O que é Arqueologia?

Arqueologia é entendida como a ciência que estuda a cultura por meio dos seus vestígios materiais. Seu foco principal é o conhecimento da pré-história e dos povos da antiguidade. No Brasil, a arqueologia tem como principal enfoque o estudo dos testemunhos da cultura paleoameríndia, ou seja, dos povos pré-históricos aqui estabelecidos antes da chegada dos portugueses. Outros ramos da Arqueologia têm se desenvolvido e se destacado, como a Arqueologia Histórica (que estuda os vestígios da ocupação humana no Brasil desde o início da colonização pelos europeus) e a Arqueologia Subaquática (que tem como objeto de análise os naufrágios e vestígios humanos submersos).

O Brasil é um país de dimensões continentais e possui grande diversidade de ocorrências arqueológicas, como os sítios tipo sambaquis, as inscrições rupestres, os cemitérios indígenas e tantos outros testemunhos da ocupação humana no território. Os trabalhos no campo da Arqueologia são como a montagem de um grande quebra-cabeça, onde cada peça se encaixa para que possamos saber mais sobre os povos que aqui habitavam há milhares de anos e produz conhecimento que deve ser guardado e repassado para as gerações futuras.

O que é um sítio arqueológico?

O sítio arqueológico pode ser classificado como sambaqui (formações de pequena elevação formadas por restos de alimentos de origem animal, esqueletos humanos, artefatos de pedra, conchas e cerâmica, vestígios de fogueira e outras evidências primitivas), estearia (jazidas de qualquer natureza que representam testemunhos da cultura dos povos primitivos brasileiros), mound (monumentos em forma de colinas, que serviam de túmulos, templos e locais para moradia), e hipogeu (ambientes subterrâneos, às vezes com pequenas galerias, nas quais eram sepultados os mortos).

Em áreas urbanas, o sítio arqueológico histórico é um espaço geográfico delimitado pela presença de vestígios materiais oriundo do processo de ocupação do território pós-contato, tais como:

• Estruturas, ruínas e edificações construídas com o objetivo de defesa ou ocupação (buracos, baterias militares, fortalezas e fortins);
• vestígios das infraestruturas (vias, ruas, caminhos, calçadas, ruelas, praças, sistemas de esgotamento de águas e esgotos, galerias, poços, aquedutos, fundações remanescentes das mais diversas edificações, dentre outras que fizeram parte do processo de ocupação iniciados nos núcleos urbanos e em outros lugares);
• lugares e locais onde possam ser identificadas remanescentes de batalhas históricas e quaisquer outras dimensões que envolvam combates; Antigos cemitérios, quintais, jardins, pátios e heras;
• estruturas remanescentes de antigas fazendas, quilombos, senzalas e engenhos de cana e farinha;
• estruturas remanescentes de processos industriais e manufatureiros; e
• vestígios, estruturas e outros bens materiais que possam contribuir na compreensão da memória nacional pós-contato.

O que é patrimônio arqueológico?

O patrimônio arqueológico integra o patrimônio cultural material e engloba todos os vestígios da existência humana e todos os lugares onde há indícios de atividades humanas, não importando quais sejam elas, estruturais e vestígios abandonados, de todo tipo, na superfície, no subsolo ou sob as águas, assim como o material a eles associados (Carta de Laussane). O Patrimônio Arqueológico possui uma base de dados finita e não comporta restauração, sua capacidade de suporte de alterações é muitíssima limitada.

Esse patrimônio caracteriza-se como o conjunto de locais onde habitaram as populações pré-históricas, e toda e qualquer evidência das atividades culturais desses grupos e inclusive seus restos biológicos. É formado não só por bens matérias (artefatos de pedra, osso, cerâmica, restos de habitação, vestígios de sepultamentos funerários), mas também e principalmente pelas informações deles dedutíveis a partir, por exemplo, da sua própria disposição locacional, das formas adotadas para ocupação do espaço e dos contextos ecológicos selecionados para tal. O Patrimônio Arqueológico (histórico) compreende os sítios arqueológicos históricos definidos durante o Congresso Internacional de Sítios Urbanos – 2002, realizado pelo Iphan, em Brasília.

Ainda estamos engatinhando na busca do que representa e do que significa toda esta arte do Brasil Central.

Claramente se percebe que os diferentes estilos são limitados localmente e que pertencem a tradições amplamente espalhadas pelos quatro cantos do país. Para cada um deles não há só conteúdos diferentes, mas também diferentes maneiras de representar as coisas e, em certo sentido, até lugares diversos para colocar as figuras.

Cada um dos estilos não é, em si mesmo, tão rigidamente padronizado como às vezes nos sugere o termo, mas pode usar extrema flexibilidade nos objetos representados, na maneira de representá-los e nos lugares para isso escolhidos. Dos estilos estudados, o de Serranópolis apresenta maior variabilidade, mas Caiapônia não fica muito atrás.

Algumas populações foram capazes de elaborar pinturas naturalistas com muito movimento e cenas de grande criatividade, como as de Caiapônia. Outras produziram cenas altamente estilizadas, mas muito sugestivas, como as de Jaraguá.

A maior parte não soube ou não quis dar movimento às figuras e simplesmente as justapôs ou distribuiu no espaço uma forma mais naturalista em Serranópolis, mais estilizada em Itapirapuã e na Bahia, ou simplesmente geométrica, em Formosa e também em Monte do Carmo.

Há as que usam só a pintura, como em Caiapônia, Formosa e Bahia; outras, a pintura e a gravura, como em Serranópolis;  e outras só a gravura, como as demais, mesmo se às vezes preenchem os sulcos com pigmentos, como em Monte do Carmo-TO.

O lugar das sinalizações costuma ser o próprio abrigo onde moram, ou um lajedo ou bloco de pedra na proximidade de uma aldeia, quando agricultores.

O que as figuras representam? A maior parte das cenas e outras figuras naturalistas parecem clichês ou representações da realidade cotidiana, como a caçada, o abastecimento, a família, as brincadeiras, os animais em movimento ou parados.

Jaraguá também? Ou temos aí algo diferente, como uma cena de sacrifício real ou mitológico? Os altamente estilizados de Itapirapuã, tão obscuros para nós e ao mesmo tempo tão sugestivos: imensas serpentes estendidas, enroladas, com perninhas; plantas com flores; pisadas dos mais variados animais do Cerrado. E a quantidade de figuras que classificamos como geométricas em todos os lugares?

Como eles se encaixam no cotidiano das populações? Certamente são excelentes marcadores de lugar. Qualquer morador indígena poderia identificar sem erro, nem problemas, o “paredão das araras”, onde existe o melhor material para fazer instrumentos de pedra; o imenso salão coberto da “mulher pintada”, onde cabia todo o bando para a estação das chuvas; a aldeia junto ao “lajedo das cobras”, onde o moço agricultor tinha de escolher a sua noiva.

Para esta identificação, poderia servir tanto uma figura isolada como um conglomerado sem sentido aparente, ou uma cena como a “ciranda dos macacos”. Poderia servir também para marcar e delimitar o território de cada um dos grupos nômades.

Mas seria só isto? Com certeza, não. A pintura “veste” os abrigos por mais inóspitos que eles tenham parecido inicialmente, tornando-os domésticos e hospitaleiros.

