Fauna do Cerrado pelas estradas

Fauna do Cerrado pelas estradas

Estima-se que cerca de 475 milhões de animais silvestres sejam atropelados todos os anos nas rodovias brasileiras, segundo dados do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE/UFLA) — o equivalente a um animal a cada 15 segundos.

No Brasil, esse cenário é agravado pela precariedade da infraestrutura viária e pelo fato de muitas estradas não serem planejadas para coexistir com a fauna, especialmente em trechos próximos a áreas urbanas e remanescentes de vegetação nativa.

Diante dessa realidade, o Parque Vida Cerrado e seus parceiros reforçam algumas orientações fundamentais para reduzir os acidentes com animais silvestres:

● Reduza a velocidade ao trafegar por áreas com vegetação nativa;
● Evite dirigir à noite em regiões conhecidas por travessias de fauna;
● Não descarte lixo nas margens das estradas, pois ele atrai animais;
● Instale sinalização e redutores de velocidade em propriedades rurais;
● Invista em passagens de fauna e cercas direcionadoras;
● Apoie ações de educação ambiental junto a trabalhadores e comunidades.

Pequenas atitudes fazem grande diferença. Proteger a fauna também é um compromisso de quem está ao volante.

A Lei nº 15.089/2025 instituiu a Política Nacional para o Manejo Sustentável, Plantio, Extração, Consumo, Comercialização e Transformação do Pequi e de outros frutos nativos do bioma. Para além do pequi, a legislação abrange diversos produtos da sociobiodiversidade do Cerrado — como baru, buriti, jatobá, urucum, jaborandi e macaúba — com potencial para fortalecer cadeias produtivas locais e gerar renda para comunidades tradicionais.

É a regulamentação que irá definir como a lei será implementada. O decreto deverá estabelecer as atribuições da União, estados e municípios, além de organizar responsabilidades, programas e o fluxo de recursos entre as diferentes esferas de governo.

A efetivação dessa política pública é fundamental para ampliar oportunidades de renda, acesso a mercados, infraestrutura e valorização dos saberes tradicionais. Sua implementação pode impulsionar a expansão produtiva do pequi e de outros frutos do Cerrado, beneficiando extrativistas, agricultores familiares e povos e comunidades tradicionais.

Lei do Pequi completa um ano sem regulamentação

Lei do Pequi completa um ano sem regulamentação

Considerada um marco para a proteção e o fortalecimento da sociobiodiversidade do Cerrado, a chamada Lei do Pequi completou um ano sem sair do papel. Apesar de aprovada, a norma ainda aguarda regulamentação, o que impede sua aplicação prática nos territórios.

A Lei nº 15.089/2025 instituiu a Política Nacional para o Manejo Sustentável, Plantio, Extração, Consumo, Comercialização e Transformação do Pequi e de outros frutos nativos do bioma. Para além do pequi, a legislação abrange diversos produtos da sociobiodiversidade do Cerrado — como baru, buriti, jatobá, urucum, jaborandi e macaúba — com potencial para fortalecer cadeias produtivas locais e gerar renda para comunidades tradicionais.

É a regulamentação que irá definir como a lei será implementada. O decreto deverá estabelecer as atribuições da União, estados e municípios, além de organizar responsabilidades, programas e o fluxo de recursos entre as diferentes esferas de governo.

A efetivação dessa política pública é fundamental para ampliar oportunidades de renda, acesso a mercados, infraestrutura e valorização dos saberes tradicionais. Sua implementação pode impulsionar a expansão produtiva do pequi e de outros frutos do Cerrado, beneficiando extrativistas, agricultores familiares e povos e comunidades tradicionais.

Entre os principais objetivos da Lei do Pequi estão:

• Incentivar a preservação das áreas de ocorrência do pequizeiro e de outros frutos nativos do Cerrado;
• Identificar e reconhecer as comunidades tradicionais que dependem da coleta desses produtos;
• Valorizar a cultura local, por meio de pesquisas sobre o folclore associado ao pequi e da promoção de eventos culturais que estimulem o turismo;
• Fomentar o comércio sustentável, com a criação de selos de qualidade e procedência.

