Marineide e Raimunda foram destacadas para viajar à Brasília para receber a premiação, cuja solenidade foi realizada no dia 28 de abril. O evento reuniu o embaixador espanhol, Fernando García Casas e diversas autoridades que apoiaram a iniciativa de reconhecer experiências e projetos produtivos de mulheres rurais. Foi das mãos de Anastasia Dimiskaya, da ONU-Mulheres, que as Panelinhenses receberam o tão merecido reconhecimento.
“A gente teve apoio da EMATER, do MTC, de amigos como o Fábio Cardoso, que mora em São Paulo. Já tínhamos recebido a menção honrosa no prêmio Potência Feminina, da ONU. Mas desta vez ficamos em segundo lugar. Mostramos que é possível organizar e produzir unindo mulheres que colocam seus próprios corpos em defesa do cerrado em pé; para proteger a biodiversidade do nosso território. Eu me sinto como se tivesse ganho na Mega Sena”, destaca Marineide, emocionada durante a solenidade na capital federal.
Aliás, a história de Marineide merece um destaque a parte. Ela, que também preside a associação comunitária, já tinha experiência em outra associação, quando residia em São Paulo. “Fui catadora de recicláveis e até coordenei uma associação de catadores, mas tive que largar tudo para cuidar do meu pai, que tinha adoecido. Voltei para a minha cidade natal, mas, com três filhos e mãe solteira, não tinha como sobreviver apenas com os auxílios governamentais. O município, pequeno demais, era difícil trabalho. Coloquei em prática o conhecimento que eu já tinha e, junto com outras mulheres, vimos que é possível ter sustentabilidade através dos frutos do nosso próprio cerrado que acabavam se perdendo. Hoje conseguimos escoar a produção para lanchonetes, restaurantes e até mesmo para a Prefeitura de Miravânia”, explica.
Durante a premiação, o embaixador García Casas destacou a subvalorização do trabalho da mulher no campo no Brasil e no mundo, embora ela represente, segundo dados trazidos por ele, 43% da produção rural. “O trabalho que elas realizam nas comunidades rurais é muitas vezes percebido como ajuda ao marido, ao pai, ao irmão”, disse. O embaixador ainda enfatizou que “o feminismo e a justiça social são inseparáveis”. Segundo ele, é necessário dar visibilidade ao um “um movimento silencioso e essencial de mulheres do campo, das águas e das florestas”, cujo trabalho “gera alimento, renda e vida”.
Neste sentido, os sonhos das mulheres do Sabores do Cerrado ainda têm muito caminho a percorrer. “Vamos pegar o dinheiro e investir em novos freezers e seladoras. Queremos ampliar o número de mulheres dentro do projeto e ampliar a produção. Já temos viveiros vivos, com o aproveitamento das sementes para mudas, logo, mais frutos para beneficiamento. Queremos chegar a produzir para o PNAE, por exemplo”, finalizou Marineide com brilho nos olhos.
Por Mayrá Lima (Rede Cerrado)
Brasília, DF
Fonte: https://redecerrado.org.br/iniciativa-de-camponesas-de-minas-gerais-ganha-premio-da-embaixada-da-espanha/