Isto é evidente nos grandes abrigos de paredes verticais, cheios de quadros muito elaborados, mas aparece mais ainda nas pequenas furnas, onde as irregularidades das paredes e dos tetos são cobertas por rudimentares volutas e arabescos, que decoram todo o espaço; ou em abrigos de tetos inatingíveis, contra as quais se jogam mãos cheias de tinta para que os seus respingos os transformem em verdadeiro céu estrelado.  Só os espaços decorados são habitados. Abrigos com pouca decoração eram poucas vezes utilizados.

E poderia servir, também, à competição e ao treinamento. As pinturas mais bonitas estão nos lugares de mais difícil acesso, obrigando o artista a subir na ponta de árvores, nas saliências perigosas das rochas, ou a armar um andaime primitivo. E os mais simples estão perto do chão, como se fossem produto de mão infantil, imitando o que o mais velho fazia mais para cima.

Os lajedos com gravuras à beira dos córregos e das lagoas, onde mora a sucuri, seriam excelentes lugares para os rituais coletivos ou para a meditação particular.

O que é certo é que as pinturas e gravuras representam algo de muito importante para os seus criadores: elas continuaram durante ao menos dez mil anos e foram respeitadas de tal modo que só raramente se encontram figuras sobrepostas, apesar de terem sido complementadas durante inumeráveis gerações.

Nelas certamente está representada parte da sua história, da sua sociedade, da sua cultura. E, ao mesmo tempo em que sucessivas gerações indígenas aprendiam através delas, como um patrimônio do passado, com satisfação as complementavam, aumentando o legado para as gerações futuras.

As gerações indígenas terminaram e as suas gravuras e pinturas foram abandonadas e esquecidas. Até que nós as encontramos. Hoje são patrimônio da humanidade e nossa responsabilidade.

Fonte: https://www.xapuri.info/arqueologia/altair-sales-arte-rupestre-cerrado/

MAHPC

Museu Arqueológico e Histórico do Planalto Central

O parque Três Meninas, localizado em Samambaia, região administrativa próxima a Brasília, passou a sediar o Museu Arqueológico e Histórico do Planalto Central no dia 09 de setembro de 2014. O lançamento fez parte de um conjunto de ações desenvolvidas pela Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) e o  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN-DF), com o apoio do Instituto Brasília Ambiental (IBRAM), entidade responsável pelos parques do Distrito Federal. Destacam-se a exposição “O IPHAN e o Patrimônio Arqueológico do Planalto Central”, realizada pelo IPHAN-DF, com o apoio do Departamento de Articulação e Fomento (DAF) e colaboração do IPHAN-Goiás e a exposição “Patrimônio Arqueológico no Planalto Central: Eco-História do Cerrado” sob a curadoria da Dra Rosângela Corrêa da Faculdade de Educação da UnB com apoio do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA) – vinculado à Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPE) da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás).

Exposição O IPHAN e o Patrimônio Arqueológico do Planalto Central

Infelizmente o Museu teve suas portas fechadas no Parque Três Meninas mas tornou-se itinerante dentro do Distrito Federal através de uma exposição que neste momento as pessoas poderão visitá-la on line:

Entre no Museu no link abaixo:

Museu Arqueológico e Histórico do Planalto Central

Curadoria: Dra Rosângela Azevedo Corrêa

                  Faculdade de Educação – Universidade de Brasília

EVENTO:

A exposição Eco-história do Cerrado do Museu Arqueológico e Histórico do Planalto Central no hall do Instituto de Ciências Sociais.

O Museu Arqueológico e Histórico do Planalto Central tem como objetivo dar a conhecer a sociedade uma história desconhecida, a Eco-história do Cerrado, uma história que está relacionada a mais antiga ocupação humana ocorrida na região há cerca de 13 mil anos, assim como tudo que acontece no Brasil e no mundo. 

Visite a nossa página no facebook:
https://www.facebook.com/museu.arqueologico.df/

Distrito Federal

Patrimônio Arqueológico – Distrito Federal

Ainda pouco conhecido do grande público, o patrimônio arqueológico do Distrito Federal (DF) tem sido objeto de ações de difusão desenvolvidas pela Superintendência do Iphan no DF, como exposições e publicações, e contemplado por programas e Educação Patrimonial realizados no âmbito de projetos de arqueologia preventiva com vistas ao licenciamento ambiental. Esse patrimônio corresponde a sítios e materiais culturais preexistentes à construção de Brasília. É um testemunho documental da presença de grupos humanos na região desde o período pré-histórico até épocas mais recentes, e oferece informações sobre a ocupação humana na região há, pelo menos, 10 mil anos.

Os sítios arqueológicos mais antigos, registrados no DF, são atribuídos a grupos caçadores-coletores que deixaram, como principal vestígio, instrumentos de pedra lascada e os resíduos produzidos pela sua fabricação. Foram encontrados em áreas que oferecem fontes de matérias-primas para a produção de instrumentos lascados, como arenito silicificado e quartzo, registradas na forma de veios ou, principalmente, de matacões ou afloramentos rochosos que apresentam marcas de retiradas. E, ainda, os próprios resíduos de lascamento e, eventualmente, algum instrumento pronto, como lascas, raspadores e pontas de projétil. Como exemplos, citam-se os sítios Taguatinga-11 e Taguatinga-15 (Parque Três Meninas, em Samambaia) e o sítio Ville de Montagne (na bacia do Córrego São Bartolomeu (região do Jardim Botânico). 

Alguns sítios arqueológicos cerâmicos também têm sido registrados na área do DF apresentando, como principal vestígio, fragmentos de vasilhas feitas de argila queimada usadas principalmente no preparo e no armazenamento de alimentos. Representam uma ocupação posterior aos sítios líticos dos grupos caçadores-coletores e são atribuídos a grupos que praticaram algum tipo de agricultura, como aqueles registrados na bacia do ribeirão Ponte Alta (no Gama) e aqueles registrados nas cabeceiras do córrego Ipê (na Granja do Ipê, Riacho Fundo e Parkway), entre outros. 
    
Além desses sítios do período pré-colonial, registram-se sítios arqueológicos relacionados à ocupação europeia, consolidada na região a partir do século XVIII, onde os vestígios são restos de edificações e de outras obras, além de materiais em louça, vidro e metal de origem europeia, que eram usados de forma concomitante à cerâmica e a outros materiais de produção local. No Parque Nacional de Brasília, há vários desses sítios, associados às estradas coloniais. De uma ocupação rural mais recente, que antecedeu a construção de Brasília, são registrados por toda a área do DF, sítios compostos por restos de edificações, muros e outras estruturas, geralmente de terra-crua, com estruturas de madeira bruta ou lavrada. 

Sítios cadastrados – No Distrito Federal, foram cadastrados, pelo Iphan, 26 sítios arqueológicos: os sítios líticos, como os pesquisados no rio Taguatinga ou Melchior, no Parque Três Meninas e no Altiplano Leste, localizados na Bacia do Rio São Bartolomeu; o sítios cerâmicos, registrados na Granja do Ipê e no ribeirão Ponte Alta; e os sítios classificados como colonial que estão exemplificados no Parque Nacional de Brasília, na região da Serra da Contagem e em outras fazendas anteriores à construção de Brasília.

Na região do Planalto Central – da qual fazem parte o Estado de Goiás e o Distrito Federal – ocorrem vários tipos de sítios arqueológicos: 

Sítios líticos – Sítios pré-históricos são os mais antigos e datam de até 11 mil anos, marcados pelos sinais de sua ocupação por pequenos grupos de caçadores-coletores, principalmente instrumentos de pedra lascada e resíduos de sua fabricação, e podem apresentar, entre outros vestígios, fogueiras e restos de alimentos que se conservaram.   