Sem regulamentação, entretanto, esses avanços seguem apenas no campo das intenções — enquanto o Cerrado e seus povos continuam aguardando políticas públicas efetivas.

Fonte: https://ispn.org.br/noticia/lei-do-pequi-completa-um-ano-sem-regulamentacao

O Cerrado, que ocupa cerca de 24% do território nacional, desempenhou — e segue desempenhando — um papel central no equilíbrio ambiental do país. Apesar de historicamente ter recebido menor visibilidade no debate ecológico em comparação a outros biomas, abriga as principais bacias hidrográficas brasileiras e sustenta aquíferos estratégicos para o abastecimento de água, a produção de energia e o agronegócio.

Entre suas características mais singulares está o que os pesquisadores denominaram de “floresta invertida”. Diferentemente das florestas tropicais, onde a maior parte da biomassa se concentra acima do solo, aproximadamente 90% do carbono do Cerrado esteve armazenado no subsolo, em sistemas radiculares profundos e extensos. Essa estrutura fez do bioma um regulador hídrico fundamental e um dos principais sumidouros de carbono do país.

Acesse o artigo completo:
https://natureconservation.pensoft.net/article/168273/

55% da vegetação original do Cerrado foi perdida

55% da vegetação original do Cerrado foi perdida

Foto: Walisson Kenedy-Siqueira, CC BY.

Uma nova revisão científica publicada em 9 de janeiro na revista Nature Conservation evidenciou a dimensão da crise ambiental enfrentada pelo Cerrado brasileiro. O estudo apontou que mais de 55% da vegetação nativa do bioma foi perdida nas últimas cinco décadas, principalmente em decorrência da expansão da agricultura.

O Cerrado, que ocupa cerca de 24% do território nacional, desempenhou — e segue desempenhando — um papel central no equilíbrio ambiental do país. Apesar de historicamente ter recebido menor visibilidade no debate ecológico em comparação a outros biomas, abriga as principais bacias hidrográficas brasileiras e sustenta aquíferos estratégicos para o abastecimento de água, a produção de energia e o agronegócio.

Entre suas características mais singulares está o que os pesquisadores denominaram de “floresta invertida”. Diferentemente das florestas tropicais, onde a maior parte da biomassa se concentra acima do solo, aproximadamente 90% do carbono do Cerrado esteve armazenado no subsolo, em sistemas radiculares profundos e extensos. Essa estrutura fez do bioma um regulador hídrico fundamental e um dos principais sumidouros de carbono do país.

O alerta dos autores foi claro: a degradação causada pelo desmatamento, pelo uso inadequado da terra e por incêndios de origem humana liberou rapidamente esse carbono acumulado, agravando a instabilidade climática e comprometendo serviços ecossistêmicos essenciais.

Acesse o artigo completo:
https://natureconservation.pensoft.net/article/168273/

65 anos do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

65 anos do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Foto: Museu do Cerrado, 2026.

No dia 11 de janeiro de 2026, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros completou 65 anos de proteção de uma das regiões mais singulares do Cerrado brasileiro. Formado por paisagens moldadas há cerca de 1,7 bilhão de anos, o Parque reuniu serras, campos rupestres, veredas, cânions e cachoeiras que compõem um patrimônio natural de relevância nacional e global.

Reconhecido como Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO e considerado o coração da Reserva da Biosfera do Cerrado, o PNCV protegeu áreas estratégicas de nascentes e de recarga de aquíferos. Sua diversidade de ambientes sustentou elevados níveis de biodiversidade, incluindo espécies endêmicas, raras e ameaçadas da fauna e da flora.

O Parque esteve inserido em uma região marcada por saberes tradicionais, manifestações culturais e relações históricas entre as comunidades e o território, que contribuíram para a identidade da Chapada dos Veadeiros. A combinação entre paisagens, biodiversidade, água e cultura fez do Parque um espaço de conservação, conhecimento e visitação qualificada.

