional em Desenvolvimento Sustentável)—Universidade de Brasília, Brasília, 2012.

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