Sítios cerâmicos – Os sítios pré-históricos ou pré-coloniais cerâmicos do Planalto central geralmente apresentam restos materiais de grupos que praticavam algum tipo de agricultura, e cujos vestígios mais abundantes são fragmentos ou mesmo vasilhas inteiras feitas de argila queimada, usadas no preparo e armazenamento de alimentos ou, ainda, como urnas funerárias para sepultamento dos mortos.

Sítios-cemitério – Locais que foram usados especialmente para sepultamento em urnas cerâmicas ou depositados no solo, onde podem ser encontrados, além de restos mortais, objetos e oferendas, entre outros elementos de acompanhamento funerário.     

Sítios de arte rupestre – Encontrados em grutas ou abrigos sob rochas, matacões, lajedos e paredões de pedra em cuja superfície rochosa foram deixadas pinturas e gravuras que informam sobre vários aspectos da vida dos seus produtores.       

Sítios do período colonial – Relacionam-se à colonização europeia, consolidada na região a partir do século XVIII, e seus vestígios são, principalmente, restos de edificações e de outras obras, além de materiais de louça, vidro e metal de origem europeia, que eram usados de forma concomitante à cerâmica e a outros materiais de produção local.   

Fonte: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/576/

Muitos consideram o Distrito Federal uma Unidade Federativa com um passado muito recente, com uma aparente ausência de tradições seculares, pois consideram que a sua história teve inicio com a ideia da transferência da capital para o Planalto Central. Mas esse suposto vazio cronológico provém do desconhecimento da história do Planalto Central.

As pesquisas e os estudos arqueológicos realizados, trinta anos depois da inauguração de Brasília, pelo arqueólogo Eurico Teófilo Miller, tornou evidente a existência de sítios pré-históricos no Distrito Federal, particularmente na região do Gama.

Em 1991, foram encontrados dois sítios com restos de cerâmica e artefatos de pedra, espalhados por uma área de quase 3.000 m², nas cabeceiras do Córrego Ipê, em antiga região de mata, derrubada em 1960. Hoje, encontram-se no local a Universidade Holística e a Cidade da Paz.

As explorações, no ribeirão Ponte Alta, a oeste do Gama, também foram bem sucedidas. Em uma área de poucos quilômetros quadrados foram encontrados vestígios de quatro sítios arqueológicos indígenas com características cerâmicas e pré-cerâmicas. O sítio cerâmico configura uma aldeia indígena de forma circular característica da tradição Jê.

Outros dois sítios exclusivamente cerâmicos foram encontrados na mesma área, sendo um deles grande e de formato circular.

Em 1993, em Taguatinga, na área do córrego Melchior descobriram mais cinco sítios pré-cerâmicos com características de acampamentos de caça, que, acredita-se, eram reocupados de tempos em tempos por pequenos grupos.

Em 1994, na área do rio Descoberto, 16 sítios foram encontrados. Nove eram pré-cerâmicos, dois de grupos cerâmicos e cinco eram “taperas” de fazendas coloniais. Uma dessas ruínas de fazenda assentava-se exatamente sobre um sítio indígena pré-cerâmico.

Segundo o Dr. Miller, alguns dos sítios pré-cerâmicos tem de 7.000 a 7.500 anos de idade. Isso significa que poderiam ter vivido no Distrito Federal duas culturas indígenas distintas: Aquela antiguíssima de caçadores pré-cerâmicos e outra, novíssima, de apenas mil anos, de agricultores ceramistas, ambas chegando a existir até a chegada dos colonizadores.

Em 2012, entre Taguatinga e Samambaia, um novo sítio foi encontrado pela Caesb durante as obras de saneamento básico no local. As obras na área foram embargadas e o sítio será preservado. Acredita-se que existem dezenas de sítios arqueológicos em diferentes ambientes favoráveis do Distrito Federal ainda por descobrir.

As pesquisas e os estudos arqueológicos já realizados comprovam que as terras do Distrito Federal foram habitadas por índios da tribo dos Tapuias, também conhecida por Jê: Quirixá, Cinta-Larga, Tocantinitins, Arraés, Guayazes ou Goyá, Xavante e Pedra Branca e que eles eram ceramistas, agricultores e alguns exímios caçadores. A presença deles nesta região está registrada em inúmeros livros, na denominação de diversos locais, no nome de diversos frutos, animais, plantas, etc.

Eles viveram nas cabeceiras do córrego Ipê e na região do ribeirão Ponte Alta, a Oeste do Gama e nas margens do córrego Melchior, em Taguatinga, nas margens do córrego Samambaia, entre Samambaia e Taguatinga e nas margens do rio Descoberto.

Em 2010 na região de Samambaia foi feito um Diagnóstico Arqueológico com objetivo de avaliar o potencial arqueológico e os possíveis impactos gerados ao patrimônio arqueológico e cultural na Área Diretamente Afetada pela implantação do Parcelamento de Solo do Subcentro Leste de Samambaia, leia o documento abaixo:

https://museucerrado.com.br/wp-content/uploads/2017/06/DIAGNÓSTICO-DO-PATRIMÔNIO-ARQUEOLÓGICO-E-CULTURAL-DA-ÁREA-DIRETAMENTE-AFETADA-PELO-PARCELAMENTO-DE-SOLO-DO-SUBCENTRO-LESTE-DE-SAMAMBAIA-DF.pdf

Vejam o vídeo sobre o Projeto Brasília Antes de Brasília, executado pelo Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia da Universidade Católica de Goiás em parceria com a Fundação Aroeira com apoio financeiro da CAESB e supervisão do IPHAN (2005).

Pesquisa arqueológica estuda presença do homem pré-histórico no Centro Oeste

Ferramentas líticas achadas em sítio no Paranoá (DF) – raspador plano-convexo

Como era a vida do ser humano na região de Brasília (DF) há cerca de 11 mil anos? Como ele vivia, como fazia suas ferramentas de trabalho? Essas são algumas questões que, atualmente, arqueólogos estão pesquisando a partir de vestígios de ferramentas encontrados Região Administrativa do Paranoá. A descoberta desse sítio arqueológico, em 28 de abril de 2017, está na fase de curadoria e análise. A descoberta aconteceu durante a primeira fase de um trabalho de licenciamento ambiental, de acordo com a portaria do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No Brasil, todo empreendimento deve seguir a Legislação Ambiental onde diversos órgãos, entre eles o Iphan, avaliam o impacto sobre o meio ambiente que possam atingir bens culturais. 

Os vestígios encontrados são compostos por núcleos, lascas e instrumentos produzidos a partir do quartzito. As peças coletadas em campo estão associadas tecnologicamente aos grupos pré-históricos que habitavam o Planalto Central há milhares de anos, durante uma sequência arqueológica conhecida como Tradição Itaparica, que ocorreu entre 11 a 6,5 mil anos atrás. A Tradição Itaparica já foi encontrada na região entre o cerrado e a caatinga, em estados como Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso de Sul, Tocantins, Pará, Piauí e Sergipe.