Celebrar os 65 anos do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foi reafirmar a importância de conservar esse território singular e de fortalecer seu papel na proteção do Cerrado e de serviços ecossistêmicos essenciais para o Brasil.

Para saber mais sobre o Parque e planejar sua visita, acesse o site oficial:
https://pnchapadadosveadeiros.com.br/lp/

Somos Territórios Vivos, somos Cultura Viva

Somos Territórios Vivos, somos Cultura Viva

Pisamos essa terra fazendo cultura, respirando arte e cultivando diversidades. A websérie Travessia Gerais nasce como um gesto de reconhecimento às pessoas que constroem essa imensidão viva — um retrato sensível da beleza, da resistência e da abundância presentes em nosso território.

Em parceria com a Plataforma de Territórios Tradicionais, essa documentação integra a campanha “Somos Territórios Vivos, somos Cultura Viva”, idealizada pelo Pontão Travessia Sertão Gerais.

Este trabalho coletivo é fruto de um percurso geraizeiro que atravessa o Espinhaço, Santa Luzia e os vales do Jequitinhonha, São Francisco e Mucuri. Seu horizonte é o fortalecimento territorial e o incentivo à autodemarcação das terras que nós, Povos e Comunidades Tradicionais, ocupamos historicamente. A Plataforma tem como objetivo garantir uma primeira camada de proteção às posses tradicionais ainda não demarcadas no Brasil.

 

Acesse a Plataforma Territórios Tradicionais:
https://territoriostradicionais.mpf.mp.br/#/institucional

 

Perguntas frequentes sobre a plataforma:
https://territoriostradicionais.mpf.mp.br/#/comoUsarPlataforma

 

Contato da Plataforma Territórios Tradicionais:
6ccr-plataformaterritorios@mpf.mp.br

 

Somos Cerrado. Somos território vivo. Somos cultura em movimento.

Importância do Cerrado para o equilíbrio do clima do planeta é destaque no 26º FICA

Importância do Cerrado para o equilíbrio do clima do planeta é destaque no 26º FICA

FICA 2025 destaca o Cerrado como pilar para o equilíbrio climático do planeta

A riqueza ecológica e a importância estratégica do Cerrado para o equilíbrio ambiental são reconhecidas tanto pela ciência quanto pelas expressões artísticas. Em consonância com essa compreensão, o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA) reafirma seu compromisso com a valorização e defesa desse bioma, trazendo à tona reflexões urgentes sobre sua preservação e os caminhos possíveis para sua proteção.

Em sua 26ª edição, o FICA será realizado entre os dias 10 e 15 de junho de 2025, na histórica Cidade de Goiás, e terá como tema central:
“Cerrado: a savana brasileira e o equilíbrio do clima”.

Considerado a savana mais biodiversa do mundo, o Cerrado abriga uma vasta gama de espécies únicas da fauna e flora, além de desempenhar um papel fundamental na regulação do clima, na manutenção dos recursos hídricos e na sustentabilidade da vida. Sua conservação é vital não apenas para o Brasil, mas para o planeta como um todo.

“O FICA 2025 convida o público a refletir sobre a importância da preservação do Cerrado, destacando a necessidade de ações coletivas para garantir um futuro mais justo e sustentável”, afirma Yara Nunes, secretária de Estado da Cultura de Goiás. “Juntos, podemos construir um amanhã em que o Cerrado continue contribuindo para a saúde do planeta e o bem-estar das futuras gerações.”

Com uma programação totalmente gratuita, o festival oferece:

  • Mostras competitivas e paralelas de cinema ambiental

  • Oficinas, fóruns e debates com cineastas, ambientalistas e pesquisadores

  • Atividades culturais e ambientais voltadas ao público infantil e juvenil

  • Shows musicais e apresentações artísticas

A agenda inclui também intervenções culturais diversas como poesia, teatro de rua, circo, capoeira e festejos tradicionais, que serão distribuídas entre o Palco Coreto, o Mercado Municipal e a Praça do Chafariz, consolidando a Cidade de Goiás como um centro vibrante de cultura, arte e consciência ambiental.

O evento é uma realização do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), em correalização com a Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio da Fundação RTVE.

