Chácara Rebendoleng

A Chácara Rebendoleng fica situada na zona rural de São João d Áliança Goiás, na Comunidade João Paulo, apenas 3km do centro da cidade. São João D’Aliança é o primeiro município da Chapada dos Veadeiros a partir de Brasília, ficando a pouco mais de 150 km desta cidade.

A gente tinha um sonho de mudar para um sítio; em 2004 tivemos a oportunidade de ajustar as economias e comprar a chácara. Quando chegamos eu não permitia que pegassem fogo nem que as pessoas levassem madeira, assim a mata ciliar foi avançando sobre a área perturbada. Os pássaros foram jogando sementes e se aproximando cada vez mais. Afugentei caçadores e passarinheiros que por aqui capturavam os pequenos pássaros. Os vizinhos acostumados a usar lenha e a madeira para cerca, entenderam a real intenção e pensamento da nossa proposta de vida e começaram a colaborar com o nosso pequeno espaço. Depois incorporei a história do polonês Rebendoleng mais as construções naturais, as ecotécnicas com um jeitão de cara de sertão, o que ajudou a formar um conjunto bonito que nos tem proporcionado muitas alegrias. E o mais importante: o Cerrado está recuperado, um ecossistema em pleno funcionamento.

Quando descobrimos a história de Antônio Rebendoleng Szervinsk, me deparei com uma surpresa, a chácara estava dentro das terras do “Polonês”. Nada mais justo que homenageá-lo com seu nome: Chácara Rebendoleng.

Destino de místicos e amantes da natureza, a região da Chapada dos Veadeiros teve como um dos pioneiros um soldado polonês, combatente do exército de Napoleão Bonaparte. Proveniente da região de Krosno, Antoni Dolenga Czerwinski integrou as forças do general francês quando a Polônia estava sob o domínio do império russo. Fugindo da guerra, migrou para o Brasil por volta de 1814, formou família e integrou a Guarda Imperial de D. Pedro II. No fim da primeira metade do século 19, recebeu uma carta de sesmaria para cultivar terras do sertão de Goiás, onde se fixou e morreu. Em uma expedição como as organizadas pelos bandeirantes paulistas nos séculos 18 e 19, Antoni Czerwinski viajou para os rincões goianos, onde se estabeleceu e fundou a Fazenda Polônia. Por décadas, parte dos 12 filhos dele permaneceu nessa propriedade, que abrangia as atuais São João D’Aliança e Água Fria de Goiás, municípios do Entorno do Distrito Federal, ambos a pouco mais de 150km de Brasília. A outra parte retornou a Pimhuí (MG), a cidade natal da mulher com a qual se casou, Umbelina Adelaide Silvânia Szervinsk.

Desconhecida pela maioria dos brasileiros, a saga desse personagem continua presente na memória coletiva da colônia polonesa originária dele. Mas nem mesmo os mais assíduos frequentadores da Chapada ouviram falar de tal polonês ou sequer da existência de uma comunidade de descendentes dele em região com tantas riquezas naturais e culturais”.

SALES, Jucelino de.Tessituras de memórias no interior de Goiás: a saga do Polonês Antonio Rebendoleng Szervinsk [des]fiada no tear do imaginário. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Literaturae Práticas Sociais do Departamento de Teoria Literária e Literaturas do Instituto de Letras da Universidade de Brasília, 2014.

De quem vem de Brasilia-DF, ao passar pela Policia Rodoviária ao pé do Portal da Cidade, antes do posto de gasolina Ipiranga, na entrada da cidade virar a direita, andar mais uma quadra e virar novamente a direita, pegar um corredor rural (estradinha de chão batido) onde vai passar por uma pontezinha no Corrêgo Criminoso, a chácara é a terceira a sua direita, vai encontrar um portão amarelo com uma placa escrito Chácara Rebendoleng.

As construções são naturais feito de adobe, materiais reaproveitados, reciclados e bem simples, fogão a lenha, sanitário de compostagem, aquecedor solar para banho, cúpula de adobe, ecofossas nos banheiros com vaso e chuveiro elétrico, ducha no meio das árvores, fertilizante a base de restos de alimentos vegetal e animal, iluminação zenital (garrafas de vidro), decoração com artesanato local, comida caseira.