Naquela época, o homem produzia suas ferramentas a partir da transformação da pedra. O quartzito, portanto, é um geoindicador por ser uma matéria-prima de qualidade. As pedras eram lascadas e se tornavam ferramentas que serviam para caçar animais e também para o tratamento ou processamento da carne e ossos. Um exemplo de ferramenta é o raspador, uma espécie de faca afiada apenas de um lado. O sítio foi considerado pelo Iphan como de alta relevância para a região, pois apresenta importante componente arqueológico para a compreensão da complexidade do contexto caçador-coletor antigo da região, demonstrado na análise tecnológica aplicada nos vestígios recuperados.

Um grande achado está chamando a atenção dos arqueólogos: fragmentos de carvão. Isso é importante porque, a partir desse material, será possível uma datação precisa deste sítio arqueológico. A partir das rochas não é possível saber quando as ferramentas foram feitas, a não ser por estimativa. Porém, materiais orgânicos, como fragmentos de carvão, servem como indicativo para uma datação precisa. Neste caso, o carvão pode ter sido resultado de fogueiras ou queimadas naturais e foi encontrado no mesmo nível de outros objetos, isto é, a cerca de 40 centímetros de profundidade. 

Os materiais agora serão enviados para um laboratório nos Estados Unidos, onde serão submetidos ao processo de análise de datação radiométrica. A técnica irá medir a radiação presente em elementos orgânicos. Por meio deste procedimento é possível estimar a idade de quando a fogueira foi feita e, também, a data das ferramentas encontradas.

Educação patrimonial
Na segunda quinzena de março, alunos dos cursos de Biologia e Geologia da Universidade de Brasília (UnB) irão conhecer o sítio acompanhados do arqueólogo Edilson Teixeira de Souza, responsável pela descoberta do sítio. A visita faz parte de um programa de educação patrimonial, uma das exigências do Iphan no processo de licenciamento ambiental. Na ocasião, os alunos vão conhecer o que é arqueologia, como ela é estudada, o que encontraram no sítio e como são os procedimentos de metodologia e escavação. O objetivo é contribuir para o conhecimento dos universitários.

Ainda nesta frente de atuação, o projeto de pesquisa prevê ações com os trabalhadores do empreendimento. Será feita uma capacitação para que os operários entendam o trabalho de arqueologia para que eles possam também ajudar a identificar novos achados.

No âmbito da política de gestão do patrimônio arqueológico, quando a pesquisa for encerrada, o relatório do arqueólogo responsável pelo trabalho de campo será encaminhado à Superintendência do Iphan no Distrito Federal para análise e manifestação conclusiva. As peças encontradas serão acondicionadas no Museu de Geociência do Instituto de Geociências da UnB, que é a instituição de guarda e endosso institucional de achados arqueológicos no Distrito Federal. A previsão é que o estudo seja concluído ao final de 2018, quando então deverá ser montada uma exposição para dar visibilidade aos achados e retorno do conhecimento produzido à comunidade brasiliense, conforme exigência da Instrução Normativa Iphan nº 1/2015.

Escavações feitas em sítio arqueológico descoberto no Paranoá (DF)

O sítio
O sítio tem uma área estimada entre 10 a 15 hectares. Encontra-se próximo da margem esquerda de um córrego associado à parte da área onde ocorrem afloramentos quartzíticos, que serviram de fonte de matéria-prima para a confecção das ferramentas. Apesar do intenso processo de perturbação sofrido pela área nas últimas décadas, o sítio apresenta relevante potencial de pesquisa para a compreensão do horizonte caçador-coletor na região. 

Licenciamento ambiental
O licenciamento ambiental é uma obrigação legal prévia à instalação de qualquer empreendimento ou atividade potencialmente poluidora ou degradadora do meio ambiente. Está previsto na Instrução Normativa IPHAN nº 1/2015 e Portaria Interministerial nº 60, de 24 de março de 2015, envolvendo várias áreas do governo federal, estadual e municipal inclusive o Iphan, uma vez que o patrimônio cultural é uma das dimensões do meio ambiente, compreendido além da dimensão dos aspectos meramente naturalísticos. Vale lembrar que o patrimônio cultural acautelado tem como característica sua natureza finita, portanto, não renovável.

Fonte: http://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/4568/pesquisa-arqueologica-estuda-presenca-do-homem-pre-historico-no-centro-oeste

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Nota Iphan sobre Sítio arqueológico Ville de Montagne II – Setor Habitacional Setor Habitacional São Bartolomeu

A pesquisa sobre o sítio arqueológico Ville de Montagne II – Setor Habitacional São Bartolomeu foi iniciada em 01/09/2011 e vem sendo tratada no âmbito do Iphan por meio do Processo Iphan nº 01551.000555/2013-19
I. A autorização de pesquisa arqueológica do Iphan, como órgão anuente do Processo de Licenciamento Ambiental conduzido pelo IBRAM DF, não incide sobre a propriedade do imóvel e é fornecida ao arqueólogo solicitante, conforme os ditames da Portaria SPHAN nº07/88, Portaria IPHAN nº230/2002. Ou seja, a autorização do Iphan é para realização de pesquisa arqueológica e não gera nenhum vínculo de titularidade da terra para o solicitante ou empreendedor.
A Resolução CONAMA nº 001/1986, que estabelece as regras do licenciamento ambiental e baliza as referidas portarias, não exige que seja apresentado pelo empreendedor a titularidade da terra para obtenção de licenças ambientais.
O Iphan, por sua vez, exige, entre outros documentos, o endosso financeiro do empreendedor para custear as pesquisas solicitadas. No caso em questão, esse documento foi fornecido pela Associação dos Moradores do Condomínio Ville de Montagne.
II. A pesquisa foi iniciada 01/09/2011 por ofício que encaminha o Projeto de Diagnostico do Patrimônio Arqueológico e Cultural. Da Área Diretamente Afetada pelo Setor Habitacional Ville de Montagne II – Jardim Botânico –DF.
Quando o Iphan tomou conhecimento dos problemas fundiários naquela área cancelou imediatamente a autorização da pesquisa arqueológica e informou a Terracap dessa decisão. Na ocasião, o Iphan solicitou àquela Companhia que tomasse mediadas de segurança e prevenção para a garantir a proteção do sítio arqueológico ali identificado. Solicitação prontamente atendida, com a colocação de vigilância 24 horas.
III. A solicitação do cancelamento da portaria autorizativa de pesquisa se deu por meio de memorando da Superintendência do Iphan do DF enviado ao Centro Nacional de Arqueologia, no qual solicita a cassação da Portaria de Permissão de Pesquisa nº08,Anexo I, Seção I, da Portaria nº37/2013 publicada no Diário Oficial da União em 12 de novembro de 2013, em nome do arqueólogo Edilson Teixeira Souza, referente ao processo nº01551.000555/2013-19, Projeto de Resgate/Salvamento do Sítio Arqueológico Ville de Montagne II – Jardim Botânico – RA XVIII – DF, atendendo à solicitação da Superintendência do Iphan do DF e também de ações de preservação no sítio arqueológico Ville de Montagne II.
IV. No momento, a Superintendência do Iphan no Distrito Federal aguarda o reinício do processo de licenciamento ambiental por parte da Terracap.
V. Por oportuno, ressalta-se a relevância do sítio arqueológico Ville de Montagne: Trata-se de sítio pré-histórico do tipo “lítico”, vinculado aos caçadores coletores pré-históricos da tradição Itaparica. Seus vestígios constituem, principalmente, em artefatos de pedra lascada e de resíduos da produção desses instrumentos. É importante informar que o contexto arqueológico e a tipologia do material presente no sítio permitem associá-lo às mais antigas ocupações humanas conhecidas arqueologicamente no Planalto Central brasileiro, que datam de cerca de 10 mil anos.
VI. Portanto, fica evidente que a Portaria de Permissão de Pesquisa Arqueológica fornecida pelo Iphan se constitui em uma etapa do processo de licenciamento ambiental, e se refere exclusivamente à identificação e proteção do patrimônio arqueológico do Distrito Federal.
Brasília, 11 de outubro de 2017
Superintendência do Iphan DF

