Análise da chuva de sementes como método para restauração de um fragmento de cerrado sentido restrito

Autor(a):

Carolina Ferreira Cordovil de Macedo

Resumo:

O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, na sua diversidade de fitofisionomias abriga uma rica fauna e flora que o tornou a savana mais biodiversa do mundo. Hotspot de biodiversidade, o bioma vem sofrendo um grave processo de degradação e intensificação do uso do solo devido à expansão agropecuária. O bioma está em corrente processo de fragmentação, e assim faz-se necessário pensar em medidas de recuperação dessas áreas de Cerrado. A regeneração natural, uma técnica que pode ser utilizada na recuperação de áreas degradadas, é baseada principalmente na sucessão natural. Para que haja sucessão é necessário a entrada de propágulos de fontes externas e internas na área a ser recuperada. Chama-se de chuva de sementes todas as sementes que são dispersas numa área em um determinado período de tempo. A dispersão é um processo ecológico, e pode ser feita por animais (Zoocoria), pelo vento (anemocooria) ou por um mecanismo próprio da planta (autocoria). O objetivo desse trabalho foi avaliar o potencial da chuva de sementes para continuar os processos de sucessão e regeneração em um fragmento perturbado de Cerrado sensu stricto dentro do Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília. Foram instalados 30 coletores de chuva de sementes na área, 15 em cada local de estudo (“CEU” e “CO”), durante seis meses. As sementes foram colocadas para germinar afim de saber a viabilidade das mesmas. Coletou-se 185 sementes, com uma densidade de 1,7 propágulos/m2. Não houve diferença estatística entre as duas áreas de coleta da chuva de sementes, segundo a ANOVA a 5% de significância. A riqueza florística total encontrada nas áreas objeto deste trabalho foi de oito famílias, sendo 10 espécies e cinco morfoespécies. A principal síndrome de dispersão foi zoocoria (61%). A espécie Blepharocalyx salicifolius teve maior frequência relativa em ambas às áreas, assim como teve maior densidade relativa nos dois locais e foi a espécie com maior índice de importância das áreas de estudo. Apenas 16% das sementes coletadas no trabalho apresentaram-se viáveis. Pelo baixo aporte de sementes aliado à baixa germinação das sementes concluiu-se que a chuva de sementes é insuficiente para dar início a um eficiente processo natural de sucessão ou garantir a sustentabilidade do fragmento objeto deste estudo.

Referência:

MACEDO, Carolina Ferreira Cordovil de. Análise da chuva de sementes como método para restauração de um fragmento de cerrado sentido restrito. 2015. 42 f., il. Monografia (Bacharelado em Engenharia Florestal)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

Disponível em:

);