Nossos chalés são do tipo natural, reservados a uma certa distância da casa dando privacidade aos hóspedes. Tudo aqui é regido com muita naturalidade: horários de café, lanche, almoço ou janta são adequados de acordo com a vontade das pessoas, comida caseira feita no fogão de lenha etc. A cozinha é um anexo da casa e se aproveita para uma boa conversa enquanto a refeição fica pronta. Os quartos geminados são equipados com energia elétrica, chuveiro, ecofossas (micro processadores ecológicos de dejetos orgânicos). As camas são de pau a pique, madeira reaproveitáveis, compondo a decoração com artesanato de artistas locais. Nossas construções são erguidas e edificadas com adobe e reaproveitamento de materiais reciclados. Integrando e formando um conjunto único, tudo integrado a mãe natureza. É possível observar macaquinhos pulando nos galho das árvores, beija-flores, borboletas, mariposas, pássaros de diversas espécies pousam e levantam vôos bem a nossa frente, flores desabrocham e exalam cheiros estonteantes, abelhas e insetos circulam o tempo todo em nossa volta num vai e vem sem parar. Até os sapinhos são respeitados, enquanto fazem seu trabalho de limpeza retirando como podem os insetos indesejados. Usamos o Sanitário de Compostagem, serve de utilitário da familia e é uma oportunidade de aprendizado para quem estiver interessado. Sem contar os benefícios que nos proporciona em ganhos ambientais: não gasta água nem energia elétrica e seu resíduo se transforma em adubo. Utilizamos também de um aquecedor solar para banho, várias ecotécnicas à disposição para ser conferida pelos hóspedes.

Com a dedicação de D. Marlene, várias espécies de orquídeas estão florindo aqui na Chácara Rebendoleng, uma pequena coleção com bastante colorido, é de encher os olhos. Os vasos ou cachepós ficam entranhados no meio das árvores e quando desabrocham suas flores, ela coloca dentro de casa, enfeitando o lar. Com sorte e dependendo da época de floração, os visitantes podem se deliciar deparando-se com estas relíquias que a natureza oferece na gratuidade, reservado apenas as pessoas sensíveis e de bom gosto. O cheiro é de mel, outra é chocolate, às vezes adocicados e pode ter cheiro de barata más todas dão o ar de sua graça e beleza.  Estes exemplares são frutos da dedicação e amor de Marlene Talarico Bertelli que ela aprendeu no Curso de Orquídeas  oferecido pelo Centro de Desenvolvimento Sustentavel (CDS) da Universidade de Brasília; a eles nossos agradecimentos. E a quem curte Orquídeas, nossos oferecimentos.

O Cerrado preservado vai por uma trilha circular que era uma vala histórica feita na época escravocrata. Fogueira com roda de conversa, cachaça lambiqueira, vinho ou quentão dependendo da época do ano.

É uma oportunidade de aprendizado e vivência que nós praticamos e passamos as pessoas de bem que por aqui passam. Vale lembrar como aqui é próximo do natural, separamos e reaproveitamos os lixos gerados na Chácara, pedimos as pessoas que nos ajudem na conservação do ambiente. Não comungamos culturas estranhas devidos os animais silvestres que coexistem conosco como por exemplo som auto motivo ou explosivos de grande impactos, gritarias ou coisa parecida que possam prejudicar a paz ambiental do ecossistema.

UM ESPAÇO PRIVILEGIADO NO PORTAL DA CHAPADA DOS VEADEIROS EM SÃO JOÃO D’ALIANÇA, DEDICADO EXCLUSIVAMENTE AO BEM VIVER, AO BEM PRESERVAR, AO BEM ACOLHER E AO FAZER AMIGOS. SEMPRE FUNDAMENTADO NAS TÉCNICAS ALTERNATIVAS QUE INSEREM O HOMEM NA NATUREZA DANDO-LHE MAIOR QUALIDADE DE VIDA. AQUI SE VIVE E PRATICA PERMACULTURAS E ECOTÉCNICAS, NUMA VERDADEIRA VIVENCIA DO ECOTURISMO NO CERRADO (Kiko di Farias).

O polonês da Chapada dos Veadeiros