Goiás

 Sítio Arqueológico do Bisnau Pontifícia Universidade Católica de Goiás 

Centro Cultural Jesco Puttkamer Universidade Estadual de Goiás – Núcleo de Arqueologia (NARQ)

Publicações:
 
– Binant, Pascale; Viana, S. A.; Penã, A. P. VER, SER VISTA E DEIXAR SER VISTA”: ASPECTOS DAS RE-LAÇÕES DIALÉTICAS ENTRE AS PINTURAS RUPESTRES DECAIAPÔNIA, GOIÁS. Amazôn., Rev. Antropol. (Online) 10 (1): 210 – 233, 2018.
Este artigo tem o objetivo de apresentar os resultados da reto-mada dos estudos das pinturas rupestres na região arqueológica de Caiapônia, localizada na região sudoeste do Estado de Goiás,município de Palestina de Goiás. As pesquisas na região têm seu primeiro momento entre fins da década de 1970 e início de 1980,realizadas pela equipe de P. I. Schmitz. A partir de 2009, uma nova fase de estudos se instaura, delineando o atual processo investigativo, que repousa no estudo de aspectos de relações dialéticas entre as manifestações rupestres de Caiapônia a partir da distribuição espacial dos abrigos pintados no território, do posiciona-mento das pinturas nos abrigos e da relação que elas estabelecem entre si.
Palavras-chave: Caiapônia. Arte Rupestre. Distribuição Espacial dos Abrigos. Distribuição espacial das pinturas
file:///C:/Users/Professor(a).FE373524/Documents/Cerrado/Ver,%20Ser%20Vis%20e%20Deixar%20Ser%20Vis%20aspectos%20das%20rela%C3%A7%C3%B5es%20dial%C3%A9ticas%20entre%20pinturas%20rupestre%20de%20Caiap%C3%B4nia,%20GO.pdf 
 

Minas Gerais

Museu da Lapinha – Centro Arqueológico de Lagoa Santa – MG

O Museu da Lapinha localizado na entrada da à Gruta da Lapinha em Lagoa Santa, Minas Gerais, foi fundado em 1972 por Mihály Bányai a partir dos artefatos coletados, adquiridos e estudado por ele na região.

Atualmente, o Museu possui cerca de 8.000 peças, formando um acervo composto por ossadas humanas, artefatos cerâmicos e líticos, fósseis, minerais e animais taxidermizados.

Uma das coleções mais significativas é a de Antropologia Física, com destaque para quatro ossadas humanas coletada na Lapa do Acácio em 1987 pelo fundador do Museu e o conjunto de esqueletais coletados pelo amador Hélio Diniz nos anos 70.

A coleção de machados lunares compreende uma das coleções mais completas dessa tipologia de artefato lítico na região.

Caracteriza-se como um modelo de Gabinete de Curiosidades, indispensável à compreesão dessa tipologia de organização científica no início do séc. XX no Brasil.

Centro Arqueológico de Lagoa Santa – MG

Gruta da Lapinha
Acesso pelo km 44 da MG-010, direção Serra do Cipó Lagoa Santa, MG
Horários de Funcionamento
Terça a Sexta: 9:30h às 16h Sábado, Domingo e Feriados: 9:30h até 17h

Contato: (31)3681 1363 – (31)9158 7211

museudalapinha@gmail.com

http://lacicor.eba.ufmg.br/museuarqueologico

Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG

O Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG (MHNJB/UFMG) está instalado em uma área com aproximadamente 600.000 m², possui vegetação diversificada e típica da Mata Atlântica, que reúne, além das nativas, espécies exóticas.

O Museu dispõe de um acervo formado por aproximadamente 265.664 itens entre peças e espécimes científicos preservados e vivos (coleção científica de plantas e reserva vegetal) e contextualizados nas áreas da Arqueologia, Paleontologia, Geologia, Botânica, Zoologia, Cartografia Histórica, Etnografia, Arte Popular e Documentação Bibliográfica e Arquivística.

Integrando as áreas citadas também podem ser mencionados livros e periódicos, nacionais e estrangeiros, que se encontram na biblioteca do MHNJB/UFMG, assim como um expressivo conjunto de fotos e de documentos do museu, incluindo aqueles relativos ao Presépio do Pipiripau. Parte desse acervo encontra-se exposto e pode ser visitado.

O museu dispõe ainda de um auditório, de um viveiro de mudas, uma lagoa, um anfiteatro ecológico e um jardim sensorial.

Arqueologia Pré-histórica

Dos acervos da Arqueologia, o pré-histórico, formado por milhares de peças, destaca-se pelos restos líticos e esqueletais, como aqueles que integram a Coleção Harold Walter. Mas a maior parte dessas peças ou vestígios foi encontrada em sítios arqueológicos, como nos da província arqueológica de Lagoa Santa, MG, incluindo vestígios daquele sítio onde foi descoberto o crânio mais antigo das Américas, conhecido como “Luzia” e que se encontra depositado em uma outra instituição. Vestígios encontrados nos sítios da província arqueológica do vale do rio Peruaçu, internacionalmente conhecida como a anterior e localizada na região norte de Minas Gerais, bem como aqueles vestígios arqueológicos relacionados com pesquisas em andamento na região de Diamantina, com destaque para os elementos mumificados, também fazem parte desse acervo. Das atividades implementadas por essa área da Arqueologia no MHNJB, resultou um dos mais ricos acervos do Brasil referente a arqueobotânica e a restos esqueletais documentando as primeiras populações americanas. Por conta disso, as visitas de pesquisadores de outras instituições nacionais e estrangeiras para consultas a esses acervos são muito frequentes.

Primeiros Passos na Conservação de Bens Arqueológicos

Atividade lúdico-interativa cujo objetivo principal é instruir os participantes, por meio da Educação Patrimonial, sobre a importância da conservação de bens arqueológicos. Dentro deste contexto, são apresentados aos participantes conceitos básicos de Arqueologia, Patrimônio Cultural e informações relativas à atuação do profissional da ciência da Conservação e Restauração. Ao final da atividade, o participante terá maior esclarecimento acerca do exercício do seu papel de cidadão junto ao Patrimônio Cultural e da necessidade do saber científico para o aprimoramento da preservação dos bens arqueológicos para usufruto das gerações futuras.

Público alvo

Grupos de estudantes e outros

Faixa etária

8 a 10 anos

Condições

Mediante agendamento e pagamento de taxa de entrada

Número máximo de participantes por turno

20

Duração

2h30

Local

Sala de Exposição Temporária 3

Endereço: Rua Gustavo da Silveira, 1035 – Santa Inês – Belo Horizonte – MG

Telefones: Agendamento de visitas – (31) 3409-7650 / Diretoria – (31) 3409-7600

Metrô

Estação Santa Inês

Ônibus

4600 – 4802A – 8001A – 9105 – 9205 – 9402 – 9414 – 9550

Site: https://www.ufmg.br/mhnjb/museu/

Pesquisa arqueológica descobre inéditas sepulturas em cinzas no Sudeste de Minas Gerais

Sepulturas número 34 e 37, exumadas em 2014. Crédito: Andre Strauss

Inusitados sepultamentos sobre cinzas foram encontrados nas proximidades da cidade de Lagoa Santa, em Minas Gerais. Essa descoberta revela hábitos sociais complexos dos habitantes pré-históricos do período Holoceno e levanta novas perguntas sobre a complexidade das populações caçadoras-coletoras americanas.