Mais informações e a programação completa estão disponíveis no site oficial:
🔗 https://fica.go.gov.br/

Nosso ambiente é o Cerrado! A savana mais biodiversa do planeta Terra

Nosso ambiente é o Cerrado! A savana mais biodiversa do planeta Terra

Vamos “Cerradiar” que é o ato de se envolver e participar ativamente na promoção e proteção das culturas dos povos indígenas, das comunidades tradicionais e todos e todas que nele vivem, assim como, na preservação, conservação e restauração da biodiversidade do Cerrado. Queremos fazer um convite para todas as crianças, os jovens, os adultos e os idosos(as) a se juntar a nós nesta jornada de conhecimento, diálogo e AÇÃO em prol deste importante sistema biogeográfico: https://museucerrado.com.br/cerradiar/ Juntos, podemos salvar o CERRADO!

Dia Mundial do Meio Ambiente e a crise do plástico

Dia Mundial do Meio Ambiente e a crise do plástico

 

Dia Mundial do Meio Ambiente e a crise do plástico: é hora de responsabilizar as grandes corporações e repensar o modelo de desenvolvimento

A crise ambiental contemporânea, evidenciada pelo acúmulo desenfreado de resíduos plásticos no planeta, não pode mais ser tratada como uma questão meramente individual. Reduzir o problema à responsabilidade dos cidadãos — incentivando apenas a coleta seletiva e a reciclagem — é uma abordagem limitada e ineficaz frente à complexidade da cadeia produtiva do plástico. A problemática já transcendeu a esfera pessoal e exige mudanças estruturais profundas.

Segundo Rosângela Azevedo Corrêa, professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) e diretora geral do Museu do Cerrado, é preciso desnaturalizar a lógica predatória que rege o atual modelo de desenvolvimento, sustentado por uma combinação perversa de produção ilimitada, descarte irresponsável e busca incessante pelo lucro por parte de grandes corporações petroquímicas. Esses conglomerados exercem forte influência sobre decisões políticas por meio de lobbies e resistem a qualquer tentativa de regulação efetiva.

Os plásticos são parte de uma cadeia transnacional que vai da extração de matérias-primas fósseis à distribuição global de produtos, culminando em um descarte que afeta não só os ecossistemas locais, mas todo o planeta. Sem responsabilizar a indústria petroquímica pelo design de produtos descartáveis e por seu destino final, qualquer tentativa de conter os impactos será paliativa. É essencial atuar sobre toda a cadeia do plástico, desde a produção até a remediação ambiental.

Corrêa defende que mais do que comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente, é necessário adotar um novo paradigma baseado nos princípios dos “9Rs”: reduzir, repensar, recusar, reutilizar, reparar, reciclar, reaproveitar, reaplicar e repassar. Isso exige uma mudança radical nos padrões de produção e consumo, nos estilos de vida e nos valores que moldam a sociedade.

Trata-se de um chamado à ação política e à mobilização social diante da crise climática. Para isso, é indispensável promover uma educação ambiental crítica e transformadora, capaz de formar cidadãos conscientes, atuantes e comprometidos com uma transição ecológica justa. Só assim será possível romper com o modelo hegemônico de exploração ilimitada dos recursos naturais, que perpetua a desigualdade social e compromete o futuro do planeta.

Fonte:
UnB Notícias – Dia Mundial do Meio Ambiente e a crise do plástico

Cerrado se destaca com 46% das cavernas identificadas

Cerrado se destaca com 46% das cavernas identificadas até agora

Brasil ultrapassa 26 mil cavernas registradas; Cerrado concentra quase metade das cavidades conhecidas

O Brasil atingiu um marco importante na conservação e no conhecimento de seu patrimônio subterrâneo: já são 26.046 cavernas registradas oficialmente no país. Os dados fazem parte da nova edição do Anuário Estatístico do Patrimônio Espeleológico Brasileiro, publicada pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Entre 2023 e 2024, foram cadastradas 2.668 novas cavidades naturais subterrâneas, representando um crescimento de 11,41% em relação ao ano anterior. A maior parte dessas descobertas ocorreu em regiões já conhecidas por sua riqueza espeleológica, com destaque para o estado de Minas Gerais, que lidera o ranking nacional com quase metade das cavernas conhecidas.

