Análise quantitativa de mercúrio no bioma Cerrado: estudo de caso na Lagoa Bonita, Planaltina, DF

Autor(a):

Tiago Borges Kisaka

Resumo:

Aspectos relacionados à contaminação por mercúrio têm despertado o interesse da comunidade científica em função de seu elevado potencial tóxico. Devido ao aumento do fluxo de mercúrio na Biosfera, tornou-se necessário a emergência de estimativas nas emissões de mercúrio, identificadas pelas Nações Unidas como um problema antrópico que supera a governança nacional, além da geopolítica vigente em que o poder do país vem sendo definido pela disponibilidade de recursos naturais em seu território. O mercúrio é um elemento químico considerado não essencial a qualquer processo metabólico, porém, é facilmente acumulado na maioria dos organismos. Grande parte dos estudos desenvolvidos no Brasil com relação ao mercúrio tem enfatizado a atividade garimpeira como principal responsável pela contaminação do meio ambiente. Contudo, a literatura tem demonstrado que determinadas regiões consideradas não impactadas pela mineração do ouro apresentam níveis de mercúrio comparáveis aos de regiões com histórico de garimpo, indicando assim, que existe um aporte natural de mercúrio para o ambiente. O conhecimento da concentração, transporte e dinâmica deste metal no ambiente é necessário para predizer o grau de impactos negativos que o ecossistema esta submetido, o potencial de risco sobre os seres humanos, bem como avaliar a qualidade de vida no ambiente. Deste modo o presente estudo teve por objetivo analisar o teor de mercúrio total em amostras de peixe, macrofitas, solo e sedimento a fim de obter níveis de referência (background) na Lagoa Bonita, Estação Ecológica de Águas Emendadas, Planaltina, DF. A Lagoa Bonita é a maior lagoa natural do Distrito Federal, com uma área de 120 hectares, águas transparentes e fundo recoberto por uma de plantas aquáticas, com predominância da espécie Eleocharis spp. As coletas compreenderam os meses de maio, setembro e dezembro de 2012, para as amostras de sedimento, solo e
macrófita, e os meses de janeiro de 2011 e abril, junho e agosto de 2012 para os peixes. Foi utilizado o equipamento RA-915+ PYRO, específico para análises de amostras sólidas de Hg total por espectrofotometria de absorção atômica acoplado a uma câmara de pirólise. O estudo alcançou a identificação das concentrações de mercúrio total possibilitando a definição de valores de referência local para a região da ESECAE, que ainda não apresenta dados relacionados ao tema. As variáveis sedimento, solo superficial, solo a 10 cm e macrófita demonstraram valores médios de mercúrio total iguais a 52,96 (μg/Kg); 37,88 (μg/Kg); 30,23 (μg/Kg) e 29,49 (μg/Kg), respectivamente. Em relação aos peixes amostrados, a única espécie identificada foi o tucunaré, considera exótica, portanto não coube como referencia (background) para a região. Nas análises das matrizes solo, sedimento e peixes não se detectaram concentrações acima do permitido pela Legislação Brasileira. Por fim a área de estudo demonstrou, por meio da correlação entre o mapa de uso e ocupação, o modelo de elevação do terreno, associado ao regime hídrico, que os níveis de mercúrio foram mais elevados nas regiões de maiores altitude, com predominância de atividade agrícola. Práticas agrícolas inadequadas aumentam a erosão do solo, acelerando o transporte de Hg para cursos d’água. Teores de mercúrio total, logo, puderam fornecer uma indicação importante e sensível da presença atividades antrópicas em torno da Lagoa Bonita.

Referência:

KISAKA, Tiago Borges. Análise quantitativa de mercúrio no bioma Cerrado: estudo de caso na Lagoa Bonita, Planaltina, DF. 2013. 60 f., il. Monografia (Bacharelado em Gestão Ambiental)—Universidade de Brasília, Planaltina, 2013.

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