Em destaque no mapa, o município de Lagoa Santa

O Sudeste de Minas Gerais é uma região repleta de sítios arqueológicos, que contêm vestígios dos habitantes pré-históricos das Américas. Dentre esses sítios, na região da cidade Lagoa Santa, o sítio de Lapa do Santo se destacou pela presença de mais de trinta sepulturas de populações do Holoceno, o período que começa depois do último período glacial (11.000 a.C) e se estende até agora. A partir do estudo desses sepultamentos, foram identificados três tipos de ritos fúnebres, dentre eles, o sepultamento sobre camadas de cinzas.

A professora do MAE Ximena Villagran, doutora em Arqueologia Pré-Histórica pela Universidad Autónoma de Barcelona e em Geociências pela Universidade de São Paulo, em uma  pesquisa conjunta com Andre Strauss, Christopher Miller, Bertand Ligouis, e Rodrigo de Oliveira, fez uma análise arqueológica micro morfológica do sítio arqueológico de Lapa do Santo a fim de mapear os processos de formação sedimentar da área. Villagran explica que os estudos micro contextuais são técnicas de microscopia que permitem o entendimento do que se passou, geologicamente, em determinada localidade, “A micromorfologia é uma técnica de alta resolução para entender o processo de formação do sítio”. O método consiste em coletar amostras de terrenos em cortes transversais, ou seja, deixando as camadas de solo visíveis; fazer lâminas impregnando resina e colocá-las no microscópio. O objetivo, segundo Villagran, é complementar as descobertas já feitas em Lapa do Santo. “Ao observar esses sedimentos no microscópio, podemos ver todos os seus componentes e a maneira que se relacionam. Isso permite interpretar processos”, completa a pesquisadora.

Respectivamente, imagem de amostra do sítio; fotomicrografia dessa mesma amostra, os pontos laranja são fragmentos de osso de peixe, em uma matriz cinzenta feita de cristais de cinzas, misturada com agregados de argila vermelha. Os espaços em branco na imagem correspondem a poros nos sedimentos; a terceira imagem é a fotomicrografia das cinzas, pequenos cristais de pseudomorfos de oxalato de cálcio em calcita. Fotos: Ximena Villagran

Usando esse método, foi possível identificar não somente o material incomum dos sepultamentos, as cinzas, mas também sua composição de madeira semi-apodrecida, identificada por meio da técnica de petrografia orgânica,. Além disso, detectou-se a presença de fogueiras ao lado das covas e de fragmentos de cupinzeiro no material microscópico sedimentar entre as cinzas. As motivações para a presença desses elementos estão sendo pesquisadas.

Os resultados do estudo estão publicados no Journal of Archeological Science, edição de janeiro de 2017. Buried in ashes: Site formation processes at Lapa do Santo rockshelter, east-central Brazil.

Disponível: https://paineira.usp.br/aun/index.php/2017/05/08/pesquisa-arqueologica-descobre-ineditas-sepulturas-em-cinzas-no-sudeste-de-minas-gerais/

NEVES, Walter A.; DA-GLORIA, Pedro  and  HUBBE, Mark.Lagoa Santa: em busca dos primeiros americanos. Cienc. Cult. [online]. 2016, vol.68, n.4, pp.52-55. ISSN 2317-6660.  http://dx.doi.org/10.21800/2317-66602016000400017. 

Tocantins

O Núcleo Tocantinense de Arqueologia – NUTA foi criado pela UNITINS – Fundação Universidade do Tocantins sob Instrução Normativa nº 14/99 de 22 de novembro de 1999, tendo como mentor e executor de sua estruturação o Arqueólogo Prof. Msc. Marcos Aurélio Câmara Zimmermann, coordenador dos Projetos e Programas de Pesquisa de Arqueologia.

Sua primeira sede era localizada no Campus Universitário de Porto Nacional (atual sede do Campus da UFT em Porto Nacional). Foi inaugurada em 1999 e construída com recursos oriunda do convênio científico firmado entre a UNITINS – Fundação Universidade do Tocantins e as Centrais Elétricas do Norte do Brasil – ELETRONORTE, para a execução do Projeto SALTIMINS – Levantamento e Salvamento Arqueológico na extensão do Trecho da Linha de Transmissão de Energia Elétrica entre as Subestações de Imperatriz/MA à Miracema do Tocantins/TO, Interligação Norte/Sul.

Em maio de 2002 houve a ampliação desse laboratório com a construção de um anexo para a guarda do acervo arqueológico resgatado pelas pesquisas e um espaço dividido em salas apropriadas para preparação, catalogação e análise dos materiais culturais coletados. Esta ampliação foi possível com a aplicação de recursos financeiros proveniente do Projeto SALTMISA – Projeto de Salvamento Arqueológico na extensão das áreas impactadas pela Linha de Transmissão Norte/Sul, Trecho de Miracema do Tocantins/TO à Samambaia/DF e do Programa SALTFENS – Programa de Levantamento, Monitoramento e Salvamento Arqueológico nas áreas de abrangência da Ferrovia Norte/Sul, Etapa I – Trecho Aguiarnópolis a Darcinópolis no Estado do Tocantins.

Com a federalização do campus de Porto Nacional e a criação da Universidade Federal do Tocantins, esse prédio foi repassado à mesma. Assim, uma nova reestruturação física se fez necessária. Com recursos levantados por pesquisas realizadas pelo próprio NUTA e com a doação de uma nova área pelo Prof. José Hidasi, em 23 de março de 2006 a nova sede foi inaugurada, e para ela transferida às atividades de pesquisas e todo o acervo arqueológico sob a salvaguarda do NUTA. Sua atual sede localiza-se no Anel Viário, Rodovia TO-050, quadra 20, lote 65, jardim dos Ipês, também na cidade de Porto Nacional/TO.

O Núcleo de Arqueologia coordena, desenvolve, orienta e executam estudos e pesquisas na área específica de Arqueologia, na área de Patrimônio Histórico Cultural e Natural e na área de Paleontologia, tendo como apoio técnico/científico as áreas de Antropologia, História, Educação, as ciências do Meio Ambiente (Geografia e Biologia) entre outras áreas afins.

Exerce parceria com o Instituto de Arqueologia Brasileira – IAB – Rio de Janeiro – RJ, por meio de um convênio firmado para o desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e extensão.

O NUTA atua no Estado do Tocantins, na região norte de Goiás e na região sul do Maranhão em Projetos e Programas de Prospecção, Monitoramento e Salvamento Arqueológico e no Levantamento e Registro do Patrimônio Histórico e Cultural.

Desde 1999 o NUTA reputa como da maior importância, pelo que representa para o cenário cultural do estado e região, contribui significativamente com a consolidação de estudos e pesquisas, colocando o Tocantins no cenário arqueológico nacional. Síntese dos objetivos das ações da Educação Patrimonial do NUT.