Do ponto de vista dos biomas, o Cerrado se sobressai: 46% de todas as cavernas registradas no país estão localizadas nesse bioma, que é também um dos mais ameaçados pelo avanço do desmatamento e das atividades humanas. Esse dado reforça a importância estratégica do Cerrado para a conservação da biodiversidade subterrânea e para a proteção de ecossistemas frágeis e únicos.

Mais do que impressionantes formações geológicas, as cavernas são habitats fundamentais para espécies endêmicas, muitas delas adaptadas

exclusivamente à vida subterrânea, além de serem reservatórios naturais de água, ambientes de conservação de minerais raros e fontes valiosas para pesquisas científicas sobre mudanças climáticas.

Outro dado revelador do anuário é o aumento de 280% nas pesquisas científicas envolvendo cavernas nos últimos 16 anos, o que demonstra o crescente interesse da comunidade científica por esses ecossistemas e a ampliação dos esforços para compreendê-los e protegê-los.

O Anuário Estatístico do Patrimônio Espeleológico Brasileiro é uma das principais ferramentas de acompanhamento do estado atual das cavernas no Brasil e está disponível gratuitamente no site do ICMBio:
Acesse o anuário aqui

Fruto favorito do lobo-guará mostra potencial contra câncer de bexiga

Fruto favorito do lobo-guará mostra potencial contra câncer de bexiga

A fruta-do-lobo, também conhecida como lobeira (Solanum lycocarpum), é uma planta nativa do Cerrado brasileiro e tem papel essencial na alimentação do lobo-guará, representando cerca de 50% da sua dieta. Agora, essa fruta típica da savana brasileira também se destaca na ciência: pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP desenvolveram, a partir de seus compostos, nanopartículas com potencial terapêutico para o tratamento do câncer de bexiga.

O estudo, publicado na revista científica International Journal of Pharmaceutics, integra a tese de doutorado de Ivana Pereira Santos Carvalho, defendida em 2022, e apresenta resultados promissores no uso de glicoalcaloides — solasonina e solamargina — substâncias naturais com propriedades anticancerígenas. Esses compostos foram incorporados em transportadores lipídicos nanoestruturados (NLCs), uma plataforma baseada em nanotecnologia para administração de fármacos.

A principal inovação está na forma de aplicação: as nanopartículas foram administradas diretamente na bexiga de animais de laboratório por meio da via intravesical, permitindo uma ação localizada e potencialmente mais eficaz, com menor impacto sistêmico. Entre as vantagens do sistema estão a alta estabilidade da formulação, a eficiência de encapsulamento dos princípios ativos e o baixo custo de produção.

Foto: Rubens Matsushita

A técnica utilizada para desenvolver as nanopartículas foi a emulsão seguida de sonicação, realizada em uma única etapa. A formulação combina uma fase aquosa (água destilada) com uma fase oleosa (manteiga de illipê contendo os glicoalcaloides), formando uma nanoemulsão que, ao ser resfriada, dá origem aos NLCs.

Segundo a professora Priscyla Daniely Marcato Gaspari, orientadora da pesquisa, “essa abordagem representa uma alternativa promissora para o tratamento do câncer de bexiga, ao unir compostos naturais e nanotecnologia para tornar as terapias mais eficazes e acessíveis”.

A urgência por novas abordagens terapêuticas é reforçada pelos dados mais recentes: em 2020, foram estimados cerca de 580 mil novos casos de câncer de bexiga no mundo, representando 3% de todos os diagnósticos de câncer. No Brasil, apenas naquele ano, aproximadamente 5 mil pessoas perderam a vida em decorrência da doença. Por isso, o desenvolvimento de terapias complementares ou alternativas aos tratamentos convencionais é cada vez mais necessário.

Fonte: Jornal da USP – Fruto favorito do lobo-guará mostra potencial contra câncer de bexiga