Mudanças florísticas na vegetação lenhosa em cerrado sentido restrito de vale na estação ecológica do Jardim Botânico de Brasília (2009-2013)

Autor(a):

Matheus do Vale Mendes

Resumo:

O Cerrado no Brasil Central se destaca pela elevada diversidade em espécies e figura entre as savanas mais ricas do mundo. A ampla variedade de fitofisionomias coexiste e se mistura mesmo em condições edáficas semelhantes. O objetivo deste trabalho foi avaliar a florística do Cerrado sentido restrito de Vale (V) que ocorre sobre solos distróficos na Estação Ecológica no Jardim Botânico de Brasília (EEJBB-DF) no período 2009-2013 quando não foram registrados incêndios. Na área foram estabelecidas dez parcelas permanentes de 20×50 m cada (1.000 m²) com o total de um hectare amostrado. Foram mensurados os diâmetros e estimadas as alturas totais de todos os indivíduos, inclusive os mortos em pé, com Db30cm ≥ 5 cm. Foram calculados parâmetros absolutos e relativos de densidade, frequência, área basal e IVI. A estrutura de tamanhos foi avaliada em intervalos fixos de altura e diâmetro. Foram amostradas, nos inventários de 2009 / 2013, respectivamente: 28 / 34 famílias, 45 / 53 gêneros e 59 / 72 espécies. Outras 15 espécies foram incluídas na amostragem em 2013, principalmente algumas típicas da mata de galeria (*), que se expande sobre as parcelas mais próximas nos limites com o Cerrado sentido restrito. Foram estas: Erythroxylum suberosum, Banisteriopsis sp., Aegiphila lhozkiana, Vochysia tucanorum (*), Symplocos nitens (*), Lamanonia ternata, Ocotea spixiana (*), Miconia leucocarpa, Emmotum nitens (*), Byrsonima laxiflora (*), Myrcia splendens (*), Maprounea guianensis (*), Copaifera langsdorffii (*), Rourea induta e Bacharis sp. Duas espécies, Vernonanthura ferruginea e Eremanthus goyazensis, amostradas em 2009 não foram encontradas em 2013. As mesmas famílias foram as mais representadas em 2009 / 2013 (Fabaceae, Vochysiaceae e Malpighiaceae). As espécies de maior IVI no período foram: Eriotheca pubescens/E. pubescens, Qualea parviflora/Guapira noxia, G. noxia/Q. parviflora, Poliouratea hexasperma/P. hexasperma e Roupala montana/R. montana, pois somaram 29,5 / 29,9% do IVI total. A diversidade (H’) e a equabilidade (J’) foram, respectivamente, de 3,31 nats.ind-1 e 0,81 / 3,49 nats.ind-1 e 0,82. A densidade total foi de 1155 / 1126 ind.ha-1 com área basal de 8,23 / 8,10 m².ha-1. Os indivíduos mortos em pé representaram 23,3% (269 ind. ha-1) / 7,3% (82 ind.ha-1) da densidade relativa total e 18,5% (1,52 m².ha-¹) / 8,9% (0,72 m².ha-¹) da área basal total. A distribuição dos diâmetros na comunidade apresentou curvas de aspecto J-reverso com balanço positivo entre recrutamento e mortalidade em ambos os inventários.

Referência:

MENDES, Matheus do Vale. Mudanças florísticas na vegetação lenhosa em cerrado sentido restrito de vale na estação ecológica do Jardim Botânico de Brasília (2009-2013). 2013. 39 f., il. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia Florestal)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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