Visite a sua página:

https://www.unitins.br/nuta/historia.aspx

Veja a reportagem sobre os sítios arqueológicos de Tocantins na série Norte Integrado:

http://g1.globo.com/ap/amapa/amapa-tv/videos/v/veja-os-sitios-arqueologicos-de-tocantins-na-serie-norte-integrado/2918112/

Publicações:

Do megalitismo às gravuras rupestres: contribuições para a arqueologia da Região do Jalapão, Tocantins, Brasil

Jorge Eremites de Oliveira, Rodrigo Luiz Simas de Aguiar

Resumo

O Jalapão é uma região tocantinense ainda praticamente desconhecida para a arqueologia brasileira.  Se em um primeiro momento parece um ambiente quase desértico, na verdade é farto em água e apresenta grande diversidade biológica, constituindo-se verdadeiro celeiro para as populações indígenas pretéritas.  Com efeito, um diagnóstico arqueológico registrou em março de 2009 dezoito sítios arqueológicos em apenas doze dias de campo, confirmando a potencialidade arqueológica da região.  Os alinhamentos de pedras e os enfileiramentos de seixos são as modalidades de sítios arqueológicos que mais chamaram a atenção dos pesquisadores, pois oferecem uma perspectiva de estudo arqueoastronômico para a área em questão.  O presente trabalho pretende trazer para a comunidade científica os dados referentes a estes achados, no intuito de subsidiar futuros estudos arqueológicos na região do Jalapão.
http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/maracanan/article/view/12891

Bueno, Lucas. Variabilidade tecnológica nos sítios líticos da região do Lajeado, médio rio Tocantins, tese de doutorado na Pós-Graduação em Arqueologia do Museu de Arqueologia e Etnologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2005.

Link

Maranhão

– Centro de Pesquisa em Arqueologia e História Timbira (CPAH)

Na  Universidade Estadual do Maranhão (Uema) , no campus de Imperatriz, funciona o Centro de Pesquisa em Arqueologia e História Timbira (CPAH). O local é um campo de estudo multidisciplinar que dialoga com áreas afins das áreas de Ciências Humanas e Sociais de estudos arqueológicos realizados na região Sul do Maranhão. Além de ser um espaço totalmente equipado para receber estudantes, pesquisadores e a comunidade, o centro é a primeira instituição de guarda de acervo arqueológico no Sul do Maranhão, colaborando para a preservação desse material, considerando que outras duas instituições se encontram em São Luís. O Laboratório de Arqueologia do Centro é pioneiro em pesquisas de culturas das populações ancestrais que ocuparam a Amazônia Oriental e um espaço museal para salvaguardar acervo arqueológico coletado na região.

              

Acervo do Centro instalado no campus da Uema, em Imperatriz. Foto: Divulgação

O Centro surgiu a partir do Núcleo de Estudos Africanos e Indígenas (NEAI), que se consolidou como órgão de pesquisa dentro da universidade, participando e promovendo encontros, seminários e fóruns culturais em defesa do patrimônio, material e imaterial, com ações que envolvem a sociedade civil, de forma dinâmica e participativa.

Povos Timbira

Timbira é uma denominação clássica usada para designar os povos que dominaram a imensa área dos cerrados do interior do Maranhão. Segundo o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), em 2010 restavam cerca de oito mil remanescentes que habitavam uma área bem menor, entre os estados do Maranhão e Tocantins. No início do século XIX, os Krahô e os Apinajé foram obrigados a atravessar o rio Tocantins, acossados por pecuaristas. Segundo Curt Nimuendajú, são física, linguística e culturalmente caracterizados como da família Jê e agrupam os povos Apanyekrá, Apinayé, Canela, Gavião Parkatejê, Krahô, Krinkatí e Gavião Pykopjê

Mato Grosso do Sul

O Inventário da Arte Rupestre feito em Mato Grosso do Sul coordenado pelo antropólogo Rodrigo Luiz Simas de Aguiar  reúne informações inéditas sobre 80 sítios arqueológicos do Estado; a intenção é não só assegurar a preservação do patrimônio arqueológico sul-mato-grossense como, também, envolver a população nesse processo de conservação da história.

Pelas características dos achados arqueológicos, a ocupação da região se deu basicamente por povos caçadores, coletores ou pescadores e, posteriormente, por grupos de etnias indígenas que se dedicavam à horticultura e eram, também, exímios ceramistas. Foram pessoas que habitaram a região há pelo menos 10 mil anos, até a chegada dos colonizadores europeus, quando o contato extinguiu diversos grupos e práticas culturais. As figuras rupestres encontradas em Mato Grosso do Sul retratam, por meio de simbologias, os ritos, crenças e a vida cotidiana desses povos. Os sítios rupestres do Mato Grosso do Sul são de suma importância para contar a história de ocupação do território. Uma parte desses sítios estão em locais muito visitados ou muito afastados das comunidades e, por isso, as pinturas e gravuras sofreram vandalismo ou mesmo destruição por agentes naturais, como o desplacamento da rocha.

Arqueologia do Templo dos Pilares, Alcinópolis, MS – Brasil

Vídeo produzido pelo Laboratório de Arqueologia da UFGD, que apresenta uma síntese dos resultados da escavação arqueológica empreendida no sítio Templo dos Pilares, em Alcinópolis, estado de Mato Grosso do Sul, Brasil. O início da ocupação humana no abrigo foi datada em 10.735 anos. Seriam povos caçadores e coletores que ocuparam o espaço até 8 mil anos, autores das punturas rupestres. Após um hiato de 5 mil anos, chegam à região povos ceramistas, numa ocupação que recua 3 mil anos antes do presente, sendo estes os autores das gravuras rupestres.

Educação Patrimonial

A Constituição inclui como patrimônio cultural brasileiro as formas de expressão, os modos de criar, fazer e viver, as criações científicas, artísticas e tecnológicas, as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinado as às manifestações artístico-culturais e os (..) sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico, garantindo o pleno exercício dos direitos culturais e responsabilizando o Estado pelo apoio, proteção, valorização e difusão das manifestações culturais indígenas, afro-brasileiras e de outros grupos do processo civilizatório nacional.

O que é afinal educação patrimonial?

Trata-se de um processo permanente e sistemático de trabalho educacional centrado no Patrimônio Cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo. A partir da experiência e do contato direto com as evidências e manifestações da cultura, em todos os seus múltiplos aspectos, sentidos e significados, o trabalho de Educação Patrimonial busca levar as crianças e adultos a um processo ativo de conhecimento, apropriação e valorização de sua herança cultural, capacitando-os para um melhor usufruto destes bens, e propiciando a geração e a produção de novos conhecimentos, num processo contínuo de criação cultural.

O conhecimento crítico e a apropriação consciente pelas comunidades do seu patrimônio são fatores indispensáveis no processo de preservação  sustentável desses bens, assim como no fortalecimento dos sentimentos de identidade e cidadania.

A Educação Patrimonial é um instrumento de “alfabetização cultural” que possibilita ao indivíduo fazer a leitura do mundo que o rodeia, levando-o à compreensão do universo sócio-cultural e da trajetória histórico-temporal em que está inserido. Este processo leva ao reforço da auto-estima dos indivíduos e comunidades e à valorização da cultura brasileira, compreendida como múltipla e plural.

O diálogo permanente que está implícito neste processo educacional estimula e facilita a comunicação e a interação entre as comunidades e os agentes responsáveis pela preservação e estudo dos bens culturais, possibilitando a troca de conhecimentos e a formação de parcerias para a proteção e valorização desses bens.

A metodologia específica da Educação Patrimonial pode ser aplicada a qualquer evidência material ou manifestação da cultura, seja um objeto ou conjunto de bens, um monumento ou um sítio histórico ou arqueológico, uma paisagem natural, um parque ou uma área de proteção ambiental, um centro histórico urbano ou uma comunidade da área rural, uma manifestação popular de caráter folclórico ou ritual, um processo de produção industrial ou artesanal, tecnologias e saberes populares, e qualquer outra expressão resultante da relação entre indivíduos e seu meio ambiente.”

Fonte: Guia Básico de Educação Patrimonial/ Maria de Lourdes Parreiras Horta, Evelina Grumberg, Adriane Queiroz Monteiro – Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Museu Imperial, 1999.

Espeleologia

As cavernas são precipuamente espaços geográficos inseridos no meio ambiente natural, que se destacam também por conterem atributos ecológicos e por serem portadores de valor de referência cultural para a sociedade brasileira.

Entre os objetivos do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) estão:  proteger as paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica;  proteger as características relevantes de natureza geológica, geomorfológica, espeleológica, arqueológica, paleontológica e cultural; proporcionar meios e incentivos para atividades de pesquisa científica; favorecer condições e promover a educação e interpretação ambiental, recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico.

Além disso, os sítios espeleológicos são um bom exemplo da interdisciplinariedade e da diversidade de valores e interesses presentes em um mesmo espaço geográfico. Desde 1961 as cavernas são espaços protegidos nos termos do art. 2, b, da Lei n.º 3.924/61, que enumera, como patrimônio arqueológico, as cavernas, lapas, grutas e abrigos sobre rocha onde são encontrados vestígios de natureza arqueológica. Esses espaços espeleológicos podem abrigar também bens paleontológicos (e nesse caso é aplicável também a norma que cuida dessa matéria).  Enfim, mesmo as cavernas de baixa e média relevância podem oferecer aos arqueólogos e paleontólogos elementos informativos de grande importância para a compreensão da trajetória dos seres vivos sobre a terra.

O Cerrado possui mais de 4 mil cavidades ou 60% de todas as cavernas registradas no Brasil.

O Estado de Goiás (Brasil) possui 521 cavernas cadastradas na Sociedade Brasileira de Espeleologia, organismo não governamental que congrega grupos dedicados à pesquisa, exploração e proteção das grutas e cavernas no País. Alguns desses ambientes estão entre os maiores da América do Sul. A 300 Km ao norte de Alto Paraíso e norte do estado encontra-se o complexo espeleológico de Terra Ronca, um dos mais belos e significativos conjuntos de grutas e cavernas do mundo.Localizado nos municípios de Guarani de Goiás e São Domingos. Criado em 1989, o Parque Estadual de Terra Ronca foi declarado Reserva da Biosfera pela UNESCO , em 2000.

Parque Estadual Terra Ronca, criado em 7 de julho de 1989, tem área de 57.018 hectares e limites, estabelecidos em agosto de 1996. É destinado a proteger os rios e cachoeiras, bem como a fauna, flora e a paisagem natural da região e, para proteger, principalmente o patrimônio espeleológico do mais expressivo conjunto de cavernas América Latina, sendo que, as mais famosas são Terra Ronca, Angélica, São Bernardo, e São Mateus.

Formadas ao longo de milhões de anos, as grutas do Parque Estadual de Terra Ronca formam um dos maiores complexos espeleológicos do Brasil. Localizado entre os municípios de São Domingos e Guarani de Goiás, o parque fica na Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra Geral de Goiás, com extensão de aproximadamente 57 mil hectares.

O Parque conta com mais de 200 cavernas catalogadas entre elas “11 são molhadas”, ou seja, passa um rio por dentro, segundo informações de um guia local. O Acesso às cavernas são variados onde encontramos desde locais de fácil acesso e travessia como outros de médio, difícil e muito difícil acesso.

Chapada dos Guimarães

Belezas cênicas em uma variedade de ambientes, além da contemplação de diferentes espécies de flora e fauna do Cerrado são alguns dos atrativos do Parque Nacional (Parna) Chapada dos Guimarães. Além de ser marcado pela diversidade de relevo, o parque faz parte da bacia hidrográfica do Alto Paraguai, protegendo cabeceiras do rio Cuiabá, um dos principais formadores do Pantanal Matogrossense.

Na região da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso, segundo o espeleólogo (profissional que estuda as cavernas) José Guilherme Aires Lima, chefe do Centro Nacional de Estudos, Proteção e Manejo de Cavernas do Ibama/MT, a grande maioria dos sítios arqueológicos não se beneficiam do Parque Nacional porque estão fora de seu território. “Na época da demarcação, já havia conhecimento da existência dos sítios, mas eles foram excluídos”.

O espeleólogo afirma que, apesar dos sítios serem de difícil acesso, a falta de fiscalização incentiva a visitação dos turistas. Um dos mais conhecidos é a Lapa do Frei Canuto, um sítio de cerimonial que foi depredado com pixações.

Outro sítio que está fora do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães é a caverna Kamukuaká, às margens do rio Batuvi. Este é um sítio arqueológico vivo, que conta com os relatos dos descendentes indígenas para a interpretação dos materiais encontrados. Os índios Waurás estão confinados no Parque e, desde o ano passado, reivindicam o reconhecimento da área da caverna para o tombamento. Mas agora, segundo José Guilherme Lima, o sítio está sendo ameaçado pela autorização de cerca de 20 mil hectares de desmatamento para o plantio de algodão no entorno.

Fonte: http://www.oei.es/divulgacioncientifica/reportajes_121.htm

Redes

O projeto RedeArq – Encontro de Museus de Arqueologia é um evento científico que propõe ampliar o diálogo e reflexão sobre a gestão, a pesquisa e a difusão do patrimônio arqueológico nas instituições museológicas. O projeto foi contemplado no Edital Proeventos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Projeto Proeventos 3 – FAPESC 1375/2016). A programação de conferência, mesas-redondas e apresentações pretende reunir representantes de museus de diversas cidades e regiões para a formação de rede de museus de arqueologia. O RedeArq é um projeto da pesquisadora Roberta Meyer Miranda da Veiga, com apoio e participação da equipe técnica do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (MASJ). O evento também integra programação de eventos científicos que a instituição quer desenvolver em 2017, ano que o MASJ completa 45 anos. O RedeArq tem anuência e apoio do MASJ e da Fundação Cultural de Joinville. A Associação de Amigos do Museu de Sambaqui, a AMAASJ também está apoiando a organização do projeto.

A história do museu de arqueologia de Joinville, que se inicia em 1969 (Lei Municipal 1042) está relacionada ao desenvolvimento do campo da arqueologia no Brasil e este evento científico propõe novas reflexões e articulações. Especialmente sobre as vivências na gestão dos museus e suas interações com suas comunidades, seus pesquisadores, seus públicos presenciais e virtuais e os reflexos destas ações na formação cultural da sociedade sobre as relações entre o presente e o passado. Atualmente, há mais de 100 museus de arqueologia no Brasil, sendo 18 na Região Sul, além de instituições de guarda de acervo arqueológico. O projeto RedeArq convida os técnicos, pesquisadores, gestores, estudantes e interessados a compartilhar a programação e participar desta rede.